ENSINANDO CIÊNCIAS NO PROEJA NA PERSPECTIVA DE INVESTIGAÇÃO E INTERATIVIDADE
Maria Helena Pamplona, Marília Paixão Linhares, Ernesto Macedo Reis
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVIII
- Ano
- 2009
- Data
- 29/01/2009
- Linha de pesquisa
- Tecnologias Da Informação E Comunicação No Ensino Teórico E Experimental De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## ENSINANDO CIÊNCIAS NO PROEJA NA PERSPECTIVA DE INVESTIGAÇÃO E INTERATIVIDADE 1
Maria Helena Pamplona - pamplona@uenf.f.br Marília Paixão Linhares - paixaoli@uenf.br Ernesto Macedo Reis -
ereis@cefetcampos.br
Centro Federal de Educação Tecnológica-a-Campos Universidade Estadual do Norte Fluminense
## RESUMO:
Este artigo apresenta a implementação de uma proposta para o ensino integrado de Biologia, Física e Química no âmbito da Educação Profissional de Jovens e Adultos (PROEJA). A metodologia adotada é a a Aprendizagem Baseada em Casos contando-o-se com o o apoio do Espaço Virtual de Aprendizagem, m, denominado EVA . A proposta visa elevar o nível escolar na formação da EJA (Educação de Jovens e Adultos), , o que pode garantir uma melhor formação profissional l e aumentar as condições dos concluintes disputarem com êxito as vagas nos diferentes mercados . A produção dos textos dos Estudos de Casos e do material didático é uma etapa relevante do processo, dada às condições escolares de implantação da proposta pedagógica, na profissionalização o em Eletrônica a em que a base de conhecimentos científicos é a Física. a. O estudo faz parte de uma pesquisa sobre o ensino de Ciências no PROEJA. O objetivo imediato é a elevação do nível de escolarização através do ensino e da aprendizagem de e elementos conceituais e práticos que se somem à formação de técnicos em Eletrônica e Eletrotécnica . A A maior parte dos dados coletados é feita a no próprio Espaço Virtual de Aprendizagem. A base metodológica da proposta de ensino se fundamenta a na identificação das idéias prévias dos estudantes sobre os assuntos estudados, a seguir atua-se junto aos aprendizes objetivando a evolução destas concepções, considerando-o-se que a partilha de saberes entre os indivíduos seja uma das metas do ensino proposto. o. Outros instrumentos de coleta são o entrevistas, questionários e observações dos pesquisadores. Nesta fase inicial do trabalho identifica -se a exeqüibilidade da proposta , considerando-se a adequação da metodologia de ABC e a utilização do EVA .
Palavras -chave: PROEJA, Estudos de Caso, Ensino de Ciências .
## INTRODUÇÃO
Uma das características do ensino profissional ministrado à população de jovens e adultos diz respeito à parte prática e vivencial atualizada da profissionalização . No PROEJA [P[Programa de Integração da Educ ação Profissional ao Ensino Médio na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos] existem muitos desafios, dos quais destacamos dois. Um dos maiores é manter o aluno na escola, o outro é reeincluir os estudantes no contexto escolar , favorecendo atualização, , principalmente, em relação ao mundo do trabalho. Contra estas necessidades s e outras, vêm m pesando enormemente o baixo nível de escolarização e e o sistema mais tradicional 2 de trabalhar algumas disciplinas, notadamente as de Ciências, em que se destaca a Física e a a Matemática.
Quando se fala em escolaralização e profissionalização o não é possível ignorar a revolução digital, l, a era de um um mundo novo e revolucionário. Como se sabe, toda revolulução sugere mudanças, nessas circunstâncias, , sociais, políticas, econômômicas e educacionais. Uma nova ordem se estabelece, as profissões se modificam e a escola, independentemente de seus objetivos e públicos, precisa acompanhar as transformações.
No caso da formação técnica aliada ao ensino regular de nível médio é preciso compreender que a necessidade não é só integrar conteúdos e rever programas, mas também reconhecer e incorporar novos valores, como por exemplo, o trabalho cooperativo, a intencionalidade à pesquisa escolar - esta tão próxima das exigências do mundo do trababalho - e a utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação.
O objetivo deste trabalho é apresentar alguns resultados da fase inicial de uma ação pedagógica , encampada por um projeto de pesquisa a direcionado ao PROEJAEletrônica: "Educando para a C iência Jovens e Adultos com Tecnologias de Informação e Comunicação", em que se investe na execução de um ensino de Ciências Naturais integrando-se conhecimentos das três áreas, Biologia, Física e Química, a partir da metodologia de Aprendizagem Baseada em m Caso.
O sistema didático implantado funciona com apoio do Espaço Virtual de Aprendizagem (Reis, 2008), em que uma das intenções é garantir a interatividade em qualquer momento dos alunos, entre si e com o professor. Esse aspecto, inicialmente coletivo o fafavorece uma nova postura em sala de aula do aluno , e também do professor, em relação à adoção de uma metodologia menos tradicional e linear, que pode ir ao
encontro das necessidadedes da formação profissional, e dodos alunos, no que tange a comunicação o e realização de tarefas ligadas aos interesses mais diretos.
## OS CEFETs E E O PROEJA: O E ENSINO E A PROFISSIONALIZAÇÃO
A proposta disciplinar que compõe o currículo de Ciências tem como objetivo o desenvolvimento do conhecimento científico dos estudantes do PROEJA em consonância com a área profissional de interesse, neste caso, a Eletrônica. A pesquisa tem como foco a seguinte questão: "Como devemos proceder para ensinar Ciências no no PROEJA, de modo a favorecer elevação o do nível de escolarização e propiciar elementos os conceituais e práticos que se somem à formação profissional, l, melhor qualificando-a?".
- O Decreto 5.478, de 24 de junho de 2005 definiu que as instituições da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica deveriam instituir o PROEJA, destinando a este Programa no ano de 2006, pelo menos 10% das vagas de ingresso nas instituições, tomando como referê ncia o quantitativo de matrículas do ano anterior. N Não obstante, o que o decreto não previa formas de se fazerem os cursos nem as modalidades a serem oferecidas. Isto caberia a cada instituição.
Por outro lado, prprojetar pedagogicamente um curso técnico integrado de nível médio na modalidade de Educação de Jovens e Adultos é um desafio que se minimiza na própria existência a e história dos CEFETs, que já foram m durante mais de meio século lócus s de uma formação profissional integrada que levou essas instituições a galgarem o grau de excelência no ensino técnico brasileiro .
Um aspecto novo devia ser considerado, o o Parecer CNE/CEB n° 11/2000, que trata das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e de Adultos, já definia em seu capítulo introdutório que de acordo com a Lei 9.394/96, a Educação de Jovens e de Adultos usufrui de uma especificidade própria e, como tal deveria receber um tratamento conseqüente.
Essa legislação se refere às dimensões da exclusão social que assola boa parte dos jovens e adultos trabalhadores brasileiros, com matizes que vão da situação de analfabetismo, do desconhecimento das tecnologias digitais, até a falta de escola ridade fundamental e média. Considera -se, que e o cotidiano escolar de uma instituição de formação profissional deva ser r estimulante para esse público o trabalhador .
No CEFET -Campos, uma das instituições parceiras no projeto de pesquisa, umuma vez superada a etapa da implantação de um núcleo de EJA, esses alunos começam a ser er
reconhecidos como membros da instituição e, portanto, portadores de outros direitos, por vezes ainda não tão reconhecidos pela comunidade escolar. À medida que eles vão desenvolvendo consciê ncia crítica e identificando -se como sujeitos, também ampliam suas reivindicações e em pouco tempo, a formação profissional é pauta de aspirações, o que não deveria surpreender.
É nesse quadro, em que a maioria dos CEFETs mantém suas vocações tecnológicas, , que o ensino de Ciências e, particularmente o de Física, ganham destaque novamente, pois quase todos os cursos técnicos promovidos pelos CEFETs, outrora Escolas Técnicas Federais (ETFs) têm ou tinham como base a Física, podendo-o-se destacar r os mais tradicioionais oferecidos por quase todas as unidades, Mecânica, Eletrônica, Eletrotécnica e Construção Civil. Além desses, a Instrumentação e Automação merecem destaque e, todos de certo, são cursos de Física Aplicada.
Na criação do PROEJA as modalidades de profisissionalização ofertadas são as mesmas atendendo a vocação das instituições, com poucas novidades como os cursos técnicos de Informática. Logo, não o houve a perda de vocação pelo ensino técnico, todavia nas disciplinas do núcleo geral o quadro é bem diferente da época em que os cursos técnicos e a formação geral se integravam naturalmente. Assim, praticamente todas as modalidades pedagógicas, dentre elas a Física, desfizeram-m-se rapidamente de seus compromissos com o profissional e engajaram-m-se na "formação pré-vestibular".
## AS AULAS DE CIÊNCIAS E A APRENDIZAGEM BASEADA EM CASOS
Investiu -se na memetodologia de ApAprendizagem Baseada em Casos (ABC) e na utilização do Espaço Virtual de Aprendizagem buscando adequação entre as disciplinas de Ciências e o Curso o de Eletrônica .
A metodologia de ABC se caracteriza por oferecer r aos estudantes a oportunidade de direcionar sua própria aprendizagem, enquanto exploram a ciência envolvida em situações relativamente complexas. Esta característica é relevante quando se trata de estudantes que têm um objetivo de formação profissional. Os Estudos de Caso são favoráveis ao desenvolvimento de habilidades para tomada de decisão, o, o que se pode considerar altamente positivo quando se forma profissionais . O aluno é incentivado a se familia rizar com personagens e circunstâncias mencionados no texto do Caso, o, de modo a compreender os fatos, valores e contextos nele presentes na busca por soluções.
As modalidades pedagógicas de Ciências são o Biologia, Física e Química com carga horária de duas, três e duas aulas semanais, respectivamente. Esta distribuição é a
dos três primeiros módulos do Curso. Nos dois módulos seguintes, somente a Física permanece, já que o entendimento é: por tratar-se da base conceitual dos cursos técnicos oferecidos , a Física deve ser ofertada no o Curso o todo . Assim:
I. A metodologia do Curso de Ciências da Natureza no PROEJA se baseia na reflexão sobre problemas relacionados direta ou indiretamente à área de interesse profissional, na apropriação dos conhecimentos teóricos disponíveis e da elaboração de propostas de solução para as situações selecionadas. O conteúdo disciplinar é apoiado por materiais e interações entre os professores e os participantes na busca de soluções para os Estudos de Caso. A modelagem m do sistema EVA A (Reis, 2008) requer a experimentação de hipóteses e a defesa das propostas de solução, pois os alunos partem de idéias prévias, como sugerem Ausubel, Novak e Henesian (1978) e Moreira (2006) e articulam diferentes conhecimentos teóricos e práticos visando o propor soluções.
O estudo proposto no Módulo 1 do PROEJA-E-ELETÔNICA, denominado "Um Mundo de Medidas" apresentou como tema central a nanotecnologia e alguns significados relacionados às três áreas de Ciências. A pergunta inicial l a ser respondida foi: "O quque é nanotecnologiaia?" A importância do tema para a Eletrônica é notória, tendo sido este um dos fatores que influenciou na elaboração do Caso. o. Foram realizadas nas aulas experiências, trabalhos em grupos e debates. O apoio do EVA (suporte na Internet) possibilitou ampliar a interatividade e potencializar a pesquisa escolar. O texto do Estudo de Caso é apresentado no quadro 1.
## Quadro 1: texto do Estudo de Caso "Um Mundo de Medidas"
Quando os seres humanos começaram a interagir e trocar serviços uma das primeiras necessidades foi comparar os produtos de trocas, avaliá-á-los e fazer um valor. A partir dessas necessidades surge o ato de medir que permanece presente em nossa sociedade cada vez com mais intensidade. Medimos praticamente tudo.
Nas Ciências não é diferente e o trabalho dos técnicos e cientistas começam basicamente no ato de medir, nos laboratórios, no mundo do trabalho e, logicamente na formação científica e tecnológica desses profissionais.
Recentemente na Inglaterra conduziu-se uma pesquisa com objetivo de saber sobre a transformação do sistema britânico de unidades e medidas para o sistema internacional. Os açougueiros foram os primeiros a reclamarem, pois conforme alegaram, não teriam condições de fazer as conversões com facilidade e talvez, tivessem grandes prejuízos. Um após um, diversos segmentos da sociedade inglesa manifestou-u-se contra a mudança do sistema de unidades e medidas.
No mundo todo isso teve reflexos, pois convivemos com uma série de medidas do sistema inglês. Você conseguiria, por exemplo, pensar em duas ou três?
Quando se estuda e trabalha com as Ciências Naturais convivemos intensamente com as medidas, praticamente entramos no mundo das medidas. É isso que um técnico em eletricidade, eletrônica, instrumentação ou um engenheiro fazazem no seu cotidiano com freqüência.
Como iremos estudar nesse Estudo de Caso as medidas aparecem em todas as áreas das Ciências Naturais, na Biologia, na Física e na Química. Para pensarmos em começar a medir alguma coisa estabelecemos uma unidade do que queremos medir. Isto pode ser muito grande ou muito pequeno, como por exemplo, medir o tamanho de um vírus ou a distância da Terra a estrela mais próxima, alfa-a-centaurus.
Pensando nas novas tecnologias e nas descobertas mais recentes convidamos você a refletir sobre o trabalho de cientistas e técnicos que hoje, naturalmente convivem com todos os tipos de medidas. Dessa forma, pensando naqueles que se dedicam a trabalhar com as denominadas nanotecnologias, convidamos você a responder a seguinte questão: O que é nanotecnologia?
Durante primeiro semestre (Módulo 1) foram disponibilizados mamateriais didáticos de diferentes naturezas através do EVA e abordados conteúdos das três áreas interligados pelo tema . De um modo geral a partir do foco "Unidades e Medidas" trabalhou -se com diferentes grandezas físicas e instrumentos de medidas s em sala de aula e no Laboratório. As ligações com a Biologia e Química estabeleceram-m-se a partir dos materiais de leitura, questionamentos levados pelos professores e pesquisa escolalar.
Tendo como referência o programa de Mecânica, buscou-u-se inverter a ordem: a partir das medidas e conhecimento das grandezas é possível discutir a teoria e pensar em soluções para situações complexas, como problemas abertos e exercitação de fórmulas e r aciocínio matemático. A figura 1 mostra a tela de acesso às funções do sistema on line e a capa do principal material de leitura.
Figura 1: Capa da obra de referência e tela de apresentação das ferramenentas do EVA.
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Após ler o te xto do Estudo de Caso (acessado no ícone prancheta) os alunos trabalham no EVA paralelamente às s aulas, contando com apoio dos laboratórios de Informática nos s locais de trabalho e nas residências. Trocam mensagens entre si e com o professor e atuam de forma interativa, investigando a situação de estudo . Acessar o EVA fora da escola é incentivado. Não o existem provas formais, mas tarefas, e a avaliação é processual visando o desempenho e avanço conceitual de cada aluno. Assim, passa a ser fundamental identificar as concepções prévias s dos alunos, o que é feito no módulo de Estudos de Casos, quando cada estudante deixa registrada sua primeira resposta para a questão inicial l do Estudo de Caso. o.
A partir da primeira resposta o professor responde a cada aluno, solicitando melhoria na resposta, indicando leituras as e outras consultas (dis poníveis no kit
pedagógico). Uma resenha do texto principal é solicitada , sendo este o segundo passo do método. O aluno deve encaminhar r a resenha que precisa ser aprovada pelo professor. Tão logo este passo seja completado a contento, o professor orienta o estudante a dar uma resposta fina l, que constitui o terceiro passo do método. Todos os logs são armazenados, sendo possível comparar as respostas inicial e final, bem como verificar a forma como o estudante encaminhou seu raciocínio escrito.
Paralelamente ao encaminhamento o dos passos do Estudo de Caso, os estudantes trabalham no fórum m discutindo questões de interesse do estudo que favorecem suas compreensões do Caso. No chat, t, que deve ser programado com antecedência, é possível discutir questões pontuais, como dúvidas apresentadas, ou novidades, como questões apresentadas na mídia ou trazidas por algum aluno. O portfólio é uma função onde se publica os trabalhos dos alunos e exempmplos bem sucedidos de respostas.
A ferramenta de gerência apontada na figura 1 é de uso exclusivo do profofessor e não aparece na tela do aluno. A partir dedela o professor pode operar todos os registros, relatórios, estatísticas e municiar as outras funções s de comunicação. o.
II. Q Quanto à pesquisa, ela é do tipo participante , em que se adota o contato direto com os os estudantes e professores s de Ciências do PROEJA buscando uma triangulação nos resultados fornecidos por três instrumentos: Questionário s, Entrevistas s e Análise do Discurso/Análise de Conteúdo (AD/AC) executadas nos logs das falas em cada função do EVA (Bakakhtin, 2003; Bardin, 1994). Assumimos as referências de uma Pesquisa-aparticipante , em que a intervenção do pesquisador influencia o contexto educativo.
## RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os primeiros resultados - extraídos da aplicação do sistema didático no Módulo 1 do PROEJA (semestre 1/2008) são do tipo formativo e estão relacionados à exeqüibilidade da proposta pedagógica e sua implementação.
Um m dos principais resultados é a produção de material didático no formato eletrônico e específico para a construção didáticico-pedagógico que se pretende. O investimento intelectual na elaboração dos textos dos Estudos de Caso, exige pesquisa e obediência a um esquema conceitual, definido por Reis (2008) quando modelou e organizou o EVA. Além desse esforço, que tem se mostrado eficaz quanto ao desenvolvimento do projeto e evolução da equipe que o conduz, pode-se considerar r em um momento inicial, alguns resultados que advém do trabalho de monitorar o projeto.
O questionário aplicado aos 17 alunos que compõem o grupo que participa a do Módulo 1 - PROEJA\_ELT revelou um perfil médio: 59% (10 alunos) têm mais de 22 anos, 65% (11 alunos) encontram-m-se afastados do ensino formal há mais de quatro anos, 82% (14 alunos) têm como objetivo a formação profissional em Eletrônica, nenhum aluno revelou se interessar por fazer algum tipo de vestibular, 88% (15 alunos) revelaram não ter boas lembranças de seus estudos de Ciências , principalmente de Física, , mesmos os 13 alunos (76%) que já completaram o Ensino Médio.
Na entrevista, realizada ao final do 1º semestre (CEFET/2008/Módulo 1), 15 alunos (88%) consideraram que suas percepções sobre a importância de estudar Ciências melhorou em relação ao início do Curso. A metodologia de ABC e a utilização do EVA A foram bem aceitos por todos os alunos. Na Na entrerevista, quando perguntados sobre suas habilidades com o sistema informático; 7 alunos (41%) revelaram encontrar dificuldades em trabalhar com computadores e a Internet. Todos os alunos reconheceram que usar computadores fora das aulas de Informática é posititivo para a formação.
Quanto à evolução dos conhecimentos sobre o tema e os diversos estudos realizados em cada uma das disciplinas a AC revelou que todos os estudantes avançaram em relação às idéias iniciais sobre a questão. Alguns mais, outros menos, o que é relevante, é que todos demonstraram interesse pelo tema e os diversos aspectos transdisciplinares abordados: relacionamento do estudo com a Eletrônica, com a história da Ciência, com aspectos do mundo do trabalho e da sociedade.
Ao trabalharem na função de interatividade Fórum, à AD (Bakhtin, 2003) revelou que ao exporem seus pontos de vistas, em muitos casos errados, os alunos passam a ter tempo de refletir e, conseqüentemente, reverem suas respostas, modificarem seus pensamentos e produzirem novas rerelações mentais - de um modo geral assumem gêneros mais profissionais quando se sentem mais seguros para falar sobre as questões abordadas - quando relacionam os elementos das aulas com aspectos da vida do profissional de Eletrônica .
É o que consideramos como um indício de aprendizagem significativa, tal como preconizam Moreira (2006) e Ausubel l et. al. l. (1978). Cada um ao seu tempo de forma completamente diferentes, mas com intencionalidade, que aqui não pode se confundir com motivação. o. O que se destaca é o papel do texto coletivo e a dialogicidade, que denotam a relevância do EVA como uma ferramenta cognitiva. Nesse ponto, o encaminhamento do ensino é completamente diferente das aulas mais tradicionais.
É cedo ainda para falarmos da proposta pedagógógica e sua adequação ao curso do PROEJA e aos interesses da formação em Eletrônica, porém a exeqüibilidade do projeto está demonstrada, dado o processo de ensino e aprendizagem já instaurado.
Considerando ainda os elementos; um perfil amplo do grupo e da organização didática das aulas (intenções, pessoas envolvidas, temáticas ou conteúdos selecionados, procedimentos e recursos utilizados, tempo, resultados e dinâmica das relações), destacamos alguns pontos para reflexão, baseados no que denominamos de "aula de Ciências para além dos muros da escola" - àquela que o aluno trabalhador pode continuar cumprindo na residência e trabalho. o.
No presente instante da experiência didática as aulas configuram-m-se e como: a) uma arquitetura de relações cooperativas de ensino e aprendizagem, cujo período de tempo se amplia ao o de cada educando, determinado mais por sua subjetividade do que pela possível lógica da racionalidade didático-o-pedagógica; b) um processo carregado de intencionalidades educativas sejam m elas , direcionadas para a a suplência da educação formal, contemporaneidade ou para a complementaridade; c) um processo didático que se apóia em temáticas ou conteúdos que não obedecem à linearidade curricular ou às às exigências institucionais, mas aos interesses e necessidades das pessoas envolvidas; d) procedimentos e recursos coerentes com as ações educativas e as temáticas trabalhadas ou conteúdos didáticos, mas com a necessária flexibilidade, porque o compromisso maior é com as possibilidades; e) significados para os sujeitos envololvidos, sejam eles jovens e/ou adultos, que participam por vontade própria - veja-se, intencionalidade .
## CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES
Ao concluir este texto preliminar podemos dizer que o ensino de Ciência com apoio das Tecnologias de Informação e Comunicação, que concebemos como uma ação pedagógica para além da sala de aula é, de modo geral, dinâmico e aberto à diversidade sociocultural; atrai, envolve e cativa pessoas diferentes; é marcado pela liberdade e espontaneidade; não exige muitas formalidades. Porém, convém que o professor de Biologia, Física e e Química, atuando como mediador tenha boa preparação pedagógica, bom senso, visão de contexto, habilidade para lidar com pessoas e um "jeito especial" para ensinar, seja ético, tenha sólido conhecimento do assssunto da aula e da área de atuação, convicção de propósitos, entusiasmo, comprometimento e responsabilidade social.
Uma ma compreensão maior da aula de Ciência para além da sala de aula traz implicações dignas de reflexão para os profissionais da educação e dodos professores que trabalham nas Licenciaturas de Ciências, os sistemas educacionais, o mundo do trabalho e as instituições de ensino de modo geral.
No que diz respeito ao PROEJA , , estabelece -se nesse início da pesquisa a uma questão direcionada às s formações inicial e continuada de professores: "Como devemos proceder para ensinar Ciências no PROEJA, de modo a favorecer uma aprendizagem significativa , elevando o nível da escolaridade e influindo positivamente na construção dos conhecimentos profissionais dos estudante s?".
## Agradecimentos
À PROEX/UENF que nos proporciona condições para manter a equipe que sustenta as ações e operacionalização desse trabalho de pesquisa.
À CAPES/SETEC/MEC que nos incentiva com o fomento de bolsas de mestrado e doutorado relacionadadas ao projeto de pesquisa.
## REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Ausubel, D. P.; Novak, k, J. D.; Henesian, H. (1978). Educational Psychology: a cognitive view. 2. ed. New York, Holt, Rinehart & Winston. 782p.
Bakhtin, M. (2003). E Estética da Criação Verbal. l. Martins Fonontes. São Paulo. 476p.
Bardin, L. (1994). A Análise de Conteúdo . Edições 70. Lisboa. 394p.
Moreira, M. A. (2006). A Teoria da Aprendizagem Significativa e sua Implementação em Sala de Aula . Editora Universidade de Brasília. 186p.
Reis, E . M. (2008)8). Limites e e Possibilidades de Um Espaço Virtual de Aprendizagem no Ensino e na Formação de Professores de Física . Tese de doutorado, Universidade Estadual do Norte Fluminense, UENF. Campos dos Goytacazes, RJ. 339p.
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.