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Abordagens de Nanociência para o Ensino Básico

Anderson Luiz Ellwanger, Solange B. Fagan

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XIX
Ano
2011
Data
01/02/2011
Linha de pesquisa
Aprendizagem Em Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## ABORDAGENS DE NANOCIÊNCIAS PARA O ENSINO BÁSICO

Anderson Luiz Ellwanger , Solange B. Fagan 1 2

1 Centro Universitário Franciscano / Universidade Federal do Rio Grande do Sul / Colégio Riachuelo / pfandd@gmail.com

2 Centro Universitário Franciscano / solange.fagan@gmail.com

## Resumo

O presente trabalho contempla a inserção de temas atuais no ensino de Física a nível Básico com a utilização de material didático e a produção de textos dissertativos argumentativos identificando possibilidades e reflexões acerca da Nanociência e a sua aplicação, a Nanotecnologia. O assunto trabalhado encontra-se associado a temas de Física Moderna e Contemporânea, adequando-se a atualização curricular e de conteúdos. O tema de Nanociências desenvolvido abrange várias áreas do conhecimento, sendo que o mesmo, neste trabalho, foi redirecionado a Física e a Língua Portuguesa, designando-se multidisciplinar. O tema Nanociência e a sua aplicação, Nanotecnologia, são de interesse geral dos alunos por serem atuais e fornecerem um grande número de perspectivas de inovações para um futuro próximo, o que poderá modificar a forma como vivemos. A avaliação da aprendizagem a partir da aplicação do material didático sobre Nanociências ocorreu por meio de produção de textos, onde os alunos posicionaram-se diante desta nova possibilidade de manipulação atômica e molecular.

Palavras-chave : Ensino de Ciências, Nanociências, Física Moderna.

## Introdução

- O presente trabalho tem como função inserir tópicos de Nanociências em uma experiência didática desenvolvida com alunos do Ensino Básico, mais precisamente três turmas de terceiro ano do Ensino Médio, do Colégio Riachuelo na cidade de Santa Maria, RS.

A inserção de Física Moderna e Contemporânea (FMC) nos currículos de Ensino Básico vem sendo discutida e sugerida há muito tempo, porém em grande parte das escolas essa adequação ainda não ocorre, e se acontece, em muitos casos, de maneira modesta. A FMC tem como possibilidade a relação do mundo da sala de aula com o mundo prático dos alunos, mas quando essa relação não é feita, os alunos acabam por desprezar a disciplina da qual utilizam diariamente (OSTERMANN e MOREIRA, 2000).

Muitas vezes a Física Clássica é trabalhada em demasia, ancorando-se em concepções aristotélicas e newtonianas, baseando-se numa física sem relação com a vivência dos alunos, tornando-se meramente teórica e em muitos casos sendo somente memorizada, e não compreendida, para a realização de avaliações.

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Corroborando com Moreira (2004), que enfatiza a desatualização dos currículos de Física. Estes priorizam a mecânica, em detrimento de assunto mais contemporâneos. Os quais estão mais relacionados com a vivência dos alunos.

Compreender o mundo que nos cerca e os recursos tecnológicos que nos auxiliam nas tarefas diárias, faz parte do fazer pedagógico. Alunos e professores precisam estar em constante atualização para que participem efetivamente do processo e não sejam meros expectadores do mesmo.

Com este trabalho buscamos estimular o senso crítico e científico dos alunos, os quais deveriam compreender as possíveis mudanças que serão causadas pela utilização massiva da Nanociência. Mas, para que isso fosse possível, foi necessário que os mesmos entendessem em que escala as atividades seriam feitas, ou seja, como partir de uma escala macroscópica e chegar à nanométrica, bem como os fenômenos físicos e químicos associados a esta escala, que só são compreendidos a partir da FMC.

Compreender a escala a ser trabalhada é condição para os alunos se familiarizarem com as diferenças entre componentes macroscópico, microscópico e nanométrico. Os componentes macroscópicos podem ser visualizados sem a utilização de equipamentos especiais, ou seja, a olho nu, trabalhando com escalas que variam de 1 milímetro (mm) até 1 km. Esta escala contempla a vida diária. Com equipamentos de uso corriqueiro, como automóveis, talheres e até mesmo alimentos.

A escala microscópica contempla objetos cujas medidas estão em uma escala de comprimento que varia de 1 mm a alguns μ m (1 mícron corresponde a 10 -6 m). Ou seja: 1 μ m = 10 -6 m = 1/ 1.000.000 m

A escala nanométrica é constituída de objetos cujas características de composição do material estão em uma nanoescala, ou seja, estamos tratando de escalas com dimensões de alguns nanometros e alguns ângstrons, onde as propriedades são descritas pela física quântica, cujas relações estruturais são dadas por: 1 nano = 10 -9 m = 1/1.000.000.000 m; 1 ângstrom = 10 -10 m = 1/10.000.000.000 m.

Nesta dimensão denotamos a composição atômica e molecular de qualquer material presente na natureza. Segundo Ferreira e Albuquerque (2009) a origem deste termo advém da palavra 'nano' que significa em grego 'anão' e representa um bilionésimo da unidade. A Nanotecnologia é, portanto a tecnologia relacionada com pequeníssimas dimensões.

## A Nanociência no contexto educacional

A FMC modificou a forma como visualizamos o mundo que nos cerca a partir da metade do século XX, onde a Física Clássica foi substituída por uma maneira mais abrangente de compreender o universo. A compreensão desta nova "Física" é que pode ser vista como desafio, pois requer estratégias também inovadoras para que possa ser ensinada e compreendida (BROCKINGTON e PIETROCOLA, 2005). A necessidade de sua compreensão é inquestionável, pois perpassa por uma atualização curricular e uma ligação entre a vida da sala de aula e a vida fora desta.

A inserção de temas atuais como a Nanociência nos currículos das Escolas vem se adequar às condições sugeridas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais

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(BRASIL/MEC, 2000), onde o desenvolvimento cognitivo do aluno deve ser embasado em assuntos correlacionados com o seu cotidiano, o qual deve ser desenvolvido passo a passo, utilizando conceitos concretos e vivenciais e não definições abstratas. Os alunos em formação no Ensino Básico têm curiosidades a respeito de assuntos que são abordados pela mídia, mas tais assuntos são raramente trabalhados nas aulas de Física (ELLWANGER et al , 2009).

Alguns trabalhos já foram desenvolvidos na associação entre Nanociências e Ensino Básico. Por exemplo o trabalho de Pereira et al. (2008) que desenvolve, de forma inovadora, conceitos de Citologia e Nanotecnologia. Este trabalho relaciona as mudanças associadas com a manipulação molecular e com a compreensão de conceitos solidificados no ensino da Biologia, ampliando o entendimento dos mesmos. A pesquisa de Pereira et al . (2009) baseia-se na produção e implementação de uma unidade de aprendizagem a alunos em formação no curso de Biologia, auxiliando na formação mais ampla e atualizada destes profissionais. É relatado que a formação atualizada destes profissionais auxiliará na sua carreira docente, permitindo que os alunos, possam receber informações acerca das modificações que estão ocorrendo no mundo que lhes rodeia.

Os recursos tecnológicos como computador, celular, mp3, entre outros, fazem parte de nossa vida, diariamente. Estes recursos também estão presentes no dia-adia do aluno, uma vez que o acesso a esses equipamentos esta cada dia mais fácil. Esta realidade é, muitas vezes, ignorada pela maioria das escolas e professores, que trabalham dentro de um currículo, que não contempla esses conteúdos, uma vez que, na maioria dos casos é trabalhada somente a Física mais antiga, como as relações newtonianas e muitas vezes aristotélicas (SONZA e FAGAN, 2007). Mas, a conexão entre a Física Clássica, a FMC e os atuais recursos tecnológicos torna-se inexistente para o aluno que vivência o Ensino Médio.

A FMC, vista sobre o enfoque da Nanociência, ancora-se na realidade observada e muitas vezes vivida pelos alunos, que utilizam equipamentos com muitos recursos tecnológicos, porém suas dimensões macroscópicas não ultrapassam alguns centímetros. A Nanociência é uma área emergente, sua presença nos meios de comunicação é enfática no que diz respeito às modificações na maneira como vivemos e os objetos que utilizamos diariamente.

A Nanociência e a sua aplicação tecnológica, a Nanotecnologia, promete em um futuro próximo uma nova revolução industrial e de conhecimento. Portanto, faz parte das atribuições do professor ampliar e adequar a formação dos alunos para esta nova realidade, levando temas contemporâneos da ciência para a sala de aula e de um novo futuro tecnológico a vista, tornando-o capaz de não só assistir a essa revolução, mas também a participar dela ativamente (TOMA, 2004). Nos próximos anos as pessoas estarão trabalhando com a Nanociência, desenvolvendo materiais e novos equipamentos. Mas esta realidade perpassa pela preparação de alunos e professores que precisam atualizar-se mediante esta nova realidade (HEALY, 2009).

A FMC, que tem sua grande âncora no formalismo matemático complexo, deve ser explicada em nível médio por meio de simulações e modelos da realidade uma vez que os alunos nesta faixa etária não teriam condições de assimilar tamanho aparato matemático. O uso de modelos da realidade é sugerido por muitos, porém no caso da FMC esses modelos são aproximações que auxiliam numa discussão para a visualização da situação problema, pois a maioria dos conceitos é abstrata e requer ferramentas matemáticas adequadas.

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O formalismo matemático, muitas vezes, pode ser suprimido ou substituído por conceitos teóricos que satisfazem a análise da situação, incorporando conceitos novos ancorados em conhecimentos prévios. Segundo Pereira (2009), que destaca a relação entre um assunto tradicionalmente trabalhado em sala de aula, muitas vezes desgastante e meramente memorizável, e a inserção de uma nova proposta de abordagem, com enfoque voltado a atualização curricular, perpassando por questões éticas e políticas, sendo função da escola auxiliar no preparo dos seus alunos para enfrentar e questionar tais modificações.

O nosso trabalho teve como objetivo inserir tópicos de Nanociências no Ensino Básico por meio de abordagens de conteúdos associados ao tema, atividades matemáticas e produção de textos, de forma que os alunos percebessem as propriedades na escala nanométrica e suas possíveis aplicações e implicações.

## A produção textual como ferramenta de avaliação

Muitas são as formas de avaliar se houve aprendizagem de um determinado assunto, podemos citar a produção de mapas conceituais, diagramas V, textos discursivos, entre outros (MOREIRA, 2000).

Neste trabalho, optamos pela apresentação de atividades relacionadas com Nanociências e como avaliação do módulo didático a produção de textos argumentativos. Nestes textos os alunos puderam confrontar vantagens e possíveis implicações da utilização de produtos nanotecnológicos.

A argumentação sobre determinado tópico, pode demonstrar a compreensão deste. Está metodologia é usada por anos em concursos vestibulares em todo o país, ressaltando e reafirmando sua potencialidade e importância.

A escrita e a leitura precisam ser hábitos estimulados em todas as áreas do saber e as aulas de Física podem contribuir nesta tarefa (ROSA e STEFFANI, 2005). A necessidade da escrita nas diversas áreas do conhecimento abre a possibilidade de compreensão mais ampla dos conceitos envolvidos no problema estudado, perpassando pelas diversas formas de assimilação do conhecimento.

## Metodologia: descrição das etapas da estratégia didática

Para desenvolvimento das atividades propostas dividimos as atividades e estratégias em quatro etapas, como descrevemos a seguir.

## Etapa 1: Questionamentos sobre o tema Nanociência

Descrição: Esta é uma etapa que foi cumprida pelo professor, coube a ele fazer os questionamentos sobre o assunto exposto, neste caso a Nanociência e a Nanotecnologia. Os questionamentos partiram de questões simples:

- i) Qual o significado de Nanociência?
- ii) O que significa nanometro ?

iii) Por que o celular, mps estão cada vez menores e com mais recursos? Como isto é possível?

## Etapa 2: Compreensão da escala

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Descrição: Neste estágio foram apresentados, aos alunos, os slides que auxiliaram na compreensão da redução da escala.

i)Inicialmente foi feito um questionamento aos alunos, como forma de motivá-los. 'Para aumentar e diminuir o volume bem como a área superficial basta alterarmos uma variável, você saberia dizer qual?'

Usando uma demonstração computacional observamos um cubo sendo dividido em partes menores, sendo que o volume total permanece o mesmo, mas a área superficial é muito maior. O que demonstra uma necessidade de substituirmos a escala usada.

ii)Após esta divisão inicial foi feito o seguinte questionamento aos alunos. 'Podemos dividir esse cubo muitas vezes. Mas é possível continuarmos contando? Como poderíamos calcular essa quantidade?'

## Etapa 3: Aplicações práticas da Nanociência e Nanotecnologia

Descrição: Essa etapa do trabalho consistiu em apresentar aos alunos quais são os produtos que utilizam esta tecnologia, como novos equipamentos, materiais e estruturas que utilizam a escala nanométrica. O mais importante neste caso é a relação que existe entre a Nanociência e o mundo em que o aluno vive.

Neste momento também foi importante que os alunos compreendessem as conseqüências da manipulação atômica e molecular, destacando os riscos e os benefícios que isso pode trazer ao ser humano. O paralelo comparativo entre vantagem versus risco deixa o aluno em condições de refletir sobre novas tecnologias e sua validade, levando o campo da discussão por meio da ética e da filosofia, transcendendo o campo da Física e possibilitando uma realidade mais ampla sobre o assunto. Esta etapa foi fundamental para a produção de textos dissertativos relativos à próxima etapa.

## Etapa 4: Produção textual

Nessa etapa ocorreu a efetiva elaboração de argumentos sobre o tema desenvolvido onde os alunos dissertaram a respeito do assunto trabalhado, posicionando-se sobre o tema 'Nanociências, seus benefícios e implicações'. As dissertações neste caso foram feitas em colaboração com os professores de Língua Portuguesa para a efetiva compreensão do tema a ser abordado, bem como pra a correção dos textos. Esse vínculo presta-se a demonstrar que a Física não é estática e tão pouco engessada em equações e leis desconexas da realidade e sim uma ciência dinâmica e atual, e que necessita o auxilio de várias áreas do conhecimento para ser amplamente compreendida.

Neste momento também foi importante que o professor de Física, autor deste artigo, verificasse se o problema proposto fora bem compreendido por todos os alunos, pois comparar vantagens e desvantagens requer argumentos dos mais variados tipos. Este fato foi avaliado por meio dos textos e das respostas e discussões dos alunos em sala de aula.

## Resultados e discussões

As análises das atividades desenvolvidas perpassam por tópicos seguindo a seqüência implementada e sugerida na metodologia da estratégia didática.

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A implementação obedeceu às etapas previamente definidas, vislumbrando como finalização a aferição do conhecimento adquirido.

- O público alvo contemplou um total de 150 alunos do terceiro ano do Ensino Médio. A implementação ocorreu em dois períodos seqüenciais de aula, usando projetor de multimídia e material impresso. A produção textual ocorreu em mais um período de aula.

Durante a primeira etapa desenvolvida os alunos foram questionados sobre a origem e a aplicação da Nanociência.

Foi importante o fato de o professor conseguir reconhecer os conhecimentos já existentes dos alunos, buscando as idéias iniciais a respeito do assunto que seria trabalhado, promovendo questionamentos e indagações. Verificar e considerar o que os alunos já sabem como ponto de partida no desenvolvimento do assunto enriquece a transformação e reconstrução do conhecimento (PEREIRA, 2009).

Desta forma, neste trabalho os alunos foram argüidos e também descreveram de forma impressa algumas questões motivadoras relacionadas com Nanociências e Nanotecnologia, como as apresentadas a seguir:

- i) Qual o significado de Nanociência?
- ii) O que significa nanometro?
- iii) Por que o celular, mps estão cada vez menores e com mais recursos? Como isto é possível?

Durante a discussão observou-se, por meio do material impresso devolvido ao professor, que a maioria dos alunos, cerca de 70%, demonstraram conhecimento sobre o tema e que o mesmo foi obtido por meio de jornais e revistas, mas seus conhecimentos mostraram-se superficiais. Por outro lado, outros alunos já haviam ouvido falar sobre o tema, mas não sabiam exatamente do que se tratava, sabiam que havia materiais que usavam essa tecnologia, mas não sabiam precisar exatamente quais. Alguns até citaram que se tratava de trabalhar com átomos, mas não tinham idéia como era exatamente.

De forma geral, avaliando os depoimentos de sala de aula e também disponibilizados na avaliação, observou-se a investigação inicial é essencial para motivação dos alunos e para que alguns falem pela primeira vez sobre o tema, expressando suas curiosidades. Um exemplo avaliado foi o que diz respeito ao celular, uma vez que todos tinham os seus aparelhos junto e comparavam tamanhos e recursos disponíveis, explicitando que o tema abordado encaixava-se dentro de um contexto familiar e que seria de fácil assimilação dos mesmos.

Na segunda etapa os alunos foram convidados a ampliar seus conhecimentos sobre a escala nanométrica, onde os mesmos trabalharam com auxílio de projeções de multimídia e material impresso. O material foi desenvolvido buscando uma possibilidade de compreensão que corpos macroscópicos são constituídos de pequenas partes, sendo estas, constituídas de partes ainda menores e invisíveis.

A implementação do material ocorreu em um período de aula regular. Os alunos receberam cópia impressa do material, com várias lacunas a serem preenchidas, e questionamentos a serem respondidos durante a implementação. O uso de material didático para auxiliar na compreensão de assuntos abstratos

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favoreceu, como neste caso, na construção de modelos mentais relacionado aos assuntos trabalhados. Durante a atividade, parte foi realizada em sala de aula e outra ficou para ser finalizada em casa, para continuar e ampliar a discussão no próximo período de aula. A atividade desenvolvida em casa consistia basicamente em preencher a Tabela 1, onde o aluno deveria escolher o tamanho da aresta de um cubo e, a partir desta, ir diminuindo o tamanho da aresta, observando que o volume total permanece o mesmo, mas a área superficial aumenta consideravelmente durante o processo de fragmentação.

- A Tabela 1 apresenta um exemplo da análise dos dados, preenchida pelos alunos.
- O preenchimento da Tabela 1 auxiliou os alunos a perceber que quando o tamanho da aresta é reduzido a área superficial aumenta, mas o volume total permanece constante. Importante destacar também que nesta etapa, os alunos concluíram que seria impossível fazer a contagem do número de cubos a 'olho nu', pois a quantidade tornava-se cada vez maior, em escala exponencial, atingindo o objetivo nesta etapa que consistia em levá-lo a necessidade da redução da escala.
- A utilização de figuras ilustrativas e animações gráficas, projetadas com multimídia, auxiliou consideravelmente na compreensão da fragmentação dos corpos macroscópicos, permitindo que os alunos pudessem fazer relações de área e volume dos corpos menores que eram partes constituintes do corpo maior. O desdobramento de um cubo em partes menores foi facilmente observada, principalmente na parte referente a manutenção do volume e o aumento da área superficial.

Tabela 1: Exemplo de preenchimento da Tabela 1 para o número de cubos e a área superficial.

É necessário destacar que no caso do preenchimento do material impresso cerca de 80% dos alunos conseguiram fazer as diferenciações entre as dimensões 0D, 1D, 2D e 3D, sugerindo o ponto como exemplo de objeto de zero dimensões, fios e linhas para exemplos de objetos de uma dimensão, chapas e discos como objetos de 2 dimensões e caixas, cubos e bolas para objetos de 3 D. Ressalta-se que, mesmo os alunos citando exemplos de produtos que estão em um tamanho macroscópico, a idéia de dimensionalidade maior ou menor em uma das escalas foi contemplada.

Em relação ao preenchimento da tabela solicitada, cerca de 70% dos alunos fizeram todas as contas para todos os valores e um grupo de aproximadamente 20% observou que era uma função exponencial e que bastava aumentar a quantidade de zeros usando uma sequência, para se obter a resposta da próxima fragmentação. Por outro lado, observamos que cerca de 30% do total de alunos não entendeu o

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processo de preenchimento deixando a tabela em branco. O fato relacionado com a incompreensão de alguns alunos ficou evidente pela falta de interesse inicial sobre o tema, já que os conceitos matemáticos para o desenvolvimento da tabela eram já conhecidos pelos alunos.

A terceira etapa gerou grande expectativa por parte dos alunos, pois estava relacionada com as aplicações tecnológicas, novos materiais, produtos e aplicações que envolvem a Nanociência. A etapa foi desenvolvida com uma palestra geral sobre Nanociências onde foram apresentados aos alunos os materiais e locais onde estava presente esta tecnologia, ressaltando a importância e também os problemas a respeito deste tipo de materiais, criando um paralelo de possibilidades e considerações a cerca da Nanotecnologia.

A utilização de multi-estratégias de ensino para a compreensão mais ampla do que é a Nanociência e a sua aplicação a Nanotecnologia, fez com que os alunos conseguissem argumentos satisfatórios para suas produções textuais apresentada na quarta etapa .

Podemos destacar alguns posicionamentos nos fragmentos retirados na íntegra das dissertações dos alunos.

Resposta 1: ... É bem legal os equipamentos com tecnologia nanométrica, mas o problema é quando quebra, a gente coloca no lixo? ...

Resposta 2: ... Estruturas tão pequenas, também geram lixo pequeno, e a gente nem consegue vê-lo...

Resposta 3: ... A Nanociência parece a solução pra tudo. E a solução dela ? Tem ?...

Nestes fragmentos observamos uma preocupação com os detritos gerados pelos equipamentos, bem como pela poluição nanométrica.

Resposta 4: ... Dizem que tem roupa que não precisa lavar que tem geladeira que mata germes, mas as pessoas não estavam adaptadas a fazer e conviver com essas coisas?...

Resposta 5: ... As maravilhas da manipulação átomo a átomo, podem nos ajudar a viver mais e melhor, mas o custo disto ninguém sabe...

Resposta 6: ...O celular pode ficar cada vez menor, e no futuro vai ser possível colocar chips para detectar doenças, mas se isso se virar contra as pessoas?...

Resposta 7: ... Onde será que vai levar as inovações? Para um mundo de botões e chips, que nos ajudam, e que não viveremos sem eles...

Resposta 8: ... O que mais falta inventar? Já tem quase tudo, roupa que não precisa lavar, tinta que não risca, que não permite passagem de onda de celular, mas o que fazer com o lixo atômico?...

Resposta 9 : ... A Biologia explica muitas coisas quando se altera e modifica o DNA, mas quando altera o DNA do DNA o que vai acontecer?...

Pela observação destes fragmentos, podemos concluir que na maioria dos casos a preocupação dos alunos esteve no paradoxo entre vantagens e desvantagens, que foi o objetivo proposto inicialmente. Este fato mostra que a

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compreensão do tema abordado foi satisfatória. De forma que em alguns casos foi mais aprofundada e em outras mais superficiais, demonstrando que a grande maioria entendeu que a Nanociência não será a resposta para tudo e sim uma possibilidade de auxílio e inovação, mas que muito ainda tem que ser feito, principalmente no que diz respeito às sobras e resíduos.

Nas produções textuais, que somente os alunos do terceiro ano realizaram, o número de alunos que sugeriu outros exemplos, além dos comentados durante a implementação, foi de aproximadamente 50%, ou seja, preocuparam-se em extrapolar as idéias iniciais sobre o tema e demonstrando também que buscaram subsídios teóricos além da sala-de-aula.

Uma parcela dos alunos deteve-se no foco principal das indagações solicitadas na dissertação: 'Nanociências, seus benefícios e implicações'. Aproximadamente 60% dos alunos direcionaram seus textos nesta comparação, porém uma parte preocupou-se em apenas falar dos benefícios, cerca de 30 %, e os demais fugiram do assunto abordado. Desta forma, conclui-se que a abordagem utilizada nas etapas deste trabalho não contemplou de forma homogênea o grupo avaliado.

Da mesma forma, contou-se com a análise da professora de Português, onde ela ressaltou que esse tipo de comportamento, não seguindo o tema exatamente como o proposto em uma dissertação, é bastante comum. A docente também ressalta que se tratando de um assunto relacionado com a vida do aluno, onde sua opinião deveria constar no processo, ele poderia facilmente tangenciar o tema, uma vez que, em muitos casos, a explanação mais intensa em sua produção textual é a própria vivência.

A forma metodológica usada para trabalhar um assunto inovador, deve preferencialmente também ser inovadora. Trabalhar temas contemporâneos associados à Física no Ensino Básico é possível desde que ancorada em subsídios metodológicos que auxiliem a compreensão do assunto trabalhado usando um modelo adequado. Ressaltamos que os objetivos iniciais foram alcançados de forma que os alunos foram instigados e buscaram compreender as novas tecnologias associadas aos seus benefícios, mas também precisam ser manuseadas e usadas com certo cuidado.

Outros temas associados a FMC podem ser abordados de mesma maneira, ou seja, de forma diferente que a maneira tradicional, deixando claro que o aprender perpassa por varias áreas de conhecimento e não, em fragmentações disciplinares, podendo ser mutável a adaptável e não estando engessada e estática. A física, a química, a biologia e outras áreas podem sair da sala de aula e participar da vida dos alunos, e estes como agentes ativos do processo e não como meros espectadores da própria vida.

Pelos argumentos e resultados apresentados acredita-se que este trabalho deve ser realizado em conjunto com os professores de Língua Portuguesa, pois a interpretação e criação de argumentos sólidos e satisfatórios passa pela produção textual.

Finalmente, pode-se concluir que a implementação conseguiu atingir a maioria dos alunos de forma satisfatória tem termos de motivação e sensibilização sobre o tema. Ressalta-se, nessa linha, que os posicionamentos durante as dissertações dos alunos a cerca do tema foram o mais diversos relatando os

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benefícios e os riscos da Nanotecnologia. Vale lembrar que a sequência metodológica foi modificada pós implementação, verificada a partir desta avaliação, para que na próxima aplicação seja ainda mais eficaz e eficiente.

## REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Educação, Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino Médio. Brasília, MEC/SEMT, 2000.

BROCKINGTON, G. ; PIETROCOLA, M. O ensino de Física Moderna na Escola Média: Os modelos e o realismo cientifico na sala de aula . Atas do V Enpec n 5, Bauru, SP, 2005.

ELLWANGER, A.; FAGAN, S.B. e MOTA, R. Do metro ao nanometro: um salto para o átomo . SNEF, Vitória, ES, 2009.

FERREIRA, P.J.; ALBUQUERQUE J. M. A Nova Economia: Nanotecnologia. Disponível em: http:www.me.utexas.edu~ferreiraessaysnanoeconomia9.pdf, consulta em 20 de abril de 2009.

HEALY, N. Why Nano Education? Journal of Nano Education v.1, 2009 p. 6 e 7.

MOREIRA M. A. (2000) Aprendizagem Significativa Crítica . III Encontro Internacional sobre Aprendizagem Significativa. Atas do Encontro, p. 33-45, com o título original de Aprendizagem Significativa Subversiva. Lisboa (Peniche), 2000.

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OSTERMANN, F.; MOREIRA, M. A. (2000) Uma Revisão Bibliográfica Sobre A Área De Pesquisa "Física Moderna e Contemporânea no Ensino Médio" Disponível em: http://www.if.ufrgs.br/public/ensino/vol5/n1/v5\_n1\_a2.htm Acesso em: 29 jun. 2008.

PEREIRA, C.R.; BASSO, N.R.; BORGES, R. M.R. Unidade de Aprendizagem sobre Citologia e Nanotecnologia: Um novo olhar ao século XXI . Experiências em Ensino de Ciências - v.3, p.7-17, 2008.

PEREIRA, Carmem. R. Nanotecnologia e Citologia. Perspectivas para o ensino de Biologia no século XXI. Dissertação de Mestrado, Programa de pós-graduação em Educação em Ciências e Matemática, PUC, Porto Alegre, RS, BR, 2009.

ROSA, K.; STEFFANI, M.H. Produção textual no ensino de Física: o estímulo à escrita através da História com o uso de material paradidático . SNEF, Rio de Janeiro, RJ, 2005.

SONZA, A. e FAGAN, S.B. Física Moderna no Ensino Médio: como o tema é abordado na região de Santa Maria - RS? SNEF, São Luis, MA, 2007.

TOMA, E. H. O Mundo Nanométrico: a dimensão do novo século . Oficina de Textos, São Paulo, 2004.

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