DIVULGAÇÃO E POPULARIZAÇÃO DA CIÊNCIA ATRAVÉS DO TEATRO
Joaquim Souza Júnior, Maxwell Siqueira, Jules Batista Soares, Leandro De Oliveira Kerber, Wagner Duarte José
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XIX
- Ano
- 2011
- Data
- 03/02/2011
- Linha de pesquisa
- Divulgação E Comunicação De Física Em Espaços Formais E Não Formais
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## DIVULGAÇÃO E POPULARIZAÇÃO DA CIÊNCIA ATRAVÉS DO TEATRO
## Joaquim Souza Júnior 1 , Maxwell Siqueira , Wagner Duarte José , Jules Batista 2 3 Soares 2 , Leandro de Oliveira Kerber 2
- 1 Universidade Estadual de Santa Cruz / Departamento de Ciências Exatas e Tecnológicas, joaquim.fis@gmail.com
## Resumo
No presente artigo mostramos o teatro como uma alternativa para a divulgação e popularização da ciência, em especial a Física e a Astronomia. Baseado no clássico do alemão Bertolt Brecht, a equipe do Teatro Popular de Ilhéus montou o espetáculo 'Vida de Galileu'. Além de contar um pouco sobre a vida de Galileu de uma maneira completamente diferenciada, a peça explora a evolução do conhecimento cientifico da época que era bastante prejudicada devido a intervenção da igreja na vida de toda a população. Procuramos analisar as contribuições, influências e relevâncias que a divulgação e popularização da Astronomia têm sobre os atores da peça. Assim, lançamos mão de entrevistas, gravadas em áudio, como fonte principal de dados. O questionário foi elaborado com a finalidade dos atores expressarem suas sensações e experiências vividas na realização de um teatro científico. Nesse sentido foi solicitado que o entrevistado falasse sobre o que a peça lhe dizia a respeito de ciência e qual a relação dela com a sociedade, a educação, a cultura e a religião. Nesse trabalho, optamos por fazer uma pesquisa qualitativa, acreditando que ela possa fornecer uma visão mais apurada do fenômeno educacional.
Palavras-chave : Teatro Científico, Divulgação Científica, Popularização da Ciência
## Introdução
O conhecimento pode ser transmitido de diferentes formas, sendo a principal e mais antiga a educação informal, praticada em diversos espaços casuais e em conversas sem compromisso. Esse tipo de aprendizado é muito mais prazeroso e empolgante, capaz de proporcionar uma maior fixação do conhecimento transmitido.
Com o conhecimento científico não é diferente. O ensino de ciências, principalmente o de física, ao longo de muito tempo vem sendo realizado de uma forma totalmente descontextualizada e pouco atraente para os estudantes. Grande parte destes vêem a física como uma matéria difícil e totalmente teórica, onde o que se vê em sala de aula é impossível de ser aplicada ao cotidiano.
Ainda hoje é possível enxergar o tradicionalismo no ensino mesmo tendo em mãos diversos recursos e pesquisas acerca desta problemática. No caso da
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astronomia, não é difícil encontrar professores que utilizam somente lousa e giz para falar sobre fenômenos e teorias relacionados aos astros, e mesmo assim deixam de lado aspectos muito importantes, como o enfoque histórico, filosófico, social e cultural.
Diante destes obstáculos os alunos ficam desmotivados e deixam de conhecer a encantadora face da ciência. As dificuldades acima poderiam ser amenizadas ou até mesmo solucionadas se os conceitos científicos fossem transmitidos de forma simples, lúdica e agradável. Uma possibilidade seria a utilização do teatro como meio de divulgar e popularizar a ciência, uma vez que este possibilita o desenvolvimento pessoal não apenas no campo da educação informal, mas permite ampliar, entre outras coisas, o senso crítico e o exercício da cidadania.
Neste trabalho é feita uma breve discussão acerca da utilização do teatro como alternativa para o ensino não-formal de física e astronomia. Além disso, realizou-se uma análise das contribuições que a peça 'Vida de Galileu', montada pelo Teatro Popular de Ilhéus, proporcionou aos atores do espetáculo, relacionando Ciência, Religião, Sociedade, Teatro e Educação.
## Teatro Como Instrumento da Divulgação Científica
Segundo Langhi e Nardi (2009), a aprendizagem pode ser realizada em diversos âmbitos, tais como na educação formal, informal, não formal e em atividades de popularização da ciência. Na educação formal, que ocorre em estabelecimentos de ensino cujo conhecimento é sistematizado, nem sempre os conceitos fundamentais de astronomia são trabalhados, devido a não obrigatoriedade das disciplinas de astronomia no ensino básico e superior. A educação não-formal, que é praticada fora do ambiente escolar (museus, meios de comunicação, feiras, etc.) realiza-se de uma maneira mais livre e com um caráter coletivo. A educação informal não possuiu uma intenção específica e nem é institucionalizada, sendo realizada em momentos de convívios, como por exemplo, durante uma observação casual do céu. Já a popularização da ciência consiste em divulgar e ao mesmo tempo focar a parte cultural desta ciência.
Nessa perspectiva, podemos pensar no teatro para potencializar a aprendizagem pensando que ele pode
impulsionar o interesse pela ciência e, em particular, pela Química, nos estudantes e no público em geral, se optar por divulgar os conteúdos científicos de uma forma mais interessante e atrativa. O Teatro tem todas as potencialidades para ser encarado como um veículo transmissor de conceitos científicos, através do qual a aprendizagem é feita de uma forma simples, lúdica e agradável. (Montenegro et. al., 2005)'.
Batista et al (2009) defendem que o teatro de cunho científico deve buscar aproximar as pessoas da ciência, divulgando-a de forma simples, interessante e atrativa. Os autores apoiam-se no grupo de Montenegro para afirmar que 'o teatro, se levado a cabo nas escolas, possibilita o desenvolvimento pessoal, permite ampliar o espírito crítico e o exercício da cidadania' (BATISTA, 2009).
Dentro do PCNEM (BRASIL, 1997) de física existe a competência acerca da Ciência e Tecnologia na História, onde esta tem de possibilitar ao aluno a
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compressão do conhecimento científico e tecnológico como resultado de uma construção humana, inseridos em um processo histórico e social. O aluno tem que
Compreender a construção do conhecimento físico como um processo histórico, em estreita relação com as condições sociais, políticas e econômicas de uma determinada época. Compreender, por exemplo, a transformação da visão de mundo geocêntrica para a heliocêntrica, relacionando-a às transformações sociais que lhe são contemporâneas, identificando as resistências, dificuldades e repercussões que acompanharam essa mudança (BRASIL, 1997).
## A Peça 'VIDA DE GALILEU'
O Grupo Teatro Popular de Ilhéus (TPI), em comemoração aos 15 anos de existência e ao ano internacional da astronomia, traz à cena a vida de um dos maiores cientistas de toda a história da humanidade: Galileu Galilei. O espetáculo foi montado baseado na peça 'Vida de Galileu' do alemão Bertolt Brecht. O texto se aproxima muito do original, entretanto, o espetáculo adquiriu as essências da Bahia com a inserção de elementos da cultura popular.
Figura 1 - Cartaz de Divulgação da Peça
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O processo de montagem iniciou-se em janeiro de 2009 e o espetáculo teve sua estréia em fevereiro de 2010. Foram mais de 13 meses de envolvimento no trabalho de preparação. Do início da montagem até a estréia o diretor e os atores realizaram uma árdua pesquisa sobre diversos aspectos culturais, sociais, econômicos, científicos e religiosos da época com o propósito de mostrar ao público algo muito próximo do vivenciado por Galileu.
Na mesma perspectiva, destacamos a realização de uma série de encontros para discutir algumas questões referentes à peça, voltados especialmente para o elenco em formação. Foram nove encontros durante os meses de abril e maio de 2009 dentro de um programa chamado "Improviso, Oxente!" mantido há anos pelo TPI. Alguns dos temas tratados, sempre com a presença de um especialista convidado, foram: observações astronômicas de Galileu e suas implicações filosóficas, evolução dos modelos de universo, evolução da mecânica até Newton, Galileu e o seu contexto histórico e prática de observação do céu com telescópios.
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Estas discussões contavam sempre com a participação de integrantes do Laboratório de Astrofísica Teórica e Observacional (LATO) da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), juntamente com professores do curso de física da mesma. Além desses encontros, os professores do LATO acompanharam eventualmente os ensaios da peça e assessoraram na construção de réplicas de instrumentos astronômicos, incluindo a montagem de 40 lunetas que ficam à disposição da platéia durante as apresentações do espetáculo.
Através do LATO o espetáculo contou com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB), do Governo do Estado da Bahia, do CNPq e do Ministério da Ciência e Tecnologia
Esta peça merece um destaque especial uma vez que ela foi montada de uma maneira completamente diferenciada. Primeiramente destaca-se o local de realização que é um dos mais belos prédios históricos de Ilhéus: o Palácio Episcopal, construído em 1928. A arquitetura, os móveis das salas antigas e o cenário propiciam ao público, de no máximo 40 pessoas, um sentimento de retorno à antiguidade. Outra atipicidade é a duração da peça, que gira em torno de 4 horas e quinze minutos, incluindo dois intervalos capazes de proporcionar ao público um momento de descanso e ao mesmo tempo de observação do céu com o auxílio de lunetas galileanas, binóculos e telescópios, tudo isso acompanhados da equipe de monitores e astrofísicos do LATO. O espetáculo foi abrilhantado ainda mais devido à musicalidade que aliava instrumentos modernos e antigos com um encorpado som percussivo. Baseando-se no texto original de Brecht foram compostas músicas especialmente para a peça, que eram cantadas e representadas pelos próprios atores.
No fim do espetáculo, o diretor da peça convida o público para um jantar com todo o elenco, sendo esta uma ótima oportunidade para uma conversa amistosa e muito agradável. Romualdo Lisboa, diretor da peça, afirma que:
O que acontece é uma celebração, um encontro entre pessoas para investigar sobre a função da ciência moderna, a relação com o capitalismo e o poder.
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Figura 2 - Cena na peça
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Além de contar um pouco sobre a vida de Galileu de uma maneira completamente diferenciada, a peça explora a evolução do conhecimento cientifico da época que era bastante prejudicada devido a intervenção da igreja na vida de
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toda a população. Neste aspecto pode-se destacar o momento em que Galileu foi condenado pela Santa Inquisição por defender o modelo heliocêntrico.
Outro aspecto extremamente importante é a parte social, que mostra as condições de vida de cada uma das classes sociais e a submissão dos trabalhadores diante dos mais abastados. Há um primor pela discussão entre Galileu e um padre interessado e convencido das teses de Galileu mas que se recusa defendê-las observando a vida singela de seus pais no campo, que não imaginariam ou reconheceriam uma nova visão a respeito do universo que alterasse a forma como vivem, exemplificando a ideologia dominante.
Pelo fato de explorar situações como os saberes científicos, o poder da igreja e aspectos sócio-culturais da época, a peça 'Vida de Galileu' pode ser considerada como uma ferramenta capaz de potencializar o ensino de Ciências, além de ser uma excelente possibilidade para a divulgação da física e da astronomia. Os espectadores, ao final da peça, acabam percebendo que o conhecimento científico não é construído de uma maneira simples, como tradicionalmente é mostrado em intuições do ensino fundamental, mas sim de uma forma gradativa e que depende diretamente contexto da época.
## O Teatro popular de Ilhéus (TPI)
O TPI é um grupo de teatro popular que atua há 15 anos, com o objetivo de defender, retomar, promover a cultura popular preservando os elementos essenciais da nossa identidade cultural e proporcionar o diálogo da tradição com a arte contemporânea e suas novas tecnologias. O grupo já recebeu vários prêmios de montagem e circulou com seus espetáculos por diversas cidades da Bahia, recentemente recebeu um prêmio de circulação promovido pela Caixa Econômica Federal, contemplando a peça 'Teodorico Majestade - as últimas horas de um Prefeito', que dramatiza os últimos eventos de um prefeito corrupto, em linguagem de literatura de cordel.
## Metodologia
Nesse trabalho, optamos por fazer uma pesquisa qualitativa, acreditando que ela possa fornecer uma visão mais apurada do fenômeno educacional. Acreditamos também, que esse tipo de pesquisa possa levar a resultados mais significativos do que uma pesquisa quantitativa, já que estamos lidando com um ambiente complexo, com as relações entre seres humanos e conhecimento, tornando-se, assim, algo muito complexo, que não permite ser analisado e quantificado.
Desta forma, utilizaremos elementos da investigação qualitativa que possam nos fornecer dados para analisar contribuições, influências e relevâncias que a divulgação e popularização da Astronomia têm sobre os atores da peça, estudantes do ensino básico e a população de forma geral. Assim, lançaremos mão de entrevistas, gravadas em áudio, como fonte principal de dados.
A coleta de dados foi realizada inicialmente através de uma entrevista de aproximadamente 15 minutos, gravada em áudio, com os atores que desempenham os principais papéis na peça. Elas foram realizadas no próprio espaço do Teatro Popular de Ilhéus para que os atores pudessem se sentir a vontade.
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O questionário foi elaborado com a finalidade dos atores expressarem suas sensações e experiências vividas na realização de um teatro científico. Nesse sentido foi solicitado que o entrevistado falasse sobre o que a peça lhe dizia a respeito de ciência e qual a relação dela com a sociedade, a educação, a cultura e a religião.
Com a finalidade de garantir o anonimato das pessoas, chamaremos a todos de atores, tendo somente a numeração alterada. Foram entrevistados 5 atores listados no quadro abaixo:
Quadro 1 - Informações dos Atores
## Discussão dos Dados
'Vida de Galileu' foi a primeira experiência com teatro científico para estes atores. Por este motivo diversos estudos relacionados à ciência, em especial a física e a astronomia, tiveram de ser realizadas. Essa busca por novos conhecimentos foi reforçada e incentivada pela equipe de astrofísicos do LATO que participavam do 'Improviso Oxente' ministrando as conversas.
Foi difícil fazer uma peça que se relacione com ciência. Eu não imaginava o quanto que eu teria que estudar pra fazer a peça. A gente teve que pesquisar o que ele (Brecht) pesquisou pra representar a peça, pra não falar o que não se sabia. (ATOR 1)
A gente teve que buscar esse conteúdo científico pra poder entender algumas coisas que tinha na peça. (ATOR 1)
A gente teve que buscar esse conteúdo científico para poder entender algumas coisas que tinham na peça e, de fato, por a gente ter se envolvido com físicos e astrofísicos a gente conseguiu de fato ver o céu de outra forma. A gente olha pro céu hoje a gente consegue entender melhor tudo que acontece, e com certeza deu uma revira volta na cabeça de todo mundo. (ATOR 2)
A gente começou com o improviso oxente onde a gente discutiu sobre física, astrofísica, astronomia, astrologia, sobre o céu e sobre a vida de Galileu (...). As experiências foram se tornando cada vez mais interessante, a querer aprender, querer discutir, querer saber. Então, no processo do
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improviso oxente, que era um bate papo, a gente quis estar cada vez mais presente pra tirar as dúvidas, desvendar o que significava cada fala daquela no texto, entender o processo antigamente da ciência e como é que era tratada a religião e a igreja católica. (ATOR 5)
Este contato com os saberes científicos proporcionou aos atores uma aproximação com a ciência, além de despertar a curiosidade e a vontade de buscar novos conhecimentos. O conhecimento científico foi agregado e visto com bons olhos por todos.
Nunca imaginei que eu fosse ler um livro de ciências! (ATOR 1)
A peça que me deu essa visão: a necessidade da ciência. O quanto que tudo é ciência. (ATOR 1)
Foi uma experiência bem interessante! De fato, é um outro tipo de conhecimento que a gente não tinha tão profundo quanto ao que a gente começou a ter. (ATOR 2)
Os atores mudaram sua visão a cerca da ciência e sobre as diversas formas de se aprendê-la, destacando a importância do teatro e da música para o conhecimento.
Acho que quando a gente tem um ensino através do teatro ou da música ele vem de graça pra agente. Ele entra de uma forma no raciocínio da gente mais fácil do que se você tivesse lendo, então eu acho que muita coisa que eu não entendia eu passo a entender agora e cada vez que eu faço a peça entendo, eu absorvo alguma coisa que antes eu não tinha percebido. É impressionante! (ATOR 3)
Eu imaginava a ciência muito distante das pessoas, do povo, da multidão, da massa. A ciência era o centro e as pessoas ficavam a margem. Eu percebo hoje em dia que a ciência pode ser feita por todos! (ATOR 5)
Mesmo não tendo embasamento teórico a cerca das diversas metodologias para o ensino de ciências, foi unanime por parte dos atores que a peça 'Vida de Galileu' pode ser considerada como uma alternativa para se transmitir o conhecimento científico.
'Galileu' é uma peça didática porque ensina sem chatear! (ATOR 3)
Quando Galileu está mostrando o modelo copernicano, logo no começo da peça, pra Andréa que é a criança da peça, as pessoas entendem o que ele está dizendo ali, porém não chega a ser uma aula de fato. É mais explicado através do lúdico. Com certeza quem vai, entende o que está sendo passado ali. Sai com algo científico a mais de conhecimento. (ATOR 2)
Alguns atores afirmam que os problemas capitalistas e sócio-culturais que nasciam naquela época de Galileu perduram até hoje, e dizem que esta mensagem fica bem clara na peça.
A sociedade é quase a mesma coisa ainda: pão e circo . (ATOR 1)
Brecht mostrou que o poder é só uma questão de conhecimento, então quem tem mais poder tem melhores condições de vida e pode manobrar mais pessoas. Você tira isso até hoje: quem tem mais conhecimento tem os melhores empregos. (ATOR 4)
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No período em que Galileu viveu a igreja católica possuía praticamente todo o poder da época, sendo capaz de influenciar diretamente em toda a sociedade, inclusive no que diz respeito a evolução do conhecimento científico. A igreja católica do século XVII não é vista com bons olhos pelos atores entrevistados, uma vez que esta foi responsável por diversas coisas ruins que aconteceram neste período.
'Galileu' (a peça) mostra o que a religião foi pro mundo durante muitos anos: algo repressor, algo que de fato foi muito mais maléfico do que fez o bem na verdade . (ATOR 2)
Na religião acho que a gente dá pra refletir muito sobre a ignorância da igreja católica que queria impor tudo. Pra se fazer paz tinha que se fazer guerra, e nisso há uma controvérsia. Hoje em dia a gente ver como uma coisa ignorante e sem sentido, mas pra época era normal. (ATOR 5)
Nessa época Galileu quase morre porque ele ia tirando o poder da igreja, que era quem possuía o poder.(...). Ele desmentiu a bíblia quando afirmou que era o sol que estava no centro do universo e não a Terra. (ATOR 4)
Além de todos os aspectos citados anteriormente a peça Vida de Galileu é considerada como uma obra essencial para todas as pessoas conhecerem uma vez que ela envolve muitos saberes.
'Galileu' (a peça) é uma obra fundamental para todo ser humano poder ver e se enriquecer de todos os aspectos tanto religiosos, quanto civil, de comportamento, filosófico. É uma obra intensa. Eu vejo como uma obra completa, uma obra genial! (ATOR 2)
## Considerações finais
A peça Vida de Galileu montada pelo Teatro Popular de Ilhéus pode ser considerada como divulgadora e popularizadora da ciência. Além de contribuir para a sociedade como um meio informal de ensino, ela foi capaz de incentivar os atores a conhecer a beleza encantadora da ciência. Estes passaram a se interessar principalmente pela astronomia, buscando cada vez mais novos conhecimentos científicos.
A peça foi capaz de passar a imagem de que a ciência é construída por pessoas simples, no caso Galileu, a partir de muito esforço e dedicação aos estudos. Ficou claro que o desenvolvimento social e, junto com ele, o científico depende diretamente do contexto histórico da época, onde o poder predomina sobre os menos abastados.
Todos os entrevistados ficaram extremamente satisfeitos com o trabalho desenvolvido durante todo o período de preparação e das apresentações, principalmente pelo fato de agregarem muitos conhecimentos sobre ciências e também por serem os pioneiros do teatro científico no sul da Bahia. Essa satisfação redeu bons frutos, por isso as apresentações se estenderão pela capital baiana e por mais algumas cidades do interior da Bahia.
## Referências
BRECHT, Bertold. Vida de Galileu. Tradução: Roberto Schwarz. Editora Paz e Terra . 2ª edição. 1991.
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NARDI, R. e LANGHI, R. Ensino da Astronomia no Brasil: educação formal, informal, não formal e divulgação científica. Revista Brasileira de Ensino de Física , v 31, n. 4, 2009.
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: introdução aos parâmetros curriculares nacionais/ Secretaria de Educação Fundamental . - Brasília: MEC/SEC, 1997.
BATISTA,D. N.; RIBEIRO,E. M. L.; PEREIRA, A.; SOUTO, A.; RODRIGUES, R. O TEATRO CIENTÍFICO NO BRASIL E O ENSINO DE FÍSICA.. In: XVIII Simpósio Nacional de Ensino de Física , 2009, Vitória. XVIII Simpósio Nacional de Ensino de Física, 2009.
SPALMA, C.: Arte e ciência no palco. (Entrevista concedida a Luisa Massarani e Carla Almeida). História, Ciências, Saúde - Manguinhos , v. 13 (suplemento), p. 233-46, outubro 2006.
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