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ESSA NÃO É MINHA CAUDA: ATIVIDADES DE CIÊNCIAS COM LITERATURA INFANTIL NO ENSINO FUNDAMENTAL I

Luciana Muffo Blancacco, Paula Teixeira Araujo, Luís Paulo Piassi, Emerson Izidoro Dos Santos

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XIX
Ano
2011
Data
03/02/2011
Linha de pesquisa
Didática, Currículo E Avaliação No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ESSA NÃO É MINHA CAUDA: ATIVIDADES DE CIÊNCIAS COM LITERATURA INFANTIL NO ENSINO FUNDAMENTAL I

Luciana Muffo Blancacco¹, Paula Teixeira Araujo², Emerson Izidoro dos Santos 3 , Luís Paulo Piassi 4

1 E.M.E.F. Renato A. Checchia, lucianamuffo@hotmail.com

2 Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, paula.araujo@usp.br

3 Estação Ciência da USP, mson@usp.br

4 Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, lppiassi@usp.br

## Resumo

Utilizando como referencial teórico a teoria sócio-histórica de Vigotski, esse trabalho apresenta uma proposta de atividade didática que emprega a literatura infantil para a abordagem de noções de física, ecologia e biologia, particularmente sobre a locomoção dos animais, nas séries iniciais do Ensino Fundamental. O principal pressuposto é de que a leitura é um dos elementos fundamentais da aprendizagem não apenas da língua materna, mas em todas as áreas do conhecimento, incluindo as ciências. Baseado nisso, a ênfase da proposta está na estratégia de formação de futuros leitores, por meio de uma relação com a leitura e o livro que desperte nas crianças envolvimento, interesse e prazer, em uma relação análoga à que Vigotski defende para o papel do brinquedo na aprendizagem. Pretende-se, portanto através da leitura construir e aprimorar o conhecimento a respeito da locomoção dos animais enfatizando aspectos físicos e biológicos do movimento dos diversos animais presentes na história. 1

Palavras-chave : Física, literatura, leitura, alfabetização, ensino de ciências

## Introdução

Este trabalho visa apresentar uma proposta de atividade didática que utiliza livros de literatura infantil com temas de Ciências, com o intuito de possibilitar ao aluno o estabelecimento de relação entre as características dos personagens da história - os animais - e sua forma de locomoção. Para isso o livro deve possuir em seu contexto abordagem de noções de física e biologia, atrelados à ciências. Baseados na importância que o ensino de ciências possui a alunos de séries iniciais, para o desenvolvimento da sua formação social, adotamos como principal referencial teórico a teoria sócio-histórica de Vigotski, valorizando a interação dos agentes envolvidos nessa proposta.

Esta pesquisa faz parte do projeto 'Ler Ciência' que possui como objetivo estimular o hábito da leitura em alunos do Ensino Fundamental I, por meio de temas de ciências, encontrados em livros de literatura infantil.

Ainda hoje, é comum percebermos na escola uma divisão entre as áreas de conhecimento. Em especial entre as chamadas áreas das ciências humanas e das ciências exatas. No que diz respeito à leitura, em particular, é comum que esta seja, em geral, vista como assunto a ser tratado apenas em aulas específicas como de

1 Apoio: CNPq

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30 de janeiro a 04 de fevereiro de 2011

português, literatura ou, ainda mais especificamente, nas aulas de leitura, distanciando a discussão sobre essa prática das outras disciplinas do currículo. Como afirma Silva (1998 p.123) todo professor é um professor de leitura, pois todo registro é feito através da linguagem verbal escrita em livros didáticos, paradidáticos ou apostilas, sendo, portanto a dinâmica das aulas assentada sobre a linguagem verbal escrita.

Para estabelecer esse diálogo é preciso que o leitor domine de forma competente a leitura e a escrita, portanto a literatura deve ter um papel de destaque na formação do cidadão contemporâneo (ZANETIC, 2005).

De acordo com Silva (1991, p. 39) mesmo havendo uma grande difusão da ciência por meio de mídias como rádio e televisão, a produção e divulgação da ciência e da cultura utilizam a expressão escrita como em periódicos, livros e revistas especializadas. Sendo assim, a leitura é o meio mais prático para a aquisição de determinados conhecimentos e, muitas vezes essa primeira experiência leitora acontece na escola. Assim como não se pode fragmentar o conhecimento, não se deve restringir a leitura apenas a matérias específicas, pois toda disciplina emprega a leitura como apoio para a aprendizagem de seus conceitos.

No que diz respeito ao ensino de ciências nas séries iniciais e, mais especificamente ao ensino da física, não há uma disciplina ou conteúdo particular para se tratar do assunto, ficando então para o professor a incumbência de trazer para perto das crianças conceitos científicos por meio de discussões sobre situações do cotidiano (CARVALHO, 1998, p. 12).

E já que a fantasia faz parte do mundo da criança e, ao brincar ela utiliza a imaginação para criar situações próximas, ou de alguma forma relacionadas à sua realidade, a literatura infantil pode ser uma maneira eficaz de desenvolver estas noções com as crianças. Nossa hipótese é de que elas possam ser abordadas a partir da leitura de livros de literatura infantil, uma vez que segundo Faria (2008, p. 12), 'os textos literários provocam no leitor reações diversas, que vão do prazer emocional ao intelectual', fazem-no adquirir conhecimentos variados, viver situações existenciais, entrar em contato com novas ideias etc, promovendo uma aproximação do universo da imaginação, presente na leitura, com o real, do qual os conceitos científicos físicos do cotidiano fazem parte.

Segundo Carvalho (1998, p. 12) por meio dessa aproximação é possível levar o aluno a construir os primeiros significados no mundo científico. Dessa maneira a criança pode estruturar seu conhecimento e aproximar-se, mais tarde, do conhecimento científico formal que, muitas vezes, é iniciado na escola apenas ao final do ensino fundamental II ou de maneira mais estruturada no ensino médio.

Julgamos que, por meio de atividades realizadas em sala a partir dessas leituras, seja possível desenvolver na criança a percepção e a inter-relação dos conceitos físicos, já adquiridos no cotidiano, estruturando-os em um corpo coeso de conhecimentos.

Dessa forma seria possível aproximar a física dos estudantes de uma maneira mais leve diminuindo o choque que hoje percebemos na relação de alunos do ensino médio que, muitas vezes enxergam a física como uma área do conhecimento que possui um excesso de linguagens técnicas e fórmulas e leis

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(ZANETIC, 1998, p. 12), e fazendo com que o ensino da matéria seja mais proveitoso nos anos seguintes de escolarização.

Sendo assim, o objetivo desse trabalho é a elaboração de uma atividade didática com o uso de um livro de literatura infantil para aplicação posterior a um grupo de alunos do 5º ano do Ensino Fundamental, da Escola Municipal Renato 2 Antonio Checchia, localizada na cidade de São Paulo.

## Critérios estabelecidos para escolha da obra

Para atender a alguns objetivos que consideramos essenciais na articulação do aprendizado da leitura com as noções científicas, foram estabelecidos alguns critérios para a escolha da obra a ser utilizada:

## a) Referente ao texto

Mesmo estando os alunos já alfabetizados optou-se por trabalhar com livros que apresentam pouca quantidade de escrita e texto com nível entre médio e de fácil compreensão. Em geral alunos dessa faixa etária - entre 9 e 10 anos não apresentam hábito de leitura frequente por isso, ao entrar em contato com livros que possuam escrita extensa ou mesmo com palavras de difícil compreensão tendem a desinteressar-se. Sendo assim, optamos primeiramente por esse tipo de leitura para posteriormente utilizarmos textos mais complexos de modo a possibilitar um avanço gradual na capacidade leitora dos alunos, como propõe Cunha (1990).

Ela cresce exatamente na medida em que vence novos obstáculos. Essa dose progressivamente maior de dificuldades é que, na leitura, como em todas as atividades educativas, faz o aluno sentir-se interessado, empenhar-se em resolver o problema e desenvolver-se (CUNHA, 1990. p.72).

## b) Referente à tipografia

O único critério estipulado quanto à letra utilizada no livro é referente ao tamanho, uma vez que essa não deve ser um obstáculo para a leitura, devendo ter tamanho razoável de forma a favorecer sua identificação. O tipo de letra, bastão ou cursiva, maiúscula ou minúscula, não interferiu na escolha por acreditarmos que os alunos nesse estágio não apresentem dificuldades no entendimento dos diferentes tipos de letras.

## c) Referente às imagens

A quantidade e tamanho das ilustrações também foram utilizados como critério, pois esse recurso pode ser muito atrativo e estimulador da leitura. 'Para os alunos que começam a ler, ainda deve predominar a ilustração, e o texto, também pequeno, deve apresentar-se em letras grandes e redondas' (CUNHA,1990 p.74). A sequência de imagens por si só deveria possibilitar a compreensão da narração da história, ou ao menos contribuir para uma narração feita por alunos ainda não plenamente alfabetizados, ou seja, que possuam dificuldade de leitura, de forma a estabelecer futuramente relação entre o texto escrito e as imagens.

- d) Referente ao tema

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Visando encontrar no ensino de ciências - física - um assunto atrativo e ao mesmo tempo necessário para a idade trabalhada, foi designado o tema animais na escolha dos livros, também por se tratar de um tema comumente apresentado na literatura infantil, e por isso apresentar grande variedade. Estes ocupam um importante espaço no cotidiano das crianças por meio dos desenhos animados, jogos e histórias, portanto tendem a despertar maior interesse, curiosidade e até mesmo identificação com diferentes personagens. Devido à antropomorfização dos animais presentes nesses diferentes contextos, as crianças conferem pensamentos humanos, sentimentos e linguagem aos animais como se estes fossem pessoas demonstrando certo nível de afinidade.

Várias noções físicas poderiam ser abordadas a partir desse tema geral, porém decidimos pelo tópico específico da locomoção que consideramos particularmente interessante e de fácil compreensão para alunos dessa faixa etária.

## A locomoção como tema integrador de noções de física e biologia

- O tema escolhido para a elaboração da atividade é a locomoção dos animais. Pra que haja a locomoção de qualquer objeto ou ser, é necessário haver um propulsor deste movimento (GREF, 1998). A locomoção dos animais se dá através de diversos meios, como por exemplo, os membros locomotores como as patas dos animais terrestres, asas das aves, nadadeiras dos peixes e cetáceos ou até mesmo através de movimentos produzidos pelo corpo como é o caso das cobras, minhocas, etc.
- O tipo de locomoção depende do meio em que vive o animal e como se deu a adaptação a este meio. Estas adaptações podem ser tanto morfológicas como fisiológicas e também dependem do meio, pois em alguns casos as alterações exigem mudanças na estrutura do corpo do animal, como as asas que as aves precisam para voar, além de outras adaptações, ou no formato do corpo do peixe, por exemplo, que é fino para poder deslizar na água com o auxílio de suas nadadeiras (SOARES, 1996).

Alguns animais, porém, mesmo possuindo determinadas características, podem assim mesmo não utilizá-la como os outros animais da mesma classe. Um caso seria do pinguim, que mesmo sendo uma ave, não tem a capacidade de voar, mas utiliza suas asas e a forma de seu corpo para se locomover com bastante rapidez dentro da água (SOARES, 1996).

A utilização dos órgãos locomotores também depende de esforço por parte do animal. Os pássaros precisam empurrar ar para trás e para baixo, para locomover-se pelo ar, um peixe, ao locomover-se pela água, também necessita empurrar algo para baixo, que neste caso seria a água, utilizando-se das nadadeiras e ao movimentar-se sobre a Terra, um animal precisa de um impulso para trás que possibilite sua locomoção, neste caso utilizando o solo para gerar este impulso (GREF, 1998).

Existe também a locomoção e o equilíbrio que se dão através da cauda, como é o caso dos macacos que necessitam da cauda para se pendurar nas árvores e como uma espécie de 'leme' ao pular de uma árvore para a outra. Neste caso, ele também necessita de garras firmes para agarrar-se nas árvores, assim como o bicho preguiça, que as utiliza para ficar todo o tempo pendurado.

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## A obra empregada

A partir desses critérios, selecionamos o livro 'Essa não é minha cauda' (BAREDES e LOTERZSTAIN, 2006), que destaca diversas características de animais que um garoto encontra durante um sonho.

A história trata de um sonho do menino Joaquim que ao passear em um bosque encontra diversos animais como: pica-pau, pavão, cobra, lagarto, castor e macaco, e ao entrar no mar e encontra uma arraia e um tubarão. Durante o sonho Joaquim, que é muito curioso, descobre como os animais utilizam suas diferentes caudas para se locomover e se defender de seus predadores. Ele fica espantado ao descobrir que as caudas servem de atração para outros animais como no caso do pavão, de apoio para o pica-pau, de locomoção como no tubarão, de defesa na arraia e no lagarto, entre outros. As descobertas se dão por meio de diálogos entre o garoto e os animais encontrados pelo caminho.

A história é finalizada quando o garoto é acordado pelo pai e ao ter que levantar percebe que embora não tenha cauda, possui músculos que o fazem se locomover assim como os animais.

Percebemos muitos elementos no decorrer das imagens que caracterizam os diferentes ambientes naturais que os animais vivem, como a presença de muitas plantas marinhas, estrela do mar, algas, caranguejo, e outros peixes no ambiente marítimo. Assim como muitas árvores e plantas diversas, e outros animais no bosque.

Os animais são antropomorfizados pois apresentam a fala, mas suas características físicas são bastante aproximadas do real. Com exceção do próprio garoto, pois sua imagem distancia-se da realidade.

A sequência de imagens do livro possui função narrativa, com ilustrações grandes, cada uma ocupando sempre duas páginas. O texto é verbal e é composto pela parte narrativa e pelo diálogo entre os personagens, com letra de forma maiúscula e minúscula, dispostas dentro das ilustrações. Há uma articulação entre o texto e a imagem, uma vez que estes se complementam. Embora a história possa ser contada apenas pelo texto escrito, o conjunto de expressões e detalhes das ilustrações, enriquece a leitura.

Figura 1 - Página do livro 'Essa não é a minha cauda'

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Este livro atende aos critérios pré-estabelecidos, mencionados anteriormente, devido a sua letra, sequência de imagens, quantidade de textos e por possuir animais como personagens, além de apresentar a possibilidade de explorar o tópico da locomoção dos animais.

## Sugestão de atividade

A atividade proposta consiste em uma interação entre os alunos para proporcionar oportunidade de troca de informações e o contato com diferentes compreensões sobre o leitura da obra. Os alunos serão subdivididos em grupos de no máximo quatro integrantes, pois segundo Vigotsky (2003) embora essa estratégia didática não conduza definitivamente para o sucesso ou fracasso do processo de ensino-aprendizagem dos conceitos, ela funciona como meio de ação na interação entre o parceiro mais capaz com o parceiro menos capaz. O parceiro mais capaz neste caso poderá ser o professor, um aluno com mais experiência ou mesmo o próprio livro.

Inicialmente os alunos - em grupo - irão ler o livro já mencionado acima de forma que o professor interfira apenas em caso de necessidade de auxílio, solicitado pelos próprios alunos. Em seguida o professor irá questionar a sala sobre o enredo da história, estimulando os alunos a comentarem sobre, por exemplo, o que acharam mais interessante, se conheciam todos os animais apresentados na obra, quais as diferenças e semelhanças entre os animais apresentados, se eles se identificam com algum animal específico e porque, etc. Sugerimos que as questões sejam feitas de forma aleatória para os alunos, aparentado uma conversa informal, de modo que se sintam á vontade para comentar sobre seus sentimentos e responder as questões. Segundo Pietrocola (2004, p. 129) a ciência na escola deveria ser um momento de exercício da imaginação, uma fonte de prazer permanente, pois é através da imaginação que é possível atingir os níveis mais gerais do conhecimento.

Logo após esse contato inicial com a história o professor fará uma divisão dos animais da história, 'distribuindo' um para cada grupo. Após feita a divisão os alunos, novamente em seus grupos, terão que observar seu respectivo animal e retirar o maior número de informações como características que o faz caminhar, pular, rastejar, voar, nadar, etc. Estas características podem ser relacionadas ao formato do corpo que auxilia o deslocamento, das asas que tem capacidade ou não de auxiliar no voo, disposição e quantidade de patas que aumentam ou diminuem a velocidade de locomoção, utilização do rabo ou cauda para equilibrar-se - dentro ou fora da água - ou pendurar-se. Durante as observações os alunos devem registrar as hipóteses levantadas pelo grupo, criando esquemas através da escrita e de desenhos que possibilitem ao grupo, após o levantamento dessas hipóteses, apresentar ao restante da turma aquilo que foi concluído.

A apresentação das hipóteses para o restante dos alunos da sala deve ser feita de modo que todos os outros grupos possam ouvir e questionar sobre os registros alheios e contribuir para a compreensão e estabelecimento de relação entre os animais e as diferentes formas de locomoção.

Esperamos que por meio da discussão, referente ao tema, os alunos consigam aprimorar suas ideias relacionadas ao movimento dos animais, despertando o interesse pela ciência e auxiliando no desenvolvimento de noções físicas e de biologia como, peso, atrito, força, equilíbrio, adaptações ao meio em que

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vive o animal, desde o início da escolarização. O professor pode direcionar a discussão interagindo com os alunos, por meio de questões problematizadoras, como 'Se o pavão tem pena assim como o pica-pau por que ele não voa?' ou 'porque o tubarão precisa da cauda para se movimentar e a raia não precisa', entre outras. Dessa forma os alunos dos diferentes grupos terão que pensar nas características não só do animal da sua equipe.

Após a apresentação, novamente em grupo, será proposto aos alunos que com base nas hipóteses levantadas por eles e nas conclusões - as quais esperamos que os alunos se aproximem, com base no debate - desenhem um animal que possua todas as características apresentadas, de forma que o animal criado pudesse se locomover de todas as formas: nadar, andar, voar, rastejar e pendurarse em árvores. Assim como foram analisados os animais da história, os desenhos também deverão apresentar explicações criadas pelos próprios alunos para justificar o fato de tamanha diferença com os demais.

- O desenho servirá como atividade tanto de reflexão quanto de estímulo à criatividade, possibilitando um momento de imaginação do irreal. Nesse intuito, podemos caracterizar tal atividade como uma brincadeira, uma vez que o ato de brincar pode ser um dos grandes fatores desencadeantes para desenvolvimento da linguagem e do conhecimento. Segundo Vigotski (2007, p. 121) através da brincadeira a criança cria planos de vida real e desta maneira desenvolve-se através da atividade. Acreditamos que utilizar o lúdico, assim como a imaginação, é uma maneira de despertar o interesse do aluno pela escola e pelas diversas áreas do conhecimento. Mais especificamente, no que diz respeito à disciplina ciências, na escola, a qual poucas vezes é abordada de forma lúdica.

## Conclusões

Verificamos que é possível encontrar livros infantis no mercado a partir dos quais é possível desenvolver atividades que integrem objetivos de aprendizagem de leitura e escrita a uma proposta de desenvolver conteúdos de ciências. No caso particular do tema geral 'animais', a partir do qual pode-se trabalhar com noções não apenas de biologia, mas também de física e ecologia, verificamos que a variedade de obras disponíveis é grande.

- O tópico específico que selecionamos -a locomoção mostrou-se adequado para uma discussão tanto de aspectos físicos quanto biológicos de forma bastante contextualizada em relação ao enredo da obra. Tanto as ilustrações como o desenrolar da história permitiram a elaboração de questões e procedimentos pósleitura que poderão proporcionar aos alunos oportunidades de interação em grupo em torno das noções físicas e biológicas.

Nas próximas etapas dessa pesquisa, pretendemos aplicar a sequência didática proposta para alunos do ensino fundamental I possibilitando às crianças criar suas próprias hipóteses de forma a aprimorar suas ideias e conhecimentos sobre como ocorre a locomoção dos animais e de que maneira as características físicas de cada um contribuem para isso.

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## Referências Bibliográficas

Baredes, C. Essa não é minha cauda - Sonhos Curiosos. São Paulo: Callis Ed., 2006.

Carvalho, A.M.P. Ciências no ensino fundamental - O conhecimento físico. São Paulo: Scipione, 1998.

GREF. Grupo de Reelaboração de Ensino de Física. Leituras de Física: GREF. 1. ed. São Paulo: Instituto de Física da Universidade de São Paulo, 1998. v. 4. 140 p.

Cunha, M. A. A. Literatura Infantil - Teoria e Prática. São Paulo: Ática, 1990.

Faria, M. A. Como usar a literatura infantil na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2008.

Grupo de Reelaboração do Ensino de Física. Física 1: Mecânica/ GREF . São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1990.

Pietrocola, M. Curiosidade e Imaginação - os caminhos do conhecimento nas Ciências, nas Artes e no Ensino . In: Anna Maria Pessoa de Carvalho. (Org.). Inovação no Ensino de Ciências. São Paulo: Thomsom, 2003.

Silva, E. T. S. O ato de ler: Fundamentos psicológicos para uma nova pedagogia da leitura . São Paulo: Cortez, 5° ed. 1991.

SILVA, H. C. Ciência, Leitura e Escola In: Almeida M. J. P.M. e Silva, H. C. Linguagens, leitura e ensino da Ciência . Campinas: Mercado Letras, 1998. págs 121 a 130.

Soares, J.L. Biologia 2º grau. São Paulo: Scipione, 1.996.

Vigotski, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 7ª ed.2007.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.