DESMONTE TECNOLÓGICO COMO FERRAMENTA PARA O ENSINO DE FÍSICA
Rodrigo Aparecido Dos Santos, Nadja S. Magalhães
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVIII
- Ano
- 2009
- Data
- 29/01/2009
- Linha de pesquisa
- Interdisciplinaridade E Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## DESMONTE TECNOLÓGICO COMO F FERRAMENTA PARA O ENSINO DE FÍSICA
Rodrigo A. dos Santos
b a [projetofisica@yahoo.com.br] Nadja S. Magalhães b [nadja.magalhaes@unifesp.br]
- a Centro Federal de Educação Tecnológica de São Paulo – CEFET-SP
b
- Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP – Campus Diadema
## RESESUMO
Educação de qualidade costuma ser associada ao uso de recursos não apenas variados como também sofisticados. Entretanto, ela realmente refere -se àquela que permite ao aluno apropriar-r-se dos conhecimentos relevantes para que se posicione na sociedade de maneira consciente e atuante, vislumbrando a si mesmo como ente participante e realizado. Neste sentido os recursos a serem utilizados para se fomentar o ensino podem ter múltiplas formas. Neste trabalho apresentamos o início de uma pesquisa na qual investigamos o recurso educacional chamado "desmonte tecnológico", que consiste em desmontar em classe um dispositivo de uso cotidiano do aluno com vistas à apropriação de conhecimentos de Física. Pretendemos, com a pesquisa, verificar se tal recurso pode ou não ser uma efetiva ferramenta para o ensino de Física. Algumas questões conceituais se colocam nesse contexto como, por exemplo, o que seria um objeto "tecnológico". Nesta primeira etapa da investigação, no entanto, se partirá do pressuposto que um ferro de passar seja um objeto dessa natureza e se preparará duas turmas para aplicação do desmonte tecnológico. Para que a pesquisa seja confiável, foi realizado um pré-t-teste em duas turmas de ensino médio de escola pública a da periferia da capital de São Paulo. Buscou-se verificar se as duas turmas estavam equilibradas o bastante para serem comparadas quando da aplicação do desmonte. Além de se verificar que as turmas escolhidas estavam adequadas aos objetivos da pesquisa, observou-u-se alguns sinalizadores significativos do processo ensino-aprendizagem. Por exemplo, constatou -se que a mera verbalização de um conhecimento de Física por parte do professor pode não ser suficiente para a apropriação do mesmo pelo estudante. Isto r eforça a idéia de se usar outras ferramentas para o efetivo ensino dessa disciplina, como o desmonte tecnológico que se propõe aqui.
## 1.ININTRODUÇÃO
Os seres humanos vivenciam a Física todos os dias de diversas maneiras mas, geralmente, nem se dão conta disso, seja através de fenômenos naturais ou de aparelhos tecnológicos. Por exemplo, alunos levam todos os dias ao colégio diversos tipos de aparatos como relógios, celulares, MP4 e outros dispositivos, mas sequer possuem noção que esses dispositivos tecnológicicos contêm os conceitos físicos que foram utilizados em seu desenvolvimento.
Na maioria das vezes o ensino de Física para turmas regulares e de Educação de Jovens e Adultos (EJA) se mostra tradicional, onde os professores se limitam ao uso de algum recurso textual, como caderno de anotações, livros e apostilas, para ensinar os conteúdos do currículo, muitas vezes não realizando conexões com os fenômenos que ocorrem no cotidiano dos discentes, nem experiências para demonstrá-á-los.
Motivos que levam os professssores utilizar esses recursos podem ser vários, tais como: baixo poder aquisitivo dos estudantes para compra de material, formação do professor em outra disciplina ou poucos materiais disponíveis na escola para aplicação de práticas diferenciadas.
Entretandndo, segundo os PCN+ (Brasil sem data , pág. 2):
- ...O ensino de Física vem deixando de concentrar -se na simples memorização de fórmulas ou repetição automatizada de procedimentos, em situações artificiais ou extremamente abstratas, ganhando consciência de que é preciso dar-r-lhe um significado, explicitando seu sentido já no momento do aprendizado, na própria escola média...
- A Física e a tecnologia podem influenciar o modo como os seres humanos interpretam o mundo, criam necessidades, facilidades e problemas. Assim, se faz necessário um ensino contextualizado que envolva essas duas áreas do conhecimento. Ainda segundo os PCN+ (Brasil sem data, pág. 2)2):
- ...A Física deve apresentar-r-se, portanto, como um conjunto de competências específicas que permitam perceber e lidar com os fenômenos naturais e tecnológicos, presentes tanto no cotidiano mais imediato quanto na compreensão do universo distante, a partir de princípios, leis e modelos por ela construídos. Isso implica, também, a introdução à linguagem própria ... Ao mesmo tempo, a Física deve vir a ser reconhecida como um processo cuja construção ocorreu ao longo da história da humanidade, impregnado de contribuições culturais, econômicas e sociais, que vem resultando no desenvolvimento de diferentes tecnologias.. .
A conexão entre Física e tecnologia no ambiente escolar vem sendo cada vez mais esperada. De acordo com Santos e Schnetzler(1997) apud Fourez (1995): "Alfabetizar, portanto, os cidadãos em ciência e tecnologia é hoje uma necessidade do mundo contemporâneoeo." Ademais, concorda -se com Fourez (1995) quando afirma que: "Não se trata de mostrar as maravilhas da ciência, como a mídia já o faz, mas de disponibilizar as representações que permitam ao cidadão agir, tomar decisão e compreender o que está em jogo no d discurso dos especialistas..."
- O presente trabalho investiga uma opção para que seja aliada a Física à Tecnologia de maneira que essas áreas não sejam trabalhadas de forma independente uma da outra e que os temas não sejam apresentados de modo abstrato. A proposta é que um dispositivo familiar, preferencialmente de baixo custo e em desuso, construído com uma dada tecnologia, seja desmontado e os conceitos físicos relativos ao mesmo sejam debatidos com os alunos de maneira a favorecer o aprendizado.
- O trabalhlho com aparatos que estão no dia -a-dia dos alunos é importante porque estes possuem uma noção de como aqueles aparelhos devem ser manuseados e operados, além de vivenciaremmnos e utilizá -los constantemente. Com esse contato prévio, é possível estender o conhecimento dos discentes, para que eles possam conectar essa ciência (adquirida diariamente com o objeto doméstico que possui uma dada tecnologia) com a Física, seja para poder ler as informações técnicas para utilizá-á-lo de maneira correta ou visualizar fenômenos que ocorrem no funcionamento das peças.
Este tipo de abordagem inovadora possui algumas vantagens. Por exemplo, conforme Santos (2002, pág. 8):
O objetivo dessas novas abordagens é transformar a Física num campo de conhecimentos significativos para o aluno, buscando vincular os conceitos físicos à realidade cotidiana do educando e convertendo a imagem de uma Física fechada em si, fragmentada, sem significado e comprometida apenas com a aprovação no vestibular, na idéia uma Física viva e dinâmica, presente no dia-a-a-d-dia do cidadão, integrada com outros campos do conhecimento humano e utilizada como ferramenta para a compreensão do mundo em que vivemos.
A fim de analisar se o método proposto pode ser uma efetiva ferramenta para o ensino de Física e investigar se esse recurso permite uma melhor apropriação do saber, propõe-se a seguinte metodologia: duas turmas de mesma série, faixa etária, escola e tipo de ensino médio, que estudem temas iguais, receberão o ensino de tópicos específicos de maneiras distinintas. Ou seja, uma turma será ensinada com aula tradicional e outra, com o auxílio do desmonte de objeto tecnológico.
A descrição desta metodologia estará apresentada na Seção 2, seguida dos resultados, na Seção 3, que serão analisados na Seção 4. As conclusões obtidas até o momento serão expostas na Seção 5.
## 2. METODOLOGIA
Focouuse o interesse em realizar a investigação em escola da rede pública. Assim, o primeiro passo foi apresentar a proposta para uma escola pública do Estado de São Paulo. Ela foi ace ita pelos responsáveis da "Escola Estadual Professor Miguel Oliva Feitosa", que fica no bairro Perus, zona noroeste da cidade de São Paulo. Perus é um bairro dormitório da capital paulista, possui duas 2 avenidas principais com comércio movimentado e poucas e empresas espalhadas pelos seus 57km2 2 . O bairro é distante do centro da capital paulista e vizinho a cidades da grande São Paulo, como Caieiras e Santana do Parnaíba. Segundo dados da prefeitura, referentes ao ano de 2000, há 70.689 habitantes e a renda média é de R$ 633,71.
A escola funciona em três períodos, com ensino fundamental e médio de manhã, ensino fundamental à tarde e ensino médio e EJA (somente médio) à noite. Foram disponibilizadas duas turmas de EJA para participar da pesquisa. Conversou-u-se com a professora de Física das classes, registrando-se os conteúdos que estavam sendo estudados pelos discentes. As turmas estavam estudando calorimetria e a partir daí, foram escolhidos alguns tópicos desse tema para aplicação na pesquisa.Os tópicos escolhididos foram: mudança de estado da matéria, troca de calor e dilatação. Para realização das atividades optou-se pela utilização de um ferro elétrico a vapor.
Para a tomada de dados as atividades seriam realizadas em duas fases. Na primeira, as duas turmas teriam uma aula de revisão após a professora da classe terminar por completo de trabalhar os tópicos mudança de estado e troca de calor, seguida de um pré-t-teste. Após sete dias, em uma turma seria aplicado o desmonte tecnológico seguido de um pós-teste, enquauanto que a outra turma teria uma aula tradicional com o mesmo conteúdo que o desenvolvido na aula com o desmonte. O procedimento seria invertido entre as turmas para levantamento de dados para o tópico dilatação.
## 2.1 O Objetivo da aplicação do pré -teste
A realização do pré-t-teste teve como meta principal documentar respostas que servirão de referência para análise do pós-teste, colaborando para se verificar se o desmonte tecnológico permitirá uma real apropriação de conhecimento em Física. Os ambientes semelha ntes servirão para certificar os pesquisadores de que as turmas disporão de conhecimentos semelhantes durante a
aplicação do desmonte do objeto tecnológico. Além disso, o pré-teste permite tomar-se conhecimento das turmas e poder compará-las após a aplicação do pós-s-teste, bem como dar uma noção do nível de conhecimento das turmas sobre os temas investigados.
Outro objetivo foi verificar se os alunos poderiam responder corretamente, e com justificativas fisicamente corretas, a questões que envolvessem conhecimentos básicos do tema de Física que eles tinham estudado. Isto indicaria que eles dominariam adequadamente o conhecimento questionado.
## 2.2 Aplicação do Pré -Teste
O pré-teste foi aplicado por um pesquisador aplicador nas turmas 3ºTA e 3ºTB, equivalente ao terceiro ano do ensino médio em EJA. A primeira aula foi realizada no 3ºTB. Havia dezoito pessoas presentes e os alunos possuíam faixa etária entre vinte a cinqüenta anos. A atividade foi informada no começo da aula pela professora da classe, o que gerou algumas reclamações de início porque eles não haviam se preparado. Os alunos concordaram após o pesquisador aplicador ter explicado o procedimento, que consistiria de uma revisão sobre os assuntos que seriam abordados no pré-teste, que seria aplicado de pois disso.
A revisão foi realizada com a participação da professora da classe. O primeiro assunto trabalhado foi "mudança de estado da matéria". Questionou-u-se a turma sobre qual é a unidade de temperatura que se usa no dia-a-a-dia e recebeu-u-se respostas de dois alunos, sendo que um falou: "Professor, é grau Celsius", ", e outro "Celso". Confirmou-u-se a sugestão de um discente e corrigiuse a do outro, reforçando-o-se que a unidade de temperatura usualmente adotada para o dia -a-a-dia cotidiano no Brasileira é o Celsiuius, mas que em outros países se adota outros tipos, como a Farenheint, e que a comunidade científica adota a escala Kelvin.
Comunicouuse que a revisão seria focada com base na escala Celsius e desenhou-se uma escala que variava de -50ºC a 150ºC, marcando-o-se os pontos -50ºC, 0ºC, 100ºC e 150ºC. Pediu-se para os alunos ajudar a marcar na escala onde a água muda do estado sólido para o estado líquido e do estado líquido para o estado gasoso. Ouviu-se mais de uma afirmação de que a 0ºC o gelo vira água e a 100º0ºC a água vira vapor. Confirmou-u-se a informação passada e relembrou-u-se para os alunos que a mudança do estado sólido para líquido se chama fusão e do estado líquido para o gasoso se chama vaporização. Explicou-se que as mudanças de estado estão relacionadas a propriedades tais como movimento, energia e atrito das partículas, e que essas mudanças ocorrem a essas temperaturas ao nível do mar e servem somente para água. Citaram-se exemplos, dizendo-se que em cidades situadas em lugares muito altos a água se transforma em vapor a temperaturas menores que 100ºC. Questionaram: : "Porque a cerveja não vira gelo em temperatura menor que 0ºC?", ", notando que congeladores de bar marcam temperaturas como -1,7ºC ou -5ºC. Respondeu-u-se que a água é uma substância pura, mas a cerveja possui água e outras substâncias que a fazem ter pontos de fusão e de evaporação diferentes.
Aproveitou-u-se a oportunidade e explicou-u-se o conceito de calor específico, segundo o qual cada objeto esfria ou esquenta numa dada proporção devido ao mateterial de que é constituído, além de ter relação com a necessidade de haver uma quantidade calor maior para aumentar a temperatura de algumas substâncias. Para finalizar a revisão a professora da classe questionou a turma sobre qual a função do cobertor em dias frios. A resposta mais comum foi "que o cobertor servia para esquentar o corpo". Tal resposta gerou certa irritação na professora da classe, que disse aos educandos que já havia explicado que o cobertor ou blusas usados no inverno servem para evitar quque o corpo humano troque calor com o ambiente externo.
Após essa breve revisão, o pré-teste foi distribuído para os alunos, que o devolveram após trinta minutos. Durante a resolução, os discentes chamaram o pesquisador aplicador várias vezes para discutir dúvidas referentes ao que deveria acontecer com o fenômeno ou à interpretação do texto. Não foram passadas informações e sugeriu-se que respondessem somente o que tivessem entendido.
No mesmo dia, foi aplicado pré-é-teste no 3ºTA. Nesta sala havia vinte alunos, na faixa etária de dezenove a cinqüenta e três anos. Adotou-se o mesmo procedimento inicial realizado com a outra turma, o que novamente gerou diversas reclamações, já que não haviam se preparado para o teste. Novamente explicou-u-se como a atividade seria realizada e os alunos concordaram em realizar o pré-t-teste após a revisão.
Nessa aula a professora da classe iniciou a discussão já questionando a turma sobre qual era a função do cobertor em dias frios. A resposta mais comum foi que "ele servia para aquecer o corpo humano" e "proteger as pessoas do frio". ". A professora da classe repreendeu a segunda turma como fez com a primeira, alertando que já havia explicado que o cobertor serve para evitar que o corpo humano troque calor com o ambiente externo e ele s deviam ficar mais atentos, porque o cobertor ou blusas não geram calor.
O pesquisador aplicador utilizou o mesmo esquema para explicar "mudança de estado da matéria", mas, ao questionar qual era a unidade de temperatura usada no dia-a-dia, não obteve nenhnhuma resposta. Disse que as unidades são usadas para qualificar o que está sendo medido e deu exemplos: o tempo possui os segundos ou as horas como unidades; para medir distâncias pode -se usar o metro e o centímetro. Questionou mais uma vez qual seria a unidade de temperatura usada no cotidiano e novamente não houve resposta. Disse que era o grau Celsius e enfatizou que existem outras escalas, como a Farenheint e a Kelvin. Montou uma escala na lousa, sem marcar pontos e perguntou qual era a temperatura de fufusão e vaporização da água. De novo não obteve resposta. Devido a isso, marcou os pontos de 0ºC e 100ºC e explicou o que era um ponto de fusão e vaporização, e que tais fenômenos ocorrem nestas condições somente ao nível do mar, salientando que em lugares mais altos a água se vaporizada a uma temperatura mais baixa. Usando o exemplo proposto na aula anterior, o pesquisador aplicador questionou a turma por que a cerveja não vira gelo a temperatura menor que 0ºC. Mais uma vez a sala ficou em silêncio. Explicou ou os motivos que levam a cerveja congelar a temperaturas mais baixas e, então, aplicou o pré-é-teste, sugerindo que respondessem da maneira que haviam entendido e entregassem após trinta minutos.
## 3. RESESULTADOS
Para análise dos resultados dos pré-testes quantificou-se o número de acertos e erros das duas turmas e verificouuse a qualidade das justificativas apresentadas pelos alunos separando essas respostas em quatro categorias: argumento fisicamente consistente, justificativa errada, interpretação física equivocada, e sem justificativa. A categoria "argumento fisicamente consistente" foi usada quando a justificativa apresentada estava correta, mesmo se os termos técnicos da Física não estavam claros ou o português, escrito de maneira inadequada. A categoria "justificativa errada" foi usada quando o aluno apresentava argumentos físicos que fugiam aos conceitos envolvidos na questão. A categoria "interpretação física equivocada" foi usada quando o aluno apresentava argumentos físicos relevantes à questão, mas de maneira imprecisa, relacionando sua resposta com outras variantes envolvidas na questão. A categoria "sem justificava" foi usada quando o aluno não apresentava nenhuma justificativa, apresentava argumentos que não estavam relacionados com a Física ou copia vam a resposta igual à alternativa que haviam escolhido na questão.
Na primeira questão quase 50% dos alunos de ambas as turmas acertaram a alternativa correta. Para a segunda pergunta mais de 80% escolheram a opção certa, enquanto que, no terceiro enunciado, houve, no máximo, 20% de acertos dos discentes. Os resultados obtidos com o questionário estão apresentados nas Figuras 1-9.
A respeito das justificativas apresentadas em cada questão, na primeira os alunos geralmente enfatizaram a vaporização, como ilustra o seguinte exemplo: "Sim, pois a essa temperatura quando a água entra em contato com a chapa de metal ela evapora". ". Outro argumento comum indicava que eles queriam expressar que a água passa por processo de ebulição, mas não colocavam o termo correto, como mostra a afirmação "Sim, porque nessa temperatura, a água se evapora rapidamente".
A segunda questão os alunos geralmente acertaram. Entretanto, justificavam, em muitos casos, que a lã impede a troca de calor e faz o corpo humano ficar aquecido, comomo no exemplo: "A lã é um bom isolante térmico, porque em contato com o corpo ela eleva a temperatura" .
Referente à terceira questão, nenhum aluno das duas turmas conseguiu justificar corretamente sua resposta. Na maioria dos casos alegavam que um picolé dederretia mais rápido que o outro devido a "possuírem substâncias diferentes". É o que mostra o exemplo: "Na minha opinião, o picolé de leite derrete mais rápido do que o picolé de água porque, o picolé de leite tem outras substâncias além da água" .
## 4. ANANÁLISE DO PRPRÉÉTESTE
É interessante notar que a pesquisa corrobora o fato conhecido de que escolher a alternativa correta não implica justificar corretamente a questão, pois nas Figuras 7-7-9 verifica-se uma queda considerável entre os dois tipos de respostas.
Apesar da explicação da professora da classe durante a aula, os alunos mantiveram o É ppp paradigma de que o cobertor aquece o corpo ao elevar a sua temperatura. É preciso investigar -se a razão dessa permanência. É possível que o aluno tenha dificuldade em expressar seu pensamento por falta de domínio da linguagem escrita. Mas também pode ser que realmente não tenha mudado o paradigma, o que sugere que o ato de ouvir não foi suficiente para o estudante apropriar-se do conhecimento. Neste caso, outra abordagem deve ria ser feita pelo professor para que o conhecimento correto seja adquirido. Com o desmonte de objetos tecnológicos se poderá investigar se esse recurso permite uma melhor apropriação do saber.
Constatou -se, particularmente, que o nível de resposta das tururmas ao estímulo do pesquisador aplicador foi diferente, sendo o 3ºTA, inclusive, mais apático. Pode -se supor, por outro lado, que tal comportamento tenha sido acionado devido à intervenção da professora da classe, que já no começo da aula questionou a turmrma e logo a repreendendo diante de uma resposta insatisfatória. A professora da classe não fez o mesmo na Turma B, e tal comportamento pode ter contaminado os resultados.
A respeito dos gráficos, observa -se, pelas Figuras 1 e 3, que as turmas diferiram nas respostas de múltipla-escolha das Questões I e III, o que poderia sugerir um desnível de conhecimento entre elas. No entanto, analisandoose as Figuras 4-4-9 nota-se que, na verdade, elas se encontram razoavelmente próximas em nível de (des)conhecimento dos assuntos abordados, por causa da similaridades entre os respectivos gráficos de ambas as turmas. Isto indica que formam um
par equilibrado para a análise do desmonte tecnológico como ferramenta para o ensino de Física, podendo ser usada uma como grupo de controle, no qual não será aplicado o desmonte.
## 5. CONCLUSÃO
Os resultados obtidos no pré-é-teste com alunos do ensino médio de EJA em escola pública da periferia de São Paulo indicam que a escolha de determinada alternativa de uma questão de múltipla escolha não implica necessariamente que o aluno tenha compreendido como um fenômeno físico ocorre corretamente. Pode -se supor que isso se deva por dificuldades de expressão, utilização do senso comum ou dificuldade de compreensão de conceito físico mesmo depois de ensinado pela professora da classe e revisado pelo pesquisador. A aplicação do pós-teste, como proposto neste trabalho, permitirá um meio de verificação se os conceitos abordados com o auxílio do desmonte tecnológico virão a ser melhor apreendidos ou nãnão pelos alunos envolvidos, quando comparados a uma turma de controle. Isto poderá ser visto através do casamento entre questões corretas e suas respectivas justificativas.
Verificouuse, também, que a mera verbalização de um conhecimento de Física por parte te do professor pode não ser suficiente para a apropriação do mesmo pelo estudante. Isto reforça a idéia de se usar outras ferramentas para o efetivo ensino dessa disciplina, como o desmonte tecnológico que se propõe aqui.
Os dados colhidos com o pré-é-teste, , apresentados aqui, serão de grande valia para comparação com o pós-s-teste, que será aplicado em seguida à aula em que o desmonte tecnológico será realizado com uma das turmas. A outra turma também será submetida ao pós-teste, mas em seguida a uma aula tradidicional envolvendo o mesmo conteúdo. Constatou-u-se, com a pesquisa descrita aqui, que as turmas escolhidas compõem um par adequado ao estudo comparativo, dada a similaridade de seu grau de conhecimento.
Os pós-testes de ambas as turmas serão posteriormente comparados com os respectivos prétestes, assim como comparados entre si. Se procurará verificar se o uso do desmonte tecnológico (um ferro elétrico a vapor, no caso) em uma aula de escola pública pode beneficiar o aprendizado e a fixação de conceitos por parte dos alunos.
Neste sentido, na continuidade do trabalho aqui apresentado também se procurará definir claramente algumas questões conceituais importantes, entre elas: em que consiste um aparato "tecnológico", dentro desta proposta de desmonte tecnológicico, e se esse desmonte poderia fazer as vezes de um laboratório de demonstração ou se constituiria uma metodologia própria.
## 5. REFERÊNCIAS
SANTOS, Clodogil Fabiano Ribeiro. E Educação Tecnológica no Ensino de Física: análise de uma experiência didática utilizando objetos tecnológicos. Tese (Mestrado) - Faculdade de Ciências, Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita, Bauru, 2002.
SANTOS, Widson Luiz Pereira, MORTIMER, Eduardo Fleury. Uma análise de pressupostos teóricos da abordagem C-C-T-T-S -S (Ciência - - TeTecnologia - Sociedade) no contexto da educação brasileria. Revista Ensaio - - Pesquisa em Educação em Ciências, 2, p. 3, dezembro 2002.
PCN\_FIS.pdf <h<http://www.sbfisica.org.br/arquivos/PCN\_FIS.pdpdf>f>. Acessado em 18 de Setembro de 2008.
## 6. APAPÊNDICE: E: QUESTIONÁRIO APAPLICADO NO PRPRÉ-T ESESTE
- 1) Ocorrem mudanças de estado com a água em temperatura ambiente ao entrar em contato com uma chapa de metal ou outros materiais que estão com a temperatura de 500ºC?
- a) Sim, mas nesta temperatura a chapa deve ser de metal.
- b) Não ocorrem mudanças de estado.
- c) Sim, nesta temperatura com a chapa de metal ou outros materiais.
- Justifique sua resposta.
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- 2) Em dias frios, é muito comum que se utilize a seguinte expressão: “vou vestir uma malha de lã para me aquecer”. Isso por que:
- a) a lã é um dos mais quentes tecidos conhecidos.
- b) a lã é um bom isolante térmico.
- c) a lã tem mais calor acumulado que outros tecidos.
- Justifique sua resposta.
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- 3) Considere dois picolés, um feito de leite e outro feito de água, recebendo quantidades iguais de calor. Se a capacidade térmica do picolé de leite é maioior do que a do picolé de água, podemos concluir que:
- a) o picolé de leite derrete mais rapidamente que o de água.
- b) o picolé de água derrete mais rapidamente que o de leite.
- c) o picolé de água e o de leite derretem com a mesma velocidade.
- Justifique sua resposta.
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Figura 1: Resultados da seleção das alternativas para a Questão I, onde a C é a correta. À esquerda, resultado para o 3ºTA, enquanto que, à direita, o resultado para o 3ºTB.
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Figura 2: Resultados da seleção das alternativas para a Questão II, onde a B é a correta. À esquerda, resultado para o 3ºTA, enquanto que, à direita, o resultado para o 3ºTB.
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Figura 3: Resultados da seleção das alternativas para a Questão III, onde a B é a correta. À esquerda, resultado para o 3ºTA, enquanto que, à direita, o resultado para o 3ºTB.
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Figura 4: Resultados da qualidade das respostas para a Questão I. À esquerda, resultado para o 3ºTA, enquanto que, à direita, o resultado para o 3ºTB. Notação: AFC - - Alternativa Fisicamente Correta; JE - - Justificativa Errada; IFE - - Interpretação Física Equivocada; SJ - - Sem Justificativa.
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Figura 5: Resultados da qualidade das respostas para a Questão II. À esquerda, resultado para o 3ºTA, enquanto que, à direita, o resultado para o 3ºTB. Notação: AFC - - Alternativa Fisicamente Correta; JE - - Justificativa Errada; IFE - - - Interpretação Física Equivocada; SJ - - Sem Justificativa.
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Figura 6: Resultados da qualidade das respostas para a Questão III. À esquerda, resultado para o 3ºTA, enquanto que, à direita, o resultado para o 3ºTB. Notação: AFC - - Alternativa Fisicamente Correta; JE - - Justificativa Errada; IFE - - - Interpretação Física Equivocada; SJ - - Sem Justificativa.
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Figura 7: Resultados do comparativo entre qualidade das respostas e a quantidade de acertos das questões de múltipla-escolha (alternativa correta), para a Questão I. À esquerda, resultado para o 3ºTA, enquanto que, à direita, o resultado para o 3ºTB. Notação: AC - - - Alternativa Correta; JC - Justificativa Correta.
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Figura 8: Resultados do comparativo entre qualidade das respostas e a quantidade de acertos das questões de múltipla-escolha (alternativa correta), para a Questão II. À esquerda, resultado para o 3ºTA, enquanto que, à direita, o resultado para o 3ºTB. Notação: AC - - - Alternativa Correta; JC - Justificativa Correta.
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Figura 9: Resultados do comparativo entre qualidade das respostas e a quantidade de acertos das questões de múltipla-a-escolha (alternativa correta), para a Questão III. À esquerda, resultado para o 3ºTA, enquanto que, à direita, o resultado para o 3ºTB. Notação: AC - - - Alternativa Correta; JC - Justificativa Correta.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.