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As inquietações dos leitores e as reportagens de divulgação científica: possíveis contribuições para o ensino de física

Greice De Oliveira Alves, Karina Pavanelli, Renata A. Ribeiro

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVIII
Ano
2009
Data
29/01/2009
Linha de pesquisa
Divulgação Científica E Comunicação No Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## AS INQUIETAÇÕES DOS ÃÍLEITORES E AS REPORTAGENS DE Ç DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA: POSSÍVEIS CONTRIBUIÇÕES PARA O ENSINO DE FÍSICA

Greice de Oliveira Alves 1 , Karina Pavanelli 2 , Renata A. Ribeiro 3

1 Instituto de Física da USP, greice.alves@usp.br

- 2

Instituto de Física da USP, karina.pavanelli@usp.br 3

Instituto de Física da USP, rribeiro@if.usp.br

## Resumo

A proposta de e utilização de materiais de divulgação cicientífica nas aulas de física tem originado diferentes investigações e iniciativas. Dentre as discussões relativas ao potencial pedagógico da divulgação e sua implicação para o ensino de física, algumas pesquisas apontam que os diversos meios, como, por exemplo, diferentes revistas de divulgação científica, apresentam materiais com características também diferentes. Assim, caracterizar os materiais de determinadas revistas, identificando suas especificidades, pode ser um ponto de partida importante para a proposição de formas de utilização desses materiais em ambientes de educação formal. Nessa perspectiva, apresentamos, nesse trabalho, uma caracterização das perguntas de leitores e das reportagens sobre temas de física presentes em uma publicação de divulgação científica (ReRevista Ciência Hoje). Buscamos investigar quais são as temáticas abordadas tanto nas perguntas, que consideramos estarem refletindo os interesses e as curiosidades do público leitor, quanto nas reportagens, ao longo do período 2000-2007. Verificamos que, enquanto a maioria das inquietações dos leitores está relacionada a conteúdos de física básisica (como mecânica, eletromagnetismo, termodinâmica, óptica etc.), com abordagens relacionadas a situações e/ou observações do cotidiano, as temáticas presentes nas reportagens são relativas, em boa parte, a temas de física moderna (partículas, nuclear, quântica, materiais etc.) com ênfase no desenvolvimento de novas tecnologias e novos materiais. Esse olhar para as temáticas possibilitou uma reflexão sobre as potencialidades de uso desse tipo de material no contexto escolar, na perspectiva de sua contribuição para a construção de um conhecimento em física atualizado e mais contextualizado. Este estudo integra um projeto mais amplo, no qual se pretende construir exemplares de atividades com textos de divulgação, visando explorar as potencialidades educacionais que esses materiais oferecem.

Palavras -c -chave: divulgação científica, Ciência Hoje, ensino de física

## Introdução

Discussões recentes, na área de pesquisa em ensino de ciências, têm apontado que a utilização de materiais de divulgação científica em ambientes de educação formal pode favorecer o desenvolvimento de novos sentidos para o processo de ensino-aprendizagem de ciências e proporcionar ao aluno o contato com diferentes linguagens e discursos, motivando-o e gerando interesse pelo conhecimento científico (SILVA & CRUZ, 2004). Esses materiais, de acordo com algumas pesquisas, também contribuem para a introdução, em ambiente de educação formal, de temas contemporâneos de forma a possibilitar novas abordagens nas aulas de física (SALÉM & KAWAMURA, 1996; ASSIS & TEIXEIRA, 2003). Essas discussões afloram como reflexo de novas tendências curriculares, assim como de novas concepções sobre o ensino de física e sobre a educação

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26 a 30 de Janeiro de 2009

científica. Tais concepções apontam para a necessidade de renovação dos conteúdos culturais escolares e para a elaboração de metodologias as quais possibilitem o desenvolvimento também cultural dos estudantes, contemplem uma educação para a cidadania e propiciem, no que diz respeito ao conhecimento científico, uma reflexão sobre os valores associados à ciência, às suas motivações e suas conseqüências em nossa sociedade.

Além disso, essas discussões têm originado diferentes investigações e iniciativas, pautadas por intenções e objetivos variados, tais como o levantamento das possibilidades de uso de materiais de divulgação no ambiente de sala de aula (CHAVES et al, 2001; ALMEIDA & SILVA, A, 1998), a introdução de novos conteúdos e abordagens no ensino de física (ALVETTI, 1999; NASCIMENTO & ALVETTI, 2006); o desenvolvimento da prática de leitura e Óe interpretação de textos veiculados pela ppçp mídia (ALMEIDA & RICÓN, 1993; ANDRADE & MARTINS, 2004) a promoção de mudança conceitual; a complementação dos materiais didáticos; o desenvolvimento de um olhar crítico para os meios de comunicação (SANTOS, 2001; RIBEIRO, 2007); a aproximação entre a ciência escolar e aquela veiculada pela mídia etc. Também podemos observar nessas pesquisas situadas na interface divulgação, educação e ensino de física uma preocupação, embora ainda tímida, com a natureza desses materiais de divulgação, tanto em relação aos seus conteúdos (temática, inter-relação de saberes, contexto etc.), quanto em relação às linguagens, abordagens e ênfases dadas aos temas de ciência e tecnologia pelos meios de comunicação (AIRES et al, 2003; SILVA & & CRUZ, 2004; RIBEIRO & KAWAMURA, 2005). É nesta perspectiva que esse trabalho se insere.

Para lidar com a diversidade de temas presentes nos materiais de divulgação, tendo em vista a sua utilização nas aulas de física, torna-s-se necessário, inicialmente, criar maneiras de reunir, sistematizar e caracterizar esses materiais, de forma a torná -los acessíveis e a possibilitar a elaboração de estratégias para a sua utilização em sala de aula. Nesse trabalho, procuramos realizar uma caracterização das perguntas de de leitores e das reportagens presentes na revista Ciência Hoje 1 , de forma a verificar quais os temas de física que são abordados tanto nas inquietações dos leitores quanto nas reportagens publicadas neste periódico. Buscamos construir uma caracterização de e forma a tornar possível uma comparação entre a distribuição temática das perguntas que os leitores encaminham à revista, o que sinaliza interesses e expectativas, com a das reportagens pautadas pela revista. A idéia desse estudo é contribuir para a construção de elementos que orientem o professor para a utilização desses materiais em sala de aula.

## 1. As inquietações dos leitores

Em grande parte das publicações de divulgação científica encontramos uma seção destinada às perguntas que os leitores encaminham à redação. Na revista Ciência Hoje, essa seção é intitulada "O leitor pergunta". Inicialmente, realizamos um levantamento das perguntas presentes nessa seção, relativas a conteúdos de física, no período de 2000 a 2007. No total, foram selecionadas e analisadas 101 perguntas relacionadas a temas de física.

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A estratégia de análise utilizada baseou-se na análise de conteúdo, partindo da leitura de todas as perguntas e da caracterização do assunto ou tema abordado, assim como da natureza da questão colocada. Foram estabelecidos dois conjuntos distintos e complementares de categorias, que demarcaram duas abordagens de análise diferentes. No primeiro, as categorias (de análise) foram estabelecidas externamente, tomando como referência as áreas amplamente reconhecidas como organizativas do conhecimento da Física. No entanto, uma vez que muitas perguntas envolviam temas de interesse específico, para além da delimitação nas áreas físicas, procuramos estabelecer outro tipo de análise, que pudesse contemplar aspectos interdisciplinares, dado o potencial que essa dimensão pode eventualmente vir a assumir no ensino. Assim, em um segundo momento, buscamos estabelecer, a partir do próprio material, novas categorias (de síntese), com potencial para descrever esses aspectos, que foram denominados de temas transversais . Cada pergunta foi, então, classificada nas categorias temáticas apropriadas, procedendo-s-se, em seguida, a uma análise quantitativa da distribuição por categorias. Essa mesma estratégia foi também adotada, paralelamente, para a análise das reportagens, permitindo a comparação dos resultados entre perguntas e reportagens.

As perguntas foram agrupadas de acordo com o seu conteúdo, a princípio, em três grandes áreas temáticas: Física Básica, Física Moderna e Física a de Fronteiras. Em cada uma dessas grandes áreas, cada pergunta foi classificada segundo temas específicos. É importante ressaltar que os conteúdos de física delimitados nas áreas temáticas "Física Básica" e "Física Moderna" foram estruturados de maneira s emelhante a como o conhecimento em física é organizado formalmente nos livros e manuais didáticos. Essa escolha foi feita tendo em vista a possibilidade de se inserir materiais de divulgação como recurso didático mesmo em currículos tradicionais. Já em "Físísica de Fronteira", foram abarcados os conteúdos não tradicionalmente incluídos como conhecimentos de física, mas relacionados a esta ciência.

Tabela 1: Distribuição dos temas referentes às perguntas dos leitores

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Gráfico(s) 1: Distribuição dos conteúdos de física das perguntas em temas

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Além dessa primeira classificação, as perguntas dos leitores também foram agrupadas de acordo com unidades temáticas cujos conteúdos são mais abrangentes que aqueles delimitados anteriormente, em cada uma das grandes áreas. Essa segunda classificação busca compreender as sobreposições e interrelações entre os conteúdos de física, enfatizando as intersecções e relações do conhecimento físico com outras áreas do conhecimento. Denominamos esta área temática como "temas transversais". É importante ressaltar que apenas 32% das questões analisadas contemplam essa transversalidade.

Tabela 2: Distribuição dos temas transversais refererentes às perguntas dos leitoresGráfico 2: Distribuição dos conteúdos das perguntas em temas s transversais

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As perguntas apresentam abordagens variadas, abrangendo questões conceituais, como "O que é aurora austral?", "Satélites têm luz própria ou apenas refletem a luz proveniente de estrelas próximas?"?"; questões relacionadas ao cotidiano do leitor, como "A queda de um raio pode disparar o alarme de um veículo?", "O telefone celular pode causar interferências em aparelhos eletrônicos?"; questões cujo enfoque está no aspecto tecnológico, como "Como funciona um spray?", "Como a voz, imagens e dados são transformados em feixe de luz em uma fibra óptica sem que as informações se misturem?"; questões ligadas a temas ambientais , como "O que ocorreria com o clima se a floresta amazônica fosse totalmente devastada?", "Por que existe inversão térmica na estratosfera?" e questões relacionadas a medidas e grandezas , como "Como os cientistas determinam a temperatura do Sol?", "Como se calcula o consumo de combustível para sair da Terra e chegar a outro planeta?".

## 2. As reportagens

Além da caracterização das perguntas de leitores, procuramos também analisar as reportagens publicadas na revista Ciência Hoje quanto aos conteúdos abordados, no mesmo período de 2000 a 2007. Essas reportagens também foram analisadas atravévés da mesma estratégia e das mesmas categorias que as utilizadas para a análise das perguntas de leitores. Nesse caso, o total de reportagens analisadas foi de 201. Apresentamos, na tabela 3, a distribuição temática dos conteúdos das reportagens relacionados ao conhecimento físico.

Tabela 3:Distribuição dos temas referentes às r reportagens

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As reportagens apresentam abordagens variadas, compreendendo, em sua maioria, questões relativas ao desenvolvimento de novas tecnologias e novos É qg materiais, assim como descobertas no campo da astronomia. É importante ressaltar que no tema "Astronomia" estão incluídas as reportagens sobre astronomia, cosmologia e astrofísica (o mesmo foi feito para a classificação dos temas das perguntas dos leitores). Algumas reportagens envolvem diferentes conteúdos de física; nesses casos, para a delimitação do tema foram analisadas as suas ênfases, ou seja, seus conteúdos centrais.

Gráfico(s) 3: Distribuição dos conteúdos de física das reportagens s em temas

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Além dessa primeira classificação, as reportagens também foram agrupadas em unidades temáticas mais abrangentes que aquelas delimitadas anteriormente, em cada uma das grandes áreas, do mesmo modo como fizemos para as perguntas de leitores. Para a classificação das reportagens em "temas transversais", foram criados três novos temas: "energia", "radiaçõeões" e "história e filosofia da ciência", de forma a abarcar reportagens cujos focos envolviam uma dessas temáticas.

Tabela 4: Distribuição dos temas transversais referentes às reportagens

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Gráfico 4: Distribuição dos conteúdos das reportagens e em temas transversais

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## 3. Discussão

A caracterização das perguntas dos leitores e sua sistematização de acordo com os temas abordados, se por um lado reflete as dúvidas e curiosidades do público leitor e sinaliza interesses quanto ao conhecimento em fífísica, por outro nos mostra as potencialidades que esse tipo de material apresenta para ser utilizado nas aulas de física. Algumas pesquisas apontam formas de utilização dessas perguntas em ambientes de educação formal, com o objetivo de, por exemplo, moti var e sensibilizar os alunos para um tema que será desenvolvido, problematizar uma situação, ampliar discussões, levando-as para outros contextos, introduzir novos temas e estabelecer relações entre diferentes áreas do conhecimento etc. (SILVA, 2001; SALEM, KAWAMURA, 1999; ALMEIDA, 1998; ALMEIDA &amp; RICÓN, 1993; ASSIS &amp; TEIXEIRA, 2003, SILVA &amp; CRUZ, 2004).

Quanto às áreas temáticas, podemos perceber que aproximadamente 60% das perguntas de leitores referem-se a conteúdos de física básica, principalmente àqueles relativos a temas de mecânica e eletromagnetismo. Como esses conteúdos estão tradicionalmente presentes nos currículos de física do ensino médio e suas abordagens, como dissemos, estão relacionadas em grande parte a observações do cotidiano, essas ques tões podem ser incorporadas às aulas de forma a aproximar o conhecimento em física, tratado em sala de aula, do cotidiano do aluno. O conteúdo de física moderna, presente nessas questões, está relacionado, em grande parte, à física de partículas, apresentando uma abordagem mais conceitual.

Nas reportagens, os conteúdos de física básica aparecem prioritariamente relacionados ao desenvolvimento de novas tecnologias, aplicáveis à pesquisa científica e à sociedade. Muitas reportagens que envolvem conceitos de eletromagnetismo, por exemplo, têm como foco questões relativas ao desenvolvimento de novas tecnologias ou novos materiais. É importante ressaltar que neste tema (eletromagnetismo) também foram classificadas reportagens que tratavam de conteúdos especificamente relacionados à eletricidade (abrangendo discussões sobre energia elétrica e políticas energéticas, fontes alternativas de energia etc.) e ao magnetismo (aplicações tecnológicas dos fenômenos magnéticos, tecnologias de gravação e reprodução de informações etc.). Já as reportagens classificadas segundo conteúdos referentes ao tema "termodinâmica/calor", têm como foco, em sua maioria, discussões sobre questões ambientais, particularmente, aquelas relativas às mudanças climáticas e ao aquecimento global.

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O conteúdo de física moderna presente nas reportagens é variado e, em boa parte destas, relativo a pesquisas atuais nas áreas de partículas, estrutura da matéria, física dos materiais e quântica. Aproximadamente 36% dos artigos publicados estavam relacionados à física moderna, em grande parte, à física de materiais e nuclear. Tanto em física básica quanto em física moderna, encontramos reportagens cujo enfoque estava voltado à elaboração ou implementação de novas tecnologias (enfoque este refletido no tema transversal "tecnologia"), assim como a aspectos relacionados à história e filosofia da ciência.

Nos temas que fazem fronteira com a física, podemos observar que astronomia é predominante, abrangendo 83% das questões classificadas nessa área temática (25% do total de questões analisadas) e aproximadamente 70% das reportagens classificadas nessa área temática (18% do total de reportagens analisadas). Quanto aos temas transversais, podemos perceber que as reportagens apresentam abordagens abrangentes no que diz respeito aos conteúdos, uma vez que, aproximadamente, 65% dessas reportagens puderam ser caracterizadadas segundo essa classificação.

O gráfico a seguir apresenta um paralelo entre os conteúdos das perguntas e das reportagens sintetizados nas grandes áreas temáticas.

Gráfico 5: Distribuição dos conteúdos das reportagens e das perguntas por grandes áreas

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De forma geral, os conteúdos de física básica estão presentes tanto nas perguntas de leitores quanto nas reportagens, muito embora com mais proeminência nas perguntas. O diferencial é que nas reportagens esse conteúdo aparece atrelado ao desenvolvimento de tecnologias e novos materiais (principalmente em "eletromagnetismo") e, nas perguntas, vinculado à situações ou observações do cotidiano do leitor. . Os conteúdos de física moderna estão muito mais presentes nas reportagens do que nas perguntas. Isso indica que essas reportagens podem ser utilizadas para a introdução de temáticas contemporâneas e novas abordagens no ensino de física.

## Considerações finais

A natureza dos materiais de divulgação, assim como sua caracterização, nos possibilita identificar suas potenciais contribuições para o ensino de física, assim como levantar elementos que possam servir de subsídios para o professor que deseja trabalhar com textos de divulgação em suas aulas. O olhar para as temáticasas presentes nas perguntas e reportagens que envolvem conteúdos de física é um primeiro passo para se pensar sobre as potencialidades que esses materiais apresentam.

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O fato de aproximadamente 60% das perguntas de leitores analisadas estarem relacionadas a algum conteúdo de física básica, por exemplo, já é um indicativo da potencialidade que esta seção em particular apresenta para ser utilizada em sala de aula, justamente por abarcar temas de física que são desenvolvidos no ensino médio. Além disso, as diferentes naturezas e abordagens apresentadas por essas questões podem apontar, inclusive, diferentes estratégias para a sua utilização nas aulas de física. Questões com abordagem cotidiana podem ser utilizadas, por exemplo, para motivar ao aluno, aproximando o conhecimento científico de seu dia -a-d-dia. Já as perguntas ligadas a temas ambientais apresentam rico potencial para permitir conexões com outros saberes, contextualizando as discussões.

A A utilização das reportagens nas aulas de física do ensino médio, por sua vez, pode contribuir para dar maior abrangência aos temas de física tratados nesse nível de ensino, ampliando o olhar do aluno para a ciência da atualidade, seus processos e produtos, e trazendo para a sala de aula novos assuntos, novos enfoques e novas questões. A análise realizada aponta que parte das reportagens tem como foco conteúdos de física básica, relativos ao desenvolvimento de novas tecnologias, o que sinaliza contextos de discussão nos quais essas reportagens podem ser utilizadas e problematizadas.

A análise apresentada também mostra que tanto as reportagens quanto as perguntas dos leitores podem ser utilizadas para introduzir temas de física moderna no ensino de física em nível médio. Embora esses temas não estejam muito presentes nas perguntas dos leitores (representam 14% do total), eles aparecem com freqüência nas reportagens (36%). Mais que introduzir e discutir conceitos e fenômenos, as questões e as reportagens sobre essa temática podem contribuir para a construção de um novo olhar para a ciência e de novos sentidos para o ensino de física.

Os materiais de divulgação científica, por apresentarem diferentes formas e linguagens daquelas características de materiais didáticos, assim como por abordarem temas de atualidade, possuem um grande potencial para serem explorados como instrtrumento de apoio ao trabalho do professor em sala de aula. Entretanto, devemos ter claro que a utilização desses materiais não deve ser indiscriminada, uma vez que estes possuem características e qualidades variadas. O professor deve ter clareza quanto à intenção por trás da escolha e uso de cada texto, porque além do conteúdo, os materiais de divulgação a apresentam linguagens, abordagens, e estruturação diferentes daqueles que caracterizam os livros didáticos.

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