CIÊNCIA E ARTE EM AROEIRAS: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Marcelo Gomes Germano, Luã Ribeiro Santos, José Antônio F. Pinto
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVIII
- Ano
- 2009
- Data
- 29/01/2009
- Linha de pesquisa
- Divulgação Científica E Comunicação No Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## CIÊNCIA E E ARTE EM AROEIRAS: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Marcelo Gomes Germano (mggermano@ig.com.br r ) Luã Ribeiro dos Santos 2 (luasnt@hotmail.com ) José Antônio F. Pinto 3 3 (tonypintog@hotmail.com )
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1,2,3 Universidade Estadual da Paraíba -UEPB
## RESUMO
Este trabalho é o relato de uma experiência que está sendo desenvolvida no contexto do Projeto: "Exposições Itinerantes de Ciência e Tecnologia: uma experiência no interior paraibano", ou simplesmente, Ciência e Arte na Feira. Projeto contextualizado no universo das políticas de Popularização e Difusão da Ciência que, numa parceria entre a Universidade Estadual da Paraíba, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e apoio do Museu Vivo da Ciência de Campina Grande e das Prefeituras dos Municípios envolvidos, vem realizando Exposições Itinerantes de Ciências e Tecnologia nos espaços das feiras livres de alguns Municípios do interior paraibano. Esta comunicação se limita a uma das intervenções do grupo Popularização da Ciência e Tecnologia (PopC&T) em sua sétima exposição realizada na cidade de Aroeiras (PB) nos dias 22 e 23 de setembro de 2008. Organizado em m quatro partes, relatamos inicialmente alguns momentos importantes do que e stamos denominando de visita p prévia. Em seguida , destacamos alguns fatos marcantes da realização de uma palestra e de um show de mámágica no espaço da escola. Por fim, contamos um pouco da exposição e concluímos com a apresentação de alguns dados referentes a uma avaliação do público sobre o impacto de mais esta intervenção. O relato foi construído a partir do recurso à observação participante e a entrevista estruturada que, em determinadas situações s pode ser utilizada como uma importante técnica que permite uma interação face a face e uma aproximação entre as pessoas, com a possibilidade de penetração na vida e nas concepções dos envolvidos.
Palavras -chave: ciência, arte, popularização, feira.
## 1 - - - Introdução
Estamos persistindo em um modelo de sociedade em que o conhecimento científico -t -tecnológico avança em grande escala, enquanto a maioria da população vai se tornando cada vez mais alheia às estranhas conquistas de sua própria cultura. Um processo contraditório em que a marcha veloz do desenvolvimento científico e tecnológico acaba se constituindo em mais um fator de exclusão social (GERMANO 2008).
Não é difícil constatar que a negação histórica do acesso ao conhecimento científico e tecnológico vem se constituindo em uma das mais perigosas formas de
exclusão social, estando presente nas relações entre indivíduos, grupos sociais, e até entre nações.
Conforme reconhece a agenda da UNESCO (1999), por conta das assimetrias estruturais existentes entre os países, as regiões e os grupos sociais, grande parte dos benefícios oriundos da ciência e de suas tecnologias estão distribuídos de forma desigual e à medida que o conhecimento científico vai se tornando um fator decisivo na produção de bem estar, a sua distribuição também vai se tornando cada vez mais desigual. Com base nessa constatação, vão se construindo os argumentos em defesa da Popularização da Ciência e Tecnologia como um importante fator de inclusão social (MATOS, 2002; MOREIRA, 2006).
De fato, no contexto oficial brasileiro, o enfrentamento da questão está diretamente vinculado às políticas públicas de inclusão social. E não é sem razão que, no espaço do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) encontra-s-se uma Secretaria para Inclusão Social, no interior da qual, situa-s-se o Departamento de Popularização e Difusão da Ciência (DEPDIC). Evidentemente, os argumentos principais que orientam os programas nacionais em Difusão e Popularização do conhecimento científico e tecnológico es tão diretamente vinculados à questão da inclusão social. Nesse sentido, além das atividades desenvolvidas através da educação formal vinculada ao Ministério de Educação, contamos agora com uma Secretaria destinada a apoiar iniciativas no universo da educaç ão não formal em ciências e tecnologia (GERMANO , 2007).
Foi justamente uma das ações desse Departamento, o lançamento edital número 12/2006 para Seleção Pública de Projetos em Difusão e Popularização da Ciência e Tecnologia lançado pelo MCT/CNPq, que possibilitou a aprovação do projeto: Exposições Itinerantes de Ciências e Tecnologia: uma experiência no interior paraibano, ou simplesmente Ciência e Arte na Feira. Em uma dupla parceria entre a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), mais o apoio do Museu Vivo da Ciência de Campina Grande e das Prefeituras dos Municípios interessados, o Projeto que já se encontra em sua fase final, pretende completar 12 exposições de ciências e tecnologia e 12 palestras em pequenas cidades do interior da Paraíba.
Esta é uma experiência situada no contexto das políticas inclusivas de Popularização da Ciência e Tecnologia (PopC&T) que, através da disponibilização de experimentos interativos de física e matetemática nos espaços das feiras livres, convoca o público ao exercício da curiosidade, numa reflexão critica que, como lembra Freire (1996) pode aguçar a imaginação e a capacidade de conjecturar, comparar e buscar uma melhor aproximação do objeto ou do fenômeno em questão . Nesse e sentido, os experimentos interativos permitem uma maior proximidade do visitante com os fenômenos que, aliada a uma postura dialógica dos professores e estudantes frente aos saberes de senso comum, permite o estabelecimento de um diálogo.
Este trabalho é um relato particular desta experiência, limitando-se a exposição realizada no Município de Aroeiras. Dividido em quatro partes, relatamos inicialmente alguns momentos importantes do que estamos chamando de visitita prévia. Em seguida lembramos alguns momentos importantes da palestra e do show de mágicas. Concluindo o trabalho com a apresentação de alguns dados referentes a uma impressão do público sobre o impacto da intervenção.
O relato foi construído a partir do recurso à observação participante e a entrevista estruturada que , de acordo com Richardson (1999), caracteriza-se como uma importante técnica que permite uma interação face a face e uma a a aproximação entre as pessoas, com a possibilidade e de penetração na vida e nas concepções dos envolvidos.
## 2 - - A Visita Prévia
Certamente, , uma experiência como esta que ultrapassa as fronteiras do espaço acadêmico e e do contexto escocolar, exige certo conhecimento prévio de um púbico que, seguramente não deve compartilhar a mesma linguagem que c ircula em uma territorialidade acadêmica e limitada aos interesses da educação formal. Portanto, seguindo os mesmos procedimentos de outros Municípios, antes de quaisquer outras ações, é feita uma visita prévia à cidade escolhida para a realização do evento.
A visita prévia aconteceu no dia 02 de agosto de 2008, quando uma parte do grupo de PopC&T (sete estudantes e 03 professores) partiu da cidade de Campina Grande com destino ao Município de Aroeiras, distante 54Km. A viagem transcorreu normalmente , animada pelo som do violão do professor Marcelo e pelos truques do estudante Alisson Magiciano. NeNesse clima agradável quase não sentimos a distância que separa os dois municípios. Ao chegarmos à cidade, nos dirigimos ao CoColégio Estadual de Aroeiras onde já estávamos sendo aguardados pela diretoria da escola para uma reunião de trabalho. Antes da reunião, fizemos um passeio de reconhecimento do colégio que, conforme observamos não foge e muito aos padrões dos colégios públicos os estaduais, sobretudo, no que se refere ao encontro das "novas tecnologias" com a antiga realidade do mimeografo, da máquina de escrever e do retro -projetor. Um choque que fica evidente com a chegada da biblioteca virtual antes mesmo da consolidação de uma biblioteca tradicional.
Durante a a visita prévia também são feitos os primeiros contatos com as autoridades locais e a entrega de documentos oficiais que explicam à natureza do projeto e faz algumas solicitações de uma infra-estrutura mínima de apoio aos eventos (palestra e exposição).
No casaso de Aroeiras, cidade que abrigou a nossa sétima a experiência, os contatos oficiais foram travados por intermédio de correspondências dirigidas à secretária da educação, professora Luiza Izabel Cavalcanti e ao prefeito municipal, José Francisco Marques . No entanto, todo processo de negociação, desde os primeiros contatos informais até a nossa recepção, foram feitos através do professor Vicente César Andrade e da professora Iraildes Andrande, diretora da maior escola estadual daquele Município.
Concluídída essa primeira etapa, toda a equipe seguiu para um reconhecimento da feira livre e escolha de um local conveniente para a a organização da exposição. A A feira possuía dimensões consideráveis (Figura 1), ainda maior que a feira da cidade de Remígio, uma das maiores que visitamos. A chuva que caía sem parar não foi um obstáculo para o grupo que e caminhou bastante a procura de um espaço razoavelmente adequado para a montagem dos estandes (Figura 2) .
Figura 2: Imagem do galpão da feira
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Figura 1: Imagem da feira livre de Aroeiras
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Durante o passeio pela feira , um fato curioso chamou a atenção da nossa equipe . Enquanto os estudantes s fotografavam os possíveis locais para montagem da exposição, um senhor aproximou-se sem acreditar que as as imagens pudessem ser processadas instantaneamente na máquina digital. . Com olhar r incrédulo, seu José , homem simples que, em meio a tantos outros, também acompanhava com admiração e curiosidade e aquele movimento de pessoas estranhas misturando-s-se aquele " mar " de odores e cores próprios das feiras livres .
Considerando a decisão do grupo de não alterar o espaço o e a organização do comércio popular, r, a escolha de um local apropriado para a organização da exposição acaba se tornando o uma tarefa complicada. Todavia, semelhante ao Município de Pocinhos , encontramos na feira de Aroeiras um espaço livre na parte mais interna do "galpão da feira" , vizinho a lanchonete Ponto X (Figura 3) .
Completado o passeio na na feira e acertado o o local de de exposição, a próxima tarefa era simples: conhecer um pouco da cidade. Em pequenos grupos todos se dividiram e foram conhecer r e fotografar alguns pontos como Igrejas, praças as públicasas, grupos escolares, mercados públicos, entre outros . Esses contatotos informais possibilitam um conhecimento mínimo de e alguns aspectos importantes da linguagem e dos costumes locais.
A A bonita cidade de Aroeiras (Figura 4) ) é parte da Mesorregião do Agreste Paraibano. Com uma área de 375 km 2, está situada a 54Km de Campina Grande e aproximadamente 178 Km da Capital (João Pessoa). De acordo com dados do IBGE relativos ao senso de 2000, possui uma população de 19.520 habitantes, sendo 6.579 na z zona urbana e 12.941 n na zona r rural (9.537 homens e 9.883 mulheres) .
Nome herdado da planta (Aroeira) árvore de e boa sobra que abrigava os antigos tropeiros que por ali passavam, a cidade teria nascido a partir de pequenas feiras, como é retratado o no poema de D Dudé das Aroeiras, poeta popular da região.
Naquela época esquecida Vejam só como eram as “Eras” Um tal de João dos Barbosas Chegara em Manuelas [..]Lugar de muitas vielas Serrotes e ribanceiras Nas terras de Manuelas
Se deram as primeiras feiras...
Assim Nascia Aroeira s, de sonho esperança e fé Chamaram -na de Catolé Dos Sousas, não agradou Então chamaram essas feiras Catolé das Aroeiras , Depois somente Aroeiras E até té hoje florou... (AROEIRAS , 2003, p.21)
Figura 3: Uma imagem do local da exposição
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## 3 - - - Sobre a Palestra e o Show de Mágica
A palestra ficou marcada para a sexta feira ra dia 21 de agosto, com a saída de Campina Grande prevista para as 13 horas e 30 minutos. Mas, apenas uma a parte do grupo pode viajar, os outros tiveram que permanecer em Campina Grande cuidando dos últimos detalhes da exposição do d dia seguinte .
Apesar de um pequeno atraso, tudo transcorreu bem e a chegada a Escola Estadual foi " intensa" a" nas boas vindas, logo todo o grupo já trabalhava sob o olhar afoito de dezenas de alunos que aguardavam o início dos trabalhos. O Professor Marcelo Germano o (Coordenador do projeto) fez às vezes de mestre de cerimônia e depois de convidar a todos, alertando para o início dos trabalhos , em pouco tempo vários estudantes já se encontravam no pátio disputando cadeiras em busca de um lugar com melhor visibilidade do palestrante.
Após as devidas apresentações e agradecimentos, o professor Edvaldo de Oliveira (Mará) iniciou a palestra com o tema: "Dois casos de Ciência em nossas Vidas", mostrando, em linhas gerais, como em um tempo não muito distante a ciência já influenciava as nossas vidas, mas de uma forma bastante diversa do modelo atual.
Logo após a palestra ainda a aconteceu a apresentação de um pequeno o show de mágica , p preparado com muito zelo pelo estudante Alisson Magiciano que, embora tenha se juntado ao grupo recentemente, já se integrou ao espírito do projeto. Com
Figura 4: A cidade de Aroeiras vista do alto
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bastante desenvoltura , fez sua apresentação (Figuras 6 e 7) que, em meio a toda euforia e descontração dos estudantes e professores ainda conseguia ressaltar os aspectos físicos por trás de alguns truques. Sob o calor de aplausos o ovacionados , o grupo se despede dos alunos e começa a desmontar a estrutura, dando por encerrada a segunda etapa do evento.
Figura 5 :Platéia durante o Show de mágicas
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## 4 - - - O dia da Exposição
Sete horas da manhã, hora marcada para saída do ônibus, em meio a tantas caras de sono, a expectativa da experiência era nítida nos olhos de todos do grupo. A viagem iniciou em um clima eufórico, mas logo os ânimos se acalmaram, frente ao clima bucólico das paisagens que se decifravam ao longo do percurso. Alguns se isolavam para um último cochilo (ao som de seu mp3), enquanto outros se concentravam nas rápidas mãos de Alisson Magiciono e seus truques que ajudavam a esquecer aqueles quilômetros de estrada que se desencadeavam à frente.
Sol quente, olhos apertados, eram as faces dos componentes do grupo que se surpreendeu ao chegar a Aroeiras e perceber que a estrutura não estava montada. Com a chegada do professor Marcelo Germano, algumas orientações foram dadas, permitindo o descarregamento do caminhão e a condução do material para o local escolhido. Já durante a montagem dos equipamentos, os transeuntes enchiam o grupo de perguntas; "Isso é coisa do prefeito , é"? "Paga pra entrar"?...
Todos se empenharam na montagem dos estandes e em pouco o tempo a estrutura estava pronta ta para o inicio da exposição . A tarefa de reparar e deixar os instrumentos em ordem é feita em conjunto, trabalho integrado entre professores e estudantes . Quanto mais se aproxima a data da exposição, maior é a excitação do grupo e é no contato com os instrumentos que o projeto começa a ganhar forma. O trabalho é concreto, todo o grupo coloca a mão na massa, seja mexendo com instrumentos e construindo novos aparatos para o acervo, seja limpando ou concertando algum aparelho danificado durantes as viagens.
Os experimentos foram escolhidos levando em consideração alguns aspectos, tais como: maior proximidade com o cotidiano, melhores características problematizadoras, maiores apelos lúdicos e interativos e maiores qualidades estéticas. Dentro das possibilidades de material, tempo de exposição e pessoal
Figura 6 : O mágico e uma estudante voluntária
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disponível, foram selecionados aparatos que incluíam conteúdos de mecânica , matemática, eletromagnetismo e ó óptica.
Tabela 1
É importante lembrar que , por firmarem-se em apelos lúdicos e sem maiores preocupações com a sistematização formal do conhecimento, este tipo de aparato diferencia -se do que se processa em um laboratório didático. Os aspectos divertidos e problematizadores dos experimentos funcionam inicialmente como argumento de sedução e desafio à compreensão do fenômeno observado, tornando-se assim um possível elo entre a curiosidade ingênua e a curiosidade epistemológica do visitante.
As pessoas chegavam de todas as partes, gente de todas as idades, os próprios feirantes davam um jeitinho de conferir o que estava acontecendo (Figuras 8 e 9). O conhecimento fluía de todos os lados, e todos pareciam curiosos e cheios de perguntas e observações a fazer. No caso das crianças, verifica-a-se um envolvimento imediato que exige dos estudantes responsáveis, um maior cuidado e controle das intervençõeões. Os adultos, pelo contrário, são mais cautelosos, receosos e menos solícitos a interagir com os instrumentos. Na maioria das vezes, preferem arriscar palpites sem ter que botar a "mão na massa". Quase sempre é necessária a intervenção dos monitores no sentido de encorajá-los a experimentar. No entanto, depois de vencido o primeiro momento, logo se torna incentivador do outro, um novo monitor que passa a encorajar e auxiliar o parceiro de visita. A exemplo do duplo cone que, quando a estudante Maria Aldia indagava sobre o que iria acontecer quando o objeto fosse largado na rampa e o visitante afirmava que deveria rolar para baixo, logo alguém se antecipava em explicar: "Vai não rapaz, vai é para cima! Vê mesmo!"!"E lá ia ele pedir licença para demonstrar para o companheiro de visita o estranho fenômeno.
Figura 10
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Figura 7: Um agricultor e o abajur de raios
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Figura 8: O público interagindo com os objetos
Cada pergunta, cada comentário abre um novo leque de possibilidades e novas questões são levantadas,seja pelos visitantes, seja pelos animadores. Obviamente que alguns instrumentos faziam mais sucesso que outros, às vezes pelo tamanho, outras pela beleza ou o caráter atrativo do próprio fenômeno o reproduzido.
Durante a exposição outro trabalho importante ia sendo desenvolvido quase desapercebidamente. Algumas das pessoas que circulavam pelos estandes eram surpreendidos por duas estudantes, Bruna e Aline que interpelavam os visitantes com perguntas simples em uma entrevista que procurava conhecer o alcance de nosso trabalho. As questões principais buscavam avaliar: a novidade da exposição, a relevância daquela experiência, o alcance e eficácia da divulgação do evento, os níveis de compreensão dos fefenômenos, a postura e linguagem dos monitores, o interesse pela ciência após a exposição e uma avaliação quantitativa da exposição como um todo. A impressão do público é apresentada na forma de gráficos conforme as figuras organizadas a seguir.
Os percentuais apresentados na Figura 9 confirmam o que, de certa forma, a, já era esperado: a grande maioria do público nunca havia visitado uma exposição de ciências e tecnologia, o que se constitui em um forte indicativo de que estamos no caminho certo. Também tivemos o cuidado de avaliar a qualidade e a abrangência da divulgação prévia . Os percentuais da Figura 10 revelam que apenas uma a minoria teria visitado a exposição por conta do convite e , como em outros Municípios, o público forte foi mesmo de pessoas que transitavam na feira e, atraído pela curiosidade, aproximou-se do local de exposição.
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Figura 9
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Em todas as experiências o mais sério desafio para o grupo tem sido a questão da linguagem. Como dialogar com as pessoas simples sobre questões de ciência sem ter que recorrer a a uma linguagem acadêmica e carregada dos conceitos arraigados ao mundo da escola? A Figura 11 expressa uma tentativa de avaliar a visão do público sobre a fala dos estudantes ao tentarem dialogar com o visitante em torno das questões postas pelos fenômenos observados.
Outra questão relevante para o grupo era aquela que procurava identificar a impressão do público sobre a compreensão dos fenômenos observados. Conforme a Figura 12 , um bom percentual l dos visitantes entrevistados acredita que compreendeu a maioria deles . . O alcance dessa compreensão não foi possível avaliar.
Figura 14
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Figura: 11
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Figura: 12
A penúltima questão tentou avaliar se a exposição interativa alterou o interesse do p[úblico visitante em relação ão à ciência. Nes se particular , a Figura 13 revela que a grande maioria dos entrevistados afirmou um maior interesse pela ciência depois de ter participado da exposição.
Por último, foi solicitada uma avaliação quantitativa do trabalho e a atribuição de uma nota que pudesse qualificar a atividade expositiva do grupo. De e acordo com o gráfico da Figura 14, , quase 100% dos entrevistados atribuíram uma nota superior a sete
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Figura 13
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## 5 - - Considerações finais
Estamos conscientes da com plexidade envolvida no encontro do conhecimento científico com os saberes p populares e de senso comum. Mas também reconhecemos que, embora distantes de uma visão científica e formal dos fenômenos, estes saberes sempre guardam um parecer r coerente e racional dos mesmos, , nunca devendo ser negligenciados . Não se trata de uma feira de ciências, mas é uma tentativa de discutir ciência no espaço popular das feiras .
Embora reconhecendo as limitações próprias de atividades dessa natureza, com experimentos fechados e projetados no sentido de uma explicação única, e as dificuldades rerelativas à avaliação dos níveis de aprendizagem dos visitantes, é sempre possível construir um diálogo e uma troca de 'saberes' indispensáveis para a consolidação d de uma ciência mais humana e um senso comum mais esclarecido.
## 6 - - - Agradecimentos
Gostaríamos de aproveitar a oportunidade para agradecer ao o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), ao Museu Vivo da Ciência (MVC), a a Prefeitura Municipal de Aroeiras (PMA) e a todos os homens e mulheres do povo que, além de nos receberem no seu espaço, ainda se dispuseram a dialogar conosco sobre uma realidade tão próxima e ao mesmo tempo distante da sua.
## 7 - - Referências
AROEIRAS, Dudé. Pedras de Riachos: a história da nossa história . João Pessoa, Idéia, 2003.
GERMANO, M. Popularização da Ciência e Tecnologia: uma discussão na interface entre uma nova ciência e um novo senso comum. Tese de Doutorado. João Pessoa, UFPB, 2008.
GERMANO, M. Popularização da Ciência: uma revisão conceitual. Caderno Catarinense de Ensino de Física, v.24(1): 7-25; abril, 2007.
MATOS, C. Ciência e Inclusão Social. São Paulo. Ed. Terceira Margem, 2002.
MOREIRA, I., A Inclusão Social e a popularização da ciência e tecnologia no Brasil. Revista Inclusão Social, Vol.1, N o 2 , 2006.
RICHARDSON, Roberto Jerry. Pesquisa social: métodos e técnicas . Roberto Jarry Richardson; colaboradores. José Augusto de Sousa Peres, São Paulo: Atlas, 1999.
UNESCO, La Ciência para el Siglo XXI: Una Nueva Visión y un Marco Para la Acción. Budapeste (Hungria), 1999.
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.