AS AÇÕES DO CURSO DE FÍSICA DO CAMPUS CATALÃO DA UFG NO ÂMBITO DO PIBID
Thiago Ferreira Da Cunha, Frederico Pires De Avelar, Jomhara Cristine Borges Dutra, Jean Duarte E Silva, Ana Rita Pereira, Fabiano Alves Neto
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XIX
- Ano
- 2011
- Data
- 01/02/2011
- Linha de pesquisa
- Formação E Prática Profissional De Professores De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## AS AÇÕES DO CURSO DE FÍSICA DO CAMPUS CATALÃO DA UFG NO ÂMBITO DO PIBID
Thiago Ferreira da Cunha , Frederico Pires de Avelar , Jomhara Cristine 1 2 Borges Dutra 3 , Jean Duarte e Silva , Fabiano Alves Neto , Ana Rita Pereira 4 5 6
- 1 Universidade Federal de Goiás - Campus Catalão - Departamento de Física thiagofc88@hotmail.com
- 2 Universidade Federal de Goiás - Campus Catalão - Departamento de Física -
## fred.fisica.ufg@gmail.com
- 3 Universidade Federal de Goiás - Campus Catalão - Departamento de Física -
jomharaa\_17cris@hotmail.com
- 4 Universidade Federal de Goiás - Campus Catalão - Departamento de Física -
jeanduartepdr@hotmail.com
5 Colégio Estadual Abrahão André - Catalão - Goiás -
## fabiano.neto@bol.com.br
- 6 Universidade Federal de Goiás - Campus Catalão - Departamento de Física anaritapr@gmail.com
## Resumo
O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) foi instituído pra valorizar o magistério, oferecendo bolsas para aprimorar a formação docente, estimulando e fomentando a participação os estudantes dos cursos de licenciaturas das instituições federais de ensino superior a seguir a carreira docente, principalmente os alunos das áreas de ciências. No âmbito desse projeto a Universidade Federal de Goiás aprovou o projeto 'Formação de professores nas áreas de ciências e linguagens', dando prioridade inicialmente às áreas mais defasadas no estado de Goiás, segundo levantamento junto à Secretaria Estadual de Educação, que em ordem são: física, química, matemática e biologia. O PIBID procura incentivar e valorizar o magistério, promovendo a interação dos graduandos com o ambiente escolar, as trocas de experiências com os professores e com os alunos das escolas campo. O subprojeto proposto pelo curso de Física do Campus Catalão da UFG, dentro do programa PIBID, procura mostrar que a integração entre os níveis de educação superior e básico colabora para melhorar a formação profissional dos alunos de graduação e estimula um novo método de ensino-aprendizagem nas escolas de educação básica, mais especificamente, a escola campo onde o programa é realizado, em particular utilizando a experimentação como forma de aprender física. Este trabalho mostra as ações realizadas até o momento no âmbito desse projeto desde seu inicio em 2009 no Colégio estadual Abrahão André em Catalão, Goiás.
Palavras-chave : Ensino, monitorias e experimentos de física.
## INTRODUÇÃO
Os diversos problemas enfrentados pelos cursos de licenciatura no Brasil, em particular, pela licenciatura em física, são bem conhecidos, tais como: a concepção do professor como mediador dos conhecimentos veiculados pelos livros textos ou outras fontes de informação junto aos estudantes, o processo de aprendizagem tradicional que concebe o estudante como agente passivo, os processos mecanicistas de avaliação onde o aluno é condicionado a repetir questões prévias, ausência dos conteúdos sobre as tecnologias de informação e comunicação em sala de aula, a desarticulação entre teoria e prática, o
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distanciamento entre a universidade (formadora de professores) e as escolas de educação básica. Essas são algumas das questões que tem motivado inúmeras discussões de como enfrentar e solucionar estes problemas [1-4].
Apesar de tão presente e fundamental no cotidiano das pessoas, pois proporciona conhecimentos básicos essenciais para a sociedade moderna, e sendo de extrema importância para os avanços tecnológicos e considerando que suas descobertas provocam rapidamente profundas mudanças na sociedade, verifica-se que a física ainda é encarada pela maioria das pessoas como algo distante da realidade. A física ainda é vista como um 'bicho de sete cabeças' no ensino médio e também no ensino superior - um obstáculo a ser superado para a continuidade dos estudos, mas o que se observa quanto ao ensino de física é a priorização de aulas expositivas conduzidas segundo a concepção tradicional de educação. A aprendizagem da física ainda é considerada, por muitos, como sendo apenas a memorização de uma infinidade de fórmulas matemáticas, que nem sempre coloca de forma clara e precisa o fenômeno físico estudado. De modo que o aprendizado da Física é bastante desmotivador para o educando.
Outro dado, que também é corriqueiro no Brasil é a falta de docentes para as áreas de ciências, em particular de física [5-7]. Essa falta de professores faz com em muitas escolas os alunos fiquem sem aulas de física por até um bimestre, ou seja, tem turmas de alunos que ficam meses sem professor e essas aulas, em geral, não são repostas. E considerando que o número de aulas da disciplina física já é pequeno isto é um complicador a mais. Além da falta de professores, verifica-se que em geral, as aulas de física são complemento da carga horaria do professor em outras áreas, que não tem a formação especifica em física. Outro fator é a carga horária excessiva assumida por muitos docentes, o que certamente provocará uma depreciação do seu trabalho. Como conseqüência desses complicadores, existe atualmente uma grande parcela de professores que não conseguem lidar com novas metodologias e tecnologias, seja por estarem desmotivados, devido à insatisfação com a profissão ou devido a uma qualificação deficiente que os deixa despreparados e sem o suporte necessário para o exercício de sua função ou porque são professores sem tempo para se dedicar efetivamente ao seu trabalho.
Com toda a problemática do ensino de física é evidente a necessidade de ações visando a mudar essa realidade. Nesse sentido, uma ação muito bem-vinda foi Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), criado pelo Ministério da Educação (MEC), por meio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Nível pessoal Superior (Capes), e recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE. Este programa tem como objetivos valorizar o magistério e apoiar os estudantes das licenciatura das instituições federais e estaduais de educação superior.
O projeto apresentado pela Universidade Federal de Goiás 'Formação de professores nas áreas de ciências e linguagens', visa uma melhor formação dos profissionais que irão atuar nas áreas de Física, Química, Biologia e Matemática. O PIBID procura incentivar e valorizar o magistério, promovendo a interação dos graduandos com o ambiente escolar, as trocas de experiências com os professores e com os alunos das escolas campo. O programa procura mostrar que a integração entre os níveis de educação superior e básico colabora para melhorar a formação profissional dos alunos de graduação, e pode estimular um novo método de ensinoaprendizagem nas escolas de educação básica, mais especificamente, a escola campo onde o programa é realizado.
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O projeto PIBID da UFG foi elaborado com base num levantamento realizado junto à Secretaria de Educação do Estado de Goiás (SEE-Go), onde foram identificadas como áreas prioritárias a Física, a Química, a Matemática e a Biologia. De acordo com dados da SEE, o estado de Goiás possui diversos municípios que não tem professores habilitados para suprir a demanda existente nessas áreas do conhecimento, em especial, licenciados em Física. Nesses municípios a 'solução' encontrada é recorrer a outros licenciados que aceitam trabalhar essas disciplinas, e quando não tem professores recorre-se a pessoas sem formação superior ou habilitação para a docência.
## O PROJETO PIBID DO CURSO DE FÍSICA EM CATALÃO-GO
O programa PIBID da Universidade Federal de Goiás - Campus Catalão iniciou se em março de 2009. Considerando que os alunos bolsistas se encontravam em diferentes graus de formação em seus cursos, sendo que alguns ainda iniciavam as 'disciplinas pedagógicas', as coordenadoras das quatro licenciaturas contempladas no Campus Catalão: Ciências Biológicas, Física, Química e Matemática, optaram pela realização de reuniões semanais, onde foram discutidas as leis que normatizam a educação no Brasil e o funcionamento de uma escola (LDB, PCNs, OCNEM, DCNEM, PNLEM, PPP, PDE, etc...) [8, 9, 10]. A partir de abril foram iniciadas às atividades do PIBID na escola escolhida para ser atendida pelo programa.
Uma grande dificuldade encontrada pela Física para participar do programa PIBID aqui em Catalão, foi a exigência no edital de que houvesse na escola um professor supervisor licenciado na área. Pereira e colaboradores [11] verificaram que não existe em Catalão e na região licenciados (ou bacharéis) em Física atuando na rede publica de ensino, ou seja, a maioria dos docentes da disciplina física são de outras áreas, e muitos trabalham simultaneamente outras disciplinas, e o mais grave, existe na região um numero significativo de professores de física que não tem nenhuma graduação. Portanto, a falta de professores licenciados em física foi um estimulo e uma dificuldade a mais a ser superada aqui em Catalão.
Para a escolha da escola parceira, são considerados a nota obtida na última avaliação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) e a disponibilidade e o interesse da instituição em participar do PIBID. Por causa do interesse manifestado por seus professores, apesar de não serem licenciados em física (são matemáticos), em participar do projeto e também considerando o fato dessa escola ter por meta melhorar sua nota no IDEB, que foi de 3,4 na ultima avaliação, foi escolhido para participar do projeto PIBID junto ao curso de Física do Campus Catalão o Colégio Estadual Abrahão André , uma instituição com cerca de 750 alunos matriculados, sendo que cerca 300 estudantes cursam o ensino médio, divididos em dois períodos: matutino e noturno.
Os bolsistas PIBID vem atuando, desde 2009, no sentido de contribuir para a melhoria do ensino de Física no Colégio Estadual Abrahão André, além de fortalecer a relação entre a UFG e a rede Pública de educação do Estado de Goiás. Dentre os objetivos propostos e que vem sendo executados na escola, está trabalhar a física dentro da abordagem Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) [8], procurando nas atividades realizadas trabalhar tanto a parte matemática na abordagem dos
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conceitos físicos quanto a relação destes com o cotidiano. Inicialmente as atividades na escola começaram com o acompanhamento de algumas aulas de física, e em seguida foram iniciadas as atividades de monitoria acompanhadas de atividades visando a estruturação de um laboratório de física.
Desde 2009, os alunos bolsistas PIBID, têm desenvolvido atividades de monitorias, aulas preparatórias para a olimpíada de física e para o vestibular, a montagem dos 'kits' experimentais já existentes na escola e a realização de oficinas experimentais no Colégio Abrahão André onde são confeccionados outros experimentos. Assim, os bolsistas tem auxiliando o professor supervisor da escola campo atendendo os alunos num período diferente das aulas, procurando durante esse atendimento reforçar os componentes teóricos de física ministrados pelo professor nas aulas e também utilizando a montagem de experimentos (oficinas experimentais), usando materiais de baixo custo, para relacionar esses conteúdos ao cotidiano das pessoas.
A partir de 2010, os bolsistas além de continuarem auxiliando o professor supervisor da escola campo no atendimento aos alunos nas atividades de monitoria e na montagem de experimentos (oficinas experimentais), começaram também um atendimento específico ao um grupo de alunos interessados em participar da olimpíada de física, evento organizado pela Sociedade Brasileira de Física. Como o colégio tem também uma turma de pré-vestibular (cursinho), formou-se um grupo de alunos interessados na preparação para o vestibular, e assim têm sido ministradas aulas onde está sendo revisado todo o conteúdo de Física. Outro fato é que os professores de ciências do ensino fundamental mostraram interesse no projeto, e assim foi iniciado, junto às turmas do nono ano, um trabalho onde são ministradas pelos bolsistas algumas aulas sobre assuntos específicos mostrando a física no cotidiano, durante as aulas de ciências.
## ATIVIDADES DE MONITORIA
Sempre procurando uma forma diversificada de sanar as dúvidas dos alunos em física, os bolsistas do programa PIBID iniciaram suas atividades na escola através de aulas de reforço de física, as 'monitorias', no período vespertino, visando contemplar os alunos dos dois períodos. Mas existem obstáculos quanto ao comparecimento dos alunos das turmas da terceira série do ensino médio do matutino e das turmas do período noturno, devido ao fato de que muitos desses estudantes trabalham no período vespertino, estando impossibilitados de comparecer as aulas de monitoria. Assim estamos atendendo mais os alunos das primeira e segunda série do ensino médio do período matutino. Durante as atividades de monitoria realizadas, houve uma participação regular de cerca 60 alunos, onde em média 30 destes são alunos do primeiro ano, e em torno de 20 são do segundo ano e os demais do terceiro ano e do cursinho pré-vestibular existente no colégio.
As atividades de monitoria estão sendo realizadas separando os alunos em grupos, em geral reservando-se duas horas para cada grupo com a finalidade de suprir as deficiências dos discentes e melhorar a assimilação com relação ao conteúdo aplicado em sala de aula pelos professores. As monitorias visam o reforço dos conceitos teóricos ministrados, com atividades complementares às aulas, como
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a resolução de exercícios envolvendo fenômenos naturais que estejam ligados ao cotidiano dos estudantes. Em particular procura-se identificar e acompanhar os alunos com dificuldades de aprendizagem, durante as monitorias são testadas estratégias diferentes para chamar à atenção do aluno, tentando fugir do método utilizado em sala de aula pelo professor, o qual se resume mais a giz, lousa e quadro negro.
A metodologia adotada nas monitorias procura mostrar aos alunos os fenômenos naturais e sua relação com as situações cotidianas, mas sempre através de demonstrações e explicações do conteúdo ministrado em sala pelo professor. Na escola em geral os professores propõem listas de exercícios para auxiliar na assimilação dos conteúdos ministrados. Os bolsistas têm auxiliado na resolução destas, sempre buscando o envolvimento dos alunos, aproveitando a oportunidade para ressaltar os conceitos trabalhados em sala pelo professor, e incentivando os alunos a irem resolver os problemas no quadro negro e explicá-los aos colegas, procurando sempre trabalhar as dificuldades dos mesmos, estimulando-os a refletirem na elaboração de hipóteses para a solução dos problemas propostos.
Assim, procura sempre ajudar os alunos a sanar suas dúvidas e fixar melhor ao conteúdo, e fazê-los perceber que não há a necessidade de decorar fórmulas matemáticas que às vezes nem vão saber onde e como usar. Percebe-se uma grande deficiência dos alunos em matemática básica e interpretação de textos, é observado que os mesmos tendem a decorar expressões que são apenas reformulações de uma mesma lei física, a exemplo a segunda lei de Newton, onde uma única expressão se transforma em 3, ou seja:
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Nesse caso a física se torna uma coletânea de fórmulas matemáticas, e o aluno tende a sempre procurar qual a fórmula a ser usada, e nunca a raciocinar sobre as questões formuladas, e tendo inúmeras fórmulas para ser decoradas, fica a impressão de a física é 'coisa para loucos', e somente alguns poucos privilegiados conseguirão entende-la.
Um dos métodos de ensino utilizado é a resolução de apenas um exemplo pelos bolsistas, no quadro negro, do conteúdo abordado e os demais são resolvidos pelos próprios alunos, que vão detectando onde se encontra sua dificuldade, assim os 'bolsistas -monitores' percorrem cada uma das carteiras fazendo uma explicação individual e específica, exemplificando com os fatos que ocorrem no dia a dia dos alunos. Utiliza-se, também, o método de interação dos alunos em explicações demonstrativas como, por exemplo, ao esclarecer dúvidas sobre o conceito de cinemática realizou-se a cronometragem do tempo que um aluno levou para percorrer um espaço, medido de um ponto ao outro da sala, e em seguida foi feito o cálculo da velocidade média do aluno nesse percurso. Observa que esse método desperta a atenção dos alunos, fazendo que eles percebam o campo de atuação da mesma, e fazendo que ela deixe de ser algo abstrato. As fotos abaixo mostram momentos das atividades de monitoria realizadas.
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Figura 1 - Registro da participação dos alunos nas monitorias realizadas no Colégio Estadual Abrahão André.
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## ATIVIDADES EXPERIMENTAIS
No aprendizado de física é de suma importância o ato de experimentar [12]. O aluno, quando envolvido com experimentos sobre um determinado fenômeno, obtém mais sucesso no processo ensino-aprendizagem. Assim uma das ações realizadas no Colégio Estadual Abrahão André, foi usar a experimentação no ensino de física, através de oficinas onde os estudantes da escola puderam montar alguns experimentos, verificando através dos mesmos a relação da física ao seu cotidiano.
Logo no início das atividades no colégio, fomos informados pela direção do mesmo, que na década de 90, foram encaminhados à escola pela Secretaria de Educação do estado de Goiás, alguns kits de ciências e que estes se encontravam guardados, principalmente pelo fato dos professores da escola não terem disponibilidade e não estarem preparados para trabalhar os mesmos. Foi verificado que alguns kits estavam danificados devido ao tempo que ficaram guardados, sujos e outros em bom estado de conservação. Assim surgiu o interesse em estruturar esse laboratório, colocando esses kits para ser utilizados nas aulas de física.
Conjugado a utilização dos kits experimentais de Física já existentes no Colégio Abrahão André, propôs-se a realização de oficinas experimentais visando à estruturação de laboratório experimental de Física, sendo que nestas os próprios estudantes são motivados a elaborar e montar diversos experimentos que mostre aos mesmos a relação entre a física e as tecnologias do nosso cotidiano. Nessas oficinas, espera-se que a observação do sincronismo entre o conhecimento teórico e o aplicado através das práticas experimentais que enfatizem a descrição qualitativa dos fenômenos físicos, além do aprendizado básico essencial para a formação dos alunos, irá contribuir para despertar o interesse dos alunos do ensino médio para a área de Ciência Básica, em especial para a importância da Física no cotidiano das pessoas.
Assim tem sido realizadas oficinas com os alunos do ensino médio, a fim de se discutir a importância da Física Experimental com os mesmos. Além de promover momentos de interação de grupo, as oficinas têm proporcionado aos discentes um aprendizado diferente, mais instigante e uma oportunidade a mais para fixarem o conteúdo trabalhado nas aulas de física, pois a ideia é sempre trabalhar experimentos simples, mas que envolvem os conceitos da física de uma forma atrativa e de fácil entendimento. As oficinas estão acontecendo intercaladas com as atividades de monitoria, também no período vespertino, sendo os alunos divididos em grupos de três ou quatro alunos. Abaixo apresentamos algumas fotos do trabalho realizado na escola.
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Figura 2 - Registro da participação dos alunos nas oficinas realizadas no Colégio Estadual Abrahão André.
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Deve-se destacar que os materiais utilizados nas oficinas experimentais são, em sua maioria, recicláveis (considerados como sucatas) e os demais são de baixo custo e sempre há um preparo prévio (madeiras cortadas e medidas, objetos de fácil manuseio e sem perigo de acidentes). Todos os experimentos confeccionados estão compondo o laboratório de Física, que já está sendo utilizado pelos professores em suas aulas. Os experimentos realizados são simples e de fácil montagem, pois o objetivo maior é que tanto o professor da escola quanto seus alunos aprendam. Contudo, o intuito principal é capacitar profissionalmente o supervisor e os bolsistas, pois as oficinas experimentais funcionam como uma qualificação em práticas de laboratório.
As atividades desenvolvidas visam a ajudar os alunos a construir uma nova concepção da física, deixando de ser uma matéria abstrata, com cálculos complexos, para se tornar uma matéria onde se estuda, teoricamente, em forma de gráficos e equações, e experimentalmente, através de experimentos realizados, os fenômenos de nosso cotidiano.
## CONCLUSÃO
O método de ensino desenvolvido nas atividades com os alunos tem como objetivo ensinar Física de forma diferente do que os mesmos já estão acostumados a verem em sua sala de aula. E os bolsistas procuram identificar e analisar as dificuldades encontradas pelos estudantes e, a partir daí, buscar novas metodologias para superar as mesmas, permitindo, assim, que os alunos construam uma nova concepção da física.
Foi observado que a interação e a discussão realizadas pelos alunos, nessas atividades em grupos, ajudam na estruturação do conhecimento cognitivo dos mesmos, pois cada um tem seus próprios conceitos e ideias formadas, que quando colocadas em conjunto faz com que absorvam algum conhecimento do outro e assim dá-se o processo de uma aprendizagem mais significativa, logo todos acabam aprendendo mais.
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Outro fato a ser ressaltado é a grande contribuição deste programa na qualificação do futuro professor do ensino médio (licenciando em física), pois ao participar do programa o licenciando tem a oportunidade de vivenciar a realidade da escola durante seu processo de formação, se envolver com as atividades de docência no ensino básico, conhecer os procedimentos e atitudes pertinentes a essa atividade profissional, mas isso ainda ocorre sob a supervisão do professor da escola-campo e a orientação do professor coordenador de área.
Observa-se também o quanto esse trabalho contribui para o desenvolvimento dos bolsistas, que estão adquirindo mais maturidade e desenvoltura, tanto nas suas atividades na escola quanto nas disciplinas do curso, conforme comentários dos docentes do curso de física, que tem notado a mudança ocorrida com os bolsistas.
- O programa PIBID de Física em Catalão tem atendido regularmente nas monitorias e oficinas na escola cerca de 60 alunos. E contribuído com os demais alunos do ensino médio e do nono ano nas atividades realizadas nas aulas. Segundo a percepção do professor supervisor da escola, que é quem observa melhor no dia-a-dia o resultado do trabalho junto aos estudantes, as ações do programa PIBID no colégio Abrahão André tem um impacto muito positivo na vida destes, contribuindo para que assimilem melhor o que não conseguiram fixar em sala de aula. Um exemplo citado é que a participação regular dos alunos nas monitorias tem contribuído para elevar a nota destes, como ocorreu em 2009, quando trabalhando com um grupo de 21 alunos do primeiro ano que devido ao baixo rendimento ficaram em recuperação paralela, observou-se que 17 conseguiram recuperar a nota, ou seja, ficar acima da média estabelecida pela escola.
De acordo com a opinião dos alunos do colégio o projeto tem contribuído para que eles se interessem mais pela física, e verifiquem que a mesma não é 'tão chata', e segundo as palavras deles as monitorias e oficinas experimentais ' contribui para que eu aprenda física de um meio mais informal e divertido', 'melhorei minhas notas, está tirando minhas duvidas e me aprofundando mais na física ' , ou seja, são atividades que tem contribuído com o aprendizado dos alunos. Segundo o supervisor do projeto ' o PIBID está sendo de uma importância gigantesca para os alunos e a comunidade do Colégio Estadual Abrahão André, e principalmente para a disciplina de física que está ganhando verdadeiros admiradores e quem sabe em breve futuros alunos da UFG do curso de física '. Para a 'equipe da UFG' (bolsistas e coordenação) esse projeto está sendo a oportunidade de contato mais direto com a realidade de uma escola, e também de conhecerem e utilizarem metodologias inovadoras e fazerem uso das mesmas nos processos de aprender, ensinar e fazer física.
Ressaltamos também o interesse e a receptividade do projeto pela direção, professores e alunos do colégio Abrahão André, que foi muito grande, o que motivam mais ainda os participantes do projeto. Aqui agradecemos o apoio que temos recebido da escola para a realização do projeto, isso é fundamental para o sucesso do nosso trabalho.
Finalizando, destaca-se que o PIBID é um projeto que tem contribuído muito para a formação dos futuros professores, pois estes interagem com a realidade da escola, suas alegrias e suas enormes dificuldades, ainda durante sua formação. Por outro possibilita que a universidade possa contribuir efetivamente com ações dentro
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da escola, fazendo intervenções, testando novas estratégias de ensino, que pode influir diretamente o processo de ensino-aprendizagem. Portanto o PIBID é um bom incentivo para a iniciação à docência, para a valorização da escola pública e, conseqüentemente, da educação básica.
## REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- [1] - Moreira, M. A. Revista Brasileira de Ensino de Física . Vol. 22 (1): 94-99, 2000.
- [2] - Da Rosa, C. W.; Da Rosa A. B. Revista Electrónica de Enseñanza de las Ciencias . Vol. 4 (1): 2005.
- [3] - Rezende, F., Lopes, A. M. A., Egg, J. M. Ciência & Educação , v. 10 (2): 185196, 2004.
- [4] - Gobara, S. T.; Garcia, J. R. B. Revista Brasileira de Ensino de Física . Vol. 29 (4): 519-525, 2007.
- [5] - BRASIL. Ministério da Educação. Estatísticas dos professores no Brasil. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP). Brasília, 2003.
- [6] - BRASIL. Ministério da Educação. Sinopses Estatísticas da Educação Ensino Superior . Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP). Brasília, 2004.
- [7] - BRASIL. Ministério da Educação. Censo Escolar. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP). Brasília, 2005.
- [8] - BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino Médio. Brasília: Ministério da Educação. 2000.
- [9] - BRASIL. Ministério da Educação. Câmara da Educação Básica. Resolução CEB nº3. Diretrizes Nacionais para o Ensino Médio. BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Cadernos de Educação , ano II, nº3, 1997.
- [10] - HERNANDES, F.; VENTURA, M.. A organização do currículo por projeto de trabalho . Porto Alegre: Artmed. 1998.
[11] - Pereira, A. R.; Alves, J. P. G.; Dutra, J. C. B.; Ortiz, J. S. E. Anais do XVII Simpósio Nacional de Ensino de Física , Vitória, ES, 2009.
[12] ARAÚJO, M. S. T.; ABIB, M. L. V. S.. Revista Brasileira de Ensino de Física , vol. 25 (2), p. 176-194 (2003).
## AGRADECIMENTOS:
CAPES (apoio financeiro) e ao Colégio Estadual Abrahão André.
FONTE DE FINANCIAMENTO:
Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência (PIBID/MEC/CAPES/FNDE).
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.