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FORMAÇÃO DE PROFESSORES: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA

Maria Emília Baltar Bernasiuk, Ana Lúcia Imhoff

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XIX
Ano
2011
Data
01/02/2011
Linha de pesquisa
Formação E Prática Profissional De Professores De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## FORMAÇÃO DE PROFESSORES: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA

## Maria Emília Baltar Bernasiuk , Ana Lúcia Imhoff 1 2

- 1 Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)/Faculdade de Física,

mebbernasiuk@pucrs.br

- 2 Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)/Faculdade de Física, manali@terra.com.br

## Resumo

Esse trabalho relata algumas atividades vivenciadas por um grupo de licenciandos do curso de Física da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), na disciplina de Estágio IV. Todas as atividades planejadas e implementadas tiveram como objetivo tornar mais atrativo e significativo o ensino de Física para o aluno da Educação Básica, bem como prepará-los para viver em sociedade. A elaboração das atividades foi norteada pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs e PCNs+), Projeto Político Pedagógico da escola (PPP) e referenciais estudados durante o curso de graduação. Durante o estágio criou-se na Universidade uma atmosfera de colaboração onde foi estimulada a critica construtiva. Durante o desenvolvimento da disciplina de estágio, novas ideias surgiram e foram implementadas, novas formas de ensinar foram testados. Além disso, ficou bem claro para os licenciandos que a educação de um professor é algo que nunca acaba, ou seja, está sempre se processando. Entre as atividades realizadas na disciplina, no decorrer do trabalho, será detalhada a atividade interativa de Física realizada no Museu de Ciências e Tecnologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (MCT/PUCRS), por ter sido a atividade que mais se destacou.

Palavras-chave : formação de professores, licenciandos, aprendizagem em Física

## Introdução

Tendo em vista as constantes mudanças que vêm ocorrendo no mercado do trabalho, a preparação de alunos da Educação Básica deve ir além do aprendizado superficial e da memorização, atingindo um aprendizado profundo e desafiador que vise à compreensão.

Isto posto, os professores devem elaborar seus planejamentos alicerçados na formação de alunos que sejam capazes de responder os desafios inerentes ao contexto em que se inserem, a ponto de nele poderem interferir. Assim, é importante não só desafiá-los a buscar e a valorizar o conhecimento, aprendendo a relacionar o que é relevante, mas também investigar, estabelecer relações, solucionar problemas, entre outras. Da mesma forma, é preciso prepará-los para conviver com as divergências, saber interagir e discutir com os colegas, exercitando o pensamento crítico e a reflexão.

Esse conjunto de aprendizagens representa um desdobramento de competências e de habilidades que todo aluno, desde a Educação Básica até a Educação Superior, tem o direito de desenvolver na sua trajetória. Logo, é importante valorizar o conhecimento prévio, a predisposição para aprender e a

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30 de janeiro a 04 de fevereiro de 2011

curiosidade a fim de que a aprendizagem ocorra de maneira satisfatória e seja significativa (MOREIRA, 1985 e 1999).

Por essa razão, a preparação dos licenciandos (futuros professores) para o mercado do trabalho exige uma formação adequada, resultado de um período proveitoso na Universidade, na qual ele pode usufruir experiências e adquirir habilidades e competências necessárias para um bom desempenho profissional. O caminho para essa preparação inclui a vivência de novas metodologias, tecnologias e o saber adquirido pelo licenciando durante a Graduação. Também é importante incentivar o licenciando a refletir sobre a sua ação e durante esta, pois pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem é que se pode melhorar a prática de amanhã (FREIRE, 2003).

Em função destas colocações procurou-se, neste trabalho, relatar algumas atividades vivenciadas por um grupo de cinco licenciandos do curso de Física da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), na disciplina de Estágio IV, enfatizando aquela que mais se destacou. As atividades propostas tiveram como objetivo tornar mais atrativo e significativo o ensino de Física para o aluno da Educação Básica. O planejamento e a implementação das atividades também visaram à preparação dos alunos para viver em sociedade.

## Desenvolvimento da atividade

- O presente trabalho relata uma experiência metodológica vivenciada por cinco licenciandos na disciplina de Estágio IV que compreende um conjunto de conhecimentos instrumentais e epistemológicos fundamentais para o exercício do magistério de Física na Educação Básica. Ao longo do texto são relatadas algumas atividades realizadas pelo grupo focando na que mais se destacou.
- O planejamento das atividades foi realizado após os licenciandos responderem as seguintes questões: O que um professor precisa saber e saber fazer para dar uma boa aula de Física? O que é necessário para ser um bom professor? Que ensino deve ser planejado e implementado , preparando os alunos para enfrentar novos desafios? Que professor eu quero ser : expectativas e receios. (grifo nosso)
- O debate em sala de aula originado pelos resultados das questões serviu de alicerce para a preparação de algumas atividades que foram vivenciadas pelo grupo de licenciandos.
- Assim, a primeira tarefa foi a caracterização da escola, onde iriam estagiar, e a observação de algumas aulas de Física. Paralelamente, investigaram as concepções que orientam o planejamento e a prática do professor de Física da escola, bem como os recursos utilizados para apoiar a sua atuação.

No que concerne à aprendizagem dos alunos, registraram como estes reagem às atividades propostas pelo professor. A seguir solicitaram que os alunos da escola respondessem a um questionário, incluindo dados pessoais e questões relacionadas com seus interesses e perspectivas futuras. As análises deste instrumento auxiliaram cada licenciando a traçar o perfil da turma onde estavam realizando o estágio. Isto se justifica, pelo fato que para elaborar um planejamento

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didático é importante conhecer quem são os alunos, em que contexto eles vivem e quais as suas espectativas.

Num segundo momento, orientados pela professora de estágio e em concordância com os professores das escolas, planejaram as atividades que foram vivenciadas pelos alunos da Educação Básica. Por essa razão, consultaram as orientações dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs e PCNs+), Projeto Político Pedagógico da escola (PPP) e referenciais estudados no curso de graduação. Durante o processo os licenciandos foram alertados da importância de relacionar os conteúdos abordados com o cotidiano dos alunos, pois é importante trazer para a sala de aula novidades, materiais que estimulem o diálogo e a investigação. Também discutiram a importância de surpreender os alunos variando os métodos e as técnicas de ensino, com o objetivo de contribuir com a construção do conhecimento, preparamdo-os para viver em uma sociedade em constantes mudanças.

A proposta foi de incluir no planejamento aulas expositivas acompanhadas de demonstrações, atividades práticas em pequenos grupos, uma atividade interativa no Museu de Ciências e Tecnologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e um trabalho de investigação realizado em parceria com o professor da escola.

As atividades foram preparadas e testadas pelos licenciandos na Faculdade de Física, sendo apresentadas durante os encontros semanais. Dentre todas, a que mais se salientou pelo envolvimento do grupo na Universidade e na escola foi a realizada no MCT/PUCRS. O objetivo de introduzir este tipo de atividade foi de tornar mais atrativo e significativo o ensino e de procurar relacionar os conceitos de Física, contribuindo para a aquisição de habilidades por parte dos alunos da Educação Básica. Por outro lado, a atividade também teve a finalidade de possibilitar aos licenciandos vivenciar uma metodologia de ensino centrada na Física Interativa do MCT, relacionando os conceitos de Física com o cotidiano dos alunos, contribuindo para a popularização da Ciência e Tecnologia.

Para planejar esta atividade, inicialmente, os licenciandos foram orientados quanto à relevância da escolha do tema e dos equipamentos no museu. Durante o planejamento procuraram contemplar as seguintes questões: O quê? Por quê? Para quem? Quanto tempo? Com o que? Como? Como saber que os alunos aprenderam? Que referências? O trabalho foi dividido em etapas. (grifo nosso)

Na primeira etapa, foi realizado um estudo das potencialidades das montagens expostas nos Setores de Física do MCT (Fluidos, Luz, Calor, Eletricidade e Magnetismo), quanto ao seu nível de interatividade e possibilidade de serem escolhidas como ponto de partida para a elaboração dos roteiros. O público alvo foram os alunos da 8ª Série do Ensino Fundamental e os alunos do 3º Ano do Ensino Médio, provenientes de uma escola pública de Porto Alegre. Os licenciandos coletaram informações relevantes e verificaram qual o tempo médio que os alunos dedicariam a cada equipamento selecionado. Também analisaram de que forma a exposição apresenta as informações junto aos equipamentos ou nos computadores de apoio disponíveis no museu.

A análise dos textos que acompanham os equipamentos foi realizada com o objetivo de averiguar se os mesmos auxiliam os alunos durante a interação alunoequipamento, e até que ponto essas informações disponibilizadas contribuem no momento de planejar a atividade.

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Finalmente, foram estudados quais os níveis de interatividade que os alunos podem atingir ao interagir com o material da exposição, com os seus colegas e com o licenciando responsável pelo grupo (MORAES, 1999; BERNASIUK et al, 2002; BERNASIUK; BORCELLI; AURICH, 2009).

Ainda, durante a preparação e teste das atividades interativas oportunizouse aos licenciandos a prática da reflexão-ação (CANDAU, 1996), valorizando os saberes adquiridos durante o curso de Graduação e o reconhecimento desses. As reflexões proporcionaram oportunidades de aprendizado e qualificação ao seu trabalho e a eles mesmos. Sabe-se que modificar a metodologia de ensino requer do professor e do futuro professor adaptabilidade, flexibilidade e um novo aprendizado, apoiado na preocupação de oferecer aos seus alunos, um ensino de qualidade o que deve vir acompanhado de um grande trabalho intelectual, dedicação, tempo e de muita energia emocional (HARGREAVES, 2002).

Cabe salientar, que a atividade interativa elaborada pelos licenciandos possibilitou aos alunos da Educação Básica trabalhar em grupo, conviver com as divergências e interagir com diferentes recursos tecnológicos, aprendendo no seu ritmo e de forma autônoma. As tarefas propostas incluíram a leitura e interpretação das informações apresentadas nos experimentos. Foi solicitado para responder as questões: escrever, relacionar os conceitos físicos estudados com as situações propostas e argumentar o seu ponto de vista. Os roteiros foram elaborados com questões de investigação com o objetivo de despertar a curiosidade, observação, reflexão, espírito crítico entre outros. Uma das preocupações dos licenciandos foi de formular questões cujas respostas exigissem do grupo interagir com diferentes equipamentos. Em todos os roteiros foi solicitado que o grupo de alunos da Educação Básica indicasse o experimento que mais chamou sua atenção justificando sua escolha. Enfim, procurou-se contemplar os diferentes níveis de interatividade.

Neste tipo de atividade o licenciando assume o papel de mediador acompanhando o aluno durante todas as etapas. Ademais, considerou-se que no processo educativo o contato entre professor e licenciando e entre esse e o aluno da Educação Básica deve ser construtivo e participativo, onde o aluno é considerado sujeito da sua aprendizagem e não um simples objeto de treinamento (DEMO, 1996).

Concluída a construção dos roteiros de atividades interativas, os licenciandos permutaram o material com os colegas, com o objetivo de testá-los e avaliá-los no MCT. Após esta etapa, oportunizou-se um momento de discussão, onde foram sugeridas algumas modificações nos roteiros construidos pelos licenciandos. Todas as alterações sugeridas e pertinentes, quando bem fundamentadas, foram acatadas pelo responsável pela construção do mesmo.

Durante os encontros na Universidade se discutiu como abordar os conteúdos, considerando a capacidade de aprendizagem por parte dos alunos. Criou-se uma atmosfera de colaboração onde foi estimulada a critica construtiva. Levou-se em consideração a necessidade de valorizar os conhecimentos prévios dos alunos para poder ensinar de acordo, auxiliando-os a vivenciar diferentes níveis de interatividade.

Os licenciandos tiveram o cuidado de construir um roteiro diferente para cada grupo de três alunos, evitando que todos estivessem ao mesmo tempo

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interagindo com o mesmo equipamento, bem como possibilitando uma maior socialização do conhecimento no momento da correção.

Em seguida, em conjunto com a professora orientadora, o grupo de licenciandos organizou a atividade interativa com duração de 4horas, dividindo-a em três etapas.

Na primeira etapa cada grupo recebeu orientação por parte de um licenciando sobre como eles deveriam proceder e interagir ao longo de toda a tarefa. Após, foram distribuídos os roteiros, que orientaram a atividade e a busca de respostas para as questões propostas.

A segunda etapa ocorreu no Setor de Física do MCT, onde os alunos realizaram as atividades propostas acompanhados dos licenciandos. Cabe mencionar, que após a atividade, destinou-se um período livre, onde os alunos tiveram a oportunidade de interagirem com os diferentes setores da exposição. Concluída a tarefa, os grupos retornaram para a Faculdade de Física.

A terceira etapa consistiu de um momento de reflexão, com a apresentação, pelos próprios alunos da Educação Básica dos resultados obtidos e a discussão dos mesmos. Para a obtenção dos resultados quantitativos, os alunos responderam a um questionário no término da atividade interativa.

A análise textual qualitativa das respostas dos roteiros foi realizada pelo grupo de licenciandos com o objetivo de analisar os níveis de interatividade atingidos pelos alunos (MORAES, 1999; BERNASIUK; IMHOFF, 2009). Assim sendo, testouse a utilização da Física Interativa no museu como uma extensão da sala de aula, podendo auxiliar o aluno a compreender e relacionar os conceitos de Física com o seu cotidiano.

Cabe salientar que, segundo (MORAES, 1999), o primeiro nível , 'contempla o envolvimento dos visitantes de forma direta e concreta', propondo as habilidades de pensar simples, como observar, ler, comparar, registrar, medir, entre outras. O segundo nível , 'é caracterizado por operações intelectuais mais sofisticadas', como problematizar, experimentar e discutir. Já o terceiro nível é o mais abstrato, sendo as habilidades alcançadas 'de forma mais efetiva através da mediação dos professores.e guias do museu'.

No que tange ao trabalho de investigação, este variou de acordo com a solicitação do professor da escola. Um dos licenciandos investigou as contribuições da construção de maquetes incluindo a parte elétrica de uma residência como elemento motivador para o estudo da Eletricidade. O público alvo foram alunos do 2º Ano do Ensino Médio de uma Escola particular de Porto Alegre/RS. O trabalho foi planejado e executado pelo licenciando, sob a solicitação, a orientação e a supervisão do professor titular da disciplina na Escola, e da professora da disciplina de Estágio IV na Universidade. Outro licenciando orientou vários grupos de alunos da 8 Série do Ensino Fundamental que posteriormente foram selecionados para a participar da uma Feira de Ciências e Mostra Científico-Literária de uma escola estadual, sob a solicitação, a orientação e a supervisão do professor titular da disciplina na Escola, e da professora da disciplina de Estágio na Universidade. Outros dois licenciandos orientaram alunos do 3º Ano do Ensino Médio para participar de Mostra Científica nas suas escolas, sob a solicitação e orientação dos professores das escolas. O quinto licenciando participou da montagem de robôs sob a supervisão do professor da escola. Cabe salientar, que alguns dos trabalhos de

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investigação realizados pelos alunos das escolas tiveram como fonte de inspiração experimentos do museu.

## Resultados e Conclusões

No término da atividade interativa, os alunos da Educação Básica foram convidados a preencher um instrumento de avaliação, manifestando o seu grau de satisfação com a tarefa realizada. O preenchimento se deu de forma anônima.

Citam-se a seguir, alguns depoimentos de uma amostra de alunos, que vivenciaram atividades interativas no MCT/PUCRS, extraídos do questionário avaliativo:

'Se houver mais aulas práticas (no Museu) aprenderíamos mais e com facilidade.'

'Eu acharia que deveria haver mais aulas práticas (no Museu). ...porque eu me senti uma criança brincando com aqueles brinquedos e também aprendi algumas coisas.'

- '(O Museu) É um ótimo local para você aprender se divertindo.'
- '(O Museu é ótimo) Porque ele ensina de um jeito fácil de aprender.'

O grupo de licenciandos, ao analisar as respostas dos roteiros e observar as atitudes dos alunos da Educação Básica durante a realização da atividade, constatou que esses vivenciaram os diferentes níveis de interatividades. Foram verificados os seguintes comportamentos (atitudes) dos alunos no decorrer da tarefa interativa de acordo com MORAES (1999).

Como atitude do primeiro nível que ' contempla o envolvimento dos visitantes de forma direta e concreta ' (MORAES 1999), foram efetivamente observadas no comportamento dos alunos durante a atividade os seguintes comportamentos:

- - ' Mexer, acionar e apertar:'. Observou-se que, a primeira forma de interação dos alunos com os experimentos foi apertar e puxar alavancas, e pressionar botões.
- - ' Observar, examinar e acompanhar' . Verificou-se que os alunos tiveram a oportunidade de olhar e examinar, acompanhando o movimento e os resultados envolvidos nos experimentos.
- - ' Explorar, andar e percorrer'. Durante a realização da atividade solicitada, um período foi destinado à exploração e interação livre ao museu. Esse foi o momento que os alunos tiveram a oportunidade de explorar outros experimentos, permitindo o despertar da curiosidade e aumentando o interesse pelas Ciências.
- - ' Sentir, ver e ouvir' . Quando os alunos interagiram com os experimentos, algumas informações foram conquistadas pelo toque, outras pelo olhar e outras pela audição, afetando o sistema sensorial dos alunos.
- -' Relacionar, inter-relacionar e correlacionar' . Muitos experimentos são relacionados, inter-relacionados, e correlacionados, possibilitando um melhor entendimento uns dos outros. Os experimentos selecionados para a oficina estavam correlacionados uns com os outros de diferentes maneiras de observação do mesmo

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fenômeno ou servindo um de complemento ao entendimento do outro. Para responder as questões de investigação foi preciso atingir este nível de interatividade.

- - ' Comparar, classificar e ordenar' . Essa interação foi vivenciada várias vezes pelos alunos, que dependendo da proposta deveriam fazer comparações.
- - ' Brincar, divertir-se e jogar' . Na avaliação da atividade alguns alunos da 8 o série tiveram dificuldade de identificar os equipamentos como experimentos, sempre se referiam a eles como 'brinquedos', talvez, por que a atividade foi realizada num ambiente lúdico. Os demais alunos atingiram este nível no decorrer da atividade.
- - ' Ligar, desligar e encaminhar' . O grupo de licenciandos observou que os alunos utilizaram o ligar e o desligar, mas não o encaminhar.
- - ' Agir, interagir e movimentar' . Como já descrito anteriormente, a ação e o movimento fazem parte da tônica da atividade.
- - ' Medir, quantificar e pensar' . Na maioria dos roteiros, os alunos foram estimulados a medir e quantificar, mas todos a pensar.
- - ' Ler, informar-se e consultar' . A leitura do roteiro, seguida da leitura das instruções da bancada (placas explicativas), observação do experimento e utilização dos computadores informativos, complementaram as explicações sobre cada experimento. Esse foi atingido por todos.
- - ' Anotar, registrar e escrever' . Para o desenvolvimento da atividade pediu-se o registro das observações e das respostas aos questionamentos propostos. Logo, todos atingiram este nível.

Como atitudes do segundo nível , que 'é caracterizado por operações intelectuais mais sofisticadas' (MORAES 1999), foram efetivamente observadas no comportamento dos alunos, durante a atividade, os seguintes comportamentos:

- - ' Pensar, refletir e raciocinar' . As questões formuladas no roteiro envolviam um questionamento ativo sobre o que eles estavam fazendo ao investigar cada montagem.
- - ' Descrever, comunicar e relatar' . Os alunos precisaram descrever oralmente uns aos outros, o que estavam vendo e sentindo, e, depois, ainda, formular uma resposta escrita às questões do roteiro. Esse nível foi atingido em sala de aula pela maioria dos grupos.
- -' Discutir, criticar e dialogar' . Atingir esse nível foi necessário para a elaboração das respostas e para o entendimento dos experimentos. Os alunos ao discutirem as questões desenvolveram o diálogo entre colegas.
- - ' Responder, interpretar e concluir' . Para responder aos desafios, precisaram interpretar as questões propostas no roteiro e buscar as próprias conclusões.
- - ' Experimentar, testar e verificar' . Puderam experimentar e testar ativando o experimento ou interagindo com o mesmo, podendo verificar e testar o seu conhecimento e suas próprias hipóteses, que, quando contrariadas, despertaram enorme curiosidade.
- - ' Perguntar, problematizar e desafiar' . As dúvidas e as curiosidades foram suscitadas, principalmente quando suas hipóteses prévias eram confrontadas. A problematização gerou a formulação de perguntas e o desafio das suas capacidades de compreensão e entendimento.

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Como característica do terceiro nível, o mais abstrato, que são alcançadas '[...] de forma mais efetiva através da mediação dos professores [...]' (MORAES 1999), efetivamente, durante a atividade, os licenciandos encontraram as seguintes: ' Compreender, ' 'Explicar', 'Interpretar' entre outras. O referido nível de interatividade foi observado pelos licenciandos na última etapa do trabalho.

As características do terceiro nível formam um conjunto de grande importância, pois elas estão inter-relacionadas. A atividade proposta foi de encontro ao caráter interativo do museu, possibilitando a interação dos alunos da Educação Básica com os experimentos, envolvendo a necessidade de compreender, e explicar o que estava sendo observado no experimento, permitindo que se conheça o fenômeno envolvido. Investigar e responder os questionamentos constituiu-se numa forma de elaborar estratégias para responder o que foi questionado. Ao discutir e interpretar os resultados, explicar os fenômenos, ao aprender por conta própria ou em interação com os colegas, os alunos concluiram a tarefa.

As observações, realizadas pelos licenciandos no museu e durante as discussões das questões propostas pelo roteiro no retorno à sala de aula, mostraram que a atividade interativa permitiu aos alunos vivenciar os três diferentes níveis de interação. A atividade foi realizada de uma forma divertida, respeitando o ritmo dos alunos, bem como permitindo e expandindo o ensino e a aprendizagem Ficou bem caracterizada, a interatividade que pode ser alcançada numa atividade no museu.

Enfim, pode-se afirmar que a atividade transcorreu de modo harmonioso e produtivo. Vários foram os fatores que contribuíram para o êxito desses resultados, dentre os quais, salienta-se: a participação e o entusiasmo dos licenciandos, a organização e planejamento prévio de todas as atividades e o trabalho em equipe. Cabe ainda mencionar que também foi muito importante a predisposição dos alunos além do fato de ser uma atividade realizada fora do ambiente escolar

A análise dos relatórios, realizadas durante o semestre, revelou que as metodologias e os recursos utilizados levaram os licenciandos a refletir sobre a sua prática de ensino. A experimentação motivou os licenciandos a construir o seu próprio equipamento, utilizando material de baixo custo caso sua futura escola não possua um laboratório de Física. Entretanto, a maior ênfase foi destinada à atividade interativa realizada no museu. Citam-se a seguir, alguns depoimentos coletados, a partir dos relatórios dos integrantes do grupo de licenciandos:

- 'O MCT oportuniza uma das melhores aulas práticas que se pode oferecer aos alunos.'

'A interatividade do Museu desperta o aluno para a disciplina (de Física).'

'Surpreendi-me pela capacidade de trabalho que os alunos demonstraram. Conseguiram se organizar e seguiram a risca o roteiro proposto. Exceto por um pequeno detalhe: ao invés de terem se dividido nos três sub-grupos propostos e trabalhado isoladamente, trabalharam todos de forma integrada. Somente um aluno às vezes desviava sua atenção por outras montagens e saia de perto do grupo, voltando logo em seguida. Diga-se de passagem, foi o único que não entregou o seu relatório individual pois o perdeu durante a atividade. Conseguiram

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realizar o roteiro no tempo destinado e interagiram cordialmente tanto entre eles, quanto com os outros visitantes.' 'O MCT pode oferecer um alto grau de interatividade nas tarefas desempenhadas pelos alunos'.

'Uma oportunidade agradável de aprender'.

Os licenciandos também constataram que não basta que a atividade seja bem orientada ou planejada, é necessário um acompanhamento do professor. Também é importante que os alunos sintam-se motivados e apresentem uma predisposição para avançarem para os níveis mais altos de interação, estabelecendo elos importantes entre os novos conhecimentos e os conhecimentos prévios aprendidos na vida escolar. As reflexões proporcionaram aos licenciandos oportunidades de aprendizado e qualificação ao seu trabalho e a eles mesmos. Neste sentido, a Física interativa no museu foi introduzida como uma extensão da sala de aula, uma maneira agradável de aprender uma atividade motivadora, buscando auxiliar o aluno a relacionar conceitos de Física com o seu cotidiano

A maioria das atividades planejadas durante o estágio possibilitou aos alunos trabalhar em grupo, conviver com as divergências e interagir com diferentes recursos tecnológicos, aprendendo de forma autônoma e no seu ritmo.

Acredita-se que a grande maioria dos licenciandos dará continuidade àquilo que o se propôs a realizar, já que alguns mencionaram a intenção de continuar realizando atividades experimentais e de introduzir no seu planejamento atividades no Museu de Ciências e de Tecnologia.

No decorrer das atividades os licenciandos foram alertados de que um bom professor não poderá orientar a aprendizagem de seus alunos como uma construção de conhecimento, se ele próprio não possuir a vivência de uma tarefa investigativa, pois a construção do conhecimento não é feita com base na repetição de conhecimentos. O fato de investigar o conhecimento desperta no professor um sentimento de autoconfiança e autonomia motivando-o a querer mais, contribuindo com a qualidade de ensino nas escolas onde estes professores atuam.

Durante a realização de todas as atividades, ocorreu uma integração muito boa entre os professores das escolas e licenciandos, os quais foram convidados para participar de atividades de investigação. Esses trabalhos foram atividades de pesquisa envolvendo alunos da Educação Básica de forma bem criativa. Os melhores trabalhos foram selecionados para participar de Feiras e Mostras de Ciências. Os resultados, dessas atividades realizadas pelos alunos, originaram trabalhos realizados pelos licenciandos em parceria com o professor da escola e professora orientadora. Auxiliar na orientação desses trabalhos foi outro desafio para o licenciando, pois exigiu muito envolvimento, pesquisa e investigação, demandando bastante dedicação, conhecimento, tomado de decisão e organização mental.

Ao oportunizar os licenciandos vivenciar estas atividades acredita-se ter colaborado para conscientizá-los de que o educador é, por natureza, um permanente investigador de sua própria realidade, refletindo sobre a sua ação, buscando compreender a sua própria prática com vistas a sua qualificação e melhoria do ensino. O professor deve estar atento, observando, anotando, analisando, percebendo as limitações de seu trabalho e procurando superá-los e, ao mesmo tempo, se adaptando às novas realidades e transformações do mundo moderno. O professor deve planejar atividades didáticas com o objetivo de tornar

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mais atrativo e significativo o ensino de Física. Por esse motivo, é importante, mais uma vez, lembrar que a educação de um professor é algo que nunca acaba, ou seja, está sempre se processando.

## Referências

BERNASIUK, M. E. B.; GALLI, C.; BRAUN, L. F. M.; STRECK, E. E. . As contribuições das atividades experimentais, da pesquisa e da Física interativa na formação continuada de professores . Divulgações do Museu de Ciências e Tecnologia UBEA PUCRS, Porto Alegre, v. 1, n. 7, p. 185-206, 2002.

BERNASIUK, Maria Emília Baltar; BORCELLI, Anelise F.; AURICH, Nathassia K.. Atividades interativas e suas contribuições para o ensino de física. In: SNEFSimpósio Nacional de Ensino de Física, 18., 2009, Vitória. Anais eletrônicos ... Vitória: SBF, 2009. Disponível em: <http://www.sbf1.sbfisica.org.br/eventos/snef/xviii/sys/resumos/T0536-1.pdf>. Acesso em: 15 set. 2010.

BERNASIUK, Maria Emília Baltar; IMHOFF, Ana Lúcia. Atividade interativa em Física como elo entre um Museu de Ciências e Tecnologia e a escola . In:ENPEC, 2009, Florianópolis. Anais eletrônicos... Florianópolis: ENPEC, 2009. Disponível em:

<http://www.foco.fae.ufmg.br/viienpec/index.php/enpec/viienpec/paper/viewFile/431/4 77>. Acesso em: 27 set. 2010.

BRASIL, Ministério da Educação, Secretaria da Educação Fundamental. Referenciais para formação de professores . Brasília: A secretaria, 1999. 177p.

CANDAU, V. M. F. Formação continuada de professores: tendências atuais. In: REALI, A. M. M. R. & MIZUKAMI, M. G. N. Formação de professores : tendências atuais. São Carlos: EDUFScar, 1996. 182 p.

DEMO, Pedro. Educação e qualidade . 3. ed. Campinas: PAPIRUS, 1996. 160 p.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia : saberes necessários à prática educativa. 28. ed. rev. ampl. São Paulo: Paz e Terra, 2003. 146 p.

HARGREAVES, Andy; EARL, Lorna; MOORE, Shawn; MANNING, Susan. A prendendo a mudar : o ensino para além dos conteúdos e da padronização. Porto Alegre: ARTMED, 2002. 206 p.

MORAES, Roque. Análise de Conteúdo. Educação , Porto Alegre, v. 22, n. 37, p 731. 1999.

MORAES, Roque. Uma Oportunidade Agradável de Aprender Museu de Ciências e : Tecnologia da PUCRS. Informativo Naecim , Porto Alegre, v. 6, n.12, p. 1-4. 1999.

MOREIRA, Marco Antonio. Aprendizagem significativa . Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1999. 129 p.

MOREIRA, Marco Antonio. Ensino e Aprendizagem, Enfoques Teóricos . São Paulo: Editora Moraes, 1985. 94 p.

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