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TRABALHANDO A IDÉIA DE UM CIENTISTA TENDO COMO BASE A FIGURA DE ALBERT EINSTEIN

Phamilla Gracielli Sousa Rodrigues, Sérgio Choiti Yamazaki

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVIII
Ano
2009
Data
29/01/2009
Linha de pesquisa
História, Filosofia E Sociologia Da Ciência E O Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## TRABALHANDO A IDÉIA DE UM CIENTISTA TENDO COMO BASE A FIGURA DE A ALBERT EINSTEIN

## Phamilla Gracielli Sousa Rodrigues 1 , S Sérgio Choiti Yamazaki 2

- 1 Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul , p\_hamilla@hotmail.com .
- 2 Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul , sergioyamazaki@uems.br .

## Resumo

Este artigo consiste num relato das experiências vividas pelos autores durante a efetivação do projeto "Quem foi Albert Einstein?", no qual se realizaram discussões sobre a vida e a obra de Einstein com alunos de terceceiros anos do Ensino Médio, da Escola Estadual Presidente Vargas, localizada no município de Dourados, no Estado de Mato Grosso do Sul. O Trabalho enfatiza a forma de educação recebida pelo cientista, o contexto social e econômico vivido pelo mesmo, o recononhecimento mundial, e a importância de suas obras. O projeto apresentou, como principal objetivo, levar o conhecimento de forma agradável, estimulando os participantes ao desejo pela busca de compreensão da Física, partindo do pressuposto de que Einstein pode representar muito bem um cientista. Em outras palavras, tínhamos em mente o desenvolvimento de uma motivação por parte dos alunos para estudos científicos posteriores. Procuramos caracterizar a figura de um cientista que não seja a de um "louco", comum m no imaginário dos estudantes. Neste sentido, na visualização de fatores biográficos, pretendemos provocar os alunos instigando-o-os para a busca de explicações plausíveis s aos sistemas científicos, elaboração de um caráter crítico e para o estudo e desenvolvivimento de competências chegando a soluções de variados problemas científicos. A A fim de que fosse possível alcançar tal objetivo, o projeto serviu-se de materiais e técnicas diferenciadas das vividas no cotidiano escolar, tais como: data show, filmes, documentários e discussões planejadas sob a ótica de Gaston Bachelard, como sugerida por Santos (1998). Os alunos demonstraram uma expressão de surpresa ao observar o esforço e a curiosidade do cientista para responder às suas ansiedades perante os fenômenos naturais e as respectivas explicações científicas, o que provocou interessantes discussões. Esta reação pareceu confirmar que durante o desenvolvimento das atividades, o estímulo e anseio pelo aprendizado em física por parte dos alunos, floresceram.

Palavras -c -chave: A Albert Einstein, conhecimento, caráter crítico.

## Introdução

Este trabalho consiste em um relato de experiências vividas por ministrantes de um Projeto de extensão, intitulado "Quem foi Albert Einstein?".

O objetivo do projeto foi o desenvolvimento , em estudantes de terceiros anos de Ensino Médio de uma escola pública de Mato Grosso do Sul, de motivação para estudo e compreensão das Ciências Físicas através da visualização de fatores biográficos d de um dos mais famosos cientistas da história da ciênciaia.

Percorrendo o contexto político, social e científico, no qual vivia Einstein, procuramos discorrer sobre o caráter crítico o das posições einstenianas e sua capacidade de chegar a soluções para variados problemas científicos.

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26 a 30 de Janeiro de 2009

- O objetivo em questão f foi i estimular os alunos de Ensino Médio para a busca de conhecimento ou até mesmo para realização de futuras pesquisas na área de Física, ocasionado pelo projeto de extensão.

Pretendíamos despertar os estudantes para a beleza das Ciências Físicas, ao explicar fenômenos naturais, mesmo que muitas vezes conflituosas ou contraintuitivas. Sendo a Física pouco compreendida, e por estar perdendo o seu valor aos olhos da sociedade, este projeto teve como inspiração o magnífico trabalho do Bachelard Fenomenólogo que, a nosso ver, nos instiga a procurar nas ciências, tal como nas artes, o oculto encanto por trás da criação.

## Metodologia e descrição do trabalho

As etapas para a execução do projeto consistitiram em três:

- 1. Estudo e preparação por parte dos integrantes, dos materiais para a prática, nos quais incluem tanto o conteúdo a ser abordado como o referencial teórico seguido;
- 2. Divulgação do projeto para os alunos dos terceiros anos de uma Escola Estadual de Dourados/MS e posterior inscrição dos mesmos com uma professora do quadro docente da instituição;
- 3. Execução das aulas na escola.

Na primeira etapa foi feito levantamento da biografia e do impacto da obra de Albert Einstein, em seus vários artigos científicos e não científicos. Após, através de leituras e discussões sobre a obra de Gaston Bachelard, elaboramos a estratégia de ensino, focada na sugestão bachelardiana de Santos (1998), que consiste em: levantamento das concepções prévias dos alunos (primeira fase, da psicanálise do conhecimento), desestruturação das mesmas (segunda fase) e, por último, a reconstrução das concepções (fase da psicossíntese).

A seguir, discutimos sobre os materiais e as técnicas de ensino a serem empregadas. Durante estas reuniões, optamos pelo uso dos seguintes materiais: data show w (dispoponibilizada pela escola), filmes e documentários que se relacionassem à biografia do cientista e aos conteúdos de Física Moderna , e pelo desenvolvimento de discussões sobre conteúdos instigantes que fundamentassem nossa opção pelo uso de um contexto apropriado para inspiração de pensamentos abstratos (fenomenologia de Bachelard).

Foram utilizados os documentários, "Equação da vida e da morte", dividida em seis partes; "a sinfonia inacabada de Albert Einstein", dividida em cinco partes, e os filmes, "A teoria do Amor", "O jovem Einstein" e "Contato".

Na segunda etapa, o momento da divulgação do projeto , j já se preocupou em estimular os alunos a participarem, fazendo breve demonstração de partes históricas e curiosas que seriam trabalhadas no projeto, informando que o curso seria agradável ao abordar o conteúdo através de metodologia de ensino na qual os alunos poderiam ter grande participação, sendo até centrais no desenvolvimento das discussões. Ao divulgar o curso dessa forma, tivemos bom retorno dos estudantes. Contudo, tínhamos a dificuldade de se trabalhar com muitos alunos, devido ao

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receio de que nossos objetivos pudessem ficar comprometidos. Portanto, fechamos as inscrições para somente trinta alunos.

Após este período, o projeto se iniciou e ocorreu nas tardes de sábado , sendo que, ao total, se consolidou em 12 semanas, de março a junho deste ano.

A terceira etapa se iniciou com o seguinte questionamento em sala de aula: quem foi Albert Einstein? O que ele fez? (Essa aula não foi incluída dentro das 12 semanas de execução do projeto). Em todas as outras aulas, tentamos seguir a seguinte seqüência: I) exposição de conteúdo sempre buscando, através de uso de power point t e projeção em data show, w, mostrar o avanço científico em alguma nova informação veiculada nos artigos de Einstein, ou as polêmicas causadas pelas opiniões desse cientista; II) Discussão do tópico abordado com os alunos; III) Intervalo para descanso; IV) Exposição de filme ou documentário referente ao mesmo assunto; V) Nova discussão para fechamento do tópico.

## Referencial Teórico

Influenciado pela teoria psicanalítica, quando insiste em usar o termo "psicanálise" e o "verbo", "psicanalisar", o pensador francês Gaston Bachelard, em sua fenomenologia, ousa ao contrariar o próprio criador desse paradigma ao afirmar que o ser humano nem sempre age conforme seus instintos ou repressões sexuais. Bachelard vai de encontro à teoria junguiana, aproximando-se da tese de que há momentos de pura percepção do imaginário. Esse momento, para Bachelard, , é um momento de grande felicidade.

Nesse sentido, criamos um ambiente agradável para que discussões pudessem florescer instigando o imaginário dos estudantes, mesmo que por breves instantes (BACHELARD, 2007). O uso de instrumentos como data show, w, filmes, documentários tiveram como objetivo principal a criação de um contexto no qual a imaginação pudesse ultrapassar barreiras do dia-a-dia.

Para a epistemologia de Gaston Bachelard, contudo, estudantes devem psicanalisar o conhecimento alternativo (descobrir os significados que atribui aos conceitos cotidianos) e posteriormente negá-lo, pensamento socializado através de sua Filosofia do Não (1978).

As discussões em sala de aula tiveram a intenção de provocar, nos estudantes de Ensino Médio, a reflexão sobre conceitos arraigados no imaginário, para que posteriormente haja a possibilidade de questionamentos pessoais e conflitos cognitivos. Essa estratégia é defendida pela pesquisadora Maria Eduarda Vaz Moniz dos Santos, em seu livro Mudança Conceptual em Sala de Aula (1998), obra na qual sugere, sob o olhar bachelardiano, o ensino através da seqüência "levantamento de concepções prévias", discussão e conseqüente "desestruturação das mesmas" e, por último, a "psicossíntese", ou reconstrução teórica, agora embasada por um corpo científico.

## Desenvolvimento e Resultados

## A visão sobre o cientista

De acordo com nosso levantamento (psicanálise do conhecimento), a grande maioria dos participantes sabia que Einstein foi um grande cientista, e que

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elaborou a Teoria da Relatividade, mas não sabia que ele tinha também contribuições em outras áreas da Física, como a tão chamativa Teoria Quântica. Os alunos ligavam o nome de Einstein à bomba atômica e a uma espécie de homem maluco que mostra sua língua às pessoas comuns.

A noção de que Einstein foi um gênio e um excepcional cientista, privilegiado por um cérebro inigualável foi visto com certa reserva por nós, ao mesmo tempo em que divulgávamos seu cotidiano, sua a biografia: um cientista de renome mundial, mas também um ser humano de vida social comum.

Quando apresentamos o material em slides com desenhos e fotos, não só procuramos divulgar r o cientista, mas também buscamos mostrar aos alunos uma nova visão que relacionasse seu nome com uma pessoa comum, que soube usar a inteligência e que era, sem dúvida, um curioso e insistente em suas convicções. A visão de que Einstein é sinônimo de "louco", como proferido pelos próprios estudantes , estava sendo abalada . Tínhamos em mente o uso da segunda fase proposta por Santos (1991): a fase da desestruturação. Nesta etapa, pretendíamos fazer com que os estudantes refletissem sobre suas concepções pessoais em detrimento da biografia desse cientista.

Foram apresentados slides sobre a biografia de Albert Einstein , buscando um linguajar mais acessível ao público-o-alvo, assim como filmes de ficção científica , e documentários , que fossem tornar o projeto um meio de adquirir conhecimento de maneira mais informal e descontraída possível.

Nessa perspectiva, nos próximos 12 parágrafos, faremos uma síníntese do que foi exposto aos alunos, para que se pudesse abalar a crença em um cientista como uma pessoa incomum, favorecida pela sorte.

Apresentamos aos alunos as dificuldades enfrentadas por Einstein, com 14o o seu tardio desenvolvimento da fala, que segundo Brian 14 , preocupou muito seus pais.

"Meus pais preocupavam-se por eu ter começado a falar relativamente tarde, e por isso consultaram um médico. Não sei dizer quantos anos eu tinha nessa época, mas estou certo de não ser menos que três..."

Foi também e exposta a infância de Einstein, que foi marcada por dificuldades . Por ser judeu, era diferenciado dos demais na sala de aula, e pelos pais estarem enfrentando dificuldades econômicas, tivera de se mudar diversas vezes. Buscavase aqui apresentar aos alunos , como até mesmo Albert Einstein era susceptível a estes fatos, podendo aqui ocorrer uma identificação com tal cientista, que poderia ser estímulo ao aluno em avançar nos estudos.

Pauline, sua mãe, o inseriu em aulas de violino, embora Einstein expressasse o seu descontentamento, as aulas persistiram sob coação. Logo mais, este descontentamento deu origem a uma afecção pela música e pela composição. Mais tarde, a música serviu de inspiração para a resolução de exercícios.

Durante a sua infância, seus p pais, n numa prática judia, recebiam uma vez por semana em sua residência, um estudante para almoçar: r: MaMax Talmud, estudante de medicina . Albert e ele discutiam filosofia e matemática, os últimos avanços científicos, de forma entusiasmada a e como se tivessem a mesma idade, o que despertou o olhar do ainda menino Einstein, para vários horizontes. Esse fato

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evidencia o contexto em que vivia o jovem Albert e incentiva a criação de grupos de estudos.

Ainda com relação a esse ponto, tatambém seu tio , Jacob, o introduziu desde criança nos cálculos algébricos, o ensinando de forma divertida a e dizendo a Einstein que a álgebra se comparava a um animal que estatamos caçando, cujo nome ainda é desconhecido, chamado x x, mas que no momento em que você o encontra, saberá o seu nome. Os alunos puderam perceber o valor que e tais discussões tiveram para Einstein, produzindo nele uma sede de investigação e ensinando a importância de questionar e buscar respostas para os mais diversos fenômenos com os quais se deparasse. Tomamos a liberdade de dizer que e esta atmosfera em que Einstein estava inserido o fez se apaixonar r pelo conhecimento. Aos 13 anos estava fascinado pela filosofia e a ciência, e sozinho estudava matemática superior.

No Ginásio seu professor de literatura, Herr Reuss, o ensinava sobre os mais famosos autores que acabaram tornando-s-se seus prediletos. O fato de estudar sem exigência de decorar qualquer conteúdo atraía Einstein e o incitava ainda mais ao conhecimento.

Aos 15 anos, os pais de Einstein, por dificuldades financeiras, tiveram que se mudar para Milão, na Itália, e Albert deveria continuar na Alemanha para o serviço militar. Sendo assim, o jovem passou a morar sozinho numa pensão, o que lhe provocou uma depressão. Ao visitar o médico, este lhe indicou que fosse morar com os pais, podendo sofrer um colapso nervoso se continuasse sozinho, Indicação esta que lhe provocou uma enorme alegria, já que se completasse 16 anos seria convidado para o serviço militar, do qual tinha aversão.

Ao reencontrar -se com seus pais, recebeu incentivo para fazer uma inscrição numa escola técnica para engenharia elétrica, e Einstein escolheu prestar numa instituição de reputação internacional, que não exigia a formação secundária. Mesmo havendo mergulhado nos estudos, e tendo notas excelentes em matemática e ciências, reprovou em Francês, Química e Biologia. Este fato foi capaz de mostrar aos alunos, que "mesmo um cientista" tem suas dificuldades em certas áreas.

Então, ele regressou ao ensino secundário e com o término, retornou a escola técnica, onde conheceu sua futura esposa, Mileva Maric, estudante de física, o que era atípico entre as mulheres na época.

Após concluir a formação, Einstein, ao contrário de todos os seus colegas, não fora designado como professor assistente, embora a faculdade estivesse desprovido de dois professores.

Com dificuldades financeiras, o jovem Einstein enviou propostas de trabalho a cientistas alemães, mas não alcançou resposta. Então, passou a ministrar aulas particulares. Foi quando seu amigo Marcel Grossmann, com pena, o ajudou a conseguir um emprego enviando recomendações dele a um Escritório de Patentes da Suíça. Neste meio tempo, foi convidado a substituir um professor em Shaffhausen, no norte da Suíça, numa classe com dois alunos que deveriam ser preparados para serem aprovados em matemática para adquirir o diploma; Einstein conquistou os alunos com seu humor e inteligência; acima de tudo, gostava de ensinar. As aulas eram realizadas com conversas, sem formalidades, onde se discutia a física, o que fez Solovine, um de seus alunos, observá-lo como um liberal. Para ensinar, ele buscava um meio de tornar aquilo que era abstrato facilmente compreensível.

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O grupo cresceu e a relação professor-aluno se tornara bem dinâmica, todos discutiam temas variados e liam muitos livros, instigando a procura de respostas a diversas questões. Stuart Mill, por exemplo, pergunta se "dois poderiam ser cinco em outro planeta", provocando grande estímulo para que cada integrante expusesse sua opinião, estendendo a conversa. Já os s alunos da escola no qual estávamos trabalhando o projeto, entenderam que Einstein, ao enfrentar todos os obstáculos através de motivação para o trabalho e para o estudo, servia de exemplo para eles próprios, pois não tinham o hábito de estudos diversos em grupo, a não ser aqueles obrigatórios exigidos pelos professores. Além disso, passaram a ver de forma diferente o ensino decorativo que predominava em muitas disciplinas, pois, como mostrara Einstein, o método pode ser estimulante, de forma que prenda a atenção do aluno através de discussões agradáveis.

Enfim, foi i trabalhada , nos alunos , a visão de um cientista como um ser humano comum, passível das mesmas condições sociais e econômicas que este grupo estava inserido, e que e ainda assim, trouxe uma novova visão para a Física Moderna.

Os estudantes ficaram entusiasmados pelo fato de que Einstein não fora um uma criança privilegiada com relação à riqueza econômica e que tivera inúmeras dificuldades sociais, mas soube enfrentá-las. Eles puderam visualizar suas particulares realidades, sociais e econômicas, permitindo uma projeção otimista para estudos futuros.

Os estudantes demonstraram -s -se satisfeitos após as apresentações e discussões sobre a vida de Einstein, pois saíram com a sensação de que, de nada deve adiantar uma genialidade sem esforço e um contexto apropriado (que pode ser criado por cada um) para se trabalhar. A crença no homem genial, que sem muito esforço, ganhou o maior prêmio dado a um cientista, foi abalada.

A fase da desestruturação, com relação o ao cientista, foi completada. Eles perceberam que para ser cientista depende de curiosidade e muita dedicação, e que esta realidade estava muito mais próxima deles do que imaginavam.

Ao mesmo tempo em que a visão que tinham de um cientista era desestabilizada, outra era construída em seu lugar, a de um cientista como um homem comum, mas curioso, dedicado, insistente. Uma nova visão de cientista foi construída.

## A visão sobre a obra do cientista

Os estudantes sabiam muito pouco sobre a obra de Einstein, somente faziam referência ao fato de ser algo extremamente complexo. Portanto, a fase da desestruturação não teve muito sentido, especificamente com relação à sua obra. Contudo, os alunos tinham aqueles conceitos básicos da física clássica, como o de simultaneidade, tempo, espaço e massa absolutos. A desestruturação dessa base foi uma experiência muito interessante.

Primeiramente, mostramos a importância da obra de Einstein, o que proporcionou curiosidade suficiente para que elaborassem interessantes questões sobre as razões sociais e políticas que tornam um conhecimento mais chamativo do que outro. Especificamente sobre a Teoria da Relatividade, há decisivas contribuições da mídia para que se tornasse popular, como manchetes de jornais como o The New York TiTimes, dos Estados Unidos, de grande impacto mundial.

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A Física de Einstein deixou os alunos ainda mais empolgados, pois se tratava de contribuições com resultados contra-intuitivos, como revelava os postulados da Relatividade Restrita e as conseqüências dos mesmos, como os vários conceitos que foram modificados - de absolutos tornaram-s-se relativos (simultaneidade, tempo, espaço entre outros). Da mesma forma, as contribuições de Einstein para a formação da Física Quântica, também causaram espanto, e muitos questionamentos foram feitos baseados na dualidade onda-partícula e no conceito de quantum de luz.

Alguns conceitos e interpretações, definidos e construídos pela Relatividade Geral também foram abordados, como o de espaço-o-tempo curvo, viagens no tetempo, e a publicação de Kurt Gödel, de 1949, através do qual mostrava que era possível viajar para o passado usando as equações da Teoria da Relatividade Geral, inicialmente contestada pelo próprio Einstein, mas depois aceita pelo mesmo. Também, para instigar a busca por maiores informações e pesquisas, abordamos a definição de buraco negro, as possibilidades de sua existência e as previsões de buracos de minhoca.

O filme "Contato", baseado no livro de Carl Sagan, mostra uma interessante experiência imaginária de uma viagem através de um buraco de minhoca, feita por uma personagem - uma cientista americana. Através de efeitos visuais intensos e maravilhosos, a cena prende a atenção, e as reações dos alunos são de esplêndida empolgação.

Que doido! (comentário de uma das alunas ao ver a cena da viagem pelo buraco de minhoca, no filme "Contato").

A existência de alguns elementos constituintes na Física, referentes ao universo, mesmo que muitas vezes baseadas na Relatividade Geral, não eram satisfatórias para o próprio Einstein, que tentou durante toda a sua vida terminar o que, talvez, ele chamaria de Teoria de Tudo. Einstein não aceitava a Física Quântica. Nesse contexto, a trajetória desse cientista é mostrada no documentário "A sinfonia inacabada de Albert Einstein", material trabalhado por nós em cinco partes, cada uma em um sábado.

Mas antes de acontecer essa discussão na comunidade científica, a Teoria da Relatividade Restrita, publicada em 1905, mostrava na entrelinhas que era possível teoricamente o desenvolvimento tecnológico de uma bomba atômica. Sua construção era uma questão de tempo. Em Los Alamos, deserto nos Estados Unidos, nunca foram reunidos tantos intelectuais, e esse ousado empreendimento teve sucesso. Entretanto, a humanidade presenciou algo desastroso, sua soltura em duas cidades japonesas. Essa história foi trabalhada principalmente com a ajuda do documentário "Einstein e sua equação de vida e de morte", separada para discussão em seis partes.

Esse assunto chamou muito a atenção dos alunos, pois entendem que bomba significa poder e, portanto, amedronta, inspira e os deixa ansiosos.

Toda a empolgação apresentada pelos alunos, possivelmente contribuirá para a formação científica de cada um, a relação entre o estudante e o objeto de estudo estava sendo modificada e, portanto, nova visão deverá ser construída. A fase da desestruturação de conceitos prévios pareceu estar em andamento, entretanto, é muito difícil saber até que ponto um curso de curta duração poderá balançar concepções alternativas. Mesmo assim, as questões que eles levantavam

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pareciam demonstrar que estavam preocupados com a consistência teórica de suas convicções, muitas aprendidas nas escolas de Ensino Básico.

Devido a esse fato, não houve especificamente uma fase da reconstrução, até pela impossibilidade de aplicação, quando não sabíamos quanto de concepções velhas permaneciam junto às novas.

No entanto, era notório o grande entusiasmo e satisfação dos alunos com a possibilidade de um novo conhecimento em área que eles julgavam tão difícil e inacessível pelas vias normais: o tradicional Ensino Básico.

Nesse sentido, alguns comentários, em diferentes momentos, foram feitos pelos alunos - - - reforçando nossas observações --, como:

Nossa, não sabia que a física era tão interessante!

Como esse cara pensou tudo isso?

Que coisa maluca é essa física quântica! a!

Uma das informações que causou certo impacto foi a de que este projeto não usaria cálculos ou equações matemáticas. Os alunos ficaram surpresos com a notícia, pois a visão que tinham da física era a de que se tratava de uma matéria provida de equações ininteligíveis que, "por serem muito complicadas", só diziam respeito aos cientistas.

Todo o contexto, no qual ocorreram as apresentações e discussões, foi planejejado para que fosse o mais agradável possível, pouca iluminação em certos momentos de apresentação, hora para lanche, café, liberdade para expressão e tempo ilimitado para todos para falarem sobre suas dúvidas, fazer comentários etc. Os documentários tinham em média a duração de 10 minutos, por aula, para que não se tornasse maçante. Os dois filmes assistidos na íntegra eram classificados como "comédia", e de fato, fizeram com que os alunos ficassem muito descontraídos. Do filme "Contado", apenas a viagem pepelo buraco de minhoca foi mostrado para posterior discussão.

Essa preocupação pelo ambiente para realização do projeto está embasada em interpretação de Yamazaki (1998) para o Bachelard fenomenólogo. Usando o termo Complexo Científico, o autor defende a ididéia de que a criatividade para o pensamento abstrato vem da possibilidade da criação de ambientes agradáveis. Assim, da mesma forma como o artista cria sua obra de arte, o estudante de ciências (e o cientista) pode também pensar o inimaginável para o cotidiano. É o momento da visualização do novo. Para Bachelard, nesse instante, o artista é feliz; para nós, nesse contexto, o aluno é que sente a felicidade.

Os filmes "A Teoria do Amor" e "O jovem Einstein" proporcionaram, aos participantes, descontraída aula sobre a fértil imaginação dos autores desses filmes. A intenção foi mostrar como Einstein inspira os mais diversos profissionais, mesmo não estando ligado diretamente às ciências. Em "A Teoria do Amor", Einstein já é famoso e tenta ajudar uma sobobrinha a perceber que a felicidade está além das equações matemáticas que tanto apreciava. Em "O jovem Einstein", o cientista é um jovem garoto que descobre a fórmula da cerveja, e vive intensas aventuras.

Com relação a esses filmes, tivemos como resultado um aumento da motivação dos alunos com relação a detalhes da vida e da obra de Einstein. As questões aumentaram e o olhar atencioso para as informações e para os ministrantes era extraordinário .

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## Considerações Finais

Com relação aos objetivos desse trabalho, o que se pode concluir é que os alunos ficaram muito motivados com as discussões que ocorreram. Sendo um projeto extracurricular e que foi realizado nas tardes de sábado, não era de se esperar que os alunos participassem do mesmo se não fosse a grande motivação e curiosidade adquiridas. Os alunos queriam respostas a muitas dúvidas que foram sendo construídas. Afinal, como afirmava Bachelard, todo conhecimento é uma resposta a uma pergunta.

Dos resultados mais significativos, este é o principal, pois dememonstra o potencial despertado nos alunos pela busca de conhecimento, ocorrendo até a decisão de alguns de prestar o vestibular para o curso de graduação em Física.

Na biografia de Einstein, eles verificaram diversos aspectos que o auxiliaram na sua formação; perceberam, por exemplo, o papel da música na mente de Einstein, a ponto de auxiliá-lo nas resoluções de exercícios, divulgando desta forma, a cultura aos alunos.

Os alunos puderam perceber como o contexto é importante para que a motivação seja criada e as dificuldades "eliminadas". As dificuldades financeiras e sociais de Einstein e o incentivo de seus familiares, professores e amigos na continuidade dos estudos, provocaram nestes alunos uma busca pela comparação com as suas realidades, já que a maioria dos presentes estava desestimulada em relação à física em particular.

## Referências

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- 2. BBC -Science Channel -Horizon -Einstein e sua equação de vida e morte. Parte 2. Documentário. Londres, sem data. Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=JsLflNnDaVo&feature=related Acesso em 10/02/2008.
- 3. BBC -Science Channel -Horizon -Einstein e sua equação de vida e morte. Parte 3. Documentário. Londres, sem data. Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=f34irDTvn2M&feature=related. Acesso em 10/02/2008.
- 4. BBC -Science Channel -Horizon -Einstein e sua equação de vida e morte. Parte 4. Documentário. Londres, sem data. Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=6v8hQk7m\_--0&feature=related. Acesso em 10/02/2008.
- 5. BBC -Science Channel -Horizon -Einstein e sua equação de vida e morte. Parte 5. Documentário. Londres, sem data. Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=ly0c -5Ia-Wo&feature=related. Acesso em 10/02/2008.
- 6. BBC -Science Channel -Horizon -Einstein e sua equação de vida e morte. Parte 6. Documentário. Londres, sem data. Disponível em

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http://www.youtube.com/watch?v=KmzS-S-RftAgQ&featature=related. Acesso em 10/02/2008.

- 7. Acesso em 10/02/2008BBC --Science Channel -Horizon - - - A Sinfonia inacabada de Albert Einstein. Parte 1. Documentário. Londres, sem data. Disponível em h http://www.youtube.com/watch?v=v4C7KaJ-1rA&feature=related . Acesso em 10/02/2008.
- 8. Acesso em 10/02/2008BBC --Science Channel -Horizon - - - A Sinfonia inacabada de Albert Einstein. Parte 2. Documentário. Londres, sem data. Disponível em . h http://www.youtube.com/watch?v=LbusZowdvsM&feature=related . Acesso em 10/02/2008.

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- 9. Acesso em 10/02/2008BBC -- Science Channel -Horizon - - - A Sinfonia inacabada de Albert Einstein. Parte 3. Documentário. Londres, sem data. Disponível em h http://www.youtube.com/watch?v=ycKuPQ8eL80&feature=related Acesso em 10/02/2008.
- 10. Acesso em 10/02/2008BBC --Science Channel -Horizon - - - A Sinfonia inacabada de Albert Einstein. Parte 4. Documentário. Londres, sem data. Disponível em h http://www.youtube.com/watch?v=z6zKrMRLbRw&feature=related . Acesso em 10/02/2008.

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- 22. YAMAZAKI, Sérgio Choiti. As resistências para a compreensão da Teoria da Relatividade Especial. M Mestrado. São Paulo: IFUSP/FEUSUSP, 1998.
- 23. ZEMECKIS, Robert. C Contato. Filme. Baseado no livro homônimo de Carl Sagan. EUA, 1997 .

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