LEMBRANÇAS QUE TRABALHADORES DO SEGMENTO INDUSTRIAL TÊM SOBRE A FÍSICA ESCOLAR
Nilson Marcos Dias Garcia
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XI
- Ano
- 2008
- Data
- 23/10/2008
- Linha de pesquisa
- Ctsa E O Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## LEMBRANÇAS QUE TRABALHADORES DO SEGMENTO Ç INDUSTRIAL TÊM SOBRE A FÍSICA ESCOLAR
## MEMORIES OF INDUSTRIAL WORKERS ABOUT SCHOLAR PHYSICS
## Nilson Marcos Dias Garcia 1
Universidade Tecnológica Federal do Paraná/Programa de Pós-Graduação em Tecnologia-aDepartamento AcAcadêmico de Física/nilson@utfpr.edu.br
## Resumo
O presente trabalho refere-se a uma pesquisa mais ampla, que teve como objetivo identificar aspectos da Física escolar presente nas atividades de trabalhadores do segmento industrial. Dentre os diversos temas que foram objeto da investigação, são apresentados resultados daqueles que dizem respeito às lembranças dos trabalhadores acerca da Física aprendida nas escolas que haviam freqüentado , assim como de seus professores; o papel desse aprendizado no entendimento de aspectos da Física presentes em sua atividade produtiva e e também as sugestões e observações que eles, hoje, ex alunos e já trabalhadores, dariam para que a Física ensinada pudesse melhor atender suas expectativas profissionais. A pesquisa foi realizada como um estudo de caso em uma indústria de motores elétricos e dela participaram setenta e três trabalhadores que já haviam completado pelo menos o Ensino Médio, envolvendo desde gerentes e supervisores até técnicos e operadores, e os dados brutos foram obtidos a partir de entrevistas realizadas nos seus locais de trabalho. Os resultados apontaram que trabalhadores se lembram que suas aulas de física f foram de caráter mais teórico que prático, em escolas sem laboratório ou locais que se pudessem desenvolvever atividades práticas. Os professores, por sua vez, foram lembrados por suas posturas pessoais e profissionais, tanto por seus aspectos positivos quanto negativos. As sugestões dadas indicaram aspectos pessoais e profissionais que eles gostariam que os professores fossem detentores; ações institucionais que as escolas adotassem e preocupações com o significado que a Física escolar poderia ter para uma melhor relação dos conteúdos escolares com a sua aplicação nas suas atividades profissionais.
Palavras -c -chave: Memórias escolares, Ensino de Física e trabalho industrial, Física escolar e processo produtivo .
## Abstract
This work refers to a wider research, which aimed to identify aspects of scholar Physics present in the activities of industrial workers. Among several themes that have constituted this investigation, there are presented the results regarding the memories that the workers have about the Physics knowledge they have learned in school, as well as their teachers; the role of this knowledge in comprehending
Physics aspects present in their labor activities and also the suggestions that they would make, as ex-students and current workers, so this taught knowledge would better attend their hopes and needs as professionals. The research was conducted as a case study in an industry of electrical engines and sixty-y-three workers participated, all of them having completed at least the High School, including managers, supervisors, technicians and operators, and the data was obtained based on interviews made in t their workspace. The results point that workers remember that their Physics classes had a more theoretical character, not really practical, in schools with no laboratories or proper places where could be developed practical activities. The teachers, on the e other hand, were remembered by their personal and professional attitudes, by their positive and negative aspects. The suggestions made pointed out at personal and professional aspects that the workers would like the teachers to have or develop; institutional actions that they would like the schools to adopt and concerns about the meaning that scholar Physics could have in order to expand the relationship of the scholar contents and their application in the workers' professional activities.
Keywords: School memories; Physics teaching and industrial work; Scholar Physics and industrial production process.
## Introdução
Algumas das questões freqüentemente presentes nas nossas salas de aula e mesmo naquelas situações em que se estabelecem as reorganizações curriculares dizem respeito ao papel que os assuntos escolares desempenharão quando os alunos do Ensino Médio, ao terminarem seus estudos, se depararem com o ingresso no mundo do trabalho. Essas questões envolvem a também quase sempre presente pergunta de nossos alunos quando abordamos um assunto novo: "Professor, para que serve isso que estamos estudando? Onde iremos usar isso?".
Diversos estudos têm sido feitos com a a finalidade e de responder a essa questão, principalmente aqueles que têm como objeto de investigação as categorias mais presentes no campo das relações entre Educação e Trabalho, no âmbito do qual essas questões são tratadas de maneira mais geral, não descendo à especificidade das disciplinas escolares.
Quando o interesse se volta para o papel que uma ou outra disciplina, especificamente, desempenhará na futura vida profissional dos alunos, contrariamente à situação anterior, são poucos os estudos realizados, como verificado por Toti e Pierson (2006). Dessa forma, tem-s-se revelado muito grande a distância entre o estudo da escola e de seus compromissos sociais e o estudo da sala de aula, onde realmente acontecerá a transposição didática dos conteúdos que serão incorporados ao cotidiano dos alunos .
Visando entender melhor essa situação o presente estudo , fruto da continuidade de uma investigação que vem sendo desenvolvida pelo autor já há algum tempo e que tem procurado identificar assuntos escolares de Física que são lembrados por trabalhadores dos segmentos industriais até agora investigados (refrigeração, ar condicionado de veículos, motores a explosão, motores elétricos,
equipamentos eletrônicos) 2, busca identificar elementos que possam diminuir essa distância . 2
Tomando como locus de investigação a fábrica, procura-se, através da pesquisa no espaço industrial, buscar indícios que possam subsidiar uma reflexão a respeito do espaço escolar. A escolha pela fábrica tem sido feita pelo fato de entender -s -se que, em última instância, toda educação é uma educação para o trabalho. Dirigindo-se à fábrica e pesquis ando trabalhadores, ex-alunos, poder-se-á investigar e tentar responder a uma outra pergunta, essa feita por nós professores: "Afinal, para que servirá ou onde será aplicado isso que eu estou ensinando quando esse meu aluno ingressar no mundo do trabalho?"
- É justamente a resposta a essa pergunta que se tem procurado nessa investigação. A respeito da escola muito já se sabe, resultado de exaustivas pesquisas. Entretanto, a respeito da utilização que nossos alunos de Ensino Médio, principalmente aqueles que nãnão seguirão ou não conseguirão seguir em estudos superiores , fazem do que ensinamos em nossas aulas, pouca coisa tem sido registrada.
- Os resultados obtidos por essa pesquisa a junto a trabalhadores têm possibilitado identificar, no universo fabril, os assuntotos escolares aos quais os trabalhadores, na condição de alunos, tiveram acesso nas suas aulas de Física e que hoje, na condição de trabalhadores, os percebem presentes na suas atividades laborais. TêTêm também permitido verificar o significado que esse aprendizado exerce para a obtenção e manutenção de seus empregos e obtido informações a respeito de como esses trabalhadores vêem a escola que freqüentaram e de como eles se recordam dos seus professores e da Física que lhes foi ensinada, aspectos esses que serãrão objeto desse trabalho.
## Fundamentação teórica
A chamada Terceira Revolução Industrial, apoiada na micro informática e em novas formas de gestão, ao invadir o universo da produção com um sem número de "novas tecnologias", tem provocado uma mudança significativa nos modelos da produção industrial, por superar, ou pelo menos superpor aos paradigmas do fordismo, aqueles caracterizados pela incorporação de um sem número de descobertas científicas e de inovações , presentes na chamada produção flexível.
Ao incorporar às máquinas e aos seus controles alguns dos avanços conseguidos através das pesquisas no campo das ciências, a produção flexível tem também provocado uma mudança nas exigências impostas aos trabalhadores, principalmente aquelas decorrentes da incorporação de conhecimentos, usualmente conquistados pelo acesso à escolarização. Se num processo produtivo de concepção tipicamente fordista, (HIRATA, 1994; ASSIS, 1994; MORAES e FERRETTI, coords., 1999), exige-se do trabalhador força e habilidade para operar
as máquinas, na produção flexível as exigências ocorrem, dentre outras, no campo da informática, de idiomas, da polivalência, do conhecimento geral, da habilidade em se relacionar. Além disso, e decorrente da interpretação de uma nova forma de entender as responsabilidades, diferentemente do que acontecia na fábrica tradicional, em que a empresa oferecia mecanismos para escolarizar seus funcionários, a responsabilidade pelo não saber ou pela sua busca, atualmente, recai sobre o próprio trabalhador .
Dessa forma, a tendência e a necessidade do incremento de novos s saberes têtêm influenciado significativamente a forma com que os alunos, futuros trabalhadores, vêem a importância da escolarização e do conhecimento, confirmando as descrições feitas pelos pesquisadores das relações entre a Educação e Trabalho, tais como Saviani (1994), Assis (1994), Frigotto (1998a e 1998 b), Shiroma (1999), Kuenzer (1999) e Moraes e Ferretti (coords., 1999).
Atribuindo -s -se à escola uma grande responsabilidade na formação de cidadãos trabalhadores e considerando que ela não se organiza independentemente do modo de produção vigente, modificações no sistema produtivo suscitam não só novas formas de transmissão do conhecimento escolar como também modificam o tipo e a natureza do conhecimento transmitido.
Entretanto, e tratando-o-se especificamente do ensino de Física, apesar de tudo o que se sugere nas diversas Diretrizes e Parâmetros Curriculares, o ensino dessa disciplina usualmente não inclui abordagens que revelem preocupação em contemplar conhecimentos presentes no atual estágio de desenvolvimento tecnológico e pouco têm contribuído para diminuir a distância entre o saber escolar e o tecnológico, presente num sem número de situações, inclusive na fábrica, objeto de nosso estudo .
Essa preocupação, segundo Pietrocola, Pinho-A-Alves e Pinheiro (2003)
pode ser percebida no texto dos Parâmetros Curriculares Nacionais, que ao definir, na área de ciências , por exemplo, a Física do cotidiano, aponta para objetivos que estariam para além das fronteiras da disciplina científica strito senso. Segundo esta perspectiva, a Física escolar deveria ser capaz de articular seu discurso sobre os fenômenos tecnonaturais presentes no dia a dia dos indivíduos. Este tipo de discurso aparece de forma clara no capítulo destinado ao Ensino de Física dos PCNEM". (p. 134)
## Os PCNEM, por sua vez , indicam que
o ensino de Física tem -se realizado freqüentemente mediante a apresentação de conceitos, leis e fórmulas, de forma desarticulada, distanciados do mundo vivido pelos alunos e professores e não só, mas também por isso, vazio de significado. Privilegia a teoria e a abstração, desde o primeiro momento, em detrimento de um desenvolvimento gradual de abstração que, pelo menos, parta da prática e de exemplos concretos. (....) Insiste na solução de exercícios repetitivos, pretendendo que o aprendizado ocorra pela automatização ou memorização e não pela construção do conhecimento através de competências adquiridas. (BRASIL , 1999, p. 32).
Essa consideração está corroborada em trabalho recente desenvolvido por Carvalho (2007, p. 5 e 23), ao analisar alguns aspectos dos livros didáticos nacionais de Física, inclusive os escolhidos pelo Programa Nacional do Livro Didático o para o Ensino Médio (PNLEM). Por ser interpretado como um dos grandes curriculistas dessa disciplina, ou seja, seu ordenamento didático e sua proposta pedagógica pode influenciar as decisões da escola e do professor, o livro didático
pode também ser parcialmente responsabilizado por aquele distanciamento entre o conhecimento escolar e o tecnológico e , além disso , pelo desestímulo pelo aprendizado, por sua exagerada presença de fórmulas e pelo desvinculamento de situações factíveis.
A respeito do papel desempenhado pelo livro didático na organização curricular, também são Pietrocola, Pinho-A-Alves e Pinheiro (2003), que ponderam não ser
... leviano afirmar que as estruturas curriculares se valem dos livros didáticos para se organizarem. A opção de tal ou tal livro didático determinará, a principio, a constituição das disciplinas que assumem seu espaço curricular, demarcado pelo tempo (número de aulas) e profundidade. Mesmo que o discurso didático do professor seja amplo, abrangente e propicie contextualizações, em geral, ele fará uso de exercícios e problemas do livro didático e sua avaliação terá como base a literatura disciplinar do livro adotado. (p. 135)
As atuais Diretrizes Curriculares (B(BRASIL, 1999, p. 6) recomendam que o ensino de Física deve envolver um aprofundamento dos saberes disciplinares, assim como dos conteúdos tecnológicos e práticos . Porém, na prática, tem sido muito difícil ser desenvolvida, em sala de aula, uma Física escolar capaz de abordar aspectos do cotidiano dos alunos. Ainda mais quando esse cotidiano supera o cotidiano escolar e envolve o cotidiano do mundo do trabalho, já vivenciado por um sem número de alunos e alunas do Ensino Médio, principalmente os do turno noturno, que já são trabalhadores e que vivenciam, de maneira mais aguda, a distância entre a sala de aula e o mundo do trabalho.
Visando ampliar o entendimento do que pode ser significativo, no que concerne à Física escolar, para os alunos , trabalhadores e futuros trabalhadores, é que a presente pesquisa tem sido realizada. Por ser um projeto que está se desenvolvendo há algum tempo o e seus objetivos serem mais amplos , neste trabalho será dada especial ênfase e aos resultados que dizem respeito às percepções dos trabalhadores sobre as suas experiências como alunos e as sugestões deles a respeito dessa situação, resultantes das mais recentes investigações.
## A pesquisa
Nessa etapa da pesquisa a empresa investigada foi a WEG, uma multinacional brasileira, produtora de motores elétricos, que tem sua sede em Jaraguá do Sul, em Santa Catarina. Dessa empresa foram investigadas três de suas fábricas: a Fábrica Um, que segue um padrão de montagem tradicional dos motores, com grande participação de mão de obra na execução das tarefas; a Fábrica Cinco, cujos motores são montados em grande parte de maneira automatizada e a Automação, que produz dispositivos controladores informatizados dos diversos tipos de motores.
Antes do contato com os participantes da pesquisa, diversas visitas monitoradas foram feitas ao parque industrial da Empresa, a, para que fosse possível terrse uma visão tanto dos equipamentos utilizados como dos diversos segmentos produtivos envolvidos. Após essas visitas, eram selecionados os participantes da pesquisa, escolhidos segundo critérios especificados e que envolvessem todos os níveis hierárquicos de cada uma das fábricas.
Assim, além dos funcionários do Serviço de Recrutamento de Pessoas e dos gerentes, que expressam ou representam as posições da Empresa, a, participaram supervisores e técnicos, que exercem uma função de intermediação entre os interesses da Empresa e os trabalhadores, e e os funcionários da manutenção e operadores de máquinas, que atuam na produção propriamente dita. . Escolhidos os participantes, com estes foi realizada uma reunião para esclarecer detalhes da pesquisa e assinar os termos de consentimento de participação. Após, em horários especificados, eles preencheram um documento (que será denominado de questionário) e concederam uma entrevista ao pesquisador.
Participaram da pesquisa, agrupando os resultados das três fábricas, setenta e três funcionários, assim distribuídídos: recrutamento de pessoas (R(RP - 2), gerentes (GE - 4), supervisores (SV - 6), engenheiros de processos e produtos (EP 4), técnicos (T(TC 16), manutenção (M(MN 4) e operadores (O(OP 37). Foram realizadas setenta e três entrevistas com duração média de trinta minutos e recolhidos sessenta e três questionários .
As análises foram conduzidas de forma a explicitar: 1) as percepções dos trabalhadores a respeito das práticas escolares relativas ao conhecimento de Física; 2) o papel da escolarização e do conhec imento de Física na obtenção e manutenção do emprego, para os diferentes grupos de entrevistados e 3) as imagens que os entrevistados faziam da escola que consideravam ideal e dos conhecimentos de Física que os mesmos interpretavam como sendo fundamentais p para o exercício de sua profissão.
Alguns destes resultados e análises, principalmente os que se referem às às lembranças que os trabalhadores tinham de suas aulas de Física e de seus professores; à percepção e o entendimento da Física presente nas máquinas nas quais eles trabalham; nas suas opiniões a respeito da Física ensinada na escola; e às sugestões que eles dariam para que a organização de um programa de Física lhes atendesse suas necessidades profissionais, serão apresentados nesse trabalho.
## Os resultados
Os resultados apresentados dizem respeito a três pontos que foram explorados nas entrevistas com os participantes e que são a seguir apresentados:
- 1. Que lembranças você tem das suas aulas de Física? (conteúdos - - formas de abordagem - teve laboratório - papel e importância do laboratório - - porque é valorizado o laboratório --distinção entre conhecimento básico e aplicado)
- 2. Você percebe/entende a Física presente nas máquinas que você opera/ no processo produtivo desta empresa? A Física que você aprendeu na escola lhe ajudou / tem lhe ajudado a entender os processos industriais com os quais você trabalha?
- 3. O que você acha da Física ensinada na escola? Com relação à futura vida profissional dos alunos . Deu respostas às suas necessidades profissionais? Que sugestões você daria para a organização de um programa de Física? (forma de abordagem - conteúdos).
## As aulas de Física
De acordo com os respondentes, as aulas eram basicamente teóricas, com poucas aplicações. A maior parte das escolas em que estudaram não tinha laboratório. Disseram também que gostariam de ter tido aulas de laboratório , chegando alguns, inclusive , a alegar que se sentiam prejudicados e frustrados por não tererem tido o atividade nesse ambiente .
## Os p professores de Física
Poucos se lembram do nome do professor r ou professora, mas boa parte se lembra deles, tanto por seus aspectos positivos quanto negativos.
As lembranças positivas ficaram por conta de que ele ou ela dava exemplos, trabalhava com coisa práticas, sabia explicar, levava coisas para mostrar, fazia projetos, dominava o assunto, relembrava matéria, relacionava teoria com prática . Lembravam -se também por aspectos de caráter pessoal, principalmente daqueles que davam atenção aos alunos e eram amigos da turma.
As lembranças negativas , por sua vez, recaíram sobre os docentes que não mostravam coisas em sala de aula, só aplicavam fórmula e não desenvolviam conceitos, mecanizavam demais suas atividades, davam aulas maçantes. Também sob o aspecto pessoal lembraram-se de professores que eram "carrascos", que não se preocupavam com os alunos e nem com ensinar.
Chamou a atenção também o fato de ser registrado que o que pode ter atrapalhado nessa percepção, é ter havido muita mudança de professor durante o curso.
## A Física presente nas máquinas
A maior parte dos entrevistados relatotou que consegue perceber r a Física presente nas suas atividades laborais. Entretanto, também foi grande o número que diz que só começou a percebê-la estimulado pela pesquisa. Foi também chamada a atenção de que, na produção, não sobra ra tempo para ficar pensando a respeito do que acontece, pois o serviço é intenso e interminável. Explicar foge da rotina, foge da norma.
Além de perceber, também boa parte conseguiu identificar r e citar alguns dos assuntos escolares de Física presentes na sua atividade, assuntos esses que, em geral , são aqueles que estabelecem relação com aspectos macroscópicos da natureza, tais como velocidade, pressão, calor .
Relataram também que esses assuntos dos quais se lembravam foram aprendidos na escolola, havendo, entretanto, indicações de que esse aprendizado ocorreu no próprio trabalho ou em curso técnico ou mesmo por conta.
## A Física ensinada na escola
Poucos se expressaram a respeito do que achavam da Física ensinada na escola e se ela dava conta de atender às expectativas de conhecimentos exigidos
pelo seu trabalho. As poucas manifestações foram no sentido de que ela tem dado conta, o que corrobora a informação anterior de que boa parte dos assuntos por eles identificados foram aprendidos na escola .
## Sugestões
As sugestões dadas foram classificadas conforme diziam respeito a aspectos pessoais e profissionais dos professores; a aspectos institucionais das escolas e a preocupações profissionais dos respondentes.
## Aspectos pessoais
Na opinião dos trabalhadores, seria desejável que o professor de Física fosse flexível, honesto, que não " ferrarasse" os alunos, que desse atenção o a eles, que desse e aula não só por obrigação o e que essas aulas f fossem para todos e não apenas para os que fossem progredir, que fosse dinâmico, com bom relacionamento, aberto, motivado e alegre , mas que soubesse, que tivesse calma e fosse animador, que explicasse mais devagar r e desse oportunidade para os alunos fazererem perguntas, que fosse mais acessíve l e falasse com linguagem mais coloquial, que estabelecesse uma interação dos assuntos com os interesses dodos alunos e que tivesse oportunidade de mais t treinamento e qualificação .
## Aspectos profissionais
Sob esse aspecto, seria desejável que o professor de Física tivesse conhecimento e apresentasse exemplos, que relacionasse a teoria com a prprática e com o mundo, que colocasse os conceitos em prática, que fosse alegre , mas que soubesse, que aprofundasse no assunto, que se interessasse pelo Ensino Médio, que fosse capacitado , descobrisse o interesse do aluno, tivesse vontade de ensinar e não apenas de passar a matéria, que soubesesse transmitir os conceitos e não fosse superficial. Que tivesse um bom conhecimento prático, pois sem exemplo real não provocararia interesse da turma.
Também ponderaram que seria interessante que o professor levasse coisas para a sala de aula, que desse mais oportunidade e tempo para as perguntas dos alunos , que ensinasse algo para além da escola, que fosse para a vida. Disseram também que o mais importante é o que está tá sendo usado no dia a dia, que as atividades de laboratório deveriam existir sempre, valorizando a prática, para não deixar o ensino de Física reduzido a apenas fórmulas. Sugeriram também que o professor não se aprofundasse em assuntos que não serão utilizados e que fossem dados exemplos do cotidiano, do meio externo à sala de aula, principalmente com atividades práticas, pois só exercícios não cativam e não chamam a atenção. Ressaltaram que só não se esquece daquilo que chamou a atenção.
## Aspectos Institucionais
Sob o aspecto institucional, percebeu-s-se que seria desejável que os professores pudessem se qualificar. A quase unanimidade apontou que as escolas deveriam ter laboratório e material necessário para o desenvolvimento das
atividades. Que fosse dado mais tempo para as aulas e que a carga horária fosse suficiente, pois a matéria é dada de forma muito corrida.
## Preocupação com o trabalho
Nesse particular, as respostas foram no sentido de que as atividades de Física deveriam dadar ênfase ao que se está usando no trabalho, que o laboratório fosse voltado aos interesses dos segmentos produtivos . Nesse sentido, seria interessante descobrir os interesses da empresa, buscar o perfil profissional, os interesses e as necessidades da região, identificar r o que seria significativo na região, ver o que interessa à comunidade , para não abordar o que não interessa. Os assuntos deveriam ser vovoltados mais para uma área profissional, para o que as empresas estatariam precisando, sendo possível, inclusive, estabelecer parcerias para identificar os interesses da região.
## Considerações
Os resultados indicam que continua sendo bastante produtiva a investigação que avalia aspectos da escola tomando como referência impressões e lembranças de exxalunos, caso em que se enquadra a presente pesquisa. No caso em particular, por envolver ex-x-alunos trabalhadores, ela ainda pode exibir outras facetas do ambiente escolar, r, pois trazem à tona informações apoiadas em atividades produtivas em que, usualmente, o aprendizado aos quais os trabalhadores tiveram acesso é, é, ou pode ser solicitado, permitindo assim fazer uma reflexão a respeito, tanto dos assuntos escolares usualmente trabalhados na disciplina de Física quanto das estratégias para o seu ensino.
Mais uma vez foi fortemente reforçada a expectativa de que as atividades escolares, principalmente as de Física, deveriam ter uma abordagem mais prática, com mais atividades de laboratório, aspectos usualmente defendidos pelos pesquisadores em ensino de Física e que constam das diversas diretrizes curriculares .
Sobre as lembranças do professor de Física, foi possível notar um desejo que ele, ao mesmo tempo que estabelecesse uma relação cordial com os alunos, demonstrasse sólido conhecimento do conteúdo ensinado, tanto sob seus aspectos teóricos quanto práticos. Ao professor também parece ter sido atribuída, por parte dos entrevistados, , a responsabilidade de resolver os mais diversos problemas da educação, haja vista que, comparadas com as expectativas da postura do professor, é praticamente inexistetente a atribuição de responsabilidades institucionais ao processo educativo. São raros os momentos em que fica explícito que, para o professor desenvolver suas atividades de laboratório, há a necessidade de que este exista, que seja equipado e que as condiçições de trabalho favoreçam a sua utilização.
Um outro aspecto que também se evidenciou nos resultados reflete a polêmica intenção de que a escola seja moldada aos interesses da indústria. Mesmo sendo instâncias com funções e interesses distintos, foi sugerido que o ensinado na escola, e em particular com relação à Física , esteja adequado às exigências da produção industrial.
Nesse particular, ressalve-se, entretanto, a preocupação também presente de auscultar os interesses e necessidades da comunidade no sentido de dar mais significado ao que está sendo proposto para compor o conjunto de assuntos escolares de Física a ser ensinado, aspecto que pode muito bem ser considerado nas diversas discussões referentes a reformas e reestruturações curriculares .
## Refeferências
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