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Divulgação científica para o público infantil: Potencialidades da revista Ciência Hoje das Crianças

Renata A. Ribeiro, Maria Regina D. Kawamura

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XIX
Ano
2011
Data
03/02/2011
Linha de pesquisa
Divulgação E Comunicação De Física Em Espaços Formais E Não Formais
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA PARA O PÚBLICO INFANTIL: POTENCIALIDADES DA REVISTA CIÊNCIA HOJE DAS CRIANÇAS

## Renata A. Ribeiro 1 Maria Regina D. Kawamura 2

1

Instituto de Física da Universidade de São Paulo [rribeiro@if.usp.br] 2 Instituto de Física da Universidade de São Paulo [mrkawamura@if.usp.br]

## Resumo

Os papéis da divulgação científica e suas características e potencialidades para a educação científica têm sido objeto de pesquisas recentes em ensino de ciências. Essas pesquisas, ainda que apresentando ênfases diferenciadas, sinalizam as inúmeras contribuições que o uso de materiais de divulgação poderiam introduzir no ambiente escolar. Nesse trabalho, apresentamos algumas reflexões sobre as potencialidades da divulgação científica para o público infantil, principalmente no que se refere às suas especificidades. Para isso, escolhemos como objeto de investigação a revista Ciência Hoje das Crianças, por ser uma publicação reconhecida e respeitada por especialistas pela qualidade de seus textos e aspecto gráfico. Nossa análise foi estruturada em dois momentos: primeiramente, em um recorte temporal (1999-2008), caracterizamos o periódico quanto ao seu formato, composição e aos temas relativos à Física; em seguida, selecionamos alguns exemplares de artigos e textos de seções da revista, de modo a explorar suas potencialidades, tendo como referência as diferentes 'vertentes' da divulgação científica. Essas vertentes correspondem a um conjunto de intenções e papéis atribuídos à divulgação, identificados segundo os objetivos educacionais que se busca promover. Percebemos que as vertentes relacionadas à leitura de mundo e ao encantamento/motivação, além de estarem presentes em artigos e textos da Ciência Hoje das Crianças, também são marcas com significado especial para o público infantil. Pretende-se, portanto, apresentar a professores que lecionam em ciências, o conteúdo de física, algumas potencialidades que essa revista apresenta, assim como possibilidades e formas de utilização desse material em sala de aula.

Palavras-chave: divulgação científica, Ciência Hoje das Crianças, sedução, leitura.

## Introdução

A divulgação científica, em sua multiplicidade de formas e meios, tem sido objeto de pesquisas recentes na área de ensino de ciências, entre outras, devido às potencialidades educacionais que lhe são atribuídas. A formação do espírito crítico, o desenvolvimento de hábitos de leitura para a leitura de mundo, a motivação para novas leituras, para o contato com a cultura científica, com seus processos e com visões de mundo diferenciadas, a necessidade de se inserir, na formação científica de nossos jovens, assuntos atualizados e contextualizados etc. são argumentos que aparecem nos discursos de jornalistas, cientistas, educadores e pesquisadores dessas áreas que vêem na divulgação um meio fundamental para a educação científica e cultural e para a formação de cidadãos atuantes e conscientes.

As pesquisas em ensino de física que têm a divulgação científica impressa como objeto de estudo apresentam diferentes abordagens. Algumas poucas pesquisas, de caráter mais teórico, oferecem reflexões sobre as intenções, os potenciais didáticos e as contribuições da divulgação para a educação científica (ASSIS & TEIXEIRA, 2003; ALVETTI, 2005; NASCIMENTO & REZENDE JR., 2006; RIBEIRO & KAWAMURA, 2008). Outras, têm procurado investigar e caracterizar diferentes tipos de materiais de divulgação, assim como tecer comparações entre textos de divulgação, textos didáticos e de ficção. A linguagem, as abordagens e os

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30 de janeiro a 04 de fevereiro de 2011

recursos utilizados para a veiculação de informações sobre ciência e tecnologia constituem exemplos de elementos mapeados por essas pesquisas, visando uma delimitação das potencialidades desses materiais para o uso em aulas de física e de ciências (AIRES et al. , 2003; NASCIMENTO & MARTINS, 2003; SILVA & CRUZ, 2004; RIBEIRO & KAWAMURA, 2005). Por fim, algumas pesquisas procuram explorar, mais especificamente, metodologias de trabalho em sala de aula com materiais de divulgação, apontando, por meio de relatos de experiências, estratégias didáticas para a utilização de textos de jornais e revistas em aulas de ciências (SOUZA et al. , 1996; CHAVES et al. , 2001; TERRAZAN & GABANA, 2003; CHAVES & MACHADO, 2005).

De modo a sistematizar os múltiplos dizeres referentes às potencialidades da divulgação da ciência, dentro do contexto da educação científica e do ensino de ciências e/ou física, elaboramos um quadro de vertentes da divulgação científica (RIBEIRO & KAWAMURA, 2006), articuladas dentro de uma concepção de educação orientada pelo pensar de Paulo Freire e por parâmetros e diretrizes curriculares cuja ressonância com este pensar mostra-se evidente. Nesse trabalho, com o objetivo de contribuir para as discussões sobre as relações entre divulgação científica e ensino de física, buscamos investigar e caracterizar uma publicação de divulgação científica para o público infantil, a revista Ciência Hoje das Crianças (CHC). Pretende-se apresentar a professores que lecionam o conteúdo de física em cursos de ciências, algumas potencialidades que essa revista apresenta, assim como possibilidades e formas de utilização desse material em sala de aula.

## 1. Potencialidades da divulgação científica

Mundo de leitura, leitura de mundo. Formação do espírito crítico. Atualidade e Contextualização. Olhar da sedução: encantamento e motivação. Essas são as quatro vertentes que procuram articular os pensares e as práticas já delineadas com textos de divulgação científica. Cada uma dessas vertentes compreende um conjunto de intenções e papéis atribuídos à divulgação, o qual foi levantado a partir do olhar para as diferentes investigações nas áreas de pesquisa em ensino e em comunicação. Estas vertentes constituem, portanto, uma possibilidade de articulação entre as funções, intenções e os possíveis usos dados aos textos de divulgação científica segundo essas pesquisas.

Buscaremos explorar na revista Ciência Hoje das Crianças os potenciais relativos a duas das vertentes da divulgação: 'mundo de leitura, leitura de mundo' e 'olhar da sedução: encantamento e motivação'. A escolha, em especial, dessas duas vertentes está relacionada tanto ao universo do público infantil (sentidos da leitura, grau de escolaridade etc.) quanto às peculiaridades da divulgação científica dirigida às crianças, como veremos mais adiante.

## i. Mundo de leitura, leitura de mundo

A pluralidade das linguagens, a diversidade de assuntos e abordagens, a variedade de materiais e meios (revistas, jornais, encartes etc.) que tratam de temas sobre ciência, a riqueza de recursos visuais e textuais, entre outros, fazem do texto de divulgação um material de rico potencial para introduzir nossos alunos em um ' mundo de leitura '. A incorporação desses materiais em nossas aulas de ciências, física em particular, é um convite à abertura para as possibilidades de leitura. Acreditamos que a diversidade de fontes de informações com as quais o educando tem contato em seu dia-a-dia necessita ser integrada ao seu cotidiano escolar. Todavia, é fundamental que estejamos conscientes de que não se trata apenas de

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uma inclusão de novos materiais, complementares ao didático, mas sim da adoção de uma nova postura perante a nossa formação, enquanto educadores, e a de nossos estudantes. Postura esta que reflete um pensar sobre os objetivos do ensino de ciências, sobre a educação e, sobretudo, sobre a sociedade que almejamos construir.

Na perspectiva de ' leitura de mundo ' o texto ganha a configuração de uma janela para a realidade: as relações entre ensino de física e leitura transcendem o olhar para o texto como um instrumento. A relação se inverte: não é mais o ensino de física contribuindo para o desenvolvimento de habilidades de leitura, mas sim o processo de leitura favorecendo o ensino de física. A produção de sentidos pelo texto, a identificação e interpretação de diferentes pontos de vista, a compreensão das relações entre ciência, tecnologia e sociedade, a identificação de diferentes formatos de texto, de linguagens e discursos e a articulação de significados etc. constituem competências que integram esse segundo contexto. De acordo com um estudo realizado sobre a revista Ciência Hoje das Crianças e as práticas de leitura do público infantil (GUARACIRA, 2005):

'A leitura propicia a aquisição de conhecimento e o desenvolvimento de habilidades. No caso da leitura de uma revista de divulgação científica, esse desenvolvimento está associado à compreensão da linguagem, à aquisição de conhecimentos científicos e à incorporação de elementos para criarem uma forma de olhar o mundo natural e social, que é o objetivo central da revista Ciência Hoje das Crianças - fornecer parâmetros para a elaboração de filtros de leitura de mundo' (GUARACIRA, 2005:57).

Com o poder de despertar a imaginação, de ampliar o repertório do leitor e guiá-lo na reflexão sobre a sua realidade, a leitura leva-nos a redescobrir o mundo e as formas de pensá-lo (ARRIGUCCI JR., 1994). Nesse sentido, 'mundo de leitura' e 'leitura de mundo' se complementam. O contato do leitor com uma diversidade de gêneros textuais, com formas de argumentação, com linguagens características de diferentes meios de comunicação, ou de diferentes seções em um mesmo veículo, em ambiente escolar, ao mesmo tempo que fomenta a polifonia e a pluralidade de textos e meios, reduz o monólogo e o autoritarismo da palavra única, da fonte única, do argumento unilateral e absoluto.

'Mundo de leitura' e 'leitura de mundo' constituem, a nosso ver, potencialidades da divulgação científica, em primeiro lugar, pela riqueza de possibilidades de leitura que propicia, devido à multiplicidade de meios (revistas e jornais) e, conseqüentemente, de formatos (artigos, notícias, ensaios, colunas, editoriais etc.). Nesse sentido, a divulgação pode estimular outras leituras, gerar hábitos e atitudes, motivar e dar sentido ao conhecimento construído na escola. Em segundo, por favorecer uma superação da fronteira que separa universo escolar do vivencial. O trabalho com textos dessa natureza pode estimular o desenvolvimento de um olhar crítico para a realidade e para os próprios meios de comunicação.

## ii. Olhar da sedução: encantamento e motivação

Estimular o olhar curioso para o mundo, a motivação para o aprendizado, o interesse por temas da ciência, a leitura de textos variados (literatura, divulgação, poesia, ficção etc.) é a principal ação abarcada por esta vertente. Ela compreende um olhar diferenciado para a atividade de divulgação científica. Um olhar para o poder de sedução que alguns escritos de divulgação apresentam. Motivar, instigar e inspirar. Despertar a curiosidade, fenômeno vital, no pensamento de Paulo Freire.

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A curiosidade como inquietação indagadora, como inclinação ao desvelamento de algo, como pergunta verbalizada ou não, como procura de esclarecimento, como sinal de atenção que sugere alerta faz parte integrante, repitamos, do fenômeno vital. Não haveria criatividade sem a curiosidade que nos move e que nos põe pacientemente impacientes diante do mundo que não fizemos, acrescentando a ele algo que fazemos. (FREIRE, 2000:48).

- O fator motivação, tanto para outras leituras quanto para reflexões sobre questões abordadas em um texto, é lembrado por pesquisadores como uma potencialidade dos textos literários e de divulgação. Segundo eles, poemas, ficção científica, obras da literatura mundial, romances, histórias em quadrinhos etc. podem ser levados para as aulas de ciências para gerar uma gama de atividades sobre os conteúdos presentes nesses textos, sobre os procedimentos da ciência, sobre as implicações do desenvolvimento científico e tecnológico, sobre o processo sóciohistórico de constituição da ciência etc. uma vez que ' trabalhos dessa natureza ampliam as condições para que o estudante se preocupe com o papel da ciência e com o seu próprio papel enquanto cidadão ' (ALMEIDA & RICÓN, 1993:12).
- O sentimento de encantamento e sedução que alguns materiais de divulgação, intencionalmente ou não, parecem promover, pode apresentar, contudo, diferentes conotações, as quais precisam ser ressaltadas e problematizadas. Uma delas relaciona-se, por exemplo, a um caráter 'mágico' atribuído à ciência pelos meios de divulgação (cujo objetivo pode ser o de atrair a atenção do leitor, gerar expectativas, reforçar anseios etc.), contribuindo para a formação de uma imagem ingênua do fazer científico. O encantamento, nesse caso, seria o fruto de uma curiosidade ainda ingênua, resultado de uma ausência de criticidade (FREIRE, 1996). Mas não é esse o encantamento que defendemos. A conotação que defendemos é a do encantamento pelo conhecimento, do fascínio despertado pelas possibilidades de apreender a realidade, de compreendê-la, de transformá-la. É a sedução que nasce do desejo de conhecer, de uma inquietação diante do mundo, da curiosidade ante o desconhecido e o misterioso.

Por que a ciência apresentada pelos meios de divulgação científica, encanta ou gera uma sensação de satisfação, de prazer? De que forma essa dimensão da divulgação pode ser explorada nos contextos da educação e do ensino de física? Nesses contextos, a nosso ver, o olhar da sedução estaria associado ao papel, atribuído à divulgação, de instigar o interesse por temas científicos, de motivar, de gerar atitudes e sentimentos nos leitores (curiosidade, emoção, desejo etc.), de atrair e inserir o leitor no mundo da ciência etc. (SALÉM & KAWAMURA, 1996; SILVA, 2001, ALMEIDA, 1998). Insere-se nessa vertente o 'despertar', gerado por esses textos, de algo que faça sentido para a vida, que mobilize emoções e que aflore o desejo de compartilhar o processo de construção do conhecimento.

De forma complementar, outra resposta a pergunta colocada anteriormente encontra-se no campo das expressões da linguagem e dos recursos textuais e visuais utilizados por revistas e jornais que divulgam informações sobre ciência. A aproximação entre leitor e autor por meio da linguagem, o sentido conotativo (repleto de impressões, de valores afetivos e sociais, de significados paralelos), a valorização da dimensão estética e da forma, o uso de comparações, a incorporação de traços lúdicos na tessitura do texto etc. são estratégias para provocar no leitor um prazer estético do/no ato de ler. Além disso, o uso de técnicas emprestadas da literatura (como procedimentos de observação, narração e descrição) visam humanizar os textos, torná-los mais próximos ao leitor (PENA, 2006).

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## 2. A revista Ciência Hoje das Crianças

A revista Ciência Hoje das Crianças (CHC) é uma publicação de divulgação científica do Instituto Ciência Hoje (ICH) dirigida ao público infantil. A revista nasceu em 1986, como um encarte da revista Ciência Hoje e, a partir de 1990, passou a ser uma publicação independente do ICH, organização vinculada à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). No portal do ICH a revista é apresentada da seguinte forma:

'A revista Ciência Hoje das Crianças mostra ao público infantil que a ciência faz parte da vida de cada um e pode ser muito divertida. A revista estimula a curiosidade e a compreensão dos fenômenos do dia-a-dia, com a ajuda de ilustrações e experiências que podem ser realizadas pelas próprias crianças. É instrumento fundamental em sala de aula como fonte de pesquisa aos professores e de grande importância para os alunos na elaboração de deveres e projetos escolares. A publicação é adotada pelo MEC e distribuída para 107 mil escolas, como material de apoio paradidático.' 1

Desta breve apresentação podemos extrair informações sobre os objetivos da revista, o seu público alvo e os usos que dela podem ser feitos em ambiente escolar. Estimular a curiosidade, mostrar uma ciência divertida, que está no dia-a-dia do leitor, e tornar alguns fenômenos cotidianos compreensíveis são, por exemplo, alguns de seus objetivos. Além do público infanto-juvenil, a revista também é lida por professores que a utilizam em suas salas de aulas. Embora a revista não tenha fins explicitamente didáticos, haja vista ser uma publicação de divulgação científica, a preocupação com a didática nos textos que a compõem é uma constante.

A revista é composta por variadas seções (artigos, experimentos, resenhas, jogos e passatempos, contos e lendas, poesia, etc.), cada qual com características próprias, realçadas na estrutura e tessitura do texto, na linguagem, nas imagens e na forma de interação texto-leitor. Os assuntos escolhidos e publicados na revista abrangem áreas das ciências humanas, exatas e biológicas, além de temas transversais como saúde, meio ambiente, pluralidade cultural, tecnologia etc. Embora não seja uma publicação temática (com o assunto de capa orientando todas as seções), a revista, em algumas de suas edições, procura manter uma coerência entre a temática do artigo principal e a das seções que a compõem.

Tanto os artigos quanto algumas seções mais específicas da revista (como, por exemplo, 'você sabia?', 'como funciona?' e 'por quê?') são produzidos por professores e pesquisadores vinculados a instituições de pesquisa e universidades. Antes de sua publicação, os artigos são encaminhados para um consultor (membro da comunidade científica) para uma avaliação de qualidade. No caso de aprovação para publicação, o artigo passa ainda por uma equipe de edição de texto (trabalho que é acompanhado pelo autor do artigo) para adequá-lo ao público alvo da revista.

Ao longo dos dez anos de revista analisados (1999-2008), notamos algumas modificações na estrutura da publicação, com a inclusão de novas seções e, como conseqüência, diminuição do número de artigos por edição. Algumas seções, que antes eram instáveis, ou seja, não apareciam todas as edições ao longo do ano, com o passar do tempo tornaram-se estáveis, quase fixas, como, por exemplo, as seções de experimentos e atividades, 'Por quê?' e 'Quando crescer'. Algumas seções mantiveram-se estáveis, como a de histórias, contos e lendas, e seções novas sugiram nos últimos anos (por exemplo, 'Como funciona?' e 'Você sabia?').

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O gráfico a seguir apresenta as transformações pelas quais as seções da revista passaram ao longo do período analisado.

GRÁFICO 1. Distribuição dos textos das seções da revista CHC ao longo do tempo (1999-2008).

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Consideramos como artigo principal aquele que é destaque de capa. São artigos escritos por especialistas da comunidade científica, contendo, geralmente, de quatro a seis páginas, com ilustrações, 'boxes', fotografias etc. Já os artigosexperimento são artigos que propõem, em seu corpo, a montagem de uma atividade experimental. Diferentemente da seção de experimentos da revista, que é assinada, na maioria das vezes, pela redação (com assessoria de especialistas), os artigosexperimento são assinados por pesquisadores.

Observando o gráfico, podemos notar que é expressiva a redução do número de artigos publicados, por ano, pela revista, visivelmente em decorrência do aparecimento de novas seções. Talvez isso sinalize uma tendência a dar mais agilidade à leitura dos textos, mantendo-os mais curtos e diversos. Percebemos também que o espaço destinado a jogos e passatempos mantém-se praticamente constante (com exceção do ano de 1999) e que a quantidade de matérias (textos, geralmente noticiosos, de uma ou duas páginas) publicadas na revista é bem pequena ao longo desses 10 anos.

## i. Os conteúdos de Física e Astronomia da revista CHC

A investigação de quais são os conhecimentos de Física e Astronomia presentes na revista Ciência Hoje das Crianças, assim como das formas pelas quais esses conhecimentos são expostos nessa publicação pode nos auxiliar na elaboração de estratégias e no estabelecimento de momentos para a utilização desse material de divulgação em sala de aula. A variedade de seções da revista, as diferentes abordagens dadas a um determinado conteúdo em cada seção, com suas linguagens, seus encaminhamentos, suas ênfases e seus característicos recursos visuais e textuais traduzem as potencialidades que esta publicação apresenta.

Em um primeiro olhar para esta publicação, percebemos que a maior parte de seus artigos principais (de capa) refere-se à área de Biologia e a temáticas relativas ao Meio Ambiente (41%). Os temas relativos à História ocupam 21% das capas, enquanto que os temas ligados à Física e à Astronomia representam, no período

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analisado, 18% do total de capas. O gráfico 2 nos mostra a distribuição dos conteúdos das capas (e artigos principais), por área de conhecimento.

GRÁFICO 2. Distribuição dos conteúdos por capa/artigo principal da revista (1999-2008).

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O gráfico 3 apresenta a distribuição, por seção da revista, da variedade de textos que abordam conteúdos de Física e Astronomia, em comparação ao total de textos referentes a outras áreas do conhecimento, no período de 1999 a 2008. Podemos notar que o conhecimento de Física é mais expressivo em seções como 'Como funciona?', na qual 75% dos textos referem-se a conteúdos dessa área do conhecimento. Nessa seção, é explicado o funcionamento de equipamentos e instrumentos (astrolábio, submarino, impressora, câmera e TV digital, controle remoto, mp3 etc.) de maneira simples e objetiva (o texto ocupa uma coluna, ao final da revista). O número de artigos (aproximadamente 17%), artigos-experimento (38%) e de experimentos e atividades propostos aos leitores (34%) sobre Física e Astronomia também é representativo, o que indica uma preocupação dessa publicação em oferecer uma cobertura sobre essas áreas do conhecimento.

GRÁFICO 3. Distribuição do conteúdo de Física por seção em comparação ao total de textos por seção (1999-2008).

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Aprofundando um pouco mais o nosso olhar, de modo a caracterizar a Física presente na revista em cada uma das seções, construímos o gráfico 4. Nele, apresentamos uma distribuição dos conteúdos de Física em áreas amplamente reconhecidas como organizativas do conhecimento em Física. A estratégia utilizada baseou-se na análise de conteúdo, partindo da leitura das seções da revista e da

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caracterização do assunto ou tema abordado. Observando o gráfico, notamos que a maioria dos artigos publicados, assim como e de histórias, contos e lendas tem como tema a Astronomia. Já a maioria dos experimentos e das atividades trata de conteúdos de Mecânica e Hidrostática. A seção 'Como funciona?', devido à sua própria natureza, tem o Eletromagnetismo como conteúdo principal.

GRÁFICO 4. Distribuição dos conteúdos de Física/Astronomia por seção da revista (1999-2008).

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Os temas relativos à Física Moderna aparecem na revista em abordagens ora históricas, como, por exemplo, o artigo sobre Albert Einstein (PIMENTEL, 2005) e sobre os Raios X (SANTOS, 2004) ora conceituais e tecnológicas, como o artigo 'Neutrinos: as partículas fantasmas' (LEITE, 2006).

O gráfico 4 nos mostra que os conteúdos de Física estão presentes em todas as seções da revista, em maior ou menor grau e amplitude de temas e assuntos considerados, o que, ao primeiro olhar, pode ser um indicativo das potencialidades de uso dessa revista nas aulas de ciência sobre o conhecimento físico e de astronomia. Além disso, a variedade de seções da revista pode ser traduzida como o potencial que esta apresenta para promover distintas possibilidades de leituras, independentemente ou não das especificidades do conteúdo em si.

## 3. A revista CHC e suas potencialidades

Podemos pensar, de maneira bem geral, em duas possíveis formas de levar textos e revistas de divulgação para a sala de aula. Na primeira delas, mais comumente realizada, a preocupação com o conteúdo norteia nossas ações. As escolhas de material de divulgação são feitas tendo como referência o conteúdo que se quer desenvolver. A implementação de práticas com textos de divulgação, nessa perspectiva, está diretamente relacionada ao 'ensinar um conteúdo'. Na segunda possibilidade, o olhar transcende o conteúdo e passa a ter como foco o desenvolvimento de habilidades, a partir das próprias características da publicação e de seus textos. Sob este olhar, a utilização de um material de divulgação em sala de aula, para além de possibilitar o ensino de um dado conteúdo, compreende também a exploração das potencialidades desse material em sua riqueza de textos e formas.

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Em suma, integram este olhar as vertentes da divulgação que atentam para as possibilidades de leitura e leitura de mundo que estes materiais proporcionam; que ressaltam o papel da sedução, do encantamento e da motivação para as diferentes leituras. Nesse trabalho, portanto, apresentamos exemplos relativos a esse segundo olhar para os materiais de divulgação, menos enfatizado nas pesquisas da área de ensino de ciências.

De modo a explorar as vertentes 'mundo de leitura, leitura de mundo' e 'olhar da sedução: encantamento e motivação' selecionamos alguns artigos e textos de seções da revista Ciência Hoje das Crianças para uma análise estruturada em dois momentos. No primeiro momento, a escolha dos artigos foi pautada menos pelo seu conteúdo e mais pela potencialidade que esses apresentavam em traduzir ou tornar explicitas as duas vertentes escolhidas. Tirar o conteúdo parcialmente do foco implica também em escolher artigos cuja temática não seja usualmente tratada no currículo do nível de ensino dos leitores da revista (ensino fundamental I e II), embora seja possível tratá-la, em termos de conteúdo, dadas as características dessa publicação (público alvo bem definido, traços de didaticidade, adequação da linguagem etc.). No segundo momento, exploramos as duas vertentes, levando-se em consideração possíveis articulações entre artigos e seções da revista, dentro da temática de astronomia, e propomos algumas reflexões sobre os possíveis usos desses materiais em sala de aula.

O artigo intitulado ' Raios X ' (SANTOS &amp; FIGUEIRA, 2004) apresenta ao leitor a história dos raios X, ressaltando as propriedades dessa radiação, as concepções a seu respeito na época em que fora descoberta e as implicações sociais e tecnológicas relativas aos usos que dela são feitos. A linguagem 'oralizada', o texto em narrativa e o aspecto lúdico de algumas imagens visam aproximar e envolver o leitor na história que está sendo contada, motivando-o para a leitura. É o que chamamos de sedução pela linguagem. Comparações e analogias, que buscam resgatar o conhecimento prévio e as vivências das crianças também são utilizadas ao longo do texto, envolvendo-as na leitura. Vejamos trechos desse artigo onde estas características estão presentes:

'Nem aqui nem na China dá para usar raios X para ver o que o vizinho está fazendo. Mas o engraçado é que, na época em que os raios X foram descobertos - e isso faz mais de cem anos! -, um jornal alertou a população dizendo que qualquer pessoa, com um aparelho de raios X, poderia ver o que ocorria dentro de uma casa'.

'Você abriu a máquina fotográfica sem notar que ela ainda tinha filme. Ao vê-lo, lamentou o erro, pois sabia que o filme, provavelmente, 'havia queimado'. Afinal filme, quando exposto a luz, escurece. Os raios X também escurecem filmes fotográficos. E, graças a esta característica, podem ser usados para fotografar ossos'.

Ao expor, no texto, as concepções da população sobre os raios X, na época de sua descoberta, assim como as diferentes e exóticas iniciativas de usos desses raios no dia-a-dia, o autor situa a criança leitora em um diferente contexto histórico, explorando as impressões que essa descoberta deixou na sociedade da época. Feito isto, o autor traz novamente a criança para o seu contexto, questionando-a quanto às impressões que nós temos hoje sobre esses raios, de modo a introduzi-la no mundo da ciência a partir de uma experiência cotidiana, como a de tirar uma radiografia.

'O anúncio de que havia sido identificado um raio capaz de atravessar a pele e de ser usado para fotografar os ossos mexeu com a imaginação das pessoas, atraindo sua curiosidade e provocando, nelas, admiração e temor'

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'Hoje, quanta coisa mudou! Quando o médico nos manda tirar uma radiografia nem ficamos surpresos ao ver a chapa. Tampouco nos preocupamos em saber o que eles são. Você, por exemplo, já se fez essa pergunta? Não? Então, preparese...'

Nesse sentido, explorar a 'leitura de mundo' que este texto proporciona é compreender as relações entre diferentes contextos, entre texto e contexto, entre o objeto presente no texto e aqueles que compõem nosso cotidiano e que são frutos de nossa experiência. O texto expõe o contexto da descoberta dos raios X, com as idas e vindas características do desenvolvimento da ciência, em uma narrativa que contempla a contextualização do período histórico e dos estudos realizados na época, a observação dos fenômenos, a elaboração de hipóteses, a experimentação, a comunicação da descoberta por meio de um artigo científico dirigido aos seus pares, e as implicações dessa descoberta. Essa riqueza de abordagens possibilita olhares sob ângulos diversos para o artigo.

A apresentação, no texto, dos diferentes usos que são feitos da radiação X atualmente (na medicina, na astronomia, na física, nas indústrias e aeroportos etc.) possibilita uma discussão sobre as relações entre desenvolvimento científico e tecnológico e as implicações sociais desse desenvolvimento. E o tema 'raios X' favorece a compreensão dessas relações, uma vez que a potencial aplicabilidade dessa radiação foi vislumbrada praticamente logo após a sua descoberta. Além disso, o texto também encaminha o leitor para uma reflexão sobre os efeitos do uso indiscriminado da radiação X, proporcionando reflexões sobre os benefícios e riscos do desenvolvimento da ciência e da tecnologia.

- O texto de divulgação, além de seduzir pela linguagem e pelos recursos textuais utilizados por autores e editores, também busca seduzir o leitor pela maneira como a ciência é retratada. Nesse sentido, o olhar da sedução está relacionado ao interesse despertado pelo desconhecido, à uma ciência que fascina pelas suas possibilidades de criação e previsão, pela visão de mundo que constrói e que a sustenta. O espanto frente ao desconhecido e o desejo de desvelá-lo também integram esse poder de sedução. Um despertar da curiosidade, a qual, no olhar de Paulo Freire, ' é o motor do processo de conhecimento ' (FREIRE, 2000:47).
- O artigo intitulado ' Neutrinos: as partículas fantasmas ' (LEITE, 2006) pode ser considerado um exemplar desse tipo de sedução, tanto por apresentar essas partículas sob uma aura de mistério quanto por mostrar que o estudo das mesmas está ajudando os cientistas a entender do que é feito o Universo. O trecho a seguir, extraído do artigo, ilustra esse ar de mistério que pode gerar, no leitor, a sensação de surpresa frente ao desconhecido.

'Ele atravessa a Terra sem dificuldades. Na verdade, isso é fichinha para ele. Coloque na sua frente uma parede feita de chumbo com trilhões de quilômetros de espessura... e ele entra por um lado e sai pelo outro sem problemas. [...] A entidade com esses 'superpoderes' é o neutrino, a partícula fantasma, chamada assim por ser capaz de passar pelo interior de qualquer coisa sem interagir com nada. Agora mesmo, trilhões deles estão passando pelo seu corpo e por tudo mais que há ao seu redor'.

E por que explorar a sedução presente nesses artigos? Porque a sedução é a porta de entrada para o despertar do interesse pela leitura, pelo conhecimento, pela ciência. A sedução é a isca. Existem textos que seduzem inicialmente o leitor, com seus títulos e apresentações envolventes e suas imagens marcantes, e conseguem manter a atenção deste tanto pela escolha dos assuntos a ser tratados quanto pela forma como esses são apresentados. A manutenção da curiosidade do leitor é um

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desafio para quem escreve textos de divulgação e para quem utiliza esses textos em suas aulas. Um recurso utilizado para seduzir o leitor e manter seu interesse na leitura é o suspense, que geralmente aparece na forma explícita de uma pergunta dirigida diretamente a ele.

'Os cientistas sabem calcular com muita precisão quantos neutrinos são produzidos pelo Sol. Mas, por décadas, os detectores sempre acusavam uma quantidade menor dessas partículas. O que estaria acontecendo?'

'Essa chuva de neutrinos não faz mal à saúde. Porém, de onde ela vem?'

'Para que estudar os neutrinos?'

Essas perguntas, ao longo do artigo, conduzem o leitor por um caminho que tem seu início na sedução pelo desconhecido (partículas fantasmas), passando pelo desvendar desse desconhecido (explicações sobre a origem do neutrino e suas especificidades), levantando questões que atualmente preocupam os cientistas (o poder 'mutante' dos neutrinos) e mostrando as possíveis implicações desses estudos para a sociedade. Nesse sentido, as diferentes ênfases apresentadas pelo texto possibilitam ao leitor leituras que transcendem o conteúdo do artigo, e que podem levar a reflexões sobre o processo de construção do conhecimento científico, sobre a formulação de perguntas na ciência e sobre o papel da ciência hoje na sociedade.

A articulação entre diferentes formatos de textos de divulgação que integram a revista CHC (como, por exemplo, os textos presentes em cada uma das seções da revista) possibilita explorar o 'mundo de leitura' que materiais dessa natureza proporcionam. A seleção do material a ser articulado inicia-se com escolha de um tema central. No nosso caso, para exemplificar essa articulação, escolhemos textos sobre astronomia (em particular, sobre observação do céu), por ser um tema presente em praticamente todas as seções da revista, no currículo do ensino formal e também em questões que povoam o imaginário de crianças, jovens e adultos. A astronomia, por si só, é um tema sedutor. A idéia aqui é mostrar que cada uma das seções da revista CHC pode ser utilizada em conjunto com um artigo, ou outro texto, de modo a motivar, complementar e possibilitar diferentes leituras de palavras, de idéias e de mundo.

A revista CHC, no período analisado (1999-2008) apresenta dois artigos que tratam especificamente do tema 'observação do céu'. São eles: ' Uma leitura do mapa do céu ' (CIÂNCIO, 2001) e ' Na direção das estrelas ' (FARIA, 2003). O primeiro artigo apresenta uma abordagem cultural referente à observação do céu e de constelações, salientando ao leitor que a prática de leitura do céu e desenho de mapas celestes é milenar, com as constelações variando entre diferentes culturas. O artigo ressalta o papel da imaginação na criação das constelações e a utilidade destas para a agricultura e para a identificação das estações do ano. O segundo artigo tem um caráter mais descritivo. Tendo como foco a localização espacial, esse artigo explica como identificar os pontos cardeais e a constelação do Cruzeiro do Sul, em um texto mais objetivo e menos envolvente, quando comparado ao primeiro.

Para explorar aspectos relativos a um ou outro artigo, de modo a aprofundar uma leitura ou complementá-la, na perspectiva da vertente 'mundo de leitura', um caminho é a busca por textos com características distintas da estrutura de um artigo. Por exemplo, o texto ' A constelação da Lhama ' 2 , que trata de mitos e lendas Incas

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com uma linguagem literária, pode ser utilizado em conjunto aos demais artigos, dando corpo à abordagem cultural sobre constelações. A própria diferença entre as estruturas e formatos desses textos também pode ser explorada em sala de aula.

Como vimos, a vertente 'mundo de leitura' pressupõe, entre outras coisas, o contato com diferentes linguagens e abordagens, o que inclui, além de textos com características próprias, imagens, gráficos, infográficos etc. que podem ser pensados como agentes de problematização no trabalho com textos de divulgação em sala de aula. Na edição de março/2001 da revista CHC, por exemplo, encontramos uma história em quadrinhos (' 3 Rex estrelando... ') sobre constelações que pode ser utilizada em conjunto com os artigos citados anteriormente em uma atividade com textos de divulgação. Inclusive, a leitura da própria imagem de capa dessa edição também pode ser realizada de modo a problematizar elementos presentes nessa imagem, como a 'estrela cadente'. E, como a intenção é convidar o aluno leitor a um mundo de leitura, essa imagem pode ser o agente desencadeador e motivador da leitura de uma seção da revista intitulado ' Por que as estrelas caem? ' (SCORZELLI, 2007).

## Considerações finais

Os materiais de divulgação científica, por apresentarem linguagens e discursos diferenciados dos característicos de materiais didáticos, assim como por abordarem temas de atualidade, apresentam rico potencial para serem explorados como instrumentos de apoio ao trabalho do professor em sala de aula. A escolha, seleção e utilização de textos de divulgação em aulas de ciências com vistas a potencializar as duas vertentes exploradas nesse trabalho pressupõem o estudo das características e da natureza desses materiais e, principalmente, a clareza quanto às intenções e motivações associadas à incorporação de materiais de divulgação em nossas aulas, como recurso educacional.

O direcionamento de nosso olhar para as vertentes 'mundo de leitura, leitura de mundo' e 'olhar da sedução: encantamento e motivação' foi motivado pelas próprias especificidades da divulgação científica para o público infantil. A partir da análise de artigos publicados na revista Ciência Hoje das Crianças, as vertentes puderam ser exploradas e exemplificadas. Importante realçar, contudo, que essas vertentes também ganham significado e sentido a partir de suas inter-relações. Destacar uma da outra é limitar as leituras que delas podem ser feitas. Nesse trabalho, mostramos como alguns textos de divulgação podem ser lidos e explorados de forma a expressar as características associadas às vertentes. Muito embora o olhar para esses textos tenha se pautado pela busca por especificidades que dessem visibilidade às ênfases de cada uma das vertentes, é fundamental ressaltar o caráter uno destas. Desse modo, ainda que cada texto possa ser olhado a partir das ênfases que lhe atribuímos, a concepção sobre a ação de educar que baliza nossas práticas é a responsável por articular cada uma dessas ênfases dentro de um contexto mais amplo.

Leitura de mundo, mundo de leitura e o 'olhar da sedução', ao mesmo tempo em que constituem potenciais da divulgação também delineiam possibilidades de utilização desses materiais no ensino. Ou seja, o olhar para as possibilidades que os materiais podem nos oferecer, o que inclui uma análise de sua natureza, pode nos ajudar a delimitar o tipo de uso que deles podemos fazer.

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As variadas abordagens presentes em textos e artigos, assim como as próprias características da revista CHC são fundamentais para o desenvolvimento de visões amplas tanto sobre o processo de construção do conhecimento científico, quanto sobre as formas de disseminação desse conhecimento. É nesse sentido que o contato com maneiras diversificadas de se abordar um mesmo tema, tanto em relação ao conteúdo, quanto à maneira sob a qual este é apresentado enriquece as discussões e amplia o leque de relações que o aluno pode estabelecer entre o conhecimento formal (escolar) e o conhecimento informal.

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