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As Disciplinas de Física de um Curso de Licenciatura em Física, Modalidade a Distância

Thieny De Cássio Lemes, Adhimar Flávio Oliveira, Agenor Pina Da Silva, Ana Claudia Monteiro Carvalho, Antonio Luiz Fernandes Marques, Luciano Fernandes Silva, Fabricio Barone, Mikael Frank Rezende Junior, Newton Figueiredo Filho, Leonardo Dos Santos Cunha, Márcia Regina Guimarães Guedes

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XIX
Ano
2011
Data
03/02/2011
Linha de pesquisa
Tecnologia Da Informação, Difusão Tecnológica E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## As Disciplinas de Física de um Curso de Licenciatura em Física, Modalidade a Distância

Thieny de Cássio Lemes 1 , Adhimar Flavio Oliveira , Agenor Pina da Silva , Ana 2 2 Claudia Monteiro Carvalho , Antonio Luiz Fernandes Marques , Fabricio 2 2 Barone 2 , Luciano Fernandes Silva , Leonardo dos Santos Cunha , Mikael Frank 1 3 Rezende Junior 2 , Márcia Regina Guimarães Guedes 4 , Newton Figueiredo Filho 2

1 Centro de Educação Profissional Tancredo Neves, Brasopolis - MG - Brasil, thienyunifei@yahoo.com.br

## Resumo

A Educação a Distância (EaD) na Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) iniciou suas atividades em dezembro de 2000 consorciada à Universidade Virtual Pública do Brasil, cujo objetivo era democratizar o acesso à educação de qualidade por meio da oferta de cursos a distância. Desde então, foram oferecidos pela UNIFEI vários cursos de capacitação para os docentes das instituições consorciadas permitindo assim a consequente difusão da metodologia ao Ambiente Virtual para EaD (TelEduc). Incentivou-se também o uso gradativo da metodologia em disciplinas presenciais para que os docentes fossem adquirindo experiência para gerarem futuramente disciplinas a distância de qualidade para os cursos presenciais da UNIFEI. Neste trabalho é mostrada a estrutura do curso de Licenciatura em Física, modalidade a distância, oferecido pela Universidade Federal de Itajubá/MG através do consórcio Universidade Aberta do Brasil, que teve início no segundo semestre de 2007. Apresentamos a estrutura curricular do curso, a carga horária de todas as atividades necessárias para a integralização do curso e as principais diferenças entre os currículos do curso presencial e a distância oferecida pela Universidade. Além disso, serão apresentadas as estruturas adotadas nas disciplinas Física Geral I, II, III, IV, V e Introdução a Física Moderna, as ementas e as escolhas dos materiais didáticos. Serão também discutidos alguns resultados obtidos após o terceiro ano do curso para a primeira turma, 2007.

Palavras-chave : Licenciatura em Física, Ensino à Distância, Disciplinas de Física.

## Introdução

A Educação a Distância (EaD) na Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) iniciou suas atividades em dezembro de 2000 consorciada à UniRede - Universidade Virtual Pública do Brasil, cujo objetivo é democratizar o acesso à educação de qualidade por meio da oferta de cursos a distância.Desde então, foram oferecidos vários cursos de capacitação para os docentes das instituições consorciadas permitindo assim a conseqüente difusão da metodologia ao Ambiente Virtual para EaD (TelEduc). O sucesso dos cursos foi motivador para seu contínuo oferecimento pela internet, passando então a ser oferecido como curso de extensão, chegando até o momento à conclusão de 25 turmas, tendo não somente participantes situados

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no país, como também participantes do exterior. Incentivou-se também o uso gradativo da metodologia em disciplinas presenciais para que os docentes fossem adquirindo experiência para gerarem futuramente disciplinas a distância de qualidade para os cursos presenciais da UNIFEI [UNIREDE, 2010].

Em 2005 foi criada pelo Ministério da Educação (MEC) a Universidade Aberta do Brasil [UAB, 2010] que tem como principal objetivo articular e integrar "um sistema nacional de educação superior a distância, em caráter experimental, visando sistematizar as ações, programas, projetos, atividades pertencentes às políticas públicas voltadas para a ampliação e interiorização da oferta do ensino superior gratuito e de qualidade no Brasil". A urgência dessas ações se volta para a aplicação de recursos que incitem o incremento do ensino universitário, sobretudo quando se considera o fato de que pouco mais de 10% dos brasileiros de 18 a 24 anos têm acesso aos cursos de graduação nas universidades brasileiras. Neste contexto foi desenvolvido o projeto de criação do curso de Licenciatura em Física, modalidade a distância, na UNIFEI.

- É importante salientar que o corpo docente do curso tem experiência consolidada na formação continuada de professores do ensino fundamental e médio, em atividades de educação a distância e em pesquisa na área de Educação. Existe, também, uma forte interação com as escolas de ensino fundamental e médio da região, com a Superintendência Regional de Ensino e com a Secretaria Municipal de Educação, sabendo que é fundamental articular o ensino, a pesquisa e a extensão para o desenvolvimento da região.

Em face às grandes demandas geradas pela ampliação do Ensino Médio no Brasil 1, houve um aumento considerável no déficit já existente de professores de Física, isso considerando somente a relação entre o número de ingressos no Ensino Médio e o número de egressos nas Licenciaturas. Segundo documento do INEP/MEC,

'Tomando por base o número de turmas em comparação com o número de licenciados em cada disciplina nas universidades, o levantamento indica que o déficit de docentes nesse nível de ensino ultrapassa os 250 mil professores. As maiores carências relacionam-se às disciplinas de Química e Física [BRASIL, 2002].

## De acordo com Cunha

'Em Física, o déficit de professores licenciados é da ordem de 23,5 mil. Nos últimos 12 anos foram licenciados 7,2 mil professores de Física em todo o Brasil. Se incluirmos a necessidade de professores com formação em Física para a 8 série do Ensino Fundamental, haverá um a acréscimo de demanda de mais 32 mil professores. Finalmente, esses números aumentam ainda mais se for levado em conta o fato de que quase 15% dos professores de Física em serviço no Ensino Médio no Brasil carecem de formação específica na área.' [CUNHA, 2006, p. 151]

A proposição de um curso de Licenciatura em Física na modalidade EaD justificou-se não somente pelo número deficitário de profissionais habilitados no estado e no país, mas também como uma necessidade de formação e a atualização de professores voltados para a promoção de uma aproximação entre a produção do conhecimento científico e sua função junto à sociedade contemporânea.

- O curso Licenciatura em Física na modalidade EaD aqui relatado teve início no segundo semestre de 2007 sendo oferecido em cinco pólos presenciais no

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estado de Minas Gerais: Alterosa, Bicas, Boa Esperança, Cambuí e Itamonte. Em cada pólo foram oferecidas 50 vagas. Na Tabela I são mostrados todos os dados sobre o número de alunos que se inscreveram no vestibular por pólo e o número de alunos matriculados em 2007.

TABELA I: Número de alunos inscritos e matriculados por pólo.

## Estrutura Curricular do Curso

A preocupação com a criação/ampliação de cursos de formação de professores de Física/Ciências sempre esteve vinculada ao desenvolvimento científico do país e da região. Por esse motivo, a atuação de um profissional Licenciado em Física no universo da 'sala de aula' do ensino médio não pode ser sua única opção, visto que, devido à velocidade da transformação pela qual passa a sociedade, surgem, necessariamente, novas funções sociais e novos campos de atuação. Nesse sentido, a formação do Físico deve levar em conta tanto as perspectivas tradicionais de atuação dessa profissão, como contemplar as novas demandas que vêm emergindo nas últimas décadas.

Na elaboração do currículo, a formação do licenciado em física se dá em diferentes instâncias: a) uma integração vertical do conhecimento de graduação em Física: Introdução à Física; Física Geral I, II, III, IV e V; Cálculo I, II e III; Geometria Analítica; Calculo Numérico; Probabilidade e Estatística; Introdução à Astronomia e Astrofísica; Física Moderna e Química Geral. b) Uma integração horizontal das disciplinas de Cálculo e das disciplinas de Prática de Ensino I, II, III, IV, V e VI, espaço privilegiado da nova concepção de Prática de Ensino, para discussão e criação de formas para ensinar-aprender os conhecimentos das disciplinas tradicionais no Ensino Médio e outros níveis de escolaridade, bem como em espaços de educação não formal. c) Uma integração das disciplinas de Psicologia da Educação e Didática com destaque à Prática de Ensino e ao Estágio, vivenciados ao longo do curso, com o objetivo de familiarizar o estudante com atividades ligadas ao ensino. As disciplinas que sustentam esse componente do currículo encontramse integradas a conteúdos curriculares de natureza científico-cultural durante a primeira metade do curso, e também às atividades de estágio supervisionado a partir da segunda metade do curso.

Assim, nas primeiras fases do curso, as disciplinas de Prática de Ensino (I, II, III, IV e V) foram ministradas defasadas de um semestre das disciplinas de Física Geral (I, II, III, IV e V) que tratam de conteúdos específicos de mecânica, física

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térmica, acústica e eletromagnetismo. As disciplinas de Prática de Ensino visavam sensibilizar e preparar o estudante para o tratamento das questões práticas envolvidas com o ensino dos conteúdos específicos mencionados, para os níveis de ensino fundamental e médio, favorecendo tanto a integração intra-curricular, como também a integração do currículo com a prática escolar. Espera-se que além de contribuir para a formação didática dos estudantes, tais disciplinas possam também ajudá-los enquanto alunos das disciplinas dos conteúdos específicos mencionadas.

Uma parte importante da prática é provida pelas disciplinas Estágio Supervisionado e Instrumentação para o Ensino de Física I e II, que fornecem um conjunto de atividades integradas, nas quais os conteúdos específicos de física, assim como da disciplina de Didática, servem de base para o desenvolvimento, aplicação e avaliação de módulos de ensino voltados para o nível médio e para as últimas séries do nível fundamental. A integração com a prática escolar também é favorecida no interior das disciplinas Psicologia da Educação e Didática que prevêem, além dos conteúdos teóricos tradicionais, que parte de sua carga horária seja dedicada a atividades de natureza aplicada.

Complementando e aprofundando a integração vertical e horizontal, as 200 horas de atividades Acadêmico-Científico-Culturais deverão ser integralizadas pelos estudantes no decorrer do curso e envolverão a participação comprovada em atividades que contribuam para a sua formação profissional, tais como congressos, simpósios, visitas programadas, seminários, monitorias, etc., que deverão ser realizadas e validadas conforme o Regulamento das Atividades Complementares, aprovado pela Câmara de Graduação da UNIFEI.

As Práticas Pedagógicas são realizadas nas disciplinas Prática de Ensino I, II, III, IV, V e VI e Instrumentação para o Ensino de Física I e II, assim como na disciplina Didática, e visam sensibilizar e preparar o estudante para o tratamento das questões práticas envolvidas com o ensino dos conteúdos específicos mencionados, para os níveis de ensino fundamental e médio, favorecendo tanto a integração intracurricular, como também a integração do currículo com a prática escolar. Servem também de base para o desenvolvimento, aplicação e avaliação de módulos de ensino voltados para o nível médio e as últimas séries do nível fundamental.

Nas disciplinas de Instrumentação para o Ensino de Física I e II, as discussões teóricas sobre a didática específica da Física iniciadas nas Práticas de Ensino são formalizadas através da elaboração, confecção e aplicação de um módulo didático completo. Entenda-se por módulo didático um projeto interdisciplinar, por exemplo, um projeto interdisciplinar inspirado na concepção de Alfabetização Científica e Técnica proposta por Fourez utilizando a metodologia de construção de uma 'Ilha de Racionalidade' [FOUREZ, 1997]. A característica desse trabalho é coletiva, como seu produto final também o é. As diferentes equipes se responsabilizam em trazer/oferecer as informações que se fizerem necessárias, apresentando-as de forma oral e documental.

A elaboração e aplicação do projeto temático são finalizadas na Instrumentação para o Ensino de Física II, sendo que as disciplinas Instrumentação para o Ensino de Física I e II têm uma continuidade formal, ou seja, espera-se que os grupos formados pelos licenciandos sejam mantidos durante as duas disciplinas. Cada grupo escolhe um tema para desenvolver, cujo produto final será composto de material instrucional para o aluno e para o professor, contemplando o conteúdo, exercícios, atividades experimentais, proposta de avaliações e demais formas ou

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processos instrucionais que se fizerem adequados. O material produzido deve ser o mais claro possível, isto é, deve possibilitar que qualquer pessoa em qualquer lugar possa aplicar o projeto sem maiores esclarecimentos dos autores. Em suma: deve ser auto-suficiente nas informações referentes às metodologias, ao processo de aplicação e, logicamente, ao conteúdo proposto, sendo que atividades experimentais devem necessariamente fazer parte do projeto temático.

## Currículo do Curso

O currículo adotado no curso a distância é bastante parecido com o do curso presencial. Na Tabela II é mostrada a distribuição do tempo de integralização do curso ao longo de oito semestres, bem como a carga horária total de todas as atividades necessárias para a sua conclusão. As disciplinas Introdução à Educação a Distância e Introdução à Física são oferecidas apenas para o curso a distância.

TABELA II: Tempo de integralização ao longo de oito semestres.

A Mecânica Newtoniana, tradicionalmente oferecida em apenas um semestre nos cursos presenciais, foi dividida em Física Geral I, II e complementada em Física Geral III para o curso à distância. Além disso, à disciplina de Física Geral I foi adicionado o conteúdo de análise e tratamento de erros e medidas. As ementas das disciplinas são as seguintes. 1) Física Geral I (FGI) - Instrumentos de medição. Medição de grandezas físicas. Incerteza de medição. Introdução à simulação e modelagem de processos. Redação científica. Gráficos. Medidas e sistemas de unidades. Cinemática e dinâmica da partícula. 2) Física Geral II (FGII) - Trabalho e energia. Conservação do momento linear. Colisões. Rotação de corpos rígidos. Equilíbrio de corpos rígidos. Gravitação. 3) Física Geral III (FGIII) - Fluídos, Oscilações, Ondas Mecânicas (longitudinais, transversais e sonoras) e Termodinâmicas (as três leis e teoria cinética dos gases). 4) Física Geral IV (FGIV) - As forças que nos 'unem' e a Lei de Coulomb, Campos de Interação e Lei de Gauss, Dispositivos I: Potencial Elétrico, Capacitância e Capacitores, Fluxo e Corrente Elétrica, Dispositivos II: Resistores e Circuitos Elétricos, Ímãs e Campo Magnético, Lei de Ampére e Lei de Faraday. 5) Física Geral V (FGV) - Equações de

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Maxwell, Ótica Geométrica, Interferência, Difração e Polarização. 6) Introdução a Física Moderna (IFM) - Introdução a Relatividade, Os Primórdios da Teoria Quântica, Princípios Básicos da Teoria Quântica, A Equação de Schrödinger e Sistemas Quânticos Simples.

Quando o curso foi criado, uma das principais preocupações da equipe era a falta de conhecimento sobre o perfil dos alunos com os quais iríamos trabalhar. Por isso, consideramos mais conveniente dividir o conteúdo da Mecânica Newtoniana em duas partes e complementá-la em uma terceira parte. Manter a disciplina do mesmo modo que a presencial poderia gerar muitas dificuldades para os alunos, pois, além da disciplina de física, eles ainda tinham que lidar com as disciplinas de Cálculo e Geometria Analítica, em uma nova modalidade de ensino. A disciplina FGI é pré-requisito para FGII que, consequentemente, é pré-requisito para FGIII, que pré-requisito para FGIV, que é pré-requisito para FGV e, finalmente, que é prérequisito para IFM.

Outro aspecto muito importante quando da criação do curso foi a escolha do material didático que seria adotado nas disciplinas de Física Geral. A confecção de um material didático próprio para o nosso curso não foi bem recebida pelo grupo. Para realizar um trabalho desse tipo, seria necessário que a produção do material didático começasse bem antes do início do curso. Além disso, esse material deveria passar por uma revisão bastante criteriosa de outras pessoas da área antes de ser utilizado. Não queríamos correr o risco de produzir mais uma 'apostila' como tantas que encontramos por ai.

Outro fator importante foi a exigência institucional de equivalência entre as disciplinas comuns dos cursos presenciais e a distância. Como estamos interessados em oferecer disciplinas a distância que possibilitem um intercâmbio entre os alunos das duas modalidades do Curso de Licenciatura em Física da UNIFEI, achamos mais apropriado adotar as mesmas referências bibliográficas adotadas nas disciplinas presenciais. Em nosso caso, o livro texto adotado foi o Halliday, H.; Resnick, R. e Walker, J. Fundamentos de Física, Vols 1 a 4. Editora LTC, RJ, 2007 2 . Apesar de sofrer muitas críticas, o livro do Halliday é um dos mais utilizados nas universidades do país. Além disso, é um livro cuja forma está mais moderna e que já passou por vários tipos de testes e correções. Em nosso entender, é bastante apropriado para ser usado como material didático num curso a distância. Além do livro texto e do material de apoio que os alunos recebem a cada aula, é incentivado que eles tenham contato com outros livros sobre o assunto e com sites disponibilizados pelas boas universidades do país e do exterior.

## Disciplinas de Física Geral I, II, III, IV, V e Introdução a Física Moderna

Os dados, referentes aos ingressantes em 2007, sobre o aproveitamento dos estudantes nas disciplinas FGI, FGII e FGIII foram apresentados em trabalhos anteriores [SILVA et al , 2009, MARQUES et al, 2010 ]. Neste trabalho retomamos as suas descrições, e seus resultados, e apresentamos a descrição das disciplinas FGIV, FGV e IFM, bem como seus resultados em dois semestres . 3

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A disciplina FGI foi oferecida pela primeira vez no segundo semestre de 2007 e oferecida novamente para os alunos repetentes no primeiro semestre de 2008. Já a disciplina FGII foi oferecida no primeiro e no segundo semestres de 2008, a disciplina FGIII foi oferecida no segundo semestre de 2008 e repetida no primeiro semestre de 2009, disciplina FGIV foi oferecida no primeiro e segundo semestres de 2009, a disciplina FGV foi oferecida no segundo semestre de 2009 e no primeiro semestre de 2010 e a disciplina IFM foi oferecida no primeiro, e segundo, semestre de 2010.

O conteúdo de FGI foi dividido em duas partes. Na primeira os alunos têm contato com a Teoria de Medidas e Erros e na segunda parte com a Mecânica Newtoniana, na qual estudaram os capítulos 2 a 6 do livro texto (Cinemática e as Leis de Newton). Em FGII eles estudaram os capítulos 7 a 13, do Halliday, (Energia; Momento Linear; Colisões; Cinemática e Dinâmica das Rotações e Gravitação). Em FGIII os alunos estudam os capítulos 14 a 20, do Halliday, (Oscilações; Ondas I; Ondas II; Temperatura, Calor e a Primeira Lei da Termodinâmica; A Teoria Cinética dos Gases e Entropia, e Segunda Lei da Termodinâmica). Em FGIV os alunos iniciam o curso estudando os conteúdos de Eletricidade (força, campo e dispositivos) correspondendo aos capítulos 23 a 28 do livro do Halliday. Num segundo momento, os alunos estudam os conteúdos de Magnetismo, correspondendo aos capítulos 29 a 31 dos livros do Halliday e do Nussenveig. Em FGV estudaram os conteúdos dos capítulos 32 a 36 do livro texto (Equações de Maxwell, Ótica Geométrica, Interferência, Difração e Polarização). Em IFM os alunos estudaram os conteúdos dos capítulos 06 a 10 do volume 4 do livro do Nussenveig (Relatividade Restrita e Introdução a Física Quântica).

As aulas dessas disciplinas foram disponibilizadas duas vezes por semana. A cada aula os alunos receberam dois textos: o primeiro servia como um roteiro de estudo. Nele, é feita uma pequena introdução sobre o assunto que será estudado na aula, são apresentados os objetivos que se pretende atingir e o que o aluno tem que fazer para alcançar esses objetivos (as seções e os problemas resolvidos que deve estudar) e uma série de exercícios propostos. No segundo texto sempre era feita uma revisão da aula anterior. Nela todos os exercícios propostos eram resolvidos detalhadamente e uma nova série de exercícios era indicada para fixação do conteúdo. Na disciplina FGIV também foram disponibilizadas pequenas Leituras introduzindo os aspectos gerais de cada novo tópico a ser estudado.

Além disso, nos textos eram disponibilizados alguns endereços eletrônicos nos quais os alunos poderiam encontrar simulações sobre o tema da aula. Utilizando algumas ferramentas do ambiente TelEduc, foram realizadas algumas atividades associadas a essas simulações, como por exemplo, a determinação do tempo de reação de um motorista, composição algébrica de vetores, conservação da energia e do momento linear, entre outras.

As disciplinas de Física articulavam teoria e prática fazendo uso permanente do laboratório montado em cada pólo de apoio presencial, como proposto pelo MEC. Durante o período os alunos realizaram uma série de atividades experimentais no laboratório sob a responsabilidade do tutor presencial - um profissional treinado especificamente para essa finalidade. Em cada Polo havia dois tutores que se responsabilizam pelas disciplinas oferecidas no período. Para alguns experimentos foram desenvolvidos os roteiros e em outros utilizamos os roteiros que acompanham os instrumentos utilizados.

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Na disciplina FGI realizaram-se os seguintes experimentos: 1) Tempo de reação; 2) Medidas de comprimentos e ângulos; 3) Medida da aceleração da gravidade; 4) Movimento Retilíneo e Uniforme: MRU; 5) Movimento Uniformemente Variável: MRUV e 6) Leis de Newton. Na disciplina FGII foram realizados os seguintes experimentos: 1) Conservação da Energia; 2) Colisão elástica e 3) Colisão inelástica. Na disciplina FGIII foram realizados os seguintes experimentos: 1) Ondas Mecânicas Longitudinais e Transversais; 2) Ondas Sonoras; 3) Mecânica dos Fluídos e 4) Calor Específico dos Sólidos. Na disciplina FGVI realizaram-se os seguintes experimentos: 1) Campo e Potencial Eletrostático; 2) Capacitor de Placas Paralelas e sua Capacitância; 3) Circuito RC; 4) Multímetro; Medidas de Voltagem e Corrente; 5) Mapeamento do Campo Magnético e 6) Fenômenos Eletromagnéticos e Indução Eletromagnética. Na disciplina FGV realizaram-se os seguintes experimentos: 1) Interferência e Difração da Luz; 2) Polarização da Luz; 3) Lentes e Espelhos; 4) Interferômetro de Michelson e 5) Propagação de Ondas (Cuba de Ondas). Na disciplina IFM foram realizados os seguintes experimentos: 1) Experimento de Frank-Hertz e 2) Razão e/m.

Todas as atividades desenvolvidas pelos alunos, sejam elas feitas de forma presencial ou a distância, foram consideradas na avaliação. O peso das avaliações presenciais foi sempre superior a 50%, conforme a legislação vigente. Em nosso caso, o peso da avaliação presencial foi de 70% a 80%. No restante da avaliação levamos em consideração os trabalhos individuais, as listas de exercícios e outras atividades desenvolvidas utilizando as ferramentas do ambiente TelEduc (bate-papo, fórum de discussão, portfólio e etc.). As notas finais das disciplinas de Física Geral I, II, III, VI, V e IFM foram compostas de acordo com as regras utilizadas na UNIFEI.

## Resultados

O curso descrito neste trabalho completou o seu terceiro ano no primeiro semestre de 2010. Análises sobre a distinção entre reprovação, abandono ou simplesmente uma escolha errada de curso necessitam de mais dados que conseguiremos no andamento do curso. Por esse motivo, serão apresentados apenas os 'números' obtidos nas disciplinas de Física Geral I, II, III, IV, V e Introdução a Física Moderna.

TABELA III: Resultado das disciplinas de Física dos ingressantes em 2007

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Na Tabela III são mostrados o número de alunos que cursaram as respectivas disciplinas, o número de aprovados e o número de alunos reprovados. A diferença entre esses números representa alunos que não realizaram nenhuma atividade.

Como mencionamos anteriormente os dados da disciplina IFM referentes ao segundo semestre de 2010 não foram computados, pois este texto foi escrito durante sua realização.

O número de alunos matriculados em FGII e FGIII foi maior do que o número de aprovados em FGI, e FGII respectivamente, pois alguns alunos pediram equivalência das disciplinas de Física Geral e outros, no caso de FGIII, foram aprovados na repetição de FGII. O número de alunos matriculados em FGI no 2°/2007 é menor do que o número de alunos matriculados no curso (vide TABELA I). Neste caso, somente consideramos como alunos matriculados aqueles que realizaram pelo menos uma das atividades propostas durante o período. Aqueles que nunca acessaram o sistema ou que acessaram, mas não realizaram nenhuma tarefa não foram considerados aqui. Conforme verificamos das TABELAS I e III, o maior problema foi o abandono da disciplina FGI e consequentemente levando à evasão no curso. Isso é algo que está presente em todos os cursos de licenciatura, independente da área [BRASIL, 2007]. Estes dados preocupantes nos levaram a uma mudança da estrutura curricular do curso a partir de turma ingressante seguinte.

Observa-se também uma diferença significativa entre os alunos reprovados em FGIV no primeiro e segundo semestres de 2009. Esta disciplina sofreu pequenas modificações de um semestre para outro. A grande reprovação no segundo semestre levou a uma reflexão por parte dos formadores, sendo que a mesma está sendo reformulado para seu oferecimento em 2011.

## Considerações Finais

As medidas tomadas em relação a necessidade de formação de novos professores de Física bem como em relação a urgência em capacitar os professores que atuam na área ainda sem habilitação em licenciatura, não atingirão os níveis que o país necessita sem que medidas efetivas para a implantação de projetos de EaD sejam garantidas.

Como toda proposta nova, verificamos que algumas modificações se fazem necessárias. A disciplina de FGI passará a ser oferecida somente no segundo período. No novo currículo, a parte de Teoria de Erros e Medidas será oferecida separadamente. No segundo e terceiro períodos teremos as disciplinas de FGI e FGII com os conteúdos de Mecânica Newtoniana. Esta nova estrutura permitirá, com o conteúdo mais diluído, melhorar os índices de aprovação em cada uma das disciplinas de Física Geral. Outras modificações, ligadas às disciplinas de matemática (Cálculo e Geometria Analítica) também sofrerão uma readaptação.

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## Referências

BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Geografia da Educação Brasileira 2001. Brasília: INEP, 2002.

BRASIL. Estatística de professores Brasília: INEP, 2003.

BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Secretaria de Educação Básica. Escassez de professores no Ensino Médio: propostas estruturais e emergenciais. Brasília, 2007, p. 11.

CUNHA, S. L. S., Reflexões sobre o EAD no Ensino de Física, Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 28, n. 2, p. 151-153, 2006.

FOUREZ, G., Alfabetización Científica y Tecnológica: acerca de las finalidades de la enseñanza de las ciencias. Traducción: Elsa Gómez de Sarría. Buenos Aires: Ediciones Colihue, 1997.

MARQUES, A. L. F., SILVA, A. P., CUNHA. L. S., SILVA, L. F., GUEDES, M. R. G., REZENDE JUNIOR, M. F., FIGUEIREDO FILHO, N., LEMES, T. C., As Disciplinas Iniciais Física Geral I, II e III de um Curso de Licenciatura em Física, Modalidade a Distância, VII Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância Anais do VII Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância, ESUD 2010, Cuiabá - MT.

SILVA, A. P., MARQUES, A. L. F., CARDOSO, J., REZENDE JUNIOR, M. F., FIGUEIREDO FILHO, N., CAETANO, T. C. As Disciplinas de Física Geral no Curso de Licenciatura em Física da Universidade Federal de Itajubá/MG, Modalidade a Distância, XVIII Simpósio Nacional de Ensino de Física - Anais do XVIII Simpósio Nacional de Ensino, SNEF 2009, Vitória - ES.

UAB, CAPES. http://uab.capes.gov.br/index.php. Acessado em 03/09/2010. UNIREDE. http://www.unirede.br/ . Acessado em 03/09/2010.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.