CIÊNCIA E ARTE NA FEIRA: UM RELATO DA EXPERIÊNCIA COM ILUSÕES DE ÓPTICA
Anderson Alves De Lima, Jaqueline Queiroz De Macedo, Dr. Marcelo Gomes Germano
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVIII
- Ano
- 2009
- Data
- 29/01/2009
- Linha de pesquisa
- Divulgação Científica E Comunicação No Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## CIÊNCIA E ARTE NA FEIRA: UM RELATO DA EXPERIÊNCIA COM ILUSÕES DE ÓPTICA
1 Anderson Alves de Lima, 2 2 Jaqueline Queiroz de Macedo, 3 Dr. MaMarcelo Gomes Germano
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Universidade Estadual da Paraíba/ Departamento de Física, andersonalvesl@hotmail.com 2 Universidadade Estadual da Paraíba/ Departamento de Enfermagem , qm.jaque@g@gmail.com 3 Universidade Estadual da Paraíba/ Departamento de Física , mggermano@ig.com.br
## Resumo
Neste trabalho apresenta mos o o relato de uma experiência desenvolvida dentro do projeto: "Exposições Itinerantes de Ciências e Tecnologia: uma experiência no interior paraibano", ou simplesmente, Ciência e Arte na Feira. Relato que se limita a uma das intervenções realizada pelo grupo de Popularização da Ciência e Tecnologia (PopC&T) ) em sua sétima exposição itinerante realizada na cidade de Aroeiras s (PB) nos dias 22 e 23 de setembro de 2008. Na oportunidade foram expostos vários aparatos interativos envolvendo o conteteúdos de ciência e tecnologia no espaço da a feira a livre daquela cidade. Com este trabalho obobjetivamos discutir especificamente , a interação e e a reação do público visitante aos painéis s de Ilusões de óptica. Para tanto, foram disponibilizadas 19 imagens s organizadas em painéis ou avulsas, s, de maneira que os participantes s puderam interagir r livremente com as imagens e entre si. Através do recurso da observação participante, constatamos que tal conteúdo ocasionou grande repercussão entre o púpúblico , que interagiu e construiu conhecimentos conjuntamente com os estudantes e professores envolvidos no projetoto .
Palavras -chave: : Popularização da ciência; ensino; ilusão de óptica .
## Introdução
- O projeto intitulado Ciência e Arte na Feira é desenvolvido por alunos e professores do curso de Licenciatura Plena em Física da Universidade Estadual da Paraíba em parceria com o CNPq, e com apoio do Museu Vivo da Ciência de Campina Grande-PB e das prefeituras dos municípios interioranos visitados.
Esta experiência situa-se no contexto das políticas inclusivas de Popularização da Ciência e Tecnologia (PopC&T) e faz apresenentações de experimentos atrativos e simples, nos espaços das feiras livres, convidando o público a refletir sobre o conhecimento científico, pois como escreve Freire (1996, p.88)
"O exercício da curiosidade convoca a imaginação, a intuição, as emoções, a capacidade de conjecturar, de comparar, na busca da perfilização do objeto ou do achado de sua razão de ser."
Nesse sentido, os experimentos interativos permitem uma maior aproximação do visitante com os fenômenos, respeitando e valorizando o conhecimento do senso comum.
Dentre os sete Municípios visitados, este relato limita-s-se à exposição realizada na cidade de Aroeiras e ao projeto que apresentou e discutiu algumas Ó pjqpg Ilusões de Óptica que, além de despertar a curiosidade do público visitante ao mostrar, através de figuras, que a nossa visão não é sempre confiável, procura dialogar sobre a importância do conhecimento científico. A exemplo do pedreiro que ao construir uma parede coloca o prumo para verificar se ela está reta, em determinadas situações o homomem pode utilizar-se de instrumentos científicos para verificar se o que vê é o que realmente espera.
Este tipo de atividade procura mostrar que, embora o conhecimento de senso comum seja fundamental para a maioria das situações de nossa vida cotidiana, em em determinados casos é importante utilizar um outro tipo de conhecimento que permita visualizar outros aspectos da realidade.
## Metodologia
Trata -se de um relato de experiência decorrente da visita realizada pelo grupo de Difusão e Popularização da Ciência e Tecnologia à cidade de Aroeiras - - PB em 22 e 23 de setembro de 2008. No primeiro dia, das 15 às 16 horas, foi apresentada a palestra: "A ciência em seu cotidiano" proferida pelo professor Edvaldo de Oliveira Alves , um dos professores ligados ao projeto, e no sábado, das 9 às 12 horas, ocorreu um evento gratuito e aberto ao público no espaço da feira livre daquele município.
- O trabalho de difusão da ciência e tecnologia nos municípios teve início em dezembro de 2006 quando foi aprovado pelo MCT/CNPq o projeto "Exposições Itinerantes de Ciências e Tecnologia: uma experiência no interior paraibano", ou simplesmente, Ciência e Arte na Feira. O referido Projeto visa realizar 12 exposições itinerantes de ciências e tecnologia em 12 cidades do interior paraibano, articulando o conhecimento científico com os saberes populares.
- A feira foi escolhida pelo fato de ser um lugar popular e, nesse particular concordamos com Germano (2007) que o cientista deve mesmo cruzar a fronteira de seu ambiente e de sua linguagem a acadêmica para ir ao encontro do povo.
- O desenvolvimento da exposição em Aroeiras iniciou-se quando os estudantes e professores chegaram em um ônibus cedido pela prefeitura do município de Aroeiras, organizando os materiais nas instalações da feira no espaço previamente reservado para colocar os vários estandes: o sistema de roldanas, gerador de Van de Graaff, caixa estrela, truques de mágica, pequena usina hidroelétrica e, entre eles o de Ilusões de óptica, na qual, foram colocadas 19 figuras de ilusões diversas, dispostas 10 em dois painéis e 9 sobre uma mesa, cocom livre acesso para o público.
Figura 02: Público interagindo
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Figura 01: E Estande de ilusão de óptica
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Sendo aberta a exposição às 9 h, os alunos e professores tiveram oportunidade de ter contato e interagir com diversas realidades como a de pessoas que não tiveram a oportunidade de estudar ou de ampliar seus estudos. Crianças, jovens, idosos, interrogaram, questionaram, aprenderam e ensinaram sobre ciência .
A exposição terminou às 12h, quando foi recolhido o material ainda sob admiração do povo.
Dentre as figuras utilizadas na exposição foram escolhidas aquelas que despertaram maior atenção do publico para serem colocadas neste relato de experiência.
## Resultados
O sentido da visão é um dos que oferece mais informações a respeito do mundo exterior, ao propiciar a percepção dos estímulos luminosos através do nervo óptico existente nos olhos (CARMO; SILVA, 2005) . Esse fenômeno óptico é formado por três elementos que se completam: o físico, pelo o objeto, a luz e o ambiente que o cerca e o olho que o vê; fisiológico e anatômico, pois o objeto é percebido pelo nervo óptico; e o psicológico, pela interpretação do observador do que é visto (TOSSATO, 2005).
Em geral, ilusões de óptica ocasionam interesse nas pessoas, as quais , costumeiramente, pensam que se trata de e alguma miragem ou fenômeno ' mágico' o' , devido a contradição de se definir o que está sendo visto, parecendo que o órgão mais complexo e utilizado pelo nosso organismo, o olho, está se enganando. Desse modo, tendo como objetivo construir conhecimentos, mostrando que tais fenômenos são explicados pela ciência e frente à curiosidade popular, foram apresentadas imagens, na exposição, como a seguinte, do psicólogo dinamarquês Edgard Rubin:
Figura 03: Cálices ou rostos?
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De acordo com Muller Granzotto e Granzotto (2004, p.9), Rubin trabalhou com o binômio "figura-fundo", buscando entender a percepção espacial, pois utiliza o termo figura, para "o correlato objetivo do ato de visar, em um dado material, uma unidade de sentido - e fundo - - para indicar a ocorrência intuitiva de um campo de presença formado por perfis". Assim, facilmente se pode visualizar na figura acima imagens diferentes se focar um ou outro perfil material, ou seja, ao observar a figura dos cálices, tudo ao redor parece apenas um fundo branco e, ao focar a visão no fundo branco consegue-s-se visualizar os perfis dos rostos. Quando surge esta ambigüidade, chamamos ilusão de óptica.
Justamente, essa ambigüidade ocasionou muitas discussões, pois aqueles que visualizavam com facilidade os rostos, não compreendiam por que os outros visitantes, não conseguiam identificá-los, mesmo após aqueles haverem mostrado, apontado, explicado com obstinação.
Assim como a figura 04, que também p provocou bastante as pessoas , pois os homens logo enxergavam a moça, enquanto que as mulheres viam primeiro a senhora idosa , os quais discutiam entre si tentando mostrar um ao outro o que observavam .
Figura 04: M Moça ou idosa?
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Quando o estande de ilusões de óptica ficava sem nenhum membro da equipe, em um intervalo, percebia-se que as pessoas que haviam visitado o trabalho, explicavam para as demais com empolgação o que compreenderam, como mostra a f foto abaixo:
Figura 05: Feirante explicando as ilusões
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O uso da régua na exposição foi indispensável, pois as pessoas quando olhavam para imagens , como a da figura 3, chamada círculos de Titchener, um exemplo clássico de ilusões geométricas, não acreditavam que o círculo interno à esquerda é do mesmo tamanho que o círculo interno à direita. Primeiro, olhavam com olhos duvidosos , negavam a afirmação e, ao tomarem a régua em mãos e efetuarem as medidas, comprovavam que os círculos centrais realmente são do mesmo tamanho. . De acordo com Baldo e Haddad (2003, p.10), ao observar os círculos de Titchener há uma distinção ilusória de tamanhos entre o que é percebido
"e a ação emitida, imune à ilusão visual".
Figura 06: Círculos de Titchener
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Pode -se perceber que ao se deparar r com um problema, o público reflete e utiliza a régua, a qual representa os instrumentos de medida usados pela ciência, afirmando que o uso apenas da nossa visão pode nos enganar e que precisamos de recursos cada vez mais precisos de medidas para chegarmos mais perto do que seja a realidade.
Um senhor de idade avançada, aspecto bem humilde, aproximou-se devagar da mesa e ao verificar a figura 4 , a qual de um modo percebe-s-se um cavalo e, ao girar 180º, vê-se um homem, deu um bom sorriso e perguntou se aquilo era "coisa da escola", contando, em seguida, sobre sua vida escolar e as grandes mudanças que ocorreram na educação, afirmando que nos dias de hoje, " as pessoas estudam muitas coisas que não se ouvia nem falar" r" na sua época.
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Figura 0 07: Cavalo ou homem?
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Uma outra imagem que ocasionou bastante discussão entre os visitantes da exposição e que utilizou o instrumento régua, f foram as setas de Muller-Lyer (figura 5), cuja distorção visual, Bermond e Heerden (1996, p.321) explicam que se trata de uma construção imperfeita do olho vertebrado, da retina e do sistema de processamento visual que faz com om que o cérebro tenha que calcular r "a weighted mean value of the information", o que ocasiona uma inevitável percepção de extensão e redução das linhas.
Figura 08: Setas de Muller-r-Lyer
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Dentre os fatos que ocorreram, alguns visitantes perguntavam se as imagens eram para vender, até mesmo pelo local onde a exposição estava sendo realizada, a feira livre, lugar historicamente reservado para o comércio. As pessoas, entusiasmadas pela curiosidade crítica, observavam e buscavam o porquê e o como tais imagens ocasionavam aquelas visões. Houve, inclusive, uma criança que ao ver a primeira ilusão saiu correndo, voltando certo tempo depois, com algumas outras pessoas para lhes mostrar.
Paulo Freire (2(2006) ao trtratar da curiosidade, a distingüe em dois tipos: a curiosidade ingênua, como aquela que apenas observa a situação por mera curiosidade, e a curiosidade crítica, ou criticidade, como a capacidade de observar uma situação questionando sobre ela, buscando entendê-la. E quando isso ocorre, cabe ao professor, ou àquele que ensina a capacidade máxima de manter uma relação dialógica com o outro, pois tem-s-se que somos seres inacabados, tendo sempre algo a mais que aprender.
Tais acontecimentos são típicos quando se trata da popularização da ciência, pois ao utilizar o termo popularizar fazêmo-lo por significar muito mais que divulgar a ciência, mas colocá-la sob o julgamento do diálogo com os movimentos sociais, uma
vez que, de acordo com Araújo (2006), a primeira forma de conhecimento existente é o do senso comum, aquele adquirido nas atividades do cotidiano, da experiência.
A popularização da ciência servirá para acabar com mitos existetentes sobre a visão da ciência comomo algo muito superior ao saber do homem comum e como verdade inabalável, fornecendo também à população algum controle sobre a ciência (GERMANO, 2005).
Como alternativa para divulgação da exposição, na palestra realizada no dia anterior foram convidados os alunos da escola estadual, os quais compareceram, entusiasmados questionando e travando conosco uma relação dialógica na qual o aprendizado envolvia a todos conforme Freire(2006, p136) afirma "Seria impossível saber -s -se inacabado e não se abrir ao mundo e aos outros 'a procura de explicação, de respostas a múltiplas perguntas".
Entre as vivências, uma observação que foi realizada durante a amostragem de uma das ilusões, a qual confundia os nomes com as cores (Figura 9), era que as pessoas mais letradas apresentavam certa dificuldade em dizer as as cores, superior àqueles com nível de alfabetização menor ou deficiente, as quais se fixavam apenas nas cores e não nas palavras, houve inclusive uma criança em torno dos 10 anos que falava rapidamente as cores, disputando com outro quem falava mais rápido. De acordo com a teoria de Vygotsky (OLIVEIRA, 2002), pode-se analisar esse fato como os mais escolarizados tendiam a exibir um comportamento mais sofisticado, com uma visão mais ligada ao símbolo (a palavra), enquanto que os demais baseavam suas respostatas em experiências pessoais, o conhecimento das cores.
Figura 09: Diga somente as cores.
Ao final da exposição, mesmo durante o desmonte dos estandes, os visitantes continuavam observando as ilusões, interagindo e convidando as demais pessoas para ver r o trabalho, pois onde quer que haja mulheres e homens, sempre haverá o que ensinar e muito a aprender (FREIRE, 1996).
## Conclusões
Em termos de aprendizado este trabalho mostra-se bastante rico no seu desenvolvimento, principalmente em relação à interação o com as pessoas que estão fora das escolas e não têm tanto contato com a ciência, detentores dos saberes populares como os que são encontrados na feira livre.
- A exposição de Ilusões de óptica em si i atrai a atenção do público devido a testar o sentido que m ais confiamos, a visão .
- O trabalho é recompensado quando, com uma relação dialógico reflexiva permeada por respeito mútuo, propicia o entendimento da ciência como uma das múltiplas facetas da cultura.
- E, finalmente, com a popularização da ciência "Estamos convencidos de que o diálogo com as massas populares é uma exigência radical de toda revolução autêntica. Ela é revolução por isto." (FREIRE, 1981. p.149) Pois, tanto ciência como tecnologia são patrimônios da humanidade, sendo o conhecimento o método mais eficaz para se conseguir a emancipação.
## Referências
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BERMOND, B; HEERDEN, J V. The Müller-Lyer illusion explained and its theorical importance reconsidered. In: Journal Biology and philosophy , vol. 11, n. 3. July, 1996. Amsterdã. p. 321-328. Disponível em: www.springerlink.com. Acesso em : 10 set 2008.
CARMO, M S; SILVA, D. Ilusões de Óptica e a Visão Estereoscópica. Instrumentação para o Ensino, Campinas, Nov 2005. 12p. Disponível em: www.ifi.unicamp.br/~lunazzi i Acesso em : 12 set 2008.
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