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VÍDEOS NO ENSINO DAS LEIS DE NEWTON: UMA PROPOSTA PARA O ENSINO INCLUSIVO EM TURMAS COM ALUNOS COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA

Sabrina Gomes Cozendey, Maria Da Piedade Resende Da Costa, Márlon Caetano Ramos Pessanha

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XIX
Ano
2011
Data
01/02/2011
Linha de pesquisa
Aprendizagem Em Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## VÍDEOS NO ENSINO DAS LEIS DE NEWTON: UMA PROPOSTA PARA O ENSINO INCLUSIVO EM TURMAS COM ALUNOS COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA

## Sabrina Gomes Cozendey 1 , Márlon Caetano Ramos Pessanha 2 , Maria da Piedade Resende da Costa 3

1 UFSCar/PPGEEs, sgcfisica@yahoo.com.br

2

USP/FE, pessanha@usp.br

3 UFSCar/Departamento de Psicologia, piedade@ufscar.br

## Resumo

O presente trabalho apresenta uma discussão preliminar sobre o desenvolvimento e uso de um recurso educativo em aulas de Física em salas inclusivas que tenham alunos com deficiência auditiva. Tal recurso consiste em um conjunto de vídeos educativos. O trabalho apresenta alguns dos vídeos didáticos produzidos, além de um detalhamento sobre esta produção. O recurso desenvolvido procurou trabalhar os conceitos relacionados às leis de Newton com o uso da língua falada, e ainda, com ênfase no uso da língua de sinais brasileira (Libras) para que os alunos com deficiência auditiva possam ter iguais condições de acompanhar a explicação do conceito. Como esse trabalho está relacionado com o processo de inclusão de pessoas com necessidades especiais nas classes de Física, procurou-se desenvolver um vídeo educativo que apresentasse os conceitos de leis de Newton tanto para alunos com deficiência auditiva como para alunos sem deficiência, contribuindo assim para que, de fato, a inclusão ocorra nestas turmas. Os vídeos desenvolvidos na pesquisa foram apresentados a alunos e professores de uma escola de porte médio do interior de São Paulo. Em uma primeira análise professores e alunos frequentadores da sala de recursos para deficientes auditivos avaliaram a proposta da pesquisa e suas potencialidade em ser utilizada em salas regulares. Uma análise prévia do uso do recurso desenvolvido em classes regulares de Física mostra que este apresenta uma forma diferenciada de trabalhar conceitos de leis de Newton em turmas que tenham alunos com deficiência auditiva. A proposta foi bem aceita pelos professores que avaliaram a estrutura dos vídeos.

Palavras-chave : Deficiência Auditiva, Processo de Inclusão, Vídeo Educativo

## Introdução

Vários estudantes encontram dificuldades no estudo de disciplinas da área de ciências exatas, principalmente no estudo da Física. A dificuldade encontrada pelos alunos em compreender os conceitos de Física, impõe ao professor a necessidade de ser capaz de trabalhar com práticas diferenciadas em que o objetivo principal seja a compreensão do conceito em questão.

Desde a década de 60 existe uma preocupação em desenvolver pesquisas que investiguem as possibilidades de apresentação de forma diferenciada dos conceitos físicos. Um número significativo de pesquisas em ensino de Física tem sido desenvolvido nos últimos anos. Contudo, em geral, os recursos desenvolvidos com base nos resultados dessas pesquisas, que enfocam a apresentação dos conceitos de Física não levam em consideração a existência de alunos com necessidades educacionais especiais em sala de aula. Desta forma, com a presença

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30 de janeiro a 04 de fevereiro de 2011

de alunos com deficiência visual e deficiência auditiva em sala de aula, o professor de Física poderá ficar sem os recursos que possam potencializar a aprendizagem dos conceitos.

Portanto, o desafio de ensinar a Física pode tornar-se mais complexo. Isto porque com o processo de inclusão, alunos com diferentes deficiências estão chegando às escolas, e o professor de Física muitas vezes não conhece procedimentos de ensino diferenciados que possam facilitar o aprendizado do aluno com necessidades educacionais especiais.

Neste trabalho será discutido o processo de inclusão do aluno deficiente auditivo nas turmas regulares de Física. A pesquisa aqui apresentada buscou conhecer um pouco da realidade do aluno deficiente auditivo e assim, organizar uma estratégia de trabalho viável. Essa estratégia busca valorizar as características físicas do aluno com deficiência garantindo assim, que este possa participar do processo de ensino-aprendizado juntamente com os demais alunos da turma. Como essa proposta de trabalho tem um caráter inclusivo, a estratégia de apresentação de conceitos de leis de Newton desenvolvida pode e deve ser trabalhada com toda a turma, contribuindo assim para uma realidade inclusiva, em que todos aprendem juntos ao mesmo tempo.

## O aluno com deficiência auditiva e a legislação

A ausência da audição, um dos principais sentidos humanos, segundo Costa (2003), impede que os indivíduos conheçam os sons, e consequentemente tenham problemas de comunicação através da linguagem oral.

A deficiência auditiva é o nome usado para indicar uma perda de audição, ou seja, uma diminuição na capacidade de escutar os sons, causada por qualquer problema que ocorra em alguma das partes da orelha. Segundo, o documento 'Política Nacional de Educação Especial - MEC / Secretaria de Educação Especial', a surdez se caracteriza como 'perda total ou parcial, congênita ou adquirida, da capacidade de compreender a fala através do ouvido' (BRASIL, 1994). Apesar de ser uma definição com mais de quinze anos, por ser de um órgão oficial nacional ainda é utilizada para nortear as políticas públicas.

Tanto a deficiência auditiva como a surdez pode ser adquirida em qualquer fase da vida, gerando diferentes consequências. Uma pessoa que nasceu surda tem uma visão diferente do seu papel na sociedade se comparada a uma pessoa que adquiriu uma deficiência auditiva aos trinta anos de idade. Desta forma, existem diferentes tipos de deficiência auditiva, o que a torna extremamente heterogênea (BRASIL, 2006).

Considerando essas questões, as alternativas de atendimento para as pessoas com deficiência auditiva nas escolas estão intimamente relacionadas ao grau e o tipo da perda auditiva, a época em que ocorreu a surdez e a idade em que começou a sua educação (BRASIL, 2006).

Nos relatos sobre a história da educação dos deficientes auditivos pode-se perceber que o grupo sempre encontrou dificuldades para ter acesso à educação formal. Até o século XV o surdo era visto como ser inferior. Os registros históricos mostram que somente no século XVI começa a parecer uma preocupação de se ensinar as pessoas surdas (GOLDFELD, 1997).

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A grande dificuldade encontrada pela pessoa com deficiência auditiva é a comunicação. O mundo utiliza a linguagem oral como uma das principais formas de transmissão de ideias e conhecimentos. Esta característica exclui aqueles que não têm domínio da linguagem oral. E foi desta forma que durante muitos anos as pessoas com deficiência auditiva foram tratadas, ou seja, foram excluídas 'de práticas sociais' por serem 'diferentes' (CARVALHO, 2007).

Com a nova visão sobre a deficiência auditiva, em que a sociedade deve se adaptar ao deficiente, não este a sociedade, visão esta que pode ser denominada de inclusão, o aluno com deficiência auditiva adquiriu o direito a estudar em escolas regulares.

Um dos aspectos que caracteriza a singularidade no processo educacional dos surdos é o fato de os mesmos necessitarem de uma proposta diferenciada de trabalho, por meio da oferta de uma educação bilíngue, isto é, uma proposta que pressuponha a utilização de duas línguas em sua escolarização: a Língua de Sinais Brasileira (Libras) e a língua portuguesa.

'Entende-se como Língua Brasileira de Sinais - Libras - a forma de comunicação e expressão, em que o sistema lingüístico de natureza visualmotora, com estrutura gramatical própria, constitui um sistema lingüístico de transmissão de idéias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil' (BRASIL, 2002).

Em 2002, a Libras foi reconhecida como meio legal de comunicação e expressão das pessoas surdas por meio da Lei 10.436/02. A referida lei apoia o uso e a difusão da Libras pelas instituições e assegura a inserção desta disciplina nos cursos de formação de Educação Especial, Fonoaudiologia, Pedagogia e Letras.

Considerando o aspecto cultural da pessoa com surdez, que está relacionado à capacidade de ler o mundo por vias visuais, a escolarização do mesmo deve considerar essa característica única do grupo. Entendendo essa questão, não se pode dizer que os processos de ensino e de aprendizagem do aluno com surdez ocorrem da mesma forma que do aluno sem deficiência.

A inclusão de alunos com deficiência auditiva na escola não se limita a inserção do aluno na sala de aula para que este possa conviver com os demais, tidos como 'normais'. Para que a inclusão ocorra é necessária uma proposta integradora, em que o currículo possa ser flexível, na qual existam recursos diferenciados de aprendizagem e principalmente, de forma que todos os alunos tenham acesso igualitário ao conhecimento.

## O processo da inclusão

Há alguns anos atrás falar em escolas inclusivas era impossível, poderia ser considerado apenas como um sonho distante. Contudo, ao analisar o cenário da educação atual, pode-se constatar que a inclusão dos alunos com deficiência no universo escolar aos poucos deixa de ser uma ideologia e começa a se tornar uma realidade.

Segundo o parecer CNE/CEB 17/2001, que dispõe as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na educação básica, a inclusão pode ser compreendido como:

'...um avanço em relação ao movimento de integração escolar, que pressupunha o ajustamento da pessoa com deficiência para sua

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participação no processo educativo desenvolvido nas escolas comuns, a inclusão postula uma reestruturação do sistema educacional, ou seja, uma mudança estrutural no ensino regular, cujo objetivo é fazer com que a escola se torne inclusiva, um espaço democrático e competente para trabalhar com todos os educandos, sem distinção de raça, classe, gênero ou características pessoais, baseando-se no princípio de que a diversidade deve não só ser aceita como desejada' (BRASIL, 2001a, p.18).

Na perspectiva da educação inclusiva a escola passa a ter uma nova função, que é a de incluir alunos com deficiência na vida social (FERREIRA, 2004).

'Principio fundamental da escola inclusiva é o de que todas as crianças devem aprender juntas, sempre que possível, independentemente de quaisquer dificuldades ou diferenças que elas possam ter. Escolas inclusivas devem reconhecer e responder às necessidades diversas de seus alunos, acomodando ambos os estilos e ritmos de aprendizagem e assegurando uma educação de qualidade à todos através de um currículo apropriado, arranjos organizacionais, estratégias de ensino, uso de recurso e parceria com as comunidades. Na verdade, deveria existir uma continuidade de serviços e apoio proporcional ao contínuo de necessidades especiais encontradas dentro da escola' (DECLARAÇÃO DE SALAMANCA,2009, p.5).

Contudo, o fato de as escolas inclusivas existirem ser um grande passo na Educação Especial, apenas existir não é o suficiente, têm que funcionar. E dizer que um sistema educacional inclusivo funciona é dizer que ele é capaz de oferecer oportunidades iguais a alunos com e sem deficiências em alcançar uma aprendizagem adequada a cada série.

Segundo Rodrigues (2006, p.301): 'O conceito de inclusão no âmbito especifico da educação implica inicialmente em rejeitar a exclusão (presencial ou acadêmica) de qualquer aluno da comunidade escolar'. Para isso, a escola que pretende seguir uma política de educação inclusiva deve desenvolver práticas que valorizem a participação de cada aluno. Neste sentido, a educação inclusiva 'pressupõe uma participação plena numa estrutura em que valores e práticas são delineados tendo em conta as características, interesses, objetivos e direitos de todos os participantes no ato educativo' (RODRIGUES, 2006, p.303).

Como resultado do processo de inclusão, um número cada vez maior de alunos com deficiência está sendo matriculado nas escolas regulares. Conforme dados do Censo Escolar realizado em 2006, as matrículas no que se refere ao ingresso de alunos com deficiência em classes comuns no ensino regular apresentaram um crescimento de 640% (BRASIL, 2007).

Considerando o senso de 2006 não há como dizer que a educação inclusiva encontra-se ainda no papel, bem ou mal organizada ela está acontecendo. Assim, cabe aos professores a responsabilidade de tornar em um futuro não muito distante a educação inclusiva uma realidade bem sucedida.

Mas para que isso aconteça é preciso que estudos na área sejam desenvolvidos, e que práticas diferenciadas sejam propostas.

Por isso, ao falar em inclusão no ambiente escolar, se torna necessário falar também em buscas de formas diferenciadas de construção do conhecimento, para que todos os envolvidos no processo de aprendizado possam compreender o conceito em questão e utilizar suas capacidades para assimilá-lo.

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## O Problema de Pesquisa

Os problemas da inclusão escolar estão relacionados com as interações culturais entre as diferentes formas de reconhecer o mundo, em que significados e valores ajeitam-se sob cada cultura. O surdo é um sujeito que produz cultura baseada na experiência visual, logo, para que o desenvolvimento intelectual desse aluno ocorra plenamente é necessária a existência de uma educação fundamentada nesta sua diferença cultural (SACKS,1998).

Será que uma única forma de análise do conhecimento é suficiente, para que os alunos possam assimilar o conceito? Em relação aos conceitos físicos, é justo, em um ambiente em que a inclusão do aluno com deficiência no universo escolar se tornou o objetivo mais importante, privar esses alunos, ou melhor, excluir esses alunos do processo de aprendizagem? Sabe-se que Física é uma disciplina tida como complicada; se para um aluno sem deficiência o ensino da Física não é algo simples, não seria necessário um instrumento de aprendizagem diferenciado que ajudasse a esses alunos na compreensão desta ciência?

- A Secretaria de Educação Especial e as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica garantem que o atendimento aos alunos com necessidades educacionais especiais deve ocorrer em classes comuns, indicando que as escolas comuns devem garantir: professores comuns capacitados e professores de educação especial especializados; flexibilidades e adaptações curriculares; serviços de apoio especializado realizado nas classes comuns; extraordinariamente, classes especiais em caráter transitório, além de condições para reflexão e elaboração teórica da educação inclusiva. (BRASIL, 2001b)

A proposta desta pesquisa está diretamente relacionada à adaptação curricular; uma vez que pretende apropriar conceitos de Física relacionados às leis de Newton à realidade do aluno com surdez. Visando promover um ambiente de inclusão escolar, este trabalho desenvolveu vídeos educativos que oferecem aos alunos com deficiência auditiva condições igualitárias em relação à aquisição do conhecimento.

Considerando as diretrizes e leis que regem a educação deste país, a pesquisa aqui apresentada tem um caráter de importância no que se refere à inclusão de 'todos' no processo educativo. Além desse caráter mais amplo, a pesquisa foca em uma necessidade fundamental para que o processo de inclusão ocorra: o desenvolvimento de ferramentas educacionais. Sem se preocupar com a forma de desenvolvimento do conhecimento apresentado, não há um porquê em se falar em educação inclusiva. Para que de fato ocorra um processo de inclusão eficaz do aluno com deficiência auditiva é preciso que o sistema tenha desenvolvido mecanismos de aprendizagens diferenciados.

## Objetivos

Um dos objetivos do trabalho aqui apresentado foi o de desenvolver um conjunto de vídeos educativos que favoreçam a apropriação de conceitos de leis de Newton pelo aluno com deficiência auditiva, favorecendo a inclusão do mesmo nas aulas de Física, sem com isto, excluir os demais alunos da turma.

Como objetivo secundário tem-se uma análise prévia do uso de tais vídeos em salas de recurso e na turma regular.

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## Desenvolvimento do trabalho

Como se trata de um projeto de produção de material didático, a metodologia utilizada se caracteriza por estudar e organizar um recurso didático que possa favorecer o aprendizado do aluno com deficiência auditiva nas turmas regulares de Física.

Nesta pesquisa foram desenvolvidos vídeos educativos digitais que apresentaram de forma alternativa os conceitos de leis de Newton. Uma característica importante do recurso didático é que ele utiliza a Libras e a língua portuguesa falada. Considera-se que, desta forma, é possível dar iguais possibilidades de compressão aos conceitos analisados nos vídeos, logo, alunos com deficiência auditiva e sem deficiência podem compreender o conteúdo apresentado através do recurso.

Na produção do vídeo buscou-se destacar situações do cotidiano que enfatizassem o conceito analisado. Desta forma, o aluno poderia não apenas conhecer a teoria como também em que situações o conceito era aplicado na prática. Em relação à linguagem utilizada no vídeo, a língua portuguesa oral foi utilizada juntamente com a Libras na mesma cena; enquanto a personagem principal estava atuando e usando a Libras como forma de comunicação, uma outra pessoa narrou a cena em língua oral portuguesa.

Não existe no mercado educacional nenhum vídeo com esse caráter, segundo os estudos desenvolvidos durante a preparação desta pesquisa. Este caráter inovador que esta proposta oferece pode alcançar bons resultados por priorizar recursos de interesse da comunidade surda, sem, com isto, excluir os alunos ouvintes do processo de aprendizagem em questão. Esta estratégia de apresentação dos conceitos básicos de Física pode possibilitar aos alunos com deficiência auditiva condições iguais de aprendizado, uma vez que, na exibição deste, não somente a audição, mas também, aspectos visuais são valorizados.

Anteriormente ao desenvolvimento dos vídeos, foram criados os roteiros e definida a sequência de apresentação dos conceitos.

Os conceitos trabalhados nos vídeos foram velocidade, aceleração, força resultante, segunda lei de Newton, primeira lei de Newton e terceira lei de Newton, sendo definida esta sequência para a apresentação dos vídeos. Os três primeiros conceitos foram trabalhados por se acreditar que são fundamentais para a compreensão da segunda lei de Newton.

## Desenvolvimento dos vídeos

A produção do vídeo ocorreu em três partes. Primeiro foi elaborado um roteiro contendo o conceito a ser trabalhado e a situação prática que deveria explicar o conceito.

A segunda parte da produção do vídeo consistiu em gravar a apresentação do conceito físico em Libras. As gravações foram feitas em um cenário adaptado onde se utilizou uma câmera digital. Os sinais em Libras que representam explicações físicas foram retirados do livro Sinalizando a Física, volume 1: mecânica (CARDOSO, BOTAN E FERREIRA, 2010).

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A terceira parte da produção do vídeo foi o desenvolvimento de animações que iriam representar o conceito físico na prática. As animações foram desenvolvidas utilizando o software Adobe Flash (ADOBE, 2009).

Por fim, o vídeo foi editado e produzido no formato DVD utilizando o software Power Producer (CYBERLINK CORP, 2009).

## Uso dos vídeos produzidos e análise preliminar

Os vídeos desenvolvidos na pesquisa foram apresentados a alunos e professores de uma escola de médio porte localizada em uma cidade do interior de São Paulo.

Participaram desta primeira análise dos vídeos três professores e um aluno com deficiência auditiva e quinze alunos sem deficiência.

Antes de trabalhar com os vídeos desenvolvidos na pesquisa foi pedido aos alunos que respondessem a um questionário, no qual haviam perguntas referentes aos conceitos envolvidos nos vídeos.

A apresentação dos vídeos ocorreu na sala de recursos e na sala de vídeos. Professores e alunos assistiram aos vídeos e opinaram sobre o uso do recurso em turmas inclusivas. Essa apresentação ocorreu em cinco dias, totalizando dez horas de discussões sobre o recurso produzido neste trabalho.

Após a apresentação dos vídeos, foi proposta uma discussão com os alunos sobre os conceitos envolvidos. Tal discussão serviu para aperfeiçoar a aprendizagem e identificar se ocorreu ou não a compreensão dos conceitos.

Após as discussões foi pedido aos alunos que respondessem a um segundo questionário. Uma primeira análise das respostas dadas aos questionários mostra que os alunos apresentam uma compreensão sobre os conceitos de leis de Newton em um nível satisfatório.

## Resultados Obtidos

Quanto ao desenvolvimento dos vídeos, foi realizado conforme os roteiros planejados, segundo a sequência anteriormente definida.

Os vídeos desenvolvidos foram de curta duração, com tempo não superior a 5 minutos. Cabe ressaltar que este tipo de recurso constitui-se como um meio para estabelecer discussões sobre os conceitos, e assim, deve haver um planejamento de tais discussões.

Após a apresentação dos vídeos, iniciou-se uma discussão com os alunos com o intuito de identificar, qualificar e aperfeiçoar a compreensão dos conceitos.

Foi perceptível a compreensão dos conceitos em um nível satisfatório por parte dos alunos durante as discussões realizadas. Observou-se que os alunos foram capazes de relacionar os conceitos com situações do cotidiano. Tais percepções foram confirmadas a partir da análise dos questionários respondidos pelos alunos.

Os professores que avaliaram a proposta consideraram a ideia positiva, por valorizar o processo de aprendizagem de todos os alunos. Segundo os professores,

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a proposta do uso de vídeos utilizando Libras na construção de conceitos é boa e tem potencialidade de alcançar bons resultados em trabalhos em longo prazo.

Pôde-se concluir com essa primeira análise dos recursos didáticos desenvolvidos que, se utilizados de forma adequada, os vídeos podem favorecer o aprendizado dos conceitos de Leis de Newton.

As Figuras 1, 2, 3 e 4, a seguir, apresentam telas capturadas de alguns dos vídeos desenvolvidos.

Figura 01: Tela capturada do vídeo sobre Força Resultante

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Figura 02: Tela capturada do vídeo sobre Ação e Reação

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Figura 03: Tela capturada do vídeo sobre Inércia

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Figura 04: Tela capturada do vídeo sobre Velocidade no momento em que o conceito é apresentado em Libras.

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## Conclusões

Os resultados da pesquisa mostram que o recurso didático desenvolvido pode favorecer o aprendizado do aluno com deficiência auditiva incluído no ensino regular nas aulas de Física. Tais resultados mostram também que os alunos ficam motivados com a apresentação de um recurso diferenciado.

Considerando tais resultados preliminares, e a partir de novas coletas de dados, esperamos um aperfeiçoamento das noções relacionadas as formas de utilização do recurso, e procedimentos que venham a garantir um aprendizado significativo dos conceitos trabalhados.

Pode-se concluir que a proposta oferece uma possibilidade de prática diferenciada em turmas de Física que tenham alunos com e sem deficiência auditiva. Uma vez que o resultado da aplicação preliminar do recurso é positivo, apesar de o projeto só analisar os conceitos relacionados às leis de Newton, poderão ser produzidos novos vídeos enfatizando outros conceitos.

## Referências

ADOBE. Flash, Adobe Systems Incorporated, 2009. Disponível em: http://www.adobe.com/br/products/flashplayer/. Acesso em: 03 de janeiro de 2009.

BRASIL. Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de Educação Especial: livro 1/MEC/SEESP. - Brasília: a Secretaria, 1994.

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BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na

Educação Básica. 2001(b), 79p. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/diretrizes.pdf. Acesso em: 03/06/2010.

BRASIL, Ministério da Educação. Lei nº 10.436 de 24 de abril de 2002. Disponível em: http://www.libras.org.br/leilibras.php. Acesso em: 03 de novembro de 2008.

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BRASIL. MEC/SEESP. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva - Documento elaborado pelo Grupo de Trabalho nomeado pela Portaria Ministerial nº 555, de 5 de junho de 2007, prorrogada pela Portaria nº 948, de 09 de outubro de 2007.

CARDOSO, F. C.; BOTAN, E.; FERREIRA, M. R., Sinalizando a Física: 1 Vocabulário de Mecância, 1ª Edição, Sinop: Projeto "Sinalizando a Física", 2010. Disponível em: http://sinaisdafisica.site50.net/index.php?p=vocmec . Acesso em 5/9/2010

CARVALHO, P. V. Breve História dos Surdos no Mundo e em Portugal. Cidade: Lisboa, editora Surd'Universo, 2007.

COSTA, M. da P. R. da. Compreendendo o aluno portador de surdez e suas habilidades comunicativas. In: Rita de Cássia Magalhães (ORG): Reflexões sobre a diferença: uma introdução à educação especial. Coleção Magister, 2ª ed. 2003.

CYBERLINK CORP. Power Producer, 2009. Disponível em: http://www.cyberlink.com/multi/products/main\_3\_en\_US.html. Acesso em: 04 de janeiro de 2009.

DECLARAÇÃO DE SALAMANCA. Sobre Princípios, Políticas e Práticas na Área das Necessidades Educativas Especiais. Procedimentos-Padrões das Nações Unidas para a Equalização de Oportunidades para Pessoas Portadoras de Deficiências, A/RES/48/96, Resolução das Nações Unidas adotada em Assembléia Geral. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/salamanca.pdf. Acesso em 01 de junho de 2009.

FERREIRA, J. Políticas e práticas de educação inclusiva. In: Góes, M.C. R.; Laplane, A. L. F. (Orgs.) Políticas e práticas de educação inclusiva. Campinas: Autores Associados, 2004, p. 1-5.

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