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FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE FÍSICA: PARA ALÉM DA TRANSPOSIÇÃO DIDÁTICA

Ariane Milani Lopes, Elisabeth Barolli

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XIX
Ano
2011
Data
01/02/2011
Linha de pesquisa
Formação E Prática Profissional De Professores De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE FÍSICA: PARA ALÉM DA TRANSPOSIÇÃO DIDÁTICA

## Ariane Milani Lopes , Elisabeth Barolli . 1 2

- 1 Universidade Estadual de Campinas/Faculdade de educação/Mestranda ariane.milani@gmail.com.

2 Universidade Estadual de Campinas/ Faculdade de educação/Orientadora ebarolli@unicamp.br.

## Resumo

Neste trabalho apresentamos um panorama das publicações sobre a teoria da transposição didática, especialmente no ensino de física no Brasil, destacando abordagens, possibilidades e limites de seu emprego. Pretende-se, com esta revisão bibliográfica, delinear novos horizontes para pesquisas que focalizam a relação do professor com seu ensino. Buscaram-se como fontes alguns dos principais periódicos sobre ensino de ciências no país. De um total de 48 trabalhos pesquisados observamos que a teoria da transposição didática é empregada como aporte teórico para apoiar ou sustentar a distinção entre a ciência acadêmica e a ciência escolar; a introdução de conteúdos não incluídos comumente na educação básica, a elaboração de atividades ou estratégias de ensino; a análise de materiais instrucionais, de seqüências didáticas ou formas de tratamento de conteúdos específicos ao longo do tempo e, ainda, como temática essencial para ser problematizada na formação de professores. Com base nos resultados desta revisão bibliográfica e inspirados na idéia de transformação deliberativa proposta por Nóvoa, pudemos apontar para o fato de que a transmissão do conhecimento científico na escola precisaria ser pensada para além da transposição didática, como concebida por Chevallard, particularmente no que se refere às escolhas subjetivas que o professor realiza e que influenciam e são influenciadas pelas suas crenças de autoconfiança e suas metas de aprendizagem, bem como pelas relações que ele estabelece com o aluno, com o conhecimento científico e com a instituição.

Palavras-chave : Transposição didática, Revisão bibliográfica, Ensino de Física, Ensino de ciências e Formação de Professores de física.

## Introdução

O ensino de Física na educação básica há muito tempo tem sido alvo de preocupação, sobretudo no que se refere à formação de professores. Villani & Pacca (1997) consideram que a falta de capacitação por parte de professores da educação científica passa pela falta de habilidade didática e de conhecimentos específicos. Não é de agora que o conhecimento específico da matéria a ser ensinada é considerado um requisito fundamental para o professor. Resultados de pesquisas mais atuais, inclusive, concebem esse tipo de conhecimento no âmbito daqueles que são imprescindíveis para a profissionalização docente e, portanto, pertencentes ao campo da formação inicial de professores. Ao mesmo tempo, é consenso entre pesquisadores da área de ensino de ciências que apenas o conhecimento do conteúdo não é suficiente para o exercício da carreira de magistério.

Chevallard (1985) considera fundamental no processo de ensino considerar questões relativas à transposição didática, isto é, ao movimento que vai se configurar na transição do saber sábio (aquele que os cientistas descobrem) para o saber a ensinar (aquele que está nos livros didáticos) e através deste, ao saber

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30 de janeiro a 04 de fevereiro de 2011

ensinado (aquele que realmente acontece em sala de aula); sendo o primeiro percurso chamado de 'transposição didática externa' e o segundo de 'transposição didática interna'. Para Chevallard (ibid) "Transposição Didática" representa o trabalho de fabricar um objeto de ensino, ou seja, fazer um objeto de saber produzido pelo "sábio" (o cientista) ser objeto do saber escolar. Para que a transposição didática se efetue será, portanto, necessário que o professor domine não apenas o conhecimento do conteúdo, e os métodos de ensino, mas que seja capaz de realizar a combinação adequada entre conhecimentos da matéria a ensinar e o conhecimento pedagógico e didático de como ensinar (Shullman, 1986).

- O conhecimento didático do conteúdo (ou PCK do inglês knowledge pedagogical content), como aparece na literatura, é o acordo ou intersecção entre estes dois conhecimentos, incluindo aí as formas de representação e reformulação do assunto de modo a torná-lo compreensível para os alunos.

Na perspectiva de conhecer e refletir sobre as maneiras pelas quais a teoria da transposição didática de Chevallard (1985) vem sendo explorada nas pesquisas na área de ensino de ciências, buscamos aqui fazer um levantamento dos trabalhos envolvendo transposição didática publicados na literatura especializada na área de ensino de Ciências. Os resultados desse levantamento, juntamente com questionamentos de alguns pesquisadores sobre a pertinência do termo 'transposição didática', sugeriram a importância de considerar que a transmissão do conhecimento científico na escola precisa ser pensada com base em fatores subjetivos que orientam as maneiras pelas quais os professores enfrentam dilemas e impasses envolvidos em sua prática.

## Descrição do trabalho desenvolvido

Foram analisados 48 trabalhos nos quais a teoria da transposição didática de Chevallard (1985) constituía-se como referencial teórico de análise. Inicialmente buscamos pesquisas de estado da arte no campo do ensino de Física. Posteriormente buscamos pela palavra 'transposição didática' nos bancos de dados do Scielo. Dos trabalhos encontrados com esta pesquisa, selecionamos apenas aqueles da área de ensino de Ciências. Em seguida foi realizada uma busca no banco de dados da Revista Brasileira de Ensino de Física, da Revista Enseñanza de Las Ciencias, do Caderno Brasileiro de Ensino de Física, da Revista Investigações em Ensino de Ciências e nos arquivos do Cedoc da Faculdade de Educação/UNICAMP. Das referências bibliográficas destes trabalhos encontramos outros que também foram incluídos neste levantamento. Para balizar a pesquisa buscou-se também pela palavra no banco de dados do Google acadêmico. A análise dos trabalhos foi realizada por meio da definição de dimensões que pretenderam expressar o objetivo dos autores com a utilização daquele referencial.

Do total dos trabalhos pesquisados observamos que a teoria da transposição didática é empregada como aporte teórico para apoiar ou sustentar a distinção entre a ciência acadêmica e a ciência escolar; a introdução de conteúdos não incluídos comumente na educação básica; a elaboração de atividades ou estratégias de ensino; a análise de materiais instrucionais, de seqüências didáticas ou formas de tratamento de conteúdos específicos ao longo do tempo e, ainda, como temática essencial para ser problematizada na formação de professores.

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## Resultados

Pesquisas recentes de Estado da Arte na área de Ensino de Ciências no Brasil, como os de Jardim, Errobidart e Gobara (2008) e Ostermann (2005 e 2009), identificaram o emprego do referencial da teoria da transposição didática na análise de livros didáticos, do laboratório didático e da estrutura histórico-conceitual, bem como na inserção de Física Moderna na Educação Básica. Esse resultado é compatível com algumas das dimensões que pudemos identificar no estudo que realizamos, como explicitado a seguir.

## Transposição didática com foco na inserção de conteúdos na educação básica

Os trabalhos aqui incluídos tiveram a pretensão de estudar meios para a inovação curricular, sobretudo no que se refere a inserção de conteúdos da ciência contemporânea no Ensino Médio. Praticamente todos os 5 trabalhos que se enquadram nessa dimensão discutem a introdução da Física Moderna nesse nível de escolaridade e se apóiam na visão de que a transposição didática deste conteúdo se justifica como forma da escola divulgar os saberes produzidos pela ciência, mesmo considerando a sofisticação desses saberes (Siqueira & Pietrocola, 2006; e Brockington & Pietrocola, 2005).

Além da inserção da Física Moderna no Ensino Médio, há pesquisadores que estudam a Inserção da História da Ciência no Ensino Médio que também se utilizam da teoria da transposição didática, como é o caso de Forato, Martins & Pietrocola (2008) e Diamantino (2008).

## Transposição didática com foco no distanciamento entre área acadêmica e disciplina escolar

Os sete trabalhos aqui classificados explicitam a distinção entre a ciência dita acadêmica e a ciência dita escolar. Esses trabalhos consideram que o processo da transposição didática pode 'deturpar' o conceito científico - o que pode ser visto nos textos que analisam os materiais e livros didáticos - e que a transposição didática gera a produção de um novo conhecimento. Além disso, alguns trabalhos trazem a história da Ciência, o Laboratório Didático, as Ferramentas digitais como auxiliadoras no processo da transposição didática enquanto prática de sala de aula.

Encontramos pesquisas sobre a educação em museus de ciências em três trabalhos (Marandino, 2005, 2004 e 2001). Nestes, o conceito de transposição didática é associado ao conceito de recontextualização de Bernstein no campo da sociologia, entendendo que os conceitos a serem ensinados não apenas provém da ciência base, como também do campo social e cultural.

- O trabalho de Colombi (2003), especialmente direcionado ao ensino fundamental e à crítica da visão fragmentada de ciência, ressalta as implicações decorrentes de fatores que envolvem a política educacional, as visões de mundo hegemônicas que marcaram o pensamento humano e os problemas abarcados pela biologia evolutiva e funcional.

Dominguini (2008) assume a transposição didática como intermediadora entre o conhecimento científico e o conhecimento escolar; Valdemarin (1997) trata do discurso pedagógico como forma de transmissão do conhecimento e; Campolina & Oliveira (2009) relacionam a cultura escolar, as práticas sociais e a transição para

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a adolescência no sentido de direcionar o conteúdo sócio cultural ao conhecimento escolar.

No processo de transposição didática, produzem-se modelos e envolvem-se os sujeitos em uma trama complexa de práticas, discursos e dispositivos pedagógicos relativamente autônomos face à organização sociocultural maior, os quais afetam seu desenvolvimento e as relações entre eles. Entendemos a escola como contexto que celebra modos de relação e exprime concepções de sujeito, continuamente negociados no intrincado jogo das práticas sociais, revelando-se não apenas nos conteúdos e objetivos educacionais formais, mas nos processos relacionados às construções identitárias. (BRUNER, 2001, apud CAMPOLINA & OLIVEIRA, 2009, p.373)

Transposição didática com foco na elaboração de atividades ou estratégias didáticas

Encontramos dois trabalhos nesta dimensão mais propositiva da ação educativa. Um deles se reporta à transposição didática e à concepção de ciência como expressão da cultura para enfatizar e descrever uma proposta de ensino de ciências através de mitos indígenas (Monteiro & Krüger, 2009), enquanto o outro trabalha no livro 'Alice no país do Quantum' (Gilmore, 1998) com os conceitos da mecânica quântica através da cultura presente na literatura infantil (Valigura & Giordani, 2005)

## Transposição didática com foco na análise de materiais instrucionais, de seqüências didáticas ou de conceitos específicos ao longo da história

Dois dos vinte e quatro trabalhos classificados nessa dimensão analisaram uma seqüência didática de física associando a transposição didática com a teoria das situações de Brousseau (Azevedo & Pietrocola, 2008a e 2008b). Brand, Ramos & Mota (2007) analisaram uma seqüência didática relacionada ao conceito de coeficiente angular.

No campo da biologia, quatro trabalhos discutiram a transposição didática presente em livros didáticos a partir de conceitos específicos, como ciclo do nitrogênio, teia alimentar, transformação bacteriana e virologia. Na química, por sua vez, foram encontrados outros dois trabalhos bastante recentes, um deles analisando as concepções de ciência e outro analisando o tratamento probabilístico na teoria cinética de colisões. Na física, perfazendo um total de seis trabalhos, Monteiro Junior & Medeiros (1998) mostraram as distorções conceituais dos atributos do som presentes nas sínteses dos textos didáticos desde os aspectos físicos aos fisiológicos; Rodrigues & Pietrocola (1999) pesquisaram quais as fontes da abordagem da relatividade restrita em livros didáticos do Ensino Médio; Alvetti (1999) trabalhou o ensino de física moderna e contemporânea na revista Ciência Hoje; Krapas & da Silva (2005) trabalharam o conceito de campo e a polissemia nos manuais, discutindo os significados na física do passado e da atualidade; Júnior & Trevisan (2009), traçaram um perfil da pesquisa em ensino de astronomia no Brasil a partir da análise de periódicos de ensino de ciências e Fernandes & Angotti (2006) refletiram a formação de professores de física à distância repensando o material didático.

Analisaram situações de aula e materiais didáticos, Kiouranis, Sousa & Filho (2010), pautando-se sobre alguns aspectos da transposição de uma seqüência didática sobre o comportamento de Partículas e Ondas; Bucussi (2005) analisando

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os projetos curriculares interdisciplinares e a temática da energia; Oliveira (2003) discutindo as fórmulas e as palavras fazendo uma reflexão sobre o ensino da Lei de Coulomb e Araújo & Orlando da Silva (2009), estudando a percepção dos alunos acerca do desenvolvimento da teoria ondulatória de Huygens em livros didáticos para cursos superiores. Segundo os autores, as informações veiculadas nesses livros incorporam contribuições posteriores, que levam a uma visão inadequada da evolução dessa teoria e a atribuir ao passado concepções atuais

Dois trabalhos apresentaram uma análise histórico-conceitual desde a academia até a sala de aula. Silva (2006) analisando a construção do conceito de campo elétrico e Almeida e Falcão (2005) utilizando a teoria de Chevallard para a análise da estrutura histórico-conceitual dos programas de pesquisa de Darwin e Lamarck e sua transposição para o ambiente escolar.

- O laboratório didático foi estudado sobre o ponto de vista da transposição didática por Alves Filho (2000), onde são apresentadas as regras da transposição aplicadas ao laboratório.

Transposição didática como temática essencial para ser problematizada na formação de professores

Neste âmbito foram encontrados nove trabalhos, apenas um referente ao ensino de física, onde Carvalho, Cunha & Faria (2005) trataram a transposição didática na formação inicial do professor de física colocando os futuros profissionais em situações didáticas.

No campo da matemática, onde Chevallard teve maior influência, foram encontrados trabalhos que tratam da análise de um conceito a partir das relações dos professores com os alunos e com o conhecimento; como também no âmbito da formação de professores de matemática, apontando para a diferenciação entre formação e prática profissional e para a inserção de práticas investigativas na formação inicial. Mais precisamente, no trabalho de Gomes & Falcão (2009), são discutidos os aspectos subjetivos na ação docente do professor que ensina matemática, tendo o professor como mediador da aprendizagem e agente subjetivante dotado de história pessoal como aluno e professor.

Também foram encontrados trabalhos versando sobre a educação ambiental e a educação de modo geral em quatro desses trabalhos. Sendo que em Barros & Mazzotti (2009) a profissão docente é tratada como uma instituição psicossocial.

- (...) a transposição didática é uma atividade retórica, pois ao ensinar a matéria, o professor confere-lhe clareza e coerência, passando da invenção, ou transposição, à elocução, à ação, sempre considerando seus alunos, que constituem o seu auditório imediato. No entanto, tal como no caso dos oradores, há os que fazem sem conhecer sua arte, sem a ciência de sua arte, fazendo-o bem ou não, e os que sabem ensiná-la, os que sabem ou podem orientar outros, esses são seus líderes de opinião. (BARROS & MAZZOTTI, 2009, p. 169)

## Considerações e conclusões

Em síntese, os trabalhos que selecionamos têm a transposição didática como referencial no sentido de inserir teorias científicas mais recentes no programa escolar; orientar a análise de conteúdos em livros didáticos; ou apenas como referencial teórico para distinguir o conhecimento dito acadêmico do conhecimento escolar. Todos partem do pressuposto que para ensinar o conhecimento científico é

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necessário operar uma transposição didática que não implica, necessariamente, em considerar aspectos de natureza subjetiva que orientam a prática do professor.

De fato, o termo 'transposição' nos remete a algo que é simplesmente transportado, não infere caminho ou trajetória, nem transformação, algo sobremaneira abstrato quando estamos a falar de práticas. Além disso, traz uma noção de subordinação do saber escolar ao saber acadêmico.

Alice Lopes, em discordância com o termo transposição didática, propõe o termo mediação didática.

- (...) o termo transposição tende a ser associado à idéia de reprodução, movimento de transportar de um lugar a outro, sem alterações. Mais coerentemente, devemo-nos referir a um processo de mediação didática. Todavia, não no sentido genérico, ação de relacionar duas ou mais coisas, de servir de intermediário ou 'ponte', de permitir a passagem de uma coisa a outra. Mas no sentido dialético: processo de constituição de uma realidade através de mediações contraditórias, de relações complexas, não imediatas, com um profundo sentido de dialogia (LOPES, 1997, p.564).

Por outro lado, o termo transformação implica necessariamente numa efetiva distinção entre um conhecimento ou saber acadêmico e seu correspondente escolar.

- O termo deliberativo adicionado ao termo transformação, proposto por Nóvoa (2009), dá indícios de que a transformação se dá num ato de decisão no contexto da prática. Mas vai além ao sugerir que há uma subjetividade por detrás deste processo que pode aparentar ser essencialmente objetivo. O ato de deliberar pressupõe a ação de decidir, de resolver; há, pois, um sujeito, que delibera conforme uma demanda e um desejo.

Parece-nos que essa é a razão pela qual Nóvoa (2009) prefere falar em transformação deliberativa,

- (...) na medida em que o trabalho docente não se traduz numa mera transposição, pois supõe uma transformação dos saberes, e obriga a uma deliberação, isto é, a uma resposta a dilemas pessoais, sociais e culturais (NÓVOA, 2009, p.5).

Embora o professor, via de regra, pouco participe do processo de escolha dos conteúdos a serem privilegiados, seja pelas exigências de políticas públicas educacionais, seja pela prescrição de livros didáticos, o professor, no ato de ensinar, tem uma margem de escolha que nos parece estreitamente vinculada a sua implicação com a aprendizagem dos estudantes.

- O conhecimento transmitido coaduna com os princípios do professor que o ensina, isto é, o professor não é neutro, tem alguma margem de autonomia no processo de ensino.
- (...) ninguém pode ensinar verdadeiramente se não ensina alguma coisa que seja verdadeira ou válida a seus próprios olhos. Esta noção de valor intrínseco da coisa ensinada, tão difícil de definir e de justificar quanto de refutar ou rejeitar, está no próprio centro daquilo que constitui a especificidade da intenção docente como projeto de comunicação formadora (FORQUIM, 1993, p. 9).

Estudos sobre o cotidiano da sala de aula nos mostram que quando o professor transmite algo que não acredita, deixa transparecer sua posição através das 'maneiras de fazer', utilizando-se de táticas, operações quase microbianas, nas palavras de Certeau (1994, p.41), que criativamente subvertem a ordem instituída. O

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professor não apenas atua na microfísica do poder , como também na microfísica de subversão do poder. Ora como produtor (segundo a abordagem foucaultiana), ora como consumidor (segundo a abordagem certeauniana).

As potencialidades que surgem a partir dessa problemática nos indicam que há uma autonomia intrínseca no ofício de ensinar que está intimamente ligada às crenças de autoconfiança e metas de aprendizagem do professor, bem como às relações que ele estabelece com o conhecimento científico e pedagógico, com seus alunos e com a instituição de ensino onde leciona.

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