ANÁLISE DAS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DAS DUAS PRIMEIRAS VERSÕES DE UM MODELO QUALITATIVO PARA O SISTEMA GÁS-RECIPIENTE EM COMPARAÇÃO A UM MODELO PADRÃO: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO COM ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS
Rafael Rodrigues De Oliveira, Laércio Ferracioli
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XIX
- Ano
- 2011
- Data
- 03/02/2011
- Linha de pesquisa
- Tecnologia Da Informação, Difusão Tecnológica E O Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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## ANÁLISE DAS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DAS DUAS PRIMEIRAS VERSÕES DE UM MODELO QUALITATIVO PARA O SISTEMA GÁS-RECIPIENTE EM COMPARAÇÃO A UM MODELO PADRÃO: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO COM ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS Rafael Rodrigues de Oliveira , Laércio Ferracioli 1 2
## Resumo
Este artigo apresenta resultados de um experimento que utilizou o Ambiente de Modelagem Computacional Qualitativo WorldMaker no estudo de um tópico específico de Física, com objetivo de investigar o uso de ferramentas de modelagem qualitativas como estratégia para a aprendizagem exploratória em Ciências. O fenômeno estudado foi o da expansão de um gás dentro de um recipiente fechado, caracterizado nesse estudo como sistema Gás-Recipiente a partir de atividade de modelagem expressiva. O enfoque desse artigo é uma das seis questões básicas de pesquisa formuladas para esse experimento, referente a analise das principais características das duas primeiras versões do modelo qualitativo do sistema Gás-Recipiente construídos pelos estudantes, primeiramente no papel em seguida no ambiente de modelagem computacional WorldMaker em comparação ao modelo esperado. A partir desse estudo foi possível estabelecer alguns padrões de comportamento para os estudantes durante a atividade de modelagem computacional expressiva do referido sistema, referentes a: definição do número de elementos do modelo, classificação desses elementos de acordo com a metodologia da ferramenta, número de interações - regras - construídas no papel e no ambiente de modelagem e por fim as interações que essas regras representam para o fenômeno modelado. Os resultados mostraram que os estudantes demonstraram habilidades para definir elementos relevantes para a construção dos modelos bem como classificá-los de acordo com a metodologia do ambiente em - Objetos e Objetos-Cenários - tanto no papel, quanto no WorldMaker. Com relação ao número de regras e as interações que elas representam para o modelo, notou-se que os estudantes demonstraram maior habilidades em construí-las no papel do que no ambiente de modelagem utilizado.
Palavras-chave : modelos, modelagem computacional, processo construção de modelos
de
## 1 Introdução
Uma das principais atividades da Ciência é a teorização para a construção de modelos que expliquem o mundo a nossa volta. Com o avanço da tecnologia da informática essa importante atividade da Ciência tem se tornado cada vez mais acessível na Educação em Ciências através do desenvolvimento de Ambientes de Modelagem Computacional (Ogborn, 1999). No entanto, via de regra, não é realizada uma avaliação sistemática sobre as reais possibilidades da aplicação e/ou integração desses ambientes no processo de aprendizagem visando escrutinar as vantagens e desvantagens que o uso desses ambientes pode trazer para o estudo de tópicos específicos em Ciências.
- O presente artigo tem o objetivo de relatar resultados do estudo de Oliveira (2006) realizado com estudantes universitários que foram solicitados a construir um modelo sobre o fenômeno de difusão de gases, denominado nesse artigo, de
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sistema Gás-Recipiente, primeiramente no papel e em seguida no Ambiente de Modelagem Computacional Qualitativa WorldMaker a partir de seus conhecimentos prévios sobre o fenômeno e o referido ambiente de modelagem. É também objetivo desse trabalho, investigar o uso de ferramentas de modelagem qualitativas como estratégia para a aprendizagem exploratória em Ciências, em especial na aprendizagem de Física. A metodologia empregada no experimento, tanto para a coleta de dados quanto para auxiliar os estudantes no desenvolvimento das atividades de modelagem, é denominada de Passos de Construção de Modelos (PCM's) e a organização dos dados gerados pelos PCM's, que são inerentemente qualitativos, foi realizada através da técnica das Redes Sistêmicas (Bliss, et al, 1983) possibilitando assim a construção de tabelas para analise desses dados, que serão devidamente abordadas nas próximas seções.
## 2 Referencial Teórico
No contexto educacional a expressão processos de Ensino-Aprendizagem muitas vezes foi, e ainda hoje é, em algumas raras situações, utilizada de forma indiscriminada e independente do resultado de sua ação. Dessa forma, esse jargão educacional traz consigo uma ambiciosa idéia e não necessariamente verdadeira, na medida em que faz uma conseqüente ligação entre dois processos que não necessariamente ocorrem simultaneamente, que são: o Ensino e a Aprendizagem .
Assim, em uma visão mais abrangente, essa expressão pode ser desdobrada e esses dois processos entendidos como independentes, podendo assim, ser abordados de forma específica de acordo com sua caracterização. Nesta perspectiva, no processo de Ensino o foco é no professor e no processo de Aprendizagem o foco é no estudante (Ferracioli, 1999). É importante ressaltar que, neste contexto, esses dois processos podem, eventualmente, mas não de forma préestabelecida, ocorrer de forma simultânea. Dessa forma, dentro de uma metodologia adequada de ensino, o uso da modelagem computacional pode gerar novas perspectivas de aprendizado em ciências.
## 2.1 Ambientes de Modelagem e Tipos de Modelagem Computacional
A modelagem aplicada à aprendizagem de tópicos específicos em ciência pode ser feita a partir da utilização de ambientes de modelagem computacional. Tais ambientes consistem em uma ferramenta computacional onde os estudantes podem construir modelos a partir de suas próprias concepções sobre o fenômeno estudado ou explorar modelos já prontos desses fenômenos. Essas ferramentas são denominadas de ambiente de modelagem devido ao fato de haver uma proposta educacional associada à sua utilização. Esses ambientes podem ser classificados de acordo com o raciocínio empregado na construção dos modelos. Assim sendo, podem ser, Ambientes de Modelagem Quantitativos , ambientes que enfocam o cálculo de valores de variáveis dependentes através de suas relações algébricas (Mulinari, 2006), também denominados de ambientes de modelagem matemática; Ambientes de Modelagem Semiquantitativa , ambientes que enfocam o entendimento de relações causais entre os elementos do sistema e a análise do efeito nessas relações - acréscimo e decréscimo - mas não no conhecimento dos valores numéricos das relações algébricas (Marins, 2009); Ambientes de Modelagem Qualitativos , onde os modelos são construídos sem a especificação de variáveis, relações algébricas ou quantidades, mas pela especificação dos seus constituintes básicos e das regras que determinam seus comportamentos (Fehsenfeld, 2010).
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Para a investigação da modelagem computacional no contexto educacional têm-se utilizado dois tipos de atividades: atividade expressiva , onde o estudante é levado a construir seu próprio modelo a partir de suas concepções sobre um fenômeno ou sistema; e a atividade exploratória , onde o estudante é levado a explorar um modelo previamente construído por um professor ou especialista sobre um determinado fenômeno (Gomes, 2008).
Sendo assim, os ambientes de modelagem computacional são utilizados de acordo com a forma de raciocínio empregada na construção ou exploração dos modelos dos fenômenos do mundo que nos cerca.
## 3 - Descrição do Ambiente de Modelagem WorldMaker
O WorldMaker é um ambiente de modelagem computacional Qualitativo. Para construir um modelo na referida ferramenta é necessário especificar quais objetos serão usados para representar o sistema em questão. Nesse ambiente existem dois tipos de elementos: Objetos e Objetos-Cenários. Os Objetos representam todos os elementos que podem se mover. Por outro lado, os ObjetosCenários representam os locais onde os Objetos podem se mover (Gomes & Ferracioli, 2006). Por definição, no WorldMaker, uma célula pode ser preenchida apenas por um Objeto e um Objeto-Cenário ao mesmo tempo. Dessa forma, dois elementos do mesmo tipo não podem ocupar a mesma célula ao mesmo tempo. Por fim, após a especificação dos elementos Objetos e Objetos-Cenários que vão compor o modelo, se torna necessário construir a partir desses elementos Regras que representam os Eventos que ocorrem no modelo. De posse dessas informações os modelos podem ser construídos e simulados. O Ambiente de Modelagem possui uma série de funções específicas, uma breve descrição dessas funções é dada abaixo; e o layout do ambiente é mostrado na Figura 01.
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Grade dos Mundos: Local onde os Objetos e Objetos-Cenários são representados para a visualização do comportamento do modelo como um todo;
Barra de Ferramentas de Arquivos: Botões de trabalho com os arquivos dos modelos: Novo Abrir , , Salvar e Imprimir Modelo;
Botões de Execução do Mundo: Contém os botões Voltar , Parar , Avançar , Avançar um passo e Avançar rapidamente ;
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Painéis de Objetos e Objetos-Cenários: Painéis dos Objetos e ObjetosCenários que representam o sistema a ser modelado;
Painel das Regras: Local onde ficam listadas as regras de interação associadas a cada objeto do modelo.
## 4 - Concepções do Estudo
Nesse experimento o objetivo foi investigar o Processo da Modelagem Computacional - PMC através da análise dos Passos de Construção de Modelos -PCM's desenvolvidos por estudantes universitários para fenômenos em Ciências. Pode-se destacar como objetivo desse estudo: em primeiro lugar, investigar como os estudantes modelam esses fenômenos através da metodologia dos PCM's e em segundo lugar, a partir dessa investigação, descrever alguns padrões de comportamento dos estudantes durante a atividade de modelagem expressiva e assim contribuir para o futuro aprimoramento dos PCM's, de modo que esses ambientes de modelagem possam ser integrados em sala de aula de forma eficaz para o aprendizado de ciências a partir de uma metodologia adequada. O estudo foi delineado a partir de seis questões básicas de pesquisa. No entanto, esse artigo abordará a terceira das questões cujo enunciado é:
Quais as principais características das duas primeiras versões do modelo do sistema Gás-Recipiente construído pelas duplas no papel e no ambiente de modelagem computacional qualitativo WorldMaker? (Oliveira, 2006; p. 39)
Para responder às questões de pesquisa foi estruturado um experimento com duração total de doze horas, dividido em dois módulos, ao longo de seis dias. O critério de escolha dos fenômenos de interesse foi que ele deveria ser um processo que tivesse interesse científico em relação a um conteúdo específico de Física e que, ao mesmo tempo, pudesse ser facilmente discutido em termos de argumentos do cotidiano pelos estudantes, facilitando assim, tanto a coleta quanto a analise dos dados. Dessa forma, o fenômeno escolhido para o desenvolvimento do estudo foi o sistema de Difusão de Gás denominado nesse estudo de sistema Gás-Recipiente , caracterizado a partir de um sistema constituído de um gás inicialmente confinado e inerte dentro de um recipiente localizado no canto de uma sala, e a partir da simulação esse gás se espalharia por toda a sala.
## 4.1 Passos de Construção de Modelos - PCM's
A metodologia adotada no processo de construção de modelos utilizando a metáfora dos objetos e eventos, nesse experimento, é denominada: Passos de Construção de Modelos - PCM's essa metodologia é dividida em nove passos que são explicitados abaixo:
- 1º Passo: Definição do sistema a ser estudado - PCM1;
- 2º Passo: Escolha do fenômeno de interesse - PCM2;
- 3º Passo: Listagem dos elementos relevantes - PCM3;
- 4º Passo: Classificação dos elementos listados em Objetos e Objetos-Cenários PCM4;
- 5º Passo: Construção das regras através das interações entre os elementos PCM5;
- 6º Passo: Construção de cada regra descrita no 5º passo através de detalhamento de acordo com o ambiente de modelagem descrito na apostila - PCM6;
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- 7º Passo: Representação das interações no ambiente WorldMaker e simulação PCM7;
- 8º Passo: Simulação - PCM8;
- 9º Passo: Validação do modelo - PCM9.
É importante ressaltar que os passos de construção de modelos têm o objetivo de levar o estudante a refletir sobre o fenômeno abordado preparando-o para a construção e representação de um modelo inicial no papel para, então, ir ao computador representá-lo no ambiente de modelagem computacional, que só ocorre a partir do PCM7: a representação informática é entendida como o estágio final da representação de um fenômeno (Rampinelli & Ferracioli , 2006) e constituem os três últimos passos descritos acima além é claro, de servir como base de dados para a analise do Processo de Modelagem Computacional - PMC .
## 4.2 Coleta de Dados
O Quadro 01 mostra uma breve descrição de como a coleta de dados desse experimento foi realizada a partir da estruturação de um curso de extensão organizado em módulos.
Quadro 01 : Estrutura do Curso de Extensão do Experimento
Para a sua realização não foi possível obter uma amostragem aleatória e o estudo foi desenvolvido com estudantes de graduação e pós-graduação do curso de Física e com alunos de graduação do curso de Biologia da Universidade Federal do Espírito Santo, selecionados de acordo com a disponibilidade para participarem do experimento. A amostra total consistiu de doze estudantes, de ambos os sexos, organizados em seis duplas. A coleta de dados foi feita ao longo de seis dias, um dia para cada dupla.
## 5 - Resultados & Discussão
- O modelo padrão para o sistema Gás-Recipiente deveria conter dois elementos, uma para representar as Partículas (P) do gás e outro para representar as Paredes (PA) do recipiente que contivessem o gás, ambos devendo ser classificados como Objetos . Para a modelagem desse sistema era necessário construir três regras, envolvendo os seguintes elementos: Partícula-Partícula (P P) , Patícula-Parede (P - PA) e uma última envolvendo apenas as Partículas (MP) para representar respectivamente as regras de colisões entre as partículas, colisões entre as partículas e as paredes do recipiente e o movimento das partículas.
Os resultados e as discussões desse artigo serão pautados nas principais características dos modelos: elementos Objetos e Objetos-Cenários - e regras.
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Mais especificamente será inicialmente feita uma abordagem 'evolutiva' dos modelos construídos no papel, no decorrer dos PCM's 3, 4 e 5, e o primeiro modelo construído no ambiente de modelagem no PCM7. Posteriormente esses dois modelos serão confrontados com o modelo padrão para o sistema, descrito no parágrafo anterior. Para alcançar esse objetivo, foram construídas duas tabelas a partir da categorização e organização dos dados qualitativos de acordo com a técnica de redes sistêmicas (Bliss, et al, 1983), essas tabelas descrevem padrões de comportamentos referentes à construção dos modelos do sistema ao longo dos PCM's supracitados.
A Tabela 1 mostra os objetos que foram definidos pelas duplas no PCM3 e posteriormente no PCM4 quando foram classificados quanto a sua natureza em relação à metodologia do ambiente Objeto ou Objeto-Cenário - com os elementos definidos e classificados no WorldMaker no PCM7. É importante ressaltar que nas tabelas que se seguem, o símbolo P representa o elemento Partícula ; o símbolo PA representa o elemento Parede ; outros elementos definidos pelas duplas foram apresentados sem simbologias e em itálico na Tabela. A partir da observação da Tabela 1 é possível estabelecer padrões de comportamento para as seis duplas em relação à definição e classificação dos elementos relevantes do sistema modelado em dois momentos distintos do Processo de Modelagem Computacional - PMC.
O primeiro aspecto que pode ser observado é: o número de elementos definidos pelas duplas no papel e no ambiente WorldMaker. Nesse sentido, observase uma única diferença: a Dupla\_04 definiu um número menor de elementos no ambiente de modelagem do que havia definido anteriormente no papel, escolhendo, no ambiente, um elemento a menos do que definido inicialmente. Esse resultado pode ser explicado pelo fato de que no papel essa dupla havia definido dois elementos para representar um único Objeto a Parede , já no ambiente, essa mesma dupla, conseguiu estabelecer uma simplificação : definir apenas um único elemento que representaria todos os Objetos Parede do modelo. As demais duplas definiram o mesmo número de objetos no papel e no ambiente de modelagem.
Tabela 1: Comparação Entre os Elementos Definidos e Classificados no PCM3 e PCM4 Com os Elementos Definidos e Classificados no PCM7
Comparando-se o número de elementos definidos pelas duplas nesses dois momentos do PMC, observa-se que apenas a Dupla\_03 definiu os elementos totalmente de acordo com o modelo esperado, as demais definiram de forma desnecessária objetos a mais para o modelo. Oliveira (2006) destaca que esses elementos, em sua maioria, são definidos pelas duplas para representarem o
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Lócus/Contexto para que os elementos Partículas e Parede possam interagir, como é observado nas duplas 01, 02, 04 e 05 que definiram respectivamente os elementos: Recipiente , Int-frasco , Sala e Dentro & Fora como forma de contextualizar as regras do modelo. A Dupla\_06 também definiu um número maior de elementos, porém, para essa dupla, a necessidade foi a de estabelecer dois elementos paredes para o modelo e não contextualizar as regras. Dessa forma, as duplas parecem pouco refletir sobre a quantidade mínima de elementos que o modelo do sistema Gás-Recipiente necessita e em sua maioria definem elementos a mais para o modelo.
Da Tabela 1, também se observa um segundo aspecto: a classificações dos elementos em Objetos e Objetos-Cenários não se modificaram do papel para o computador. Cabe ressaltar que possíveis erros de classificação desses elementos podem gerar modelos com comportamento completamente fora do padrão esperado, como foi o caso das duplas 02 e 06, onde se observou, durante a simulação, que as partículas conseguiam atravessar as paredes do recipiente quando o modelo era simulado, pois essas duas duplas definiram de forma não adequada o elemento Parede como Objeto-Cenário . Dessa forma, observou-se que erros cometidos na classificação dos elementos do modelo ainda no papel continuaram a ser repetidos no ambiente de modelagem na construção da primeira versão do modelo no computador. Assim, as duplas parecem não refletir adequadamente sobre as classificações feitas inicialmente no papel e apenas as repetem no ambiente de modelagem.
Em comparação ao modelo padrão a classificação dos elementos Partículas e Paredes em Objetos e Objetos-Cenários foram feitas de forma correta pelas duplas 01, 03, 04 e 05, já as duplas 02 e 06, como dito anteriormente, classificaram de forma errônea o elemento Parede. Os elementos definidos a mais pelas duplas 01, 02, 04 e 05 para a contextualização do lócus onde as regras ocorreriam, foram todos classificados como Objetos-Cenários, o que reforça ainda mais o seu caráter de contextualizar as regras.
A Tabela 2 mostra o número de regras construídas no papel - PCM5 e o número de regras construídas na primeira versão do modelo no computador - PCM7 e também a quais e em ordem essas regras foram construídas em cada etapa do PMC. Dessa forma, P - P indica uma regra entre Partícula & Partícula ; P - PA indica uma regra entre Partícula & Parede e MP indica a regra de Movimento da Partícula . Observando-se a Tabela 2 também é possível estabelecer alguns padrões de comportamento para as seis duplas em relação à quantidade de regras e quais regras foram representadas de forma adequada para o sistema GásRecipiente.
Analisando a Tabela 2, um terceiro aspecto pode ser abordado, o número de regras construídas no papel e na primeira versão do modelo no ambiente WorldMaker. Pode-se observar que, excetuando as duplas 01 e 06, a demais construíram um número menor de regras na primeira versão do modelo do sistema Gás-Recipiente no ambiente de modelagem do que o número de regras construídas no papel inicialmente. Este fato é corroborado por Ogborn (1999) que relata ter observado uma forte tendência inicial dos estudantes a consideram várias regras para implementarem em seus modelos, mas durante a construção dos mesmos, eles construíam um número reduzido de regras no ambiente de modelagem.
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Comparando-se o número de regras construídas pelas duplas nesses dois momentos do PMC, observa-se que nenhuma dupla construiu um número de regras totalmente de acordo com o modelo esperado: as duplas constroem tanto regras a mais, quanto regras a menos para o modelo. Contudo, para o sistema GásRecipiente, observou-se que as duplas conseguiram construir a maior parte das regras necessárias, seja no PCM5 ou no PCM7. Assim, o PMC consegue levar os estudantes a refletir e identificar a maior parte das interações relevantes para o sistema Gás-Recipiente. Para verificar se essa habilidade se mantém para sistemas de maior complexidade que envolva um número maior de regras serão necessários outros estudos.
Tabela 2: Comparação Entre as Regras Construídas pelas Duplas no Papel e na Primeira Versão do Modelo no WorldMaker
Da Tabela 2, é possível ainda, observar um quarto aspecto: quais as regras construídas no PMC nesses dois momentos, PCM5 e PCM7. Nesse sentido pode-se destacar que as duplas 01, 02 e 03 construíram as regras para representar as interações entre Partícula & Partícula e entre Partícula & Parede , porém, não construíram nenhuma regra para representar o movimento das Partículas . Para essas duplas a falta da regra de movimento pode ser explicada pelo fato de que, para elas, o movimento das partículas ocorreria de forma natural no ambiente, sem a necessidade de se estabelecer uma regra de movimento, como se o movimento fosse uma característica inerente aos corpos. Por outro lado, as duplas 04, 05 e 06 observaram desde o começo a necessidade de construção da regra de movimento. Porém, a Dupla\_04 construiu todas as regras necessárias - construindo duas interações em uma única regra, evidenciando uma simplificação de modelagem - no PCM5, porém, não construiu a regra de movimento no PCM7. A Dupla\_05 construiu a interação entre Partícula & Parede e duas regras de movimento para as Partículas no PCM5, porém, também não construiu no PCM7 a interação que fariam as partículas se moverem. Por fim, a Dupla\_06 construiu duas regras de movimento para as Partículas , alem das regras entre Partícula & Partícula e Partícula & Parede .
Assim, pode-se destacar que as principais características das duas primeiras versões do modelo do sistema Gás-Recipiente construído pelas duplas no papel e no Ambiente de Modelagem Computacional Qualitativo WorldMaker, observadas nesse experimento, são quatro: 1) observa-se uma tendência predominante em construir as duas primeiras versões com o mesmo número de elementos; 2) observa-se também que é mantida a mesma classificação Objeto ou ObjetoCenário - tanto no papel quanto no WorldMaker; 3) em relação ao número de regras, observa-se uma forte tendência nas duplas em se construir um número maior de regras no papel do que ambiente de modelagem e, por fim, 4) pode-se observar, em relação as regras, que as duplas conseguiram representar a maior parte das
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interações relevantes do sistema Gás-Recipiente seja no papel ou no Ambiente de Modelagem Computacional Qualitativo WorldMaker.
## 6 - Considerações Finais
O objetivo desse artigo foi apresentar resultados sobre o Processo de Modelagem Computacional - PMC a partir da utilização do Ambiente de Modelagem Computacional Qualitativo WorldMaker no contexto da aprendizagem exploratória de Ciências visando investigar a viabilidade e eficácia do uso desta ferramenta a partir de atividades de modelagem expressivas do sistema Gás-Recipiente. Apesar da não familiaridade inicial da grande maioria dos estudantes, os resultados revelaram que, a partir da utilização da metodologia denominada Passos de Construção de Modelos - PCM's, todas as duplas conseguiram construir modelos para representar o fenômeno proposto, tanto no papel, quanto no ambiente de modelagem.
Foi possível observar, também, que todas as duplas conseguiram definir os dois elementos relevantes para o sistema modelado. Contudo, excetuando-se as Dupla\_03, que definiu de forma correta apenas dois elementos para o sistema, as demais duplas definiram um número maior do que o sistema necessitava. Esse fato pode ser explicado pela necessidade dessas duplas de contextualizarem o Lócus onde as interações ou regras acorreriam, o que de toda forma não prejudicou a modelagem do sistema Gás-Recipiente. Em relação à classificação desses elementos em Objetos ou Objetos-Cenários foi observado que as duplas 02 e 06 classificaram de forma errônea o elemento Parede , já as duplas 01, 03, 04 e 05 classificaram todos os elementos do sistema de forma correta. Dessa forma, é possível observar uma grande habilidade dos estudantes em definir os elementos relevantes do sistema e também para classificá-los de acordo com a metodologia da ferramenta.
Observa-se também, que os estudantes conseguiram construir a maioria das regras para os modelos, seja no papel ou na primeira versão construída para o sistema no computador. Assim, observou-se que essas regras foram associadas aos eventos de Partículas colidindo com as Paredes ; das Partículas colidindo com Partículas e ao Movimento das Partículas . Esse fato parece indicar que a metodologia dos PCM's junto com a interface gráfica do ambiente podem auxiliar os estudantes a identificar quais são as interações relevantes em sistemas relacionados a temas de Ciências e não somente nesse sistema especifico, o que de qualquer forma demanda um estudo mais aprofundado.
Por fim, este estudo gerou resultados que contribuíram para o delineamento e desenvolvimento de um Ambiente de Modelagem Computacional Qualitativa denominado de ModeLab 2 com design apropriado para a implementação de atividades de modelagem na perspectiva dos Passos de Construção de Modelos (PCM's) no contexto do Ensino de Ciências e de uma metodologia adequada. Esta é uma perspectiva de trabalho promissora que já está em andamento e que já apresenta resultados promissores (Fehsenfeld, 2010; Gomes, 2008) e que tem demandado um maior investimento de recursos humanos e de tempo. O Ambiente de Modelagem Computacional Qualitativa ModeLab está disponível no endereço: 2 http://modelab2.modelab.org/.
## 7 - Agradecimentos
Trabalho parcialmente financiado pelo FINEP, CNPq, CAPES, FACITEC/PMV e FAPES.
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## 8 - Referências Bibliográficas
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.