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A ELABORAÇÃO DE UM PÔSTER COMO MATERIAL DIDÁTICO PARA ABORDAR CONCEITOS DE PRODUÇÃO DE RAIOS X E RADIOPROTEÇÃO EM AULAS DE FÍSICA

Adão José De Souza, Mauro Sérgio Teixeira De Araújo.

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVIII
Ano
2009
Data
29/01/2009
Linha de pesquisa
Física Moderna E Contemporânea E A Atualização Curricular
Tipo
Pôster

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Texto completo

## A ELABORAÇÃO DE UM PÔSTER COMO MATERIAL DIDÁTICO PARA ABORDAR CONCEITOS DE PRODUÇÃO DE RAIOS X E RADIOPROTEÇÃO EM AULAS DE FÍSICA

Adão José de Souza a [adaoj@ig.com.br] Mauro Sérgio Teixeira de Araújo b [mstaraujo@uol.com.br]

a E. E. Prof. Licínio Carpinelli, Universidade Cruzeiro do Sul b Universidade Cruzeiro do Sul

## RESESUMO

Este trabalho retrata o resultado de uma pesquisa-ação realizada com alunos do Ensino Médio na na disciplina Física, , com objetivo de apropriação de conhecimentos significativos relacionados à produção de raios x e a radioproteção.

A metodologia utilizada fundamenta-se na Aprendizagem Significativa, no Educar pela Pesquisa, sendo empregado ainda o enfoque CTS (Ciência Tecnologia e Sociedade), contemplando aspectos da Aprendizagem Centrada em Eventos (ACE). Para isto, iniciamos com o levantamento de conhecimentos prévios dos alunos, seguindo com elementos educacionais considerados essenciais como a participação dos estudantes por intermédio da a elaboração o de pesquisisas em consultas a periódicos , relatórios, seminários, , exposição de cartazes e ferramentas das Novas Tecnologias da Informação e Comunicação (NTIC), finalizando com uma explanação concisa de raios x e radioproteção o numa unidade hospitalar, por meio de figuras escalonadas didaticamente em um pôster.

Esse conjunto de elementos didático-o-metodológicos constituiu uma alternativa satisfatória para se organizar e promover a aprendizagem, tendo como foco uma perspectiva CTS e uma concepção cidadã de Educação, desenvolvida paralelamente ao conteteúdo progogramático o apostilado e obrigatório o da disciplina Física a da a escola.

A metodologia empregada também contribuiu para que os estudantes compreendam conceitos científicos úteis para o entendimento de fenômenos naturais que apresentam implicaçações relevantntes para a sua vida, além da adequada contextualização dos conceitos físicos abordados, conforme preconizam as atuais orientações curriculares .

Analisando as respostas dos alunos obtidas no final da pesquisa por meio de questionários, constatamos que a aprprendizagem conceitual se efetivou, e propiciou algum nível de autonomia para os estudantes conforme norteado pelos PCN.

Os resultados indicam que o método empregado mostrou-u-se adequado e poderá ser utilizado para a abordagem de outros temas, , pois promoveu uma grande interação entre os alunos e o professor, possibilitando o intensos e ricos momentos de debates e reflexões, permitindo, conforme desejado, introduzir tópicos de Física Moderna e Contemporânea significativamente.

Palavras -chave: Metodologia de ensino, Física Moderna e Contemporânea, , raios x. x.

## 1.INTRODUÇÃO

Segundo Ostermann (2000), o número de publicações abordando conteúdos de Física Moderna e Contemporânea (FMC) disponível para os professores são fartos, embora a quantidade de pesquisas relacionadadas à implementação dedestes tópicos em sala de aula ainda seja escassa.

As salas de aula do Ensino Médio podem ser caracterizadas por conterem dezenas de jovens com interesses particulares diferenciados , com seus desejos e incertezas, muitas vezes não percebebendo a utilidade prática do que é ensinado na escola. Em geral os alunos que já passaram pelo

Ensino Fundamental são capazes de perceber as características do professor e reconhecer o tédio do trabalho repetitivo (PERRENOUD, 2000).

Este quadro desalentador que retrata em certa medida o pensamento dos alunos é constatado no trabalho de Pacubi e Benjamin (2001). Neste trabalho, os autores levam um livro paradidático para a sala de aula, abordando o tema energia e meio ambiente, e perguntam aos alunos se é impoportante estudar energia. A reposta afirmando que este assunto não tem nada a ver com suas vidas e o fato de outros alunos responderem com uma pergunta indagando se tal assunto é tema do vestibular revela o pensamento inadequado dos alunos. Esta postura indica que se não for a abordado um tema do vestibular, o interesse do aluno será nulo e, assim, eximem -se de qualquer responsabilidade ou trabalho de dedicar estudo ao tema proposto.

Silva e Pacca (2004) em sua pesquisa sobre a motivação dos alunos em aulas de Física constatam que na sala de aula encontram-m-se grupos impermeáveis de alunos. Estes alunos discutem temas como futebol, novela e namorados, obrigando o professor em meio à balbúrdia a falar para um ou dois interessados nas primeiras carteiras, passando a matéria na lousa e no final rubrica o caderno para apresentar como avaliação. O professor não consegue penetrar o mundo de interesses desses grupos fechados, infelizmente aparentando serem habitantes de mundos diferentes.

Entendendo que os problemas e didificuldades que afetam a Educação em geral são muitos, acreditamos ser relevante nos perguntararmos: Como inserir tópicos de Física Moderna e Contemporânea para alunos que normalmente apresentam forte resistência à aprendizagem em Física? Este quadro é agravavado quando consideramos que:

- a) As disciplinas de exatas demandam grande atenção e concentração;
- b) Segundo Perrenoud (2000), cada aluno vivencia a aula conforme seu humor e a disponibilidade do que ouve e compreende, de acordo com seus próprios recursos intelectuais;
- c) Nenhum professor trabalha apenas com alunos motivados.

Como conseqüência desses problemas, verifica-se um bloqueio dos alunos frente a essas disciplinas, sendo comum ouvirmos frases dizendo que não gostam de Física por se tratar de uma matéria difícil e sem utilidade prática.

Apesar desta concepção dos estudantes, é inegável que os avanços tecnológicos advindos da ciência Física estão presentes no dia -a-dia do aluno, seja em um chip de computador, seja ao tirar uma radiografia, situações propiciadas pelos avanços decorrentes da Física Moderna e Contemporânea a que abriu caminho para o uso de diversos dispositivos tecnológicos, como o laser, a leitura de códigos de barra óptica de produtos comprados em supermercados, os chips em c celulares, en entre outros aparatos tecnológicos frutos desse desenvolvimento (CANATO JÚNIOR, 2003) .

Os assuntos citados acima demonstram o quanto a FMC é atual e presente na vida do estudante, devendo, portanto, constituir um fator motivante e estimulante para a aprendizizagem de Física. Entretanto, a abordagem destes produtos da FMC continua distante da realidade vivida pelo aluno, contribuindo para uma maior rejeição do modelo de ensino vigente. Estes problemas se refletem em diversas situações, como, por exemplo, na pesqsquisa feita pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento da Economia) em 2007. Esta pesquisa apresenta o Brasil entre os quatro últimos lugares em um universo de 72 países, em que pese a pesquisa de CURI (2006) apontar que o bom desempenho na á área de exatas no Ensino Médio tende e a refletir em bons salários após ós seis anos de formação, quando tais alunos estiverem atuando no mercado de trabalho.

Em contrapartida, acreditamos que devemos recorrer às teorias de ensino e aprendizagem para buscar ele mentos que subsidiem uma proposta capaz de sinalizar caminhos diferentes. Neste sentido, a Teoria da Aprendizagem Significativa (TAS) de Ausubel e Novak (Ausubel, Novak e Hanesian, 1980, MOREIRA, 2006 p.13) aponta para um ensino que parta daquilo que o aluno já sabe, conforme se depreende da afirmação relacionada ao processo de aprendizagem dos estudantes:

O fator mais importante que influi na aprendizagem é aquilo que o aluno já sabe. Isto deve ser averiguado e o ensino deve depender desses dados.

Além disso, a TAS defende que sejam empregados materiais potencialmente significativos para o aprendiz e introdutórios, como organizadores prévios, para a aquisição de novos conhecimentos, com a intenção de estimular a aprendizagem. Assim, para que a aprendizagem seja significativa, o aluno deve perceber significado naquilo que está aprendendo, apropriando-o-se do mesmo em sua estrutura cognitiva.

Para que o aluno se aproprie significativamente é importante, segundo Pedro Demo (2003), que o professor seja um pesquisador na sua disciplina, sendo capaz de dar originalidade, um toque pessoal, fugindo de práticas desestimulantes. A postura do professor baseado nos preceitos de Demo facilita a aprendizagem pelos alunos e, neste sentido, encontramos respaldo na metodologia de ensino de Bagnato (1992), que aponta a postura original e irrequieta do professor ao lecionar Física e a excelente receptividade dos alunos, , conforme constatado no final de seu relato. o.

Portanto, tendo em mente os diversos aspectos apontados acima, desenvolvemos uma pesquisa com 30 alunos do 2º ano do EM, da rede particular de ensino, na qual investigamos algumas estratégias didáticas visando introduzir o tema produção de raios x, integrante da FMC, entendendo que o mesmo faz parte do contexto de vida do aluno. Para isto, empregamos uma abordagem contextualizada baseada no uso de materiais potencialmente significativos, incluindo textos científicos, buscando inclusive abordar os aspectos formais relacionados ao tema, finalizando com a exposição e explanação do pôster, contendo de forma concisa e encadeamento lógico, figuras e fotos da produção de raios x e a radioproteção.

## 2. Etapas do desenvolvimento do processo de intervenção

Ao longo do primeiro semestre de 2007 procuramos abordar em uma classe composta por 30 alunos do 2º ano do EM diversos temas, entre os quais: Notação Científica, Hidrostática, Vasos comunicantes, Teorema de Arquimedes, Termologia e Calorimetria, entre outros, buscando adotar uma postura docente baseada nos conceitos de Pedro Demo (2003), que enfatiza estar a razão educativa na habilidade de motivar os alunos, tornando as aulas interessantes e capazes de propiciar nos alunos a capacidade de reconstrução do seu próprio saber. Em seu conjunto, as atividades de intervenção fizeram parte e de uma pesquisa qualitativa com contornos de pesquisa-ação, sendo a prática pedagógica vivenciada neste processo pelo professor-pesquisador respaldada nas palavras de Andaloussi (2004, p. 140) ao afirmar que:

A pesquisa-a-ação é uma pedagogia de quem está se educando. Com ela os atores tornam se ativos na apropriação dos conhecimentos, contrariamente à pedagogia em que são encarados como simples receptores passivos.

Paralelamente à abordagem destes temas de Física Clássica , que faz parte do conteúdo programático do aluno, no início de abril aplicamos um questionário composto por dez questões com a intenção de mapear os conhecimentos prévios (subsunçores) dos estudantes, relacionados ao tema de raios x e às radiações do espectro eletromagnético buscando, assim, estabelecer as bases do trabalho a partir daquilo que o aluno já sabe (MOREIRA, 2006).

As questões versavam sobre o que é Tecnologia, solicitava explicações sobre o que são radiações, qual exame entre radiografia, tomografia computadorizada ou ultra-som om deveria ser utilizado por uma mulher grávida para diagnóstico e pedimos para explicar o porquê da indicação. Os alunos também foram questionados se já manusearam canetas com dispositivo a laser e se este equipamento poderia causar algum tipo de dano à sa úde, citando o dano.

Tendo em mente a estratégia de Aprendizagem Centrada em Eventos (ACE) (CRUZ, 2005), propusemos ainda questões relacionadas ao acidente com bronzeamento artificial relatado no Jornal Agora a de São Paulo, reportagem de e março de 2007 e pedimos para o aluno explicar o processo de

bronzeamento e quais os conceitos de Física que reconheciam no seu cotidiano. Naturalmente, além dessas questões, o questionário contemplava uma pergunta central que solicitava ao aluno responder se conhece algum parente ou colega ou até ele próprio que já quebrou um dos seus membros (braço, perna ou outro) e como foi o procedimento o hospitalar r para verificar a fratura.

Moreira e Masini (1982, p. 2) ao abordar o tema Aprendizagem Significativa apresenta uma frase que é representativa da teoria de Ausubel, relacionada ao aspecto motivacional e intencional que direciona nossas ações:

Se vou ver uma casa para comprar, percebo-o-a de modo diferente do que fosse lá para visitar amigos. O significado de ver só existe quando do há algo para ser visto.

Para Ausubel, a aprendizagem se torna significativa na medida em que há organização e interação daquilo que o aluno já sabe com a nova informação, de modo que os conceitos mais relevantes interagem com o material novo funcionando como uma ancoragem para que novas idéias sejam incorporadas na estrutura cognitiva do aprendiz. Para iniciar este processo de interação entre aquilo que o aluno já sabe com o material que foi elaborado e apresentado dialogicamente, orientamos os alunos , após responderem e se situarem com as questões sobre radiações, a pesquisarem cinco temas que deveriam, posteriormente, , ser apresentados para a classe. Os temas foram: Espectro eletromagnético, A Descoberta dos raios x, Radioterapia, Efeitos da radiação ultravioleta e Fontes naturais de radiação.Cada grupo de aluno ficou responsável por um assunto.

- O envolvimento dos alunos com as atividades de pesquisas propiciaram ações que contribuíram para que, no final, eles fornecessem respostas abrangentes sobre a produção de raios-x e radioproteção. o. A vivência do processo permitiu ainda o desenvolvimento de competências e a autonomia para a aprendizagem (LUZ, 2007).

As apresentações dos seminários proporcionaram aos grupos de alunos um momento de grande interação, , sendo realizadas com intervalos de dez a quinze minutos, seguidas de cinco minutos para perguntas. Esta etapa da intervenção demandou três aulas de cinqüenta minutos, onde foram mostrados cartazes, radiografias e fotos ilustrativas. Nas aulas subseqüente s prosseguimos abordando outros temas de Física Clássica, previstos no material apostilado dos alunos, procurando manter sempre como elemento norteador de nossas ações o conceito de Educar pela Pesquisa , defendido por Pedro Demo (2003).

Na medida em que cacada grupo de aluno buscou desenvolver argumentos relacionados com os dados levantados em sua pesquisa, constatamos que o processo em curso estava instigando o aprendiz a aprender por meio da descoberta do conteúdo pesquisado, sendo que a obrigação de apresentar os resultados para os demais colegas de turma tornou essa busca e descoberta potencialmente significante (MOREIRA, 2006). Cabe destacar que a aprendizagem por descoberta é um dos elementos que caracterizam a TAS.

Após termos feito o mapeamento dos subsunçores presentes nos alunos utilizando o primeiro questionário e a apresentação inicial dos grupos, orientamos os alunos a realizarem novas pesquisas objetivando a elaboração de uma síntese sobre o que é o Método Científico. Na primeira quinzena de junho o material produzido pelos estudantes foi recolhido e em uma aula procuramos dialogar e salientar a importância do cientista, de seus métodos e hipóteses de trabalho para analisar um fenômeno. Nesta etapa, explanamos pela primeira vez sobre a produção de raios x em uma unidade hospitalar, abordando ainda a radioproteção e a radiografia, abrindo caminho para as etapas seguintes da intervenção.

Constatamos aqui dois aspectos previstos na TAS, ou seja, a aprendizagem por descoberta quando o aluno buscou popor meio de pesquisas obter as informações necessárias e a aprendizagem por recepção, quando então coube ao professor discorrer sobre conceitos e informações importantes. Nas escolas normalmente predomina a aprendizagem por recepção, processo criticado pelolos defensores da aprendizagem por descoberta. Segundo Ausubel, a aprendizagem por descoberta pode ser adequada a certas finalidades, como aprendizagem de procedimentos científicos para aquisição de grandes corpos de conhecimentos, como estimulado nesta pes quisa (MOREIRA, 2006).

Na seqüência, procuramos estabelecer uma conexão com o material didático utilizado pelos alunos, o qual trata do tema Óptica Geométrica, fornecendo uma abordagem histórica sobre a busca dos cientistas para definir o que é a luz. Esta ta abordagem teve início na Grécia Antiga, passando pela contribuição dos Árabes e a explicação de partículas e formação do arco- o- íris por Newton. Na medida em que muitos fenômenos envolvendo a luz não podiam ser explicados adequadamente, cientistas como Huyghens, Young e Maxwell, lançaram novas idéias sobre a natureza da luz.

Como a luz visível e os raios x fazem parte do espectro eletromagnético, procuramos a partir das discussões realizadas em sala de aula e apoiadas nos resultados de pesquisas efetuadas pelos alunos, elaborar um diagrama temporal no quadro negro. Neste diagrama colocamos desde a Grécia Antiga até a atual concepção da dualidade onda -partícula os nomes de cada cientista e sua contribuição para a explicação da luz, sendo que a contribuição dada por cada cientista foi pesquisada pelos grupos de alunos. Assim, fez parte deste diagrama os pitagóricos e atomistas, os árabes, Isaac Newton, Rutherford e Albert Einsten, Christian Huyghens, James C. Maxwell, Hertz e Roentgen. No último balão deixamos propositalmente uma frase que deveria ser completada após a entrega da pesquisa, que dizia: "Definição de luz hoje é ...".

Em setembro discutimos amplamente sobre a natureza dual da luz, salientando que a Física é uma construção humana e que ao longo dos anos a tecnologia trouxe melhorias e comodidade para o ser humano. Enfatizamos também que em algumas situações ocorrem prejuízos sociais e ambientais, de modo que é importante que cada cidadão saiba se posicionar sobre as questões tecnológicas e científicas, possibilitando perceberem a importância da aprendizagem de conceitos científicos para a sua formação cidadã (KRASILCHIK, 2007), aspectos que também compõem os pressupostos do enfoque CTS (CRUZ, 2005) .

## 2.1 Elaboração de um pôster como recurso didático para abordagem do tema raio x

Dando continuidade ao trabalho, expomos para os alunos um recurso didático elaborado na forma de um pôster de 90 cm de largura e 120 cm de comprimento, mostrado na figura 1, que permitiu abordar diferentes conceitos relacionados com a produção de raios-x. Destacamos que o elétron ao receber energia salta para um nível energético maior, absorvendo um fóton de luz e ao retornar para um nível de menor energia ocorre emissão de um fóton de luz, capaz de estimular nosso órgão visual. l. Sob certas circunstâncias e com o uso de equipamentos adequados, salientamos que é possível produzir uma amplificação da luz, conhecida como laser (FELTRE, 1997).

Para ilustrar a produção da luz visível discutimos sobre as barras metálicas aquecidas, relacionando com o filamento da lâmpada de tungstênio, e discutimos o espectro eletromagnético (SILVA et al, 2000).

Com relação à formação dos raios x, procuramos salientar que os elétrons ao sofrerem desvio em sua trajetória em uma colisão com um alvo sofrem uma desaceleração que ocasiona a produção desse tipo de radiação. Deste modo, procuramos abordar aspectos relacionados com a ampola de raios x e a formação dos elétrons no catodo, a viagem dos elétrons até o alvo e a produção de raios x, bem como o esboçoço de uma pessoa sendo radiografada, a dose de radiação permitida para os trabalhadores em unidades hospitalares e o público em geral. Finalmente, destacamos os filmes utilizados para radiografia e detalhes do painel de controle onde o Técnico de raios x ajajusta as grandezas mA/s (miliampere por segundo), relacionada com a concentração dos elétrons no catodo e KV (quilovoltagem), responsável pela diferença de potencial que faz os elétrons serem acelerados até o anodo e na colisão produzir os raios x (NÓBREGA, 2006).

Buscamos na etapa seguinte destacar a radiografia das mãos e uma figura do DNA, que pode sofrer mutações ao ser atravessado por raios x, bem como uma foto de uma pessoa radiografando a medula óssea (SILVA et al, 2000), abordando os riscos envolvidos na exposição à esse tipo de radiação.

No que concerne à proteção radiológica, destacamos os equipamentos impregnados de chumbo (NÓBREGA, 2006), além dos equipamentos de medição dos raios x, Geiger Muller e dosímetro (FELTRE, 1997), fundamentais para prproteger os indivíduos que sistematicamente ficam expostos a ambientes onde são produzidos os raios x.

FIGURA 1: Material didático na forma de pôster utilizado em sala de aula.

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Durante o processo de interação com os alunos explicamos passo a passo à prododução de raios x em uma unidade hospitalar, o trabalho do técnico de raios x, os meios de proteção e os danos que a radiação pode causar nas células.

As perguntas feitas pelos alunos, entre as quais, se alguém com aparelho metálico poderia submeter -se à radiação x, foram prontamente esclarecidas, sendo discutido que o exame de ressonância magnética não pode ser feito por pessoas portando objetos metálicos e que no caso dos raios x haveria uma interação com o metal e resultaria em partes mais claras no filme. Cabe destacar que neste momento um aluno lembrou da mão da esposa de Roentgen ao deixar-r-se radiografar e no filme apareceu à aliança no seu dedo anular, nas partes claras s da radiografia .

Na segunda quinzena de setembro procuramos averiguar se em alguma medida havia ocorrido a aprendizagem dos conceitos abordados, relacionados com a produção de raios x. Procuramos averiguar se o aluno estabelece um encadeamento de idéias, tendo por base uma idéia precedente (MOREIRA, 2006).

- O método aplicado na averigua ção da aprendizagem consistiu no uso de um segundo questionário, denominado questionário-o-prova, composto por dez questões, sendo seis dissertativas, onde o aluno foi instigado a responder como vivenciou cada etapa da pesquisa e a opinar sobre a metodologia de ensino de Física que empregamos. Outras questões buscaram ressaltar como foi a participação do aluno ao trabalhar no grupo de pesquisa, como ele compreendeu os conceitos físicos abordados e como ele situa o ensino de ciências na escola com o seu cotidiano.

As quatro perguntas restantes versaram sobre os temas abordados durante a pesquisa e demandavam uma resposta conclusiva e direta. As perguntas exigiam explicações abrangentes de como funciona o rádio e a telefonia celular, o funcionamento do laser e a explicação atual da natureza da luz, além da pergunta central para os objetivos desta pesquisa e que exigia uma explicação detalhada da produção de raios x, da formação de imagem e da radioproteção em uma unidade hospitalar. Em virtude da complexidade do o questionário, os alunos precisaram de sessenta e cinco minutos, quinze minutos além do horário da aula normal. l.

## 2.2 A ababordagem do tema a radiação por meio da ACE: os problemas detectados em centros de raio x e o o incidente com bronzeamento artificial

Contemplando o enfoque CTS (CRUZ, 2005), trouxemos para a sala de aula dois recortes do JoJornal Agora , de São Paulo, um de 30 de março de 2007 que traz a reportagem de uma jovem que entrou em coma após uma sessão de bronzeamento artificial, tema levantado nos dois questionários, e o outro jornal datado de 24 de setembro de 2007, que trouxe como manchete "C"Centros de raio x de SP têm série de problemas ", mostrando um aparelho de raio x em desuso, salas sem avisos que o local tem radiação e contrato da prefeitura mal l elaborado com uma determinada empresa, além de cifras milionárias cobradas da prefeitura por diagnósticos por imagens não efetuados.

Este material de apoio serviu de base para que pudéssemos empregar a Aprendizagem Centrada em Eventos (ACE), método também utilizado por Cruz e Zylberstajn (2005) e que permite conectar a abordagem dos temas desejados com eventos relevantes ocorridos na sociedade, aproximando a abordagem de temas científicos da realidade social dos estudantes.

Após a leitura efetuada pelos alunos iniciamos um extenso debate, abrindo caminho para importantes reflexões sobre os dois artigos, discutindo sobre a cidadania e o direito de ressarcimento por parte da jovem senhora após a sessão de bronzeamento artificial. No artigo que apresentou o desuso do aparelho de raio x, notamos a satisfação dos alunos em debater um tema sobre o qual já t tinham conhecimentos, sendo o fator preocupante apontado a falta de sinalização no local, quando então os alunos afirmararam prontamente que havia falta do trifólólio (sinalizador de local com radiações) , apresentado do e discutido o ao longo do processo de intervenção. Sobre as cifras exorbitantes cobradas da prefeitura pela empresa, os alunos citaram que o dinheiro era proveniente do povo e que, portanto, deveria ser memelhor empregado.

## 3. Análise e discussão dos resultados obtidos.

No primeiro questionário apresentado aos alunos visando mapear os seus subsunçores, observamos que para 28 alunos a resposta sobre o que é Tecnologia versou sobre modernidade, inovações e aplicações dos conhecimentos científicos, demonstrando um certo grau de alfabetização científica quanto a este tema. Sobre a existência de fonte de radiações em suas casas, 98 % respondeu que elas estão presentes nos microondas, celular ou nos dois juntos. QuQuando perguntado sobre qual tipo de diagnóstico por imagem, m, uma mulher grávida deve se submeter, 100 % responderam ultra-a-som em detrimento da radioterapia e radiografia, embora sem saber explicar o porquê da escolha. A questão sobre o dispositivo laser na caneta e o possível dano a saúde mostrou que para 64% dos alunos o dano para a saúde decorrente do mau uso deste dispositivo era danificar

ou prejudicar a visão, sendo que os outros responderam apenas radioatividade e não souberam responder adequadamente sobre os possíveis danos.

As respostas sobre radioterapia foram difusas e predominou a concepção que seu uso destinava -se para tratar câncer e 5 % falalaram que eram ondas " magnéticas".

A questão central que argumentava sobre um acidente com fratura e como o seria o procedimento médico teve 100 % de respostas relacionadas ao uso de diagnóstico por raios x, sendo que 30 % completaram que tinha que enfaixar o braço. Este alto percentual de acerto mostra que este tipo de diagnóstico encontra-se bastante difundido na sociedade. Entretanto, questionados sobre os procedimentos de como é produzido o raio x na unidade hospitalar, constatamos que nenhum aluno sabia como isto se dava, apesar do tema raio x poder ser considerado, em certa medida, como um subsunçor em sua a estrutura cognitiva.

Na etapa da intervenção onde propusemos aos alunos a realização de pesquisas e apresentação de seminários, , onde separamos os grupos por afinidades , constatamos uma certa timidez até por parte dos alunos considerados extrovertidos ou brincalhões, superada após os momentos iniciais onde cada aluno era responsável por uma parte da apresentação. As perguntas emitidas pelos alunos ouvintes, após a explanação do grupo, foram sempre estimuladas e mostraram-m-se pertinentes, abrindo espaço para a que durante as interações com o professor este pudesse contribuir para o esclarecimento de eventuais dúvidas.

A pesquisa feita sobre o Método Científico, cujos resultados serviriam de base para uma aula expositiva seguida de um amplo debate, demonstrou a a habilidade que os alunos têm com as NTIC, pois 95 % trouxeram o material digitado e com uma síntese no final solicitada pelo professor, enquanto apenas 5% trouxeram manuscrito. Na construção do diagrama sobre os cientistas e suas contribuições para o conhehecimento da natureza da luz, verificamos que as pesquisas foram feitas tendo por base os sites Google e Wikipédia. Buscando complementar esta etapa, utilizamos o laboratório de informática para fazer simulações e animações com a luz nos sites RIVED, portal l do governo, e no portal utilizado pela própria instituição de ensino.

No segundo questionário, destinado a averiguar a aprendizagem dos alunos quanto ao tema radiações, podemos destacar algumas falas dos alunos que demonstraram consciência e apropriação de muitos dos conceitos abordados, conforme reproduzido abaixo:

Aluno 1: O raio x é produzido numa unidade hospitalar, os elétrons são acelerados por alta voltagem, colide com um alvo e produz o raio x.

Aluno 2: A forma de proteção do raio x nos hospitais é através de aventais impregnados de chumbo, pois o chumbo retira a energia do raio x.

Aluno 3: O aparelho que mede a radiação é o dosímetro.

- Aluna 4: Temos partes claras e escuras porque o raio-X interage com substâncias com maior densidade, nesse caso, o osso impede de chegar na chapa. Nos outros órgãos os raios-X passam diretos e fica escuro na radiografia (chapa).

Aluno 5: Numa unidade hospitalar, os elétrons são acelerados por alta voltagem, colide com o alvo e formam os raios x.

Aluna 6: Proteção: uso de avental chumbado. Aparelho: dosímetro. Claras e escuras: os raios -X interagem com substância de maior densidade.

Estas afirmações, entre muitas outras obtidas, nos permitem afirmar que os alunos participaram atentamente das atividades propostas e foram capazes de construir uma satisfatória base de conhecimentos acerca da produção do raio x e da radioproteção.

## Considerações Finais

A introdução de tópicos de FMC para alunos do EM é respaldada pelos PCN e por diversos pesquisadores, havendo uma vavariedade de livros voltados para professores. Entretanto, em geral nos

livros didáticos estes tópicos aparecem apenas em seu final e devido ao número reduzido de aulas de Física, este tema acaba não sendo abordado ou é abordado em um momento emocional inadedequado próximo ao final de ano, o que torna o material didático pouco útil a esse respeito . Aliado a este fato pode-se afirmar que problemas relacionados ao grande núnúmero o de professores de área distinta a de Física, lecionarem esta disciplina sem o devido preparo quanto a FMC, fator que contribui para a má formação dos professores que atuam no EM, também dificultam ou impedem que temas relacionados à FMC sejam abordados no Ensino Médio.

Nesta pesquisa de intervenção buscamos abordar de maneira integrada ao ensino de Física Clássica o tema da FMC, enfocando os raios x durante o ano letivo de 2007. Constatamos uma expressiva cooperação e envolvimento da maioria dos alunos e concordamos com Máximo e Alvarenga (1997) ao afirmar que o estudo da Física Clássica dedeve ser complementar ao da FMC, pois ambos se completam, sendo que a primeira está mais próxima do mundo real do aprendiz e a FMC trata de assuntos "invisíveis aos olhos" como, por exemplo, os raios x.

Entendemos que a metodologia e as estratégias de ensino empregadas nesta pesquisa podem ser utilizadas para abordar outros temas da FMC, possibilitando ainda contemplar abordagens interdisciplinares, pois não obstrui o conteúdo programático da disciplina.

Pela habilidade demonstrada pelos alunos com as NTIC, salientamos que o uso de softwares de produção de raios x x podem ser produzidos em formas de animação ou simulação que terão expressiva receptividade dos alunos, além é claro de ser um material potencialmente significativo , acreditamos também que outros tópicos da FMC como Supercondutividade e outros podem ser abordados em aulas s do EM, por intermédio de pôster como o descrito aqui, ampliando o assim, , o leque de possibilidades na abordagem destes temas na educação básica.

Ressaltamos também que por meio de de abordagens contextualizadas e interdisciplinares, sob o enfoque CTS, acreditamos que a maioria dos alunos do Ensino Médio poderá valorizar cada vez mais a disciplina Física. Portanto, na medida em que a Física seja apresentada de maneira acessível à comprpreensão de todos, é possível que alguns estudantes inclusive considerem a possibilidade de seguir carreiras profissionais que empreguem corriqueiramente os conceitos físicos.

O enfoque CTS envolve um conjunto de estratégias que inclui jogos de simulação, fóruns, debates, projetos individuais e de grupo, realização de pesquisasas, palestrantes convidados e ação comunitária, apontando, portanto, um campo amplo de atuação envolvendo os alunos (CRUZ, 2005). Neste sentido, procuramos desenvolver diferentes ações pedagógicas, visando estimular e atingir adequadamente o maior número possível de estudantes.

Esperemos que as contribuições educacionais decorrentes das intervenções realizadas em sala de aula como as aqui descritas abram novos focos de discussão e sinalilizem outros caminhos de investigação que permitam oferecer aos professores oportunidades para utilizarem metodologias alternativas de ensino de Física. Com isto, esperamos que os alunos vivenciem um processo enriquecedor de aprendizagem que contribua para a sua formação cidadã (KRASILCHIK, 2007).

Para finalizar, vale destacar que após a abordagem temática que efetuamos, um aluno participante desta pesquisa relatou seu interesse em se tornar um físico, atraído pelo clima envolvente das aulas e que mostrou a importância dos conceitos científicos para a compreensão dos fenômenos naturais e também para o entendimento dos aparatos tecnológicos que afetam nossa vida cotidiana. Naturalmente, este fato sinaliza mais um resultado interessante do trabalho realizado.

## REFERÊNCIASBIBLIOGRÁFICAS

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AUSUBEL, D.; NOVAK, J.; HANESIAN, H. Psicologia educacional. Editora Interamericana. Rio de Janeiro, RJ, J, 1980.

BAGNATO, V; BARREIRO, A. C. M.; Aulas demonstrativas nos cursos básicos de Física. Cad. Catarinense Ensino de Física, v. 9, n.3, p. 238-8-244, 1992.

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