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IDENTIFICAÇÃO DE CARACTERÍSTICAS SALIENTES EM OBJETOS DE APRENDIZAGEM: UMA PROPOSTA DE CLASSIFICAÇÃO BASEADA EM ASPECTOS ORIENTADOS POR TEORIAS PEDAGÓGICAS

Thomaz Edson Veloso Da Silva, Francisco José Dos Santos, Franciso Herbert Lima Vasconcelos, Mairton Cavalcante Romeu

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XIX
Ano
2011
Data
03/02/2011
Linha de pesquisa
Tecnologia Da Informação, Difusão Tecnológica E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## IDENTIFICAÇÃO DE CARACTERÍSTICAS SALIENTES EM OBJETOS DE APRENDIZAGEM: UMA PROPOSTA DE CLASSIFICAÇÃO BASEADA EM ASPECTOS ORIENTADOS POR TEORIAS PEDAGÓGICAS

Thomaz Edson Veloso da Silva 1 , Francisco José dos Santos , Franciso Herbert 2 Lima Vasconcelos 3 , Mairton Cavalcante Romeu 4

- 1 Universidade Federal do Ceará/ Instituto UFC Virtual/thomazveloso@gmail.com
- 2 Universidade Federal do Ceará/ Instituto UFC Virtual/fdossantos@gmail.com
- 3 Universidade Federal do Ceará/ Instituto UFC Virtual/herbert@virtual.ufc.br
- 4 Instituto Federal de Educação Tecnológica do Ceará/ Departamento de Física/mairtoncavalcante@gmail.com

## Resumo

Este artigo descreve uma proposta de identificação de teorias pedagógicas presentes em objetos de aprendizagem (OA) e sua caracterização junto a sua tendência pedagógica. Analisamos cinco teorias pedagógicas que geraram os aspectos utilizados nesta pesquisa. Para a aplicação desta pesquisa foi utilizado o OA Desafio Eletrizante, que consiste em a implantação de objetos elétricos de acordo com sua voltagem na planta elétrica fornecida. Este OA será classificado junto ao seu aspecto pedagógico mais visível, para isso foi desenvolvido um instrumento de avaliação (Questionário Classificativo), que visa ressaltar as características pedagógicas do OA a fim de classificá-lo.. Esse instrumento contém quinze questionamentos baseados nesses aspectos pedagógicos. Realizou-se uma pesquisa de campo com um grupo de professores em nível experimental com o objetivo de validar o instrumento proposto com a aplicação da avaliação do OA mencionado. Os resultados alcançados apontam a viabilidade do método (instrumento) proposto para classificação, onde evidencia a tendência pedagógica do OA estudado.

Palavras-chave : Objetos de Aprendizagem, Teorias Pedagógicas, Classificação.

## Introdução

Com o advento das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TEDIC) há um crescente desenvolvimento de recursos digitais, e com a maior difusão dos computadores e internet nas escolas, nos deparamos com um cenário de produção de materiais didáticos digitais [Fernandes et all, 2008] e sua crescente utilização na prática docente.

Estes recursos tendem a apresentar uma ou mais propostas pedagógicas baseadas em teorias educacionais que em alguns casos não são bem definidas. Estas ferramentas, aliadas a prática docente ajudam os alunos na resolução de problemas e na visualização de fenômenos criando assim um novo paradigma educacional [Oliveira; Costa; Moreira, 2001].

Diante deste cenário temos que aprofundar os estudos no que compete a prática pedagógica dos docentes, os quais devem utilizar esses atuais recursos digitais de forma crítica e sem estigmatizar as potencialidades e limitações da máquina [Kenski, 2008].

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A proposta deste artigo é descrever um método de investigação e pesquisa que visa classificar Objetos de Aprendizagem (OA) de acordo com sua teoria pedagógica predominante. Para esta investigação foi criada uma ferramenta automatizada para que a avaliação do OA se torne mais rápida e com uma maior precisão, podendo a mesma ser modificada de acordo com a necessidade do professor que irá utilizá-la.

Este artigo está dividido nas seções que se seguem a seguir: na seção 2 iremos abordar brevemente as teorias pedagógicas que irão fundamentar este trabalho; na seção 3 será mostrado as questões padrão do Questionário Classificativo (QC), como essa ferramenta funciona e a dinâmica metodológica da pesquisa; na seção 4 serão apresentados e discutidos os resultados obtidos com a aplicação da ferramenta; e por fim, na seção 5 serão apresentadas as considerações finais.

## Teorias Pedagógicas Classificadas em Aspectos Pedagógicos

Varias teorias pedagógicas se destacam como referencia de fundamentação teórica no contexto educacional [Silva, 2009], dentre as quais podemos observar: Instrucionismo, Interacionismo, Construcionismo, Empirismo e o Racionalismo.

Baseadas nas teorias pedagógicas citadas acima, nesta seção será realizada uma análise de suas características, e cada uma delas irá se classificar em aspectos pedagógicos [Silva,2010].

## Teorias Construcionista e Interacionista

Vivemos hoje em dia na Era da Informação onde qualquer pessoa pode ter acesso a um computador com internet. Sabemos que essa ferramenta se tornou comum na vida da sociedade atual. Na educação segundo Papert [1994] 'a abordagem pela qual o aprendiz constrói, através do computador, o seu próprio conhecimento' é denominado Construcionismo.

Outra vertente teórica que se assemelha em muitos pontos com a teoria Construcionista é o Interacionismo, o qual é explicado por Macêdo [2007] como sendo o conhecimento de uma construção social que ocorre através da interação dialética do homem com o meio que ele está inserido.

Ambas as teorias tem em comum o fato de serem centrada no aluno, ou seja, o aluno é o sujeito do seu próprio conhecimento. Utilizaremos então o Aspecto Constru-Interacionista (CI) para nos referirmos à junção das duas teorias já que elas se igualam em muitos pontos e acabam por se completar [Silva, 2009].

## Teorias Instrucionista e Empirista

As teorias Instrucionista e Empirista tem um caráter fortemente comportamentalista [Almeida, 2000 e Macêdo, 2007], em virtude da teoria empirista de John Locke ser precursora da teoria Instrucionista de B.F. Skinner.

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Skinner acreditava que a mente humana funcionava através de estímulos, tanto positivos quanto negativos [Skinner, 1996], e na teoria de Locke o ser humano era uma tábua rasa e o conhecimento era 'construído' em cima dessa tábua [Garret, 1974], ou seja, ele era um mero receptor de informação.

Neste trabalho utilizaremos então o Aspecto Instru-Comportamentalismo (IC) quando nos referirmos à junção das teorias Instrucionista e Empirista, visto suas semelhanças [Silva, 2009].

## Teoria Racionalista

A teoria Racionalista se baseia na concepção estruturalista e inatista do conhecimento. Para Macêdo (2007) ''[...] a aprendizagem é algo que ocorre de dentro pra fora e cabe ao professor apenas o papel de facilitador da aprendizagem que dependerá do processo de maturação e do consequente desenvolvimento da percepção do aluno através dos insights.'.

Os insights são percepções dos seres humanos que não necessitam do conhecimento prévio para entendê-las. Para facilitar o nosso entendimento, definimos insight como sendo a nova reação que aparece subitamente, não baseada em experiências anteriores.

Segundo Silva [2009] o aspecto proposto nesta teoria foi denominado Aspecto Racionalista (AR), pois a mesma não apresentou nenhuma característica comum entre as demais teorias apresentadas.

## Dinâmica do Experimento de Campo

Para aplicação desta pesquisa de campo, foi desenvolvido um Questionário Classificativo (QC) [Silva, 2009], com as questões explicitadas no Quadro 1. Esse QC foi disponibilizado através de uma ferramenta eletrônica e utilizado pelos sujeitos da pesquisa.

Como procedimento metodológico foi realizado uma pesquisa de caráter qualitativo. No QC as questões aplicadas são abordadas apenas pelo caráter funcional. Para validação junto aos sujeitos foi selecionado um do Objeto de Aprendizagem (OA) intitulado de Desafio Eletrizante.

## Caracterização da amostra

- O procedimento experimental foi realizado junto a um grupo de 30 professores da rede pública de ensino. Todos os professores envolvidos pertencem à rede pública estadual de ensino e atuam no ensino médio na área das Ciências da Natureza.

## Instrumento de coleta de dados

- O Questionário Classificativo (QC) eletrônico consiste em quinze questionamentos padrão, no qual o professor que irá utilizar a ferramenta pode alterar ou excluir qualquer um dos questionamentos, ou acrescentar uma nova pergunta na qual o mesmo professor deve classificá-la quanto ao seu aspecto funcional-pedagógico e sua tendência teórica. As perguntas abordam características técnicas, técnico-pedagógico e pedagógico do OA. Cada pergunta se remete a um dos aspectos pedagógicos trabalhados na pesquisa, e para facilitar a análise, ao lado de cada questionamento foi colocada uma sigla que corresponde ao aspecto pedagógico a qual aquela pergunta se refere, as nomenclaturas são: Constu-

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Interacionismo (CI), Instru-Comportamentalismo (IC) e Aspecto Racionalista (AR) (Quadro 1).

Quadro 1: Questionamentos subdivididos quanto ao seu caráter funcional-pedagógico.

## OA Desafio Eletrizante

O OA do tipo simulação apresenta uma proposta pedagógica que possibilita o aluno a trabalhar conceitos de eletricidade aplicados a circuitos elétricos prediais. Ao propor o uso deste OA, que apresenta uma contextualização da eletricidade no cotidiano, para auxiliar na aprendizagem dos novos conceitos e propriedades oriundas da Física, espera-se divulgar e facilitar o ensino desta ciência e reduzir as dificuldades de práticas experimentais nesta área do saber.

O aluno escolhe um dos cômodos da casa onde ele pode instalar os equipamentos pertinentes a cada cômodo, levando em conta a diferença de potencial de cada aparelho e sua distribuição na malha elétrica da casa [PROATIVA, 2010].

Figura 1: Frame do Cômodo Quarto

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No quarto, o aluno terá a sua disposição os aparelhos: TV, DVD player, ar condicionado e algumas lâmpadas. Sua instalação dependerá da tensão elétrica escolhida pelo aluno no início da interação com o OA e da planta elétrica do cômodo.

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A planta elétrica do cômodo é fornecida apenas se o aluno clicar no botão ver planta elétrica , que está localizado no meu do lado direito da tela.

Figura 2: Planta elétrica do Cômodo Quarto

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Nesta planta (Figura 2), o aluno poderá verificar o circuito elétrico predial de como os dispositivos deverão ser instalados corretamente, levando em conta os conceitos de tensão e circuitos trabalhados em sala de aula, tais como:

- a) Associação em Série

Figura 3: Associação em Série.

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De acordo com a Figura 3, a corrente elétrica é a mesma em todos os resistores de uma ligação em série.

Aplicando a Lei de ohm para cada resistor:

A fonte de fem (pode ser uma bateria) fornece uma tensão V ao circuito inteiro.

Então podemos escrever:

- b) Associação em Paralelo

Figura 4: Associação em Paralelo.

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Observe que todos os resistores estão conectados à mesma bateria, ou seja, à mesma tensão, mas diferente da ligação em série, agora a corrente elétrica tem 'bifurcações' por onde ela pode se dividir.

Como a carga não pode ser criada nem destruída, as cargas que formam a corrente elétrica podem se bifurcar à vontade, mas a conservação sempre se

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mantém, por isso, a corrente que sai da fonte de tensão é a soma de todas as correntes que passam por cada resistor.

Aplicando a lei de Ohm para cada resistor:

<!-- formula-not-decoded -->

## Análise e Discussão dos Resultados

De acordo com Vasconcelos [2007], a partir de dados coletados com o Questionário Classificativo (QC), pode-se diagnosticar a opinião do grupo que foi sujeito da pesquisa. Para a análise dos resultados, detalharemos e discutiremos os resultados obtidos com a aplicação do QC e suas relações com as teorias pedagógicas.

Esses resultados serão apresentados em conjunto, no que se refere ao aspecto funcional-pedagógico do OA. Portanto, teremos três gráficos nos quais estarão divididos de acordo com os aspectos: técnico, técnico-pedagógico e pedagógico.

## Aspecto Técnico

O gráfico da Figura 5 relaciona os resultados das perguntas cujas características são de funcionalidade do OA, ou seja, as perguntas levam em consideração a manipulação do OA analisado.

Figura 5: Gráfico dos resultados encontrados quanto ao aspecto técnico.

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O resultado da Questão I mostra que 67% dos entrevistados acham que o aluno pode interagir e simular algumas situações plenamente e 33% dos entrevistados acreditam que essa interação tem algum tipo de ressalva, pois o mesmo tem apenas a simulação de uma instalação predial. Este resultado infere que o aluno pode interagir com o conteúdo do OA [Almeida, 2000] e estabelecer algum tipo de simulação de situações que são vivenciadas no cotidiano.

Na Questão II, 78% dos entrevistados acreditam que o OA facilita o entendimento do aluno, utilizando o recurso das dicas. Os 22% que classificaram o OA como parcialmente adequado e inadequado neste questionamento, tem algum tipo de ressalva acerca das dicas. As dicas são de fundamental importância para aquele aluno que tem dificuldade de aprendizagem e muitas vezes por insegurança não esclarece suas dúvidas com o professor. Este recurso pode permitir uma maior autonomia na resolução da situação problema abordada no OA [Almeida, 2000 e Macêdo, 2007].

Diferentemente da questão anterior, na Questão III há uma grande divergência dos resultados, no qual 45% dos entrevistados afirmam que o aluno não necessariamente avançará para o nível seguinte se acertar a resposta do nível

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anterior e 33% acham que o OA não é dividido em níveis. Esses dados sugerem que o OA não é vinculado a níveis, o aluno pode escolher por onde quer começar a atividade, fato que diverge da teoria Instrucionista onde o material dado ao aluno é fortemente vinculado a níveis de aprendizagem [Almeida, 2000].

No resultado da Questão IV, 78% dos entrevistados afirmam que há seções breves de texto a serem seguidas para o manuseio do OA e 22% indicam que de alguma forma há seções de texto para serem seguidas pelo aluno. A utilização de tutoriais em OA é algo muito comum. O tutorial é utilizado normalmente para dar uma direção ao estudo feito pelo aluno [Almeida, 2000], fazendo com que o mesmo siga os passos propostos pelo OA.

Por fim na Questão V a maioria dos entrevistados (67%) afirma que a navegação do OA tem caráter linear, o que nos faz perceber que o OA segue uma linha de raciocínio bem definida e que o aluno, para interagir com o OA, tem que seguir essa linha, levando em consideração a maturação do aluno [Macêdo, 2007].

## Aspecto Técnico-Pedagógico

Nesta seção de análise de resultados esses questionamentos levam em consideração tanto a manipulação do objeto que é de caráter funcional, quanto a assimilação do conteúdo proposto pelo OA Desafio Eletrizante.

Figura 6: Gráfico dos resultados encontrados quanto ao aspecto técnico-pedagógico.

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A Questão VI comprova que o aluno pode escolher por onde quer começar a utilizar o OA, 78% dos entrevistados confirmam essa afirmação e 22% confirmam essa afirmação restritamente. De uma maneira geral, podemos inferir que o aluno é quem decide por onde quer começar a manipular o OA, essa interação [Almeida, 2000 e Macêdo, 2007] faz com que o aluno tenha autonomia na relação com o OA.

Conforme constatamos, o gráfico da Questão VII aponta no mesmo sentido que o gráfico da Questão VI, pois ambos relacionam a interação do OA-aluno [Silva, 2009]. Neste questionamento 67% dos entrevistados acham que o aluno pode responder às situações-problema propostas pelo OA da maneira que lhe convier, já 33% acham que o aluno não tem tanta autonomia. O OA que propõe situaçõesproblema acaba por integrar o conhecimento científico do aluno com o seu conhecimento prático o qual vai ao encontro da teoria Interacionista que de acordo com Macêdo [2007] propõem como principal tendência uma aprendizagem mais significativa do conteúdo.

Já na Questão VIII, 67% dos entrevistados acreditam que o OA fornece estímulos ao aluno quando ele acerta ou erra. Outros 22% afirmam que há estímulos, entretanto, eles não são tão visíveis, e por fim, os últimos 11% não

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perceberam nenhum estímulo no OA. Este resultado aponta que o OA de fato dá algum tipo de estímulo ao aluno. Para Skinner, o aluno aprende através de estímulos dados a ele de alguma forma, podendo ser tanto positivos, quanto negativos, e é a partir dessa interação que o aprendizado ocorre [Skinner, 1996].

Na Questão IX observa-se que: 45% dos entrevistados acreditam que o aluno tem necessariamente que reiniciar toda a atividade caso ele erre, 22% afirmam que o aluno deve reiniciar a atividade, porém, não desde o início, o restante dos entrevistados (22% e 11%) acredita que o aluno não reinicia toda a atividade caso ele erre, o que vem a ser similar ao que ocorria na máquina de ensinar de Skinner [Skinner, 1996].

Sobre o gráfico da Questão X, podemos afirmar que o aluno descobre como o OA funciona, pois 56% fizeram essa afirmação e 44% afirmaram que o aluno navega com a ajuda de alguns tutoriais para auxiliá-lo. O OA trabalhado estimula a razão do aluno, fazendo com que o mesmo raciocine (expectativa de um insight ) [Macêdo, 2007] e pense em possibilidades para a utilização do OA e perceba sozinho como o OA funciona [Silva, 2009].

Como mostra o gráfico da Questão XI, um número significativo dos entrevistados (78%) acredita que o nível do OA é adaptável para a série que se quer trabalhar, apenas 11% vêem alguma restrição nessa colocação e os outros 11% acham essa informação inadequada, ou seja, o OA não fornece esse tipo de adaptação. O OA é adaptável ao nível da série proposta, para isso acontecer basta o professor realizar outro tipo de atividade, no caso, sem a utilização dos conceitos de circuitos em série e paralelo.

## Aspecto Pedagógico

Nesta seção, os questionamentos se remetem apenas ao campo de entendimento conceitual do aluno, e foram classificados como sendo perguntas apenas de caráter pedagógico.

Figura 7: Gráfico dos resultados encontrados quanto ao aspecto pedagógico.

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Analisando o gráfico da Questão XII, o conhecimento prévio do aluno foi algo determinante para a formulação do OA, 56% dos entrevistados acreditam que o conhecimento prévio do aluno é levado em consideração no desenvolvimento do OA e que 44% acreditam nessa afirmação, porém o conhecimento prévio pode ser confundido com o conhecimento científico que o aluno tenha adquirido em sala de aula. Temos um empate técnico neste gráfico, entretanto as linhas de raciocínio das respostas foram quase as mesmas o que nos permite afirmar que o OA estabelece de alguma forma a relação do conteúdo estudado com o conhecimento prévio do aluno. O conhecimento prévio do aluno é aquele conhecimento que o aluno tem antes de estudar cientificamente aquele determinado conteúdo.

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As teorias Empiristas e Racionalistas não levam em consideração o conhecimento prévio do aluno [Macêdo, 2007], com isso podemos afirmar que o OA não segue essas teorias no que diz respeito a esse aspecto do OA.

A resposta para o questionamento proposto pela Questão XIII é unânime (100%), todos os entrevistados acreditam que o OA se contextualiza na vivência do cotidiano do aluno. A contextualização do OA é importante para que o aluno estabeleça uma relação entre a teoria e onde e como ela é aplicada. Segundo Almeida [2000] a contextualização deve ser proposta em virtude da relação teoriaprática que deve ser estabelecida no aprendizado do aluno. As teorias Racionalistas e Interacionista acreditam que o aluno aprende mais facilmente se aquilo que ele esta estudando estiver inserido em seu cotidiano [Macêdo, 2007].

A utilização do recurso de memorizar o conteúdo transmitido é algo visível neste OA, pois na Questão XIV, 33% dos entrevistados acreditarem nessa informação e a maioria dos entrevistados (44%) acreditam de exista algum tipo de memorização, porém essa memorização não ficou clara para o sujeito da pesquisa. A utilização da memória como artifício de aprendizagem é questionável, seu uso forçado é comprovadamente ineficaz. O ensino baseado na concepção comportamentalista de aprendizagem é centrado apenas no professor. Aos alunos, fica apenas a função de receptor das informações passadas pelo professor, utilizando o recurso de memorização como pressuposto para a aprendizagem [Macêdo, 2007].

Em relação ao último questionamento do QC, a Questão XV, pode-se afirmar que: 33% dos entrevistados acreditam que o OA oferece testes de exercício e prática, 44% acreditam também que o OA oferece teste de exercício e prática com algum tipo de ressalva e por fim 22% dos entrevistados afirmam que o OA não oferece de maneira alguma testes de exercício e prática. O teste de exercício e prática é fundamental para a concretização e assimilação do conteúdo pelo aluno, pois é a partir desse teste que o aluno associará a teoria à prática.

A relação entre exercício e prática e o aspecto racionalista, vem da visão estruturalista e inatista do conhecimento adquirido pelo aluno, onde o conhecimento é algo que ocorre de dentro para fora e o professor é apenas um facilitador dessa aprendizagem [Macêdo, 2007].

Analisando todos os gráficos obtidos, levando em consideração as respostas Adequado e Parcialmente Adequado , percebemos que o OA se insere em todos os aspectos pedagógicos trabalhados neste artigo, entretanto percebemos que um aspecto pedagógico se sobressaiu mais do que os outros dois no QC.

A partir dos resultados apresentados nesta pesquisa, podemos inferir que o OA Desafio Eletrizante se insere fortemente no aspecto Constru-Interacionista como sua tendência pedagógica mais visível, ou seja, o AO necessita da interação do aluno para funcionar e ao mesmo tempo construir/consolidar seus conceitos físicos.

## Considerações Finais

Com a evolução das TEDIC houve também uma grande evolução no aparato tecnológico utilizado em sala de aula como recurso, porém esses recursos apesar de fazerem parte da práxis pedagógica de alguns professores, ainda não são bem definidos no que diz respeito a seu suporte pedagógico, ou seja, não tem uma definição clara de qual tendência pedagógica está inserida dentro do recurso.

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Dessa forma criamos um instrumento de coleta de dados capaz de classificar esse recurso pedagógico, no caso um OA, quanto ao aspecto pedagógico inserido nele. Com a análise dos resultados obtidos podemos verificar que todos os aspectos pedagógicos foram citados, entretanto, o aspecto Constru-Interacionista foi o que teve um maior percentual de adequação de acordo com os dados obtidos pelo QC.

Por fim, este estudo gerou critérios que podem contribuir para uma melhor análise e identificação por parte do professor sobre qual recurso ele utilizará em sala de aula criando assim metodologias que dinamizem o processo de ensino aprendizagem. Destacamos ainda, como trabalhos futuros, a análise/classificação de um maior quantitativo de recursos educacionais, e questionando-os em relação as suas aplicabilidades em sala de aula.

## Referências

ALMEIDA, M. E. ProInfo: informática e formação de professores. Brasília: Ministério da Educação, SEED, 2000.

FERNANDES, A. C. et all. Implementação e observação de práticas pedagógicas com o uso de Objetos de Aprendizagem na Escola. XXVIII Workshop sobre Informática na Escola - WIE. Belém, PA. 2008

GARRET, H. E. Grandes experimentos da psicologia. 3 ed. Tradução de Maria da Penha Pompeu de Toledo. São Paulo: Editora Nacional, 1974.

KENSKI, V. M. Educação e Tecnologias: O novo ritmo da informação. 4ª ed. Campinas: Papirus, 2008.

MACÊDO, L. N. et all. Avaliação de um Objeto de Aprendizagem com Base nas Teorias Cognitivas. XIII Workshop em informática Educativa, 2007. Rio de Janeiro, RJ. Anais. 2007

OLIVEIRA, C. C.; COSTA, J. W.; MOREIRA, M. Ambientes informatizados de aprendizagem: produção e avaliação de software educativo. Campinas, SP: Papirus, 2001.

PAPERT, S. P. A máquina das crianças: repensando a escola na era da informática. Porto Alegre, Artes Médicas, 1994.

PROATIVA. Grupo de Pesquisa e Produção de Ambientes Interativos e Objetos de Aprendizagem. Acesso ao Guia do Professor do OA Desafio Eletrizante (http://www.proativa.vdl.ufc.br/oa.php?id=0) , .

SILVA, T. E V. Uma Proposta de Parametrização de Tecnologias Digitais para a Educação Baseada em Teorias Pedagógicas: Um Estudo de Caso com o Objeto de Aprendizagem Desafio Eletrizante. Universidade Federal do Ceará. Trabalho de conclusão de curso (TCC). Fortaleza - CE, 2009.

SILVA, T. E. V; LOPES, M. V. P; VASCONCELOS, F. H. L. Identificação de Características Salientes em Objetos de Aprendizagem: Uma Proposta de Classificação Baseada em Aspectos Orientados por Teorias Pedagógicas. XXX Workshop sobre Informática na Escola - WIE. Minas Gerais.

SKINNER, B. F. The Science of Learning and the Art of Teaching. Classic Writings on Instructional Technology - Volume 1, 1996.

VASCONCELOS, F. H. L et all. Uma Análise do Uso de Objetos de Aprendizagem como Ferramenta de Modelagem Exploratória Aplicada ao Ensino de Física Quântica. XXVII Workshop sobre Informática na Escola - WIE. Rio de Janeiro, 2007.

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