Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

A HISTÓRIA DA CIÊNCIA NA COMPOSIÇÃO DE SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS: POSSIBILIDADES TRABALHADAS EM UM CURSO DE LICENCIATURA EM FÍSICA

Winston Gomes Schmiedecke, Michel Pereira Campos Silva, Wagner Moreira Silva

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XIX
Ano
2011
Data
01/02/2011
Linha de pesquisa
Filosofia, História E Sociologia Da Ciência E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2011

Texto completo

## A HISTÓRIA DA CIÊNCIA NA COMPOSIÇÃO DE SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS: POSSIBILIDADES TRABALHADAS EM UM CURSO DE LICENCIATURA EM FÍSICA

## Winston Gomes Schmiedecke 1

1 IFSP - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo/Departamento de Física, wschmiedecke@yahoo.com

## Michel Pereira Campos Silva 2

2 IFSP - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo/Licenciando em Física, silva-michel@hotmail.com

## Wagner Moreira Silva 3

3 IFSP - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo/Licenciando em Física, falecueu@gmail.com

## Resumo

Este trabalho avalia a influência dos conceitos e elementos relacionados à historiografia da ciência, apresentados e desenvolvidos ao longo de um semestre da disciplina de 'Ciência, História e Cultura' da Licenciatura em Física do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), no conteúdo e na qualidade das sequências didáticas produzidas pelos licienciandos. O objetivo é mostrar que os alunos das licenciaturas em física, tradicionalmente avessos às disciplinas isentas de práticas e conteúdos permeados pelo uso de raciocínio lógico-matemático, também podem incorporar à prática docente que estão constituindo conhecimentos e procedimentos propostos por uma disciplina voltada à leitura e análise de materiais didáticos, artigos científicos e projetos de ensino que propõe uma atividade docente em física articulada à uma dimensão cultural mais ampla, permitindo aos futuros professores dessa área a promoção de múltiplas relações entre a implicação e a determinação social do conhecimento científico e seus produtos tecnológicos, bem como a habilitá-los à realização trabalhos interdisciplinares de forma mais natural e efetiva.

Palavras-chave : História da Ciência, Sequências Didáticas, Licenciatura em Física

## Introdução

São diversas as indicações do uso da História da Ciência no Ensino como elemento agregador de valores e significados à prática docente.

As competências gerais do principal documento de referência na área de Ensino em termos nacionais, os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM), destacam a importância do aluno:

Compreender o conhecimento científico e o tecnológico como resultados de uma construção humana, inseridos em um processo histórico e social.

Consultando os 'PCN+' (Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares), o quadro que detalha e exemplifica o sentido em Física de cada competência indica ser fundamental para o aluno:

Compreender a construção do conhecimento físico como um processo histórico, em estreita relação com as condições sociais, políticas e

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

econômicas de uma determinada época. Compreender, por exemplo, a transformação da visão de mundo geocêntrica para a heliocêntrica, relacionando-a às transformações sociais que lhe são contemporâneas, identificando as resistências, dificuldades e repercussões que acompanharam essa mudança (...) Compreender o desenvolvimento histórico dos modelos físicos para dimensionar corretamente os modelos atuais, sem dogmatismo ou certezas definitivas.

Ainda que encontre respaldo junto a diversos pesquisadores de História, Filosofia e do Ensino de Ciências (Carvalho e Vannuchi, 1996; Gil-Pérez, 1993; Kawamura e Housome, 2003; Matthews, 1995; Martins, 2006; Menezes, 2000), as dificuldades de desenvolver um trabalho consistente nessa seara não são poucas.

Martins (2007) relaciona os principais obstáculos que se interpõe à incorporação em sala de aula de práticas pedagógicas verdadeiramente suportadas por conteúdos e práticas da História e Filosofia da Ciência (HFC):

- · Pouca disponibilidade de material didático de qualidade, ainda que nos últimos anos a tendência tenha sido de significativo aumento da oferta;
- · Demasiada preocupação das escolas em preparar seus alunos parar as provas de vestibular, onde conteúdos de HFC são ausentes;
- · Dificuldade e resistência do aluno do Ensino Médio em perceber a relevância da HFC em seu aprendizado, reforçada pelo descarte deliberado desse corpo de conhecimentos nas provas de vestibular;
- · Relutância dos docentes de física em perceberem que o fracasso de iniciativas do uso da HFC em sala de aula também está relacionada com os próprios professores e não somente a questões externas (livro, vestibulares, alunos, etc.);
- · Disciplinas que trabalham HFC nos cursos de formação de professores sem efetividade, considerando-se que os licenciandos raramente incorporam as ações desenvolvidas nesses cursos em suas práticas pedagógicas.

Encontrar soluções que contemplem de uma só vez a todos esses problemas seria uma tarefa hercúlea e, provavelmente, vã. Contudo, pretendemos oferecer alternativas para a melhoria da falta de efetividade destacada no último item, apresentando o resultado das ações propostas ao longo de uma disciplina oferecida no sexto semestre da licenciatura em física do IFSP.

## Descrição do Trabalho Desenvolvido

O IFSP é uma instituição de ensino técnico e tecnológico que ao longo da última década passou a oferecer, também, cursos de licenciatura. Está instalado no bairro do Canindé, zona norte de São Paulo, onde originalmente funcionava a Escola Técnica Federal de São Paulo, reconhecido centro formador de técnicos em Mecânica, Eletrônica e Informática nas décadas de 1970 e 1980. Seu 'vestibulinho' sempre foi um dos mais concorridos da cidade de São Paulo.

No final dos anos de 1990, o governo federal modificou sua 'razão social' para Centro Federal de Educação Tecnológica de São Paulo (Cefet-SP), momento

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

em que surgiram os cursos de tecnologia, ou seja, cursos superiores de curta duração.

Sem ter tempo de se estabelecer, de fato, como instituição de nível superior, recebeu a atribuição de trabalhar com licenciaturas diversas. Destacamos essa sequência de mudanças, pouco planejadas, como o principal motivo de ter tornado o hoje IFSP um ilustre desconhecido do público geral, que, na melhor das hipóteses, é capaz de associá-lo às suas origens, ou seja, identifica-o como uma instituição de ensino exclusivamente técnico. Tal fato reflete-se na baixa procura de seu vestibular e, em especial, na falta de pré-requisitos dos alunos ingressantes, que, raramente, encaram o IFSP como sua 1a ou 2a opção.

Contudo, os alunos que conseguem 'sobreviver' aos semestres iniciais do curso de física tem, em geral, interesse em trabalhar como docentes da rede pública de ensino, a despeito da baixa remuneração e das precárias condições oferecidas nas esferas estadual e municipal.

Levando-se em conta que o material adotado pelo Governo do Estado de São Paulo são os chamados 'Cadernos' - material seriado onde a abordagem de elementos de HFC é rasa, para se dizer o mínimo -, não é de se estranhar o baixo nível de interesse dos alunos nas disciplinas, por eles denominadas, de 'educação', termo associado às disciplinas desprovidas de matematização e, aparentemente, deslocadas do trabalho que deverão desenvolver após formados.

- E é exatamente uma dessas disciplinas, denominada Ciência, História e Cultura (CHC) o foco de atenção do presente trabalho, cujos objetivos gerais descritos em sua ementa original são parcialmente reproduzidos a seguir:
- O entendimento da natureza histórica, social e cultural do conhecimento científico é, ao mesmo tempo, um objetivo e um dos maiores desafios da educação para a ciência. Assim, este espaço curricular aborda não apenas elementos da historiografia da ciência, mas problematiza o seu papel no ensino e na divulgação científica. São estudados materiais didáticos, produção acadêmica e projetos de ensino que incorporam e propõem o ensino da física articulado à dimensão cultural da ciência e as relações múltiplas entre a implicação e a determinação social do conhecimento científico e seus produtos tecnológicos. Aos alunos, são propostas atividades de estudo visando à incorporação da pesquisa em ensino da física à pratica de sala de aula. 1
- O docente responsável por ministrar esse curso no 1 semestre de 2010 não o teve a liberdade de fazer alterações na ementa, fato que, por si, não teve influência na qualidade do trabalho desenvolvido, pois a grande abrangência do texto proporcionou-lhe autonomia suficiente para enfatizar os aspectos voltados à aplicação da História da Ciência no Ensino de Física. Cabe aqui salientar que o docente em referência é, além de bacharel e licenciado em Física, mestre em História da Ciência, tendo trabalhado nas últimas duas décadas, predominantemente, no Ensino Médio.
- O plano de curso original da disciplina estava mais voltado ao trabalho biográfico e 'enciclopédico', especialmente preocupado em oferecer aos licenciandos uma abordagem histórica focada na mera apresentação de nomes, fatos e datas, apoiada em referências biográficas incapazes de propor e sustentar

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

discussões a respeito do contexto histórico-social de uma determinada descoberta, dos debates travados em torno das principais teorias conhecidas, da importância dos erros em ciência e dos 'perdedores' de cada contenda, bem como não oferecia aos alunos um número satisfatório de artigos abordando a historiografia da história da ciência e trabalhos atuais descrevendo iniciativas direcionadas ao seu uso em sala de aula.

- O primeiro trabalho foi o de atualizar as referências bibliográficas da disciplina, priorizando discussões acerca da natureza da ciência em momentos pontuais da história, sempre que possível complementadas por vídeos.

Por exemplo, ao invés de utilizarmos Chassot (1994), optamos por Martins (1996) e seus diversos artigos dando ênfase aos aspectos da História da Ciência que não podem ser negligenciados no Ensino de Ciências (Martins, 2000; 2001; 2006a; 2006b) e iniciamos o curso apresentando a entrevista do físico Marcelo Gleiser no programa 'Roda Viva' da TV Cultura, de 1999, onde o professor Roberto de Andrade Martins era um dos debatedores.

Momentos da história geralmente desprezados ou tratados com superficialidade nos livros didáticos e assuntos aparentemente distantes do trabalho em ciência também ocuparam seu espaço no curso, tais como: discussões sobre a ciência feita pelos árabes, o pensamento medieval, gênero em ciência, além de interfaces entre arte e ciência e o trabalho pioneiro dos sanitaristas no Brasil.

A metodologia norteadora do trabalho centrava-se na leitura dos textos planejados para cada grupo de aulas, que deveria ser feita pelos alunos preferencialmente antes das aulas. Na tentativa de garantir que todo aluno viesse para as aulas com a leitura do respectivo texto efetivamente feita, sínteses e questões deveriam ser entregues pelos alunos no início das aulas, questões essas destinadas à orientação e ao enriquecimento das discussões dos textos. Os vídeos receberam idêntico tratamento. Também foram convidados professores mestres e doutores para darem suas colaborações em momentos pontuais do curso.

Foi, ainda, solicitado que os alunos pesquisassem junto aos PCNs quais orientações especificamente se referem ao uso da História da Ciência no Ensino.

Como forma de avaliação, considerou-se:

- · as sínteses dos textos e vídeos e a apresentação dos resultados da pesquisa mencionada no parágrafo anterior;
- · os seminários apresentados pelos alunos, em dupla, criticando artigos publicados na Revista Brasileira de Ensino de Física (RBEF) e no Caderno Brasileiro de Ensino de Física (CBEF) nos últimos 20 anos;
- · as sequências didáticas produzidas e apresentadas individualmente pelos alunos, contemplando não somente, mas também, aplicações da História da Ciência no Ensino de Física. Toda apresentação seguiu os moldes de uma seção plenária de um congresso, seguida sempre pela sabatina dos colegas ao trabalho exposto.

Importante aqui destacar que o plano de curso original previa a aplicação de uma prova final dissertativa englobando todo conteúdo programado, prova esta que foi substituída pela proposição da sequência didática após os alunos questionarem a validade de uma prova dissertativa em um curso todo pautado na leitura textos e em

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

discussões em grupo. Duas dessas sequências serão apresentas e comentadas a seguir.

## Resultados Obtidos

No 1 semestre de 2010 da disciplina de CHC, pertencente à grade o curricular do 6 semestre da licenciatura em Física, 11 alunos iniciaram o curso e 10 o deles conseguiram concluí-lo. Esses 10 alunos produziram as sequências didáticas solicitadas, sendo que dois desses alunos autorizaram a transcrição e a análise dos seus produtos finais nesse trabalho.

Nos quadros apresentados a seguir, eles são identificados simplesmente por 'Aluno A' e 'Aluno B' e, visando-se registrar com fidelidade os documentos produzidos, foram mantidas as diagramações e redações originais da data de apresentação - junho de 2010 - dos respectivos trabalhos, posteriormente ajustados pelas críticas, comentários e sugestões dos demais alunos da turma.

## Quadro 01: Sequência didática produzida pelo Aluno A

## Objetivo

Proporcionar o estudo das leis do movimento para os planetas (basicamente das Leis de Kepler e da Gravitação Universal) a partir de uma abordagem histórica do desenvolvimento destas leis.

## Métodos de Abordagem

- · Uso de documentários em DVD.
- · Uso de documentário produzido por canais de TV postados no Youtube.
- · Acesso a artigos científicos na íntegra ou adaptados pelo professor.
- · Pesquisa em livros paradidáticos.
- · Interação como sites de agências de desenvolvimento científico / tecnológico.
- · Estudo das teorias a partir da observação de fenômenos (sejam simulados ou naturais).
- · Encenação teatral do julgamento de Galileu.

## Material Utilizado

## Documentários:

- · Dias Que Abalaram o Mundo 2: DVD 4, Gagarin: o Primeiro Homem no Espaço. Coleção produzida pela Lion TV para a BBC e The History Channel.
- · Dias Que Abalaram o Mundo 2: DVD 4, O Julgamento de Galileu. Coleção produzida pela Lion TV para a BBC e The History Channel.
- · Espaçonave Terra.

## Artigos Científicos:

- · A Crônica da Gravitação Parte I: Das Primeiras Civilizações à Grécia Antiga De José Maria Filardo Bassalo, UFPA. Extraído de Cad. Cat. Ens. Fís., Florianópolis, 7 (Número Especial): 70-81, jun. 1990.
- · A Crônica da Gravitação Parte II: Da Grécia Antiga à Idade Média De José Maria Filardo Bassalo, UFPA. Extraído de Cad. Cat. Ens. Fís., Florianópolis, 7, Vol. 3, 1990.
- · Bacia de Kepler: Simulação do Movimento dos Planetas De Paulo Miranda e Klaus Weltner, da UFBA. Extraído de Revista Brasileira de Ensino de Física, vol. 19, nº. 2, junho, 1997.
- · Tycho Brahe e Kepler na Escola: uma contribuição à inserção de dois artigos em sala de aula Gilmar Praxedes¹ e Luiz O.Q. Peduzzi² - UEMS¹ e UFSC². Extraído de Revista Brasileira de Ensino de Física, vol. 31, nº. 3, 3601, 2009.

## Livros Paradidáticos:

- · Física em 12 Lições: Fáceis e Não Tão Fáceis - Capitulo 3: A relação da física com outras ciências; Astronomia De Richard Feynman.
- · Física em 12 Lições: Fáceis e Não Tão Fáceis - Capitulo 5: A teoria da Gravitação De Richard Feynman.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

- · Notas de aula de gravitação para 1995: Prof. João Zanetic - IFUSP.

## Páginas de Internet:

- · Acesso à página do professor: www.ensinandofisica.freetzi.com/fisica/gravitacao
- · Acesso à página do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) para acesso o link da página interativa de satélites e subsistemas.
- · Acesso à página do IAG-USP (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo).
- · Acesso à página do ON (Observatório Nacional).

## Cronograma:

Tendo em vista a utilização de duas aulas de física por semana, todo o conteúdo deve ser visto em um semestre letivo, ocupando assim dois bimestres. Será um total de vinte e dois encontros, sendo um encontro por semana.

Os encontros ficam assim escalonados:

- · Documentário, 1 aula para exibição e 1 aula para discussão e retorno ao vídeo se necessário, divisão de grupos para encenação de peça teatral sobre o julgamento. 02 aulas
- · Leitura do capítulo 3 do livro de Feynman, 1 aula e uma aula para discussão e relacionar a física com o vídeo / documentário anterior. 02 aulas
- · Leitura na íntegra dos artigos do professor Bassalo. 04 aulas
- · Discussão dos dois artigos com o professor e divisão para grupos de seminário. 02 aulas
- · Apresentação dos conteúdos relativos às leis de Kepler e proposição de exercícios. 02
- · Resolução de exercícios propostos em sala e discussão das resoluções. 02 aulas
- · Apresentação da encenação sobre o julgamento de Galileu. 02 aulas
- · Acesso a página do professor (usando o laboratório da escola) para a resolução de possíveis dúvidas sobre a primeira parte da teoria. 02 aulas
- · Leitura e discussão do capítulo 5 do livro de Feynman sobre a teoria da gravitação (leitura e discussão direcionada pelo professor). 04 aulas
- · Levantamento de questões pelos alunos referentes aos artigos e a capítulos do livro de Feynman. 04 aulas
- · Acesso a página do INPE para interação dos alunos com o ambiente de tecnologia dos satélites e seus subsistemas (aplicação tecnológica da física). 02 aulas
- · Retorno à página do INPE para a resolução das dúvidas e questões levantadas pelos alunos. 02 aulas
- · Acesso ao site Youtube para que os alunos busquem o link da série Espaçonave Terra, (de preferência os direcionados pelo professor sobre as fases da Lua, estações do ano e das forças de maré). 02 aulas
- · Proposta para os alunos de formulações de questões para uma possível entrevista com um cientista que trabalhe com o assunto das aulas. 02 aulas
- · Construção de aparato experimental - A Bacia de Kepler. 02 aulas
- · Apresentação de seminários. 04 aulas

## Avaliações:

Serão sete atividades para nota durante o semestre letivo, três atividades no 1º bimestre e quatro no 2º bimestre. Para a composição da nota teremos um fator de peso para cada nota a fim de alcançar uma nota bimestral.

As atividades determinadas para a atribuição de notas pelo professor são:

- · Resolução de exercícios propostos em sala e discussão das resoluções. 02 pontos - 1º

## aulas

bim.

- · Apresentação da encenação sobre o julgamento de Galileu. 05 pontos - 1º bim.
- · Levantamento de questões pelos alunos referentes aos artigos e a capítulos do livro de Feynman 03 pontos - 1º bim.
- · Retorno à página do INPE para a resolução das dúvidas e questões levantadas pelos

alunos.

## 03 pontos - 2º bim.

- · Proposta para os alunos de formulações de questões para uma possível entrevista a um cientista que trabalhe com o assunto das aulas. 02 pontos - 2º bim.
- · Construção de aparato experimental - A Bacia de Kepler. 02 pontos - 2º bim.
- · Apresentação de seminários. 03 pontos - 2º bim.

Caso sejam necessários acertos no calendário, existem 4 'aulas coringas' para este caso.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

## Quadro 02: Seqüência didática produzida pelo Aluno B

Objetivos: Analisar as teorias sobre calor e temperatura desenvolvidas no final do século XVIII, flogisto, calórico e as interpretações de Joseph Black e Georg Stahl; explorar as diversas possibilidades que um olhar histórico contextualizado pode produzir; identificar no cotidiano a presença do calor, classificando como se dá seu processo de produção, as medidas e o controle da temperatura. Explorar as fontes de calor utilizadas durante o período pré-industrial, o advento das máquinas a vapor e o maquinário desenvolvido por James Watt, bem como a utilização dos diversos combustíveis da época; apresentar a abordagem atual sobre calor específico e energia térmica nos diversos sólidos e líquidos.

## Métodos de Abordagem

- · Contextualização histórica através de fotografias, imagens e quadros ilustrativos do final do século XVIII;
- · Análise e reflexão de artigos adaptados sobre História da Ciência;
- · Pesquisa através de sites científicos e consultas bibliográficas;
- · Interpretação de letras de musica que remetam a revolução industrial;
- · Desenvolvimento de experimentos que envolvam termodinâmica.

## Material Utilizado

Artigos Científicos e textos Adaptados:

- · O cuidado com trabalho historiográfico
- -Artigo: Como não escrever sobre a História da Física: Um manifesto historiográfico (Martins, 2001)
- · Neutralidade Científica
- - Artigo: Neutralidade da ciência e determinismo tecnológico (Dagnino, 2002)
- · O pragmatismo da Física
- - Artigo: A Filosofia Mística e a Doutrina Newtoniana (Forato, 2008)
- · As histórias Whig
- - Livro: A interpretação Whig da História (Butterfield, 1931, p. 91-93)
- · O anacronismo
- - Livro: Escrevendo a História da Ciência (Goldfarb, 2002, p. 50-66)

## Páginas de Internet:

http://www.feiradeciencias.com.br - Experimento sobre barco a vapor

http://www.cdcc.sc.usp.br/cav/fisica.htm - Página com indicações de filmes abordando conceitos físicos, tais como: Baixas Temperaturas, Calor, Temperatura e Propriedades da Matéria (Série Universo Mecânico)

http://www.cbpf.br/ - Página do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF)

## Cronograma:

A sequência didática é prevista para ser desenvolvida em 8 aulas, equivalente a um bimestre. Segue distribuição das aulas:

ETAPA 1 - O que é o fogo, o final do século XVIII, flogisto, calórico e as interpretações de Joseph Black e Georg Stahl.

## AULA 1

- 1. O professor deverá preparar previamente diversas imagens que caracterizem o período de 1760 a 1830, época de importantes transformações sociais na Inglaterra. A comparação dos sistemas pré-industriais com o atual, a produção de mercadorias e relações do trabalho.
- 2. De posse das imagens, os alunos deverão indicar palavras que justifiquem a leitura das imagens. O professor registra essas palavras no quadro contextualizando a época com alguns fatos históricos.
- 3. Caracterizada a contextualização histórica, o professor utiliza um isqueiro para apresentar a problemática da etapa 1, fazendo um link entre as motivações para industrialização e a justificativa do conceito sobre o fogo no final do século XVIII.

## AULA 2

- 1. Dividem-se os alunos em grupos para distribuição da transposição didática do texto 'FLOGISTO, CALÓRICO & ÉTER' (Brito, 2008). Cada grupo deverá responder às perguntas: O que é o fogo? Como ele se mantém? O que produz o fogo?
- 2. Abrem-se as discussões das teorias desenvolvidas por cada grupo para a justificativa

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

das respostas às questões. Na sequência, o professor estabelece os critérios norteadores da apresentação da proposta de seminário para conclusão da etapa 1, uma pesquisa sobre escalas termométricas e medidores de temperatura.

## AULA 3

- 1. Solicitar aos alunos uma pesquisa sobre quem foi Joseph Black, qual era sua forma de trabalho em 1760, como era sua interpretação de calor latente e qual a diferença entre calor e temperatura.
- 2. De posse da pesquisa sobre calor e temperatura, os alunos podem ser levados até a cozinha da escola e realizar atividades que envolvam produção, troca e efeitos da troca de calor, de modo que passem a prestar atenção nesses processos vividos cotidianamente sem relacioná-los com a física térmica na maioria das vezes.

## AULA 4

- 1. Efetuar a discussão sobre o que ocorre quando um corpo se aquece, o que muda dentro dele segundo a teoria calórica e a teoria cinética. O que é energia térmica e energia interna? O que é o calor?
- AVALIAÇÃO DA ETAPA 1: Pesquisa geral sobre escalas termométricas e medidores de temperatura. Cada grupo providenciará a elaboração de um exercício que envolva mensuração de temperatura. A apresentação será em formato seminário.

ETAPA 2: Fontes e trocas de calor, maquinário desenvolvido por James Watt, bem como a utilização dos diversos combustíveis do final do século XVIII

## AULA 5

- 1. Propor para os alunos uma reflexão sobre a música: 'A cidade' - do grupo Nação
- Zumbi. Escrever a letra na lousa
- 2. Distribuir o texto sobre 'Bombeamento a Vapor' para discussão em sala

## AULA 6

- 1. O professor deve contextualizar o conceito de trabalho numa transformação gasosa (vide Fisica 2 - Calçada, Sampaio)

## AULA 7

- 1. Experimento Barquinho Pop-Pop
- 2. O roteiro para o experimento deve ser entregue aos alunos previamente de modo que todos possam observar um único barquinho em funcionamento na sala de aula, ou, ainda, para que tentem efetuar a experiência em casa previamente à investigação a ser efetuada em sala de aula.
- 3. Ao término do experimento o professor deve solicitar a pesquisa sobre a máquina a vapor desenvolvida por James Watt, que deverá ser entregue junto com o relatório sobre o barco a vapor (Considerar as informações analisadas em aula anterior sobre o bombeamento a vapor).

## AULA 8

- 1. Fechamento da sequência didática, discussão sobre relatórios

AVALIAÇÃO DA ETAPA 2: Cada grupo deverá entregar relatório contendo pesquisa sobre a máquina a vapor de Watt e questionário respondido conforme roteiro .

Uma leitura mais atenta dessas tabelas revela a tentativa de se integrar, em uma mesma proposta pedagógica, estratégias e recursos diversificados em ambos os trabalhos, que, por sua vez, não abrem mão da experimentação, uma característica marcante do curso de licenciatura em física do IFSP.

Contudo, a utilização de artigos científicos e documentários em vídeo presente na proposta do Aluno A e a manifesta intenção de discutir a importância dos modelos históricos, hoje superados, mas que em certa época foram utilizados como formas de se explicar a ocorrência de um fenômeno físico, descrita na proposta do Aluno B, apresentam-se como tentativas de apropriação dos critérios trabalhados ao longo do curso de CHC com vistas ao uso contextualizado da História da Ciência em cursos de Ensino Médio.

Levando-se em consideração que as tabelas representam o produto final de cada aluno obtido somente após suas respectivas apresentações perante todos os demais alunos da disciplina - que teceram suas críticas quanto à forma e ao conteúdo das mesmas, sugeriram alterações e ajustes e igualmente submeteram seus trabalhos ao crivo dos outros colegas -, torna-se plausível a crença na

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

efetividade das ações planejadas e executadas no curso em referência como possibilidades concretas de se incorporar o uso da História da Ciência à prática dos novos docentes.

## Conclusões

Os obstáculos à incorporação da História da Ciência ao trabalho docente são conhecidos há tempos, principalmente em nível de Educação Básica.

Destacada e exaustivamente debatida no meio acadêmico nos últimos anos, a existência de tais obstáculos não diminui a importância e o significado da História da Ciência na composição do conjunto de ações e estratégias dos professores de Física do Ensino Médio comprometidos com uma formação em ciências mais globalizante e crítica dos seus alunos.

Nesse sentido, pesquisas visando à constituição de ações pedagógicas propositoras de alternativas viáveis continuam se multiplicando e, ao mesmo tempo em que reforçam os ganhos potenciais de tal prática, acabam por oferecer cada vez mais subsídios para sua efetivação.

A descrição dos procedimentos adotados em uma disciplina da Licenciatura em Física do IFSP centrada no trabalho com a História da Ciência, desde a criteriosa - e exaustiva - escolha das referências bibliográficas e demais recursos utilizados, até a renúncia das tradicionais avaliações dissertativas em nome da valorização da construção de sequências didáticas produzidas pelos alunos e criticadas por seus pares, visa prestar um testemunho de ações que se mostraram potencialmente capazes de serem incorporadas à prática pedagógica dos futuros docentes.

## Referências

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. PCN+ Ensino Médio: orientações educacionais complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais - ciências da natureza, matemática e suas tecnologias. Brasília: Ministério da Educação, 2002.

CARVALHO, Anna Maria Pessoa de; VANNUCCHI, Andrea I. O currículo de Física: inovações e tendências nos anos noventa. Revista Investigações em Ensino de Ciências , Porto Alegre, v.1, n.1, p. 3-19, abr.1996.

CHASSOT, Attico. A ciência através dos tempos . São Paulo: Moderna, 1994.

GIL-PÉREZ, Daniel. Contribuición de la Historia y de la Filosofía de las Ciencias al desarrollo de un modelo de enseñanza/aprendizaje como investigación. Enseñanza de las Ciencias , v. 11, n. 2, p. 197-212, 1993.

KAWAMURA, Maria Regina D.; HOUSOME, Yassuko. A contribuição da Física para um novo Ensino Médio. A Física na Escola , São Paulo, v. 4, n. 2, p. 22 27, out.. 2003.

MATHEWS, Michael R. História, filosofia e ensino de ciências: a tendência atual de reaproximação. Caderno Catarinense de Ensino de Física . Florianópolis, v.12, nº 3, p.164-214, dez. 1995.

MARTINS, André Ferrer P. História e filosofia da ciência no ensino: há muitas pedras nesse caminho. Caderno Brasileiro de Ensino de Física 24 (1): 112-131, 2007.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

MARTINS, Roberto de Andrade. O Universo - Teorias sobre sua origem e evolução . São Paulo: Ed. Moderna, 1996.

MARTINS, Roberto de Andrade. 'Arquimedes e a coroa do rei: problemas históricos'. Caderno Catarinense de Ensino de Física . 17, no. 2 , pp.115-21, 2000.

MARTINS, Roberto de Andrade. Como não escrever sobre história da física - um manifesto historiográfico. Revista Brasileira de Ensino de Física 23 (1): 113-129, 2001.

MARTINS, Roberto de Andrade. A história das ciências e seus usos na educação. In: SILVA, Cibelle C. (Org). Estudos de História e Filosofia das Ciências : subsídios para aplicação no ensino. São Paulo: Editora Livraria da Física, 2006. Introdução.

MARTINS, Roberto de Andrade. A maçã de Newton: história, lendas e tolices. [Newton's apple: history, myth, foolishness], in: SILVA, Cibelle Celestino (ed.). Estudos de história e filosofia das ciências: subsídios para aplicação no ensino . Pp. 167 - 189, 2006.

MENEZES, Luís Carlos de. Uma Física para o novo Ensino Médio. A Física na Escola , São Paulo, v. 1, n.1, p. 6 - 8, out. 2000.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.