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UMA ABORDAGEM SOBRE AS CONTRIBUIÇÕES DA NEUROCIÊNCIA E DA PROGRAMAÇÃO NEUROLINGUÍSTICA NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM

Emanuelle São Leão, Alexandre Lopes De Oliveira, Rodrigo Siqueira-Batista

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XIX
Ano
2011
Data
01/02/2011
Linha de pesquisa
Linguagem E Cognição No Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## UMA ABORDAGEM SOBRE AS CONTRIBUIÇÕES DA NEUROCIÊNCIA E DA PROGRAMAÇÃO NEUROLINGUÍSTICA NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM

Emanuelle São Leão 1 , Alexandre Lopes de Oliveira , Rodrigo Siqueira-Batista 2 3

## Resumo

Os estudos relacionados à neurociência vão além das análises clínicas. Abordar a funcionalidade do cérebro e sua conexão ao processo de ensino e aprendizagem poderá contribuir para os profissionais de ensino na identificação com respeito às dificuldades e distúrbios de aprendizagem encontrados em sala de aula. Este fato pode vir a despertar a necessidade de elaboração de métodos de ensino diferenciados, ao mesmo tempo em que possam identificar estilos individuais de aprendizagem e a melhor maneira de introduzir informação nova no contexto escolar. Assim como o estudo da neurociência permite identificar e compreender as possíveis afasias que levam o estudante ao mau desempenho escolar, a prática da programação neurolinguística (PNL) fornece estratégias aos professores no trabalho dessas dificuldades, fazendo com que, no contexto adequado, tenham sentido em sala de aula. Neste trabalho pretende-se abordar, de forma descritiva, questão quanto à de que maneira os estudos em neurociências podem contribuir no trabalho do professor para ajudar o aluno na aprendizagem.

Palavras-chave : neurociência, programação neurolinguística, ensinoaprendizagem

## Introdução

O conhecimento e o entendimento dos fundamentos das neurociências possibilitam coligir diferentes abordagens disciplinares, em seus processos de investigação do sistema nervoso central. Os estudos na área tem se sido bem apropriado para o desenvolvimento do trabalho interdisciplinar (SIQUEIRABATISTA, 2010). Conhecer suas implicações à prática educativa os transformam em uma ferramenta valiosa na identificação de dificuldades e distúrbios da aprendizagem.

'O foco da educação de maneira mecânica e igual a todos os alunos, sem a devida atenção à individualidade, numa demonstração de total falta de consciência da força que possuem os modelos mentais e da influência que eles exercem sobre o comportamento. Por sua vez os alunos, acostumados a perceber o mundo a partir da visão do docente, aceitam passivamente essa proposta pedagógica, desempenhando um papel de receptor de informações, as quais nem sempre são compreendidas e geram conhecimento. Muitas pesquisas no campo educativo apontam o professor como um dos principais protagonistas da educação' (DEMO, 2001; ASSMANN, 2001; MORIN, 2002).

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Partindo desse pressuposto, ao professor cabe oferecer, através de sua prática, um ambiente que respeite as diferenças individuais permitindo que os aprendizes se sintam estimulados do ponto de vista intelectual e emocional. Daí a necessidade do educador, consciente de seu papel de interventor responsável pela mediação da informação, buscar estruturar o ensino de modo que os alunos possam construir adequadamente os conhecimentos a partir de suas habilidades mentais. E para isso, é imprescindível que conheçam os significativos estudos da neurociência, uma vez que esses, sem dúvida, influenciam na compreensão dos processos de ensino e aprendizagem.

Este trabalho traz como objetivo compreender melhor a funcionalidade do cérebro e a mente no processo de aprendizagem e, assim, poder identificar algumas das causas sobre o desempenho escolar de um estudante. Tem como método um estudo descritivo sobre neurociência e programação neurolinguística e suas relações a aprendizagem e prática educativa.

## Neurociência

As neurociências podem ser caracterizadas por uma reunião de saberes, seja de matriz multi ou interdisciplinar. Desta forma, possui vários métodos e estratégias de estudo. O estudo em neurociência engloba três áreas principais: a neurofisiologia - o estudo das funções do sistema nervoso; a neuroanatomia - o estudo da estrutura do sistema nervoso e a neuropsicologia - o estudo da relação entre as funções neurais e psicológicas.

A neurociência investiga o processo de como o cérebro aprende e lembra, desde o nível molecular e celular até as áreas corticais. Por esse motivo, antes de nos aprofundarmos nos conceitos e práticas da neurociência façamos um pequeno estudo sobre os sistemas nervosos, já que estes são responsáveis pelo envio, recebimento e compartilhamento de informações. Porém, nos cabe fazer a seguinte advertência: conhecer como o cérebro funciona não é a mesma coisa do que saber qual a melhor maneira de ajudar os alunos a aprender.

## Sistema Nervoso

Divide-se em duas grandes partes: O sistema nervoso central (SNC) localizado em regiões internas do cérebro e coluna vertebral é onde se situa a grande maioria das células nervosas, seus prolongamentos e os contatos que fazem entre si . O sistema nervoso periférico (SNP) - localizado em todo o corpo. É onde há relativamente poucas células, mas um grande número de prolongamentos chamados fibras nervosas, agrupados em filetes alongados chamados nervos.

Os nervos por sua vez são conjuntos de neurônios, onde esses se dividem em fibras aferentes : enviam sinais dos receptores (células que respondem aos estímulos sensoriais nos olhos, ouvidos, pele, nariz, músculos e articulações) e fibras eferentes : enviam sinais do SNC para os músculos e as glândulas.

Os neurônios (ver figura 01) são constituídos por: soma - o corpo celular (possui o núcleo celular), os axiônios - filamento longo e fino (responsáveis pelas informações eferentes) e os dendritos - pequenos arbustos (responsáveis pelas informações aferentes).

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A região de contato entre um terminal de fibra nervosa e um dendrito ou o corpo (mais raramente um outro axiônio) de uma segunda célula chama-se sinapse, e constitui uma região especializada fundamental para o processamento da informação pelo sistema nervoso.

Figura 01: Estrutura de um neurônio .

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A aprendizagem e a educação estão intimamente ligadas ao desenvolvimento do cérebro, o qual é moldável aos estímulos do ambiente. Esses estímulos levam os neurônios a formar novas sinapses. Assim, a aprendizagem é o processo pelo qual o cérebro reage a estímulos do ambiente, ativando sinapses, tornado-as mais intensas. A isso damos o nome de plasticidade - que é a capacidade do sistema nervoso alterar o funcionamento do sistema motor e perceptivo baseado em mudanças no ambiente. Isto ocorre quando um neurônio deixa de receber estímulo de uma determinada região e passa a receber de outra. A ocorrência deste fenômeno é mais comum em crianças.

Na neurociência é bastante discutida a distinção entre a memória de curto e longo prazo a efeito de se encontrar respostas para uma das questões de muitos professores: 'Por que os alunos tendem a esquecer conteúdos vistos recentemente, enquanto conseguem reproduzir, às vezes detalhadamente, temas abordados há muito tempo?' A razão está na fragilidade que as memórias recentes possuem, já que estas estão em um estado fisiológico diferente das memórias antigas. Logo, concluí-se que a memória de curto prazo (MCP) é capaz de armazenar informações por períodos de tempo um pouco mais longos, mas também de capacidade relativamente limitada. A memória de longo prazo (MLP) é capaz de estocar informações durante períodos de tempo muito longos, talvez até indefinidamente.

'Distúrbios de aprendizagem é um termo genérico que se refere a um grupo heterogêneo de alterações manifestas por dificuldades significativas na aquisição e uso da audição, fala, leitura, escrita, raciocínio ou habilidades matemáticas. Estas alterações são intrínsecas ao indivíduo e presumivelmente devidas à disfunção do sistema nervoso central. Apesar de um distúrbio de aprendizagem poder ocorrer concomitantemente com outras condições desfavoráveis (por exemplo, alteração sensorial, retardo mental, distúrbio social ou emocional) ou influências ambientais (por exemplo, diferenças culturais, instrução insuficiente/inadequada, fatores psicogênicos), não é resultado direto dessas condições ou influências' (COLLARES e MOYSÉS, 1992, p. 32).

Ao trecho acima chamamos a atenção sobre o que está sendo tratado neste trabalho. Demonstrar a diferença existente entre as dificuldades, distúrbios e

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transtornos da aprendizagem é de grande importância já que se espera uma melhor compreensão sobre as práticas da neurociência e da PNL - que introduziremos a seguir - na educação.

A literatura a respeito do diagnóstico e tratamento de distúrbios, transtornos, dificuldades ou problemas de aprendizagem é vasta e fundamentada em concepções, muitas vezes, divergentes entre si. Enquanto, para os defensores da abordagem comportamental preferem a utilização do termo distúrbio , os construtivistas parecem ser adeptos do termo dificuldade, assim como o termo transtorno para muitos, é usado para relacionar a doenças e enfermidades. Devido o grande número de obras relacionadas ao assunto, torna-se inviável contemplar todas as possíveis definições e abordagens sobre esses conceitos. Portanto, limitaremo-nos a discussão dos distúrbios, pois esses na verdade são desordens neurológicas, acidentes vasculares na sua fase aguda que se denominam afasias .

Segundo Lent (2002), as afasias são classificadas em afasia de expressão; de compreensão e de condução, de acordo com os sintomas e com a região cerebral atingida (ver figura 02).

A afasia de Broca é também chamada de afasia motora ou não-fluente, já que as pessoas têm dificuldade em falar mesmo que possam entender a linguagem ouvida ou lida. Pessoas com esse tipo de afasia têm dificuldade em dizer qualquer coisa, fazendo pausas para procurar a palavra certa (anomia). A marca típica da afasia de Broca é um estilo telegráfico de fala, no qual se empregam, principalmente, palavras de conteúdo (substantivos, verbos, adjetivos), além da incapacidade de construir frases gramaticalmente corretas (agramatismo). É provocada por lesões sobre a região lateral inferior do lobo frontal esquerdo.

A afasia de compreensão ou afasia de Wernicke atinge uma região cortical posterior em torno da ponta do sulco lateral de Sylvius do lado esquerdo. Os indivíduos não conseguem compreender o que lhes é dito. Emitem respostas verbais sem sentidos e também não conseguem demonstrar compreensão através de gestos. Apesar de possuir uma fala fluente, ela também não tem sentido, pois não compreendem o que eles mesmos dizem. Enquanto na afasia de Broca, a fala é perturbada, mas a compreensão está intacta, na afasia de Wernicke, a fala é fluente, mas a compreensão é pobre.

A afasia de condução é provocada por lesão do feixe arqueado, feixes que conectam a área de Broca com a área de Wernicke. Os pacientes seriam capazes de falar espontaneamente, embora cometessem erros de repetição e de resposta a comandos verbais.

Afasia é apenas uma das desordens que resulta de lesões do cérebro. Abaixo apresentamos uma pequena lista desses distúrbios dados por especialistas:

- · Alexia : inabilidade adquirida de compreender a linguagem escrita.
- · Agrafia : inabilidade adquirida de produzir linguagem escrita apesar da presença da linguagem oral, da leitura e de controle de movimentos normal.
- · Apraxia : inabilidade de ter movimentos propositais apesar da compreensão normal das instruções, da força, do reflexo e da coordenação normais.
- · Agnosia visual: perda da habilidade de reconhecer ou identificar a presença de objetos, apesar nas funções visuais estarem intactas. Uma

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forma específica da agnosia visual foi registrada como propagnosia, inabilidade de reconhecer faces.

- · Síndrome da negligência : a tendência a ignorar coisas numa região particular do espaço ignorando o módulo sensorial responsável pelos estímulos provenientes daquela região. Pacientes com uma forma dessa síndrome chamada síndrome da negligência unilateral ignoram as informações provenientes do lado esquerdo ou direito do corpo e podem até esquecer de barbear essa parte do rosto ou de vestir esse lado do corpo.

Figura 02: Áreas do cérebro .

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## A Programação Neurolinguística (PNL)

'A PNL fornece um novo modelo de como as pessoas aprendem. O exato entendimento da forma como o cérebro trabalha pode ser comparada a um "Manual do Usuário" de um computador. Sem o manual você sabe que o computador tem uma vasta memória e pode fazer coisas admiráveis. Se você fica "tentando cegamente", você eventualmente acaba "tropeçando" nestas coisas admiráveis. Mas com o manual você pode escolher exatamente o que você pode fazer, e ter o computador operando perfeitamente todas às vezes' (BOLSTAD, 1992).

Solidificada por Richard Bandler e John Grinder, em 1976. A PNL apresentase, não como uma técnica; e sim como uma centena de técnicas que, trabalhadas no contexto adequado, faz com que elas tenham sentido. Aprender e criar funcionam melhor quando a mente do estudante está livre da distração, quando está em estado de calma e alerta quase meditativo.

A PNL nos fornece algumas maneiras notáveis de colocar os estudantes rapidamente naquele estado, permanecendo em 'sintonia'. Aprender novas informações não é tanto o resultado de um esforço concentrado pela mente consciente, mas muito mais o resultado de uma atenção relaxada, quase inconsciente. Crianças aprendem canções infantis e canções de comerciais da tv não estudando-as conscientemente, mas apenas porque elas estão relaxadas

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enquanto ouvem. O que a PNL oferece ao professor é a habilidade para, sem resistência e rapidamente, levar os alunos a este estado de relaxamento.

## Sistemas Representacionais

No passado alguns professores pensavam que aprender era apenas uma questão de 'pensar' sobre o assunto, de usar palavras. Mas quando estudantes aprendem, eles estão usando os cinco sentidos básicos, assim como a sexta linguagem do cérebro - as palavras. Na PNL as seis linguagens do cérebro são chamadas de sistemas representacionais e estão listados no quadro 01.

Quadro 01: Sistemas representacionais na programação neurolinguística.

VISUAL

Vendo as imagens.

CINESTÉSICA

Sentindo as emoções do corpo.

AUDITIVA

Ouvindo os sons.

OLFATIVA

Cheirando fragrâncias.

GUSTATIVA

Provando os gostos.

AUDITIVA-DIGITAL

Pensando em palavras ou conceitos.

'Alguns estudantes usam muito pensar em palavras (auditivo-digitais). Eles querem saber a "informação" que você está lhes dando. Mas para outros estudantes, poderem "ver a imagem" do que você está lhes mostrando (visual) é mais importante. Outros quererão "sintonizar com os temas principais" contidos nas suas palavras (auditivos) ou "agarrar-se com a lição" e "trabalhar vivenciando os exemplos" (cinestésico). Se você ouvir as palavras que os estudantes usam, na realidade elas lhe dirão quais são os seus sistemas sensoriais favoritos para representar sua aprendizagem (chamado em PNL de Sistema Representacional Preferido). Professores eficazes aprendem "a falar em cada um dos sistemas representacionais" (BOLSTAD et al., 1992, p.72).

A PNL dá aos educadores inúmeras formas para alcançar os estudantes que têm em sala de aula. Se há alguns dos alunos parecerem não aprender, significa que o professor pode não estar ensinando no sentido em que eles pensam. Por exemplo, para atingir os visuais poderá escrever as palavras na parte superior do quadro e desenhar mais diagramas. Para atingir os auditivos, podem-se escolher mais discussões e usar música. Cinestésicos gostam de se movimentar e eles gostarão de serem aproveitados em atividades como dramatizações.

A proposta é dar uma aula que 'facilite' o funcionamento desses sistemas sem necessariamente o professor ter que saber, se a melhor forma daquele sujeito em lidar com os objetos externos é: auditiva, visual ou tátil. Montar um planejamento com esses pré-requisitos é uma forma de atuação saudável, onde educação e saúde possam caminhar lado a lado.

Se o professor tiver conhecimento da modalidade de aprendizagem do seu aluno, poderá transformar-se em um facilitador do processo de ensinoaprendizagem.

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## Discussões

## O Cérebro e a Aprendizagem

No cérebro humano existem aproximadamente cem bilhões de neurônios (unidade básica que processa informação no cérebro) e cada um destes pode se conectar a milhares de outros, fazendo com que os sinais de informação fluam maciçamente em várias direções simultaneamente até as conexões neurais ou sinapses.

Apesar de nosso cérebro ser dividido em dois hemisférios não existe relação de dominação entre eles, pelo contrário eles trabalham em conjunto. O conceito de especialização hemisférica se confunde com o de lateralidade (algumas funções são representadas em apenas um dos lados, outras nos dois) e de assimetria (um hemisfério não é igual ao outro).

Segundo Lent (2002), o hemisfério esquerdo controla a fala em mais de 95% dos seres humanos, mais isso não quer dizer que o direito não trabalhe, ao contrário, é a prosódia do hemisfério direito que confere à fala nuances afetivas essenciais para a comunicação interpessoal. O hemisfério esquerdo é também responsável pela realização mental de cálculos matemáticos, pelo comando da escrita e pela compreensão dela através da leitura. Já o hemisfério direito é melhor na percepção de sons musicais e no reconhecimento de faces, especialmente quando se trata de aspectos gerais. O hemisfério esquerdo participa também do reconhecimento de faces, mas sua especialidade é descobrir precisamente quem é o dono de cada face. Da mesma forma, o hemisfério direito é especialmente capaz de identificar categorias gerais de objetos e seres vivos, mas é o esquerdo que detecta as categorias específicas. O hemisfério direito é melhor na detecção de relações espaciais, particularmente as relações métricas, quantificáveis, aquelas que são úteis para o nosso deslocamento no mundo. O hemisfério esquerdo não deixa de participar dessa função, mas é melhor no reconhecimento de relações espaciais categoriais qualitativas. Finalmente, o hemisfério esquerdo produz movimentos mais precisos da mão e da perna direitas do que o hemisfério direito é capaz de fazer com a mão e a perna esquerda, na maioria das pessoas (ver figura 03).

De acordo com pesquisas realizadas, afirma-se que o temperamento de cada pessoa tem relação direta com a utilização desses hemisférios. As pessoas que apresentam o lado esquerdo mais desenvolvido são tendentes a usarem de forma adequada à lógica, a matemática possuindo habilidades para planejar e organizar suas ações. Já que é o lado mais intuitivo do homem. Por isso são introspectiveis, amorosas, delicadas e mais racionais.

- O lado direito do cérebro é responsável pela imaginação criativa, a serenidade, a capacidade de síntese, a facilidade de memorizar. As pessoas que utilizam mais esse lado do cérebro possuem habilidades para analisar esquemas e técnicas em oratórias.

Para que a memória funcione adequadamente no processo de informação, se faz necessária a busca da interação entre os dois hemisférios, equilibrando o uso de nossas potencialidades. Como se processam muitas informações diárias, o cérebro acaba seletivo, guardando apenas informações que impressionem, desenvolvendo a capacidade para a fixação dos fatos.

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Figura 03: Especialização dos hemisférios.

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## Tipos de Linguagem

O cérebro atua como um todo interligado, como um receptor, coordenador e processador de todos os estímulos do ambiente através do sistema nervoso. Fazendo uma análise das variáveis envolvidas no processo de aprender, o funcionamento cerebral estaria inserido na categoria orgânica. Qualquer alteração nele observada será refletida na corporeidade do sujeito.

A aprendizagem baseia-se em hierarquia de experiências. Dá-se em espiral dialética, com funções superpostas e interligadas. Dessa forma, os distúrbios de aprendizagem consequentes de disfunções cerebrais também terão uma esfera de atuação relacionada ao nível hierárquico onde o distúrbio se observa.

Nos limitaremos a discussão dos processos de aquisição das linguagens interna, receptiva e expressiva, pontuando alguns dos distúrbios que podem ocorrer em relação a cada uma delas.

- · Linguagem Interna: Internalização do vivenciado com a língua materna. É o primeiro aspecto a ser adquirido. Quando há distúrbio nesta linguagem pode ser considerada a mais complexa.
- · Linguagem Receptiva: Capacidade para compreender a palavra falada. É a segunda a ser adquirida. Pode ser afetada de várias formas. Um dos sintomas deste distúrbio é a não compreensão de ordens complexas.
- · Linguagem Expressiva: Quando a compreensão encontra-se estabelecida. A criança está pronta para se comunicar com outras utilizando sua linguagem expressiva. O distúrbio nesta linguagem atinge a produção articulatória da fala.

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## A Neurociência e Prática Educativa

'A pesquisa em neurociência por si só não introduz novas estratégias educacionais. Contudo fornece razões importantes e concretas, não especulativas, porque certas abordagens e estratégias educativas são mais eficientes que outras' (REYNOLDS, 2000; SMILKSTEIN, 2003).

O quadro 02 sugere como o cérebro aprende em determinado ambiente de sala de aula.

Quadro 02. Princípios da neurociência com potencial aplicação no ambiente de sala de aula.

Fonte: Rushton &amp; Larkin (2001); Rushton et al. (2003).

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## Considerações Finais

A neurociência é e será um poderoso auxiliador na compreensão do que é comum a todos os cérebros e poderá nos próximos anos dar respostas confiáveis a importantes questões sobre a aprendizagem humana, pode-se através do conhecimento de novas descobertas da neurociência, utilizá-la à nossa prática educativa. O perigo é que se está no pé da montanha e muitas pessoas pensam que já completamos a escalada. Por enquanto, os conhecimentos oferecem mais perguntas do que respostas. A neurociência, como outros aspectos da evolução humana, carrega em si uma promessa e uma ameaça. A promessa é de um melhor entendimento dos processos cerebrais. A ameaça é bastante cinzenta: a de que esse conhecimento possa levar à pior manifestação totalitária, a de controlar seres humanos com informações advindas do conhecimento científico. Partindo desse, pressuposto, ao professor cabe oferecer através de sua prática, um ambiente que respeite as diferenças individuais permitindo que os aprendizes se sintam estimulado do ponto de vista intelectual e emocional.

## Referências

ASSMANN, H. Reencantar a educação: rumo à sociedade aprendente . Petrópolis: vozes, 2001.

BOLSTAD, R. et al. Communicating Caring, Longman Paul, Auckland, 1992.

COLLARES, C. A. L. e MOYSÉS, M. A. A. A História não Contada dos Distúrbios de Aprendizagem . Cadernos CEDES n o 28, Campinas: Papirus, pp.31-48, 1993.

DEMO, P. Saber Pensar . 2. ed., São Paulo: Cortez, 2001.

LENT, Roberto. Cem bilhões de neurônios: conceitos fundamentais . Atheneu: São Paulo, 2002.

MORIN, E. A cabeça bem-feita: repensar a reforma - reformar o pensamento . Rio de janeiro: Bertrand Brasil, 2002.

RUSHTON, S. P.; EITELGEORGE, J.; ZICKAFOOSE, R. Connecting Brian Cambourne's conditions of learning theory to brain/mind principles: implications for early childhood educators . Early Childhood Education Journal, 31(1):11-21, 2003.

RUSHTON, S.; LARKIN, E. Shaping the learning environment: connecting developmentally appropriate practices to brain research . Early Childhood Education Journal, 29(1):25-33, 2001.

SIQUEIRA-BATISTA, R. et al. Neurociências e educação: um tempo de encontro no espaço dos saberes. Ciência &amp; Ideias, 2010.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.