UMA ADAPTAÇÃO CURRICULAR DE FÍSICA PARA CIÊNCIAS AGRÁRIAS
Ana Lúcia Figueiredo De Souza Nogueira
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XIX
- Ano
- 2011
- Data
- 01/02/2011
- Linha de pesquisa
- Aprendizagem Em Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## UMA ADAPTAÇÃO CURRICULAR DE FÍSICA PARA CIÊNCIAS AGRÁRIAS
## *Ana Lúcia Figueiredo de Souza Nogueira
## Universidade Estadual de Montes Claros-UNIMONTES/DCExatas
analuf@nortecnet.com.br
## Resumo
Neste trabalho propomos uma adaptação curricular da disciplina 'Física Básica' do primeiro ano do curso de Agronomia da Universidade Estadual de Montes Claros. A reorganização da disciplina tem como objetivo geral estabelecer uma relação entre a Física e a Agronomia para a prática profissional do agrônomo. Sugerimos uma abordagem que favorecesse a articulação entre os conteúdos de Física e as várias áreas do saber que integram os ciclos básico e profissional do curso de Agronomia. Dada a limitação de tempo para um tratamento formal dos assuntos, opta-se por uma abordagem diferente, introduzindo conceitos fundamentais e ilustrando-os com demonstrações e exemplos, dando ênfase às aplicações relacionadas à Agronomia. Nas aulas expositivas dá-se menos ênfase à dedução matemática de fórmulas, e dedica-se a maior parte do tempo à discussão de aplicações, exercícios e problemas. Nas avaliações, além dos métodos tradicionais, os alunos preparam seminários, que podem ser teóricos ou experimentais, sobre temas que liguem a Física à Agronomia. Segundo nossos dados, podemos afirmar que a abordagem utilizada tem se mostrado adequada, dado o crescente interesse manifestado pelos alunos pela disciplina, a maior segurança que adquiriram em relação à Física e pela melhora do desempenho destes nas provas e nos trabalhos em grupo. Por entender que o conhecimento deva ser construído em conjunto com os alunos, a partir da problematização da realidade, acreditamos que estaremos capacitando-os a enfrentar e solucionar satisfatoriamente situações novas que poderão surgir no campo de trabalho.
Palavras-chave : Ensino de Física, Ciências Agrárias, Ensino Superior, Contextualização, Adaptação curricular.
## 1- INTRODUÇÃO
Questões sobre ensino e como ensinar vem conduzindo os educadores a reflexões cada vez mais profundas sobre as finalidades da educação, seus valores e intenções. Com as inovações tecnológicas, aberturas econômicas e quebra de barreiras, observa-se um grande incremento de idéias e pensamentos, culminando em grande aporte de material humano e tecnológico em todos os continentes. Em vista deste processo irreversível, todos os setores da sociedade devem se atualizar e acompanhar as tendências deste novo milênio.
Diante dessa tendência, a comunidade vem cobrando das Instituições de Ensino, a definição do perfil dos profissionais que teremos no mercado de trabalho. Este é um dos grandes desafios a serem superados. Somente a participação de todos garantirá a construção de um Curso Superior que tenha como característica ser um espaço educativo com compromissos políticos, econômicos e sociais que atendam as demandas da sociedade atual.
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30 de janeiro a 04 de fevereiro de 2011
Um curso que atenda a estas demandas terá maiores chances de sobreviver em um meio, no qual todos estão sendo continuamente avaliados. As Instituições de Ensino são periodicamente examinadas pelo Ministério de Educação (MEC) e Secretarias de Educação. Tudo que está ligado ao bom andamento do curso e a excelência dos profissionais que são formados é analisado. As Instituições precisam passar por profundas transformações em suas práticas e cultura para enfrentar os desafios do mundo contemporâneo.
Essas transformações atingem também o profissional da educação, que precisa de competência do conhecimento, de sensibilidade ética e de consciência política para superar esses desafios. Sendo assim, o trabalho que o docente desenvolve deve ser repensado periodicamente.
A proposta é que se ensine a Física mostrando sua importância na tomada de decisões de um agrônomo, sem perder seu caráter formal e em acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos de Engenharia, nas quais uma das competências e habilidades exigidas deve ser a capacitação para aplicar conhecimentos matemáticos, científicos, tecnológicos e instrumentais à engenharia.
A construção do conhecimento se dá pela prática da pesquisa. Ensinar e aprender só ocorrem significativamente quando decorrem de uma postura investigativa de trabalho. No processo educativo, teoria e prática se associam e a educação é sempre prática intencionalizada pela teoria. Segundo Delizoicov,
'Na formação de professores, os currículos devem considerar a pesquisa como princípio cognitivo, investigando com os alunos a realidade escolar, desenvolvendo neles essa atitude investigativa em suas atividades profissionais e assim tornando a pesquisa também princípio formativo na docência.' ( DELIZOICOV, 2002, p.17).
É importante que a prática investigativa esteja presente nos cursos de formação de professores, pois são estes profissionais que contribuirão para a formação de profissionais de outras áreas. Essa postura investigativa deve ser exercida também na prática docente, permitindo que os alunos explorem o conteúdo junto com o professor.
Essa prática pode ser refletida por meio de atividades em que os alunos do curso de Agronomia, na disciplina de Física, desenvolvam pesquisas cuja temática esteja ligada a uma aplicação em sua área de formação. Assim, os alunos estarão mais aptos e abertos a entender as disciplinas que compõem o ciclo profissional do curso, e a se tornar um profissional com compromissos políticos, econômicos e sociais para um mercado de trabalho cada vez mais competitivo.
O ensino de Física para Agronomia tem sido considerado sempre um grande desafio. A primeira dificuldade é montar o curso, preparando aulas teóricas e práticas. Na literatura encontra-se outra dificuldade: que livro texto adotar? Há poucos relatos sobre o assunto. Há poucos textos específicos de Física para Agronomia O livro didático possui um papel importante na sala de aula, e de acordo com Delizoicov,
'Ainda é bastante consensual que o livro didático (LD), na sua maioria das salas de aula, continua prevalecendo como principal instrumento de trabalho do professor, embasando significativamente a prática docente. Sendo ou não intensamente usado pelos alunos, é seguramente a principal referência da grande maioria dos professores.' ( DELIZOICOV, 2002, p.36 ).
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É preocupante, portanto, o fato de não haver livros didáticos que dêem suporte ao professor de Física para Agronomia. Os livros textos de Física, em geral, abordam uma Física desconexa com o contexto agronômico e faz com que o aluno do curso de Agronomia sinta receio pela disciplina.
Alguns trabalhos mostram a importância das adaptações curriculares à realidade dos alunos. A proposta de Portilho, por exemplo, desenvolvida no projeto IBERCIMA 1 , consiste em uma abordagem contextualizada nas aulas de Física, permitindo que o aluno construa o conhecimento por meio de experimentos, nos quais os conceitos básicos da Física são associados com a construção e funcionamento de equipamentos utilizados nas Ciências Agrárias (PORTILHO, 2005). No seu trabalho Portilho destaca que
(...) a ciência deve ser apresentada como sendo aberta e em construção, privilegiando a busca de soluções de problemas pelos alunos, considerando a evolução histórica dos conceitos e deve estar relacionada com a realidade do aluno. (PORTILHO, 2005, p.2).
Santini e Terrazzan discutem em seus trabalhos o ensino de Física por meio do uso de equipamentos agrícolas de uma Escola Agrotécnica (SANTINI, 2004; 2005). Neste estudo foram produzidos e implementados módulos didáticos baseados nos três momentos pedagógicos propostos por Delizoicov e Angotti (DELIZOICOV, 1994).
Concepções e métodos acerca da natureza das Ciências, de seus fins e valores, crenças e cosmo visões (modo de se olhar o mundo) são dimensões do processo de construção e reconstrução do conhecimento necessário para a aprendizagem. A necessidade de um planejamento multidisciplinar se faz tão necessária, quanto mais se levarmos em conta que um dos princípios fundamentais que perpassa os objetivos e premissas da presente proposta é justamente o da INTEGRAÇÃO. Integração se refere a uma ação que une. Integrar é tornar algo inteiro, mais completo e efetivo. Integrar é juntar, somar forças, incorporar contribuições variadas e enriquecer-se com a formação de uma coletividade consciente de seus objetivos e disposta a atingir as metas que se colocam a si própria.
A integração de conteúdos começa por problematizar a realidade, sendo o primeiro passo para uma proposta conseqüente. Ela não se constitui em um método, ou uma técnica de trabalho, mas outra maneira de entender a produção do conhecimento, partindo do pressuposto de que todo o conhecimento é produzido a partir de necessidades sociais, quer materiais ou filosóficas. Outro pressuposto é de que o conhecimento só pode ser dividido em áreas de especialização para fins didáticos. A integração de conteúdos é um esforço de superação da fragmentação alienante dos saberes humanos que, uma vez divididos em pequenos compartimentos deslocados da realidade social em que são produzidos, perdem totalmente seus significados e suas razões de ser.
Os alunos não são ensinados como fazer conexões críticas entre os conhecimentos sistematizados pela escola com os assuntos de suas vidas. Os educadores deveriam propiciar aos alunos a visão de que a ciência, como as outras áreas, é parte de seu mundo e não um conteúdo separado, dissociado de sua realidade. (LO RENZETTI, 2001, p.7)
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De acordo com Lorenzetti e Delizoicov , a escola por si só não é capaz de capacitar os indivíduos cientificamente. Em particular, há uma forte tendência dos professores de ciências em não se preocuparem em incluir uma discussão, conectando os conhecimentos científicos adquiridos na escola com o mundo real dos alunos (LORENZETTI, 2001).
Existe, portanto, a necessidade de um planejamento das atividades escolares de maneira a possibilitar que os alunos relacionem os conceitos físicos estudados aos fenômenos da natureza e aos processos tecnológicos relacionados. E como afirmam Carvalho e Gil-Pérez, esse papel é atribuído ao professor:
'É preciso que o professor seja capaz de entender e desenvolver a mudança proposta e tenha como romper com visões simplistas, conhecer o conteúdo a ser ensinado, questionar as idéias discentes de senso-comum, gerar aprendizagem efetiva, saber avaliar, adquirir a formação necessária para associar ensino com pesquisa didática' (CARVALHO e GIL-PÉREZ, 1993).
Por estes motivos, foi proposta uma adaptação curricular da Física vista pelos estudantes do primeiro ano do curso de Agronomia da Universidade Estadual de Montes Claros - UNIMONTES. O programa é desenvolvido no primeiro e segundo períodos do curso com uma carga horária de duas e três horas semanais respectivamente, totalizando 90 horas/aula nos dois semestres.
As principais dificuldades que um docente encontra numa disciplina deste tipo são a enorme abrangência dos tópicos e a reduzida carga horária da disciplina. Os assuntos, no programa, da disciplina aparecem de forma fragmentada, dificultando assim, a inserção dos conceitos envolvidos em cada unidade em um contexto mais amplo. Além disso, existe certa resistência dos estudantes aos conteúdos de Física e de Matemática, vistas como disciplinas trabalhosas nas quais o estudante nem sempre consegue perceber a sua utilidade prática. Ensinar Física para estudantes de Agronomia requer, portanto, adaptar conteúdo e métodos de ensino de forma que o aluno/a desenvolva o interesse ao relacionar este conteúdo à sua prática específica na Agronomia.
A reorganização da disciplina tem como objetivo geral estabelecer uma relação entre a Física e a Agronomia para a prática profissional do agrônomo. Dada a limitação de tempo para um tratamento formal dos assuntos, opta-se por uma abordagem diferente, introduzindo os conceitos fundamentais e ilustrando-os com demonstrações e exemplos, dando ênfase às aplicações relacionadas à Agronomia. Nas aulas expositivas dá-se menos ênfase à dedução matemática de fórmulas, e dedica-se a maior parte do tempo à discussão de aplicações, exercícios e problemas. Nas avaliações, além dos métodos tradicionais, os alunos preparam seminários, que podem ser teóricos ou experimentais, sobre temas que relacionam Física e Agronomia. Nos temas experimentais, os alunos reproduzem um equipamento agrícola e explicam a Física relacionada.
- O ensino de Física para Agronomia passa a ser considerado como uma tarefa de construção, exigindo certa dose de criatividade por parte do professor de forma a estimular o interesse dos estudantes pela matéria, conscientizando-os da importância dela na sua formação.
Assim, o objetivo deste trabalho é apresentar uma proposta de adaptação curricular de Física para Agronomia, como uma alternativa de abordagem para essa disciplina.
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Na seção seguinte apresentaremos a proposta curricular . Na Metodologia, discutiremos o levantamento feito para a construção do material proposto e, como uma visão diversificada, capaz de articular conteúdos para o curso, muda a estatística de aprovação na disciplina. Finalmente são apresentadas as considerações finais com a fundamentação de nossa proposta baseada numa abordagem de Delizoicov e Paulo Freire.
## 2 - PROPOSTA DE ADAPTAÇÃO CURRICULAR
O curso de Agronomia da UNIMONTES proposto e ora em execução, contempla a formação de engenheiros agrônomos por meio de uma estrutura curricular bastante abrangente. As disciplinas oferecidas são agrupadas em ciclos que se dividem em conhecimentos básicos e essenciais, conhecimentos profissionais essenciais e conhecimentos profissionais específicos. As disciplinas são ministradas por meio de aulas teóricas, práticas em laboratórios e trabalho de campo. A Física está inserida no ciclo básico e essencial.
A relação proposta entre estas duas ciências (Física e Agronomia) pode ser melhor entendida se considerarmos a primeira como um instrumento da segunda, conforme figura 1 abaixo.
Figura 1: Fluxograma representando a relação proposta entre Física e Agronomia.
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## 3 - Metodologia
- O ensino deve ser voltado para competências, que segundo Philippe Perrenoud, é a capacidade de o sujeito mobilizar recursos (cognitivos) visando abordar uma situação complexa.
'A competência está associada a um conjunto de elementos que permitem ao sujeito abordar uma situação complexa e resolvê-la a contento' (MORETTO, 2005)
Desta forma, para se ter um ensino voltado para competências, o sujeito deve 'ser capaz de', mobilizá-las em situações complexas e adquirir recursos.
Os recursos disponíveis para abordagem de uma situação complexa são: conteúdos específicos, linguagens e valores culturais. Sendo assim, a adaptação curricular aqui apresentada procura mostrar a Física de uma maneira tal que, desde o início, sejam claras sua relevância prática e sua universalidade, para que a competência seja alcançada.
'A grande tarefa do sujeito que pensa certo não é transmitir, depositar, oferecer, doar ao outro, tomando como paciente de seu pensar, a inteligibilidade das coisas, dos fatos, dos conceitos. A tarefa coerente do educador que pensa certo é, exercendo como ser humano a irrecusável prática de inteligir, desafiar o educando com quem se comunica, produzir sua compreensão do que vem sendo comunicado. Não há inteligibilidade que não seja comunicação e intercomunicação e que não se funde na dialogicidade. O pensar certo por isso é dialógico e não polêmico'. (PAULO FREIRE, 2005, p.38)
A proposta é tornar significativo esse aprendizado científico, pois a Física pode ser vista como um instrumento para a compreensão do mundo em que vivemos. Acredita-se que partir sempre que possível de elementos vivenciais e mesmo cotidianos, os princípios gerais da Física serão formulados com uma consistência garantida pela percepção de sua utilidade e de sua universalidade (GREF, 2002).
A partir da análise da estrutura curricular do curso percebe-se como a Física poder ser mais útil para a Agronomia. Disciplinas importantes para o Engenheiro Agrônomo, como Climatologia, Hidráulica e Irrigação utilizam princípios físicos e, portanto o ensino de Física passa a ter significado.
Por meio de conversas informais com professores do Departamento de Ciências Agrárias do Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas da Universidade Estadual de Montes Claros visualizamos como a Física poderia dar suporte e embasamento para as disciplinas do curso. O resultado destas conversas foi ordenado por tópicos como é mostrado a seguir. Assim, foi possível identificar a relação entre Física e Agronomia, permitindo a integração dos conteúdos a partir da visualização imediata de sua aplicação na prática do agrônomo.
## MECÂNICA
- · Movimento em uma ou mais dimensões: velocidade das águas em canais e em irrigação localizada (MRU), velocidade e posição de implementos agrícolas no campo (MRUV), microaspersor e raio molhado (MCU), pivô central e alcance (lançamento de projéteis),
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- · Leis de Newton: transporte de frutas, sistemas de cabos aéreos (tração animal e roldanas), peso e separação de sementes com máquina de ar e gravidade (força gravitacional), climatologia e força de atrito na aragem do solo, força erosiva da água na irrigação por sulco.
- · Energia: trabalho e potência ou capacidade operacional de máquinas agrícolas, barragens, energia da água na erosão do solo, energia solar na secagem de sementes, energia eólica. Potencial de água e do solo (mátrico + osmótico + pressão + força gravitacional da planta e da atmosfera), a erosão e conservação do solo baseia-se na energia cinética da chuva.
- · Fluidos: densidade, compactação do solo (peso por unidade de volume das partículas sólidas e sua textura), pressão (pressão de bicos de pulverizadores e de aspersores usados na irrigação), pressão atmosférica, porosidade, continuidade, vazão de orifícios, equação da continuidade, teorema de Bernoulli, bombas de ar comprimido, carneiro hidráulico, velocidade das águas em canais.
## TERMODINÂMICA
- · Calor: processos de transferência de calor na climatologia, controle do estresse animal, conforto em baias, granjas ou pocilgas.
- · Evaporação (déficit de saturação de pressão de vapor),
- · Estudo dos gases: na climatologia com camada de ozônio, meio ambiente, aquecimento.
## ÓPTICA
- · Luz visível: uso da cor no separador eletrônico e de reflexão de sementes, intensidade de luz no crescimento das plantas, uso de lentes nos teodolitos e lunetas para a topografia.
## ELETROMAGNETISMO
- · Condutividade elétrica da solução do solo e da água, perda de carga.
- · Separador eletrostático de sementes.
- · Cercas elétricas.
- · Separador magnético de sementes.
- · Ondas eletromagnéticas: na climatologia e na radiação solar no crescimento das plantas.
- · GPS.
- · Sensoriamento remoto: imagens de satélite do solo, mapeamento de áreas, geologia do relevo, desmatamento de florestas, recursos hídricos disponíveis.
A partir destas constatações, foi proposto aos alunos que apresentassem seminários cuja temática era: uma aplicação da Física para a Agronomia. Eles deveriam buscar em livros ou com professores do curso qual seria esta aplicação e discuti-la em sala de aula. O trabalho começou a ficar mais significativo e o interesse dos alunos foi aumentando. A primeira turma a passar por este trabalho foi em 2002.
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Uma mudança de estratégia didática pode ser a chave para atingir o real sucesso. Quando se atingem os objetivos de ensinar oportunizando aprendizagem de conteúdos relevantes e quando o ensino proporciona o desenvolvimento de habilidades e aquisição de conhecimentos, que conduzam às competências almejadas obtemos o real sucesso no ensinar. 'Saber que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção'. (PAULO FREIRE, 2005, p.47)
Assim, quando se busca servir dos conteúdos selecionados naquele momento para desenvolver a capacidade de pensar e as habilidades de observar, relacionar, estruturar, analisar, justificar, sintetizar, correlacionar, inferir, entre outras, pensa-se em preparar os alunos para o exercício de uma profissão desenvolvendo suas competências.
A abordagem de uma Física contextualizada propiciou uma mudança drástica no comportamento dos alunos de Agronomia. A partir de 2002, estes tem mostrado um crescente interesse pela disciplina, compreendendo a importância desse conhecimento científico na sua prática profissional. Esse fato é atestado pela seriedade e envolvimento manifestados durante a participação de trabalhos em grupo e melhora no desempenho nas provas, comprovado pelos dados apresentados no quadro 1. Segundo estes dados, o índice de alunos reprovados na disciplina, antes da abordagem contextualizada era em torno de 12%, com 17% dos alunos necessitando das notas do exame especial para serem aprovados. Entre 2002 e 2007, apenas 1,5% dos alunos foram reprovados, com 1,3% necessitando do exame especial para aprovação. É importante salientar que, embora a abordagem de conteúdo tenha sido modificada e que se trata de momentos diferentes e de alunos diferentes, as avaliações da disciplina permaneceram as mesmas. Podemos concluir, dessa maneira, que as mudanças observadas no desempenho dos alunos atestam a eficácia da contextualização utilizada.
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Quadro 1: Dados da disciplina de Física do curso de Ciências Agrárias da UNIMONTES no período entre 1996 e 2007.
(*) A partir deste ano a disciplina começou a ser oferecida com outra abordagem, mais integradora, contextualizada e dinâmica, com uma visão menos fragmentadora.
## 4 - CONSIDERAÇÕES FINAIS
A pesquisa em Ciências Agrárias no Brasil tem se desenvolvido bastante nos últimos anos. Isto pode ser visto pela crescente preocupação do governo em incentivar trabalhos de pesquisas e criação de revistas científicas para a divulgação de trabalhos específicos da área, tais como: Anais da EMBRAPA: Pesquisa Agropecuária Brasileira, Cultivar Máquinas, Ciência Rural e Cadernos de Difusão de Tecnologia. Problemas típicos da área variam desde o aparecimento e controle biológico de novas pragas, criação de novas técnicas de armazenamento e beneficiamento de sementes. Os diversos problemas encontrados são, em geral, típicos do clima do nosso país, o que significa que tecnologias importadas nem sempre funcionam para solucioná-los.
Em particular, podemos citar o Projeto Jaíba. São 310 mil hectares de terras localizadas na região norte do estado de Minas Gerais, entre os rios São Francisco e Verde Grande, que sofre com períodos de estiagem, em média, de oito meses. A baixa ocorrência de chuvas reduz as opções de exploração agrícola e pecuária com perspectivas de sustentabilidade. O Jaíba foi concebido, justamente, para garantir ao Norte de Minas uma opção sustentável de desenvolvimento econômico e social e é um dos poucos empreendimentos que capta novos investimentos públicos e privados. A fruticultura irrigada produz banana, manga, mamão, melão, abacaxi, limão entre outros.
Próxima a esta área, está localizada a Universidade Estadual de Montes Claros com campus em Janaúba, onde funciona o curso de Agronomia, que dentre as suas várias atribuições, busca capacitar seus alunos para trabalhar com irrigação em áreas do semi-árido.
Desta maneira vemos a importância de adequar o perfil dos profissionais a serem formados ao mercado de trabalho. Sugerimos que o conhecimento seja construído em conjunto com os alunos a partir da problematização da realidade como é sugerido por Delizoicov em seus três momentos pedagógicos.
Segundo nossos dados, podemos afirmar que a abordagem utilizada tem se mostrado adequada, dado o crescente interesse manifestado pelos alunos durante a disciplina, a maior segurança que adquiriram em relação à Física e pela melhora do desempenho destes nas provas e nos trabalhos em grupo.
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Afinal, segundo Paulo Freire ensinar exige bom senso, apreensão da realidade e alegria, ou seja, ensinar exige a convicção de que a mudança é possível. Isso somado aos resultados significativos obtidos em relação à aprovação dos alunos na disciplina, mostrados no quadro 1 reforçam a idéia dos efeitos positivos que se podem conseguir a partir da mudança das estratégias de ensino utilizadas. É importante que os estudantes percebam as diferenças de compreensão de fatos no equacionamento de soluções.
'Quem pensa certo está cansado de saber que as palavras a que falta a corporeidade do exemplo pouco ou quase nada valem. Pensar certo é fazer certo.' (Paulo Freire, 2005, p.34)
Por meio deste estudo, podemos compreender que a Física estará sempre presente na maioria dos fenômenos que analisarmos, desde o ato de cavar a terra para o plantio, como para irrigar, construir, drenar e mecanizar. Tudo isso exige um conhecimento das leis e princípios da Física, que regem os processos básicos e tecnológicos em prol do desenvolvimento.
## REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
(Ari CARVALHO, A.M.P; GIL-PÉREZ, D. Formação de professores de ciências. São Paulo: Cortez, 1993.
DELIZOICOV, D. e ANGOTTI, J. A. Metodologia do Ensino de Ciências. São Paulo: Cortez, 1994.
DELIZOICOV, D. e ANGOTTI, Ensino de Ciências: fundamentos e métodos . São Paulo: Cortez, 2002.
FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia . São Paulo: Editora Paz e Terra, 2005.
GREF (Grupo de Reelaboração do Ensino de Física). Leituras de Física . São Paulo: USP, 2002.
LORENZETTI, L. e DELIZOICOV, D. Alfabetização científica no contexto das séries iniciais. Ensaio - Pesquisa em Educação em Ciências . v.3, n.1, p.117, jun. 2001.
MORETTO, V.P. Prova, um momento privilegiado de estudo - não um acerto de contas . (6ª edição). Rio de janeiro: DP&A, 2005.
PORTILHO, A.P. O Currículo de Física: uma abordagem para a formação do Técnico em Agropecuária . In: Atas do XVI Simpósio Nacional de Ensino de Física. Rio de Janeiro, 2005.
SANTINI, N.D. e TERRAZZAN, E.A. Uso de equipamentos agrícolas para o ensino de física . In: Atas do IX Encontro Nacional de Pesquisa em Ensino de Física, Jaboticatubas, 2004.
SANTINI, N.D. e TERRAZZAN, E.A. Estudo de equipamentos agrícolas para o ensino de física: produção e implementação de módulos didáticos em escolas agrotécnicas . In: Atas do XVI Simpósio Nacional de Ensino de Física, Rio de Janeiro, 2005.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.