UM VÍDEO DE PRODUÇÃO PRÓPRIA PARA UMA ABORDAGEM CONCEITUAL DE FÍSICA TÉRMICA: CONSTRUINDO RELAÇÕES DE SIGNIFICADO A PARTIR DO TEMA PRODUÇÃO DE FUMO DE ESTUFA
Lurdes Eliane Rothmund Bolfe, Vania Elisabeth Barlette
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVIII
- Ano
- 2009
- Data
- 29/01/2009
- Linha de pesquisa
- Tecnologias Da Informação E Comunicação No Ensino Teórico E Experimental De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## UM VÍDEO DE PRODUÇÃO P PRÓPRIA PARA UMA ABORDAGEM CONCEITUAL DE FÍFÍSICA TÉRMICA:CONSTRUINDO R RELAÇÕES DE SIGNIFICADO A PARTIR DO TEMA PRODUÇÃO DE F FUMO DE ESTUFA
Lurdes Eliane Rothmund Bolfea a [elianerotbol@yahoo.com.br]r] Vania Elisabeth Barlette b [vebarlette@gmail.com]
Escola Estadual de Educação Básica Padre Benjamim Copetti, Sobradinho, RS/S/Centro Universitário Franciscano, Rua
Centro Universitário Franciscano, Rua dos Andradas 1614, Santa Maria, RS
a dos Andradas 1614, Santa Maria, RS b
## RESESUMO
A realidade escolar que o professor vivencia hoje o coloca diante de situações de mudança e que exigem dele constante renovação da sua prática. A grande quantidade de informações e a facilidade no seu acesso, bem como os proboblemas sociais de nossas comunidades, contribue m para essa situação de complexidade que chega até a realidade escolar. Frente a esse quadro, se estabelecem grandes desafios s para o o professor , tais como, fazer uma seleção adequada de informações e direcioná -las com o propósito de despertar a curiosidade do aluno para aprender e se engajar na busca de soluções para os problemas da sua comunidade. Nessa direção, este trabalho o diz respeito às relações de significado construídas por alunos do ensino médio entre processos de produção de fumo de estufa e conceititos e processos térmicos a partir da apresentação e discussão, em sala la de aula, do momento inicial de um m vídeo de produção própria que envolve a produção de fumo de estutufa na região de Sobradinho, RS. Participaram deste estudo o 14 alunos da 2ª e 3ª séries do do ensino médio da Escola Estadual de Educação Básica Padre Benjamim Copetti, Sobradinho, RS. Os participantes responderam a um questionário, em sala de aula, de forma anônima e voluntária, , após assistirem e discutirem as imagens vídeo filmadas sobre a produdução de fumo de estufa. As respostas escritas foram submetidas a uma a análise de de conteúdo. De modo geral, os depoimentos indicam m que os alunos perceberam que nos processos de produção de fumo de estufa também ocorrem processos físicos, revelando terem construído relações de significado entre esta produção agrícola e e conteúdos de Física; dos conhecimentos físicos presentes nos processos de produção de fumo de estufa, calor e temperatura são os conhecimentos que mais foram percebidos estarem relacionados aos prprocessos de produção, o, com ênfase no processo de secagem .
## ININTRODUÇÃO
A realidade escolar que o professor vivencia hoje o coloca diante de situações s de mudançnça e que exigem dele constante renovação da sua prática. A experiência tem mostrado que uma proposta de trabalho que por ele pode ser considerada adequada, em pouco tempo necessita ser repensada e atualizada. A grande quantidade de informações s disponíveis e a facilidade no seu acesso, bem como os problemas sociais presentes em nossas comunidades , contribuem para essa situação de complexidade que chega até a realidade escolar. Uma proposta de trabalho que busca renovação pode contribuir para que o aluno fique motivado em sala de aula. Quanto às aulas de Física no ensino médio, é comum ouvir nos discurursos dos alunos que os conteúdos tratados são difíceis, que a formululação matemática é predominante, obedecendo à à linearidade e a teorização do livro didático , que em muitos casos é o principal recurso de apoio para o professor.
Frente a esse quadro, , se e estabelecem grandes desafios s para o o professor desses novos tempos , tais como, , fazer uma seleção adequada de informações e direcioná -las com o propósito de despertar a curiosidade do aluno para aprender e se engajar na busca de de soluções s para os problemas da da sua comunidade . Assim, a atividade docente requer do professor habilidade s importantes como a de ser capaz de motivar o aluno o por meio do uso de recursos de apoio atraentes s e atividades potencialmente significativas para ele. Segundo Ausubel (2003), a pré-disposição para aprender é uma das condições para a ocorrência da aprendizagem , e para tanto , é fundamental que o aluno esteja motivado a agir. Para Bzuneck (2001), motivação é aquilo que faz uma pessoa se colocar em ação; uma pessoa motivada envolve-se nas atividades que lhes são apresentadas aplicando esforços e persisistência na realização de tarefas, com isso permitindo que a aprendizagem aconteça .
Diversos são os recursos que podem ser usados para inserir informação a uma situação de ensino. Atualmente, recursos tecnológicos, particularmente recursos audiovisuais, tais como o vídeo didático, o, podem ser grandes aliados para desenvolver aulas atraentes para os alunos, envolvendo aspectos contextuais da sua vida. Recursos audiovisuais, tais como a televisão e o vídeo o didático, hoje estão presentes na maioria ia das escolas, , sendo também de fácil manuseio pelos professores . O vídeo é um recurso audiovisual que incorpora a um grande número de informações que não precisam ser lidas convencionalmente (verbalmente); as informações que envolvem imagens caracterizam-se como mais estimuladoras à curiosidade (ARROIO; GIORDAN, 2006). O estímulo gerado por uma imagem às nossas percepções mentais subjaz à teorização, sensibilizando o aluno; é um meio de ver o concreto antes de receber a teoria nela implícita (MORIN, 1995; ARROIO; GIORDAN, 2006).
Com o uso do vídeo didático o professor pode auxiliar o aluno a relacionar ar os conteúdos a serem estudados às situações do seu cotidiano, por meio de imagens que podem ser da realidade do aluno e que tenham informações referentes aos conteúdos implicados nesta realidade. Moran (2004) enfatiza a importância de conectar o ensino com a vida do aluno; se refere à importâtância de se aproximar do aluno por todos os caminhos possíveis, seja pela experiência, pela imagem, pelo som, pela representação, pela multimídia, pe la interação on-line e off-f-line . Para esse autor, hoje a sociedade está em constante reaprendizagem, m, seja ela tecnológica, de integração humana, individual, grupal, ou social; é preciso o aprender a lidar com a informação e o conhecimento por meio de novas formas .
O vídeo parte do concreto, do visível, do imediato, da imagem, daquilo que toca todos os sentidos; está associado à à televisão , e esta por sua vez, ao lazer; é importante aproveitar esta expectativa do aluno para atraí-í-lo a atividades didático-o-pedagógicas (MORANAN, 1995; 2004) . O vídeo, como um recurso motivador, predispõe o aluno para a aprendizagem; um aluno motivado, cucurioso, e disposto facilita a o processo de ensino-aprendizagem, estimulando o professor a melhorar cada vez mais o seu fazer pedagógico o e estimulando o aluno a apropriar-se de conhecimentos .
Nessa direção, o presente trabalho se insere em um estudo mais amplo que envolve potencialidades e limitações do uso de um vídeo de produção própria, construído à luz da teoria dos campos conceituais de Vergnaud d (MOREIRA, 2002) , no âmbito de uma dissertação de mestrado profissional, para uma abordagem m conceitual de calor, temperatura, dilatação e contração térmica, equilíbrio térmico, e lei zero da Termodinâmicica, a partir do tema produção de fumo de estufa. A análise que aququi se apresenta diz respeito às relações de significado construídas por alunos do ensino médio entre processos de produção de fumo de estufa e conceitos e processos térmrmicos a partir da apresentação o e discussão, em sala de aula, do momento inicial do vídeo que envolve a produção de fumo de estufa a na região de Sobradinho, RS .
- O tema da produção de fumo de estufa foi inserido no momento inicial da construção do vídeo como problematização para trabalhar os conceitos de Física Térmica. O vídeo aprpresenta três momentos, a saber:
Momento I: Apresentando o tema da problblematização geral: a produção de fumo de estufa;
Momento II: Interr-r -relacionando episódios que apresentam conceitos em comum; e,
Momento III: Aplicando o conhecimento.
Neste trabalho, apenas o primeiro momento do vídeo (produção de fumo de estufa) será utilizado para a coleta de dados e as análises, e também, apenas aspectos metodológicos da construção do vídeo sobre este primeiro momento (p(produção de de fumo de estufa) serão abordados. Os demais momentos do vídeo (ininter-relacionando episódios que apresentam conceitos em comum, e , aplicando o conhecimento) serão abordados em trabalho posterior.
- O fumo de estufa é a cultura agrícola praticada de forma predominante pelos agricultores e moradores da da região de Sobradinho, RS. Esse cultivo consiste da da semeadura, replantio, cuidados no crescimento, colheita, secagem, armazenamento, classificação e venda para as indústrias fumagegeiras, as quais dão suporte técnico aos agricultores. Em linhas gerais, os problemas ambientais decorrentes da produção de de e fumo de estufa estãtão relacionados:
- (i) Ao Ao uso de agrotóxicos, desde a épépoca da muda nos canteiros até a a época da colheita, em que resíduos químicos são depositados no solo, atingindo os lençóis freáticos, e cujos vapores são também inalados os pelos habitantes da região;
- (ii) À À secagem das folhas de fumo, em que ocorre a queima de lenha, liberando fumaça e gases poluentes na atmosfera; e,
- (iii) Ao desmatamento para a obtenção da lenha a ser queimada.
## ASPECTOS METODOLÓGICOS DA CONSTRUÇÃO DO VÍDEO REFERENTES À PRODUÇÃO DE FUMO DE ESTUFA
- O momento inicial do vídeo apresenta a produção de fumo de estufa no município de Sobradinho e região como problematização geral l para uma abordagem didático-pedagógica de conceitos de Física Térmica. As razões para a escolha da produção o de e fumo de estufa como problematização estão o relacionada s a quatro o aspectos:
- 1) Com o auxílio das imagens vídeo filmadas sobre esse cultivo agrícola, acompanhado de discussão em sala de aula, o aluno pode ter a possibilidade de construir r relações de significado entre os processos de produção de fumo de estufa e conceitos e processos térmicos, e motivar-se para os estudos sububseqüe ntes sobre este conteúdo;
- 2) 2) Pelo fato de que a a produção de fumo de estufa é uma realilidade da da maioria das famílias rurais de Sobradinho e região, sendo esta ta a principal fonte de renda da destas famílias;
- 3) Pela possibilidade de captar imagens locais, nas prpropopriedades rurais, durante o trabalho dos agricultores no processo de cultivo e produção de fumo de estufa; e pela possibilidade de outras imagens serem incorporadas a partir de materiais de divulgação distribuídídos aos produtores pela empresa fumageira Universal Leaf Tabacos , , que presta assistência técnica a esses agricultores e compra a a produção de fumo dos mesmos;
- 4) 4) Pela possibilidade de levar mais conhecimentos aos alunos sobre esse cultivo, suas implicações para a saúde e para o meio ambiente, e também para despertar-lhes para a uma reflexão sobre esse tema; esse momento da da problematização também contou com i imagens vídeo filmadas de uma entrevista com um especialista da área, morador da região, o, sobre os os s processos os de produção de fumo o de estufa .
## ASPECTOS CONCEITUAIS DE FÍSICA TÉRMICA REFERENTES À PRODUÇÃO DE FUMO DE ESESTUFA
Os episódios que fazem parte deste momento inicial do vídeo, e que se relacionam com conhecimentos físicos, dizem respeito aos processos de semeadura e crescimento das mudas, e armamazenamento e secagem das folhas, que são descritos a seguir.
## (a) P Processos de semeadura e crescimento das mudas
A semeadura é feita na terra que é colocada no o interior de compartimentos de bandejas de isopor, chamados células, as quais têm prprofundidade aproximada de 8 cm. As bandejas , por sua vez , são colocadas sobre a água de piscinas, chamados canteiros flout. Como cada célula apresentnta um orifício na parte inferior, a qual fica em conta to com a água, a terra recebe a umidade necessária para permitir a germinação o da semente. JuJunto à água são colocados produtos de tratamento para prevenir doenças nas mudas. Sobre as piscinas é instalada uma cobertura de plástico , , que é fechada e móvel, com m aproximadamente 60 cm de altura em relação às piscinas e 10 cm mais larga que ue as piscinas, sem estar em contato com o solo , e que , durante algumas horas do dia (a partir das 10 h até aproximadamente 16 h)h) , é retirada para quque o sol atinja diretamente as mudas. Nestes processos, os seguintes conhecimentos estão presentes:
## (a.1) O e mpuxo s sobre as bandejas de isopor
As bandejas de isopor são menos densas que a água, e por isso flutuam sobre a água. CoComo a bandeja fica posicionada na superfície da água, isso evita que a terra, onde são colocadas as sementes, se misture à água, e assim, que as sementes fiquem em contato direto com a água. Então , o empuxo sobre as bandejas de isopor é um dos fatores que evita o apodrecimento das sementes por causa do excesso de água no processo de semeadura.
## (a.2) Temperatura adequada ao crescimento das mudas
Outro fator relacionado à Física, ainda nos canteiros de semeadura, é um m processo que ocorre sobre as mudas , semelhante ao efeito estufa, , e e devido à instalalação das coberturas de plástico. Nesse processo, a radiação infravermelha a (um tipo de onda eletromagnética) atravessa a cobertura e é absorvida pelo ar no interior da cobertura. Como conseqüência, boa parte dessa energia (t(transportada pelos fótons da radiação solar) é mantntida a entre a cobertura e as mudas, mantendo a temperatura mais uniforme e elevada da no ambiente de crescimento das mudas.
## (b) P Processos de crescimento, armazenamento e secagem das folhas
## (b.1) Temperatura
O período de plantio o e o cultivo na lavoura são o feitos s em épocas que corresponde m m ao final do inverno, durante a primavera e o verão, , visto que, papara que haja crescimento do pé de fumo, se faz necessário um clima com temperaturas mais elevadas, entre 20ºC e 32ºC. Percebe -se, nesta parte do cultivo de fumo de estufa, mais uma vez, que a temperatura é importante para o crescimento da plantnta na lavoura.
## (b.2) Evaporação por meio da ventilação durante o armazenamento das folhas
Quando o agricultor colhe as folhas de fumo e as deposita no galpão (casa onde o agricultor depoposita as folhas de fumo) para depois costurá-las, prendendo-o-as a a varas feitas de madeira ou metal, ele evita deixar as folhas de fumo acumuladas no chão o por muito tempo, em grandes quantidades e sem ventilação entre as folhas. A ventilação entre as folhas é importante por fornecer a energia cinética necessária para que moléculas de água do estado líquido sejam levadas para o estado de vapor, retirando, portanto, o excesso de água das folhas; sendo a evaporação o processo físico e envolvido nesta etapa.
## (b.3) Transformações de energia
Se as folhas são deixadas com ventilação no seu armazenamento isso evita que as mesmas sejam queimadas nos fornos, o que é desejejável no processo de produção de fumo. No entanto, se observa que, se as folhas as verdes ficam m com excesso de água na fase de armazenamento, qua ndo elas são levadas aos fornos passam m a ter uma coloração preta (pois ocorre queima da folha) e exalam odor forte e "quente", fato este considederado indesejável na produção de fumo. Na queima da folha ocorre combustão. Na combustão de uma planta, que é uma substância orgânica, é liberada energia química armazenada nas ligações químicas que constituem o vegetal: o odor "quente" que é observado pode ser compreendido como a energia química que é liberada na forma de calor (entalpia) na combustão. A energia da radiação solar (fótons) absorvida pela planta durante o seu crescimento, por meio da fotossíntese, é necessária para a planta constituir -se em um vegetal adulto.
## (b.4) Propagação do calor, evaporação ão e processos térmicos
No interior dos fornos de estufa , , o fumo costurado fica preso em varas s e é pendurado em andaimes para secagem. Os andaimes ficam no alto o dos fornos e o calor proveniente da fornalha, devido à queima de lenha , é conduzido para o interior dos fornos os por meio de canos de metal colocados próximos às paredes e ao chão. O forno de estufa é construído de tijolos de barro para que se mantenha energia térmica concentrada no seu interior, uma vez que o material que constitui o tijolo é de baixa condutividade térmica. Durante todo o processo de secagem ocorre propagação de calor, em várias escalas dependendo da etapa, sendo assim, podem ser verificados diferentes valores de temperatura no interior do forno de estufa. Para a verificação da temperatura são usados termômetros de líquido em vidro, os quais funcionam segundo princípios físicos de dilatação e contração volumétrica do líquido contido no interior do tubo de vidro do termômetro. A energia térmica proveniente das fornalhas se propaga no interior do forno na forma de calor por meio dos processos de propagação de calor; ; os canos de de metal são bons condutores de energia, liberando energia tétérmica para o interior do forno, e e por estarem posicionados internamente, e na parte inferior do forno, as camadas internas de ar inferiores ficam menos densas que as camadas internas de ar da parte superior do forno, ocorrendo o processo da convecção, que consiste na propagação de calor por meio da movimentação da matéria. A secagem das folhas de fumo ocorre devido ao processo da evaporação (processo de vaporização o de forma lenta) da água contida a nanas folhas, uma vez que o calor atinge as folhas por convecção.
## METODOLOGIA DA PESQUISA
## Sujeitos e local da pesquisa
Participaram voluntariamente deste estudo 14 4 alunos, de ambos os sexos, com idades entre 16 e 18 anos, da 2ª e 3ª séries do ensino médio da Escola Estadual de Educação Básica Padre Benjamim Copetti, da cidade de Sobradinho, RS .
## Instrumentos de coleta de dados
Os alunos participantes s responderam voluntariamente, e de forma anônima, a um questionário no dia 27 7 de setembro de 2008, em sala de aulula, após assistirem e discutirem as imagens vídeo filmadas sobre a produção de e fumo de estufa sob a orientação da professorapesquisadora . Para efeitos deste estudo, os 14 4 alunos participantes foram m denominados de A1, A2, A3, ... , A14 .
- O questionário foi constituído de três questões abertas que buscararam identificar significadodos e relações construídas entre processos de produção de fumo de estufa e conceitos e processos térmicos. As questões iniciaram com a observação "Pensando nas imagens assistidas sobre a produção de fumo de estufa na sua região", e foramassim apresentadas aos participantes: (1) O quê você percebe nessas imagens que pode estar relacionado à Física? (2) O quê mais lhe chamou a atenção nas imagens que pode estar relacionado à Física? (3) Qual imagem que mais lhe chamou a atenção e popor quê?
## Análise de dados
As respostas escritas das questões foram submetidas a uma análise de de conteúdo (BARDIN, 2000). O método de análise de conteúdo consiste em demonstrar a estrutura e os elementos do conteúdo o para esclarecer as diferentes características do mesmo e extrair o significado atribuído às mensagens escritas.
## RESESULTADOS E DISCUSSÃO
## Acerca do quê nas imagens pode estar relacionado à Física
Cerca de 60% dos depoimentos (dos alunos A2, A4, A7, A8, A9, A10, A11, A12) relacionam am as s imagens do processo de secagem das folhas de fumo nonos fornos de estufa com o calor gerado para a secagem; e destes, cerca de 30% (depoimentos dos alunos A2, A8, A10 e A12) também relacionam m a a temperatura a este processo, além do o calor.
- A7: A parte da da secagem do fumo, já já que se usa calor e e é o que estou estudando no momento.
- A9: A geração de calor que precisa-se nos fornos, nas estufas, rerelacionando assim com calorimetria .
- A8: A produção do fumo, principalmente a secagem, envolve muito o calor r e diversas variações de temperatura, os quais são estudados pela física.
- A10: Nas estufas quando está secando o fumo tem calor e temperatura.
- A12: A maneira como o calor afeta o fumo, ressecandooo vem de uma propriedade física relacionado a tetemperatura .
Quanto ao conteúdo das imagens relacionadas à Física, os depoimentos dos alunos A2 e A11 merecem discussão. No depoimento do aluno A2, "A "Acredito que o calor usado para queimar a madeira que seca o fumo, a temperatura do o ambiente e do galpão", o calor é percebido como energia "[...] para queimar a madeira [...]" e não como energia liberada pela queima da madeirira; no no entanto, há a noção de que "[...] queimamar a madeira [...]" é o evento "[...] que seca o fumo [...]". No depoimento do aluno A11 , "O empuxo na água que faz as bandeijas de isopor flutuar, o calor das estufas que faz o fumo secar " , há referênc ia à propriedade empuxo, além do o calor; no no entanto, apesar de o calor ser percebido como causa da secagem do fumo, a referência acerca do empuxo ser sobre e as bandejas de isopor não é clara ("[...] empuxo na água [...]"), em que somente e o efeito do empuxo " [...] que faz as bandejas de isopor flutuar r [...]" é percebido corretamente.
- O processo de secagem de fumo também é reconhecido como relacionado a conhecimentos físicos pelo depoimento do aluno A5, "Eu percebi que pode estar relacionado á física, seria a temperatura, o termômetro utilizado para medir temperatura a para a a secagem do fumo", em que há referência do termômetro como dispopositivo para medir tetemperatura.
No entanto, alguns depoimentos (dos alunos A3, A6 e A13) não relacionam especificamente nenhuma a imagem m vídeo filmada à Física, mas revelam que a temperatura e o calor são conhecimentos físicos presentes nos processos de produção de fumo de estufufa. Outro depoimento, do aluno A1, "Acho que quando o fumo é colocado na estufa", apesar de relacionar um processo da produção de fumo não especifica conhecimento físico envolvido neste processo.
Uma percepção mais global sobre os processos de produção de fumo de estufa e sua relação com a Física é revelado pelolos depoimentos dos alunos A4 e A14 .
- A4: Principalmente o calor, que precisa em quase tudo na produção inclusive na secagem do fumo, o, fala também em m3 m3 da estufa, bandeijas, áreas, etc. E também em muitos outros setores sempre tem alguma coisa que está relacionado a Física.
- A14: Acho que cada processo está relacionado à física.
## Acerca do quê mais chamou a atenção nas imagens que p pode estar relacionado à Física
O impacto causado pelas imagens da queima da da lenha e o calor assim gerado para a secagem das folhas de fumo foi uma relação percebida entre a produção de fumo de estufa e a Física , que aparece e em três depoimentos (dos alunos A2, A5 e A8) .
- A2: A As imagens que mostram a queima da lenha para a secagem do fumo.
- A5: Seria o calor, a queima da madeira para gerar calor, para a secagem do fumo.
- A8: A A queima da madeira que produz o calor necessário para secar a folha de fumo.
No processo de secagem, mais depoimentos (dos alunos A1, A7, A10, A13) indicam que as imagens marcantes, relacionadas à Física, estão associadas ao calor nos fornos de estufa.
- A10: A parte da secagem que envolve a produção de calor.
- A13: O fumo na estufa, a secagem das folhas.
Ainda sobre imagens no processo de secagem, , além do calor, a temperatura também é citada em três depoimentos (dos alunos A3, A7, A12), dos quais um deles (do aluno A7) chama a atenção para o fato de que a temperatura é é medida em outra escala.
A7: Acho que a parte da secagem mesmo... por causa do calor, a temperatura ser medida em graus farenheit, o tempo da secagem.
## Acerca da imagagem que mais chamou a atenção e por quê
As imagens referentes aos processos de produção associadas com o enorme volume de trabalho realizado pelo agricultor nesta produção foi percebido pelos alunos como imagens de maior impacto, , aparecendo em cerca de 35% dos depoimentos, cujo conteúdo implícito, e de grande relevância para estes alunos, é o trabalho manual realizado pelo produtor, percebido por eles como intenso, , laborioso, , criterioso, o, exaustivo .
- A2: Tudo me chamou a atenção, mais em especial, a separação das folhas de fumo processo muito trabalhoso, aonde se lida folha por folha.
- A4: Uma imagem relacionando um geral que é a mão de obra intensa do produtor. Por que do começo ao fim o produtor está sempre suando e botando a mão na massa todos os dias.
- A5: A imagem que me chamou a atenção, foi deles colhendo fumo. Pois percebi que era manual, sem utilização de máquinas.
- A8: As imagens sobre a coleta das folhas na lavoura, por ser um trabalho manual e muito cansativo.
- A10: As imagens do trabalho em geral sobre a produção do fumo, pois é muito trabalhoso.
Imagens relacionadas aos processos de produção de fumo, por si só, , aparecem, ainda, , em cerca de outros 30% depoimentos (a(alunos A3, A7, A9, A14) como o conteúdo imagético de maior impacto.
- A3: A separação das folhas e suas classificações, e o momento em que elas vão para a estufa, pois são coisas que eu não sabia como funciona .
- A7: A parte onde os produtores colhem o fumo, depois o põem p/ secar e a classificação da folha para a venda posterior.
- A9: A imagem da piscinina que precisa-se para o preparo o da planta para ser levada a terra.
- A14: A parte que fala de cada tipo de fumo, e cada processo.
Outras referências a a imagens de impacto estão associadas a possíveis danos à saúde dodos agricultores , que é feita no depoimento do aluno A6 ("D"Da grandiosidade dessa "cultura" e a falta de segurança, muitos não usam mascaras, botas, luvas, desprevinidos") , e a possíveis danos ao meio ambiente , que aparece no depoimento do aluno A13 ("A imagem da madeira empilhada, é muita madeira gasta"). Esses depoimentos revelam aspectos negativos os da produção de fumo que impacta na saúde dos trabalhadores e no meio ambiente , em detrimento a "[...] grandiosidade dessa "cultura" [...]", c como se refere A6, parecendo querer dar o sentido de importância a esta produção, em termos econômicos , para a região. o.
Do universo de quatorze depoimentos acerca da imagem da produção de fumo que mais lhes chamou atenção, o, dois depoimentos, transcritos abaixo, relacionam imagens desta produção com conhecimentos fífísicos quando associam o forno de estufa ao calor gerado. o.
A11: O calor da estufa que fazendo com que o fumo seque. Eu consegui relacionar com a aula da professora entendo o que acontecia.
A12: Os diferentes tipos de estufas, que facilitam ou ou intensificam o calor recebido.
No depoimento do aluno A12, parece que a referência que se faz é sobre o "[...] calor recebido" p pelas folhas no processo de secagem.
Outro depoimento, do aluno A1, não faz refeferência específica a nenhumuma imagem, dizendo que "Todos me chamaram a atenção pois é um vídeo muito legal".
## CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com um m vídeo de produção própria fofoi i possível trazer para a sala de aula a síntese de uma situação que faz parte da realidade do aluno , a produção de fumo de estufa . De modo geral, os depoimentos indicam que os alunos perceberam que nos processos de produção de fumo de estufa ocorrem também processos físicos, revelando terem construído relações de significado entre processos deststa produção agrícola e conteúdos de Física; dos conhecimentos físicos presentes nos processos de produção de fumo de estufa, calor e temperatura são os conhecimentos que mais fororam percebidos estarem relacionados aos processos de produção, o, com ênfase no processo de secagem das folhas de fumo.
## REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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ARROIO, Agnaldo; GIORDAN, Marcelo. O vídeo educativo: aspectos da organizaçação do ensino. Química Nova na Escola, n.24, 2006.
BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo . Lisboa: Edições 70, 2000.
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