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O CONTO DE LITERATURA FANTÁSTICA NO ENSINO DE FÍSICA: ANÁLISE DO CONTO E PROPOSTAS DIDÁTICAS

João Eduardo Fernandes Ramos, Luís Paulo Piassi

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XIX
Ano
2011
Data
03/02/2011
Linha de pesquisa
Didática, Currículo E Avaliação No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## O CONTO DE LITERATURA FANTÁSTICA NO ENSINO DE FÍSICA: ANÁLISE DO CONTO E PROPOSTAS DIDÁTICAS

João Eduardo Fernandes Ramos 1 , Luís Paulo Piassi²

1 Universidade de São Paulo/Pós-graduação Interunidades em Ensino de Ciências, joaoframos@usp.br

2 Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, lppiassi@usp.br

## Resumo

Partindo da ideia defendida por João Zanetic (1989) de que Física também é cultura e das teses propostas por Ezequiel da Silva (1998) para a leitura nas aulas de Física, analisamos as possibilidades didáticas da utilização de um conto da literatura fantástica no ensino de Física. Juntamente a esta proposta, realizamos um estudo sistemático sobre o conto literário a fim de identificarmos os possíveis aspectos a serem trabalhados em sala de aula. Nosso objetivo com este estudo é apresentar uma visão diferenciada de um conceito científico que possibilite uma melhor compreensão do mesmo. Além do mais, esperamos, a partir da interpretação do conto, apresentar um debate que vai além da enunciação de conceitos científicos. Como metodologia, estudamos o conto a partir da semiótica e da análise do discurso e em seguida realizamos as propostas didáticas. Em nosso estudo utilizamos o conto O jardim de veredas que se bifurcam do escritor argentino Jorge Luís Borges, por apresentar uma história de detetive que nos prende até o final. Como resultado foi possível observar que este conto possibilita uma discussão analógica sobre a teoria dos 'muitos mundos' da mecânica quântica bem como um debate sobre a importância de nossas escolhas e suas implicações. Neste ponto, mostramos a possibilidade de um debate em torno da produção da bomba atômica.

Palavras-chave : Literatura fantástica, imaginação, leitura, física moderna.

## 1. Introdução

'Todo professor, independente da disciplina que ensina, é também um professor de leitura' (SILVA, 1998, p. 125). É com essa tese que Ezequiel Theodoro da Silva - ao tratar do tema ciência, leitura e escola - defende a importância da leitura em sala de aula e especialmente nas aulas de ciência. O autor ainda apresenta mais duas teses que complementam a primeira, a de que 'a imaginação criadora e a fantasia não são exclusividade das aulas de literatura' (SILVA, 1998, p. 125) e que 'as sequências integradas de textos e os desafios cognitivos são prérequisitos básicos à formação do leitor' (ibidem).

Seguindo esta linha, já faz alguns anos que autores como Zanetic (1989, 2005, 2006), defendem a interação entre a Física e a cultura, no sentido de que o desenvolvimento científico não se dissocia das esferas sociais e culturais, e que esta interação pode gerar interessantes abordagens de ensino. Ou seja, a arte, a música, as peças teatrais e a literatura, associadas à física, podem contribuir para uma melhor assimilação de idéias e conceitos.

Levando em conta a segunda tese defendida por Silva, acreditamos que a imaginação tem um papel fundamental na aula de Física. Autores como Pietrocola (2004), Gurgel (2006) e Piassi (2007), propõem a imaginação como elemento central no processo de aprendizagem dos conhecimentos em um contexto escolar. Neste sentido, Bronowski (1998), ao falar sobre a criação artística e cientifica, também enfatiza o papel da criatividade e da imaginação:

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Descrevi a imaginação como a faculdade de produzir imagens e de usá-las mentalmente, arranjando-as de diferentes modos. Está é a faculdade especificamente humana, a raiz comum da qual se originam a ciência e a literatura, que se desenvolvem e florescem juntas. (BRONOWSKI, 1998, p. 28)

A fim de estimular a imaginação do aluno, propomos o uso da literatura fantástica nas atividades didáticas, uma vez que, segundo Todorov (2004), ela é um gênero vizinho de dois outros: o estranho e o maravilhoso. De um lado o estranho se aproxima da realidade, no sentido que cada fato seria definido e explicado por meio de parâmetros naturais e científicos. De outro lado, o maravilhoso, residindo num mundo imaginário e impossível para a realidade humana. Considerando este contorno, - o estranho e o maravilhoso - o ponto máximo do fantástico, segundo o autor, é a característica de produzir no leitor implícito a hesitação entre um mundo real e outro sobrenatural.

Junto a isto propomos, também, a utilização de contos em sala de aula. Tal escolha foi feita, pois o conto apresenta uma leitura rápida, 'de uma sentada só', como propõe Poe (1846) na sua filosofia da composição. Dessa forma, o conto se mostra como uma ótima ferramenta a ser trabalhada em sala de aula oferecendo aos alunos informações curtas e rápidas. Trabalhos como o de Piassi e Pietrocola (2007), apresentam a possibilidade de trabalhar um conto em apenas uma aula. Outro aspecto importante é que esta ação se adéqua até mesmo a situações como as da reduzida carga horária das disciplinas de ciências, que em geral, não abre muito espaço para atividades didáticas diferenciadas.

Além do mais, podemos observar as características típicas do conto, como a unidade de sentido, a brevidade, a economia dos recursos narrativos, que mais do que simplesmente produzir uma narrativa curta, visa à maximização de um efeito literário.

Portanto, o presente trabalho tem como proposta o uso de um conto de literatura fantástica como ferramenta didática para o ensino de Física. Pretendemos com isso apresentar uma visão diferenciada de um conceito científico que possibilite uma melhor compreensão do mesmo. Além do mais, esperamos, a partir da interpretação do conto, apresentar um debate que vai além da enunciação de conceitos científicos.

Nossa pesquisa foi realizada partindo da leitura do conto O jardim de veredas que se bifurcam (1941) do escritor argentino Jorge Luís Borges (1899 1986), que foi escolhido por apresentar uma história de investigação policial que prende o leitor. A partir disso, realizamos um estudo mais detalhado da obra, com referenciais ligados à análise do discurso e a semiótica, o que nos possibilitou observar sua relação com a física quântica e com temas éticos sociais. Por fim, utilizado a relação entre a obra e a Física, propomos uma atividade para a sala de aula.

## 2. O Conto

O conto narra à história do espião chinês Yu Tsun, infiltrado na Inglaterra durante a segunda guerra mundial a serviço da Alemanha. No entanto sua identidade secreta é revelada pelo implacável investigador inglês Richard Madden. Dessa forma, o espião terá que fugir e ao mesmo tempo descobrir uma maneira de completar sua missão, que consiste em descobrir o nome de uma cidade inglesa a ser atacada pelo exército alemão e enviar esta mensagem para Berlim.

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Após consultar uma lista telefônica, Yu Tsun decide fugir para se refugiar na casa de um sinólogo inglês, Stephen Albert, no interior da Inglaterra. Conversando com este estudioso da civilização chinesa, o espião descobre que ele possui um manuscrito antigo sobre um labirinto. Coincidentemente, ou não, o criador deste labirinto, Ts'ui Pên, é um antepassado do espião, que no seu tempo, tinha se proposto a construir um labirinto infinitamente complexo e um livro interminável.

Durante anos o espião, em seus devaneios, tentou descobrir onde se encontrava escondido esse labirinto. Conjecturava se ele seria infinito, se estaria escondido dentro de uma montanha ou até se seria composto por um labirinto de palavras. O estudioso, então, termina revelando sua descoberta de que o labirinto e o livro infinito nada mais são que o espaço-tempo e nossas escolhas.

Ou seja, toda vez que escolhemos subir em um prédio de escada ou de elevador, por exemplo, estamos escolhendo um caminho nesse labirinto, nesse jardim de veredas que se bifurcam. Com isso, o manuscrito deixado pelo antepassado do espião, é um livro onde todas essas possibilidades estão presentes, ao mesmo tempo, fazendo que a história se tornasse completamente incompreensível. Isso se deve ao fato de que o personagem do manuscrito, morria num capítulo e no seguinte estava viva novamente.

Dessa maneira, o estudioso revela que numa dessas veredas os dois são grandes amigos ao invés de completos desconhecidos como no presente momento. Pensando nisso, o espião se consola ao assassinar o senhor estudioso, acreditando que em algum caminho no espaço-tempo ele ainda continuará vivo. Como nos mostra este pedaço do texto:

(…) Acreditava em infinitas séries de tempos, numa rede crescente e vertiginosa de tempos divergentes, convergentes e paralelos. Essa trama de tempos que se aproximam se bifurcam, se cortam ou que secularmente se ignoram, abrange todas as possibilidades. Não existimos na maioria desses tempos; em alguns existe o senhor e não eu; noutros, eu, não o senhor; noutros os dois. Neste, que favorável acaso me depara, o senhor chegou a minha casa; noutro, o senhor ao atravessar o jardim, encontrou-me morto. Noutro, eu digo estas mesmas palavras, mas sou um erro, um fantasma. (BORGES, 2007, p. 92)

Por fim o espião é capturado pelo implacável Richard Madden, e sentenciado à morte. No entanto, sua missão foi realizada com sucesso uma vez que o nome do estudioso era igual ao da cidade a ser bombardeada, fazendo com que a mensagem chegasse aos alemães.

## 3. Análise do conto

A fim de obter uma melhor compreensão do conto e os seus arredores dividimos a análise em três momentos: a instância da produção, do produto e da significação.

A primeira é voltada para as condições de produção do conto, ou seja, quem é o autor e para quem foi feita a obra, bem como seu contexto histórico-social e cultural. Esta instância está também relacionada à análise do discurso de Bakhtin (FIORIN, 2005).

A segunda instância está voltada para a análise do produto, ou seja, ela pretende analisar o conto em si. Para tanto, utilizamos a semiótica Gremiasiana que tem como objetivo a exploração do sentido , através do estudo dos níveis narrativo, fundamental e discursivo da obra. O primeiro nível observa quem são os

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personagens do conto bem como os seus papéis na história, ou seja, analisa quem é o sujeito, e o que ele busca como o seu objeto de valor; Quem é o manipulador que coloca o sujeito em ação; Quem é o anti-sujeito que quer impedir a ação do sujeito, entre outros. O segundo nível analisa a relação entre os valores na narrativa e o terceiro nível, o discursivo, é responsável pela organização dos temas e figuras dentro da narrativa e trata das formas em que se dão as projeções do sujeito da enunciação. No nível discursivo, as formas abstratas do nível narrativo são revestidas de termos que lhe dão concretude.

Por fim, a última instância, da significação, tenta analisar qual o significado na narrativa.

Este tipo de análise se mostra importante uma vez que é a partir dela que podemos observar como ocorre a interação entre o livro e a sociedade em que ele está inserido.

## 3.1 Instância da produção

Tratando da produção do conto, no prefácio de sua primeira coletânea de contos chamada O jardim de veredas que se bifurcam (1941), no qual o conto homônimo está presente, Jorge Luís Borges afirma que se trata de uma história policial e diz: '(…) os leitores vão assistir à execução e a todas as preliminares de um crime, cujo propósito não ignoram, mas que não compreenderão, parece-me, até o último parágrafo.' (BORGES, 2007, p. 11).

Esta coletânea representou um marco na carreira de Borges, uma vez que encontrara seu próprio terreno literário, o que fez que ele começasse a emergir como um importante escritor. No entanto, por motivos políticos ele não foi agraciado com o Prêmio Literário Nacional de 1941 - 1942, (STRATHERN, 2009, p. 37). Tal entrave político ocorreu, pois a Argentina, durante a segunda guerra, apoiou por baixo dos panos o estado nazista alemão, de maneira que não faria sentido oferecer o prêmio a um livro com características inglesas.

O conto é dedicado à Victoria Ocampo, escritora e editora da famosa revista literária Sur . Casada com o escritor Aldolfo Bioy Casares, eram amigos íntimos de Borges, de maneira que, ao ter seu trabalho recusado, foi agraciado com uma edição da revista Sur sobre seu trabalho representando o reconhecimento de ser um importante escritor.

Borges como escritor cria uma obra muito intelectualizada, de paralelismos geométricos, em que são constantes as imagens de labirintos e espelhos. E, muito de sua obra literária consiste na predominância textual, inferências e significações que confundem o real e o fictício, construindo, assim, um labirinto de citações, verdadeiras e falsas, que confundem o leitor sobre a própria autenticidade, ou mesmo, o próprio caráter fictício da obra em um mesmo espaço. (MODRO, 2007, p. 664)

É possível observar, portanto, todo o contexto no qual a obra foi escrita. Ao fazer esta análise contextual da sua produção, percebe-se a sua relação com a segunda guerra, além de nos permitir conhecer quem foi o autor.

## 3.2 Instância do produto

Para o estudo do conto, vamos observar as relações dos níveis semióticos descritos anteriormente:

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## 3.2.1 Nível narrativo

Partindo da leitura do conto é possível observar o papel dos personagens. O sujeito ou actante é o espião chinês Yu Tsun, ou seja, é ele o personagem principal quem realiza as ações. O anti-sujeito , quem tenta impedir a ação do sujeito, é o investigador inglês Richard Madden, que, ao tentar capturar o espião que dar um fim às suas ações.

O manipulador da história, quem coloca o sujeito em movimento, são os oficiais em Berlim, ou seja, através da intimidação o espião tem de realizar a missão de descobrir o nome da cidade a ser atacada. Portanto, seu objeto de valor , aquilo que o sujeito deve alcançar, é justamente esta informação, além de transmiti-la aos seus superiores.

Junto a isto, teremos o papel do estudioso Stephen Albert representando a competência , ou seja, é o personagem que mostra ao sujeito como atingir seu objeto de valor. No caso do conto, o sinólogo ao falar sobre o labirinto dá o saber ao espião de como conseguir o seu objetivo.

Com isso fica claro para nós leitores o papel e as relações entre os personagens do conto.

## 3.2.2 Nível fundamental

O nível fundamental de um texto é caracterizado pelas categorias semânticas - de sentido - que se determinam nas oposições semânticas das quais construirá a continuidade de sentido. Os termos mantêm uma relação de contrariedade e podem adquirir um aspecto positivo ou negativo, dependendo de qual for o enfoque da pesquisa.

Na narrativa em questão, examinamos que a oposição de sentido no qual se constrói a continuidade de sentido do texto é caracterizado pela dialética entre: MORTE X VIDA; SUCESSO X FRACASSO; UNIVERSO SINGULAR X MULTIUNIVERSOS. A primeira está ligada a batalha do sujeito entre a vida e a morte, no sentido de que se for capturado morrerá, e se fugir, viverá. A segunda se relaciona a obter ou não sucesso na realização de sua missão. Por fim, a terceira está ligada a competência obtida pelo personagem, ou seja, da sua descoberta de multiuniversos contrapondo a ideia de um universo singular e linear.

É importante lembrar que no texto há um movimento de oposições, ou seja, afirmase um dos termos da oposição; em seguida, nega-se o termo que fora afirmado; depois se afirma outro. Com isso podemos montar o quadro semiótico:

Figura 1 : Relação de valores no quadro semiótico, as quais as setas indicam os percursos possíveis

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## 3.2.3 Nível discursivo

No conto, a narrativa apresenta um discurso direto, ou seja, contem a reprodução da fala dos personagens. Junto a isto temos um sujeito narrativo que descreve suas ações em primeira pessoa.

Observamos também na narrativa o papel do labirinto. Historicamente os labirintos apresentam vários significados, dentre eles, o labirinto serviria como um caminho para o conhecimento e a salvação. Atualmente, no entanto, os labirintos servem apenas para entretenimento e muito do seu significado foi perdido.

Com isso é possível observar o saber leva o sujeito ao fazer, caracterizando assim uma competência modal.

## 3.3 Instância da significação

Após estas análises acreditamos que o conto apresenta um sentido filosófico mais profundo ligado às consequências de nossas escolhas, bem como uma tentativa de justificá-las. Esta ideia fica mais clara quando realizamos o questionamento: qual é o lado positivo de se existirem multiuniversos?

Além do mais, por apresentar o processo de execução de um crime, como afirma Borges, o conto também trata das estruturas de pensamento associadas a competências cognitivas. Isto é representado pela forma que o sujeito aprende e como ele usa esse aprendizado.

## 4. Possibilidades didáticas

Realizado o estudo do conto, é possível pensarmos em algumas atividades para sala de aula relacionada a este material. Estas atividades visam mostrar aos alunos que a Física além de cálculos também apresenta um lado filosófico, social e cultural como visto inicialmente.

Filosófico, pois trata de assuntos relacionados ao conhecimento humano sobre a natureza; social, pois uma vez inserida na sociedade e sendo uma atividade especificamente humana apresenta conseqüências diretas e indiretas na sociedade; e cultural, pois de uma forma ou de outra, esta presente nas manifestações artísticas como o teatro, a música e a própria literatura.

Uma primeira atividade é a relação entre os multiuniversos propostos no conto e a teoria quântica dos muitos mundos proposta por Hugh Everett III em 1957. Em sua teoria, Everett propõe:

A 'trajetória' de configurações da memória de um observador que realiza uma série de medições não é uma sequencia linear de configurações da memória, mas sim como um galho de árvore ramificado, com todos os resultados possíveis que existem simultaneamente. (ROJO, 1990, p. 6)

Dessa maneira fica clara a relação analógica entre o conto e a teoria dos muitos mundos. É importante notar que o conto antecede a teoria proposta por Everett. Segundo Alberto Rojo (1999), esta coincidência se deve a maneira de como a mente de Borges estava em contato com o desenvolvimento cultural do século XX.

Este tema é interessante de ser tratado em sala de aula uma vez que além de apresentar conceitos não usuais, possibilita ao aluno uma nova visão de mundo.

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Esta nova visão do mundo pode ser didaticamente positiva, pois gera um estranhamento cognitivo como proposto por Brecht (ANDREIS, 2009, p. 23). Para ele, em linhas gerais, ao imaginarmos ou nos depararmos com mundos estranhos, aprendemos a ver nosso próprio mundo sob uma nova perspectiva.

Uma segunda possibilidade estaria ligada a um pequeno debate sobre a posição e a escolha do espião e partindo disto realizar um debate sobre as escolhas relevantes da ciência, como a criação da bomba atômica. Para tal proposta, por apresentar um cunho mais histórico, pode-se utilizar de textos e depoimentos de cientistas da época como o Feynman e Einstein.

Esta atividade possibilita um contato com o caráter social da ciência, ou seja, suas implicações na sociedade, bem como o seu caráter humano. Junto a isto, esta atividade envolve a possibilidade da realização de um letramento científico, no sentido de que ler também faz parte da enculturação científica. A nosso ver, tal atividade é possível de ser realizada com alunos no ensino médio ou com universitários no fase inicial do seu curso, seja ele de letras ou de física.

## 5. Conclusão

Após a realização deste estudo ficou clara a importância de uma análise mais sistemática do material proposto para leitura em sala de aula, uma vez que a mesma possibilitou a elaboração de atividades que vão além do enunciado de conceitos e temas relacionados à Física. No entanto outras questões ainda podem surgir da leitura do conto que não apenas estas.

Além destas propostas resta-nos ainda um estudo sobre possíveis planos de aula em que este material seja utilizado, ou seja, analisar qual o melhor momento de realizar a leitura do conto, ler o conto com os alunos ou deixar que leiam sozinhos, de que maneira avaliar a atividade, entre outras. Junto a isto se faz também necessária a realização de intervenções em sala de aula, o que esperamos realizar em breve.

## Referências

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