O LICENCIANDO EM FíSICA E A ESCOLA BÁSICA NO CONTEXTO DO PIBID/CAPES EM EXECUÇÃO NA UFRJ
João José F. Sousa, Deise M. Vianna, Ligia F. Moreira, Susana S. Barros, Almir G. Santos, Marco A. Dias, Saionara M. A. Chagas
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XIX
- Ano
- 2011
- Data
- 01/02/2011
- Linha de pesquisa
- Formação E Prática Profissional De Professores De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## O LICENCIANDO EM FÍSICA E A ESCOLA BÁSICA NO CONTEXTO DO PIBID/CAPES EM EXECUÇÃO NA UFRJ
João José F. Sousa 1 ,Deise M. Vianna , Ligia F. Moreira , Susana de S. Barros , 2 3 4 Almir G. Santos , Marco A. Dias , Saionara M. A. Chagas 5 6 71
1 UFRJ/Instituto de Física, jjose@if.ufrj.br
2 UFRJ/Instituto de Física, deisemv@if.ufrj.br
3 UFRJ/Instituto de Física, ligia@if.ufrj.br
4 UFRJ/Instituto de Física, susana@if.ufrj.br
5 SEE-RJ/ Colégio Estadual Marechal João Batista de Mattos , almirgds\_if@yahoo.com.br
6 SEE-RJ/ Colégio Estadual Aydano de Almeida , marco\_adriano@yahoo.com.br
7 SEE-RJ/ Ginásio Público 389 Haroldo Barbosa, saionarachagas@yahoo.com.brl
## Resumo
Apresenta-se neste trabalho uma descrição de subprojeto do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência PIBID/CAPES, em vigência no Instituto de Física da UFRJ e implementado em 2009-10. O projeto obedece à proposta da CAPES, estabelecendo uma dinâmica de trabalho que articula de forma integrada a universidade (orientadores e licenciandos) com a escola pública (professor, sala de aula) à procura da qualidade da formação docente inicial e do ensino de qualidade nas escolas da rede pública. Diversos aspectos do Programa desenvolvido são apresentados, sendo de interesse especial: as ações do PIBID na escola e fora da escola as ações que promovem a antecipação da ; formação prática dos alunos da licenciatura através do seu contato com a realidade escolar; o 'efeito' do programa na escola e as mudanças introduzidas na escola pela entrada do PIBID. Apresentam também depoimentos da percepção dos alunos quanto à sua participação no programa. As propostas de continuidade são introduzidas com idéias de implementação de atividades que devem permitir aprimorar o papel do subprojeto Física de forma a melhor atender os objetivos do Projeto geral.
Palavras-chave : Formação do professor, Física, PIBID, sala de aula.
## Introdução
O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência PIBID/CAPES, em vigência a partir de 2009 no Instituto de Física foi implementado segundo a proposta da CAPES, de estabelecer dinâmicas de trabalho com objetivo de promover a articulação integrada da educação superior do sistema federal com a educação básica do sistema público, em proveito de uma sólida formação docente inicial; de elevar a qualidade das ações acadêmicas voltadas à formação inicial de professores nos cursos de licenciaturas das instituições federais de educação superior; de estimular a integração da educação superior com a educação básica no ensino fundamental e médio, de modo a estabelecer projetos de cooperação que elevem a qualidade do ensino nas escolas da rede pública.
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30 de janeiro a 04 de fevereiro de 2011
O problema da formação de professores no Brasil não é novo e, como mencionado pelo professor Otáviano Helene, ex- presidente do INEP, é muito grave. O número de formandos anual não é suficiente sequer para repor o quadro, caso este estivesse completo, mesmo que a eficiência no aproveitamento dos graduados fosse 100%, o que está longe de acontecer, já que um grande número de licenciados formados nas áreas de ciências procura outras opções profissionais. (Helene et al., 2010).
Ações para superar este quadro vêem sendo objeto de Planos Nacionais de Educação (Brasil, 2001; 2007), porém as possibilidades de solução estão ainda atreladas às políticas educacionais de âmbito nacional e estadual, que gerenciam o sistema de educação básica. O déficit de professores bem formados tem motivado a criação de novas modalidades de ensino. A Universidade Aberta do Brasil (UAB/MEC) criou cursos de ensino a distância para formação de professores desde o início desta década, mas ainda não atendeu seu papel na formação de novos e melhores quadros. Entre as áreas identificadas de maior carência, as licenciaturas em ciências precisam urgentemente atender essa necessidade. O déficit de professores chega a algumas dezenas de milhares de professores tanto em física como em matemática e em química, sendo que a capacidade de formação dos quadros nas universidades públicas é ainda menor nas áreas de física e química. Assim, a possibilidade de incentivar os alunos ingressantes e evitar sua evasão é uma das formas que surgem com maior chance de contribuir para a solução do problema.
A ideia de supervisionar o licenciando na escola desde o início da formação é nova e pode atender objetivos tanto cognitivos como afetivos, motivando-o a permanecer na profissão e permitindo que empregue modelos estruturados para conhecer a escola e a conjuntura profissional do professor, que colabore com os professores do ensino médio e, dessa forma, contribua para um melhor desempenho, numa sala de aula que sabemos ser problemática na atual conjuntura educacional.
Atendendo à chamada do PIBID/CAPES, o subprograma Física (Projeto UFRJ) integra os três grupos envolvidos no processo de ensino aprendizagem controlado pelo Estado: o professor de Ensino Médio, o licenciando em física e o professor do Curso de Licenciatura em Física, numa dinâmica de interação que se dá nos diversos momentos de atuação na escola pública e no Instituto de Física
## Metodologia
## Referencial didático
Estabeleceu-se uma dinâmica de trabalho com a co-participação dos integrantes dos três grupos institucionais para desenvolver materiais didáticos, estabelecer estratégias e atividades concretas de aprendizagem, que contemplam prioritariamente a execução em sala de aula, em cada uma das escolas participantes. O tripé de atuação da equipe é formado por: supervisores (4 professores do Ensino Médio alocados em 4 escolas da SEE/RJ); monitores bolsistas de Iniciação à Docência (12 alunos dos primeiros períodos do Curso de Licenciatura em Física, distribuídos 3 por escola) e professores do Instituto de Física (4 orientadores de iniciação à docência incluindo um coordenador).
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Pensando-se na maior eficiência de um ensino de física que possa atender à realidade da escola pública, as ações específicas nas escolas participantes são fundamentadas no Projeto Pedagógico de cada Unidade que tem em comum a Reorientação Curricular, SEE/RJ (Estado do Rio de Janeiro, 2006).
- A dinâmica dos trabalhos no PIBID é estabelecida em sessões de coparticipação que definem a escolha e a preparação das estratégias/materiais didáticos, em sessões semanais (oficinas) dos professores supervisores das escolas e dos orientadores.
A necessidade mais premente, por solicitação dos professores do ensino médio é a colaboração para desenvolver um ensino experimental, que continua sendo a componente mais fraca do ensino de física na escola. Esta situação é agravada pela ausência de facilidades nas escolas de laboratórios e materiais apropriados. Nesse sentido, a contribuição do PIBID cria um cenário diferente, fornecendo não apenas conjuntos experimentais testados e apropriados para o ensino de física, mas também a colaboração do licenciando, que age como auxiliar do professor supervisor, permitindo o desenvolvimento das atividades práticas que não seriam possíveis em outras circunstâncias.
Uma agenda comum foi estabelecida para a escolha das estratégias trabalhadas na escola, dentro e fora da sala de aula (monitor e supervisor). As ações e os materiais didáticos preparados (monitor, supervisor e orientador) visam contribuir para a formação tanto dos licenciandos quanto dos alunos do ensino médio, de forma a atender o desenvolvimento das habilidades/capacidades transferíveis para o ensino/aprendizagem das ciências (BRASIL, 2002). As escolhas feitas por cada escola são constituídas por itens dessa agenda, selecionados para adequação, necessidade dos aspectos didáticos, dentre os abaixo listados. As atividades, estratégias e materiais didáticos são:
- I. Apresentação de teoria para formação dos conceitos físicos;
- II. Resolução de problemas, significação de informações;
- III. Atividades práticas, montagem e verificação de experimentos, aplicação em sala de aula, preparação de roteiros;
- IV. Tecnologia, uso do computador e de vídeos didáticos;
- V. Enfoques diversificados para ensino em sala de aula: histórico, CTS, experimental, etc.
## Interação dos orientadores com os supervisores
As tarefas desenvolvidas na interface com a escola são itemizadas a seguir:
- - definição de cronograma de trabalho bimestral;
- - escolha de atividades a serem desenvolvidas;
- - atendimento aos monitores;
- -construção de kits experimentais utilizados na escola regularmente (constituir um acervo permanente);
- -desenvolvimento de roteiros (demonstrações experimentais, vídeos, animações), provas, problemas;
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- planejamento da execução das estratégias com os licenciandos na sala de aula do professor regente.
## A interação do monitor com o professor na escola
As tarefas desenvolvidas nas escolas, em reuniões fora do horário de aula foram:
- - Montagem de atividades experimentais e demonstrativas em grupo;
- - Seleção de recursos educacionais relacionados com as TICs (tecnologias de informação e comunicação);
- - Definição das estratégias de ensino-aprendizagem;
- - Recuperação dos recursos e materiais didáticos disponíveis na escola. Levantamento das dificuldades de aprendizagem dos alunos e reflexão sobre implementação de estratégias possíveis para soluções.
## Ações do subprojeto Física-PIBID na escola e fora da escola
## A participação dos monitores na escola
- O primeiro passo foi a familiarização com a escola e a sala de aula. Cada aluno recebeu o livro texto utilizado na escola respectiva. (PNLEM/2007), Livros Didáticos dos Componentes Curriculares de Física do Programa Nacional do Livro para o Ensino Médio.
Como princípio estabeleceu-se que a atuação na sala de aula regular é para onde convergem as ações dos monitores, onde participam das atividades didáticas: atendimento aos alunos, suporte nas atividades experimentais, auxilio com dificuldades de resolução de problemas.
Figura 1: Atuação do monitor bolsista
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Fora da sala de aula, junto com o professor, os monitores participam da preparação de materiais didáticos, montagem e verificação do funcionamento dos experimentos, roteiros, listas de problemas, correção das provas e testes.
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Em todas as escolas houve de inicio um movimento para reativar os laboratórios. Dessa forma, surpreendentemente, as quatro escolas conseguiram reabrir seus laboratórios de ciências, fazer inventários do material existente, e planejar novas atividades, possibilitadas pelos recursos PIBID. O desenvolvimento dessas novas práticas foi implementado ao longo dos anos letivos de 2009 e 2010.
## Coordenação do subprojeto Física
A administração do subprojeto Física é feita por um coordenador bolsista. Há um seminário quinzenal onde os monitores, os supervisores e os professores orientadores se reúnem com objetivos de reflexão e aprofundamento de aspectos de conteúdo e pedagógicos; discussão dos problemas pendentes e proposta de atividades, tarefas, materiais, etc. Nestes encontros, há trocas de experiências didáticas, como demonstrações, propostas de estratégias de trabalho em sala de aula, onde são discutidos especificamente os temas do currículo corrente escolar (ótica, física térmica), assim como propostas do material concreto para os alunos, gráficos, resolução de problemas e outros. O coordenador é o responsável pela utilização do aporte de recursos para a compra de materiais e gastos com a execução do projeto.
## Orientação no Instituto de Física
Os professores do IF reúnem-se semanalmente com os bolsistas em subgrupos (orientador e 4 monitores) com o objetivo de aprofundar as tarefas de incumbência do licenciando. Discute-se o material didático, os problemas surgidos em sala de aula, e os monitores se colocam confrontando aspectos da realidade observada em sala de aula.
- O processo de construção dos materiais didáticos de conteúdo envolve a seleção de textos didáticos, a preparação de atividades concretas trabalhadas em sala de aula pelos bolsistas. Na primeira etapa é feita a discussão/preparação das estratégias em sessões conjuntas (oficinas) com os professores supervisores, professores orientadores e monitores (STRASSENBURG, 1971; POLYA, 1995).
## Avaliação da participação em sala de aula dos monitores
A participação dos monitores tem duas formas de acompanhamento:
- 1. Observação em sala de aula através de fichas de observação diárias.
- O objetivo desta atividade é levar o aluno a perceber a sala de aula como um sistema vivo, com múltiplas atividades e comportamentos, tanto do professor, como dos alunos e suas interações. Para isso a ficha que acompanha portifolio respectivo deve ser preenchida por cada monitor ao final de cada aula. Esta ficha permite o desenvolvimento do hábito de observação da sala de aula de forma estruturada pelos itens solicitados. Esta lista, mesmo que incompleta pode sempre ser revista por elementos negligenciados, e permite uma avaliação do tipo de estratégia utilizada e do desempenho dos alunos.
- 2. Auto-avaliação de participação dos monitores no programa (preenchida mensalmente pelos monitores).
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Interessa ao programa acompanhar a freqüência das ações efetivamente desenvolvidas e nas quais estão engajados durante o período que eles atuam na escola. Esta avaliação é feita pelo preenchimento de fichas normalizadas e permite que os monitores façam uma reflexão crítica da sua participação na sala de aula e mantenham o programa informado quanto às atividades realizadas.
Todos os monitores afirmam que: trabalham em sala de aula com o professor regente, fazem levantamento de materiais, tiram dúvidas dos alunos, aplicam provas, exercícios, etc. Um número alto deles elabora textos e problemas, auxilia na apresentação de vídeos, elabora roteiros e trabalha na montagem dos experimentos respectivos. Ninguém substituiu o professor na regência da aula.
Em relação às atividades desenvolvidas fora da escola, eles declaram ter feito levantamento na Internet, desenvolvimento de experimentos e trabalhado em colaboração com colegas com freqüência. Já a procura em biblioteca, a consulta a atas de encontros e simpósios e revistas da área declaram realizar com pouca freqüência.
O tempo efetivo dedicado ao programa foi o solicitado, 12h/semana.
Em relação à eficiência das estratégias aplicadas em sala de aula para a aprendizagem dos alunos dando elementos que sustentem suas afirmativas os bolsistas elencaram as seguintes respostas:
- ¾ Os alunos ficam curiosos e atentos quando são apresentadas demonstrações.
- ¾ A montagem de experimentos em sala de aula, já que a turma inteira manteve uma postura de interesse.
- ¾ Os experimentos sobre condução térmica nos quais todos os alunos se interessaram e participaram da aula ativamente.
- ¾ Usar a aplicação da física no cotidiano, observada através da facilidade na resolução de exercícios.
- ¾ Aproxima-se da linha construtivista-sócio-interacionista. 'Juarez você pode me ajudar?'; 'Juarez!'; 'O Juarez pode te ajudar' [...] essas são algumas das frases que eu escuto notoriamente dos alunos. Saio de lá gratificado, por saber que consegui adentrar.
- ¾ Os alunos se interessam mais quando os mesmos visualizam uma importância no cotidiano deles, ou seja, quando os assuntos colocados em sala são associados ao cotidiano deles. As experiências depois do conteúdo dado mostraram que o conteúdo é melhor entendido.
- ¾ A experiência em sala de aula obteve o maior êxito, pois os alunos estavam mais dedicados, porém apenas a experiência ainda não é a solução.
- ¾ Apresentação de vídeos e experiências no laboratório. Houve maior participação e interesse dos alunos pela disciplina.
- ¾ Os Roteiros e kits experimentais aplicados nas escolas e que também foram aproveitados na elaboração de 4 oficinas para os colegas do curso de licenciatura: Ótica, Calorimetria, Dilatação Térmica, Cor e Luz.
- ¾ Colaboração na procura de materiais e insumos para produção dos kits experimentais.
## Avaliação dos supervisores sobre sua ação com os monitores
Dada sua extensão as tarefas desenvolvidas pelos supervisores e desenvolvidas em/com a colaboração dos seus monitores nas escolas estão resumidas a seguir.
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## Mudanças introduzidas pelo PIBID na escola
- ¾ Maior empenho e entusiasmo do professor na prática docente;
- ¾ Melhoria do processo de ensino-aprendizagem decorrente da maior participação e melhor rendimento de alguns estudantes durante as atividades e aulas expositivas dialógicas;
- ¾ Motivação dos estudantes em participar de eventos científicos e visitação de museus ou centros de ciência, como verificado com a realização da Olimpíada de Astronomia & Astronáutica na escola;
- ¾ Abertura do laboratório de Física (Ciências) mediante limpeza, organização e pintura do espaço, montagem de mural personalizado, disponibilidade de experimentos interativos, obtenção de mobiliário e recursos audiovisuais (retroprojetor e tela de projeção);
- ¾ Reconhecimento de alguns estudantes da importância dos monitores (ou estagiários) como importantes colaboradores da melhoria de sua própria aprendizagem;
- ¾ Realização de atividades experimentais demonstrativas em sala de aula e práticas no laboratório de física;
- ¾ Utilização de DVD's de ensino de física como estratégia didática alternativa;
## O 'efeito' do programa PIBID
- ¾ O contato com a realidade escolar: trabalhar as dificuldades dos estudantes tirando dúvidas dos alunos em exercícios, atividades e provas;
- ¾ Melhoria na prática de ensino com a realização no quadro de exercícios do livro;
- ¾ Percepção mais realista de alguns desafios inerentes ao trabalho docente na rede estadual de ensino mediante: limitações de apoio financeiro e logístico do governo e da escola; falta de dedicação de uma parcela razoável de estudantes; e dificuldades em ensinar física de modo a suscitar seu envolvimento;
- ¾ Desenvolvimento e/ou ampliação do conhecimento e reflexões acerca de estratégias didáticas diversas que possibilitam melhoria à prática docente;
- ¾ Contato com múltiplos e variados: periódicos on-line e impressos; livros didáticos de diferentes autores e épocas; sites especializados na divulgação de experimentos e conteúdos teóricos; páginas e informações impressas de instituições de educação não formal (museus e casas de ciência); sites, editais e manuais do candidato dos vestibulares de instituições públicas com cursos técnicos de nível médio e cursos superiores, incluindo o ENEM; eventos científicos nacionais abertos à participação das escolas (Olimpíada de Astronomia & Astronáutica; Semana Nacional da Ciência e Tecnologia; e Olimpíadas de Física);
- ¾ Análise crítica das aulas de física das turmas de 2ª série do Ensino Médio mediante conversas e análises críticas acerca das diferentes respostas (professor supervisor e monitores) fornecidas ao relatório das aulas;
- ¾ Maior senso de cooperação (com os alunos e pessoal administrativo) necessária à melhoria e/ou efetivação do processo educativo;
- ¾ Aspectos afetivos: percepção de alguns benefícios e alegrias próprias do trabalho do professor, como: verificar a melhoria cognitiva e afetiva de alguns alunos; ter seu trabalho e iniciativas reconhecidas pelos alunos; e estabelecer relações valiosas relações afetivas com alunos e demais pessoas da escola.
## Percepção dos alunos quanto à sua participação no programa
Os depoimentos dos monitores bolsistas sobre sua participação no PIBID são interessantes e colocamos a seguir uma edição dos mesmos com objetivo de apresentar como eles enxergam o papel do Programa na sua formação. Como
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podemos ler nas entrelinhas, os bolsistas sentem a possibilidade de crescimento como futuros profissionais, e as atividades desenvolvidas dão a eles possibilidades de participação ativa em sala de aula, momento este em que se sentem muito gratificados.
- ¾ Dinamização das aulas devido à ação dos monitores e a possibilidade de auxílio financeiro para montagem de experimentos para as aulas.'
- ¾ Espero poder ganhar experiência profissional com acompanhamento do grupo de supervisores e coordenadores da UFRJ.
- ¾ Que a evasão nos cursos de licenciatura seja minimizada pela participação dos licenciandos nos anos iniciais dos cursos.
- ¾ Estou aprendendo, e com isso, espero contribuir significativamente para que o processo de ensino-aprendizagem de física na escola seja mais eficiente.
- ¾ Aperfeiçoamento do ensino e maior envolvimento pela física na escola.
- ¾ Tenho atuado no PIBID auxiliando o professor na procura e desenvolvimento meios de trabalhar os conceitos da física da melhor maneira possível, seja utilizando vídeos, experimentos, animação e etc.
- ¾ A minha atuação no PÌBD tem sido essencial para minha formação.
- ¾ O projeto tem me dado um leque de possibilidades em termos de estratégias de ensino. O fato de atuarmos numa escola pública, nos prepara para os desafios do meu futuro como professor.
- ¾ O PIBID é um projeto ao qual venho me dedicando da maneira mais regular e responsável possível. Exige muito do meu tempo e meu empenho, mas fico grata, pois é um projeto que me faz crescer extraordinariamente como docente.
## Conclusões
Até o presente, a contribuição do programa atendeu a proposta original, com as modificações necessárias às condições especificas de cada escola. A antecipação da formação prática/concreta dos alunos da licenciatura através do seu contato com a realidade escolar tem sido atendida de acordo com as etapas previstas:
- 1. O desenvolvimento de materiais didáticos, seleção de textos didáticos, a preparação de atividades concretas e aplicação em sala de aula pelos monitores (licenciandos em física) em colaboração com o supervisor (professor SEE/RJ).
- 2. A eficiência da metodologia proposta, fundamentada nas atividades concretas que contemplam avaliação em tempo real e analisada através de um instrumento único de avaliação, preenchido por todos os participantes tem sido objeto de discussão do grupo, levando a ajustes necessários e permitindo a reflexão da situação real da sala de aula.
- 3. As estratégias para esse ensino envolvem: leitura com compreensão, atividades experimentais, vídeos e programas de computador que contribuem para a formação da cultura científica dos alunos, enquanto futuros cidadãos, ainda não foram desenvolvidas, dada a necessidade de atender o ponto 1 acima, que requer atenção imediata.
- 4. Um resultado não contemplado como objetivo inicial foi a apresentação de Oficinas Experimentais, uma por supervisor (professor SEE/RJ) com os respectivos monitores bolsistas, transpondo uma atividade experimental completa apresentada nas escolas, para os alunos da Licenciatura em Física da etapa de Estágio
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Curricular Supervisionado (7º período). Essas oficinas foram organizadas com o suporte do Projeto PRODOCÊNCIA/UFRJ/FÍSICA 2 , realizando a integração entre os 2 projetos institucionais. Elas foram bem freqüentadas e bem recebidas pelos participantes, que consideraram a atividade relevante.
Em suma, pode-se considerar o modelo escolhido pelo subprojeto Física do PIBID/UFRJ como viável, como relevante para a formação dos futuros professores e como contribuição válida para a melhoria da escola pública do Ensino Médio.
## Recomendações
- 1. Proposta de adicionar na escola um ensino de Ciência com Consciência, permeando o ensino, introduzir no contexto dos temas do conteúdo de física ensinado, assuntos relevantes para a sociedade: aquecimento global e poluição; conservação de energia, da água e da natureza; problemas de consumo associados às novas tecnologias (transgênicos, nanotecnologia, etc.); produção de lixo e seu tratamento adequado; violência e guerra (sociedade, trânsito), e outros.
- 2. Melhorar a formação do bolsista desde mais cedo: aceitar alunos a partir do 2º semestre que mostrem aptidão e envolvimento com ensino. Tal experiência mostrou-se viável com um dos monitores.
- 3. Incrementar elementos da didática do ensino de física através de seminários dos supervisores, a partir da leitura de artigos atuais sobre os temas importantes.
- 4. Dedicar a devida importância à psicodidatica do ensino de física, com os orientadores apresentando seminários 'práticos' sobre: Vygotsky, Piaget, Bruner, Ausubel, Freire.
## Referências
APEC - Ação e Pesquisa em Educação em Ciências, Construindo ConsCiências, 8ª série do Ensino Fundamental. São Paulo: Scipione, 2003.
BRASIL, Presidência da República, Casa Civil, Plano Nacional de Educação , L ei no 10.172, de 9 de janeiro de 2001.2001.
BRASIL, Ministério da Educação, Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais: Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias. Brasília, MEC, 2002.
BRASIL, Presidência da República, Casa Civil, Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação , Lei n 6.094, de 24 de abril de 2007. o
BRASIL, Ministério da Educação, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES. Edital nº 001/2007 - PIBID - Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência. Brasília, 2007a.
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ESTADO DO RIO DE JANEIRO, Secretaria de Estado da Educação. Reorientação Curricular, livro II: Ciências da Natureza e Matemática. Rio de Janeiro, 2006.
HELENE, O. PINTO, J.M.R e ALVES T. Educação, um terrível círculo vicioso, ADUFRJ , 671 (X), 2010.
POLYA, G. A arte de resolver problemas: um novo aspecto do método matemático . Rio de Janeiro: Interciência, 1995.
STRASSENBURG, A.A. (coordenador PSNS), Introducción a las ciencias físicas , Barcelona, Reverte, 1971.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.