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O ENSINO DE ASTRONOMIA EM UMA ESCOLA BÁSICA A PARTIR DE UMA PESQUISA COLABORATIVA ENTRE UNIVERSIDADE-ESCOLA NO ÂMBITO DO PROJETO PIBID/CAPES

Maria Auxiliadora Delgado Machado, Ana Lúcia De Mello Ferreira, Gerson Pereira Moraes, Gustavo Da Silva Mattos De Lima Trindade

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XIX
Ano
2011
Data
01/02/2011
Linha de pesquisa
Aprendizagem Em Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## O ENSINO DE ASTRONOMIA EM UMA ESCOLA BÁSICA A PARTIR DE UMA PESQUISA COLABORATIVA ENTRE UNIVERSIDADEESCOLA NO ÂMBITO DO PROJETO PIBID/CAPES

Maria Auxiliadora Delgado Machado 1 , Ana Lúcia de Mello Ferreira , Gerson 2 Pereira Moraes , Gustavo da Silva Mattos de Lima Trindade 3 4

- 1 Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro/Departamento de Ciências Naturais / Instituto de Biociências, dora.dm@gmail.com

2

Escola Municipal Paraguai, analuciamelo18@gmail.com

## Resumo

Neste trabalho descrevemos as ações iniciais desenvolvidas em um subprojeto de Ensino de Ciências para o Ensino Fundamental, desenvolvido em uma escola de ensino fundamental de nosso município e que compõe o projeto institucional INICIAÇÃO À DOCÊNCIA: qualidade e valorização das práticas escolares , vinculado a Pró-Reitoria de Graduação de nossa universidade e desenvolvido no âmbito do Programa de Iniciação a Docência financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do Ministério da Educação (CAPES/MEC). Fazemos um recorte sobre as atividades do subprojeto de Ensino de Ciências e focalizamos um dos trabalhos realizados por parte da equipe no sentido de promover a inserção do ensino de astronomia na escola. As etapas desenvolvidas nesse processo são apresentadas e alguns resultados relativos as concepções alternativas das turmas de nono ano a cerca de algumas questões de astronomia são discutidos. As concepções alternativas foram levantadas a partir de pequenos questionários e trabalhadas com a técnica do Discurso do Sujeito Coletivo que permitiu a visualização da força dessas concepções do ponto de vista da vivência escolar dos alunos. Todas as estratégias são planejadas a partir de uma pesquisa de natureza colaborativa na qual todos os membros da equipe, tanto a professora e os licenciandos da universidade como a professora da escola são incentivados a participar de forma críticareflexiva, desde as discussões teóricas até a implementação das ações. Nesse cenário, a inserção dos licenciandos na realidade da escola ocorre de forma mais efetiva, promovendo a aproximação do professor com a universidade criando naturalmente uma dinâmica de formação inicial e continuada e reforçando as possibilidades de se trabalhar na parceria universidade-escola.

Palavras-chave : Ensino de astronomia, formação de professores, parceria universidade-escola, interdisciplinaridade, relação ciência e arte.

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## Introdução

Este trabalho é fruto das ações desenvolvidas em um subprojeto de Ensino de Ciências para o Ensino Fundamental que compõe o projeto institucional INICIAÇÃO À DOCÊNCIA: qualidade e valorização das práticas escolares , vinculado a Pró-Reitoria de Graduação de nossa universidade e desenvolvido no âmbito do Programa de Iniciação a Docência financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do Ministério da Educação (CAPES/MEC). O subprojeto de ensino de ciências está sendo desenvolvido em uma escola de ensino fundamental de nosso município por uma equipe composta por quinze pessoas, a saber: uma professora/pesquisadora da universidade, duas professoras da escola e doze licenciandos dos cursos de Licenciatura em Ciências Biológicas e licenciatura em Ciências da Natureza. O subprojeto se realiza a partir de três eixos temáticos: i) organização de uma horta no terreno da escola; ii) discussão sobre as origens do lixo e estratégias de reciclagem e iii) ensino de astronomia. Os dois primeiros projetos foram sugeridos pelas professoras da escola e o terceiro projeto advém da experiência da professora da universidade com o ensino de astronomia. Cada um desses projetos conta com a participação de três a quatro alunos bolsistas. Em suas atividades na escola os alunos são supervisionados pelas duas professoras da escola, as supervisoras dos projetos, tendo sua orientação sob responsabilidade da professora da universidade que é a coordenadora de área.

O objetivo geral do projeto institucional desenvolvido em nossa universidade é promover a inserção dos licenciandos nas escolas da rede pública de educação básica envolvidas para participar, com a orientação dos coordenadores de área, das atividades de ensino (principalmente), pesquisa e extensão (de forma complementar e integrada às demandas do ensino). Durante esse processo, também ocorre a participação dos professores da escola em reuniões na universidade onde eles externam suas idéias e opiniões sobre o desenvolvimento dos respectivos subprojetos onde estão inseridos, configurando um cenário de formação inicial e continuada e a parceria universidade-escola como uma via de mão dupla na construção do conhecimento.

A formação inicial e continuada dos professores desempenha um papel central nas discussões sobre a melhoria da qualidade de ensino nas escolas (BRAZ DA SILVA et al., 2010). Na área de ensino de ciências, devido à natureza específica de seus conteúdos, a cooperação entre universidade e escola demanda um esforço diferenciado afim de não se considerar somente a extensão disciplinar dos currículos, mas a forma integrada e contextualizada como os conteúdos devem ser trabalhados com os alunos da escola. Dessa forma, tendo-se a aprendizagem significativa como meta, criam-se elos com os conhecimentos que os alunos já possuem, levando-os a serem participantes ativos da construção de um conhecimento que os ajude a lidar com a complexidade das situações a serem enfrentadas no dia a dia (QUEIROZ et al., 2009).

Neste artigo é feito um recorte nas ações desenvolvidas no subprojeto de ciências a fim de focalizar o trabalho em torno da inclusão do ensino de astronomia na escola. A equipe responsável conta além da professora da universidade, com uma das professoras da escola que leciona a disciplina de artes e dois dos licenciandos da equipe, sendo os quatro co-autores desse artigo. A participação da professora de artes se justifica pelas imensas possibilidades que a relação

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interdisciplinar entre ciência e arte oferece para a construção de conhecimento em cada uma dessas duas áreas pelos alunos no ensino fundamental.

- O desenvolvimento do projeto ocorre nos moldes de uma pesquisa de natureza colaborativa sustentada em processos reflexivos sobre a prática de cada um, como estratégia para enfrentar a tradicional dicotomia entre teoria e práxis muito freqüente no processo de formação inicial e continuada.

Apresentamos a seguir a metodologia utilizada para promover a inclusão do ensino de astronomia como parte da formação dos alunos a partir da descrição das diferentes etapas planejadas para tal. Dentro desse planejamento as concepções alternativas dos alunos das turmas de nono ano sobre universo desempenham um papel fundamental para nortear nossas ações as turmas dos outros anos. O levantamento dessas concepções foi feito a partir de pequenos questionários e cujas respostas foram trabalhadas com a técnica do Discurso do Sujeito Coletivo e já foi concluído. As concepções alternativas identificadas e seus eventuais desdobramentos no âmbito da formação em ciências dos alunos também são discutidos.

## Justificando algumas escolhas

- O desenvolvimento desse trabalho se baseia na realização de ações interdisciplinares entre astronomia e arte como estratégia para promover a inclusão do ensino de astronomia na escola a partir de uma pesquisa colaborativa que possibilite a construção de conhecimentos pelos alunos da escola, bem como no nível de formação inicial e continuada pelos licenciandos que são da área biológica e para professora da escola que é da disciplina de artes.

## Porque ensino de astronomia nas aulas de artes?

A Astronomia é uma das ciências mais antigas na história da humanidade. Sua importância para o desenvolvimento do pensamento humano, tanto do ponto de vista científico, como filosófico, é inquestionável. Isso se deve em parte, ao fato de a Astronomia estar diretamente ligada aos questionamentos iniciais do ser humano diante da natureza e da sua própria condição de ser vivo e pensante. Acreditamos que, do ponto de vista do ensino de ciências, a Astronomia pode ser uma ferramenta poderosa capaz de auxiliar o desenvolvimento do raciocínio, do pensamento lógico e da capacidade de abstração do indivíduo.

Além disso, devido ao seu caráter interdisciplinar, a Astronomia pode fazer uma ótima parceria com a Física, a Matemática e a Geografia, atuando até no fortalecimento da noção de cidadania, já que permite o alargamento dos horizontes e o melhor entendimento de nosso papel no planeta.

Atualmente, a despeito de sua comprovada importância, o corpo teórico que define a Astronomia e algumas de suas derivações como Astrofísica e Cosmologia, é incluído de forma superficial e até mesmo errônea durante a formação escolar, chegando mesmo a serem completamente excluídos dos currículos da maioria das escolas. As tentativas para reverter esse quadro esbarram em dois problemas fundamentais: o despreparo do corpo docente e a falta de recursos pedagógicos adequados que facilitem o processo de aprendizagem. Motivados por essa questão formulamos a seguinte pergunta de pesquisa: como trabalhar conceitos de Astronomia no ensino fundamental, utilizando os recursos que a escola tem e a despeito do despreparo dos professores?

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Dentro desse contexto pensamos que os efeitos da falta de recursos pedagógicos e do despreparo dos professores para ensinar conteúdos de astronomia podem ser minimizados considerando a facilidade da astronomia em interagir com praticamente todas as disciplinas, fazendo dela 'uma matéria claramente interdisciplinar' Barros (1997). O alto grau de interdisciplinaridade da astronomia é uma qualidade singular que ' poderia ser aproveitada beneficamente em sala de aula como um instrumento de conexão entre as diferentes ciências que nela confluem ' Tignanelli (1998) pois a astronomia está presente nas chamadas ciências naturais, nas ciências sociais, nas artes, na música e na literatura (Fraknoi, 1995). Segundo Langhi (2009)

'Na estrutura curricular das escolas de Ensino Fundamental e Médio, a astronomia pode estar presente na língua portuguesa, química, física, biologia, matemática, história, geografia, artes e em temas associados tais como a poesia, psicologia, meio ambiente, arqueologia, geologia, mídia, sociologia'.(p.19)

A escolha de colaborar com a professora de artes para implementar o projeto de ensino de astronomia na escola envolvida se justifica por dois motivos de naturezas distintas. O primeiro, de natureza de viabilidade do projeto, é o fato de que as aulas de artes oferecem maior disponibilidade de horário para as intervenções demandas pelo projeto. O segundo motivo, menos objetivo, se sustenta por idéias como a do filósofo Bachelard (1957) considerava que a emoção estética está no cruzamento da descoberta científica e da criação artística, ou seja, 'admira primeiro, compreenderás em seguida' . Nesse sentido, segundo Damásio (2005, apud CACHAPUZ, 2007, p.287) chama a atenção como arte e ciência nos ajudam a superar os problemas impostos pela condição humana a partir de reflexões produzidas pelo aprofundamento do olhar sobre o conhecimento e sobre a sua construção e, por isso mesmo, uma visão mais tolerante da própria vida.

## Porque Pesquisa Colaborativa?

A Pesquisa colaborativa é prática que se volta parta a resolução de problemas sociais, especialmente aqueles que são vividos atualmente pelos professores nas escolas. Com ela se incentiva a co-produção de conhecimentos voltados para a mudança da cultura vivida na escola, propiciando-se que o processo venha acompanhado do desenvolvimento profissional de seus professores (IBIAPINA, 2008).

Compreendemos com Ibiapina que o processo colaborativo é mais complexo do que aparentemente se supõe, justamente pela dupla função que tem: formação dos envolvidos e produção de conhecimentos. Nesse processo não se menosprezam as exigências formais da academia, nem tampouco o saber dos professores em ação na escola, seu saber docente . Reconhecer que os professores de profissão são sujeitos do conhecimento é ponto básico de nossa pesquisa, acreditando que eles devem ter o direito de dizer muito a respeito da sua própria formação e do seu desenvolvimento profissional (TARDIF, 2002).

A pesquisa colaborativa é marcada por um processo crítico-reflexivo que demanda aprofundamento tanto nos âmbitos teórico e prático da experiência dos docentes, permitindo que eles (re)construam seu próprio contexto social e se posicionem de forma segura na execução de eventuais mudanças em suas práticas.

A adoção da pesquisa colaborativa como um referencial teórico de trabalho, implica na participação de todos os envolvidos no sentido de manifestarem suas

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idéias, mesmo que divergentes, sobre o desenvolvimento do projeto. A colaboração de cada um na busca de teorias e ações que permitam abordar as questões centradas nos dilemas que surgem no dia a dia da escola e também a avaliação da viabilidade das estratégias que estão sendo propostas na parceria em andamento constitui a base de uma pesquisa colaborativa.

No contexto das ações executadas nesse projeto, no âmbito do PIBID, a parceria Universidade-Escola desenvolvida nos moldes de uma pesquisa colaborativa estende o exercício crítico-reflexivo e a produção de conhecimento que a caracteriza aos licenciandos, que se colocam, as vezes pela primeira vez em sua vida universitária, como autores das ações e dos trabalhos produzidos por meio dessas ações.

## Metodologia

A natureza específica dos conteúdos de astronomia constitui uma novidade para os licenciandos e para a professora da escola envolvidos no projeto, de forma que a dinâmica de pesquisa do grupo de astronomia inclui seções de estudo sobre os tópicos a ser trabalhados, seguida por reflexões sobre as contextualizações e estratégias pedagógicas necessárias.

As ações relativas para promoção do ensino de astronomia, desenvolvidas na parceria, são planejadas por ciclos de atividade. Cada ciclo está relacionado a um conjunto questões necessário ao entendimento de tópicos do conteúdo de astronomia dos livros textos da coleção Projeto Araribá 1 que são adotados na escola. A lista de tópicos é a seguinte:

- · O universo: origem e principais componentes
- · O sistema solar: o sol, os planetas e sua importância
- · O planeta Terra: a formação dos dias e das noites, estações do ano, eclipses.
- · A atmosfera da Terra: composição, radiação e efeito estufa, meio ambiente.

Cada um dos ciclos de atividades é implementado através das seguintes etapas:

- 1. Levantamento das concepções alternativas dos alunos sobre alguns conteúdos de astronomia.
- O ensino de Ciências defronta-se com a questão de incorporar aquilo que o aluno já conhece sobre os fenômenos naturais, ou seja, um conjunto de conhecimentos decorrentes de suas próprias observações dos fatos cotidianos.

Na visão de Pozo (1998), tais concepções são caracterizadas como construções pessoais dos alunos que foram elaboradas de forma espontânea, com a interação desses com o meio ambiente em que vivem e com as outras pessoas que

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servem para explicar e predizer o que ocorre a sua volta. Para o autor, a utilização das concepções alternativas em sala de aula, visa organizar e dar sentido às diversas situações de ensino e conteúdos a serem ministrados.

- 2. Discussões iniciais em torno da melhor estratégia para apresentação do tema para cada turma a fim de provocar uma mudança conceitual.

As evoluções conceituais se dão quando o aluno aceita, pelo convencimento, uma nova concepção mais abrangente que a sua. A identificação das concepções alternativas como resultado de aprendizagens significativas é necessária para que ocorra a reformulação conceitual, do referencial intuitivo ao cientificamente aceito.

- 3. Colher os relatos dos alunos sobre as atividades realizadas e análise desses relatos.

O prejuízo ou benefício que uma concepção alternativa pode causar para o desenvolvimento dos estudantes, tem gerado uma série de contradições no que diz respeito ao processo de aprendizagem. Se o conflito gerado pela mistura do conceito alternativo com o formal for bem explorado pelo professor mostrando, por exemplo, que o conceito alternativo resolve somente algumas situações particulares, ou seja, mostrando a falibilidade, a pequena abrangência e a inconsistência desses conceitos frente aos conceitos formais, o professor terá conseguido tomar os conceitos alternativos benéficos a aprendizagem. Se ao contrário, o professor desconsiderar a presença dos conceitos alternativos e trabalhar somente os formais, certamente isso será prejudicial a aprendizagem (SOUZA JÚNIOR, 2006).

- O levantamento das concepções alternativas dos alunos já constitui uma grande novidade para os licenciandos e para a professora que declarou 'nunca ter trabalhado desse jeito'.

A redação referente às respostas dos alunos foi analisada com a técnica de análise do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) (LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2000) que se fundamenta na teoria das Representações Sociais e seus pressupostos sociológicos. O DSC é produzido a partir da tabulação e organização de dados qualitativos e resolve um dos grandes impasses da pesquisa qualitativa na medida em que permite, através de procedimentos sistemáticos e padronizados, agregar depoimentos sem reduzi-los a quantidades. A técnica consiste na organização de dados discursivos a partir de figuras metodológicas nomeadas como ancoragem, expressões-chave e ideia central. A ancoragem deve ser entendida como a característica mais geral de um dado discurso, na qual se identifica a ideia central do discurso pela presença de expressões-chave. As expressões-chave são segmentos contínuos ou descontínuos de discurso que revelam o principal conteúdo discursivo e a idéia central é a síntese do conteúdo dessas expressões. Nesse trabalho as ancoragens foram pensadas de forma a corresponder às próprias perguntas feitas aos alunos

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## As primeiras ações

O relato a seguir diz respeito às atividades realizadas com a primeira unidade de nossa lista, o universo, nas duas turmas de nono ano por duas razões. Primeiramente os alunos do nono ano estão a mais tempo na escola e a partir de suas respostas temos acesso ao que eles conhecem de astronomia, se esse o contato desse conteúdo se deu na escola e que mudanças conceituais pode ter provocado nas concepções alternativas desses alunos. Além disso, as turmas de nono ano estão prestes a deixar a escola e consideramos muito importante a realização de atividades nas quais eles entrem contato com questões que serão trabalhadas no ensino médio, como gravitação, radiação e questões interdisciplinares advindas da localização da Terra no sistema solar.

A despeito de sua fundamental importância, o tema universo não consta da série de livros de ciências adotados pela escola, a coleção Araribá. Por isso o escolhemos para iniciar as atividades de astronomia na escola. Segundo Tignanelli (1998), a criança procura 'as suas próprias explicações, geralmente sustentadas pela sua fantasia, seja mítica ou mística . Se não lhe forem apresentadas outras opções, esse pensamento mágico da criança persistirá durante toda a sua vida'. No que se refere ao ensino de ciências, o conceito de universo, demanda muita abstração ao estudante de ensino médio e deve ser trabalhado, mesmo que de forma lúdica, ou interdisciplinar, desde o início de sua vida escolar, permitindo que ele elabore modelos mais afinados com o conhecimento científico da área. Vale lembrar que o tema universo é um dos temas geradores do ensino médio e questões a ele relacionadas são passíveis de serem incluídas nas provas de vestibulares e do ENEM.

## Levantando as concepções alternativas dos alunos sobre Universo.

Foi solicitado aos alunos que respondessem as seguintes questões:

- 1. Em sua opinião o que é ciência?
- 2. O que você entende por UNIVERSO?
- 3. Complete a frase:
- 4. O que você gostaria de saber sobre Astronomia?
- 5. Você gostaria de desenvolver algum tipo de projeto na escola com a equipe da universidade ?
- 6. Tem alguma idéia do assunto no qual você gostaria de trabalhar?

Nós moramos na cidade ....................................., que fica no estado

.................................., que fica no país..........................................., que fica

no continente .............................. que fica no planeta ....................., que

orbita em torno do .......................,

que é uma ...............................

da

galáxia conhecida como ..................................................

Análise das respostas dos alunos das turmas de nono ano

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Questão n. 1..

A primeira questão é reveladora sobre o conceito de ciência. Identificamos quatro tipos de respostas que foram a base do discurso que construímos usando a metodologia do DSC. Cada trecho numerado é representativo dos tipos de respostas identificadas.

Segundo os alunos, ciência pode ser definida como:

- '... é uma matéria (1) que estuda a vida, as plantas, animais, (2), estuda tudo (1),é um estudo científico que forma experiências e estuda coisas naturais no Universo (3) .

Percebe-se por esta fala coletiva dos alunos que o sentido de ciência está fortemente relacionado a disciplina escolar fornecendo indicações do capital cultural dos alunos, ou seja a falta de acesso a outros espaços culturais como museus,a outras mídias como revistas da área ou mesmo outro tipo de convivências fora da escola que trate de assuntos relacionados a ciência.

Em seguida, vem a idéia de ciência como um corpo de conhecimentos de natureza biológica, o que poderia ser considerado natural, já que a maior parte dos professores de ciências no ensino fundamental tem formação em biologia. No entanto, indica também que esses mesmos professores ensinaram somente a ciência que eles dominam, a biologia, deixando de abordar ou abordando de forma pouco enfática outros conteúdos advindos de outras áreas científicas e que constituem a grade curricular da disciplina de ciências no ensino Fundamental.

Outro ponto a ser ressaltado é a natureza empírica com que a ciência é apresentada e que pode ser identificada no trecho 'estudo científico que faz experiência'.

No discurso construído, a única referência astronômica que aparece é a palavra Universo. Mesmo assim o sentido pode ser atribuído a uma totalidade, a um todo, ou a um tudo.

## Questão n. 2:

Nessa questão a palavra ' universo ' é colocada explicitamente na pergunta que pretende inferir os possíveis modelos dos alunos.

É tudo (1), o lugar onde os seres habitam (2), uma imensidão escura (3), dentro da nossa galáxia cheia de planetas, estrelas, meteoros, o sol a lua e a Terra .

Nesta fala coletiva pode-se reforçar que a palavra 'universo' na questão anterior foi usada para designar um todo ou um tudo, pois é exatamente esse o sentido mais freqüente que ela assume nas respostas dos alunos à segunda questão. Além disso, se verifica novamente o contexto da biologia na formação dos alunos a partir do trecho ' onde os seres habitam' reportando a questão de universo como o habitat do ser. Em seguida aparece a figura de escuridão que se aproxima a um visão religiosa do purgatório, local onde as almas que não foram merecedoras do céu ficariam pairando pela eternidade. Outro dado interessante é a idéia de que o universo seria tudo que existe dentro da galáxia. Esse trecho revela inicialmente o desconhecimento da existência de milhões e milhões de galáxias além da nossa.

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Porém, se a descoberta da nossa galáxia e de outras galáxias além da nossa é recente, ocorreu há cerca de um século, é natural que meninos e meninas que não possuem uma convivência com o conteúdo de astronomia desconheçam este fato. No entanto, o modelo mostra um modelo de universo semelhante aos diagramas estudados em conjuntos na matemática, ou seja, o universo está contido em alguma coisa que é o contém e o limita. Alguns alunos descrevem o universo como composto por alguns objetos astronômicos cujas características físicas não foram bem entendidas ou mesmo sequer trabalhadas, o que é evidenciado por trechos como ' estrelas e sol', ' planetas e Terra '.

## Questão n. 3

Nessa questão é apresentada ao aluno uma sequência de escala de distancia que faz parte do conteúdo de alguns livros de geografia, entre os quais o utilizado pela escola. Verificou-se que todos os alunos da referida turma preencheram corretamente as lacunas. No entanto, contrapondo esse resultado com o da questão anterior é possível inferir que esse conteúdo não foi trabalhado do ponto de vista da astronomia já que não ouve a construção de conhecimento em torno da idéia de universo.

Questão n. 4

As respostas dadas a essa quarta questão são expressas abaixo, na forma de uma fala coletiva.

Para os alunos da turma o que eles gostariam de saber de astronomia é o seguinte:

Queria saber sobre o estudo dos astros, (1), se existe vida em outro planeta (2) e se os Ets podem chegar até aqui (3) e se essa história de ir a Lua foi verdade mesmo (4). Queria entender mais sobre signos e astros (5).

As respostas não apontam de forma objetiva para um problema, ou fenômeno que envolva conhecimentos de conceitos em astronomia. Verifica-se referências a figuras especulações do imaginário popular como os marcianos e a ida do homem a lua, além da confusão em torno da natureza científica com a astrologia.

## Dando continuidade ao projeto

Após a análise dessas questões o grupo definiu que a abordagem do tópico universo seria feito a partir de um vídeo chamado A Escala do Universo e de um trabalho feito em grupo com o software Sttelarium. Uma outra ação será levar a turma ao planetário da cidade e trabalhar com eles, durante o restante do ano , alguns tópicos que serão necessários ao conteúdo do segundo grau que eles cursaram no próximo ano. Sendo assim, aprtir da visita ao planetário e do trabalho com o Stellarium será trabalhado órbitas elípticas, força gravitacional e a associação do brilho das cores das estrelas com temperatura. Dessa forma pensamos que, em um curto espaço de tempo, mas devido um trabalho colaborativo, conseguiremos diminuir as lacunas de ensino de astronomia na formação dessa turma.

Por ocasião do envio desse artigo, já foi iniciado o trabalho com Stellarium que têm sido amplamente utilizado pela turma e promovido um outro tipo de inclusão

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digital além da utilização do computador somente para acesso a redes sociais ou a cópia de material para pesquisas. Observamos que a manipulação de um software nos moldes do Stellarium permite uma nova dinâmica marcada pela construção do conhecimento.

## Considerações finais

Uma reflexão a cerca do ensino de astronomia na escola, e de certa forma no ensino fundamental, mostra como as respostas fornecidas pelos alunos do nono ano revelam aspectos que podem nortear as próximas etapas do trabalho. Entre esses aspectos, o mais evidente surge da constatação que, apesar dos conteúdos de astronomia integrar as orientações curriculares do Ensino Fundamental (PCNs, Brasil), eles foram apresentados aos alunos, em especial para no que se refere ao Sistema Solar.

Vale ressaltar que o tratamento dado as concepções alternativas dos alunos levantadas a partir de questionários, com a técnica do DSC, ressaltou o caráter coletivo dessas concepções permitindo uma análise que considera a vivência do aluno na escola, sob o prisma do ensino de astronomia que ele possa ter vivenciado.

Identificamos fortes nessas concepções alternativas, no que se refere ao conceito de universo, fortes indicações de que essa questão não foi contextualizada de forma adequada a produzir um conhecimento significativo nessa área. Nesse processo surgiram sinalizações importantes para o processo de intervenção que pretendemos efetuar a fim de inserir o conteúdo de astronomia na escola desde as turmas de sexto ano, evitando o quadro observado na turma de nono ano focalizada nesse artigo. Em uma das reuniões do grupo foram definidas as seguintes ações:

- a. Incentivar a participação da professora de ciências da escola em atividades de formação continuada na área de astronomia. Apesar de sua participação nos outros projetos horta e reciclagem realizados no âmbito do PIBID, pretendemos envolvê-la nas atividades de astronomia que prtendemos desenvolver no futuro.
- b. Trabalhar de forma interdisciplinar com as professoras de artes e língua portuguesa a idéia de universo, a partir de músicas, poesias, pinturas, e desenhos dos próprios alunos, inserindo assim a questão no cotidiano escolar.
- c. Aproveitar a sala de vídeos da escola para apresentar aos alunos softwares pedagógicos de conteúdos astronômicos.
- d. Visitas a Planetários e Museus de Astronomia de forma a aumentar a cultura dos alunos sobre o tema.

Pensamos que dessa forma iniciaremos uma nova fase no ensino de Ciências da escola onde a Astronomia poderá atuar como elemento agregador e promotor de uma construção de conhecimento interdisciplinar visto suam ampla abrangência e relação com diversas questões de outras disciplinas. Esse constitui o objetivo da pesquisa colaborativa da equipe e sobre o qual serão concentradas as próximas ações.

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## Referências

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.