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RECURSOS TÁTEIS PARA O ENSINO DE ASTRONOMIA PARA DEFICIENTES VISUAIS EM TURMAS INCLUSIVAS

Adriana Oliveira Bernardes, Marcelo De Oliveira Souza

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XIX
Ano
2011
Data
01/02/2011
Linha de pesquisa
Aprendizagem Em Física
Tipo
Comunicação

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## RECURSOS TÁTEIS PARA O ENSINO DE ASTRONOMIA PARA DEFICIENTES VISUAIS EM TURMAS INCLUSIVAS

1,2

Adriana Oliveira Bernardes Marcelo de Oliveira Souza 1,3 1 UENF (Universidade Estadual do Norte Fluminense), LCFIS (Laboratório de Ciências Físicas) 2 CAMP (Clube de Astronomia de Itaocara Marcos Pontes) (adrianaobernardes@uol.com.br) 3 CALC (Clube de Astronomia Louis Crulls)

RESUMO:

A Educação Inclusiva hoje é o novo paradigma da educação mundial, é necessário hoje que toda diversidade de pessoas encontradas na sociedade conviva no espaço escolar e que este, se adeque as necessidades dos alunos, propiciando aos mesmos uma educação de qualidade e inclusiva. Neste contexto é importante que recursos didáticos sejam elaborados para propiciar ao aluno um melhor entendimento da disciplina de acordo com suas especificidades. A deficiência visual traz aos alunos e também aos professores várias dificuldades dentro da sala de aula da escola regular e materiais de áudio ou tátil se mostram importantes no processo de ensino e aprendizagem destes alunos. Estas escolas que queremos que se tornem inclusivas terão que trabalhar com materiais que possam ser utilizados por alunos com e sem deficiência visual. Neste trabalho apresentaremos material tátil elaborado para o ensino de Astronomia para deficientes visuais, bem como sua aplicação em sala de aula regular inclusiva.

Palavras-Chave:

Ensino de Astronomia, Ensino de Física, Educação Inclusiva.

INTRODUÇÃO:

Quando se fala em educação inclusiva, se fala de uma educação de qualidade, que constitua um diferencial para as pessoas, que forme o cidadão qualificado a viver em sociedade e ao mesmo tempo a ingressar no mercado de trabalho.

A educação inclusiva pode ser definida como: 'a prática da inclusão de todos\_ independente de seu talento, deficiência, origem socioeconômica ou cultural\_ em escolas e salas de aula provedoras, onde as necessidades desses alunos sejam satisfeitas' (Stainback & Stainback, 1999:21).

Educação esta, que possa ser desfrutada por todos os indivíduos que compõem hoje a humanidade, que sabemos ser composta por uma grande

diversidade de pessoas, na qual as diferenças indicam normalidade e devem ser vistas como algo natural.

As pessoas não precisam ser iguais, comportar-se da mesma forma, vestir-se, pensar, acreditar nas mesmas coisas ou possuírem as mesmas habilidades, muito menos é claro, aprender da mesma maneira que a outra e é na escola que o respeito à diferença deve começar, as escolas poderiam mostrá-las de forma positiva, contribuindo inclusive para que divergências sérias dentro da sociedade fossem amenizadas. Não se deve esquecer o importante papel da escola para uma sociedade mais justa, mais ética, acima de tudo é necessário não desistir desta função.

Sabemos que a escola atual está bem longe de ser inclusiva, esta escola exclui e não estamos falando aqui apenas de alunos com deficiência, mas também aqueles considerados 'normais' pela sociedade, porém que apresentem algum problema, segundo Mantoan (2002) estes problemas podem ser dificuldades para freqüentar a escola ou problemas de aprendizagem.

Palestras, debates, vídeos que trabalhem a questão da diferença poderiam ser utilizados e este trabalho deveria constituir-se num dever da escola. Sem contar a questão da deficiência, conhecer este universo, como vivem as pessoas com necessidades especiais e como devem ser tratadas ajudaria muito na inclusão destes alunos.

Segundo relatório da Unesco (1998), a educação do século XXI deverá ter como base quatro diretrizes, os chamados quatro pilares da educação: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver bem com os outros e aprender a ser e estas diretrizes deverão ser vivenciadas na escola chamada inclusiva.

Normalmente a escola se centra nas duas primeiras diretrizes, aprender a conhecer e a fazer, porém segundo o relatório supramencionado (Unesco ,1998), todas devem ser igualmente trabalhadas e em relação aos alunos com necessidades especiais é evidente a importância do trabalho com as duas últimas diretrizes (aprender a viver bem com os outros e aprender a ser), já que aprender a viver com outros envolve reconhecer as diferenças e aceitá-las como normais e

aprender a ser envolve questões importantes para todos indivíduos que é ter autonomia e viver com responsabilidade.

Segundo Delors (2003), aprender a viver junto envolve desenvolver a compreensão do outro e a percepção das interdependências. A escola inclusiva precisa exercitar nas pessoas a importância disto.

Educação inclusiva é um novo paradigma da educação cujas idéias surgiram na década de 70, sendo aplicadas nos países desenvolvidos na década de 80, tendo chegado as idéias no Brasil somente na década de 90, sofrendo influências da declaração de Salamanca (1994) e da LDB (1996) segundo a qual: o aluno que apresente algum tipo de deficiência deve ser matriculado preferencialmente em sala regular de ensino. O termo preferencialmente provoca algumas polêmicas, em alguns casos abrindo uma brecha para que estes alunos sejam inseridos em escolas especiais com a justificativa que a escola não poderá oferecer condições de manter o aluno suprindo todas suas necessidades na escola regular.

Segundo Mantoan (2003): 'As escolas que não estão atendendo alunos com deficiência em suas turmas regulares se justificam na maioria das vezes pelo despreparo dos seus professores para este fim'.

Porém, segundo o PCN (2006) 'A inclusão escolar impõe-se como uma perspectiva a ser pesquisada e experimentada na realidade brasileira'.(Brasil, 1998)

A escola de hoje, a qual desejamos inclusiva, deve ser composta por toda diversidade de pessoas que compõem a humanidade. E uma vez que seja respeitada a LDB estarão as escolas preparadas para receber estes alunos, oferecendo ensino de qualidade?

A princípio a resposta é muito simples, a resposta é não. Não existe em nossa cultura esta idéia e faltam recursos até mesmo para as pessoas ditas normais. Mas é a escola e seus atores que tem de oferecer uma solução para o problema.

## O ENSINO DE CIÊNCIAS

O ensino no Brasil, que apresenta sérios problemas, particularmente, na área de Ciências, já encontra dificuldades em ensinar alunos ditos 'normais', como poderia ser eficaz para alunos com deficiência? De que forma?

Dados apresentados pelo Enen (2003) no qual a média geral na prova objetiva foi 36,90, numa escala de 0 a 100 mostram quão falho é o ensino nas escolas e que caminhos devem ser apontados para melhoria em longo prazo dos processos de ensino e aprendizagem que resultassem no futuro em melhores resultados.

Um dos pontos que deve ser reforçado é a formação dos professores e também a criação de materiais didáticos inclusivos. Já que: 'Os recursos didáticos, as atividades contextualizadas e novas tecnologias têm papel importante para que a escola se torne inclusiva'. (Bernardes & Souza, 2008).

Acreditamos na importância da utilização de materiais que chamamos inclusivos, materiais estes que poderíamos definir como materiais que potencialmente pudessem ser utilizados em salas de aula regular, por alunos com ou sem deficiência.

## ELABORAÇÃO DO MATERIAL TÁTIL

Para elaboração do material tátil foram testados dois tipos de materiais acessíveis e baixo custo: a porcelana fria e a madeira.

A porcelana fria, popularmente conhecida como 'biscuit' é uma mistura de amido de milho, cola branca, limão ou vinagre e vaselina.

A massa é assim chamada, pois não necessita ser cozida em forno, secando em contato com o ar, sendo considerada de fácil preparação e de baixo custo.

Foram reproduzidos então em porcelana fria: a superfície da lua, de Vênus e de Mercúrio.

Utilizamos madeira (compensado de 3mm) para elaborar as constelações, desenhadas no compensado e as estrelas representadas por bolas de isopor

coloridas. O que fazia com que pudesse ser utilizada tanto por alunos com deficiência visual, quanto por alunos sem deficiência.

As bolas de isopor representavam as estrelas e eram pintadas de vermelha quando se tratava de uma estrela vermelha e de azul quando era uma estrela azul, o que nos permitia discutir o porquê de serem estrelas de cores diferentes, justificando-se que era devido a sua temperatura. Estrelas vermelhas eram mais frias e as azuis mais quentes.

Apesar da deficiência visual alguns alunos ainda conseguiam distinguir vultos por isso utilizou-se as cores nos recursos táteis, o outro motivo foi o fato do material ser utilizado também por videntes.

Nas figuras 1 e 2 abaixo podemos visualizar fotos dos recursos táteis elaborados:

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APLICAÇÃO DO MATERIAL TÁTIL BRANDÃO VILELA Figura 1 - Constelação do Escorpião elaborada numa placa de madeira com bolas de isopor.

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NO COLÉGIO ESTADUAL TEOTÔNIO Figura 2 - Turma de Educação Especial do CE. Teotônio Brandão Vilela.

O Colégio Estadual Teotônio Brandão Vilela localiza-se no Noroeste Fluminense na cidade de Itaocara, município do Rio de Janeiro, no endereço Rua Maria José Monteiro s/n, Centro, Itaocara/RJ.

arde e noite, oferecendo as modalidades Ensino Fundamental e Ensino Supletivo. O colégio possui 882 alunos distribuídos nos turmas: manhã, t

No primeiro segmento do Ensino Fundamental estão matriculados 213 alunos, no segundo segmento 271 alunos e na Educação de Jovens e Adultos (EJA) 398. A turma de Educação Especial conta com cinco alunos.

dos através do projeto Proinfo, possuindo: sala de vídeo, biblioteca e quadra de Possui um laboratório de Informática com 10 computadores, obti esportes.

- Fundamental e 8 no EJA. O número de professores: 20 para o Ensino
- O material tátil produzido foi aplicado na turma Especial do Colégio Estadual Teotônio Brandão Vilela que reúne alunos com deficiências variadas, além da turma de 3ª série do Ensino Fundamental.

física. Já a turma de Ensino Fundamental é uma turma de Ensino Regular cujos alunos passam por um é utilizada para elhorar o aprendizado de Ciências e divulgar a disciplina. A turma de Educação Especial era composta de cinco alunos com as seguintes deficiências: visual, mental, de aprendizagem e processo de alfabetização científica, na qual a Astronomia m

o queríamos descobrir o potencial de sua aplicabilidade com outros tipos de deficiência. Como nossa idéia foi produzir um material inclusiv

## AVALIAÇÃO DA ELABORAÇÃO DO MATERIAL TÁTIL

l. A apresentação do material tátil associado ao de áudio ocorreu na turma especial do Colégio Estadual Teotônio Brandão Vilela em forma de oficina, nosso objetivo era aplicá-lo em alunos com outros tipos de deficiência, além da visua

e apenas um dos alunos possuía deficiência visual. Participaram da atividade oito alunos, com idades entre doze e 29 anos. Estes alunos possuíam deficiências mental, física, visual ou déficit de aprendizagem, sendo qu

Não existe uma série definida para estes alunos, a classe funciona para prepará-los para entrada nas turmas regulares, de acordo com o desenvolvimento adquirido pelo mesmo.

ntes' sobre as constelações do Escorpião, do Cruzeiro do Sul e Órion. A oficina consistia na explicação oral do assunto, o que foi realizada pelos membros do Clube de Astronomia de Itaocara 'Marcos Po

Tratou-se também da superfície da Lua, abordando: a lua como satélite natural, o lado visível e não visível da lua, crateras e montanhas.

Na segunda etapa foram apresentados os arquivos de áudio com os assuntos supramencionados.

Após a apresentação oral foi disponibilizado aos alunos o material tátil que foram manuseados pelos mesmos.

pós a apresentação do material tátil foi realizada pesquisa qualitativa com a professora e alunos, obtendo os seguintes depoimentos: A

- do material apresentado? 1) O que vocês acharam

eles tivemos acesso a muitos conhecimentos. Professora - Eu e os alunos gostamos muito! Através d

Alunos - Nós gostamos muito, podemos aprender bastante.

- 2) Vocês gostariam de utilizar este material em suas aulas?

om, eles podem ser utilizados na sala de Informática? Seria ótimo! Não temos muito material para usar e o bom s alunos. Professora - Sim, tanto o tátil, quanto o de s é que pode ser utilizado por todos os meu

m ir à sala de informática. Alunos - Nós gostamos muito quando aprendemos sobre Astronomia, eu acho que é bo

- 3) Você acha que o material poderia se utilizado por todos os alunos desta turma?

nos sem deficiência e também por alunos com outras ficiências que é o caso dos outros alunos da minha turma. O legal é que se ode ouvir e manusear. Professora - Este material pode ser utilizado tanto pelo aluno deficiente visual quanto pelos alu de p

## RESULTADOS E DISCUSSÕES:

- O presente trabalho visou à elaboração e introdução em escolas de materiais inclusivos para o ensino de Astronomia para deficientes visuais.

De acordo com os dados obtidos através de pesquisa qualitativa realizada, pudemos observar a possibilidade de inserção de Astronomia em turmas inclusivas nas qual o aluno com deficiência visual convive e participa de todas as atividades de aprendizado junto ao aluno da turma regular.

ambiente escolar da questão da deficiência e o interesse e boa vontade por parte dos alunos das Também observamos a importância da discussão no escolas regulares em colaborarem na confecção do material.

bibliografia específica, que muito ajudaria. O material existente é limitado e poucos trabalhos tratam nosso assunto em questão: Astronomia para deficientes A principal dificuldade que enfrentamos para desenvolver este trabalho foi a falta de visuais.

o material poderia ser utilizado também por estes alunos, sendo entendimento dos mesmos, condizia com o nível mental que este presentavam. Outra questão importante que causou algumas dificuldades foi em relação a deficientes visuais que apresentam também outras deficiências como a neurológica, por exemplo, neste caso não era só a visão que prejudicava o aprendizado, mas também o problema neurológico. Como o potencial do material para utilização de alunos com outros tipos de deficiência também seria avaliado, observamos que que o nível de a

## CONCLUSÃO

- peciais, mas sim em turmas inclusivas na qual alunos com e sem deficiência aprendem com O material produzido não busca ser utilizado em turmas es recursos apropriados a seu nível de desenvolvimento e necessidade.

o material didático foi ótima, aplicamos o material em turmas de alunos com deficiência visual e em outra formada por alunos com A recepção tanto d outros tipos de deficiência.

Astronomia, quanto para sua divulgação junto a outros grupos de pessoas como: Este material se mostrou eficiente não só para o entendimento de crianças, alunos do Ensino Médio e Eja, mostrando assim seu potencial inclusivo.

e superfície dos planetas, que se Fizemos boas escolhas em relação ao material utilizado, a porcelana fria e a madeira para construção das constelações

mostraram adequados para utilização junto a deficientes visuais, principalmente devido a resistência e facilidade de manuseio.

manipuladas, o que é uma característica positiva do material. Sendo que o Além disso, o material pode ser reproduzido facilmente por outras escolas, já que tanto a porcelana fria quanto a madeira podem ser facilmente adquiridas e material foi aprovado por alunos e professores, das escolas regulares e especial.

os quisitos para que esta ocorra é que o recurso utilizado seja atraente aos alunos, aprendizado, o que ocorria com o material que foi elaborado. Com a utilização do material tátil e de áudio podemos pensar que há possibilidade de ocorra aprendizagem significativa considerando que um d re que o estimule ao

## REFERÊNCIAS:

ELORS. Jacques (coord.) et al. Educação: um tesouro a descobrir, relatório o NESCO, 1980 . cap. 4, p. 89-102. D para a UNESCO Ada Comissão Internacional sobre Educação para o sécul XI . São Paulo: Cortez, Brasília. DF: MEC: U

Brasil. Lei n. 9394, de 20 de dezembro de 1996. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional . Brasília, MEC, 1996.

a , ano V, N. 20, fevereiro/abril, p.18-23. MANTOAN, M. T. E (2002). Ensinando a turma toda as diferenças na escola: Pátio-revista pedagógic

eres . MARTINS, L. A. R. (et. al) organizadores. Inclusão: compartilhando sab Petrópolis: Vozes, 2006.

CN, Parâmetros Curriculares Nacionais, Adaptações Curriculares . cessado em: 27/09/2008. P Disponível em: http://www.educacaoonline.pro.br/adaptacocurriculares.asp. A

http://clubedeastronomiamp.zip.net/ Site do Clube de Astronomia 'Marcos Pontes':

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