TÓPICOS DE RADIAÇÃO NO ENSINO MÉDIO
Ronaldo Rodrigues Da Costa, Carla Maria Salgado Vidal Silva, Maria Marlúcia Freitas Santiago
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVIII
- Ano
- 2009
- Data
- 29/01/2009
- Linha de pesquisa
- Física Moderna E Contemporânea E A Atualização Curricular
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## TÓPICOS DE RADIAÇÃO NO ENSINO MÉDIO
## Ronaldo Rodrigues da Costa 1 , *Carla Maria Salgado Vidal Silva 1 , Maria Marlúcia Freitas Santiago 1
1 Univercidade Federal do Ceará,
ronaldo.dacosta@yahoo.com.br , carla@fisica.ufc.br, r, marlucia@fisica.ufc.br
## Resumo
A radiação está presente em diferentes aplicações no mundo moderno, principalmente em materiais radioativos utilizados na produção de energia e na medicina nuclear; mesmo em usos pacíficos estes materiais podem produzir danos à humanidade. É sob esse aspecto que se defende a idéia de inserir na escola Tópicos de Radiação, na forma de seminários, tendo como referencial l pedagógico, a idéia de promover uma aprendizagem significativa, enfocando diretrizes dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). Os resultados desse trabalho foram produzidos em duas etapas. Na primeira, foi aplicado um questionário para investigar o nível de conhecimento dos alunos a respeito da radiação e na segunda, foi ministrado um seminário a respeito do tema. Foi perguntado aos alunos sobre já ter ouvido a cerca de radiação, de acidente nuclear, de qualidade da radiação se boa ou má e da importâncicia de saber mais sobre radiação. O questionário foi aplicado em duas turmas do 3 o o ano do Ensino Médio da Escola D. Hilza Diogo de Oliveira e em três turmas do 2 o o ano e duas turmas do 3 o o ano, ambas do Ensino Médio da Escola Paulo Freire e os resultados foram interpretados considerando além do ano do aluno a diferença de sexo. Com o questionário aplicado pôde-se concluir que os alunos conhecem pouco a respeito do tema e mais de 80% acha importante saber mais sobre Radiação. Do seminário ministrado pôde-s-se obseservar motivação para conhecer o que foi exposto e a surpresa pelo caráter cotidiano da radiação, mostrando, assim, a necessidade de inserir, no Ensino Médio, tópicos sobre radiação.
Palavras -c
-chave: Radiação, Ensino Médio
## INTRODUÇÃO
Cada vez mais, lidamos com artefatos na nossa vida cotidiana que envolvem conceitos da Física Moderna. Aparelhos simples como microondas e celulares, exames de raios -x, além da energia nuclear, amplamente utilizada em muitos países e a medicina nuclear estão presentes rotineiramente. Nesse pensamento, o presente trabalho traz uma proposta de implementar na escola, sobretudo no Ensino Médio, o tema Radiação; não na grade curricular, de modo formal, mas como uma abordagem paralela ao conteúdo ministrado em sala de aula, pelo profes sor de Física buscando, sobretudo, estabelecer critérios básicos no educando: instigar, pesquisar e inferir conclusões acerca da temática, de forma a conscientizar e informar o aluno a respeito dos conceitos envolvendo radiação.
Essa abordagem consiste, por exemplo, em desenvolver ações como: intervenções pedagógicas e diagnósticas com a finalidade de medir o nível de conhecimento dos alunos, quanto às suas concepções espontâneas e/ou mudanças conceituais acerca do tema proposto, a Radiação; sendo, portantoto, a deixa para a
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http://www.sbf1.sbfisica.org.br/eventos/snef/xviii/
26 a 30 de Janeiro de 2009
implementação da Física Moderna, como conseqüência da prática. Despertar a curiosidade do estudante e ajudá-lo a reconhecer os fenômenos ligados à radiação, (natural e artificial), dar-lhe um suporte científico de modo a inseri-lo na realidade que o permeia, e melhorar sua compreensão das novas necessidades do mundo contemporâneo.
Abre -se, assim, uma idéia maior de se rever conceitos e, também, de se readequar conteúdos hoje trabalhados no Ensino Médio, acrescentando habilidades e competências exigidas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) (MEC, 2000), trazendo o aspecto da contextualização curricular como um critério que contemple a aprendizagem significativa (AUSUBEL, 1998; MORETO, 1999). Um acidente radioativo como o que ocorreu em Goiânia 1987 decorreu-se de uma completa falta de informação quanto aos perigos que algumas pessoas estiveram expostas (HELOU;0 COSTA NETO, 1995) .
Esse fato ilustra a real necessidade de se levar à comunidade informação acerca de radiação e seus efeitos. De uma forma geral, pode a escola assumir essa tarefa, pois assim, as informações seriam passadas de forma segura transcendendo às informações que o aluno obtém através de outros meios como revistas, jornais, internet etc. que, muitas vezes, são evasivas e deturpadas.
## DESCRIÇÃO DO TRABALHO DESENVOLVIDO
Nesse trabalho, defende-se a prática de relacionar o conteúdo aprendido na sala de aula com a vida cotidiana, ou seja, se radiação faz parte do cotidiano da vida moderna, por que não abordar o tema na escola? Paulo Freire, em 1979 fala das transformações da sociedade através da educação e, mais tarde (FREIRE, 1996) fala que os saberes são necessários à prática educativa. Piaget (2000) propõe uma revisão das metodologias de todo o ensino, a fim de adequar às às necessidades da sociedade.
Para atingir os objetivos propostos dividiu-se a metodologia em duas etapas. Inicialmente era importante saber se os alunos se interessavam pelo tema e quais seriam seus conhecimentos prévios; para alcançar essa primeira etapa aplicou-se um questionário. Na segunda etapa, propôs-s-se a realização de um seminário nas escolas para abordar tópicos de Radiação a fim de conscientizar os alunos sobre o caráter natural da Radiação, seus perigos e suas aplicações.
## Questionário aplicado
O questionário foi aplicado em duas Escolas de Ensino Fundamental e Médio (E.E.F.M.): Dona Hilza Diogo de Oliveira e Paulo Freire e não exigia que o aluno se identificasse com nome, apenas com série, turno e sexo e foi composto de 04 perguntas para que não f ficasse cansativo ou desestimulante para eles.
## Seminário ministrado
Apresentou-s-se um seminário, na E.E.F.M. Dona Hilza Diogo de Oliveira, que abordou os temas, radiação, tipos de emissão, efeitos da radiação, usos pacíficos da energia nuclear e usos bélicos os da energia nuclear; foi realizado em um dia de sábado, às 15 horas, com duração de cerca de 60 minutos, fora das atividades curriculares dos alunos.
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- O seminário não foi obrigatório nem contribuiu para a nota de qualquer disciplina, nem mesmo como ponto de participação; foram convidados alunos e comunidade. Após o mesmo, foi aberto um debate com a participação dos estudantes.
## RESULTADOS
Os resultados foram divididos em duas partes: uma relativa ao Questionário aplicado nas escolas E.E.F.M. Dona Hilza Diogo de Oliveira e Paulo Freire e outra referente ao Seminário ministrado, como proposta de inserir o tema Radiação no Ensino Médio, na E.E.F.M. Dona Hilza Diogo de Oliveira.
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## Questionário aplicado
- O questionário tinha como objetivo principal conhecer o nível de conhecimento dos alunos a respeito da radiação. Na primeira escola, a E.E.F.M. Dona Hilza Diogo de Oliveira, o questionário foi aplicado em duas turmas do 3 o ano totalizando 43 alunos, sendo 19 alunos do sexo masculino e 24 do sexo feminino. Na segunda escola, a E.E.F.M. Paulo Freire, o questionário foi aplicado em três turmas do 2 o ano totalizando 67 alunos, sendo 31 alunos do sexo masculino e 36 do sexo feminino e duas turmas do 3 o o ano totalizando 32 alunos, sendo 14 alunos do sexo masculino e 18 do sexo feminino.
- O questionário , com apenas 04 perguntas , foi analisado em todas as interpretações com os estudantes separados por sexo, uma vez que, existe a crença que os meninos se interessam mais por ciências exatas e é fato que poucas meninas fazem graduação em Física. Todas as interpretações também foram separadas em três categorias: alunos do 3o 3o o ano da Escola D. Hilza Diogo de Oliveira, alunos do 3 o o ano da Escola Paulo Freire e alunos do 2o 2o ano da Escola Paulo Freire; com este procedimento distingui-se o comportamento dos alunos do 2 o ano em relação aos do 3 o ano.
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## Pergunta 1
Na primeira pergunta foi questionado se o estudante já ouviu falar sobre Radiação; os resultados podem ser vistos nos diagramas da Figura 1.
No 3 o o ano da Escola D. Hilza Diogo de Oliveira 63% das meninas e 83% dos meninos já ouviram falar de radiação. No 3o 3o ano da Escola Paulo Freire mais meninos já ouviram falar sobre o tema; 71% dos meninos e 55% das meninas. O 2 o ano da Escola Paulo Freire apresenta um comportamento diferente do observado no 3 o ano, o percentual de meninas do 2 o o ano (64%) é maior do que o dos meninos (52%) como aconteceu com os alunos do 3 o Ano da Escola Hilza Diogo.
É importante observar que um elevado percentual de estudantes afirma ter ouvido falar de radiação, mas ao mesmo tempo, a maioria deles desconhece o que seja radiação.
## Pergunta 2
Na segunda pergunta questionou-se se o estudante já ouviu falar sobre acidentes nucleares; o resultado pode ser visto nos diagramas da Figura 2.
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Figura 01: : Se já ouviu falar em Radiação.
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Figura 02: Se já ouviu falar em acidentes nucleares.
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No 3 o o ano da Escola D. Hilza Diogo de Oliveira (63% dos meninos e 83% das meninas) e no 2 o o ano da Escola Paulo Freire (52% dos meninos e 64% das meninas) ouviram falar sobre acidente nuclear; portanto, o número de meninas que já ouviu falar sobre acidentes nucleares é maior do que o número de meninos. No 3o 3o ano da Escola Paulo Freire esse comportamento é inverso (71% dos meninos e 55% das meninas).
É interessante observar que existem estudantes que afirmam ter ouvido falar de testes nucleares e, ao mesmo tempo, afirmam nununca ter ouvido falar sobre Radiação; não associar a Radiação com testes nucleares, mostra desconhecimento sobre o assunto enfatizando a necessidade de informação sobre o tema.
## Pergunta 3
Na terceira pergunta questionou-s-se se a Radiação é boa ou má e os resultados podem ser vistos nos diagramas da Figura 3.
No 3 o Ano da Escola Paulo Freire observa -s -se um grande número de respostas em branco nessa questão (43% dos meninos e 39% das meninas) também no 2 o ano observou -s -se alto percentual de branco (55% dos meninos e 53% das meninas). Na Escola D. Hilza Diogo de Oliveira o número de respostas em branco é muito menor (11% dos meninos e 17% das meninas). Dos que responderam, o número de alunos que acha que a Radiação é má é maior do que o número de alunos que acha que a Radiação é boa. Surpreendente foi a resposta de 5% dos meninos e 29% das meninas do 3 o o ano da Escola D. Hliza Diogo de Oliveira que disseram, corretamente, que a Radiação pode ser boa e pode ser má.
## Pergunta 4
Na quarta pergunta questionou-se se o es tudante acha importante saber mais sobre Radiação; os resultados podem ser vistos nos diagramas da Figura 4.
Nas três salas de aula houve quase unanimidade em relação à importância de saber mais sobre a Radiação (89% dos meninos e 96% das meninas no 3o 3o o ano da Escola D. Hilza Diogo de Oliveira; 100% dos meninos e 94% das meninas no 3 o ano da Escola Paulo Freire; 81% dos meninos e 83% das meninas no 2 o o ano da Escola Paulo Freire).
## Seminário Ministrado
- O título do Seminário foi "Radiação. Amiga ou Inimiga?" e nele foram desenvolvidos temas como: conceitos sobre Radiação, tipos de emissão, efeitos da radiação, usos pacíficos da energia nuclear e usos bélicos da energia nuclear. Foram consultados Flôr (2005), Okuno et al. (1982), Tipler (1981) e Acosta et al. (1975), Martin (2006), Carbon (2006) .
Todos os estudantes que participaram do seminário gostaram do tema e afirmaram conhecer quase nada do que foi exposto, expressando surpresa pelo caráter cotidiano da radiação. No final do seminário, os estudantes estavam muito interessados pelo tema, permanecendo no local para perguntas e discussões; constatou -se uma mudança conceitual, isto é, os estudantes passaram a ter uma visão diferente e mais esclarecedora diante de suas concepções anteriores.
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Figura 03. Se a Radiação é boa ou má.
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não sabe/branco
não sabe/branco
não sabe/branco
Figura 04: A importância de saber mais sobre a Radiação.
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## CONCLUSÕES
Através das respostas do questionário aplicado, conclui-se que:
- · Mais de 50% dos estudantes afirmaram já ter ouvido falar de Radiação, mas afirmam não saber bem o que seja.
- · Mais de 50% dos estudantes afirmaram já ter ouvido falar de acidentes nucleares, mas alguns deles não associam testes nucleares à Radiação, o que mostra a necessidade de informação sobre o tema.
- · Quando perguntado se a Radiação é boa ou má, um grande percentual de estudantes deixou a questão em branco, mais uma vez mostrando a necessidade de esclarecimentos sobre o tema. Dos que responderam, a maioria afirmou que a Radiação é má. Surpreendente foi a resposta de 5% dos meninos e 29% das meninas da Escola D. Hilza de de Oliveira que disseram, corretamente, que a Radiação pode ser boa e/ou pode ser má.
- · Quando perguntado se o estudante acha importante saber mais sobre Radiação houve quase unanimidade, mais de 80% dos estudantes responderam que sim.
Do seminário ministrado, conclui-se que:
- · Todos os estudantes que participaram do seminário gostaram do tema e afirmaram não conhecer muito do que foi exposto, expressando surpresa pelo caráter cotidiano da radiação.
- · O seminário, mesmo em tão pouco tempo, deu uma contribuição importante motivando os alunos para o aprendizado deste novo tópico da Física.
Finalmente, conclui-se que há necessidade de inserir tópicos sobre radiação no Ensino Médio não somente pela larga aplicação em diferentes áreas no mundo moderno como pelo grande interesse demonstrado pelos alunos.
## Referências
ACOSTA, Virgílio; CAVAN, Clyde; GRAHAN, B.J. C Curso de Física Moderna. México: Harla. 1975 .
AUSUBEL, David.Educacional Psychology, a cognitive view. w. NY:Holt Rineart & Wiston, 1998.
CARBON, W. Max Nuclear Power. Ed. Pebble Beach Publishers. 2a. ed. 2006, 121p.
FLÔR, Rita de Cássia. Exposição ocupacional à radiação ionizante em ambiente hospitalar. Florianópolis: UFSC , 2005. 98 p. Dissertação - - - Programa de PósGraduação da Universidade Federal de Santa Catatarina, Santa Catarina, 2005.
FREIRE, Paulo . Educação e mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979. Coleção Educação e Comunicação. Vol. 1. 1979
FREIRE, Paulo . Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
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26 a 30 de Janeiro de 2009
HELOU, Suzan; COSTA NETO, Sebastião B Benício da . Césio -137: Conseqüências psicossociais do acidente de Goiânia. Ed. Universidade Federal de Goiás, 1995, 155p.
MARTIN, R. Brian . Nuclear and particles Physics. Ed. John Wiley & Sons, Ltd, 2006, 415p.
MEC 2000 Ministério da Educação, Parâmetros Curriculares Nacionais (Ensino Médio) Brasília, 2000. Disponível em: <http://www.mec.gov.br/seb/pdf/ciencian. pdf> Acesso em: 11 fev. 2008.
MORETO, Vasco Pedro. Construtivismo: a produção do conhecimento em aula. Rio de Janeiro: DP&A, 1999.
OKUNO, Emico.; CALDAS, Iderê.L.; CHOW, Cecil . Física para ciências biológicas e biomédicas. São Paulo: Harper & Row do Brasil,1982.
PIAGET, Jean . Para onde vai a educação? Rio de janeiro: José Olímpio, 2000.
TIPLER, A A. Paul . Física Moderna. Rio de Janeiro: Guanabara Dois. 1981 , 422p.
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