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A HISTÓRIA DA CIÊNCIA NO ESTUDO DA ESTRUTURA DA MATÉRIA: UMA AVALIAÇÃO DOS ALUNOS

Guilherme Urias, Alice Assis

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XIX
Ano
2011
Data
01/02/2011
Linha de pesquisa
Filosofia, História E Sociologia Da Ciência E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## A HISTÓRIA DA CIÊNCIA NO ESTUDO DA ESTRUTURA DA MATÉRIA: UMA AVALIAÇÃO DOS ALUNOS

## Guilherme Urias , Alice Assis 1 2

1 UNESP/Cursinho da Feg, guilherme.urias@gmail.com 2 UNESP/DFQ, aliassis@gmail.com

## Resumo

Este trabalho trata, particularmente, da análise das avaliações, por parte dos alunos, do uso de um texto histórico-filosófico em aulas de Física, cujo título é 'Do átomo grego ao átomo de Bohr' (PEDUZZI, 2008). As aulas ocorreram no segundo semestre do ano letivo de 2010, tendo como sujeitos da pesquisa, 20 alunos, da 3ª série do ensino médio, do período vespertino, na faixa etária de 16 a 18 anos, de uma Escola Estadual localizada no município de Cunha, no estado de São Paulo. Os resultados apresentados no presente artigo representam as impressões dos alunos sobre a atividade em si, em que cada educando foi convidado a avaliar o método utilizado. Um dos aspectos mais evidentes nas declarações dos aprendizes foi o fator motivacional propiciado pela atividade, que envolveu alunos e professor num diálogo edificante e esclarecedor. Assim, por meio das avaliações dos alunos, foi possível verificar que o uso do referido texto, aliado à postura dialógica adotada pelo professor, motivou os alunos para o estudo da Física, o que indica que a atividade foi potencialmente significativa para os alunos.

Palavras-chave : Ensino de Física; história e filosofia da ciência; motivação.

## Introdução

Buscando envolver o aluno no contexto de sua própria aprendizagem, atualmente são utilizados métodos de ensino que visam estabelecer a interação entre professor e educandos. Para isso, é imprescindível o uso do diálogo em sala de aula, em que o professor expõe as ideias, esclarece os pontos duvidosos e propõe atividades que ajudarão os alunos a compreenderem os fenômenos estudados. Por meio do diálogo, o educador extrai as concepções espontâneas dos alunos e, engajado no processo de ensino, ajuda-os a superar os mal entendidos gerados por tais concepções. Nessa perspectiva, é enfatizada a 'importância do papel da interação social para a construção do conhecimento e para a compreensão' (MERCER e LITTLETON, 2007, p.07) dos conteúdos trabalhados em sala de aula.

Nesse sentido, o diálogo pode ser utilizado para conduzir o estudante a uma aprendizagem significativa (AUSUBEL, 1968), o que proporcionaria ao educando diferentes formas de explorar os limites da sua compreensão, já que esse tipo de aprendizagem é não arbitrária e não literal (MOREIRA, 1997).

Ao compreender que o professor exerce um papel importante no processo de ensino e aprendizagem dos alunos, torna-se mister o seu bom preparo para conduzir esse tipo de abordagem epistemológica. Os recursos adotados pelo professor, em sala de aula, assumem um papel importante na aprendizagem escolar. Atividades que despertam o interesse dos alunos podem se tornar materiais potencialmente significativos (MOREIRA, 1997), ao viabilizarem a disposição do aluno em aprender, o que corresponde a uma condição essencial, segundo Ausubel,

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30 de janeiro a 04 de fevereiro de 2011

para a aprendizagem significativa. Assim, o uso de materiais que despertem o interesse dos alunos, torna-se fundamental para a superação do ensino de Física tradicionalmente algébrico, que ainda é adotado atualmente.

Um dos materiais que pode propiciar a aprendizagem significativa é o uso de textos que apresentem a Física como construção do pensamento humano que, ao longo da história, foi evoluindo de acordo com o avanço das técnicas do método científico. O uso desse tipo de texto é defendido por vários pesquisadores da área de ensino, tais como Silva et al (2008), Gatti, Nardi e Dirceu (2010), Praxedes e Peduzzi (2009), Bernardes e Santos (2009), Quintal e Guerra (2009), entre outros. Para Mathews (1994, p.72 apud SILVA et al, 2008, p. 499), a História da Ciência pode:

Humanizar as ciências e aproximá-la mais dos interesses pessoais, éticos, culturais e políticos; tornar as aulas mais estimulantes e reflexivas, incrementando a capacidade do pensamento crítico; contribuir para uma compreensão maior dos conteúdos científicos, [...]; melhorar a formação dos professores contribuindo para o desenvolvimento de uma epistemologia da ciência mais rica e mais autêntica, isto é, a um melhor conhecimento da estrutura de ciência e seu lugar no marco intelectual das coisas.

A abordagem histórico-filosófica da Física pode contribuir para a desmistificação da ciência, que, para muitos, ainda é vista como algo praticado por seres superiores e completamente isolada do contexto social em que está inserido o cientista. Nesse sentido, a presença da história e da filosofia da ciência nas aulas de Física pode ajudar a mudar a percepção pública da ciência, além de contribuir para a formação de cidadãos críticos, que é um aspecto primordial da educação (SILVA et al, 2008).

Para tanto, para que o uso do texto histórico-filosófico produza aprendizagem significativa dos conteúdos abordados, é imprescindível que se estabeleçam diálogos entre professor e alunos e entre os próprios alunos, mediados pelo texto. Esse tipo de material, que aborda a história e filosofia da Física, apresenta grande potencial motivacional e é um bom exemplo de estratégia para introduzir o método dialógico em sala de aula.

Nesse sentido, nossa pesquisa trata, particularmente, da análise do uso desse recurso metodológico alternativo, relacionado ao uso de um texto históricofilosófico em aulas de Física, cujo título é 'Do átomo grego ao átomo de Bohr' (PEDUZZI, 2008). Os resultados apresentados no presente artigo representam as impressões dos alunos sobre a atividade em si, em que cada educando foi convidado a avaliar o método utilizado. Um dos aspectos mais evidentes nas declarações dos aprendizes foi o fator motivacional propiciado pela atividade, que envolveu alunos e professor num diálogo edificante e esclarecedor. As aulas ocorreram no segundo semestre do ano letivo de 2010, tendo como sujeitos da pesquisa, 20 alunos, da 3ª série do ensino médio, do período vespertino, na faixa etária de 16 a 18 anos, de uma Escola Estadual localizada no município de Cunha, no estado de São Paulo.

## A pesquisa

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## O texto

O referido texto foi elaborado pelo professor Dr. Luiz Peduzzi, que atua no departamento de Física da Universidade Federal de Santa Catarina. Utilizamos fragmentos do texto original, que é muito extenso, o que torna inviável sua aplicação completa num único bimestre. Então, selecionamos o conteúdo adequado à realidade dos alunos e o dividimos em cinco partes. Seguimos a orientação dada pelo autor, que sugere a aplicação da atividade na seguinte sequência:

- 1) Do átomo grego ao átomo de Dalton;
- 2) Sobre o atomismo do século dezenove: prelúdio a uma nova física;
- 3) Do empirismo dos espectros aos primeiros modelos atômicos;
- 4) O quantum de radiação;
- 5) O átomo de Bohr (PEDUZZI, Luiz, 2004, p.06)

Na primeira parte, foi feito um levantamento do estudo da estrutura da matéria feito pelas escolas filosóficas gregas. Iniciamos pelos Monistas Thales, Anaximandro, Anaxímenes, Heráclito e Xenófanes, evidenciando que esses filósofos acreditavam que a matéria fosse composta por um único elemento que, por meio de um estranho movimento, se transformava em tudo o que existe.

Na segunda parte, é abordado o rompimento do Monismo por Empédocles, que passa a enunciar a matéria com a mistura dos elementos primordiais dos Monistas, dando início ao pensamento Pluralista. Um pouco mais tarde, Pitágoras introduz a matemática como linguagem que governa os fenômenos naturais. A beleza da simetria dos sólidos regulares chama a atenção dos pitagóricos que, baseados nesse pensamento, formulam a hipótese de a Terra ser esférica. Platão, influenciado pelas ideias de Pitágoras, atribui à forma cúbica a menor partícula do elemento terra; identifica como um icosaedro a menor partícula do elemento água; associa o octaedro ao ar e o tetraedro ao fogo. Não havendo um quinto elemento para estabelecer a sua correspondência com o dodecaedro, Platão vincula este sólido, de alguma maneira, ao Universo (PEDUZZI, Luiz, 2008). Assim, nesse período, em que sólidos regulares foram associados às menores partículas de alguns elementos, ficou evidente que para se compreender profundamente a matéria, seria necessário o estudo de duas partes mais diminutas.

Na terceira parte é feita uma discussão sobre as ideias de Demócrito e Leucipo, que introduziram o conceito de átomo no pensamento filosófico. Nessa parte, o aluno pode perceber que as concepções aristotélicas sobre a matéria, que não admitia a existência do vazio, representaram uma forte barreira a ser transposta pela teoria atômica. Mesmo assim, muitos filósofos passaram a aderir a esse pensamento, que acabou por ser evidenciado mediante o avanço dos estudos da alquimia (PEDUZZI, Luiz, 2008). A partir desses avanços, foram sendo criados os primeiros modelos atômicos (Dalton, Thompson e Rutherford), que são narrados sucintamente no decorrer dos parágrafos do texto.

A quarta parte trata da hipótese do quantum de radiação, feita por Max Planck, ao estudar a radiação do corpo negro. Essa hipótese foi corroborada por Einstein, que recebeu o prêmio Nobel de 1921ao explicar o efeito fotoelétrico, valendo-se do quantum de energia proposto por Planck. Por fim, é enfatizada a

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instabilidade dos modelos atômicos propostos até então, que não respeitavam as leis da Física Clássica.

Por fim, na quinta parte, é apresentado o modelo atômico proposto por Niels Bohr, em que a estabilidade nuclear é explicada por meio dos postulados enunciados pelo cientista. É tratada, especificamente, a quantização das órbitas dos elétrons, da energia permitida por essas entidades e as séries que permitem calcular a frequência da luz emitida pelos elétrons nos saltos quânticos dados entre as órbitas atômicas.

## O problema da pesquisa

Nesta pesquisa analisamos as avaliações escritas dos alunos sobre o uso de um texto histórico-filosófico, intitulado 'Do átomo Grego ao átomo de Bohr' (PEDUZZI, Luiz, 2008), em aulas de Física. Nesse sentido, buscamos avaliar, por meio dessas avaliações, se a utilização do referido texto, mediante uma abordagem dialógica, foi potencialmente significativa para os alunos, propiciando a sua motivação e predisposição em aprender os conteúdos trabalhados no decorrer da atividade.

## Metodologia

Esta pesquisa é de cunho qualitativo, pois 'não busca enumerar e dividir eventos e, geralmente, não emprega instrumental estatístico para análise dos dados' (NEVES,1996, p.01), sendo norteada pela análise dos depoimentos de alunos da escóla média sobre o método adotado em sala de aula pelo professor de Física para conduzir o estudo sobre a natureza da matéria.

Segundo Bogdan e Biklen (1982), a pesquisa qualitativa apresenta algumas características básicas. Isso não quer dizer que todas as investigações qualitativas devam apresentar tais particularidades, pois algumas são desprovidas de uma ou mais características. O importante aqui é definir o quão qualitativa é a pesquisa, visto que 'os estudos que recorrem à observação participante e à entrevista' (p.49) são bons exemplos desse tipo de abordagem.

- A observação do ambiente habitual de ocorrência dos dados, segundo Bogdan e Biklen, garante à investigação qualitativa o caráter descritivo, que permite ao investigador examinar os dados, 'respeitando, tanto quanto possível, a forma em que foram registrados' (BOGDAN, Robert, BIKLEN, Sarin, 1982 p.50), consciente de que toda e qualquer informação é uma pista em potencial para esclarecer o objeto de estudo. Então, na pesquisa qualitativa existe um interesse maior no processo em si do que nos resultados que eventualmente serão obtidos.

Nesse processo, a tendência indutiva de análise do comportamento humano revela o interesse no 'modo como diferentes pessoas dão sentido às suas vidas' (BOGDAN, Robert; BIKLEN, Sari; 1982, p.52). Os autores denominam perspectivas participantes, as questões em que centram os objetos de estudo, fazendo questão de se 'certificarem de que estão aprendendo as diferentes perspectivas adequadamente' (p.53).

Estando por dentro das perspectivas, o investigador consegue analisar o comportamento das pessoas, penetrando no mundo dos sujeitos, acreditando

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sempre que tem à sua disposição múltiplas formas de interpretar as experiências vividas pelos investigados. Para fazer tal interpretação, existe a necessidade de estar ciente das questões teóricas e metodológicas que embasam a análise dos dados.

Independentemente da interpretação feita e da posição que se tome, o pesquisador precisa estar ciente dessas questões, pois é o que garante a credibilidade do seu trabalho. O referencial teórico, então, permite ao pesquisador analisar os aspectos fenomenológicos, característicos desse tipo de pesquisa, e procurar indícios de que 'a experiência humana é mediada pela interação' (BOGDAN, Rpbert; BIKLEN, Sari; 1982, p.55), que constrói os significados e permite desenvolver definições comuns. Essas definições são condizentes com a presente pesquisa que visa verificar a influência da interação social, gerada pelas relações entre alunos e professor, mediadas por um texto histórico-filosófico, na aprendizagem de Física.

## Análise da avaliação dos alunos sobre a atividade

A seguir são apresentadas as opiniões dos alunos sobre a utilização do texto em questão em sala de aula. Foram destacados tanto os pontos positivos como os negativos, relacionados à abordagem feita pelo professor.

FLA : A aula está muito boa e interessante, pois, com o texto e com a leitura compartilhada com o professor, meu entendimento é facilitado.

Fla destacou o quanto a método dialógico facilitou a compreensão dos conteúdos abordados em sala de aula. Esse depoimento corrobora o pensamento de Mathews, quando afirma que o uso da história da ciência no ensino pode 'contribuir para uma compreensão maior dos conteúdos científicos' (1994, p.72 apud SILVA et al, 2008, p. 499).

GRA : Estou achando muito interessante, pois estamos descobrindo muitas coisas novas e 'difíceis de acreditar'. No entanto, é legal poder dar opiniões, entendê-las e também tentar explicá-las, pois a física está ligada à filosofia, à matemática e à química, o que as vezes complica um pouco. Também, a cada aula temos um novo aprendizado, o que é legal.

Podemos perceber que a ideia de matéria da aluna chocou-se com os novos conhecimentos, que se mostraram surpreendentes. Gra valorizou o fato de poder participar da aula para compreender melhor a Física. A aluna também percebeu a ligação entre as ciências naturais, matemática e filosofia, que muitas vezes passa despercebida pelos alunos. A motivação da educanda é evidente no depoimento, já que a cada aula o professor trabalhou um tema diferente, que viabilizaram a predisposição dos alunos ao aprendizado.

JAN : Eu acho que as aulas estão melhores porque, além de nos explicar a matéria, o professor nos convida para participar, com perguntas. Nos outros anos, os professores apenas passavam matérias na lousa.

JUL : As aulas estão sendo muito melhores, comparadas com as outras aulas. Estamos entendendo melhor com os textos, bem melhor do que aquele monte de contas e números, que não entendíamos nada.

As alunas Jan e Jul compararam o método dialógico, mediado pelo uso do texto em sala de aula, com o método tradicional de ensino, amplamente criticado por

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vários pesquisadores da área da educação, como Araujo e Abib (2003), Medeiros e Medeiros (2002), Villani (1984), Rezende e Ostermann (2005), entre outros.

BRE : Eu acho que este método de aula é bem melhor do que antes, pois, agora, a sala interage mais, o que facilita o entendimento. Quando a sala interage mais, o rendimento é maior.

A aluna Bre destacou que a interação entre professor e alunos e entre os alunos, facilita a compreensão dos conteúdos de Física. A fala dessa aluna está de acordo com as ideias de Mercer e Littleton, quando afirmam que o 'diálogo colaborativo não é apenas um estimulante para o pensamento individual, mas, ele próprio, pode ser considerado uma forma social de se pensar' (2007, p.26).

ELI : Eu acho que as aulas estão sendo muito próximas do 'perfeito', pois acredito que aqui na escola não se tenha um professor que aproveite desde o começo até o fim das aulas para ensinar, acho que são as primeiras aulas que tive com mais aproveitamento.

A aluna Eli demonstrou sua satisfação em perceber o empenho do professor ao ensinar aos alunos. Esse aspecto é importante, pois o fato de o educador desprender certo tempo para planejar a aula, preparar o texto, a apresentação em slides , etc., foi notado pela aluna, o que pode tê-la motivado para a aprendizagem, por se sentir importante perante o professor.

JON : Eu acho melhor ter aulas assim, mesmo achando que muda de foco a todo momento.

A colocação do aluno Jon evidencia que, provavelmente, em algum momento, o professor não tenha conduzido o diálogo de maneira objetiva, permitindo o desvio do assunto principal da aula.

FAB : Antes copiava várias matérias e fazia muitas coisas. Agora, participamos da aula, de maneira diferente. Também descobri coisas que ainda não sabia. Coisas que nem imaginava que existem. Muitos filósofos explicavam fenômenos que aconteceram no passado! Está sendo muito legal.

Novamente, no comentário da aluna Fab, percebemos a sua preferência pelo método dialógico, em relação ao método tradicional de ensino. A participação dos alunos acaba por promover o interesse pelo assunto. É possível notar que, em aulas tradicionais, os educandos copiam a matéria mecanicamente e, muitas vezes, sequer tomam conhecimento do assunto da aula. Essa evidência pôde ser notada em diversos depoimentos desta análise.

JOS : Eu gostei mais desse novo processo de aula, porque há um tempo maior para estudar. A apresentação de figuras no telão ajuda a compreender o conteúdo. Ao ler os textos distribuídos pelo professor e comparando com as imagens, entendo bem melhor que no método que estava acostumado. Achei que estamos nos globalizando em sala de aula. Achei excelente.

PAT : Eu acho que a aula com os textos ajuda na compreensão, porque nós vamos lendo o texto e o professor vai mostrando as figuras e as explicações no projetor. É melhor do que ficar copiando toda a matéria.

DAN : Eu estou achando a aula explicativa e mais interessante, porque podemos fazer bastantes perguntas. A explicação pelo notebook ajuda a visualizar como os filósofos de antigamente pensavam e agiam. Então, esse ano, as aulas de Física estão sendo melhores.

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FAI : Eu gostei mais da aula quando começamos a estudar com o projetor, porque ficou mais fácil de aprender. É bem melhor do que antes.

Os alunos Jos, Pat, Dan e Fai relataram que o texto auxilia na compreensão do assunto abordado. Os seus comentários mostraram ainda que, a apresentação de slides para ilustrar os conteúdos do texto também favoreceu a motivação e o entendimento dos conceitos físicos apresentados. Segundo Pires e Veit, a 'inserção de Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) no ensino de Física visa ampliar a interação entre estudante-conhecimento-professor, utilizando recursos de tecnologias de informação' (2009, p. 242). As TICs, segundo as autoras, visam à ampliação e a motivação do aprendizado de física no ensino básico. Dessa forma, associadas ao uso de textos histórico-filosóficos, as ferramentas tecnológicas podem representar importantes instrumentos motivacionais.

DNI : Na minha opinião, esse modo de aula está sendo melhor. Eu entendo o que o professor explica e, com os textos prontos, fica bem melhor para estudar para as provas. Já antes, o professor não explicava muito bem, mas ele era um bom professor.

SAM : Eu acho essa que essa aula é muito melhor do que as que estamos acostumados. Com os textos, fica mais fácil a compreensão. Comprando com o ano passado, com o outro professor, esse método é bem melhor.

No depoimento das alunas Dni e Sam, podemos identificar que a abordagem dialógica, mediada pelo uso do texto, facilitou a compreensão dessas alunas. Elas demonstraram que essa abordagem, comparada à utilizada pelo antigo professor, favoreceu o entendimento dos conteúdos trabalhados. Isso pode indicar que a antiga abordagem não foi significativa para as alunas.

DAS : Eu gostei da aula. Acho uma aula interessante, comparando com as aulas anteriores. Agora todo mundo pode tirar suas dúvidas.

O aluno Das evidenciou sua preferência pelo método dialógico, ao comparálo com o modelo de transmissão-recepção de ensino, normalmente adotado pelos professores. O fato de o aluno afirmar que 'agora todo mundo pode tirar suas dúvidas' mostra que esse modelo inibe os questionamentos dos aprendizes. Eles se sentem envergonhados em perguntar ao professor, pois o erro costuma ser tratado de forma negativa nesse modelo.

MIR : As aulas estão muito boas. Estou achando muito interessante. O que estou aprendendo é bem legal. Não sabia muito sobre as coisas, mas, agora, já entendo bem.

Esse depoimento da aluna Mir evidencia que o método utilizado pelo professor contribui para a compreensão dos conteúdos, o que é um indício de que o uso do texto em questão, mediante uma abordagem dialógica, motivou a aluna, o que pode promover uma aprendizagem significativa.

ELF : Na minha opinião esse modo de aula está bom, pois entendo a explicação do professor, tendo, ainda, o texto para nossa orientação. Eu pensava que a matéria fosse tudo o que podemos tocar, mas, hoje, entendi que a matéria é um átomo e o átomo que os filósofos estudavam formou a tabela periódica.

A declaração da aluna Elf mostra que o método adotado propiciou a articulação entre os seus conhecimentos prévios e os novos. No entanto, ela

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demonstrou não ter compreendido que a matéria que podemos tocar é composta por átomos.

GAB : A aula se relaciona com a matéria e é bastante discutida em sala. É muito diferente do que eram as aulas antes, mas a matéria é muito mais confusa.

Em seu depoimento, o aluno Gab destacou as discussões que ocorreram em sala de aula, mediadas pelo texto. Esse aluno demonstrou dificuldades no aprendizado, ao evidenciar que as aulas são confusas. Talvez o aluno não tenha conseguido acompanhar a sequencia do raciocínio sugerida pelo professor, acarretando o défcit da aprendizagem.

ANC : A aula estão sendo boas. Está dando para entender o assunto proposto. Algumas palavras não tem fácil entendimento.

- O depoimento de Anc indica que o método adotado lhe agradou e que conseguiu compreender o assunto abordado nas aulas. No entanto, a aluna destacou que sentiu dificuldades em compreender algumas palavras presentes em cada parte do texto, o que evidencia uma linguagem que pode não estar de acordo com o nível de compreensão e aprofundamento gramatical dessa aluna. Isso mostra que o professor deve ficar atento a essa questão para que o material seja potencialmente significativo e, para isso, ele deve apresentar uma linguagem compatível com a realidade dos alunos.

FAC : A aula está sendo boa porque eu nunca vi nada do que o professor fala, mas entendo um pouco, o suficiente para entender o que é um átomo, o que é a matéria.

Na colocação do aluno Fac houve evidências de que o método dialógico, adotado pelo professor, lhe agradou, tendo compreendido alguns conceitos.

## Considerações finais

Analisando-se as avaliações dos alunos foi possível verificar que o uso do texto em questão, aliado à postura dialógica adotada pelo professor, motivou os alunos para o estudo da Física, o que indica que a atividade foi potencialmente significativa para os alunos. Alguns aprendizes compararam o método adotado pelo professor com o método tradicional de ensino, evidenciando a preferência pelo primeiro método.

É importante destacar a importância da postura do professor no sentido de promover a abordagem dialógica, uma vez que, somente a leitura do texto poderia não ter despertado a motivação e o interesse observados nas avaliações. Cabe a ele propiciar a interação, abrindo espaço para que os alunos exponham as suas ideias e viabilizando discussões e reflexões acerca dos assuntos abordados, o que pode predispor os alunos a aprenderem.

Entretanto, se os texto não fosse potencialmente significativo (MOREIRA, 1997), talvez os resultados não teriam sido os mesmos. Textos com essa característica e com a linguagem adequada à realidade dos alunos despertam o interesse para o aprendizado.

Além da motivação à aprendizagem evidenciada pelas avaliações dos alunos, a abordagem dialógica, mediada pelo uso do texto histórico-filosófico, pode

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ter tornado o conteúdo abordado significativo, pois os alunos relacionaram o tema ao cotidiano, percebendo que a evolução da ciência, enunciada nos acontecimentos históricos, acarretou mudanças nos padrões de toda a sociedade.

No entanto, alguns aspectos negativos foram notados, visto que em uma das avaliações o aluno destacou a falta de foco nas discussões estabelecidas em sala de aula. Isso pode ter ocorrido em decorrência de uma possível falha do professor ao conduzir o diálogo para o tema central do texto proposto. Numa outra avaliação, a aluna apresentou divergências em sua opinião sobre o que é a matéria. Mesmo sabendo que as substâncias são compostas por átomos, aparentemente a aluna não associou o átomo à matéria. Isso aponta para uma possível falha na condução do diálogo estabelecido pelo professor, em que a evidência de que a matéria é constituída por átomos pode não ter ficado clara para todos os alunos. Embora sejam fatos isolados, são apontamentos que permitem a adoção de medidas que visam erradicar esse tipo de falha, além de mostrar que o professor deve estar sempre atento à postura que adota em sala de aula.

Assim, podemos considerar que a abordagem dialógica estabelecida pelo professor, mediante o uso de textos histórico-filosófico, pode representar um caminho para promover a aprendizagem significativa dos conteúdos de Física. Além disso, pode contribuir para desmistificar essa ciência natural, que é vista como um conhecimento inalcançável pela maioria dos alunos.

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