ESTRATÉGIAS DE MEDIAÇÃO EM ESPAÇOS NÃO-FORMAIS: UMA PESQUISA A PARTIR DE FENÔMENOS ÓPTICOS
Maristela Do Nascimento Rocha, Mikiya Muramatsu
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XIX
- Ano
- 2011
- Data
- 03/02/2011
- Linha de pesquisa
- Divulgação E Comunicação De Física Em Espaços Formais E Não Formais
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## ESTRATÉGIAS DE MEDIAÇÃO EM ESPAÇOS NÃO-FORMAIS: UMA PESQUISA A PARTIR DE FENÔMENOS ÓPTICOS
## Maristela do Nascimento Rocha 1 , Mikiya Muramatsu 2
- 1 Universidade de São Paulo/Instituto de Física da USP, maristela.rocha@usp.brl
- 2 Universidade de Sâo Paulo/Instituto de Fìsica da USP, mmuramat@if.usp.br
## Resumo
A necessidade de uma mediação que considere o público não-especialista é o motor deste trabalho. Aqui são apresentados resultados de uma pesquisa realizada em espaços não-formais de ciências a partir de experimentos de óptica, com apoio da FAPESP. Trata-se de fornecer ao mediador formas de interação com esse tipo de público, propiciando a alfabetização científica através de uma linguagem acessível, do desenvolvimento da arte de pensar, da curiosidade, do questionamento e do interesse. O público considerado foi composto por alunos de ensino fundamental e médio da rede pública e adultos. Para tanto, foram elaboradas algumas estratégias de mediação, com base em observações e estudos bibliográficos, e também um mini-curso para mediadores que auxiliaram na aplicação das estratégias. As observações e aplicações das estratégias foram realizadas através de exposições do Projeto Arte & Ciência no Parque, um projeto que tem como objetivo levar à população um maior contato com a ciência através de uma abordagem lúdica e interativa. Foram utilizados vários experimentos, como luneta, lupa, anaglifos, câmara escura, prisma, disco de Newton, sombras coloridas, entre outros. O mini-curso tratou de discussões baseadas em artigos sobre as estratégias, bem como suas implicações nos experimentos escolhidos. Para a análise dos dados, todas as mediações foram gravadas em áudio e vídeo e também foram aplicados questionários semi-estruturados antes e após a mediação. Os resultados obtidos até então mostraram um público bastante estimulado a pensar e interagir, tanto com os experimentos como com os colegas e mediadores. Os resultados não tiveram reflexos apenas no público, mas também nos mediadores que ficaram mais motivados por terem estudado e discutido sobre as estratégias, pois consideraram que a mediação foi facilitada, uma vez que houve a possibilidade de discutir não só o funcionamento do experimento, que está longe de ser a única ferramenta do mediador, mas também a dimensão humana envolvida.
Palavras-chave : mediação, óptica, espaços não-formais, estratégias.
## Introdução
Boa parte dos projetos desenvolvidos para a divulgação científica é bem preparada em relação à manutenção, organização, quantidade e qualidade dos materiais. Entretanto, o que se percebe na maioria de seus visitantes é que estes espaços se tornam meros atrativos de fim de semana. Para que o objetivo da divulgação científica fosse alcançado, seria ideal que todas as pessoas ao passarem pelos centros de ciências, se interessassem, questionassem, pensassem e envolvessem-se com os experimentos, associando-os com características de seu mundo. No entanto, não é isso que observamos, principalmente para o público leigo e alunos da rede pública de ensino, que em sua maioria tiveram uma formação precária ou não puderam estudar adequadamente em vista do ensino de baixa qualidade. Devemos, portanto, considerar essas pessoas como visitantes dos centros de ciências. 'O mediador neste contexto é aquele que transita por vários mundos, repletos de modelos diferenciados: da ciência, dos visitantes e dos
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idealizadores de exposições e atividades. Sua função é desenvolver modelos pedagógicos - no seu sentido amplo' (Krapas et al. apud QUEIROZ, 2002: 79). Porém, o mediador não deve apenas exibir o experimento no sentido de atração ou entretenimento e nem explicar meramente seu funcionamento, mas deve orientar o participante em uma direção que o faça questionar e se interessar em saber o porquê da ocorrência de determinado fenômeno. Para Genest e Boley (1998), os mediadores desenvolvem uma estratégia desde a acolhida dos visitantes, colocando em cena sua própria imagem, diferente da do professor: "É necessário ser um pouco ator, seduzir ou surpreender, suscitar o interesse ou uma reação qualquer. À escolha, segundo sua personalidade e seus meios. Mas, sobretudo, não se lançar em um discurso" (p.27).
Especificamente, os fenômenos ópticos possuem conceitos altamente abstratos e com certo grau de dificuldade para serem compreendidos, tornando assim necessária a utilização de experimentos e/ou observação de fenômenos naturais para que seja possível visualizar a terceira dimensão que os livros didáticos não proporcionam. Estes conceitos, assim como outros, são de extrema importância na vida humana, pois existem muitos fenômenos cotidianos que os envolvem. 'Os módulos experimentais presentes nesses espaços apresentam a capacidade de desequilibrar o senso comum, buscando o questionamento das concepções alternativas, principalmente quando esses módulos tratam de fenômenos científicos presentes no cotidiano, que mexem com curiosidade epistemológica' (Cazelli etal, 2002). Neste aspecto, a compreensão da óptica é essencial, não uma compreensão tão profunda quanto à dos cientistas, mas as pessoas devem ser capazes de distinguir e conhecer fenômenos básicos que as auxiliem e as formem como indivíduos com cultura primeira e cultura científica, sendo que esta última o ajuda a encontrar possíveis equívocos na cultura primeira e no senso comum. Importante também, além da aquisição da cultura científica, é o desenvolvimento da arte de pensar, que irá auxiliar a sociedade em outros aspectos, pois quando a arte de pensar é instigada a sociedade possui mais armas para se desenvolver. E justamente, é através de experimentos em centros de ciências, uma das formas mais acessíveis de fornecer a todas as classes sociais a terceira dimensão faltante e uma oportunidade de receber a cultura científica e uma experiência que poderá abrir novos horizontes. Como já vivenciado em algumas exposições, muitas vezes até professores do ensino médio sentem falta desse tipo de interação, pois provavelmente também tiveram uma formação precária e conseqüentemente transmitem uma física de fórmulas aos alunos.
Não há a pretensão de elaborar fórmulas prontas de mediação, no sentido de ditar o que o mediador deve fazer a cada momento, pois este ato é repleto de acontecimentos inesperados e distintos, que em sua maioria não podem ser previstos, mas sim fornecer estratégias que auxiliem e orientem a mediação aos objetivos de um centro de ciências.
Tendo em vista a necessidade de uma mediação que considere o público não-especialista e forneça a este um conhecimento com linguagem acessível, sem distorcer os conceitos físicos, fazendo-o questionar, se interessar e desenvolver o pensamento, este trabalho pretende analisar a mediação de experimentos ópticos em centros de ciências, com foco na forma com que o mediador deve interagir com este tipo de público e quais estratégias podem ser significativas nessa mediação.
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## Metodologia
Foram elaboradas estratégias de mediação testadas em exposições do projeto Arte e Ciência no Parque, sendo a primeira aplicação no dia 21 de agosto e as demais conforme o calendário exposto no anexo 1. Para tanto, três monitores do próprio projeto se dispuseram a colaborar com a nossa pesquisa (Marcel, Rennan e Willian). Para estes monitores, foi desenvolvido um mini-curso que abordou as estratégias e suas implicações nos experimentos de óptica utilizados. As mediações foram gravadas em áudio e vídeo e também foram aplicados questionários semiestruturados antes e após a mediação. Alguns dos experimentos utilizados estão descritos no quadro 1:
Quadro 01: Experimentos utilizados na pesquisa
## As estratégias e suas aplicações em óptica
As estratégias foram elaboradas a partir de longas observações em mediações de experimentos de óptica, da bibliografia estudada e da minha experiência em dois anos de mediação. A seguir está uma breve descrição dessas estratégias, mas cada uma delas é digna de grande reflexão e discussão e não são limitadas a essas poucas palavras. Além disso, durante o curso realizado com os monitores foram fornecidos vários exemplos de aplicações dessas estratégias aos experimentos utilizados, alguns serão citados durante a descrição, entretanto, ficou claro que o mediador deve escolher a forma de aplicação que melhor considerar de acordo com sua personalidade e também utilizar exemplos que não foram citados e considerassem adequados.
- · Conhecer as concepções alternativas mais comuns em óptica.
A necessidade de se conhecer as concepções alternativas do visitante constitui uma ferramenta para compreender melhor a formação de saberes no
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espaço do museu, para entender quais são os saberes presentes na vida do visitante e assim poder diferenciá-lo do conhecimento científico. Conhecendo o saber prévio que o visitante traz, é possível auxiliá-lo, através da mediação, a compreender como a ciência trata determinados fenômenos. Não precisamos confrontá-lo na tentativa de destruir as concepções alternativas, pois os estudos mencionados já verificaram que essa tarefa não é válida, uma vez que o senso comum está fortemente presente. Existem alguns trabalhos que tratam das concepções alternativas, tais como Gircoreano e Pacca (2001), Andrade (1995) e Harres (1993). Uma das concepções mais citadas é a idéia de luz com algo estático e sem movimento, bem como o conceito de raio visual com o objetivo de explicação para a visão. Além disso, há concepções de que a imagem formada em um espelho está sobre ou fora dele. As cores são obtidas como propriedades intrínsecas do objeto, sendo possível enxergá-los mesmo na ausência de luz.
- · Definição de situação.
Essa estratégia surgiu a partir da observação de que nem sempre o mediador possuía os mesmos objetivos do visitante, na qual usamos o conceito de definição de situação proposto por Wertsh, baseada na teoria sociointeracionista de Vygotsky e apontada por Gaspar (1993): 'A definição de situação é a forma como o contexto da interação é visto ou entendido pelos seus participantes'. Trata-se de tentar definir a situação no momento em que o visitante se apresenta diante do experimento, procurando saber quais são os objetivos do visitante, o que ele pensa que irá acontecer, buscando a orientação. Cada experimento terá sua forma de definir a situação, de acordo com os conceitos a serem abordados pelo mediador, por exemplo, no experimento 'o porquinho', é possível tratar da diferença entre imagem real e virtual, mas também falar sobre espelhos parabólicos. Se por exemplo, o mediador escolhe falar sobre imagens reais e virtuais, poderá chamar o visitante para essa discussão apresentando o tema e convidando-o para pensar.
- · O visitante deve experimentar e interagir.
Um dos saberes considerados por Queiróz (2002) é o saber da manipulação, onde é necessário 'deixar o visitante manipular livremente os aparatos e, quando necessário, propor formas de uso próximas da idealizada' (Queiróz, 2002). Dessa forma, o visitante deve experimentar e interagir. Isso não significa deixá-lo à deriva manipulando o experimento, a experimentação também ocorre através do pensamento e a interação não se dá somente através do objeto, mas também com os colegas ao lado, com os professores que estiverem presentes e fundamentalmente com o mediador. Todos os experimentos utilizados nesta pesquisa são lúdicos e interativos. Experimentos como anaglifos com óculos 3D são os mais interativos, e neste caso, por exemplo, o mediador também pode utilizar alguns experimentos visuais para completar a interação fazendo os visitantes interagirem também com os colegas e com o mediador, como mostrar que temos a visão em duas dimensões quando fechamos um dos olhos.
- · A história da ciência como parte do conhecimento científico.
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Esta estratégia consiste em considerar o contexto histórico no qual os experimentos foram criados, bem como os fenômenos envolvidos. Contextualizar o experimento pode auxiliar o visitante a compreender porque ele foi desenvolvido e fornecer um maior sentido na experimentação. Podem ser abordados aspectos como a construção de teorias sobre a luz, como a teoria corpuscular e a teoria ondulatória, as observações realizadas por Galileu com uma simples luneta com a que utilizamos na pesquisa ou ainda falar sobre como as primeiras fotografias foram feitas, entre outros.
- · A técnica de responder perguntas com outras perguntas e a expressão corporal.
A técnica de responder perguntas com outras perguntas está no momento em que o visitante as faz ao mediador, que ao perceber a possibilidade de voltar a pergunta para o visitante, deve fazê-lo. A pergunta deve ser reformulada, de forma a orientar o visitante a pensar nas possibilidades para sua própria resposta, só após esse pensamento em conjunto com o mediador é que este pode partir para o tratamento dado cientificamente, porque dessa maneira o visitante conhecendo o seu próprio pensamento prévio poderá compará-lo com o científico e compreender o que a ciência tem a nos dizer. Por outro lado, a comunicação em um centro de ciências não precisa ocorrer somente através da fala, mas em situações adequadas a expressão corporal pode auxiliar na compreensão do que está sendo proposto no museu, principalmente para as crianças.
## · Saber ouvir
Esta estratégia corresponde ao saber do diálogo, que consiste em 'estabelecer uma relação de proximidade com o visitante, valorizando o que ele sabe, formulando questões exploratórias gerativas de modelos mentais e dando um tempo para que o visitante exponha suas idéias' (Queiróz, 2002). É necessário ouvir o visitante, considerá-lo como participante essencial do conhecimento que está sendo exposto no ambiente não formal, quando perguntas ou estímulos são propostos, o mediador deve ouvir o que o visitante reemitirá devido à provocação, procurando entender seu ponto de vista e estabelecendo conexões com o experimento, apontando na própria fala do visitante onde estão e onde não estão os conceitos.
- · Adequação da linguagem e a recontextualização dos conceitos ópticos.
Aqui usamos o conceito de recontextualização de Marta Marandino (2004). É necessário que a linguagem do mediador contemple a recontextualização, ou seja, faça adaptações na fala que considere outros saberes além do saber científico. Os fenômenos ópticos carregam alguns termos que não são comuns ao cotidiano do visitante e necessitam ser recontextualizados para que o visitante e o mediador falem a mesma língua. Para fazer a recontextualização, além de ser fundamental que o mediador conheça os principais saberes envolvidos, como o conhecimento científico a ser abordado e a história do museu de ciência e também do próprio objeto, ele precisará fazer uso de algumas das estratégias presentes nesse trabalho, como conhecer as concepções alternativas para auxiliá-lo a compreender o visitante,
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fazer uso de analogias e metáforas para completar o pensamento, contextualizar historicamente e quando possível, fazer relações com o cotidiano do aluno, tudo para ajudá-lo na adequação da linguagem, que também pode compor a expressão corporal e a manipulação dos experimentos quando a adequação da fala se tornar mais difícil devido à complexidade do fenômeno estudado. 'A compreensão e interpretação de conteúdos, o domínio de conceitos e o estabelecimento do diálogo com o público em diferentes linguagens, a leveza na abordagem de temas complexos e de difícil entendimento, o conhecimento de processos, resultados e produtos científicos e tecnológicos, a ludicidade e interatividade com o público, o incentivo à curiosidade são alguns dos papéis desempenhados pelos mediadores, personagens-chave na museologia científica atual' (Ribeiro e Frucchi, 2007).
É importante que o mediador procure não distorcer o conhecimento científico, sabemos que transformações ocorrem, mas existem conceitos mínimos que devem ser priorizados para a validade da teoria. Para não distorcer o conhecimento é valido o uso das estratégias, de acordo com a reflexão do mediador. A linguagem do mediador é uma das ferramentas fundamentais da mediação, pois é através dela que o visitante acessará o objeto. 'No processo de mediação a linguagem é a ponte entre o conhecimento e as pessoas' (Caffagni, 2008).
## · O uso de analogias e metáforas.
Analogias e metáforas também podem ser utilizadas pelo mediador em um museu de ciências, para facilitar a comunicação entre ele e o visitante, pois aproxima um conhecimento que muitas vezes está distante através de experiências já vividas ou conhecidas, entretanto, o mediador deve atentar-se para as limitações que as analogias e metáforas possuem. Quando o mediador for trabalhar o conceito de refração, por exemplo, para falar sobre a mudança de meio e conseqüentemente, de velocidade da luz, poderá fazer uma comparação com uma pessoa que corre por um corredor vazio e depois entra em uma sala lotada, que deverá diminuir sua velocidade devido à quantidade de pessoas. Em relação à luz, o mediador poderia dizer que é como uma onda de água, mas a luz não precisa de um meio para se propagar. Ao falar da visão, poderão ser feitas comparações das lentes de óculos com a córnea e o cristalino, e também da retina com um anteparo de um projetor de imagens, por exemplo, deixando claro que se trata de uma analogia, e que a retina é constituída de células e quem interpreta a imagem é o cérebro.
## · As relações com o cotidiano.
Uma vez conhecendo o objeto que faz parte de seu dia-a-dia, o público poderá intervir com maior proximidade e possivelmente terá dúvidas, além de poder fazer comparações entre os objetos do museu e seu dia-a-dia. O experimento que envolve a decomposição da luz em um prisma pode ser associado ao arco-íris, os anaglifos à visão humana, a câmara escura e o modelo mecânico para a formação de imagens à fotografia, a luneta à lentes de óculos, as sombras coloridas à cores dos objetos, entre outros.
- · Reflexão enquanto mediador.
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Esta estratégia é o alicerce para as demais, pois refletir sobre o que estamos fazendo nos ajuda a escolher qual estratégia usar em cada momento, nos orienta na situação adequada. Durante a reflexão estamos nos auto-avaliando e conseqüentemente avaliando a mediação constantemente. Além da reflexão do mediador sobre sua mediação, é necessário refletir sobre as atitudes tomadas pelo público, para que o mediador decida o que é mais significativo para o momento.
## Resultados e discussões
Como a pesquisa se encontra em andamento na data de confecção deste texto, apresentamos aqui resultados dos primeiros seis meses de pesquisa, entretanto, no dia de sua apresentação já estaremos em fase final e, portanto com maiores resultados. Durante as aplicações, observamos que as estratégias possuem intersecções em vários momentos, mas todas foram encontradas e contribuíram de forma significativa para a mediação e reflexão nos visitantes e mediadores.
A primeira experiência foi aplicada na EMEF Ary Gomes, localizada na zona leste de São Paulo, através de uma exposição do 'Projeto Arte & Ciência no Parque', onde contamos com a colaboração do professor Regis e de alunos de 5ª série do ensino fundamental. A mediação foi dividida em três mesas: mesa de decomposição da luz, mesa de imagens 3D e mesa de instrumentos ópticos.
A mediação foi bastante significativa, pois notamos que os alunos interagiram com os experimentos, fizeram perguntas, expuseram suas idéias e se divertiram. Alguns exemplos estão descritos a seguir:
Na mesa de decomposição da luz havia os experimentos: prisma, espectroscópio, disco de Newton e sombras coloridas. O mediador chamou a atenção dos visitantes convidando-os a pensar sobre a luz, definindo a situação. Mostrou formas de separar a luz branca em suas cores, através de um prisma (refração) e espectroscópio (difração). Foi utilizada a analogia da refração com a facilidade de correr dentro ou fora de uma piscina. Os alunos demonstraram compreensão e inclusive fizeram comparações com o mar. As aplicações com o cotidiano como arco-íris e com as luzes apagadas de um quarto trouxeram aos alunos informações do cotidiano que auxiliaram a exploração dos experimentos. Em todos os momentos houve preocupação do mediador com sua linguagem, que foi simples durante toda a mediação. Quando algumas palavras novas eram introduzidas o mediador fazia uma abordagem prévia para depois abordar o fenômeno com a palavra conhecida no meio científico.
Na mesa de imagens 3D havia anaglifos, modelo mecânico para formação de imagens e uma miragem conhecida como 'o porquinho'. Verificamos bastante interação dos alunos com o mediador, com os experimentos e com os colegas. O mediador inicialmente chamou a atenção convidando os visitantes a pensar sobre os sentidos e fazendo perguntas para falar sobre como enxergamos. Para discutir o funcionamento do livro com anaglifos o mediador abordou a questão da interpretação dada por nosso cérebro e a visão estereoscópica, construindo o pensamento em conjunto com os alunos. Uma observação importante nesta mediação é que enquanto os alunos interagiam com os experimentos, o mediador fornecia elementos que os auxiliavam no pensamento e continuava fazendo aplicações com o cotidiano, o que gerava reações significativas nos alunos, mostrando que eles estavam desenvolvendo uma linha de raciocínio enquanto
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manuseavam o experimento. Além disso, o mediador só fornecia o ponto de vista científico completo após discussão prévia. Os alunos forneciam explicações baseadas em seu sistema cognitivo prévio e às novas informações discutidas durante a mediação, principalmente sobre o 'porquinho' e o livro com anaglifos, mostrando que a mediação afetou de alguma forma seu sistema cognitivo.
A mesa de instrumentos ópticos foi composta por luneta, câmara escura, lupa, espelho plano, côncavos e convexos. Este mediador mostrou bastante afetividade com o público e iniciou sua mediação perguntando o que é a luz. Alguns alunos mostraram respostas que continham informações das mediações das outras mesas, mostrando que as mediações anteriores contribuíram para a reorganização de seu sistema cognitivo. Além disso, foram feitas outras perguntas sobre a luz, como onde ela está e como ela chega até nós, mostrando preocupação do mediador em falar sobre a propagação da luz, uma vez que de acordo com as concepções alternativas estudadas a luz é vista como algo estático. O mediador ouviu as explicações dos alunos, mostrando interesse em seu conhecimento prévio, o que deixou os alunos mais familiarizados e livres para discutir. Com a câmara escura o mediador discutiu a formação de imagem no olho humano e inclusive usou da expressão corporal, na qual todos os alunos participaram representando o orifício de entrada da luz, o objeto, a fenda, anteparo e cientistas. Os alunos manifestaram bastante interesse nessa atividade, que contribuiu para a construção de um modelo para a formação de imagens no olho e na câmara escura. O mediador introduziu uma informação histórica sobre as câmeras fotográficas antigas (lambe-lambe), fazendo comparação com a câmera do programa 'Chaves'. Os alunos mostraram familiaridade e interesse em saber mais como essa câmera antiga funcionava para fazer fotos e perguntaram inclusive sobre sua revelação. A linguagem do mediador também foi simples e de acordo com o grau de compreensão dos alunos, mostrando que havia reflexão e preocupação com a participação deles. Uma observação importante sobre esta mediação é que foi possível desenvolver o aprendizado, o pensamento e a curiosidade tanto quanto nas outras mesas, uma vez que antes das estratégias os mesmo mediadores observados não conseguiam esses resultados principalmente quando se tratava de lentes e lunetas, que possuem conceitos um pouco difíceis de ser compreendidos principalmente por alunos de ensino fundamental.
## Apêndice
Anexo 1: calendário de aplicação das estratégias nas próximas exposições do projeto Arte & Ciência no Parque.
Quadro 01: Exemplo de um Quadro
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## Referências
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QUEIROZ, G. et al. Construindo saberes da mediação na educação em museus de ciências; o caso dos mediadores do museu de astronomia e ciências afins/Brasil . Revista ABRAPEC. Volume 2, número 2, pp. 77-88, mai/ago, 2002.
RIBEIRO, M. G. Mediação - a linguagem humana dos museus . Diálogos & Ciência: mediação em museus e centros de ciência, pp. 67-74, Rio de Janeiro: Museu da Vida/ Casa Oswaldo Cruz/ Fiocruz, 2007.
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MURAMATSU, M.; TEIXEIRA, J. N.; FORTES, S. S. Projeto Arte & Ciência no Parque. Instituto de Física da USP, São Paulo, 2008.
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MARANDINO, M. Transposição ou recontextualização? Sobre a produção de saberes na educação em museus de ciências. Revista Brasileira de Educação, São Paulo, 2004.
HARRES, J. B. S. Um teste para detectar concepções alternativas sobre tópicos sobre tópicos introdutórios de ótica geométrica. Cad. Cat. Ens. Fis, v. 10, n. 3, p. 220-234, Lajeado, 1993.
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