UTILIZANDO O MOODLE COMO FERRAMENTA PEDAGÓGICA NA BUSCA DA ALFABETIZAÇÃO EM CIÊNCIAS E DIGITAL NO ENSINO MÉDIO
Mario José Van Thienen Da Silva, Alberto Gaspar
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XIX
- Ano
- 2011
- Data
- 03/02/2011
- Linha de pesquisa
- Tecnologia Da Informação, Difusão Tecnológica E O Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## UTILIZANDO O MOODLE COMO FERRAMENTA PEDAGÓGICA NA BUSCA DA ALFABETIZAÇÃO EM CIÊNCIAS E DIGITAL NO ENSINO MÉDIO
## Mário José Van Thienen da Silva , Alberto Gaspar 1 2
Universidade Tecnológica Federal do Paraná/COMEC, mariojose@utfpr.edu.br
1 2 UNESP/PGFC, albertogaspar@superig.com.br
## Resumo
Com o presente artigo trazemos algumas das possibilidades e potencialidades apresentadas pelo recurso virtual MOODLE, que é uma das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC's) destinadas à modalidade de ensino à distância, que esta sendo utilizada em um projeto de alfabetização em ciências e digital no Ensino Médio presencial. O estudo terá como objeto de pesquisa as interações sociais que ocorrem nos chat's e fóruns de discussões dispostos nesta plataforma. O planejamento e desenvolvimento das atividades educacionais buscam minorar as deficiências apresentadas pelos alunos quanto seus estágios de alfabetização em ciências e digital. Para isso, trabalhamos com o tema: Chegada do Homem à Lua, que é de interesse dos alunos, utilizando-se de vídeos, reportagens audiovisuais de TV e sites especializados em ciências e material impresso em revistas de divulgação científica e especializadas. Também trabalhamos com atividades experimentais tradicionais e com atividades práticas virtuais, através de simulações e com as imagens dos vídeos apresentados.
Palavras-chave : Alfabetização em Ciências, TIC's, Alfabetização Digital, Teorias Vigotskianas.
## O interesse no ensino
- O interesse nos estudos por parte dos estudantes vem sido afetado por diversos problemas, acarretando prejuízos ao processo de ensino e aprendizagem, pois como afirma Vygotsky (2001, p. 163)
'[...] toda aprendizagem só é possível na medida em que se baseia no próprio interesse da criança. Outra aprendizagem não existe. Toda questão consiste no quanto o interesse está orientado na linha do próprio objeto de estudo e não relacionado a influências externas a ele como prêmios, castigos, medos, desejo de agradar, etc. mas reconhecer a prepotência do interesse infantil não condena de maneira nenhuma o pedagogo a segui-lo de modo impotente. Ao organizar o meio e a vida da criança nesse meio, o pedagogo interfere ativamente nos processos de desenvolvimento dos interesses infantis e age sobre eles da mesma forma que influencia todo o comportamento das crianças. Entretanto sua regra será sempre uma: antes de explicar, interessar; antes de obrigar a agir, preparar para a ação; antes de apelar para reações, preparar para a atitude; antes de comunicar alguma coisa nova, suscitar a expectativa do novo '
Problemas esses derivados talvez: do núcleo formador dos alunos; dos valores e exigências da sociedade; das políticas públicas educacionais; da formação dos profissionais da educação, dentre outros.
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Algumas estratégias destinadas a promover e/ou resgatar o interesse do educando para o conhecimento a ser trabalhado em sala de aula vem sendo sugeridas por diversas pesquisas em ensino de ciências. Thomaz (1999) aponta para o consenso entre os professores de Física que a atividade experimental atrai os alunos. Enquanto Monteiro (2002), verificou um incremento na atenção dos alunos quando se apresentam atividades experimentais demonstrativas no ensino médio. Knüppe (2006) pesquisou como as professoras do Ensino Fundamental motivam seus alunos e que recursos utilizam. Nesse sentido, o interesse por parte do aluno esta intimamente ligado para os aspectos motivacionais em relação às atividades educacionais desenvolvidas.
Além de ter dado à motivação uma sólida fundamentação teórica como condição essencial ao ensino e à aprendizagem, a teoria de Vygotsky fundamenta e valoriza igualmente as estratégias colaborativas e, por extensão, as interações sociais que tornam essas estratégias possíveis:
'Afirmamos que em colaboração a criança sempre pode fazer mais do que sozinha. No entanto, cabe acrescentar: não infinitamente mais, porém só em determinados limites, rigorosamente determinados pelo estado do seu desenvolvimento e pelas suas potencialidades intelectuais. Em colaboração, a criança se revela mais forte e mais inteligente que trabalhando sozinha, projeta-se ao nível das dificuldades intelectuais que ela resolve, mas sempre existe uma distância rigorosamente determinada por lei, que condiciona a divergência entre a sua inteligência ocupada no trabalho que ela realiza sozinha e a sua inteligência em colaboração' (VYGOTSKY, 2001 , p. 329).
Nesse contexto, buscamos caminhos para responder a questões deixadas em aberto em trabalhos anteriores (SILVA, 2003; SILVA, 2009), principalmente no que tange aos níveis de alfabetização em ciências (AC) e alfabetização digital (AD) dos alunos do ensino médio. Entre essas questões destacam-se:
Quais as potencialidades de uma prática pedagógica colaborativa, desenvolvida de forma dialógica 1 , baseada em atividades educacionais auxiliadas por recursos virtuais que originem interações sociais entre os alunos e o professor ou entre os próprios alunos? Em que medida os déficits apresentados nos níveis de AC e AD dos alunos reduzem seu interesse pelos estudos e como esses déficits poderão ser diminuídos com tais atividades? Em que medida a superação desses déficits motiva os alunos para os seus estudos, em particular de disciplinas científicas?
## Metodologia
Metodologicamente estamos recorrendo a uma investigação qualitativa procedimental seguindo três fases: a exploratória, a coleta de dados e a análise dos dados.
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Na pesquisa, a etapa exploratória se deu a partir do contato inicial com os recursos virtuais da plataforma MOODLE. Nessa etapa, privilegiamos ainda o planejamento, a elaboração e o desenvolvimento de atividades educacionais em Física que se desenvolveram na Universidade Tecnológica Federal do Paraná em duas turmas: uma no Curso Técnico Integrado de Nível Médio em Mecânica e outra no Curso Técnico Integrado de Nível Médio em Agroindústria, utilizando como tema: A chegada do homem à Lua, através de vídeos, reportagens audiovisuais de TV e artigos disponíveis em sites especializados em ciências e/ou de jornais e, também, revistas de divulgação científica.
As atividades possibilitam a navegação e participação nestas por meio de simulações que estão disponíveis e, principalmente, com canais que possibilitam aos envolvidos interagir com o processo educativo, (nos chat's e fóruns de discussão que a plataforma MOODLE apresenta).
Os dados estão sendo obtidos por meio de registros escritos em diários de acompanhamento que seguem um procedimento pré-determinado (SILVA, 2003). Poderão ser apresentados, também, sob as formas de vídeos, áudios, relatos escritos. Para complementar a coleta de dados, nós usamos informações derivadas das interações sociais entre os alunos e o professor ou entre alunos e alunos durante os chat's e os fóruns que o MOODLE possibilita e, que ficam armazenadas no bloco da disciplina.
Na fase da reflexão, as interpretações serão realizadas em uma única etapa e se referirão ao andamento das atividades e ao planejamento das ações.
## Alfabetização em ciências
Nos dias de hoje, há quase um consenso acerca da necessidade em promover a Alfabetização em ciências da população. Temos como exemplo o que se declarou em 1999 na Conferência Mundial sobre a Ciência para o século XXI:
Para que um país esteja em condições de atender às necessidades fundamentais da sua população, o ensino das ciências e da tecnologia é um imperativo estratégico […] Hoje, mais do que nunca, é necessário fomentar e difundir a alfabetização científica em todas as culturas e em todos os sectores da sociedade, [...] a fim de melhorar a participação dos cidadãos na adoção de decisões relativas à aplicação de novos conhecimentos. (DECLARAÇÃO DE BUDAPESTE, apud PRAIA, GIL-PÉREZ e VILCHES, 2007).
A definição de alfabetização em ciências, ou do inglês 'science literacy', não é um consenso. Nós optamos para a visão de Shen, onde a alfabetização em ciências 'pode abranger muitas coisas, desde saber como preparar uma refeição nutritiva, até saber apreciar as leis da física', e busca uma classificação em três espécies:
- (I) prática: refere-se ao conhecimento técnico ou científico básico que ajuda a pessoa a resolver problemas práticos, de uso imediato,
- (II) cívica: refere-se ao conhecimento científico mínimo que permite ao cidadão atuar politicamente, de forma consciente, e
- (III) cultural: refere-se ao conhecimento cuja motivação reside no desejo de a pessoa estar a para das conquistas científicas da humanidade. (SHEN, apud GASPAR, 2006, p. 61).
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## Alfabetização Digital
Desde o século XX e neste princípio de século XXI vêm ocorrendo transformações extraordinárias no domínio da ciência e da tecnologia que induziram repercussões econômicas, sociais, ambientais e educacionais.
Em consequência dessas transformações a informação é um produto cada vez mais importante, senão fundamental, da sociedade contemporânea, muitas vezes designada como a Sociedade da Informação e do Conhecimento (CASTELLS, 2001).
Nessa contemporaneidade globalizada onde dispomos das facilidades que as ciências tecnológicas oferecem ao acesso à informação e comunicação entre as pessoas, ainda há situações em que os acessos a tais benefícios não ocorrem, ou então se dá de forma dificultosa, o que é indemissível. Por isso, a necessidade em propiciar condições e mecanismos ao acesso de tais benefícios às pessoas, não importando o nicho social em que se inserem, para assim, as oportunidades ocorram para todos.
Os projetos desenvolvidos pela sociedade civil são bem vindos e, assim, pode acelerar o processo para que uma parcela considerável da população passe a participar da globalização propiciada pelas tecnologias de informação e comunicação digitais contemporâneas. Além de proporcionar a aquisição de habilidades básicas para operar um computador e interagir com seus sistemas, uma proposta de inclusão digital deve considerar a capacitação de pessoas para a utilização dos recursos de informática, em favor dos interesses e necessidades próprios e comunitários, atentando sempre para suas responsabilidades como cidadão.
- O primeiro passo para a inclusão digital é a chamada 'alfabetização digital'. Para ser considerado alfabetizado digitalmente o indivíduo deve apresentar algumas habilidades básicas no trabalho com a informática. São as principais características: comandos básicos, noções sobre softwares e ter clareza de como se tem acessa à Internet. Formar os símbolos da informática. A AD busca formar a capacidade de gerir a informação sobre a tecnologia que estas prestes a utilizar ou adquirir.
A AD vista num conceito mais amplo, de ativa participação da consolidação da cultura e do conhecimento, o que, assim, implica interesse e participação política pela população, tendo com isso, a oportunidade de dinâmica atuação como sujeitos críticos, criativos, éticos, autônomos e com poder de decisão e produção (SILVA, 2003).
- A AD e a AC buscam a formação de conceitos junto a população, sendo assim, que teoria de aprendizagem sustenta o processo de ensino e aprendizagem a ser desenvolvido que possibilite uma melhora quanto ao nível de alfabetização em ciências e digital da população? Acreditamos que para esse desafio apresentado ao ensino de física, a teoria de Vygotsky é o que melhor fundamenta o processo.
## O ensino de física em uma base vigotskiana
Ao tratar o ensino da física pela perspectiva sócio-histórica do psicólogo russo Lev Semenovich Vygotsky (1896-1934), busca-se dar ênfase no seu aspecto das interações sociais e, assim, possibilitar uma aproximação entre os conceitos
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espontâneos (adquiridos no dia-a-dia) e os de natureza científica (adquiridos em ambiente escolar).
No ensino da física, especificamente, a teoria vigotskiana pode apresentar condições para entender a aprendizagem sem recorrer a recursos tecnológicos, métodos de descoberta ou sofisticadas técnicas de ensino. As indicações propostas por Vygotsky e seus colaboradores podem ser utilizadas no contexto da sala de aula tal como ela se apresenta na maioria das escolas, isto é, não há necessidade de investimentos financeiros, pois ela trata de uma mudança na maneira do professor ensinar.
Para Vygotsky (2001), o papel da interação social no desenvolvimento do ser humano é primordial. A explicação sugerida quanto à forma como o processo de desenvolvimento é socialmente elaborado e como a aprendizagem e o desenvolvimento se inter-relacionam possivelmente é uma das suas mais importantes contribuições para a psicologia e para a educação. Vygotsky alicerça suas preposições em quatro pontos determinantes: a mediação simbólica, a internalização do conhecimento, a formação de conceitos e a zona de desenvolvimento imediato.
A mediação simbólica tem sua gênese no encontro das formas de relação homem-mundo, por um lado, e, por outro, a crença explicita no papel da educação no processo de desenvolvimento humano. Entende-se a etapa do desenvolvimento do pensamento centrada na presença de estímulos e signos, o que faz com que o homem modifique as suas atividades psíquicas.
Enquanto sujeito do conhecimento o homem não tem acesso direto aos objetos, mas um acesso mediado, isto é, feito através dos recortes do real operados pelos sistemas simbólicos que dispõe. O conceito de mediação inclui dois aspectos complementares. Por um lado refere-se ao processo de representação mental: a própria idéia de que o homem é capaz de operar mentalmente sobre o mundo supõe, necessariamente, a existência de algum tipo de conteúdo mental de natureza simbólica, isto é, que representa os objetos, situações e eventos do mundo real no universo psicológico do indivíduo. Essa capacidade de lidar com representações que substituem o real é que possibilita que o se humano faça relações mentais na ausência dos referenciais concretos, imagine coisas jamais vivenciadas, faça planos para um tempo futuro, enfim, transcenda o espaço e o tempo presentes, libertandose dos limites dados pelo mundo fisicamente perceptível e pelas ações motoras abertas. A operação com sistemas simbólicos - e o conseqüente desenvolvimento da abstração e da generalização - permite a realização de formas de pensamento que não seriam possíveis sem esse processo de representação e define os saltos para os chamados processos psicológicos superiores, tipicamente humanos.
Para Vygotsky (2001), a interação social é responsável pela modificação e o desenvolvimento das funções psíquicas superiores. O desenvolvimento do pensamento da criança vai do social para o individual, considerando a criança um ser social desde o momento do seu nascimento e a linguagem, uma marca históricocultural.
'... os sistemas simbólicos que se interpõem entre sujeito e objeto de conhecimento têm origem social. Isto é, é a cultura que fornece ao indivíduo os sistemas simbólicos de representação da realidade e, por meio deles, o universo de significações que permite construir uma ordenação, uma interpretação, dos dados do mundo real. Ao longo de seu desenvolvimento o indivíduo internaliza formas culturalmente dadas de comportamento, num
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processo em que as atividades externas, funções interpessoais, transformam-se em atividades internas, intrapsicológicas. As funções psicológicas superiores, baseadas na operação com sistemas simbólicos, são, pois, construídas de fora para dentro do indivíduo. O processo de internalização é, assim, fundamental no desenvolvimento do funcionamento psicológico humano' (OLIVEIRA, 1993, p. 27).
Não é reduzir a cópia do real que caracteriza a internalização das formas culturais de conduta. É um processo de reorganização das funções psicológicas ou das formas culturais de pensamento, em face dos processos de interação social. O espaço de construção de signos e de significados.
- O processo de internalização, que é a constituição de subjetividade, contempla-se pela interlocução, o diálogo entre sujeitos, em que a individualidade é produto de um processo social e cultural vivido e no diálogo destes com as construções humanas - os objetos -. É a objetivação que altera o funcionamento psicológico. No dizer de Vygotsky (1996, p. 74) 'chamamos a internalização a reconstrução interna de uma operação externa' (grifos nossos).
A questão relativa à formação de conceitos é, para Vygotsky (2001), uma extensão do processo de internalização, 'o conceito surge no processo de operação intelectual' (op. cit., p. 236), caracterizando-se pela existência de conceitos espontâneos e científicos. Os conceitos espontâneos são aqueles que a criança aprende no seu dia-a-dia, no contato com os objetos e suas derivações no seu próprio ambiente de convivência. Já os conceitos científicos são aqueles assimilados de forma sistematizada, transmitidos intencionalmente por metodologias específicas e decorrentes do processo de ensino e aprendizagem desenvolvido no ambiente escolar.
Para Vygotsky (2001), esses conceitos relacionam-se e influenciam-se constantemente, fazendo parte de um único processo: o desenvolvimento da formação dos conceitos. Pode-se dizer que essa formação de conceitos é afetada por diferentes condições, tendo no aprendizado escolar a força que impulsiona o desenvolvimento mental da criança. Vygotsky (2001) mostra que, à medida que os conceitos científicos avançam, os espontâneos também progridem, permitindo que a relação se dê cada vez mais de forma integrada e associada, e o meio para que potencializem o desenvolvimento de conceitos e, consequentemente a aprendizagem por parte dos alunos, no trabalho pedagógico e o reconhecimento de seus limites e principalmente suas possíveis capacidades prospectivas. Para isso o conceito de zona de desenvolvimento imediato vem auxiliar.
A zona de desenvolvimento imediato ou proximal é uma espécie de desnível cognitivo do aprendiz, dentro do qual a instrução é mais viável e produtiva. Para Gaspar (1993), é uma espécie de desnível cognitivo avançado dentro do qual uma criança, com o auxílio direto ou indireto de um adulto ou parceiro mais capaz pode realizar tarefas que ela, sozinha, não seria capaz, por estarem além de seu nível de desenvolvimento.
Vygotsky (2001) define a zona de desenvolvimento imediato em relação entre aprendizagem escolar e desenvolvimento. Tendo como pressuposto básico a existência de uma diferença entre o escore obtido quando a criança desempenha uma tarefa sozinha, chamada de nível de desenvolvimento real , e quando a desempenha com a ajuda de adultos ou, mesmo, através da cooperação de crianças mais adiantadas, chamado nível de desenvolvimento potencial . Pode-se dizer que a zona de desenvolvimento imediato define aquelas funções que não amadureceram,
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que estão em processo de maturação e que amadurecerão, estando presentes em estado embrionário. O nível de desenvolvimento real caracteriza o desenvolvimento mental retrospectivamente, enquanto a zona de desenvolvimento imediato caracteriza o desenvolvimento prospectivamente.
O conceito de zona de desenvolvimento imediato auxilia no reconhecimento do que o aluno sabe no seu nível de desenvolvimento real e, o que se pode exigir prospectivamente para seu desenvolvimento cognitivo, isto é traças objetivos que alcancem o nível de maturação em que o aluno possa chegar.
Neste contexto, na visão vigotskiana do processo de ensino e aprendizagem, desenvolvemos uma ação pedagógica que preconiza a formação de conceitos científicos, levando em conta as potencialidades oferecidas no reconhecimento da zona de desenvolvimento imediato do aluno.
## O trabalho com o recurso virtual - MOODLE
A disseminação de experiências que utilizam as TIC's no ambiente escolar, forçam as instituições de ensino a buscar alternativas rumo a Educação à Distância (EaD) baseadas por computadores, com apoio da iniciativa privada e estatal.
Na década de sessenta do século passado surgiram as primeiras experiências com EaD virtual. Os modelos desenvolvidos procuravam montar redes ou comunidades de aprendizagem sustentadas por suportes pedagógicos diferenciados dos utilizados em sistemas presenciais de ensino. Nessa busca, surge a Internet, a World Wide Web e o correio eletrônico. Neste contexto, surgem os denominados ambientes virtuais de aprendizagem (AVA), que propiciam métodos e técnicas inovadoras para o ensino a distância. O que se procurou criar como essas novas tecnologias foi um ambiente virtual que promovesse a comunicação entre os envolvidos no processo de ensino e aprendizagem (SILVA, 2009).
Estes ambientes possibilitam aos professores gerenciar conteúdos e administrar o curso, permitem o acompanhamento constante do progresso dos envolvidos. São ferramentas destinadas a EaD, mas são usados também como auxiliares para complementar aulas presenciais. As plataformas mais conhecidas são o MOODLE, o SOLAR e o TelEduc.
Para as anotações, resoluções, dificuldades, perguntas dos alunos, os AVA oferecerem espaços para que possam ser registradas, isto é, propiciam-se condições para que o aluno perfaça sua caminhada na busca de novas ideias e descobertas. É preciso levar em conta o perfil dos alunos, as habilidades que possuem e quais precisam desenvolver quando se criam ambientes.
O cenário do processo educativo pode ser alterado no decorrer, pois o ambiente não é estático, como a maioria das aulas em nossas instituições de ensino, mas sim, dinâmico. Esta importante característica demonstra que o ambiente de aprendizagem, assim como o professor e o aluno, também se transformam na medida que as interações sociais que ele propicia acontecem.
Esta atitude dos professores no trabalho com o MOODLE pode ser auxiliada pelo software de autoria. O software de autoria é uma tecnologia digital em que o professor será 'um designer de software e disponibilizar, de maneira adequada e surpreendente, assuntos a serem abordados durante a aula' (SILVA, 2003, p. 76/77). A disponibilização das atividades educacionais a serem desenvolvidas no
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MOODLE ocorre do processamento dos dados que o professor coleta durantes as atividades já realizadas, assim, o mesmo busca a disposição pedagógica de forma a propiciar a interatividade. Promovendo as condições para a formação de conceitos.
E, o planejamento de como isso ocorrerá na plataforma, é realizado com técnicas de planejamento para desenvolvimento do software de autoria e, por isso, o trabalho dentro do MOODLE pode ser encarado como uma tecnologia que se aproxima do software de autoria. O professor disponibilizará as informações em diferentes caminhos de entendimento, de modo que contemple múltiplos pontos de vista (SILVA, 2003).
No MOODLE construímos 'redes de comunicação' entre vários periféricos, disponibilizamos simulações e apresentamos imagens de forma dinâmica, como ocorrem no cotidiano, pois possibilita a utilização de outros softwares de simulação, como o Flash.
Para o desenvolvimento de nossas atividades, as possibilidades utilizadas dentro do MOODLE foram:
01 - página de texto simples Æ este recurso permite criar uma página de texto; 02 página Web Æ Web permite escrever texto, inserir imagens, links ...; 03 - inserir link Æ direcionar o estudante para uma página da Internet específica (através da indicação do endereço dessa página) ou para um determinado arquivo que é gravado no servidor da plataforma; 04 - inserir atividades Æ ferramentas que permitem a comunicação e a colaboração entre os participantes; 05 - fórum Æ O fórum constitui em uma ferramenta de comunicação assíncrona cujo objetivo é envolver os participantes no debate em torno de um tema específico; 06 - chat Æ O chat é uma atividade síncrona , em que os participantes de uma disciplina se encontram simultaneamente on-line para discutir, em tempo real, um determinado assunto; 07 - wiki Æ permite que diferentes participantes trabalhem em conjunto num documento web, podendo qualquer um deles, quando quiser, alterar o seu conteúdo (introduzir texto, corrigir, apagar, inserir imagens...).
fig 01: planejamento de uma semana de aula
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Como exemplo, apresentamos abaixo uma parcela da atividade da semana: Esta atividade trata-se do conteúdo gravitação universal, dentro do desenvolvimento da temática escolhida (viagem do homem à Lua).
As interações propiciadas por esta atividade, foram
conseguidas no Chat: xateiando, e também nos fóruns que a disciplina disponibiliza. O que percebemos ao analisar alguns destes, foi o aumento no que tange a colaboração entre os estudantes. Com o decorrer das atividades perceberam que os chat's e os fóruns eram canais para poderem tirar suas dúvidas com o professor e/ou outros alunos e, assim não os utilizavam para brincadeiras desconectadas do objetivo das aulas, como ocorriam nos primeiros chat's e fóruns.
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fig. 02: alunos e professor em debate na aula.
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Para trabalhar os níveis de AC, trabalhamos com diversas atividades teóricas e práticas. Duas atividades que contribuíram com dados qualitativos ao trabalho: uma atividade de pêndulo simples e uma de queda livre. A de queda livre proporcionou condição de comparação entre uma atividade real no laboratório de física 1, com uma atividade de queda livre de forma virtual: utilizando o vídeo de queda livre
do martelo na Lua. Nessa atividade, os alunos conseguiram, com um erro de aproximadamente 0,01% determinar a gravidade da Lua e com um erro de 0,05% na gravidade local na Terra utilizando a atividade do pêndulo simples. No desenvolvimento dos conceitos no trabalho em sala de aula conseguimos diferenciar duas grandezas que trazem muita confusão para os estudantes: massa e peso.
Perceberam que a massa não se altera e, também que é uma grandeza escalar, independe de outros fatores, como direção e sentido. Já o peso, que para eles no início das atividades possuía a mesma definição de massa, passaram a percebê-lo como uma grandeza vetorial, uma força, que é dependente de direção, sentido e local de atuação. Há outros pontos interessantes no trabalho, porém, escolhemos esses, por considerarmos de grande valia para o processo de minoramento dos déficits em relação a AC dos estudantes.
Para os níveis de AD dos educandos, apontamos a criticidade que os mesmos apresentavam ao navegarem na busca de informações em torno dos conteúdos trabalhados, isto é, não aceitavam o primeiro endereço eletrônico que a busca lhes proporcionava e, sim, procuravam a veracidade das informações e a confiança do site . No desenvolver dos trabalhos passaram a realizar as busca no google acadêmico , isto é, já procuravam um refinamento das suas buscas. O que aponta para o início do que se espera de uma alfabetização digital, a utilização com critérios dos meios digitais.
## Considerações finais
O trabalho que vem sendo realizado no intuito de melhor o nível de AC e AD dos estudantes quando utilizam uma ferramenta desenvolvida para a EaD, vem demonstrando possibilidades no que tange as interações sociais que ocorrem no processo educacional.
Quanto à formação de símbolos no processo de ensino e aprendizagem, temos percebido que as colaborações que ocorrem durante as atividades educacionais disponibilizadas no MOODLE favorecem que os educandos possam alcançar níveis em relação à cultura científica e digital, tendo em vista que o trabalho dentro do software possibilita e, exige que os educandos utilizem todas as possibilidades que as TIC's disponibilizam.
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Através dos debates que ocorrem nas atividades educacionais entre os alunos com os alunos, alunos com professor e alunos e professor com demais pessoas que formam redes sóciotécnicas na rede mundial de computadores (www), que o software permite, os alunos dão alguns passos para minorarem suas deficiências.
Há muito mais a explorar dessa atividade, mas os dados até o momento nos trazem indicações que o caminho esta correto, porém com as análises futuras buscaremos ancorar esses dados a teoria vigotskiana, para assim o processo de ensino e aprendizagem ter um encaminhamento para, com a utilização das potencialidades das TIC's aproveitarmos a motivação que os educandos apresentam no trabalho com a informática para que os conceitos científicos, no caso da Física, sejam melhores ancorados em suas zonas de desenvolvimento.
## Referências
CASTELLS, M. A sociedade em Rede. Tradução: Roneide Venâncio Majer. São Paulo: Paz e Terra, 1999.
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KNÜPPE, L. Motivação e desmotivação: desafio para as professoras do Ensino Fundamental. Educar, Curitiba, n. 27, p. 277-290, 2006. Editora UFPR.
MONTEIRO, I. C. C. Atividades experimentais de demonstração em sala de aula - uma análise segundo o referencial da teoria de Vigotski . Bauru/SP, 2002.129p. Dissertação (Mestrado em Educação para a Ciência, Área de Concentração: Ensino de Ciências), UNESP, Campus de Bauru.
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PRAIA, J., GIL-PÉREZ, D. e VILCHES, A. O papel da natureza da ciência na educação para a cidadania. Ciência e Educação , 13(2), 141-156.
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VYGOTSKY, L. S . Teoria e método em psicologia. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
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