CONCEPÇÕES DE FUTUROS PROFESSORES SOBRE O USO DA HISTÓRIA DA FÍSICA
Luiz Gustavo Pampu, Odisséa Boaventura De Oliveira
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XIX
- Ano
- 2011
- Data
- 01/02/2011
- Linha de pesquisa
- Formação E Prática Profissional De Professores De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## CONCEPÇÕES DE FUTUROS PROFESSORES SOBRE O USO DA HISTÓRIA DA FÍSICA
## Luiz Gustavo Pampu 1 , Odisséa Boaventura de Oliveira 2
1Universidade Federal do Paraná/Mestrado em Educação/luizpampu@yahoo.com 2Universidade Federal do Paraná/Departamento de Teoria e Prática de
Ensino/odissea@terra.com.br
## Resumo
Este trabalho é parte de uma pesquisa de mestrado que investiga a formação de professores de física em relação ao enfoque histórico e filosófico da ciência (HFC). Este texto trata-se da primeira etapa da pesquisa em que foi realizada uma entrevista com 10 licenciandos que estão inseridos em uma disciplina de estágio supervisionado, cujo primeiro semestre, no qual realizamos as entrevistas, constitui-se de observação de aulas e do preparo de um pré-projeto de docência para o semestre seguinte, tendo por objetivo entender as concepções sobre este enfoque problematizamos os dizeres destes alunos tanto sobre a escolha deste enfoque em particular, pois eles poderiam ter escolhido outro, como o modo de desenvolvimento que eles pensam usar. Os resultados apontam que os motivos para a escolha de abordar este enfoque nas aulas durante a regência foram: a familiaridade com a temática tanto durante o curso quanto na vivência como professor em sala de aula (para os licenciandos que já atuam como professores). Sobre à utilização da HFC em sala de aula eles julgam estar relacionada: à Humanização dos Cientistas (Trabalhar a ideia de "cientista" como pessoa, manifestada por 2 alunos); à Motivação (Fuga do modelo "algébrico puro" de aula, expressa por 3 alunos); à possibilidade de abordar as Concepções Alternativas (Trabalhar as ideias dos alunos sobre os fatos, usando como base o desenvolvimento histórico, encontrada em 2 alunos); à tratá-la como um Conteúdo (Trata como um conteúdo a parte, manifestada por 3 alunos); ao Debate de Ideias (conhecimento cientifico não-homogenio e fruto de trabalho humano inscrito na história, encontrada em 3 alunos); Temporalidade e Contextualização (expressa por 3 alunos). E por ultimo o que nos chamou atenção foi que vários alunos manifestarão mais de uma concepção.
Palavras-chave : História da Física. Formação Inicial. Didática Especifica.
## Introdução
Este trabalho é parte de uma pesquisa de mestrado em desenvolvimento junto a alunos da Licenciatura em Física na disciplina de Prática de Ensino e Estágio Supervisionado de uma universidade pública. Nela se busca compreender a relação entre a história e filosofia da ciência e a formação desses futuros professores. Neste texto analisamos as entrevistas feitas a 10 alunos do curso, tendo por objetivo compreender suas concepções sobre o uso da história da ciência durante o estágio.
Considerando que os futuros professores são marcados por suas vivências como alunos da escola e, principalmente, da universidade, é pertinente num primeiro
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30 de janeiro a 04 de fevereiro de 2011
momento apresentar algumas características da instituição universitária da qual fazem parte.
O curso de física em questão está dividido em dois blocos, o núcleo comum, que ocupa um pouco mais de dois anos e o núcleo pedagógico que compõe o restante do currículo, correspondendo, de certa forma, ao proposto nas Diretrizes Nacionais Curriculares para os Cursos de Física (2001). Entretanto, nem todas as disciplinas do núcleo pedagógico são trabalhadas pelo setor de educação, parte delas é responsabilidade dos professores do departamento de física, sendo que a grande maioria destes profissionais é de doutores em física.
A disciplina Prática de Ensino e Estagio Supervisionado apresenta-se dividida em dois semestres, que não precisam, necessariamente, serem cursados em sequência, neste caso, Prática I e Prática II são tratadas como disciplinas semestrais. Na primeira, os alunos devem ir a campo para observar a prática do professor da escola. Ainda durante este semestre, os licenciandos devem escolher um dos seguintes enfoques: Ciência-Tecnologia-Sociedade (CTS) e meio ambiente; Física moderna e contemporânea; História e filosofia da ciência; Tecnologias e novas abordagens; Linguagem e cognição, para planejar a regência a ser efetivada no semestre seguinte. Na Prática II, eles devem ministrar aulas sob a supervisão do professor da escola e do professor da universidade.
As entrevistas foram realizadas durante a Prática I com os estudantes que escolheram enfocar História e filosofia da ciência (HFC). Alguns licenciandos já atuavam como professor, mas de modo geral o roteiro norteador da entrevista constou das seguintes questões: Como foi a sua experiência no curso de graduação, lembranças boas ou ruins. No ensino médio quais são suas lembranças sobre o uso de leitura? Por que você escolheu o tema HFC? Você usa(ria) leitura e/ou enfoque histórico em suas aulas? Como? Quais as dificuldades dos alunos quanto a leitura? Você consegue pensar sobre um tipo de avaliação com enfoque histórico?
Essas questões objetivavam levantar informações sobre a possibilidade de um trabalho com história da ciência e leitura, já que, a nosso ver, essa atividade é uma das melhores formas de acessar o conhecimento histórico.
## História da Ciência, algumas ponderações sobre este enfoque
A abordagem da história da ciência em sala de aula, não tratando-a apenas como um conteúdo adicional, mas como um aporte metodológico, tem apresentado algumas dificuldades. Uma delas encontra-se na formação inicial dos professores (Kipitango-A-Samba, 2005), pois o currículo quando contempla alguma disciplina de história da ciência não proporciona uma ênfase repousada no seu uso em situações de ensino-aprendizagem. Outra é a falta de materiais bibliográficos (Martins, 2007). No curso em questão, há uma disciplina, além das Práticas de Ensino, que tenta relacionar esse aspecto aos processos de ensino-aprendizagem, mas que também deve dar conta dos outros enfoques, como CTS, experimentação, tecnologias, física contemporânea, entre outros. Portanto, o tempo é restrito para aprofundamentos.
Apesar do pequeno espaço nas licenciaturas, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Brasil, 1996), no que compete à formação do sujeito que passa pelo processo de escolarização, aponta uma preocupação com a dimensão histórica e social da ciência (ver artigo 36). Também nos Parâmetros Curriculares Nacionais (1999) em suas orientações complementares (2002) e mais recentemente nas
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Orientações curriculares para o ensino médio (2006), observa-se a preocupação com a história da ciência. Consta nesse último documento:
Ao mesmo tempo em que os conhecimentos prévios dos alunos são problematizados, deve-se fazer a contextualização histórica dos problemas que originaram esse conhecimento cientíÞco e culminaram nas teorias e modelos que fazem parte do programa de conteúdos escolares a ser apreendido pelo aluno, ampliando a visão do seu mundo cotidiano. (Brasil, 2006, p. 51)
Assim, ao que parece a importância do uso da história da ciência na sala de aula está na compreensão da temporalidade do conhecimento cientifico e tecnológico inserido em um determinado modelo de sociedade para que assim possibilite o desenvolvimento de uma visão mais aproximada do fazer ciência.
Neste sentido, dado que a LDB indica a necessidade de se formar docentes que atendam aos objetivos da educação básica, não devemos apenas ater à história da ciência como um conteúdo a mais na formação docente, mas sim integrando-a como mais uma maneira de proporcionar ao aluno da educação básica subsídios para que ele possa deslocar sua leitura de mundo.
Observando alguns estudos que utilizaram história da ciência, percebe-se que esse enfoque contribuiu para organizar uma estratégia didática pensando no modelo de mudança conceitual, a partir da realização de experimentos ( Dedes, Ravanis, 2009; Lin; Hung; Hung, 2002; Malamitsa; Kasoutas; Kokkotas, 2009), nesta mesma direção Hosson, Kaminski (2007) montam uma peça teatral a partir de uma investigação prévia das concepções dos alunos utilizando os originais de Aristóteles, Lucrécio, Platão, Empédocles e Alhazen, também pensando na estrategia de mudança conceitual, de outra maneira Sasseron, Nascimento, Carvalho (2009) pensando na alfabetização científica utilizam da leitura de um texto original de Rumford para produzir discussões sobre diferentes concepções.
De modo geral os trabalhos desenvolvidos com este enfoque apontam que a HFC
torna as aulas mais desafiadoras e reflexivas; humaniza as ciências; explicita as relações entre dogma, sistema de crenças e racionalidade científica; ajuda a superar o mar de falta de significação de fórmulas e equações; melhora a formação do professor; torna o conhecimento científico mais interessante, acessível e compreensível; permite uma visão ampliada dos conceitos, dos problemas e de suas resoluções, inclusive relacionando-os interdisciplinarmente; seu estudo pode conduzir a idéia inovadoras e a uma nova visão de mundo e da cultura científica, validando a relação cultura-intelectualidade. (Batista, 2007, p. 260)
Vejamos então como os licenciandos entrevistados percebem este enfoque.
## Algumas concepções sobre a história da ciência
Como comentado anteriormente os licenciandos tiveram a opção de escolher entre alguns enfoques, mas então, qual seria a razão deles escolherem justamente a história e filosofia da ciência?
## a) Quanto à escolha desse enfoque
A familiaridade com a temática por meio de outras disciplinas foi o que motivou tal escolha, como segue abaixo:
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A não sei, acho que foi mais, foi o grupo assim que decidiu, e, que neste semestre a gente estava fazendo história da física, ai pra conseguir associar uma coisa a outra assim, pra gente já ir usando o que a gente tava vendo em historia da física pra tentar aplicar no estágio também.....porque você acaba, tem que estudar pra prova, você usa tudo o que você esta usando em uma matéria e coloca na outra né.(Entrevistado A)
É que eu fiz um trabalho na metodologia, nem queria pegar, mas acabei pegando, historia e filosofia da física, não conhecia muito, e ai não achei muito legal, mas dai comecei a ver e comecei a achar legal (Entrevistado D)
Eu faço a matéria história da física, e quando eu fiz uma outra disciplina, eu acabei pegando assunto do calor, que era introdução a esse assunto, então eu fiz todo um trabalho de desenvolvimento com a história do conceito do calor, foi algo que também me interessou eu achei legal (Entrevistado G)
Percebe-se que os licenciandos escolheram este tema porque de alguma maneira ele se fez presente no curso. Para os entrevistados A e G, o fato de estarem cursando a disciplina História da Física os estimulou na tentativa de utilização, junto aos alunos do Ensino Médio, de um conhecimento que já estava em consolidação. Já para o entrevistado D, foi um trabalho em outra disciplina que direcionou tal escolha.
Também por familiaridade, mas sem citar experiências anteriores e sim por facilidade, outro entrevistado revela que:
Sinceramente pela comodidade, porque tinha alguns temas que eu nem sabia o que significava. Tinha um que era, eu me lembro apenas da palavra cognição no meio do tema, sinceramente eu nem sei o que significa isso, então dificilmente eu ia escolher aquele tema né (Entrevistado F)
Para alguns licenciandos que já atuavam como professores a experiência em sala de aula foi definidora. Enquanto o entrevistado B percebeu interesse dos alunos da escola em relatos históricos, o entrevistado E julga que as outras temáticas disponíveis para escolha eram ou inadequada ou muito recorrente:
Até na aula quando você começa a falar, física, alguma coisa que os caras, alguma coisa que os caras começaram assim a descobrir no começo assim, o pessoal acha interessante, eu vejo que os alunos acham interessante.(Entrevistado B)
Bom, era o mais fácil né, esse eu escolhi porque era o mais fácil, mas também é o mais interessante se parar para pensar, porque introdução à física moderna era, eu acho que está longe da realidade do ensino médio estadual aqui, ai você pega outro, sei lá, nem lembro qual que tinha outro, CTS é um tema muito batido.(Entrevistado E)
Considerando as falas acima observa-se que o desconhecimento de alguns temas e relações anteriores com a história da ciência foram definidores para tal escolha. Fato que aponta para o contato dos licenciandos com determinados tipos de enfoque e não com outros.
## b) Quanto ao uso da história da ciência
Outro aspecto a ser destacado é como eles pensam em usar este enfoque na sala de aula, ou como já estão usando, no caso daqueles que exercem a profissão de professor.
Claro, usar a história de dois jeitos, um é para aproximar o cara de como foi feito mesmo, quando se fala de Newton, Aristóteles, os caras pensam no
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cara como foi né, mas eram pessoas que nem a gente. O cara devia sentar bater um papo, sabe, humanizar o cara, acho que isso ajuda. E outro sentido, contar alguma coisa interessante, sabe aquela coisa que desperta detalhes. (Entrevistado D)
Um dos elementos trazidos por este entrevistado é o uso quanto à humanização dos grandes gênios da ciência e outro é a motivação que este trabalho pode trazer ao aluno do ensino médio. Entretanto, quando questionado como faria uma avaliação que contemplasse elementos da história da ciência ele apresenta a seguinte ideia:
Pra ser sincero agora que você falou eu não tinha pensado num jeito de como cobrar o enfoque histórico, mas talvez, não como história eu acho, mas talvez podia pensar num, fazer ele desenvolver um método, como é que você mostra que uma coisa sempre cai. Um exemplo, será que sempre uma coisa vai cair? será que se você jogar? Para ele tentar ir desenvolvendo o raciocínio como foi desenvolvido pelo pessoal e levar o aluno a fazer isso na prova. Que a prova também, eu acho que é uma chance do cara aprender, não precisa só corrigir (Entrevistado D)
Essa idealização da avaliação que no próprio dizer do entrevistado não havia sido objeto de reflexão traz uma contradição com a metodologia empregada durante o trabalho pedagógico, como segue abaixo:
você começa a dar um negocio mais histórico, mais conversar, você chama a atenção dos cara, ai depois você manda física lá né.(Entrevistado D)
A compreensão deste licenciando sobre a utilização da HFC denota certa fragilidade, expressando tanto a dificuldade em trabalhar a história da física articulada com o conteúdo disciplinar em condições reais de sala de aula de forma planejada, quanto uma falta de estratégias didáticas ou de recursos para desenvolver o trabalho pedagógico. Entretanto, quando pensa na avaliação, além de julgá-la um espaço para a aprendizagem consegue vislumbrar esta articulação.
- O entrevistado H também manifesta dificuldade em pensar nesta articulação, além de não conceber o enfoque histórico como um conteúdo nem como uma metodologia para atingir os objetivos da educação básica, como podemos observar em sua fala:
Tá tem um problema, se você der só o enfoque histórico vai ficar quase que uma filosofia, e você não vai conseguir dar sua matéria de física, dependendo da matéria, então você vai ter que balancear bem, tanto o enfoque histórico quanto a matéria que você tá dando.(Entrevistado H)
Outro licenciando enxerga nas atividades práticas ou nos projetos modelos de ensino que fogem do tratamento tradicional da física, conforme suas palavras:
(o ensino de física) é pouco voltado para a história da ciência, que eles poderiam aprofundar um pouco este estudo, até mesmo desenvolvendo projetos, propostas de projetos, que eles façam entre aspas a ciência, assim nos moldes de um certo cientista né. Pra que estudar termologia fazendo conversão de temperatura, sendo que você pode construir um termômetro (Entrevistado J)
Vale dizer que o entrevistado J participa de atividades extracurriculares que estão relacionadas com este enfoque. Outro licenciando diz adotar o enfoque histórico na tentativa de mudar concepções errôneas dos alunos, como segue abaixo:
Eu gosto do no meio da.... no meio da aula, por exemplo o conceito de velocidade relativa, você entra um pouco com Galileu, ele notar que a terra
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parece que tá imóvel e ela tá com movimento, coisa que as vezes tem gente que se engana. Para ver se evolui um pouco a mente, o próprio aluno, o próprio aluno gosta disso, eles gostam disso. Uma coisa, mudar, tirar, o adolescente tem aquela visão toda cheia de coisa, então você passa uma coisa que muda essa visão dele, então ele se surpreende.(Entrevistado K)
Entretanto, esta prática acontece em momentos específicos, pois quando questionado sobre a avaliação ele comenta que separa três aulas para a história da física, assim separando-a em um conteúdo a parte e a avalia utilizando trabalhos sobre biografias de cientistas.
- O entrevistado F aponta a história da física como conteúdo e não como um aglomerado de nomes e datas, mas como embate de ideias e de concepções de mundo. Ele se lembra de um episódio ocorrido na física básica, que o fez pensar em uma forma de se avaliar:
porque é interessante você ver as dificuldades que o cientista teve ali para chegar a uma conclusão que não é algo que brota ali........quando eu cursei física 2 eu lembro de uma das questões muito interessantes que meu professor cobrou, que foi, que era tão famoso, acho que todos que fizeram a disciplina com ele jamais vão esquecer esta questão, ele cobrava assim 'explique a dicotomia entre céu e terra'. Todo mundo achava bizarro, achava que o homem era louco, mas na verdade aquela era uma questão com enfoque histórico de física, o que ele queria era que você explicasse a separação entre céu e terra.(Entrevistado F)
Noutro sentido o entrevistado B apresenta ideias de utilização da história da física para motivar, como segue abaixo:
USP lançou tipo um gibizinho, ele é bem legal, não é coisinha tipo três quatro paginas, ele é bem grossinho assim. Conta lá, desde Arquimedes até ...Nesse sentido com quem trabalha com astronomia, então aquilo lá eu achei bem legal, que aparece o diálogo entre os caras assim, no tempo certo é claro, tudo bem certinho, tudo bem feitinho.....eu li lá e achei interessante, outro que eu acho que ia chamar muito mais atenção, é uma coisa assim que, ao mesmo tempo que pra eles é uma coisa que eles vão aprender mas também, tem que ser uma coisa pra cima, tem que ser uma coisa engraçada (Entrevistado B)
Podemos perceber que ele também considera importante a humanização do trabalho cientifico e seu caráter de produção através de embates, quando ele considera que os diálogos ocorreram em uma temporalidade. Esta questão da temporalidade como contextualizadora do conhecimento também é comentada pelo entrevistado E:
questão histórica da matemática, sempre inseri alguma coisa para não ficar aquele conteúdo meio vago assim (Entrevistado E)
Outro licenciando, assim como B, considera a questão de se trabalhar com embates, conforme descreve neste episodio:
tentamos ver se os alunos compreenderam aquilo lá né, ver a diferença do que Aristóteles pensava do que Galileu pensava, então tipo uma forma de ver se ele teve aprendizado, se ele captou aquilo (Entrevistado E)
- O licenciando G propôs um trabalho centrado nas biografias dos cientistas usando como meio de investigação o computador como veiculo de motivação à pesquisa, como podemos ver em sua fala:
Eu comentei com um outro professor que eu tive contato, conhecido né, é que ele usava o laboratório de informática e pedia para os alunos para pesquisarem, como se fosse a biografia, e apresentarem, e eles, no caso o
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professor, explicava como, aquela pessoa, desenvolveu o conceito, alguma coisa assim ele fazia. Eu achei interessante, porque os alunos adoram o computador (Entrevistado G)
Considerando as características das atividades e do modelo de avaliação propostos pelos licenciandos, podemos apontar a não homogeneidade metodológica do enfoque histórico. Sistematizando estas relações podemos traçar seus objetivos conforme o quadro a seguir.
Quadro 01: Manifestações sobre o uso da história da ciência
As manifestações expressas pelos entrevistados relacionadas à história da ciência no ensino de física indicam possibilidades de promover mudança conceitual e às expectativas dispostas nos documentos curriculares nacionais, no que diz respeito à problematização dos conhecimentos prévios dos estudantes e à contextualização do conhecimento científico.
Quanto aos recursos e estratégias para o trabalho com a HFC na sala de aula, os licenciandos destacam principalmente a 'conversa' com os alunos (Entrevistados D e K), construir objetos, desenvolver projetos (Entrevistado J), leitura de gibi ou textos engraçados (Entrevistado B), pesquisa de biografias em computador e posterior apresentação (Entrevistado G).
## Algumas considerações
Observando as falas dos licenciandos o motivo da escolha deste enfoque centra-se na familiaridade, fato que nos permite apontar a necessidade de se eleger aspectos/temáticas importantes na formação do professor e coloca-lo em contato com tais elementos, pois como muitos entrevistados disseram 'como escolher um tema se eu nem sei o que é'.
Se observarmos a grade curricular de alguns cursos de licenciatura, veremos que muitos deles apresentam, pelo menos, uma disciplina de história da ciência, como é o caso desta universidade onde efetuamos a investigação, então, talvez, só termos uma disciplina que trabalhe a história da ciência com foco na história não dê conta de resolver o problema. Reconhecemos que já é um primeiro passo, mas o que estes alunos de licenciatura irão fazer com este conhecimento? Como eles irão usar esta história da ciência no ensino de ciências? Seria o caso de
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se ter uma disciplina que desse conta deste tipo abordagem? Mas se considerarmos os vários tipos de enfoques (social, cultural, cotidiano, ambiental) e as inúmeras metodologias que são consideradas importantes no exercício da profissão docente, quantas disciplinas seriam necessárias? A nosso ver durante a referida disciplina seria interessante que o licenciando planejasse formas de utilização do conteúdo estudado junto aos alunos do ensino médio, por exemplo, produzir uma unidade didática em que se utilizem diferentes recursos e estratégias de ensino. Atividade que auxiliaria também na compreensão de que não basta apenas contar/relatar/'bater papo' na sala de aula sobre aspectos históricos.
Outro aspecto a ser notado é que quase metade dos entrevistados aponta o uso da história da ciência de forma multifacetada (quatro de nove licenciandos apresentam mais de uma tendência). Tomando como exemplo o licenciando B, que apresenta tanto a tendência do uso da HFC como motivação, quanto como estratégia de mudança de concepção, podemos dizer que, para ele a história da ciência em sala de aula envolve aspectos psicológicos de cognição e de motivação.
De modo geral os licenciandos remetem ao que Batista (2007), autora citada anteriormente, apontou em seus estudos, no entanto observamos que há uma compreensão bastante restrita e frágil desta utilização, pois, conforme tabela acima, alguns entrevistados adotariam a história da ciência no ensino como um conteúdo isolado do ensino de física (apontado por 3 entrevistados), ou seja eles não vislumbram essa articulação.
Na continuação deste trabalho, investigaremos como estes licenciandos abordarão a história da ciência em suas aulas de estágio na disciplina Prática II, então teremos elementos mais fundamentados que nos permitirão dizer se essas manifestações expressas nas entrevistas eram apenas concepções ou se são discursos efetivados ao longo da formação escolar e universitária.
## Referencias
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.