USO DE OBJETOS DE APRENDIZAGEM POR PROFESSORES DO ENSINO MÉDIO
Alessandra Riposati Arantes, Ducinei Garcia, Nelson Studart
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XIX
- Ano
- 2011
- Data
- 03/02/2011
- Linha de pesquisa
- Tecnologia Da Informação, Difusão Tecnológica E O Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## USO DE OBJETOS DE APRENDIZAGEM POR PROFESSORES DO ENSINO MÉDIO
## Alessandra R. Arantes , Ducinei Garcia , Nelson Studart 1 1 1
1 Universidade Federal de São Carlos
ale.riposati@gmail.com
ducinei@df.ufscar.br
studart@df.ufscar.br
## Resumo
Apresentamos um trabalho realizado com professores do ensino médio quanto ao uso de objetos de aprendizagem na sala de aula. A pesquisa foi feita com professores cursistas de um curso de verão 'Física na Web' oferecido no programa de pós-graduação em ensino de ciências exatas da Universidade Federal de São Carlos. Incialmente, os professores foram apresentados a diversos repositórios e sites nacionais e internacionais'de objetos de aprendizagem, para posteriormente preparar e aplicar um plano de aula que contivesse um ou mais objetos de aprendizagem.Os relatos dos professores mostraram que objeto de aprendizagem é uma promissora ferramenta pedagógica e muito bem aceita pelos estudantes. No entanto, o seu uso implica um esforço maior do que a aula tradicional 'lousa e giz' porque a maioria das escolas possui problemas com infraestrutura, número de computadores e internet. Mas com criatividade e persistência esses desafios poderão ser superados como mostrado nos relatos dos professores.
Palavras-chave : Objetos de Aprendizagem, computador, simulações
## Introdução
Hoje em dia observa-se um aumento do uso de computadores como ferramenta de auxílio à aprendizagem em todos os níveis de ensino, tanto em escolas públicas quanto privadas [1]. Simultaneamente, recursos digitais com finalidade didática vêm sendo cada vez mais produzidos e disponibilizados. Esses recursos são comumente chamados de Objetos de Aprendizagem (OA) [2] e podem ser vistos como blocos de informação à disposição do professor para que este os conecte da maneira que achar mais eficiente. Eles se caracterizam por sua generalidade, reusabilidade, adaptabilidade, escalabilidade e flexibilidade.
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30 de janeiro a 04 de fevereiro de 2011
Muitos repositórios de objetos de aprendizagem foram criados para facilitar a busca e o acesso a essas ferramentas. Um dos mais importantes é o projeto canadense CAREO (Campus Alberta Repository of Educational Objects, www.careo.org), mas podemos citar também o FREE (Federal Government Resources for Educational Excellence, www.ed.gov/free), o Maricopa Learning Exchange, mantido por um consórcio de universidades (http://www.mcli.dist.maricopa.edu/mlx/), o Wisconsin Online Resource Center e o MERLOT (Multimedia Educational Resource for Learning and Online Teaching, www.merlot.org) [3]. Além dos respositórios, excelentes simulações também podem ser encontradas no site PhET (Physics Education Technology, http://phet.colorado.edu/). O projeto PhET desenvolveu em torno de 60 simulações em Java para professores de física, química, ciências e matemática. Muitas das simulações abordam temas introdutórios, enquanto outras introduzem tópicos mais avançados, como lasers, semicondutores, armas nucleares, etc [4].
Procurando facilitar o acesso a objetos de aprendizagem, o Ministério da Ciência e Tecnologia também criou um repositório, denominado Banco Internacional de Objetos Educacionais (BIOE), em parceria com a Rede Latinoamericana de Portais Educacionais, a Organização dos Estados Ibero-Americanos e outros. No BIOE encontram-se recursos digitais em diferentes formatos -áudio, vídeo, animação, simulação, software educacional -, relevantes e adequados à realidade da comunidade educacional.
Segundo Nascimento (2007) [5], 'a pesquisa sobre como ocorre o processo de ensino/aprendizagem nas salas de aula pode ser muito útil para quem desenvolve (...) objetos de aprendizagem oferece uma fonte muito rica de feedback'. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho foi avaliar o uso de objetos de aprendizagem nas salas de aula de professores do ensino médio que cursavam mestrado profissionalizante na Universidade Federal de São Carlos. Os OAs foram usados de diferentes maneiras, inclusive por professores inicialmente resistentes à idéia.
## Descrição do trabalho desenvolvido
A UFSCar implementou recentemente um Mestrado Profissional em Ensino de Ciências Exatas com duas áreas de pesquisa, Ensino de Física e Ensino de Matemática. Esse curso visa à melhoria da qualificação profissional de professores de Ciências Exatas nos ensinos Fundamental e Médio. Oferecemos no primeiro semestre de 2010 um curso de verão 'Física na Web', para dezenove alunos desse programa.
O curso foi dividido em três partes. Primeiramente, foi pedido que cada professor cursista relatasse suas experiências com o uso de objetos de aprendizagem na sala de aula. Depois, eles foram apresentados a 17 fontes de OA, entre elas repositórios e sites nacionais e internacionais. Como avaliação dessa etapa do curso, foi pedido que eles escolhessem três OA e opinassem sobre a qualidade de cada fonte. Após terminada essa etapa, os professores tinham que apresentar um plano de aula que contivesse um ou mais OA. Esse plano deveria ser aplicado com seus alunos no semestre que se seguia ao curso e o conceito final seria dado após o relato da aplicação da aula.
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Para o presente trabalho, escolhemos quatro relatos que mostram diferentes formas de uso de objetos de aprendizagem. Com o objetivo de facilitar a descrição dos resultados e preservar a identidade dos professores cursistas, iremos denominálos como P1, P2, P3 e P4.
## Resultados obtidos
Apresentamos aqui os relatos da aplicação do plano de aula utilizando objetos de aprendizagem .
## Professor cursista P1
O plano de aula foi aplicado em uma turma da terceira série (3ª C) do Ensino Médio da Educação de Jovens e Adultos (EJA). A turma era composta por dezessete alunos, dos quais doze estavam presentes na aula. A idade desses alunos variavam entre vinte e cinqüenta anos.
A aula tinha como objetivo trabalhar o tema 'eletrização por atrito', utilizando uma simulação do PhET ( Balões e eletricidade estática) no laboratório de informática da escola. Entretanto apenas três computadores estavam funcionando no dia da aula, por isso foi preciso adaptar a proposta original utilizando a simulação de forma coletiva com o auxilio de um data show.
Primeiramente, a sala foi organizada em círculo e após a apresentação do OA cada aluno recebeu um roteiro com questões que deveriam ser respondidas enquanto a simulação era manipulada pelo professor. Os estudantes observavam o que acontecia na simulação e registravam suas observações. Ao final da atividade os roteiros foram recolhidos com o intuito de verificar o quanto eles tinham compreendido.
Examinando as respostas dos alunos às questões do roteiro e os seus relatos sobre a atividade, ficou evidente o quanto uma atividade com simulação pode contribuir para a aprendizagem dos estudantes e também para uma aula mais atraente. Obviamente se eles tivessem manipulado o OA Balões e eletricidade estática, os resultados seriam ainda mais expressivos.
A satisfação manifestada pelos estudantes por uma aula diferente da que eles estão habituados a ter superou minha frustração com a falta de computadores em condições de uso na escola, o que me motiva a continuar utilizando OA's em aulas futuras.
## Professor cursista P2
- O assunto da aula foi 'Transformações Gasosas' usando o simulador 'Gas Properties' do site PHET. Inicialmente, a idéia era levar os alunos ao laboratório de informática para cada um com seu computador realizassem a 'experiência virtual'. Entretanto, para evitar possível dispersão dos alunos, como navegação na internet, a simulação foi projetada. A aula foi aplicada em três salas do segundo ano do ensino médio.
- O objetivo da aula era mostrar, atraves da simulação, como as grandezas macroscópicas de um gás (Volume, Temperatura e Pressão) se relacionam. Para isso foi pedido que os alunos colhessem dados manipulando a simulação para
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posteriormente investigá-los. No final da aula, um questionário com três questões foi aplicado. As questões possuíam níveis diferentes de dificuldade.
Essa aula foi extremamente produtiva porque os alunos deduziram as equações que regem o fenômeno utilizando apenas a simulação. O desempenho deles na avaliação e seus comportamentos durante a aula demonstraram interesse 'real' pela matéria. Agora muitos alunos cobram mais aulas nesse formato. Em suma, a aula foi ótima e com excelentes resultados.
## Professor cursista P3
O tema Energia foi trabalhado com alunos do primeiro ano do ensino médio de uma escola particular. A proposta de ensino foi a utilização de um site criado pelo professor da turma . O endereço do site e um formulário com questões sobre 1 toda a atividade foi enviado aos alunos por e-mail. Primeiramente, os alunos assistiram o filme 'Como funcionam as usinas hidrelétricas' 2 e em seguida preencheram parte do formulário online sobre o conteúdo abordado no filme,
Após essa atividade foi pedido que eles manipulassem duas simulações retiradas do BIOE. Na primeira, 'Como funciona uma usina hidrelétrica?', o aluno podia manipular as partes que compõem uma hidrelétrica. Já a segunda, 'Eletricidade: como gerar?' tratava de um simulador de uma usina hidrelétrica, e o aluno necessitava realizar cálculos para fazê-la funcionar. Pediu-se então que voltassem ao formulário e preenchessem as partes correspondentes às simulações, sendo uma das partes sobre a qualidade deste tipo de situação de aprendizagem.
Observando as respostas dos alunos foi possível notar que todos conseguiram realizar e responder as questões em suas casas. Entretanto a grande maioria dos alunos encontrou dificuldades na simulação que necessitava realizar cálculos. Com essa experiência, conclui que a utilização de objetos de aprendizagem juntamente com questionários online é um modo de incentivar a realização de tarefas em casa. Todos os alunos disseram ter aprendido muito com este modo, ou seja, primeiro uma introdução do assunto em sala de aula e depois realização de atividades em suas próprias casas. Inclusive alguns alunos pediram mais atividades deste tipo.
## Professor cursista P4
A proposta de aula foi aplicada como primeira aula de doze salas do primeiro ano do ensino médio. Como a aplicação da atividade demandaria uma semana de utilização do aparelho de projeção, o vídeo ( 3 sobre o que é a física, e como se dá o desenvolvimento da ciência e seus métodos investigativos), foi gravado em DVD.
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Para a aplicação do vídeo foi necessária uma troca de sala de aula, visto que apenas algumas poucas salas possuiam equipamentos de DVD. Os laboratórios de informática não estavam funcionando na escola.
Após a exibição do vídeo, algumas questões foram levantadas por alguns alunos e foram tomadas como ponto de partida para uma discussão. Foi feita uma breve explanação explicando sobre o que a Física se propõe a estudar. Com o decorrer da aula os alunos começaram a participar mais das discussões, inclusive colocando suas observações sobre o vídeo. Em seguida, foi pedido que trabalhassem em duplas para elaboração de um relatório, que deveria conter comentários positivos e negaticos sobre o vídeo.
Na aula seguinte, uma caixa preta foi levada com objetos distintos como correntes de metal, pilhas, grãos de feijão, uma colher, folhas de plantas e um cotonete. Os alunos deveriam então, sem olhar, elaborar um modelo baseado em hipóteses para explicar o conteúdo da caixa. A atividade da caixa preta veio então complementar a atividade do vídeo. Ela permitiu mostrar aos alunos que a ciência não é algo de desenvolvimento mágico, mas exige a elaboração de hipóteses, intuição e por vezes critérios não muito lógicos.
Considerei minha atividade utilizando o vídeo descrito como extremamente proveitosa porque, na avaliação, 70% dos estudantes escreveram de forma correta sobre a questão do tempo de queda dos corpos na superfície da Terra e sua independência do valor da massa dos objetos. Além disso, os estudantes mostraram-se mais interessados do que em uma aula tradicional.
## Conclusões
Trabalhar com objetos de aprendizagem exige um esforço maior e constante dos professores para transformar a simples utilização do computador numa abordagem que efetivamente favoreça a aprendizagem do aluno. Esse esforço está claramente mostrado nos relatos das experiências dos professores cursistas. Problemas com infraestrutura, disponibilização de máquinas e acesso à internet fazem parte do cotidiano da maiorias dos professores da rede pública e muitas vezes das privadas. Entretanto, esses problemas podem ser contornados como mostrou o professor cursita P1, que ao descobrir que não haveria computadores suficientes para sua aula decidiu apresentar o OA de forma coletiva. Já o professor cursista P3 optou por trabalhar o OA como tarefa de casa, driblando problemas que tinha na sua escola. O professor cursista P4 gravou o filme em DVD, de modo a precisar apenas de um aparelho de DVD. Todas essas novas estratégias não interferiram na qualidade das suas aulas. Ao contrário, foram muito aceitas pelos seus estudantes. Como eles relataram hoje são cobrados por aulas que utilizam OA.
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## Referências
- 1 - ARAUJO, I. S.; VEIT, E.; A. MOREIRA, M. A. Uma revisão da literatura sobre estudos relativos a tecnologias computacionais no ensino de Física. Investigações em Ensino de Ciências , São Paulo, v. 4, n. 3, p. 1-16, 2004.
- 2 - WILEY, D. A. The instructional use of learning objects (2000). Disponível em www.reusability.org/read/chapters/wiley.doc. Tradução disponível em: http://penta3.ufrgs.br/objetosaprendizagem/. Acesso em: 03 out. 2010.
- 3 - NASH, S. S. Learning Objects, Learning Object Repositories, and Learning Theory: Preliminary Best Practices for Online Courses. Interdisciplinary Journal of Knowledge and Learning Objects , Volume 1, 2005.
- 4 - ARANTES, A. R.; MIRANDA, M. S.; STUDART, N. Objetos de aprendizagem no ensino de física. Física na Escola , v. 11, n. 1, p, 27-31, 2010.
- 5 - NASCIMENTO, A. C. A. Objetos de aprendizagem: a distância entre a promessa e a realidade. In: Carmem Lúcia Prata; Anna Christina Aun de Azevedo Nascimento. (Org.). Objetos de aprendizagem: Uma proposta de recurso pedagógico . 1a ed. Brasília: SEED/MEC-Secretaria de Educação a Distância, 2007, p. 135-145.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.