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RESSIGNIFICANDO A SALA-AMBIENTE EM UMA ESCOLA ESTADUAL DE GOIÁS

Patrícia Gonçalves De Sousa, Rafael Henrique Dos Reis, Relton Gustavo Teixeira Gomes, Willian Ferreira De Sousa, Paulo Celso Ferrari

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XIX
Ano
2011
Data
03/02/2011
Linha de pesquisa
Políticas Públicas E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## RESSIGNIFICANDO A SALA-AMBIENTE EM UMA ESCOLA ESTADUAL DE GOIÁS

Patrícia Gonçalves de Sousa¹, Rafael Henrique dos Reis², Relton Gustavo Teixeira Gomes³, Willian Ferreira de Sousa , Paulo Celso Ferrari 4 5

- ¹ Universidade Federal de Goiás/Instituto de Física, patrícia\_pgs@hotmail.com
- ² Universidade Federal de Goiás/Instituto de Física, rafael\_hreis@hotmail.com
- ³ Universidade Federal de Goiás/Instituto de Física, phisicduscosmus@gmail.com
- 4 Universidade Federal de Goiás/Instituto de Física, willian.fssousa@gmail.com

- Universidade Federal de Goiás/Instituto de Física, pferrari@if.ufg.br

## Resumo

Neste trabalho procuramos identificar as características de duas propostas que vêm sendo desenvolvidas paralelamente no Colégio Estadual Waldemar Mundim, de Goiânia, interferindo diretamente no ensino de Física, o Projeto 'Ressignificação do Ensino Médio: um caminho para a qualidade' e o modelo pedagógico de sala-ambiente, procurando estabelecer relações entre elas. Para tanto, optamos pela pesquisa qualitativa, de caráter participativo, uma vez que integra nossa contínua interação com a comunidade escolar propiciada pela nossa participação no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência pelo Instituto de Física da Universidade Federal de Goiás, fazendo uso de entrevistas semi-estruturadas com dois representantes qualitativamente importantes para as duas propostas, o gestor e um professor do corpo docente da escola que participou da elaboração e participa da implantação do Projeto junto à Secretaria Estadual de Educação de Goiás. Apesar de ambas as propostas ainda estarem sendo implementadas na escola, pudemos inferir que o modelo pedagógico de sala-ambiente sofreu modificações visivelmente influenciadas pelo Projeto 'Ressignificação do Ensino Médio: um caminho para a qualidade' principalmente pela adoção de regime semestral, aulas duplas e disciplinas optativas.

Palavras-chave: Sala-Ambiente, Ressignificação do Ensino Médio, Metodologia de Ensino.

## Introdução

No ano de 2009 teve início o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) no Colégio Estadual Waldemar Mundim, indicado pela Universidade Federal de Goiás devido aos baixos índices obtidos nas pesquisas realizadas pelo INEP. Desde então, como bolsistas do PIBID, nossa atuação na escola segue a orientação de apoiar teórica e praticamente a comunidade escolar em suas iniciativas.

A partir do segundo semestre de 2009 começamos a discutir a implantação de um projeto da Secretaria de Educação intitulado 'Ressignificação do Ensino Médio: um caminho para a qualidade' (PREM). Para responder a essa proposta a escola optou por um modelo pedagógico baseado na utilização da sala-ambiente.

Neste trabalho discutimos uma etapa da nossa pesquisa, quando procuramos compreender qual é a relação entre o projeto (PREM) e o modelo de sala-ambiente. Que adaptações estão sendo feitas para conciliá-los?

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## O Projeto 'Ressignificação do Ensino Médio' em Goiás .

Desde o movimento social que deflagrou a reformulação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e logo em seguida a publicação dos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM), o Ensino Médio no Brasil vem passando por uma série de discussões que envolvem sua finalidade e seu significado para a população jovem. Essa necessidade de mudança do significado do Ensino Médio fez com que a Secretaria Estadual de Educação de Goiás buscasse alternativas. Após uma série de iniciativas (debates com os dirigentes das escolas, debates com duplas pedagógicas, reuniões por subsecretarias, reuniões com entidades/instituições, reuniões e experiências por escolas, criação do comitê coordenador, produção de material didático, seminários de educação ambiental, seminário de mídias na escola, seminário ' Realidade e Desafios do Ensino Médio na Atualidade ', manifestação da comunidade escolar por meio de preenchimento de questionários avaliativos), em abril de 2008 no Seminário 'Realidade e Desafios do Ensino Médio na Atualidade', professores, gestores e estudantes manifestaram suas perspectivas a respeito dos problemas enfrentados no cotidiano escolar. Essa consulta revelou a situação em que se encontrava o ensino, com grande número de evasão, baixas notas nas pesquisas que medem o nível de aprendizagem, grande desinteresse por parte de estudantes e professores, dentre outras. Algumas conclusões levaram a crer que se deve procurar:

(...) empreender esforço conjunto por parte de todas as instâncias e atores que participam da construção do processo educativo escolar de nível médio (...) ultrapassar as medidas adotadas até então. (...) ressignificar o ato de ensinar e aprender, o ato de gerir a instituição e o conhecimento, as regras de convivência entre os sujeitos, em outras palavras, ressignificar o ambiente da escola (...) (RODRIGUES; MOREIRA, 2009, p. 13).

Foi criado, então, o PREM, cujo conteúdo está em plena concordância com o que estabelecem a LDB e o PCNEM.

Uma das premissas básicas do PREM é autonomia da escola, considerando que ' a autonomia e a identidade da escola e, portanto, a diversidade de projetos existentes exigem demandas específicas e particulares. ' (RODRIGUES; MOREIRA, 2009, p. 27)'.

- O documento destaca também a necessidade da formação continuada de professores e gestores:

As ações de formação devem apoiar-se em estratégias que (...) estejam centradas nas equipes e ocorram nas próprias escolas. Desse modo, concretiza-se uma formação permanente coerente com os princípios pedagógicos da reforma: de identidade, diversidade e autonomia das escolas e das equipes (...) (RODRIGUES; MOREIRA, 2009, p. 27).

A elaboração de uma matriz curricular baseada na semestralidade aparece como opção para a redução da evasão e da reprovação, pois:

- (...) a ocorrência de um grande número de reprovação ou evasão, por parte dos alunos que estudam e trabalham, demonstra que falta umas propostas de acolhimento desses sujeitos (...), sobretudo no que concerne à restrição de horários disponíveis para dedicar-se aos estudos. Muitas vezes esses jovens evadem das escolas quase no final do ano letivo perdendo o direito de validade das notas e créditos adquiridos ao longo do curso. (RODRIGUES; MOREIRA, 2009, p. 24).

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A proposta de criação de disciplinas que atendam o mercado de trabalho local e também com o objetivo de formação para a vida de maneira técnicocientífica, cultural, artística e esportiva, abriu a possibilidade de implementação de disciplinas opcionais. Assim, o estudante passa a ter autonomia de escolha de disciplinas, dentre as oferecidas pela instituição escolar, e amplia a disponibilidade de conteúdos a serem estudados:

As Disciplinas Opcionais tem como objetivo atender as necessidades vivenciais do aluno, principal protagonista do processo da escolha das disciplinas oferecidas.

A escola pode fazer uma enquete com os alunos, para definir aquelas disciplinas que forem solicitadas por eles mesmos, ou professores, que também podem desenvolver projetos inovadores e condizentes com as práticas diárias da escola, apresentadas para serem escolhidas. (MOREIRA; ABREU, 2009, p. 282).

O objetivo do PREM é, em linhas gerais, que toda a comunidade escolar participe ativamente do processo de ressignificação, que o papel do Ensino Médio seja ampliado, contemplando tanto a formação para inclusão no mercado de trabalho, quanto a para o exercício da cidadania, quanto a preparação para o vestibular e que desperte no estudante o prazer pela busca de conhecimento científico, artístico, esportivo, cultural, assegurando o desenvolvimento pessoal, conforme é estabelecido pela Constituição Federal.

Cada escola deve ter como objetivo atingir as metas que estabeleceu em seu próprio Projeto Político Pedagógico. Contudo, para o comprimento destas, a comunidade escolar deve se deparar com três grandes tarefas, dependendo sempre do que foi previsto em seu projeto.

A primeira diz respeito à ' presença regular e responsável dos sujeitos, suas necessidades e desejos ' (RODRIGUES; MOREIRA, 2009, p. 33), que diz respeito à assiduidade no trabalho e interesse pela formação continuada dos docentes e demais participantes da comunidade escolar.

A segunda se refere ao material que deve compor a sala e como deve ser disposto, dando mais opções ao professor e ampliando as formas de ministrar aulas, de modo a facilitar o processo de ensino e aprendizagem. Nesse contexto aparece a possibilidade da utilização de salas-ambiente:

A outra é de caráter material e físico e se traduz na exigência de um prédio com sala de aulas, carteiras, quadro de giz, apagador, livros, cadernos, computadores funcionando, biblioteca, laboratórios, salas-ambiente, espaços para atividades culturais-artísticas e para práticas esportistas. (RODRIGUES; MOREIRA, 2009, p. 33).

A terceira se refere ' a programas de estimulo, reconhecimento e valorização dos sujeitos' (RODRIGUES; MOREIRA, 2009, p. 33), ou seja, se fazem necessárias políticas educacionais que favoreçam a dedicação exclusiva do profissional a uma mesma escola, melhores condições de trabalho, melhor remuneração e a consolidação de um bom plano de carreira.

## Sala-ambiente: uma alternativa

A ideia de sala-ambiente tem suas origens em meados dos anos 1960, no ensino profissionalizante (GUERRA, 2007), ainda utilizada em escolas norteamericanas e francesas (PUCCI, 2001), se antagoniza àquela concepção tradicional de ensino bancário, na qual o professor expõe os conteúdos aos estudantes e estes

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permanecerem atentos, como uma plateia recebendo sempre o que emana do professor. Uma proposta para superar essa situação é a criação de um ambiente propício ao compartilhamento de conhecimento:

- (...) um ambiente estabelece um clima que predispõe uma pessoa a sentir determinadas sensações, assim como vontade e predisposição para manifestar específicos comportamentos, distintas ações, diferentes atitudes. (PENIN, 1997, p. 20).

A sala-ambiente tem o papel de estimular o estudante a permanecer na sala e dela fazer uso, abrindo a possibilidade de várias maneiras de dispor os recursos e os móveis em cada aula, ou seja, ' há aulas para todo tipo de arranjo e a mudança em si mesma já é estimulante ' (PENIN, 1997, p. 21). Isto faz com que a cada atividade proposta pelo professor os estudantes possam ter a liberdade de trabalhar coletivamente, pois assim possam compartilhar e trocar suas experiências com seus colegas, considerando que ' a sala-ambiente permite (...) criar um espaço propício para a troca de experiências e exploração de vivências (...) ' (SÃO PAULO, 1997, p. 7).

Assim, deve haver na escola espaços destinados a cada uma das disciplinas que compõem o currículo, com as características da sua área do conhecimento. Com isso, o deslocamento entre as salas, de uma aula para outra, passa a ser realizado pelos estudantes (MARANGON, 2003), pois na sala permanecem os materiais e recursos pedagógicos que podem facilitar a mediação da aprendizagem. É importante ressalvar que não é só da escola a responsabilidade pela estruturação da sala:

- (...) os materiais e recursos didático-pedagógicos que fazem parte das salas-ambiente são aqueles produzidos e/ou trazidos pelos próprios alunos e professores e os adquiridos pela escola, como: livros didáticos, paradidáticos, livros de literatura infantil e juvenil, revistas, jornais; jogos, equipamentos e instrumentos, discos, CDs, equipamentos para atividades experimentais, instrumentos musicais etc. (SÃO PAULO, 1997, p. 8).

Para que a sala-ambiente se torne uma referência para os estudantes, o professor deve permanecer nela o maior tempo possível, ela passa a ser o seu ambiente de trabalho, onde irá preparar aulas, corrigir provas e atender os estudantes. ' Nesse sentido o espaço deixa de ser da escola e passa a ser do professor ou dos professores de uma determinada área do conhecimento ' (PENIN, 1997, p. 21). No caso da Física, por exemplo, a sala-ambiente comporta o próprio laboratório didático, com as bancadas e os equipamentos à disposição do professor e dos estudantes, facilitando a exploração do caráter experimental desta ciência. Vários outros recursos (revistas e artigos científicos, multimídias, livros didáticos e paradidáticos, jornais, experimentos alternativos) podem ser elaborados pelos próprios alunos ou pelo professor e levados para a sala, com temáticas de acordo com o conteúdo trabalhado.

Porém, a reorganização do espaço escolar não é suficiente para o desenvolvimento dessa proposta. A reflexão por parte do professor sobre sua própria prática na sala-ambiente se faz necessária, visto que sua conduta é o diferencial para o sucesso da proposta, pois:

- (...) é o conhecimento do professor sobre o alcance de cada material que definirá a melhor utilização de cada um em cada momento (...), é a forma de usá-los que garante a sua eficácia na consecução de objetivos. (SÃO PAULO, 1997, p. 8).

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A opção pelo modelo de sala-ambiente enfrenta diversas dificuldades, pois 'e xiste um (...) aspecto do ensino que se sobrepõe a esta tentativa de inovação: a metodologia acreditada pelo professor ' (ROSA, 1997, p. 22), ou seja, existe uma acomodação e apreensão a mudanças por parte dos professores, provavelmente motivadas por suas concepções sobre metodologia de ensino. O professor deve enfrentar o grande desafio de mudar suas práticas pedagógicas, pois ' parece não haver possibilidade de se fazer prescrições de como utilizar a sala-ambiente ' (ROSA, 1997, p. 24).

Essas mudanças vão além de simples aplicações técnicas, uma vez que exigem uma postura de investigação permanente, de pesquisa sobre a própria prática, ou seja, uma mudança na concepção epistemológica do professor.

## Metodologia da pesquisa

Esta é uma pesquisa qualitativa, onde pesquisadores e pesquisados são sujeitos com qualidades específicas e cada mensagem tem um significado particular:

- (...) na análise qualitativa é a presença ou a ausência de uma dada característica de conteúdo ou de um conjunto de característica num determinado fragmento de mensagem que é tomada em consideração. (BARDIN, 1977, p. 23).

Existem várias aproximações com a pesquisa participativa, pois o problema investigado é de interesse tanto dos pesquisados quanto dos pesquisadores, uma vez que ambos estão engajados na compreensão do processo.

- O instrumento escolhido para a construção dos dados foi a entrevista semiestruturada (Anexo) que 'se desenrola a partir de um esquema básico, porém não aplicado rigidamente, permitindo que o entrevistador faça as necessárias adaptações. ' (LUDKE; ANDRÉ, 1986, p. 34).

Foram entrevistados o gestor (GE) e um professor da escola (PR) diretamente envolvido com o PREM.

## Análise e Discussão dos Resultados

Os dados foram analisados utilizando elementos da análise de conteúdo, com o objetivo de fazer considerações relevantes e posteriormente extrair conclusões por inferência, ainda que provisórias, pois '(...) a análise de conteúdo já não é considerada exclusivamente com um alcance descritivo (...) pelo contrário, toma-se consciência de que a sua função ou o seu objetivo é a inferência. ' (BARDIN, 1977, p. 23).

Para organizar nossa análise utilizamos três categorias de respostas. Iniciamos resgatando os aspectos do PREM considerados significativos na concepção do entrevistado PR, em seguida procuramos caracterizar a concepção de sala-ambiente do entrevistado GE, com o objetivo de confrontá-las com as referências teóricas apontadas neste trabalho. Nosso objetivo é avaliar o nível de compreensão que cada entrevistado tem desses dois processos.

Por último, extraímos das respostas de ambos os entrevistados elementos que caracterizam a sala-ambiente no contexto específico do PREM no Colégio Estadual Waldemar Mundim. Essa análise nos auxiliará a compreender as relações existentes entre os dois movimentos.

## Aspectos do PREM ressaltados pelo professor

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- O primeiro aspecto ressaltado pelo professor, presente no PREM, diz respeito à autonomia da escola. O entrevistado frisou que a característica principal do projeto é assegurar a liberdade já garantida na LDB e nos PCNEM:

Então, a Ressignificação, pelo menos, alertou as escolas, falou assim: 'Olha, você tem poderes. E você também tem autonomia.' E as escolas pensavam que não tinham tanta autonomia, que elas só cumpriam ordens. Então, a Ressignificação deu um passo muito importante nessa direção. (PR)

Com o projeto, várias escolas que desconheciam esses documentos foram levadas a repensar seus projetos pedagógicos.

- O entrevistado reconheceu também que o projeto influenciou em questões de gestão da escola não previstos nos documentos nacionais, como por exemplo, o regime semestral:

Então, a Ressignificação do estado de Goiás é uma maneira de pensar o fazer e o acontecer da unidade escolar de uma forma diferente. Nos documentos, sugere como poderia ser isso. A sugestão é que eu posso ter um ensino de semestralidade e fazer a minha matriz curricular em semestres. (PR)

Mesmo não sendo obrigatório, o regime de semestralidade tem sido considerado o aspecto de mais difícil implementação, pois implica em reorganização curricular. Muitas escolas mesmo aderindo ao projeto permanecem com o regime anual provocando uma situação ainda complicada para a administração por parte da Secretaria Estadual de Educação. O entrevistado comenta:

Mas é a primeira vez que se houve no estado de Goiás que o administrativo é subordinado ao pedagógico: o pedagógico quer fazer isso, isso é importante para desenvolver o ensino e aprendizagem do aluno; o administrativo vai ter que dar um jeito para se adequar ao pedagógico. (PR)

- O caráter pedagógico da semestralidade, segundo o entrevistado, se reflete em um menor tempo de escolaridade nos casos de reprovação e pode reduzir a evasão.

Um terceiro aspecto salientado pelo entrevistado é a possibilidade de criação de disciplinas optativas:

Além do currículo básico, da base comum, eu também forneço para ele um currículo diversificado, onde ele vai escolher o que ele vai fazer ou não, dentro das possibilidades da unidade escolar. (PR)

Ou seja, para o entrevistado, os elementos essenciais do PREM são: a autonomia na elaboração do projeto pedagógico, que implica até mesmo na adoção ou não da semestralidade e criação ou não de disciplinas optativas.

Partindo dessa concepção, o Colégio Estadual Waldemar Mundim poderia ter aderido ao exclusivamente trabalhando com salas-ambiente.

## Concepção de sala-ambiente do gestor

Na concepção do entrevistado GE, concordante com o referencial teórico aqui adotado, a sala-ambiente não se constitui somente enquanto espaço físico, embora uma das suas funções seja facilitar o acesso do professor e dos estudantes ao material didático:

Porque a sala-ambiente não é somente ter a sala com o nome: 'Sala de matemática.' Mas tem que preparar aquele ambiente com o material que é

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usado diariamente, com a disposição melhor, que fica o professor na sala, para melhor atender o professor, dentro da dinâmica que ele propõe para o seu ambiente. Se é em grupo, se é em círculo, se não precisa ter carteira. (GE)

Ele reconhece que a sala possibilita a adoção de novas práticas docentes que rompem com a tradicional aula expositiva com as carteiras enfileiradas.

Outra concepção coerente com a literatura é que o professor deve se apropriar da sala-ambiente:

Então, precisa que cada professor adote isso e tenha essa sala como sua, para que ele, realmente, transforme de acordo com a sua necessidade. (GE)

A permanência do professor na sala possibilita o maior acesso do estudante.

Portanto, na concepção de GE a sala-ambiente modifica a relação professoraluno. Isso exige mudanças na postura do professor e na sua metodologia de ensino.

## A sala-ambiente ressignificada

As entrevistas nos revelaram que o PREM e a proposta de sala-ambiente foram discutidas paralelamente. O gestor da escola admitiu que foi a partir do projeto que a escola se mobilizou em busca de novos modelos pedagógicos. Ao ser questionado sobre a influência do projeto na adoção de salas-ambiente, respondeu:

Ela influenciou em praticamente tudo porque foi motivado pela Ressignificação que a gente optou pelas salas-ambiente, nós mudamos a matriz curricular, nós alteramos também o ambiente para todas as séries mesmo para o Ensino Fundamental. Porque tivemos que fazer toda a mudança para adequar a escola ao funcionamento. (GE)

Ou seja, o Colégio Estadual Waldemar Mundim usufruiu da sua autonomia.

Enquanto professor da escola, o entrevistado PR participou das discussões que antecederam a adesão ao projeto e reconheceu:

A escola leu a Ressignificação, entendeu e estudou antes de entrar na ressignificação. Ela entendeu e compreendeu. Sentou, reescreveu o PPP, reescreveu o regimento interno, para que pudesse ser, então, encaixadas as dificuldades da escola dentro do PPP. (PR)

Entre as dificuldades particulares da escola foram mencionadas: a depredação do patrimônio, inclusive com o desaparecimento de materiais didáticos, a indisciplina e o alto índice de evasão. Diante dessas dificuldades, a sala-ambiente se mostrou uma boa alternativa.

Com a adoção desta, o intervalo de permanência na sala, sem o professor, diminuiu, reduzindo a depredação do patrimônio e a indisciplina:

Na questão do patrimônio público, há uma preservação. As salas deixaram de ser rabiscadas constantemente, as carteiras estão preservadas, são menos pichadas, menos rabiscadas. (GE)

As aulas passaram a ser aulas-duplas, ou seja, uma primeira aula de uma hora e quarenta, uma troca, mais uma aula dupla, posteriormente o recreio de vinte minutos e novamente mais uma aula dupla. Diminuindo a quantidade de intervalos, o tempo em que os estudantes ficam ociosos também diminui.

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E é mais rápido do que antes, porque os professores demoravam mais tempo para trocar de sala do que, propriamente, os alunos agora. Porque o professor já está aguardando ele lá na sala. (GE)

Isso levou a uma melhora significativa quanto à indisciplina dos estudantes.

Em relação à evasão, a escola já percebe uma expressiva redução, pois foi possível até mesmo ampliar o número de turmas:

a gente tinha uma possibilidade de 13 turmas, passamos para 16 turmas, porque todos os espaços passam a ser sala de aula, não existe um espaço físico. Agora existe um espaço virtual. (...) Hoje, a biblioteca, a sala de vídeo, a sala de informática, todas podem ser consideradas como salas de aula. Então, há uma ampliação nos espaços e uma exploração melhor desses espaços, um uso melhor deles. (GE)

A adoção de salas-ambiente facilitou também a criação de disciplinas optativas, uma vez que a compreensão do seu significado ampliou as possibilidades de oferta de disciplinas:

As optativas ampliam o espaço da escola, e isso é muito importante porque mostra que o espaço da aula não necessariamente tem que ser entre quatro paredes, então todos os nossos espaços são salas de aula, temos os pátios (...), o espaço do lado de fora, o espaço da sala de vídeo, então todos os espaços se desdobram, então você tem que desdobrar os espaços realmente e isso já mostra a cara do ambiente, porque o nome é salaambiente, todos os ambientes podem ser uma sala, e isso ajuda a repensar a prática pedagógica também. (GE)

Apesar de já ter sido adotada desde o início do ano, a proposta de salasambiente ainda enfrenta grandes dificuldades de execução. A principal delas é a própria formação do professor:

Na Ressignificação há um ponto importante (...) dá a possibilidade da gestão fazer diferente (...) mas ela acontece na prática pedagógica de cada um. Você ressignifica a sua forma de trabalhar. Se isso não acontecer com o professor primeiro, nada do que a gente fizer terá resultado, fica só no papel. Então isso é importante. (GE)

A coexistência com o modelo anterior de gestão dificulta a permanência do material didático nas salas bem como a apropriação por parte do professor.

Em função desses problemas, a escola passou a realizar reuniões periódicas mensais.

## Considerações Finais

Conforme podemos observar, o PREM abriu espaço para a escola discutir a proposta de sala-ambiente, principalmente por destacar que a escola tinha autonomia para propor mudanças significativas.

A proposta de sala-ambiente foi considerada a mais adequada para solucionar as dificuldades particulares da escola (depredação, indisciplina e evasão).

Apesar do regime semestral não fazer parte da proposta de sala-ambiente, podemos considerar que essa contribuição do PREM abriu novas possibilidades de gestão do espaço físico, pois observamos, no convívio regular com a comunidade escolar, que algumas disciplinas podem ser oferecidas em um único semestre, facilitando a implantação da sala-ambiente.

As disciplinas optativas, propostas pelo PREM, evidenciaram que o importante da sala-ambiente não é propriamente a sala e sim o ambiente de

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aprendizagem. Pátio, sala de vídeo, biblioteca, sala de informática, quadra de esportes, enfim, diversos outros espaços estão sendo transformados em ambientes de aprendizagem.

Entretanto, a implantação de salas-ambiente no Colégio Estadual Waldemar Mundim está apenas começando, muitos problemas ainda serão enfrentados: as salas ainda não comportam o material didático, o professor não permanece na sala em horários extra-classe e nem todos os professores assimilaram a necessidade de mudança na sua prática docente.

Apesar disso, a manutenção do estudante por um tempo maior na salaambiente nos intervalos entre as aulas duplas solucionou dois grandes problemas: a depredação e a indisciplina.

Portanto, ao provocar a discussão sobre as necessidades particulares da escola, o PREM propiciou que a proposta de sala-ambiente no Colégio Estadual Waldemar Mundim tenha características próprias que ainda não estão presentes na literatura sobre o assunto.

## Referências

BARDIN, L.. Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1977.

GUERRA, V. P.. Práticas pedagógicas no ensino médio: perspectivas da docência em salas-ambiente . Dissertação de Mestrado em Educação. Universidade Tuiuti do Paraná. Curitiba, 2007.

LUDKE, M.; ANDRÉ, M. E. D. A.. Pesquisa em Educação: Abordagens Qualitativas. São Paulo: EPU, 1986.

MARANGON, C.. Sala-ambiente: Aqui o ensino muda de figura. Nova Escola . Brasília. v. 18, n. 167, p. 48-51, 2003.

MOREIRA, M. E.; ABREU, M. C. R. (org.). Referenciais Curriculares Ensino Médio do Estado de Goiás. Secretaria da Educação, 2009.

PENIN, S. T. S.. Sala Ambiente: Invocando, Convocando, Provocando a Aprendizagem. In: Ciência & Ensino. Campinas, v. 3, dezembro, 1997, p. 20-21.

PUCCI, L. F. S.. Sala Ambiente - Implementando para valer! Oficina Pedagógica da Diretoria de Ensino Centro-Oeste , São Paulo: IGGE, 2001.

RODRIGUES, E. B. T.; MOREIRA, M. E. (org.). Ressignificação do Ensino Médio um caminho para a qualidade. Secretaria da Educação, 2009.

ROSA, M. I. F. P. S.. Conversando Sobre Sala-Ambiente no Ensino de Ciências. In: Ciência & Ensino. Campinas, v. 3, dezembro, 1997, p. 22-24.

SÃO PAULO (Estado) Secretaria da Educação. Coordenadoria de Estudo e Normas Pedagógicas. A escola de cara nova: sala-ambiente. São Paulo: SE/CENP, 1997.

## Anexo

## Roteiro da entrevista com prof. PR

Como foi o processo ressignificação? Desde quando isso está acontecendo no estado de Goiás e no Waldemar Mundim? E o que já existia?

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- E houveram outras propostas além das salas-ambientes ali no Waldemar Mundim?
- E existem escolas passando pelo processo de ressignificação aqui em Goiânia, no estado?
- Então, devido a essa migração de um estudante de um colégio para outro, você acha que seria importante que todos os colégios adequassem ao sistema semestral? E se isso acontecesse, quanto tempo levaria isso?
- O senhor disse que a escola não perde nada em não entrar na Ressignificação. Além da autonomia, o que mais ela ganharia?

## Roteiro entrevista com prof. GE

De onde surgiu a proposta de implementação da sala-ambiente? Desde quando ela tem sido discutida? E aqui em Goiânia, você sabe de outras escolas que estão trabalhando com salas-ambiente? E teve alguma discussão a respeito disso com professores, tal, para esses problemas de mudarem e seguir a mudança?

- O que tem sido feito para a capacitação de professores e servidores? E qual é o material teórico que vocês estão utilizando? E há quanto tempo vocês vêm tendo esse encontro pedagógico mensal?

Quais foram os avanços e dificuldades percebidas até agora?

Desde quando (data) a escola sabe da Ressignificação? Até que ponto a Ressignificação influenciou na escola? Havia o boato de obrigatoriedade?

Como tem sido trabalhadas as disciplinas optativas com as salas-ambiente?

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.