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MEDIAÇÃO DE EXPOSIÇÃO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA EM FÍSICA E FORMAÇÃO DE MONITORIA: A EXPERIÊNCIA DO PET-LiF/UFSCar NO ''CIRCO DA CIÊNCIA''

Marcos P. Leodoro, Shelton Aguiar, Mariana M. Antoniazzi, Luana S. Araujo, Tharso R. C. Câmara, Lucas A. Deltreggia, Gretta F. Rossi, Rafael Figueira, Antonio C. Mometti, Gabriela B. Ortelan, Gabriela A. Prando, Carlos A. Rosalin Filho, Marcela R. Silva

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XIX
Ano
2011
Data
03/02/2011
Linha de pesquisa
Divulgação E Comunicação De Física Em Espaços Formais E Não Formais
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## MEDIAÇÃO DE EXPOSIÇÃO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA EM FÍSICA E FORMAÇÃO DE MONITORIA: A EXPERIÊNCIA DO PET-LiF/UFSCar NO 'CIRCO DA CIÊNCIA'

Leodoro, M. P. , Aguiar, S. ; Antoniazzi, M. M. 1 2 2 ; Araujo, L. S. 2 ; Câmara, T. R. C. 2 ; Deltreggia, L. A. 2 ; Ferreira, G. R. 2 ; Figueira, R. 2 ; Mometti, A. C. 2 ; Ortelan, G. B. 2 ; Prando, G. A. 2 ; Rosalin, C. A. 2 ; Silva, M. R. 2

1 Universidade Federal de São Carlos, leodoro.ufscar@uol.com.br 2 Universidade Federal de São Carlos, petlif@ufscar.br

## Resumo

Neste trabalho será analisada a participação de um grupo de licenciandos de Física da UFSCar que atuam como bolsistas do Programa de Educação Tutorial (PET) na organização de uma exposição científica durante a sexta edição anual do evento de divulgação científica denominado 'Circo da Ciência', ocorrida em 2010. A atuação desses estudantes se deu em articulação com toda a organização do evento, a qual envolveu centenas de pessoas incluindo, dentre outros, discentes e docentes dos cursos de Química, Biologia, Matemática e Física da UFSCar - campus de São Carlos. Destacaremos o trabalho de alguns bolsistas vinculados ao PET da Licenciatura em Física (PET-LiF/UFSCar) que se responsabilizaram pela organização dos experimentos do setor da Física. A atividade dos mesmos incluiu a montagem e recuperação de um acervo expositivo composto de artefatos didáticos desenvolvidos por alunos de anos anteriores da disciplina Instrumentação para o Ensino de Física. Também se dedicaram ao planejamento da mediação dos experimentos junto ao público, por meio da elaboração de ' displays problematizadores ' e assessoria acadêmica aos monitores voluntários, alunos da graduação em Física. O relato dessa experiência se fará numa perspectiva crítica e reflexiva, visando caracterizar a mobilização, por parte dos bolsistas, dos diversos saberes acadêmicos e práticos vinculados à educação em ciências e à divulgação científica. À participação dos bolsistas PET, nesse evento, soma-se ao extenso trabalho desenvolvido pelo grupo, desde 2007, relacionado à divulgação científica por meio de artefatos tecnológicos e visando integrar os saberes de Física ao contexto cotidiano das pessoas em geral. Às ações de extensão do grupo, integra-se a reflexão sobre a divulgação científica realizada por meio de discussões coletivas, resultando na apresentação de pôsteres em eventos prioritariamente voltados aos alunos de graduação tais como os encontros regionais e nacionais dos grupos PET, Congresso de Iniciação Científica da UFSCar e encontros sobre ensino de Física.

Palavras-chave : Educação tutorial, divulgação científica, mediação

## Divulgação científica promovida pelo grupo PET-LiF/UFSCar

- O grupo PETLicenciatura em Física UFSCar (PET-LiF/UFSCar) é constituído, atualmente, por doze bolsistas, alunos de graduação em Física da UFSCar. Um dos critérios para ingresso no grupo é que o estudante em Física tenha optado pela licenciatura dessa área ou esteja cursando disciplinas afins a esse curso.

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Mantido pela Secretaria do Ensino Superior (SESu) do Ministério da Educação (MEC), o PET pleiteia e difunde os princípios da educação tutorial. Assim, os grupos estão organizados em torno de planejamentos participativos de atividades de ensino, pesquisa e extensão, em que os bolsistas são membros propositores e atuantes em todas as ações empreendidas, sob coordenação de um professor-tutor.

Visando articular, em suas iniciativas, os três âmbitos da atuação universitária: ensino, pesquisa e extensão; o PET-LiF/UFSCar vem desenvolvimento, desde sua criação, em 2007, ações de divulgação científica relacionadas ao campo da Física. Mais especificamente, o grupo tem se caracterizado pela utilização de artefatos tecnológicos de uso cotidiano, como brinquedos e gadgets (bugigangas) de baixo custo, em suas apresentações públicas destinadas aos alunos do ensino médio, aos estudantes universitários e, de modo geral, aos cidadãos de São Carlos, cidade localizada no interior do estado de São Paulo há, aproximadamente, 230 km da capital. Esses dispositivos, abordados didaticamente, são investigados e explorados à luz de conhecimentos de Física, em articulação com os princípios tecnológicos empregados na produção dos objetos industrializados.

Do ponto de vista da extensão, são objetivos da divulgação científica desenvolvida pelo PET-LiF/UFSCar:

- · Ampliar o repertório conceitual do público acerca da Ciência e da Tecnologia;
- · Promover a percepção da integração entre essas áreas como sendo um dos pilares de sustentação da sociedade contemporânea;
- · Estimular o espírito curioso, promover a percepção contextualizada das aplicações e implicações científicas e tecnológicas na vida do cidadão.

Em 2008, o grupo desenvolveu, com apoio da Pró-Reitoria de Extensão (ProEx) da UFSCar, o projeto 'Ensino e divulgação da física em espaços educativos formais e não-formais' atendendo um público de, aproximadamente, quinhentas pessoas ao longo daquele ano. Em 2009, o projeto continuou e estabeleceu parceria, além da ProEx-UFSCar, com o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência da UFSCar, PIBID-UFSCar, participando de atividades de divulgação científica em duas escolas atendidas por esse programa na cidade de São Carlos. Além disso, o PET-LiF/UFSCar esteve presente nas duas versões da Feira Municipal do Conhecimento, promovida pela Prefeitura Municipal de São Carlos, durante as semanas nacionais de Ciência e Tecnologia de 2009 e 2010. Esses dois eventos, ocorridos em espaços públicos no centro da cidade, foram freqüentados por milhares de pessoas . 1

Sob o ponto de vista formativo dos licenciandos e bolsistas do grupo, o trabalho de divulgação científica tem oportunizado os aprendizados acadêmicos e científicos, uma vez que as ações de extensão são planejadas e problematizadas à luz de conhecimentos teóricos sobre o ensino das Ciências e aprimorando a aplicação e compreensão dos bolsistas acerca de conceitos científicos e de educação.

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Uma das metas visadas tem sido o relacionamento com o público, no âmbito de uma atividade de divulgação científica, de modo a construir uma relação de diálogo onde o caráter lúdico e interativo de uma exposição possa ser potencializado para o aprendizado e a reflexão sobre as questões sociais envolvendo conteúdos de Ciência e de Tecnologia. Nesse sentido, o grupo tem investigado as relações entre o objeto/evento expositivo, o público e a monitoria, de modo a propiciar esse encontro dialógico onde o público possa ser ouvido e o seu conhecimento cotidiano da Ciência articulado à 'explicação científica' dos fenômenos à disposição numa exposição científica.

Algo que temos tentado superar é o que Fourez (1995) caracterizou como 'efeito de vitrine' da divulgação cientifica relacionado ao seu papel prioritário de relações públicas da comunidade científica e que, de fato, tende a esvaziar o público de um efetivo poder sobre a ciência em prol de 'inquestionavelmente' admirá-la.

Com esse propósito em mente, nos filiamos à perspectiva freireana da pedagogia da pergunta que se dirige ao ato criativo e ao espanto como característicos da existência humana e, portanto, basilares à construção do pensamento.

Freire & Faundez (1985) propõem o jogo de perguntas e respostas voltado à construção de significados mediante a relação dinâmica entre a palavra, a ação e a reflexão, articulando a sensação do fato com a apreensão de sua razão de ser, uma vez que a razão não está, essencialmente, dicotomizada do desejo, da sensação e da percepção. Desse modo, podemos falar de uma verdadeira 'arte da pergunta' no processo educativo e de divulgação científica que consiste na capacidade em circunscrever determinada problemática sem que, no entanto, se limite o potencial de reflexão e significação que a pergunta ou a situação oferece àqueles que se propõem ao seu enfrentamento, estimulados pela curiosidade e pelo desafio.

Trata-se, portanto, de oferecer ao público uma oportunidade de vivenciar determinado fenômeno, tendo a pergunta a ser formulada um papel fundamental na apreensão curiosa do mesmo. Assim, o âmbito da significação do fenômeno não está apenas no próprio fenômeno, já apreendido pelo público, mas no diálogo, na troca de idéias com um parceiro, o monitor, que pode auxiliar na problematização 2 científica desse fenômeno tendo por base os conhecimentos cotidianos expressos pelo público.

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Figura 01: Mediação numa exposição de divulgação científica

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## EVENTO EXPOSITIVO

Nesse trabalho, nos detemos na análise da atuação de monitores de uma exposição científica tendo por base o pressuposto da intervenção dialógica desses monitores junto ao público. Particularmente, nos concentramos na experiência de um subgrupo de bolsistas do PET-LiF/UFSCar que participaram, em 2010, da organização do setor de Física na exposição 'Circo da Ciência'. Além da Física, estavam envolvidas, no evento, outras áreas científicas tais como Química, Biologia e Matemática e Astronomia. Foi a sexta edição anual do Circo da Ciência ocorrida no campus de São Carlos da Universidade Federal de São Carlos - UFSCar.

## Participação do PET-LiF/UFSCar na exposição 'Circo da Ciência'

O Circo da Ciência 3 é, atualmente, um projeto com apoio do CNPq, da FINEP e da Pró-Reitoria de Graduação da UFSCar, sob coordenação da professora Ducinei Garcia do Departamento de Física da UFSCar e uma comissão de, aproximadamente, quinze docentes. Estão envolvidos em atividades de monitoria, cerca de três centenas de alunos de graduação da UFSCar. O público do evento é constituído por alunos da educação básica de São Carlos e cidades próximas. Em 2010, estima-se que o público que passou pelo Circo da Ciência, incluindo escolas inscritas e público espontâneo, totalize, aproximadamente, cinco mil pessoas.

Tendo em vista que a divulgação científica realizada pelo PET-LiF/UFSCar costuma acontecer em espaços públicos abertos, nas escolas e na universidade, o grupo mantém um acervo de artefatos que pode ser transportado facilmente. Assim, não contamos com espaços expositivos especificamente preparados para a divulgação científica.

No caso do 'Circo da Ciência' o evento, como expressão literal da sua denominação, acontece sob uma grande lona instalada numa área aberta no campus da UFSCar. Embaixo dessa tenda são organizados os espaços expositivos das áreas de conhecimento científico que participam do evento. A circulação do público acontece por todo o perímetro da área delimitada pela tenda, de modo que os equipamentos expositivos e os próprios monitores ficam 'envolvidos' pelos participantes.

Essa configuração lembra muito a organização espacial do circo tradicional no qual a platéia, diferentemente do teatro romano, envolve os atores.

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No caso do teatro romano, o espectador encontra-se distanciado da ação que se desenrola no palco, de modo à melhor contemplá-la pelo sentido da visão. Ou seja, à contemplação (em grego, theoría ), por meio do sentido da visão, é associada à idéia de conhecimento (VEIGA, 2008).

Uma exposição como a do Circo da Ciência rompe com a concepção do teatro romano. O seu espaço expositivo pode ser acessado pelo público a partir de todas as direções. Não há uma fronteira nítida entre espaços interno e externo. Como não há paredes laterais e a lona está montada sobre um gramado, parece haver o predomínio do espaço externo, do espaço público.

Figura 02: Tenda do Circo da Ciência

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Assim, há proximidades entre a proposta expositiva do Circo da Ciência e a divulgação científica realizada pelo PET-LiF/UFSCar, no sentido de que ambas procuram favorecer o diálogo 'desmistificado' do público com a ciência, ou seja, reconhecem e evitam promover o 'efeito de vitrine' referido por Fourez.

O acervo expositivo do Circo da Ciência é constituído de artefatos didáticos montados por alunos da disciplina Instrumentação para o Ensino de Física. Em geral, são bricolagens realizadas a partir de materiais e objetos cotidianos arranjados numa configuração didática, de modo a exemplificar algum fenômeno ou efeito físico. Quando esses artefatos são reunidos numa exposição eles tendem a produzir um efeito artesanal, pois remetem às soluções próprias e personalizadas adotadas por seus autores. Nós consideramos que esse efeito artesanal tende, por si só, a desmistificar a exposição científica e, conseqüentemente, se estenderia ao seu conteúdo científico.

Por outro lado, quando o artefato expositivo deixa de refletir a perfeição técnica típica da estética científica e industrial adquirindo feições mais artesanais, pode-se considerar que a sua mediação instrumental, enquanto objeto expositivo, passa a interagir mais sinergicamente com a mediação humana exercida pelo monitor e, portanto, favorece o diálogo desse com o público.

Numa direção similar, Hamburger (1998, p.53) propõe que o próprio processo de construção de um artefato expositivo seja trazido ao público:

Uma experiência instrutiva do ponto de vista de como fazer uma experiência funcionar, e também para compreender o que é uma experiência em sua relação com a teoria, seriam vídeos da montagem de experiências. Poderia se mostrar como é difícil chegar ao ponto em que os aparelhos funcionam como planejado, em outras palavras, como é importante o conhecimento técnico, a coordenação entre as mãos e o pensamento que constrói. (...) Essas questões fazem a ligação entre a ciência e a técnica, e deixam claro qual é o recorte experimental, naquela construção particular, que corresponde ao conceito teórico, não tão aparente. Essa diferença entre técnica e ciência, o que é tecnologia, como ela se diferencia da técnica, questões sutis que

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dizem respeito às formas de produção da sociedade, tudo isso tem que estar no espaço de informação do museu.

Outro modo de buscar a relação dialógica com o público, potencializando o papel mediador do experimento e da monitoria é a proposta de questões problematizadoras que tem como propósito explicitar aspectos científicos teóricos não evidentes num contexto empírico e, também, evidenciar e trazer à discussão algum conhecimento espontâneo do público em relação aos fenômenos naturais e tecnológicos. Nesse sentido, o PET-LiF/UFSCar elaborou alguns displays problematizadores que foram dispostos junto aos experimentos e que levantavam questões ensejando o diálogo do público com a monitoria. Não se trata, portanto, de burocratizar ou atribuir à exposição um caráter enciclopédico. Coadunamos, nessa proposta, com as considerações de Hamburger (1998, p. 54) sobre a comunicação num contexto de divulgação científica:

Esse espaço [expositivo] envolve uma percepção diferente, um espaço compartilhado de significação. A idéia desse compartilhamento é que diferencia uma interação dialógica entre monitores-visitantes, entre professores-alunos. As interações que chamo de "burocráticas" (Paulo Freire chamou de bancárias) não reconhecem o interesse intelectual, cultural dos interlocutores. Como a essência do conhecimento científico se encontra nesses espaços construídos, não reconhecer a existência deles como lugares de interação é não levar em conta a presença plena de seu interlocutor. Esse reconhecimento é imprescindível para início de conversa, de qualquer conversa. É o princípio do estabelecimento da individualidadealteridade instalado nas interações lúdicas implantadoras dos diálogos vitalizantes.

Figura 03 : Display problematizador

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## Relatos e reflexões das monitorias dos bolsistas PET-LiF/UFSCar no Circo da Ciência

Os relatos de participação dos bolsistas do PET-LiF/UFSCar no Circo da Ciência revelam a oportunidade que experienciaram para a mobilização de conhecimentos e, portanto, para o desenvolvimento de competências pessoais e profissionais. Como assinala Le Boterf (2003), a competência se realiza na ação, não preexistindo a ela. Recorrendo ao conceito de enação (do inglês ' to enact ', 'fazer emergir'), ele considera que 'A competência é sempre competência - de um ator - em situação ' (Le Boterf, 2003, p. 49). De fato, o Circo da Ciência foi, para esses bolsistas, essa situação específica onde suas competências puderam 'emergir'.

Todos os doze bolsistas do PET-LiF/UFSCar participaram da preparação e apresentação no Circo da Ciência. A maioria deles relataram ter recorrido a fontes bibliográficas, à internet e a outros colegas para obtenção de informações sobre os fenômenos físicos envolvidos nos aparatos expositivos pelos quais ficaram responsáveis quanto ao zelo e a monitoria. A seguir, alguns relatos coletados junto aos monitores. Os mesmos foram extraídos de relatórios preenchidos pelos

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bolsistas, a pedido do tutor do PET-LiF/UFSCar, primeiro autor desse trabalho, dias após o término do Circo da Ciência:

- M1: Para um maior conhecimento do funcionamento dos experimentos, procurei em livros, mas foi na internet que encontrei um site chamado Feira de Ciências, onde pude estudar por completo os experimentos.
- M2: Para conhecer melhor o propósito e o funcionamento destes experimentos além de conversar com pessoas que já trabalharam com os mesmos, busquei informações na internet e em livros didáticos como Halliday e Moysés.
- M3: Para conhecer os conceitos físicos envolvidos realizei pesquisas em diversos sites na internet e solucionei dúvidas eventuais com o professor de física moderna.
- M4: Para me interar melhor sobre o funcionamento dos experimentos, além de conversar com colegas que já haviam, de alguma forma, tido experiência com tais experimentos, eu busquei informações na internet e livros de física básica como o Halliday. As principais fontes onde busquei informações, não só de conceitos envolvidos, mas também de como proceder na manutenção dos experimentos, principalmente da concha acústica, foi num relatório de instrumentação para ensino de um aluno da Unicamp , sobre espelhos parabólicos e também nos relatórios da 4 Aciepe : O Evento de Divulgação Científica 'Circo da Ciência': Atividades Prático5 Teóricas.
- M5: Para conhecer melhor os princípios físicos e o funcionamento [dos experimentos] pesquisei na internet e em livros didáticos por explicações teóricas para conseguir aproximar os experimentos do cotidiano das pessoas, com a finalidade de quebrar essa barreira entre sociedade e ciência.
- M6: Para saber como funcionavam os experimentos, pesquisei em livros e tive ajuda de meus colegas, que além de explicar o fenômeno, também me direcionaram para como trabalhar com o público.
- M7: Fiquei responsável pelos experimentos ópticos. Desses, dois não precisavam de manutenção, porém o experimento do olho humano deveria ser projetado e criado. Quanto à criação desse experimento, no começo tivemos problemas para encontrar as lentes necessárias, pois elas precisavam ser visivelmente côncavas e convexas. Depois de resolvido esse problema, tivemos problemas com os lasers e com como iríamos trocar as baterias deles. Nesse ponto da elaboração do experimento, outro membro do grupo se responsabilizou. Durante a elaboração desse experimento, tivemos a idéia de fazer alguns cartazes com ilusões de óptica, que eu elaborei. Para conhecer melhor o funcionamento do olho humano, lemos um livro sobre óptica e visão. Para complementar as nossas pesquisas, fizemos buscas na internet.

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Figura 04: Montagem experimental para simular o funcionamento ótico do olho humano

M11: Para o experimento do corpo negro, utilizei materiais da disciplina de física moderna e estudos anteriores de termodinâmica e mecânica estatistica. No experimento do olho humano utilizei, para obter uma base teorica, o material disponibilizado pelo tutor e um capitulo do Feymann. Contei, ainda, com auxilio de um colega que possuia conhecimentos de fisiologia. Para a montagem do experimento do olho humano, foi necessário a utilização de conhecimentos referentes ao funcionamento de circuitos simples, elaborando um esquema que ligava os laser alinhados a uma fonte externa, de maneira a permitir que estes fossem acionados simultaneamente por um único botão.

Figura 05: Na foto, detalhe parcial da caixa branca utilizada para o experimento de corpo negro. No esquema acima, à direita, uma representação completa da caixa. Quando a caixa está tampada, o observador, ao olhar pelo orifício em uma de suas faces, constata que o seu interior está totalmente escuro. Ele tende a imaginar que as paredes internas da caixa estão pintadas de preto.

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Quanto à interação com o público e o impacto da mesma na formação de competências profissionais e pessoais dos monitores, coletamos os seguintes relatos:

M1: Tal evento foi muito importante para mim, pois tive que estudar e pesquisar sobre os experimentos, onde adquiri maior aprendizado. Também fiz amigos e fortaleci amizades, o que fez com que a vida acadêmica ficasse melhor.

- M8: (...) alguns experimentos e demonstrações, exigem mais habilidades e intervenções dos monitores do que outros. Exemplo disto são os experimentos como o 'Gerador de Van der Graff' e o 'Pêndulo Caótico'. O primeiro devido ao seu maior impacto áudio-visual e a própria interatividade do experimento é capaz de atrair a curiosidade e os questionamentos do público através de mediações relativamente simples do monitor. (...) Já no caso do 'Pêndulo Caótico', que apesar de visual é pouco atrativo por si só, exige um grande desempenho do monitor. (...) Destacamos o caso em que a presença do monitor se faz mais necessária devido ao experimento ser menos atrativo ao público, mas, independentemente disso, o simples fato de o monitor apresentar habilidades de abordagem como interatividade, desafios, perguntas, explicações coerentes com o público e aplicações, aumentam consideravelmente o sucesso do experimento.

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Figura O6: À esquerda, Gerador de Van der Graff. À direita, Pêndulo Caótico

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M4: Houve ganho de experiência no contato com o público, que apesar de ser em sua maior parte de alunos do ensino médio é muito heterogêneo.

M9: No experimento em que fiquei responsável, o atrito era o conceito mais explorado. Usando exemplos do cotidiano (como um automóvel em movimento), expliquei suas diferentes formas, uma vez que, na mesa de ar, há uma diminuição do atrito entre o objeto e a mesa, devido a camada fina de ar. Relacionando o fenômeno físico à pratica e aos conhecimentos lúdicos, o publico o compreendia mais facilmente, mesmo sem conhecer profundamente a teoria. Com isso, diferentes conclusões e comparações foram feitas pelo próprio publico visitante. M10: A participação no circo só me trouxe ganho pois essa interação monitor/voluntário/visitante fez com que o meu aprendizado acontece em todos os momentos, desde a preparação dos experimentos até a apresentação ao público, em todos os aspectos. Por exemplo, houve um aprendizado em metodologias para abordar o assunto pois havia uma variedade de públicos, desde crianças até idosos, fazendo com que, no momento necessário, houvesse uma adaptação da explicação para cada tipo de público. Também, uma formação de postura de sociabilidade com as pessoas deixando você 'mais solto' e dinâmico para conseguir expor as 'essências' dos experimentos para as pessoas e conseguir deixá-lo atrativo e realmente interessante para o público.

M11: De forma geral, primeiramente, procura fazer um levantamento do nível escolar no qual o aluno se encontrava e buscava fazer perguntas em torno do que estava sendo demonstrado, de modo a levar o visitante a realizar um esforço intelectual para obter uma compreensão, a partir da construção do raciocínio que levava até a explicação do fenômeno. No Corpo negro, de maneira geral, iniciava pedindo ao estudante que olhasse na cavidade e adivinhasse a cor da caixa. Isso levava aos questionamentos seguintes: "Por que não conseguimos ver que a cavidade é branca? O que você acha que ocorre com a luz que entra pelo buraco na cavidade?" No experimento do olho humano, procurava perguntar o que a lente faria com os dois feixes paralelos antes de posicioná-las. Procurava demonstrar o efeito na propagação dos raios devido ao formato da lente. Movimentava as lentes para os alunos perceberem o ponto focal como uma distância fixa da lente que se relaciona com a sua curvatura.

Os depoimentos acima revelam uma enorme gama de mobilização de conhecimentos realizada pelos bolsistas: pesquisas em diversas fontes, resolução de problemas técnicos e tecnológicos, comunicação com colegas e com o público, reflexão sobre as ações realizadas, delimitação e solução de situações-problema, habilidades experimentais, estabelecimento de relações entre teoria e prática etc.

## Conclusões finais

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Desde há muito tempo tem sido preconizada a formação no nível superior do ensino pautada na atitude participativa e protagonista do aluno universitário. No entanto, nossas universidades seguem praticando a educação subsidiada pela transmissão dos conhecimentos e, conseqüentemente, no posicionamento quase sempre passivo dos alunos.

Neste trabalho, relatamos uma situação de efetivo desenvolvimento de competências profissionais e pessoais de estudantes de graduação possibilitada pela confluência de duas iniciativas diversas: a educação tutorial e a execução coletiva e voluntária de uma exposição científica.

- O aspecto em comum nessas duas situações é que a consecução dos objetivos implica em assumir compromissos, responsabilidades e se por em movimento, a fim de identificar e equacionar os problemas que vão surgindo em função de demandas objetivas. Tudo isso envolve uma autonomia que não se tem de partida e que vai sendo construída no processo.

Por isso, os resultados aqui relatados não se pretendem perfeitos e estão passíveis a críticas por argumentos teoricamente balizados. Não pressupomos que elaboramos a melhor exposição, a mediação sem erros. Mas, desde que tudo isso começou, o grupo tem se desenvolvido enormemente na 'arte' e no conhecimento de propor e promover a divulgação científica, articulando a formação do público e dos próprios bolsistas.

## Referências bibliográficas

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FOUREZ, Gérard. A construção das ciências: introdução à filosofia e à ética das ciências . São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, 1995.

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HAMBURGER, A. I. Pesquisa da linguagem para a divulgação científica. In: CRESTANA, S; GOLDMAN, M.; PEREIRA, G. R. de M. (org.). Centros e museus de ciência : visões e experiências : subsídios para um programa nacional de popularização da ciência . São Paulo: Saraiva: Estação Ciência, 1998. P. 51-61.

LE BOTERF, G. Desenvolvendo a competência dos profissionais . 3 ed. Porto Alegre: Artmed, 2003.

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VEIGA, G. Ritual, risco e arte circense: o homem em situações-limite . Brasília: Editora da UnB, 2008.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.