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AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM NO ENSINO DE FÍSICA: UM OLHAR SOBRE AS PRÁTICAS ESCOLARES NA CIDADE DE INHUMAS, GOIÁS

Ivan Carlos Pereira Gomes, Raul Isaias Campos, Wagner Wilson Furtado

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XIX
Ano
2011
Data
03/02/2011
Linha de pesquisa
Didática, Currículo E Avaliação No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM NO ENSINO DE FÍSICA: UM OLHAR SOBRE AS PRÁTICAS ESCOLARES NA CIDADE DE INHUMAS, GOIÁS

## Ivan Carlos Pereira Gomes¹, Raul Isaias Campos², Wagner Wilson Furtado 3

¹Universidade Federal de Goiás/Programa de Mestrado em Educação em Ciências e Matemática, ivancpg@yahoo.com.br

²Secretaria de Estado da Educação de Goiás/Colégio Ary Ribeiro Valadão Filho, Inhumas icraul@hotmail.com

³Universidade Federal de Goiás/Instituto de Física, wagner@if.ufg.br

## Resumo

O crescente número de trabalhos sobre a avaliação da aprendizagem revela a exigência de reflexões mais sistemáticas sobre o assunto. Entendendo a necessidade dessa discussão na área de Ciências, o presente trabalho apresenta uma pesquisa cujo tema é a avaliação da aprendizagem no ensino de Física. A pesquisa teve como objetivo principal investigar quais as concepções sobre avaliação e como se desenvolvem as práticas avaliativas de professores de Física em diferentes instituições de ensino dentro da cidade de Inhumas, Estado de Goiás. Investigamos, também, que outras atividades avaliativas, na concepção dos alunos, poderiam ser implantadas pelos professores no intuito de melhorar o aprendizado. Foi feita uma análise qualitativa a partir das respostas dadas em questionários, aplicados a professores de Física e seus alunos de escolas de ensino médio da rede pública e privada e de uma instituição pública de ensino superior. Os resultados demonstraram que há grande variação das concepções teórico-filosóficas dos professores sobre a avaliação da aprendizagem, prevalecendo o tipo de avaliação classificatória tradicional. Além disso, a combinação entre valorização profissional e baixa carga horária, não se relacionou, necessariamente, com processos avaliativos mais críticos. A pesquisa revelou também anseios dos estudantes quanto ao uso de atividades avaliativas vinculadas a laboratórios didáticos, que não existe nas instituições pesquisadas. Sem a pretensão de buscar soluções, o texto se coloca apenas como um registro da realidade enfrentada pelos professores e seus alunos.

Palavras-chave : avaliação da aprendizagem; ensino de Física; ensino e aprendizagem.

## Introdução

As instituições de ensino, como parte constituinte da sociedade, reverberam entre seus muros as várias formas de exclusão social. Os diferentes posicionamentos teórico-filosóficos assumidos pelos professores acabam ratificando a discriminação e a seletividade na escola (CHAVES, 2003). O local que deveria proporcionar ao sujeito o acesso aos conhecimentos edificados pelo homem durante séculos acaba ceifando esta oportunidade e parte da população deixa de exercer a cidadania de uma forma mais crítica e consciente.

Um dos reflexos dessa sociedade desigual pode ser notado dentro da escola por meio de atividades avaliativas opressoras, conservadoras e antidemocráticas. Paulo Freire (2010) quando problematiza o processo educacional, caracteriza e critica a educação 'bancária', que tem como ponto forte a sonoridade da palavra. Assim, os que se julgam sábios doam o 'saber' aos que são julgados como aqueles

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que nada sabem. Nesta concepção o aluno é um mero receptáculo, pronto para, quando exigido, expelir os conteúdos acumulados. Simplificadamente, as avaliações elaboradas nesta perspectiva requisitariam do estudante o reflexo do registro primeiro, ou seja, a verificação do conhecimento depositado pelo professor.

No intuito de pensar uma escola mais democrática e justa, o tema avaliação ganha importância. O número crescente de estudos sobre a avaliação da aprendizagem escolar evidencia a relevância de discutir e alterar as práticas avaliativas no processo educativo. No Brasil, têm-se falado em avaliação diagnóstica, avaliação mediadora, avaliação formativa e avaliação dialógica; propostas críticas que se desenvolvem em contrapartida aos modelos autoritários, classificatórios e excludentes de avaliação.

Na busca de práticas avaliativas inclusivas, que visem à transformação social, a avaliação diagnóstica surge como alternativa. Sobre esta prática, Luckesi (2006) afirma que:

A avaliação deverá ser assumida como um instrumento de compreensão do estágio de aprendizagem em que se encontra o aluno, tendo em vista tomar decisões suficientes e satisfatórias para que possa avançar no seu processo de aprendizagem. Se é importante aprender aquilo que se ensina na escola, a função da avaliação será possibilitar ao educador condições de compreensão do estágio em que o aluno se encontra, tendo em vista poder trabalhar com ele para que saia do estágio defasado em que se encontra e possa avançar em termos de conhecimentos necessários (LUCKESI, 2006, p.81).

Para o autor, a avaliação, então, deixa de ser um instrumento pontual e necessariamente determinante na aprovação ou reprovação e se torna um instrumento diagnóstico, ao fazer encaminhamentos sobre a aprendizagem dos alunos. A avaliação passa a ser considerada como um 'ato amoroso', tendo em si o objetivo de incluir ao invés de excluir.

Para Hoffmann (1998), o professor, visando uma ação avaliativa mediadora, deve investigar e acompanhar cotidianamente o processo de aprendizagem, analisar as tarefas de maneira extensiva na intenção de interpretar o desempenho escolar do estudante e compreender que o ato de aprovar ou reprovar não deve ser embasado em um juízo isolado como a prova final, mas na história da sua produção de conhecimento. Para a autora,

Um processo avaliativo mediador, é, por sua natureza, preventivo, no sentido de uma atenção constante às dificuldades apresentadas pelos alunos; é cumulativo e não somativo, no sentido que os dados qualitativos e quantitativos se complementam, permitindo uma análise global da aprendizagem do aluno (HOFFMANN, 1998, p. 37).

Entende-se por aspectos quantitativos as competências e comportamentos que o aluno atingiu ou não e qualitativos a análise dos aspectos cognitivos construídos pelos estudantes em relação aos conteúdos. A autora destaca, portanto, a importância da complementação desses pontos qualitativos e quantitativos.

Para Romão (2005, p. 88), 'o conhecimento não é uma estrutura gnoseológica estática, mas um processo de descoberta coletiva, mediatizada pelo diálogo entre educador e educando'. A concepção de avaliação deixa de ser verificacionista e passa a ser um momento de aprendizagem intercedida pelo diálogo entre o professor e o aluno. Nessa perspectiva, Romão (2005, p.102) propõe alguns passos para a execução de uma avaliação dialógica: identificação do que vai

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ser avaliado; constituição, negociação e estabelecimento de padrões; construção de instrumentos de medida e de avaliação; procedimento de medida e da avaliação; análise do resultado e tomada de decisão quanto aos passos seguintes.

De acordo com Perrenoud,

O desenvolvimento e aprendizagem dependem de múltiplos fatores frequentemente entrelaçados. Toda avaliação que contribua para otimizar, por pouco que seja, um ou vários dentre esses fatores pode ser considerada formativa. Não se vê motivo para se restringir à definição da tarefa ou às instruções, ao procedimento didático e as seus suportes, ao tempo conferido ao aluno ou ao apoio que a ele se dispensa. (PERRENOUD, 1999, p. 105).

Conforme o autor, para uma avaliação formativa deve-se oportunizar, mais especificamente, a necessidade de uma intervenção, uma remediação, seja em curto prazo ou em longo prazo. É necessário haver tempo para sanar as dificuldades assim que elas apareçam. Se isso não for possível, a idéia de uma avaliação formativa perde seu sentido.

- O modelo da avaliação formativa é visto como um caminho para garantir a evolução de todos os alunos, uma espécie de passo à frente em relação à avaliação conhecida como somativa. A avaliação formativa não tem como pressuposto a punição ou premiação e prevê que os estudantes possuem ritmos e processos de aprendizagem diferentes.

Sant'Anna (1995) defende a avaliação formativa, que se caracteriza por identificar e conhecer o que o aluno já aprendeu e o que ele ainda não aprendeu, a fim de que se providenciem os meios necessários à continuidade dos seus estudos. Portanto, a avaliação está a serviço da aprendizagem, enquanto o trabalho se desenvolve. Avaliação e aprendizagem andam de mãos dadas, e a avaliação deve sempre orientar os rumos da aprendizagem.

- O que se verifica, ainda, é que apesar de saber que o conhecimento adquirido é imensurável, o professor avalia com a finalidade de quantificar esse conhecimento, pois o sistema de ensino exige uma classificação para efetivar os registros que indicarão uma aprovação ou reprovação. Segundo Luckesi (2005, p. 15) o que o professor está praticando, nesse caso, são 'exames escolares'. A 'nota' obtida pelo aluno torna-se um motivo de aprovação em um sistema que privilegia a memorização em detrimento da real aprendizagem.

Atualmente, não cabe mais realizar avaliações com esse objetivo, pois a universalização do acesso à escola trouxe a diversidade populacional para dentro da mesma. Deve-se, portanto, encontrar formas de avaliar esses novos alunos que se desenvolveram em diferentes contextos culturais, com diversos tipos de acesso à informação e com níveis variados de desenvolvimento.

Diante dessa realidade é inevitável a mudança do paradigma tradicional de avaliação (voltado apenas para a aprovação e reprovação) para um novo paradigma que busque uma avaliação mediadora, emancipatória, dialógica, integradora, democrática, participativa etc. (VILLAS BOAS, 2010). Portanto, nesse novo paradigma a concepção de avaliação passa a ter novas características e é ampliada envolvendo aluno, professor, escola e comunidade.

Corroborando essas ideias, Hoffmann (2002, p.27) considera que "A avaliação escolar, hoje, só faz sentido se tiver o intuito de buscar caminhos para a

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melhor aprendizagem", Méndez (2002, p.25) conclui que 'A avaliação é um processo natural, que nos permite ter consciência do que fazemos, da qualidade do que fazemos e das consequências que acarretam nossas ações' e Moretto (2010, p. 10) afirma que 'Avaliar a aprendizagem está profundamente relacionado com o processo de ensino e, portanto, deve ser conduzido como mais um momento em que o aluno aprende'.

A legislação específica também reforça a necessidade de formular um novo tipo de avaliação. Na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (BRASIL, 1996), o inciso V do artigo 24º determina critérios para a verificação do rendimento escolar. Nestes critérios prevalecem os aspectos qualitativos sobre os quantitativo e um modelo de avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, em contrapartida às provas finais.

Além da legislação, os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio (PCNEM) (BRASIL, 2002) opoiam e legitimam a postura do professor que deseja ampliar seus meios de avaliar. A prova continua sendo válida, porém não como o único instrumento de avaliação. Todas as atividades dos alunos , como os trabalhos individuais, os trabalhos coletivos, a participação espontânea ou medida pelo professor, o espírito de cooperação e mesmo a pontualidade e a assiduidade também podem detectar dificuldades de aprendizagem e servir para replanejar ações.

Ainda assim, no ensino de Física, a avaliação da aprendizagem ainda não tem a atenção necessária. O que observamos é que, nele, as práticas avaliativas ficam restritas a análises quantitativas. A riqueza de conceitos físicos que permeiam os conteúdos, tanto da educação básica, quanto da educação superior, não são suficientes para que haja uma mudança substancial nas avaliações, repletas de exercícios ingênuos e correções que se limitam à análise numérica.

Assim, o objetivo principal desse trabalho foi investigar quais as concepções sobre avaliação e como se desenvolvem as práticas avaliativas de professores de Física em diferentes instituições de ensino dentro da cidade de Inhumas 1 , Estado de Goiás. Investigamos, também, que outras atividades avaliativas, na concepção dos alunos, poderiam ser implantadas pelos professores no intuito de melhorar o aprendizado.

## Os caminhos da pesquisa

Como nossa intenção foi analisar as práticas avaliativas, optamos pela abordagem qualitativa, pois esta possibilita um conhecimento mais profundo do contexto escolar, o qual não se deixa apreender somente por descrições matemáticas (métodos quantitativos). A pesquisa qualitativa permite ainda, descobrir novos conceitos, novas relações, novas formas de entendimento da realidade, novas formas de pensar e de agir.

Como o foco da nossa pesquisa foi uma análise sobre as práticas avaliativas de professores de Física, da educação básica ao ensino superior, da cidade de

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Inhumas, os significados retirados dos dados nos forneceram informações relevantes acerca de suas práticas.

- A pesquisa foi realizada por meio de questionários, aplicados a 4 professores licenciados em Física e seus 65 alunos, sendo 36 do ensino médio, 8 de um curso técnico de nível médio e 9 de um curso de licenciatura em Química, todos de instituições públicas, e 12 do ensino médio de uma instituição particular.

Para tal, realizamos uma análise qualitativa das respostas dos questionários aplicados aos professores e seus respectivos alunos. As questões abertas permitiram ao respondente maior liberdade ao representar pela escrita suas ideias e reflexões. Embora o objetivo dessa pesquisa não fosse fazer uma confrontação entre o que dizem os professores e os alunos, foi inevitável comparar o que é dito pelos docentes e o que é relatado pelos discentes.

Fizemos o tratamento do material recolhido no campo segundo a proposta de Minayo (1994), que consiste nas seguintes etapas: ordenação, classificação e análise propriamente dita. Sendo assim, iniciamos pela ordenação dos dados: tabulamos as respostas obtidas nos questionários e fizemos uma releitura de todo o material para selecionar os dados a serem apresentados e analisados. Depois, identificamos os dados relevantes para o trabalho.

## Resultados e Análises

Apesar de o questionário aplicado aos professores conter 6 questões abertas e o aplicado aos alunos 2 questões objetivas e 3 abertas, selecionamos algumas respostas que consideramos pertinentes para as análises que desejamos realizar nesse trabalho. As análises estão apresentadas segundo cada um dos níveis de ensino pesquisados: ensino médio estadual, federal e particular e ensino superior federal.

- A fim de preservar o anonimato das pessoas pesquisadas, suas manifestações transcritas estão individualizadas por meio de sua função, Professor ou Aluno , seguido de um número.

## Colégio de ensino médio da rede estadual de ensino

- O professor desse colégio, ao ser perguntado sobre o que entende por avaliação da aprendizagem escolar, nos respondeu:

Entendo que é uma maneira de verificar o aprendizado do aluno. (Professor 1)

Apesar da fala do professor indicar uma concepção pedagógica limitada sobre o papel da avaliação, vale ressaltar que ele avalia constantemente os alunos, mesclando instrumentos quantitativos e qualitativos, tais como trabalhos em grupo e atividades extraclasses.

Ao ser questionado por que utiliza esse modelo de avaliação, o professor demonstra valorizar o comportamento e o desenvolvimento de seus alunos, como se pode perceber em sua fala:

Para aproveitar tudo de bom do aluno e para aumentar a auto-estima de cada um. (Professor 1)

Ao perguntarmos aos alunos quais outras atividades poderiam ser aplicadas, além das já utilizadas por seu professor, verificamos que é marcante o interesse deles

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pela contextualização dos conteúdos da disciplina e por atividades mais dinâmicas, como seminários, debates e jogos, como podemos verificar em algumas falas:

Aula contextualizada e que aborde problemas atuais, não só o conteúdo de Física, pois as aulas acabam se tornando chatas. (Aluno 1)

Aulas diferenciadas, talvez jogos que prenda a atenção do aluno para que ele goste do conteúdo. (Aluno 2)

Gincanas, interação observando a capacidade do aluno. (Aluno 3)

Talvez um tipo de aula de debate de pergunta e resposta. (Aluno 4)

Há indicativos nessas frases que recursos pedagógicos que propiciem maior interação entre os sujeitos (professor-aluno, aluno-aluno), poderiam beneficiar a elaboração de avaliações mais dialógicas e participativas.

## Colégio de ensino médio técnico integrado da rede federal de ensino

As respostas do professor desse colégio indicam que sua concepção de avaliação se aproxima bastante da idéia de 'educação bancária'. Para ele, a avaliação serve para verificar o quanto o aluno incorporou determinado conteúdo. Isso fica claro, quando ele diz o que entende por avaliação da aprendizagem:

Um grupo de ações elaboradas pelo professor para que o aluno possa apresentar o quanto consegue absorver. (Professor 2)

Ao ser questionado sobre quais as suas maiores dificuldades ao avaliar, o professor atribui a responsabilidade aos estudantes:

Nossos alunos, cada ano que passa, não se empenham como deveriam. Isto proporciona um aprendizado fraco e desmotivador. (Professor 2)

Por essa fala, entendemos que o professor considera que os problemas da aprendizagem em Física se devem à disposição do aluno e se isenta de responsabilidades. É contraditório pensar em aprendizagem desmotivadora sem relacionar as atitudes referentes ao ato de ensinar. Moretto (2010, p. 10), ainda ressalta que avaliar a aprendizagem está profundamente relacionada com o processo de ensino e que o momento da avaliação também é um momento de aprendizagem. Ressaltamos que esse professor leciona em uma instituição que oferece um bom plano de carreira, bom salário, boa infraestrutura e baixa carga horária de aulas.

As respostas dadas pelos alunos confirmam a postura tradicional do professor. Há relatos recorrentes quanto ao uso de atividades avaliativas pontuais e somativas:

O professor de Física nos avalia através de provas, listas de exercícios, atividades surpresas. (Aluno 5)

A carência de atividades vinculadas ao laboratório didático também aparecem como anseios de grande parte da turma, como se pode observar pelas falas:

Atividades mais voltadas para a prática de Física. (Aluno 6)

Dinâmicas em grupo ou experimentos que envolva Física. (Aluno 7)

Com essas falas, cremos que simples atividades, tais como seminários e pequenos experimentos, poderiam motivar mais os estudantes para o aprendizado e auxiliar o professor no processo de ensino, proporcionando-lhe, também, atividades avaliativas alternativas.

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## Colégio de ensino médio da rede particular de ensino

As respostas dadas pelo professor desse colégio nos indicaram, também, que ele possui valores enraizados no modelo de educação bancária: transmissãorecepção-confirmação. Para ele, a avaliação tem a função de finalizar o aprendizado. Tal concepção fica evidente em sua fala sobre o que entende por avaliação:

É uma forma do aluno transmitir seu conhecimento adquirido do conteúdo selecionado. (Professor 3)

Verificamos, em sua fala, a ausência de uma reflexão sobre os objetivos da avaliação. O professor trata a avaliação como atividade conclusiva, não dando oportunidade para incluir o aluno que não tenha atingido uma aprendizagem satisfatória.

Os instrumentos avaliativos utilizados por esse docente são provas e listas de exercícios. Ele justifica este procedimento pela condição a que é submetido profissionalmente:

É a forma imposta pelo colégio e pela secretaria da educação. (Professor 3)

De acordo com o relato do professor, as práticas avaliativas são limitadas e estabelecidas por exigências externas. Como esse colégio tem como objetivo preparar alunos para ingresso no ensino superior público, os próprios modelos dos vestibulares interferem diretamente nas atividades de ensino, aprendizagem e nas práticas avaliativas.

Verificamos, a partir dos relatos dos alunos, a carência de atividades didáticas mais abrangentes, tais como: seminários, trabalhos de pesquisa e aulas práticas em laboratório. Os estudantes afirmam:

Seria interessante a aplicação de aulas práticas, onde pudéssemos colocar em prática o que aprendemos em livros e em aulas. (Aluno 8)

Poderia ser implementado aulas experimentais com os alunos, para render o conhecimento e afinidade com a matéria. (Aluno 9)

Seminários, trabalhos extensivos, ajudando o aluno no aprendizado. (Aluno 10)

Diante das afirmações, acreditamos que essas atividades gerariam um maior e melhor aprendizado, pois o ensino fugiria do individualismo e do ato mecânico de resolução de problemas que o vestibular exige.

## Curso de licenciatura da rede federal de ensino

O professor desse curso aparenta maior conhecimento da função da avaliação no processo ensino aprendizagem. Podemos verificar isso, por meio do que ele entende por avaliação:

A avaliação da aprendizagem é um componente do processo que visa verificar os resultados obtidos, determinar e orientar as decisões em relação às atividades didáticas seguintes. (Professor 4)

Quando perguntado sobre quais as funções da avaliação, ele responde:

Comprovar a aprendizagem e diagnosticar o progresso e dificuldade do educando. (Professor 4)

Este foi o único docente pesquisado que enfatizou a importância da avaliação para o diagnóstico de dificuldades do estudante e na reorientação de atividades futuras.

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Os alunos dessa turma deixam evidentes, em vários relatos, a necessidade de atividades avaliativas relacionadas a atividades de laboratório, imprescindível em uma disciplina como a de Física:

Aulas com experimentos para uma melhor compreensão do conteúdo. (Aluno 11)

Apesar do tempo ser curto, ficaria interessante se surgisse experimentos, imagino que desperta interesse pelos alunos ao conteúdo abordado. (Aluno 12)

A falta de estrutura laboratorial dessa instituição de ensino superior é constatada em um relato:

Experimentos além dos seminários. Observação: na unidade de Inhumas os laboratórios não ficaram prontos. (Aluno 13)

Mesmo sendo um anseio dos alunos, tanto da licenciatura quanto do ensino técnico, as atividades práticas não poderão acontecer, por enquanto, devido à falta de equipamentos.

Segundo o relato de um aluno, atividades lúdicas (jogos), em contraposição a memorização de fórmulas, típicas das avaliações tradicionais, também poderiam auxiliar na aprendizagem dos conteúdos de Física:

Jogos, aulas mais dinâmicas, mais interações. Mais teoria e um pouco menos de fórmulas. (Aluno 14)

O uso de atividades lúdicas, sem o abandono das funções matemáticas inerentes da disciplina (fórmulas, na fala do aluno), pode surgir como uma alternativa de ensino, aprendizagem e como prática avaliativa.

## Considerações Finais

Este trabalho teve como objetivo investigar as concepções sobre avaliação e as práticas avaliativas de professores de Física de diferentes instituições de ensino da cidade de Inhumas, Goiás, além de investigar que outras atividades avaliativas poderiam ser implantadas pelos professores, no intuito de melhorar o aprendizado. Sem a pretensão de buscar soluções, o texto se coloca apenas como um registro da realidade enfrentada pelos professores e seus alunos.

A concepção de avaliação da maioria dos professores é centrada na classificação, ou seja, uma avaliação apenas somativa: o professor elabora as avaliações - usam com maior frequência provas escritas - e no final liberam o resultado. É sabido que só esse tipo de avaliação não afere todos os progressos que o aluno alcançou, tais como: mudança de atitudes, envolvimento e crescimento no processo ensino e aprendizagem etc.

Nos casos estudados, apenas um professor, o que leciona no curso superior, tem a concepção de avaliação como um diagnóstico da aprendizagem. Porém, verificamos que suas atitudes, segundo relato dos alunos, não condizem com o seu discurso. O professor do colégio de ensino médio da rede pública foi o único que afirmou utilizar outros instrumentos avaliativos além de provas escritas.

A excessiva carga horária de trabalho e as turmas numerosas de alguns desses professores não permitem a eles refletir sobre a aprendizagem dos seus alunos e, ao menos, diagnosticar quais os pontos carentes de atenção. O diálogo entre alunos e professor sequer existe. Nesses casos, aquela ideia de uma

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avaliação formativa, que se fundamenta no diálogo necessário e possível entre alunos e professores, não se concretiza.

No caso desses professores da cidade de Inhumas, verificamos que mesmo os que possuem salários mais altos e menor carga horária praticam uma avaliação considerada tradicional, diferentemente do que trabalhos como o de Cunha (2009) verificaram em outras situações. Em seu trabalho, a autora pesquisa as práticas avaliativas de professores de Matemática de diferentes instituições de ensino (colégios estaduais, federais e particulares de ensino médio) da cidade de Goiânia, Goiás, e conclui:

Vimos que alguns, apesar de se preocuparem com o processo ensino e aprendizagem e até tentarem realizar uma avaliação formativa, são impedidos de realizar totalmente tal tipo de avaliação, devido a esse excesso de trabalho. Afirmamos isso com convicção, pois observamos que os professores que possuem uma carga horária didática menor e melhores salários, além de uma melhor formação, se dedicam a pensar o ensino e a aprendizagem e utilizam instrumentos de avaliação que possuem características formativas, além do que conseguem fazer um trabalho diferenciado. (CUNHA, 2009, p. 63).

Assim, a postura dos professores pesquisados nos leva a defender a necessidade de sempre existir cursos de formação contínua ou a continuidade nos estudos, por meio de pós-graduações para todos os professores de todas as redes de ensino.

Outro ponto observado foi que os alunos e professores pesquisados mencionaram a falta de atividades de laboratório, num entendimento que tal postura didática possa oferecer uma forma diferenciada e mais crítica da avaliação. Consideramos inconcebível que instituições de ensino, principalmente de nível técnico e superior, não possuam laboratórios de ensino.

No caso da Física, por ser uma ciência experimental, seu ensino deve estar acompanhado de práticas experimentais. Não deveria ser entendida como um método de acertar problemas, mas sim como uma ciência, fruto de pesquisas, fundamentada em conceitos e leis fortemente estruturados. Os estudantes devem praticá-la, realizando experimentos, desenvolvendo projetos, colhendo dados e medidas, enfim, podendo construir um conhecimento por meio de resultados concretos, pois não existe ciência sem que se pratique ciência. Portanto, a atividade de laboratório é componente indispensável ao ensino e aprendizagem em Física.

Enfim, diante dos dados, percebemos que os professores mantêm uma atitude profissional bem conservadora, sendo o modelo de avaliação uma reflexão de suas aulas e ideias. Esperamos, com esse trabalho, levar a professores e educadores a grande problemática existente em suas práticas avaliativas, pois não notamos nessas suas práticas, na maioria dos casos, nem ao menos tênues traços ou tendências dos modelos de avaliação dialógica, mediadora, diagnóstica ou formativa. Estamos cientes que nossa pesquisa foi realizada em uma cidade de pequeno porte, porém imaginamos que esta postura tradicional avaliativa esteja presente em quase a totalidade das escolas brasileiras.

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