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CONFLITOS E LACUNAS ENTRE O SUGERIDO E O REALIZADO: CARACTERÍSTICAS DAS ATIVIDADES EXPERIMENTAIS NOS LIVROS DE FÍSICA SELECIONADOS PELO PNLEM E AS ORIENTAÇÕES DOS PCNS

Couto, Francisco P., Aguiar Jr., Orlando

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XI
Ano
2008
Data
23/10/2008
Linha de pesquisa
Políticas Públicas E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

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## CONFLITOS E LACUNAS ENTRE O SUGERIDO E O REALIZADO: CARACTERÍSTICAS DAS ATIVIDADES EXPERIMENTAIS NOS LIVROS DE FÍSICA SELECIONADOS PELO PNLEM E AS ORIENTAÇÕES DOS PCNs

## CONFLITS AND GAPS AMONG SUGGESTED AND ACCOMPLISHED: CHARACTERISTICS OF THE EXPERIMENTAL ACTIVITIES IN PHYSICS BOOKS SELECTED BY PNLEM

Francisco Pazzini Couto (1), Orlando Aguiar Júnior (2)

1 Mestrando - Fae/UFMG, fpazzinic@uol.com.br

2 Fae/UFMG, orlando@fae.ufmg.br

## Resumo

Os livros didáticos no Brasil apresentam uma função complementar àquela inicialmente suposta para qualquer livro didático: a de ajudar na formação continuada do professor. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), e suas versões posteriores, servem de orientação geral para o ensino no Brasil desde 1997. Em 2009, o governo federal iniciará a distribuição de livros didáticos de Física para o ensino médio e 6 coleções foram selecionados para esse programa (PNLEM). O artigo mostra a lacuna existente entre, de um lado, os objetivos das propostas de atividades experimentais apresentadas pelos livros selecionados e, de outro lado, as orientações descritas pelos PCN e os critérios de seleção utilizados na avaliação dos livros. As modalidades das atividades de experimentação associadas ao texto didático sinalizam, entre outros aspectos, quais as concepções apresentadas para os estudantes, pelos autores, relacionada à construção do pensamento científico. Mostraremos que, apesar dos materiais didáticos incorporarem algumas sugestões propostas pelos PCN em relação às atividades experimentais, pouco se avançou para modificar a visão positivista de progresso da ciência.

Palavras-chave: Livro didático, práticas experimentais, PNLEM

## Abstract

The text books in Brazil present a complementary function to that initially supposed for any text book: the one of helping in the teacher's professional development. Since 1997, the National Curricular Parameters (PCN), and their subsequent versions, serve as general orientation for teaching in Brazil. In 2009 the Federal Government will begin the Physics text book's distribution for high school and 6 collections were selected for this program (PNLEM). The article shows the existent gap among the objectives of the proposals of f experimental activities presented by the selected text books, the orientations described by PCN and the criteria used by PNLEM in the the text books' evaluation. The modalities of the experimental activities, associated to the text books, indicate, among other aspects, conceptions about the nature of science. . We will show that, although these text books incorporate some suggestions proposed by PCN, in relation to the experimental activities, little it advanced to modify the positivist vision of science's progress.

Keywords: Text book, experimental activities, PNLEM.

## 1.Introdução

No Brasil, onde o ensino público apresenta um caráter pouco prescritivo, comparado com países como França e Inglaterra, por exemplo, o livro didático assume uma função primordial para a difusão de conteúdos didáticos e, não menos importante, das novas concepções de ensino resultantes das pesquisas na área de educação Estas são usualmente apresentadas no manual do professor no qual os autores se posicionam em relação aos aspectos pedagógico-metodológicos, interpretações da construção do conhecimento científico e de educação para a cidadania.

A importância dos livros didáticos aumenta à medida que se verifica o pequeno retorno de professores à universidade depois de formados com o intuito de participarem de cursos de capacitação ou especialização, ou, a quase ausente iniciativa das escolas em promover atividades internas relacionadas ao aprimoramento profissional de seu corpo decente, seja no aspecto metodológico ou pedagógico. Sendo assim, o livro didático (LD) é um cobiçado veículo entre o docente (e seus alunos) e aos novos resultados das pesquisas na área de ensino. É o instrumento eficaz de trabalho para a atividade docente e para a aprendizagem dos alunos. No caso específico do ensino de Ciências e, particularmente da Física, o livro didático ajuda a moldar as representações que o professor (e por sua vez, o aluno) faz sobre a maneira como o conhecimento científico é construído e como é concebida a relação ensino/aprendizagem proposta pelos autores. Procuraremos neste artigo, verificar eventuais ressonâncias ou dissonâncias entre as orientações educativas presentes nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), os critérios de seleção do PNLEM e a proposição de atividades experimentais nos livros de Física selecionados pelo PNLEM.

## 2. Porque analisar as atividades experimentais dos livros didáticos?

A ciência e o ensino de ciências estão intimamente associados às atividades experimentais, embora saibamos que os objbjetivos propostos do ensino de Ciências não seja produzir conhecimento científico.

Raramente encontramos professores que não se posicionam a favor da utilização destas atividades no ensino de Ciências, apesar da enorme variedade de objetivos e propósitos a serem explorados. Pesquisas na área de ensino mostram que as atividades experimentais podem servir a diferentes propósitos (Hofstein, 2002), promovendo nos estudantes a compreensão de conceitos científicos; o interesse e motivação; maiores habilidades práticas científicas e de resolução de problemas; habilidades de pensamento científico e a compreensão sobre a natureza da Ciência.

As divergências, entretanto, são muito grandes quando se procura verificar qual a influência destas atividades na construção de conceitos e significados científicos. Existe uma grande distância entre a crença de uma concepção de ensino e sua aplicação. Poucos são os professores de Ciências que as utilizam em suas práticas docentes e, deste universo, a maior parcela as utilizam apenas com o objetivo de verificar e comprovar as leis e teorias científicas, atitude esta denominada de "empirismo ingênuo" (Chalmers, 1993). Nesse caso, não há o reconhecimento das expectativas iniciais, das hipóteses e da visão de mundo dos

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alunos na construção de conhecimentos, supondo que o acúmulo de observações e a indução de regularidades sejam os responsáveis pela produção de conhecimento acerca do comportamento da natureza. Borges (2002) mostra que "O importante não é a manipulação de objetos e artefatos concretos, e sim o envolvimento comprometido com a busca de respostas/soluções bem articuladas para as questões colocadas, em atividades que podem ser puramente de pensamento". Apesar disso, análises mostram (Roth, 1994) que os estudantes raramente têm a oportunidade de utilizar as habilidades cognitivas de alto nível ou de discutir o conhecimento científico associado com a investigação e muitas das tarefas apresentadas a eles continuam a seguir a abordagem da "receita de bolo".

Devido aos fatores acima expostos, os projetos de ensino e documentos de orientação educacional, para a área de Ciências, dão muita ênfase às atividades experimentais, independente da perspectiva na construção do conhecimento científico que utilizavam. Dentre esses documentos, iremos apresentar algumas posições adotadas pelos PCN, em 1997 e suas versões posteriores.

## 3. A postura dos documentos oficiais - PCN

Os documentos oficiais como as Leis de Diretrizes e Base da Educação (LDBE) através das Orientações Curriculares Nacionais (1996) se posicionam de maneira muito específica tanto em relação à concepção filosófica da ciência quanto ao modo como a atividade experimental deve ser concebida. Nos PCN de Ciências Naturais de 1ª a 4ª séries e da 5ª a 8ª, de 1997, são apresentados resumidamente as tendências do ensino de ciências.

Antes de 1961, as aulas de Ciências Naturais eram ministradas nas duas últimas séries do antigo curso ginasial e este ensino foi estendido a todas as séries do ginasial. O ensino tradicional, caracterizado pela crença na transmissão de conhecimentos acumulados por meio de aulas expositivas, era a tônica que caracterizava as escolas. Cabia professor aprimorar suas técnicas de exposição e ao aluno absorver as informações com o mínimo de "ruído" possível. Era a quantidade de conteúdos que definia a qualidade do curso. O conhecimento científico era tomado com o neutro e não se punha em questão a verdade científica (PCN, 1997).

Em contraste com esse modelo, o movimento conhecido como Escola Nova reorientou os propósitos do ensino, deslocando o eixo da questão pedagógica, valorizando a participação ativa do aluno no processo de aprendizagem. A concepção de ensino antes centrada na noção de transmissão do conhecimento passa agora a ser vista como formação do conhecimento. Neste contexto, as atividades práticas passam a exercer uma importância crescente na construção ativa dos conceitos, sendo inclusive proclamadas como solução global para o ensino de Ciências. O método científico, no qual o aluno poderia identificar problemas a partir da observação, levantar hipóteses, testá-las, modificando-as ou não quando necessário, passou a ser uma receita infalível para que o aluno pudesse redescobrir a ciência sociamente construída.

A reforma do ensino proposta pela LDBEN de 1996 procurou atender a necessidade de atualização da educação brasileira, conjuntamente com as suas regulamentações, as Diretrizes e os Parâmetros Curriculares para o Ensino Médio,

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1 em 1998. Na pag. 84 do (PCN+) , na parte relativa ao ensino de Física, o tema da experimentação aparece com destaque:

É indispensável que a experimentação esteja sempre presente ao longo de todo o processo de desenvolvimento das competências em Física, privilegiando-se o fazer, manusear, operar, agir, em diferentes formas e níveis. É dessa forma que se pode garantir a construção do conhecimento pelo próprio aluno, desenvolvendo sua curiosidade e o hábito de sempre indagar, evitando a aquisição do conhecimento científico como uma verdade estabelecida e inquestionável. Isso inclui retomar o papel da experimentação, atribuindo-lhe uma maior abrangência para além das situações convencionais de experimentação em laboratório. As abordagens mais tradicionais precisariam, portanto, ser revistas, evitando-se "experiências" que se reduzem à execução de uma lista de procedimentos previamente fixados, cujo sentido nem sempre fica claro para o aluno. É tão possível trabalhar com materiais de baixo custo, tais como pedaços de fio, pequenas lâmpadas e pilhas, quanto com kits mais sofisticados, que incluem multímetros ou osciloscópios. A questão a ser preservada, menos do que os materiais disponíveis, é, novamente, que competências estarão sendo promovidas com as atividades desenvolvidas. Experimentar pode significar observar situações e fenômenos a seu alcance, em casa, na rua ou na escola, desmontar objetos tecnológicos, tais como chuveiros, liquidificadores, construir aparelhos e outros objetos simples, como projetores ou dispositivos óptico-mecânicos. Pode também envolver desafios, estimando, quantificando ou buscando soluções para problemas reais.

Podemos depreender deste trecho as duas características que nos ajudarão na triangulação entre os documentos oficiais, os critérios de escolha dos livros didáticos e a atividade experimental. Inicialmente é mencionado o cuidado em evitar a aquisição do conhecimento científico como uma verdade estabelecida e inquestionável l (pressuposto filosófico); posteriormente pede-se para evitar experiências que se reduzam a execução de uma lista de procedimentos previamente fixados, típico da abordagem mais tradicionais (pressuposto metodológico). Passaremos agora a verificar como estas orientações mais gerais são incorporadas nos critérios de seleção para os livros didáticos do PNLEM.

## 4. A seleção de livros didáticos para o PNLEM

O PNLEM - Programa Nacional do Livro para o Ensino Médio do Ministério de Educação (MEC) - tem como objetivo fornecer aos alunos das escolas públicas livros didáticos de qualidade. No Ensino Fundamental, o PNLD - Programa Nacional de Livro Didático - tem sua primeira versão em 1997 com distribuição de livros para as séries iniciais, estendida em 1999 para todo o Ensino Fundamental. O Programa para o Ensino Médio é iniciado em 2004, nas áreas de Língua Portuguesa e Matemática. Os livros do conteúdo curricular de Física serão distribuídos nacionalmente, pela primeira vez, em 2009, iniciativa que foi antecipada por alguns governos estaduais em 2008.

Para que um livro possa entrar no catálogo de materiais didáticos a serem distribuídos para as escolas de ensino público, as editoras inscrevem seus livros no programa. Para analisar se as obras apresentadas se enquadram nas exigências técnicas do edital, é realizada uma análise, por especialistas da área contratados

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como consultores, tendo sido essa atividade coordenada, no caso da física, pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT). Os livros selecionados são encaminhados à Secretaria de Educação Básica (SEB/MEC), responsável pela avaliação pedagógica. Os especialistas elaboram as resenhas dos livros aprovados, que passam a compor o guia de livros didáticos, enviados às escolas para que os professores escolham as coleções que lhes pareçam mais adequadas.

Neste trabalho, nosso objetivo é verificar as características dos livros selecionados pelo PNLEM para o conteúdo de Física, analisando dois aspectos: i) viés epistemológico, no qual procuraremos verificar como os autores se posicionam em relação construção do conhecimento científico; ii) viés experimental, no qual analisaremos as atividades experimentais e práticas propostas pelos materiais. Estes levantamentos têm como objetivo verificar a coerência entre os Parâmetros Curriculares Nacionais, a maneira como o material didático se posiciona em relação à produção do conhecimento científico e aos objetivos das atividades experimentais apresentadas.

## 5. A ficha de avaliação do PNLEM e os livros selecionados

A avaliação dos livros de Física foi realizada por uma equipe de 25 especialistas oriundos de diversas universidades públicas brasileiras, realizando uma análise da estrutura das obras, crítica dos aspectos conceituais, metodológicos e éticos, e algumas sugestões para a prática pedagógica.

2 Utilizou-se uma ficha de avaliação com o propósito de analisar os itens anteriormente mencionados e, ao final, elaborar uma resenha de cada obra selecionada. A estrutura da ficha de avaliação era composta das seguintes partes:

A. PEQUENA DESCRIÇÃO: Estrutura da obra (indicar as partes componentes do Livro do Aluno e do Livro do Professor)

- B. CRITÉRIOS ELIMINATÓRIOS
- B.1.ASPECTOS SOBRE CORREÇÃO CONCEITUAL (composto de 2 itens)
- B.2.ASPECTOS PEDAGÓGICOS-METODOLÓGICOS (3 itens)
- B.3.ASPECTOS SOBRE A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO (5 itens)
- B.4. ASPECTOS SOBRE A CONSTRUÇÃO DA CIDADANIA (4 itens)
- C. CRITÉRIOS DE QUALIFICAÇÃO
- C.1. ASPECTOS SOBRE CORREÇÃO CONCEITUAL E COMPREENSÃO (5 itens)
- C.2. ASPECTOS PEDAGÓGICO-METODOLÓGICOS (9 itens)
- C.3. ASPECTOS SOBRE A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO (8 itens)
- C.4. ASPECTOS SOBRE A CONSTRUÇÃO DA CIDADANIA (4 itens)

C.5. ASPECTOS SOBRE O LIVRO DO PROFESSOR (9 itens)

C.6. ASPECTOS GRÁFICO-EDITORIAIS (8 itens)

Para atender ao nosso objetivo de análise reproduziremos aqui apenas os itens relacionados às atividades experimentais, com o propósito de contrastar com as orientações dos PCN e como tais aspectos são materializados nos livros didáticos aprovados. Mantida a numeração encontrada na Ficha de Avaliação, os itens são:

- 4. O livro do aluno e/ou do professor propõe atividades que:
- a) trazem riscos para alunos e professores de tal ordem que não devem ser realizadas.
- b) podem trazer riscos para alunos e professores que não impedem sua realização, mas observa-se insuficiência de alertas sobre riscos e também de recomendações de cuidados e procedimentos de segurança para preveni-los, no livro do aluno e/ou no livro do professor.
- ( ) Sim (Apresentar argumentos abaixo, exemplificando) ( ) Não

Observações:

6.

- a) São propostos experimentos e demonstrações cuja realização dificilmente é possível, que apresentam resultados implausíveis e/ou veiculam idéias equivocadas sobre fenômenos, processos e modelos explicativos.
- b) Os experimentos e as demonstrações têm função meramente ilustrativa, sem conexão com as teorias e os modelos explicativos.
- c) Os experimentos e as demonstrações desconsideram o impacto ambiental proveniente do descarte dos resíduos gerados, quando existentes.
- ( ) Sim (Apresentar argumentos abaixo, exemplificando) ( ) Não

Observações:

- 27. Viabilidade de execução dos experimentos/ demonstrações propostos, com base nas instruções fornecidas.

Quanto ao aspecto acima, a obra é avaliada como: O ( ) B ( ) R ( ) I ( )

Justificar a menção (quando pertinente apresentar exemplos).

- 28. Viabilidade de execução dos experimentos/ demonstrações, em termos da obtenção dos materiais necessários e da indicação de materiais alternativos para a execução dos experimentos, quando justificada.

Quanto ao aspecto acima, a obra é avaliada como: O ( ) B ( ) R ( ) I ( )

Justificar a menção (quando pertinente apresentar exemplos).

29. Incentivo à realização das atividades propostas, não apresentando, em particular, o resultado final esperado antes da realização das atividades.

Quanto ao aspecto acima, a obra é avaliada como: O ( ) B ( ) R ( ) I ( )

Justificar a menção (quando pertinente apresentar exemplos).

35. Proposição de atividades que favoreçam formação de espírito investigativo, como atividades em que os alunos levantem hipóteses sobre fenômenos naturais e

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desenvolvam maneiras de testá-las, ou em que utilizem evidências para julgar a plausibilidade de modelos e explicações.

Quanto ao aspecto acima, a obra é avaliada como: O ( ) B ( ) R ( ) I ( )

Justificar a menção (quando pertinente apresentar exemplos).

Utilizando os critérios listados o grupo de avaliadores selecionou 6 coleções para o PNLEM, 3 coleções de volume único e 3 coleções seriadas. A relação de livros escolhida é apresentada na tabela 3 1.

Tabela 1 - Livros de Física relacionados pelo PNLEM 2009

## 6. Resultados

## 6.1. A coerência entre a ficha de avaliação e o PCN

As orientações do PCN+ em relação à experimentação buscam ampliar os objetivos das atividades experimentais para além daquelas associadas ao laboratório tradicional, no qual o aluno segue um roteiro prescrito com poucas possibilidades de intervenção e quase sempre utilizado após o desenvolvimento de um determinado tópico, servindo mais como ilustração do conteúdo estudado. O PCN propõe que "a experimentação esteja sempre presente ao longo de todo o processo de desenvolvimento das competências em Física, privilegiando-se o fazer, manusear, operar, agir, em diferentes formas e níveis".

- O item 4 da ficha de avaliação está relacionada às questões de segurança relativas à realização da experimentação. O item 6a está discute a plausibilidade dos resultados experimentais, o que a nosso ver não faz muito sentido, pois toda experiência apresenta resultado plausível (aceitável admissível). Os itens 27 e 28 discutem a viabilidade de execução dos experimentos/ demonstrações e o item 35 é o que se propõe a abordar as atividades de forma menos tradicional, incentivando o julgamento da plausibilidade de modelos e explicações.

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## 6.2. A coerência entre as atividades práticas propostas nos livros e a ficha de avaliação.

Esta questão encontra-se bem exposta na resenha de cada obra, no qual os avaliadores discutem as características das atividades propostas, no aspecto metodológico. Na tabela 2, relacionamos parte dos resultados feitos pelos avaliadores no que diz respeito à construção do conhecimento científico e as atividades experimentais. Embora esta primeira não faça do nosso objetivo específico de análise, está intimamente relacionada com a maneira como os autores concebem a construção de conceitos por parte do aluno.

Tabela 2 - Trechos das avaliações dos livros selecionados

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humana, contextualizada histórico e socialmente. Essa tarefa é realizada satisfatoriamente em diversos pontos da obra, em que informações corretas são apresentadas em relação a épocas, fatos e personagens históricos. Embora, em alguns pontos (por exemplo, na unidade sobre Física Moderna), a obra chame a atenção para a existência de rupturas no desenvolvimento histórico da Ciência, apresenta, em geral, a visão de uma ciência que progride linear e cumulativamente. Em alguns trechos reforça a visão do "cientista genial", a existência de um "método científico" e a concepção empirista do fazer científico. Por outro lado, os modelos científicos são construídos de forma adequada e correta, ainda que em certas passagens não se dê suficiente ênfase às distinções entre o modelo e a realidade."

## Sumário da obra:

## Sumário da obra - Livro do aluno:

"Em sua preocupação de apresentar o conhecimento científico de forma contextualizada, a obra utiliza inclusive elementos de História e Filosofia da Ciência em todos os capítulos, por intermédio de leituras específicas."

## ANÁLISE DA OBRA

"Quanto à construção do conhecimento científico, a obra reconhece a importância da abordagem histórica para a sua construção, trabalhando-a, principalmente, nas seções intituladas "Tópico Especial". Embora haja um estímulo explícito à leitura dessas seções e as informações apresentadas sejam corretas do ponto de vista histórico, esse aspecto é pouco explorado em função de um tratamento algumas vezes superficial das questões históricas e filosóficas. As referências à História da Ciência, muitas vezes, deixam de apresentar os contextos de produção do conhecimento científico em suas dimensões política, econômica, social e cultural."

"A perspectiva histórica e filosófica é apontada como de grande importância para a construção do conhecimento científico, a formação crítica e socialmente inserida dos alunos, bem como para a constituição de uma visão de Ciência como atividade humana não

"Na seção "Algumas Experiências Simples" são propostos experimentos que, em geral, utilizam materiais de baixo custo."

## ANÁLISE DA OBRA

"A quantidade de atividades experimentais propostas em todos os capítulos é adequada. A grande maioria pode ser realizada com a utilização de materiais simples, acessíveis e de baixo custo, sem a necessidade do uso de laboratórios específicos. Tais atividades, embora sejam geralmente propostas para serem realizadas individualmente pelos alunos fora de sala de aula, contribuem para a compreensão do conhecimento científico trabalhado no texto."

## RECOMENDAÇÕES AO PROFESSOR

"Ainda que a obra não tenha como objetivos principais o estímulo ao trabalho cooperativo entre os alunos, às atividades em grupo e ao desenvolvimento do espírito investigativo, o professor pode alcançá-los privilegiando a realização de atividades experimentais em sala de aula. O aproveitamento dos roteiros experimentais propostos de modo diferenciado, conduzindo a realização das atividades de maneira a estimular a formulação de hipóteses, a busca de

## Análise da obra:

"Há, também, ao longo de toda a obra, propostas de experimentos que, em geral podem ser realizados com a utilização de materiais acessíveis e de baixo custo, sem a necessidade imperiosa da existência de um laboratório escolar."

## RECOMENDAÇÕES AO PROFESSOR

"Para valorizar as atividades contidas na obra, principalmente nas seções "Proposta experimental", "Aplicação tecnológica" e "Atividade em grupo", será necessário que o professor elabore um planejamento consistente que esteja em sintonia com a opção metodológica da obra. Essas seções têm papel fundamental no desenvolvimento da proposta e não devem ser entendidas como acessórias, pois se negligenciadas poderão descaracterizar toda a abordagem."

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procedimentos variados para testá-las e o desenvolvimento do pensamento crítico, é um opção metodológica viável e interessante."

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neutra e sim contextualizada."

## SÍNTESE AVALIATIVA

## SÍNTESE AVALIATIVA

"São também estimuladas as relações entre teoria, experimento, textos, tópicos de História da Física, cotidiano e aplicações, sem contudo haver um padrão único de estruturação dos capítulos".

## ANÁLISE DA OBRA

"A caracterização da construção do conhecimento científico não se reduz a um único Método Científico. No entanto, em alguns momentos, a obra veicula, implicitamente, uma visão empirista-indutivista de produção de conhecimento, podendo levar à noção de que as teorias científicas são descobertas a partir de observações livres de pressupostos teóricos."

## SÍNTESE AVALIATIVA

## SUMÁRIO DA OBRA

"A obra apresenta a produção do conhecimento científico de forma integrada ao processo de construção cultural, fazendo uso da História da Ciência e da problematização dos modelos científicos."

Livro do Aluno

"São apresentados um conjunto de atividades experimentais, quadros com informações adicionais e um conjunto de exercícios ao longo do texto (com as respostas)."

## ANÁLISE DA OBRA

ANÁLISE DA OBRA "A caracterização da construção do conhecimento científico não se reduz a um único método científico, havendo indicações claras nesse sentido no livro do professor e uma rápida discussão a

"Ao final de todo capítulo temos as seções "Atividade Prática" ou "Atividade em Grupo". As atividades práticas propostas utilizam material simples e de

"São também estimuladas as relações entre teoria, experimento, textos, tópicos de História da Física, cotidiano e aplicações, sem contudo haver um padrão único de estruturação dos capítulos". "Os experimentos propostos são de simples execução e de material acessível."

## SUMÁRIO DA OBRA - LIVRO DO ALUNO

"Em "Experimento" são dadas sugestões de experimentos ou demonstrações."

## ANÁLISE DA OBRA

"Os experimentos são somente demonstrativos e em pequeno número, com as instruções para a sua execução dadas satisfatoriamente. A maioria requer materiais simples e de fácil obtenção para a escola. Estimulando sua realização, na proposição dos experimentos não se antecipam, na maioria das vezes, os resultados esperados, possibilitando um uso consistente da experimentação."

"Em relação aos experimentos propostos, o livro não apresenta nenhuma orientação em particular ao professor em relação às suas possibilidades de utilização, apenas assinala que o material a ser utilizado é simples, sem discutir como integrá-los aos conceitos físicos abordados."

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fácil acesso e, em geral, a execução proposta é clara. Nas atividades em grupo são propostas situações a serem discutidas e analisadas pelos alunos. Em algumas das situações propostas os alunos precisam consultar fontes extras de informações e, em outras, o trabalho fica mais restrito à análise e discussão a partir de questões colocadas no texto. Tanto nas atividades experimentais como nas atividades em grupo é priorizada a experimentação e/ou reflexão, em detrimento de propostas de atividades mais investigativas."

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respeito na introdução do livro do aluno. No entanto, em alguns momentos há recomendações de se seguirem nas atividades práticas, seqüências fixas e pré-estabelecidas para se proceder com rigor científico, o que não é coerente com essa preocupação."

## ANÁLISE DA OBRA

## ANÁLISE DA OBRA

"A construção do conhecimento científico é adequadamente problematizada, com uma visão geral das metodologias científicas. Na apresentação "O que você vai estudar neste livro ...", a Física é apresentada como "uma Ciência em transformação", o que possibilita a discussão do caráter provisório do conhecimento científico. Ao longo da obra fica evidente a preocupação em diferenciar a realidade dos modelos científicos construídos ao longo da História da Ciência."

"As atividades experimentais propostas, inseridas no contexto dos capítulos, são de execução viável e os materiais apontados são de fácil aquisição. Todas as atividades experimentais que podem oferecer algum risco em sua manipulação possuem um alerta: "tome cuidado!". Elas se constituem, em sua maioria, de atividades de observação e descrição qualitativa de fenômenos do cotidiano."

## 6.3. Em relação às atividades prátiticas propostas nos livros e os PCN

Encontramos em todos os livros selecionados as atividades experimentais situadas nos finais de capítulo ou de seção de tópicos, o que dificulta que esta atividade seja utilizada com o propósito de auxiliar na construção de conceitos ou instigando a indagação e curiosidade. Muitos deles são meramente ilustrativos e, em algumas coleções, o número de atividades é extremamente reduzido em relação ao número de páginas.

## 7. Conclusão

Utilizando os dados fornecidos pelos órgãos oficiais e os livros didáticos selecionados é possível verificar que existe uma lacuna em relação às formas de propostas das atividades experimentais recomendadas pelos documentos que norteiam o ensino médio, os PCN+, as fichas de avaliação do processo seletivo de livros didáticos do PNLEM e o modo como efetivamente estas atividades se materializam no livro. As fichas de avaliação em nenhum momento contemplam uma maior abrangência das funções possíveis para as atividades experimentais. Praticamente 5 livros, de um total de 6, apresentaram um número reduzido número de experimentos, em relação ao número total de páginas e em todos os materiais, as atividades propostas limitam-se àquelas nos quais a experimentação é

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simplesmente uma confirmação de teorias anteriormente apresentadas, servindo de mera ilustração destas.

A falta de uma maior sintonia entre os documentos oficiais e as fichas de avaliação não ocultam, entretanto, a intenção dos autores e editoras em produzir um livro que atenda às recomendações dos PCN e que, portanto, apontem para outros objetivos para as atividades experimentais além da tradicional "receita de bolo". Tal fato não nos admira, uma vez que as orientações do PCN foram publicadas a 10 anos e têm exercido influência no meio educacional. Além disso, autores e editores sabem que serão avaliados por r especialistas, em sintonia com tais recomendações. As pesquisas em educação já referenciam outros propósitos para as atividades experimentais a tempo suficiente para que os autores incorporem estas questões ao texto didático, e, conseqüentemente, alcancem os professores que não tem acesso freqüente às discussões e resultados da pesquisa em educação. Uma possibilidade para essa ausência talvez seja a crença dos autores no papel da experimentação para o desenvolvimento da ciência, mas não necessariamente para o ensino da ciência. Em uma das coleções, verificou-se que o número de atividades experimentais na versão enviada para análise do PNLEM mais que dobrou em relação à edição anterior.

Aguiar (2004) indica que o livro didático deve responder, dentre outros fatores, às expectativas sociais e as condições históricas dos agentes que utilizam este material, professores em primeiro lugar e alunos posteriormente, retroalimentando os conteúdos da ciência escolar e o modo como esta se apresenta ao estudante .

Sabemos que as atividades experimentais são apenas uma parcela de um vasto ferramental do qual o professor deve se munir para seu trabalho em sala de aula e esperamos que este artigo sirva para futuras mudanças em direção à atividades mais desafiadoras e de maior significado na construção de conceitos nos livros didáticos de Física do ensino médio.

## Referencias

AGUIAR, O . Professores, Reformas Curriculares e Livros Didáticos de Ciências: parâmetros para produção e avaliação do LD. Atas do IX Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, 2004.

BRASIL. MEC. Programa Nacional do Livro Didático. Brasília, 1996b.

BRASIL. MEC. Programa Nacional do Livro Didático Ensino Médio. Brasília, 2004.

BORGES, Antônio Tarcísio. Novos Rumos para o Laboratório Escolar de Ciências. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, Florianópolis, v. 18, n.3, p.291313, 01 dez. 2002. Trimestral.

CHALMERS, A. O que é ciência, afinal? São Paulo:Brasiliense, 1993.

GASPAR, Alberto. Física. São Paulo: Ática, 2001. 1 v. (Ensino Médio).

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HOFSTEIN, A.; LUNETA, V. The laboratory in science education: foundations for twenty-first century, Science Education, 88, 28- 54, 2004

MÁXIMO, Antônio; ALVARENGA, Beatriz. Curso de Física. 6. ed. São Paulo: Scipione, 2006. 3 v.

ROTH, W. M. Experimenting in a constructivist high school physics laboratory. Journal of Research in Science Teaching, 31, 197-223, 2004

SAMPAIO, José Luiz; CALÇADA, Caio Sérgio. Universo da Física. São Paulo: Atual, 2001. 3 v.

SAMPAIO, José Luiz; CALÇADA, Caio Sérgio. Universo da Física. São Paulo: Atual, 2003. 1 v.

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.