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Arte\& Ciência no Parque

Mikiya Muramatsu, Jonny Nelson Teixeira, Carlos Eduardo Rossatti De Souza, Flávia Matioli Da Silva, Silvana Sausmikat Fortes, Maristela Do Nascimento Rocha, Gabriel O. Steinicke, Guilherme Hernandez Garcia, Maria Ines Nogueira, Cecil C. Robilotta

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVIII
Ano
2009
Data
29/01/2009
Linha de pesquisa
Divulgação Científica E Comunicação No Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## Projeto Arte e Ciência no Parque

## Jonny Nelson Teixeira, Mikiya Muramatsu, *Silvana Sausmikat Fortes

## Instituto de Física - - - USP

## Introdução

Um dos desafios principais no início deste século é o incentivo ao pensamento científico tecnológico que nos cerca des de meados do século XX. O ensino de Ciências no mundo vem sofrendo muitas mudanças, principalmente em relação à temática da importância do fazer científico, visando às inúmeras inovações tecnológicas que nos cercam.

Isso, no entanto, não foi "absorvido" pelos aprendizes, pois vimos em 2007 mais um resultado negativo do conhecimento científico escolar, de acordo com a avaliação do PISA neste mesmo ano. De acordo com esta avaliação, alunos na faixa de 15 anos de idade não sabem noções básicas de ciência em quase todas as áreas do conhecimento científico. Neste contexto, o Brasil ficou em 52º colocação dentre os 57 países que participaram da avaliação feita pela OCDE mundial (PISA, 2007) .

Com a população que já saiu do Ensino Básico, completando-o ou não, não tetemos nenhum dado completo, mas partimos do pressuposto que o mesmo ocorre. Este projeto financiado pelo CNPq tem como objetivo trazer aos vários locais que não possuem acesso à cultura científica por causa da distância ou da carência de seus moradores, experimentos demonstrativos interativos que podem instigar a curiosidade e iniciar um fazer científico com intervenções dos monitores mediando o saber, a curiosidade, a manipulação destes materiais e, em alguns momentos, trazendo informações que interiorizadas podem ajudar a aumentar o nível de alfabetização científica dos visitantes dos parques onde o projeto foi exposto.

Este trabalho tem como objetivo principal mostrar o funcionamento de um projeto de divulgação científica itinerante, a interação e a curios idade dos visitantes e discutir as dificuldades de sua execução que funciona como um museu em lugar aberto, cujo caráter interativo e itinerante o diferencia dos outros centros e museus de ciências espalhados pelo país.

## O projeto

O projeto teve início em meados de 2006 e tem como objetivo levar experimentos demonstrativos e interativos para parques e praças da cidade de São Paulo. Atualmente o projeto conta com diversos experimentos demonstrativos na área de Física e demonstrações interativas nas áreas de Biologia e de Artes, onde nesta se preza o olhar artístico e científico das telas expostas.

Ao contrário de alguns centros de ciência espalhados pelo mundo, este projeto de divulgação é um dos pioneiros do Brasil e tem por metodologia básica a interação do visitante dos parques com os experimentos expostos. Esta interatividade do visitante traz uma relação de confiança, fazendo-o ficar descontraído e confiante para mostrar suas dúvidas e indagações acerca do experimento, do seu funcionamento e dos fenômenos científicos ilustrados nos modelos (Silva, 2000).

Como a maioria dos centros e museus de ciência do país funcionam em ambientes fechados e a maioria dos acervos são expostos em ambientes internos, os visitantes têm que se deslocar até o museu. Na maioria das vezes o visitante vai até o museu com uma excursão de escola ou com a família, ou até mesmo sozinho. A grande diferença é que nestes espaços a maioria dos visitantes, com exceção dos que vão com a família e sozinhos, geralmente chamados de visitantes espontâneos, vai ao museu com uma finalidade mais educacional geralmente os que vêm direto das escolas.

Estas ações saem do padrão da filosofia dos centros e museus de ciências, que geralmente são construídos e sua pedagogia de intervenção criadas para aumentar o gosto pela ciência, estimular os jovens às carreiras científicas e, muito importante, auxiliar na árdua tarefa de promover e aumentar os níveis de alfabetização científica, podendo esta chegar até um nível maior de letramento científico (Teixeira, 2007).

O projeto em questão leva um conjunto com vários experimentos colocados em mesas cuidadosamente dispostas para a circulação dos visitantes por entre elas. A exposição geralmente fica montada na entrada do parque, onde a circulação de pessoas é maior, assim o visitante vê a exposição e participa dela na sua entrada no parque e/ou na saída dele.

Projeto nas entradas dos parques

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As demonstrações estão separadas por área de conhecimento e por assuntos, como óptica, som corpo humano, etc. Em cada conjunto de mesas ficam até dois monitores, que organizam sua parte e colocam os experimentos interativos dispostos do melhor modo à sua utilização pelo visitante.

Disposição das mesas e d dos equipamentos no projeto

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Para os experimentos que necessitam de energia elétrica, o projeto conta com um pequeno gerador à gasolina, utilizado para os lugares que não possuem pontos de energia próximos.

## Um centro de ciência ao ar livre

A idéia de se montar um projeto de divulgação científica itinerante teve sua origem na suposição da montagem de um centro de ciência ao ar livre. Num centro de ciência fechado os monitores, os visitantes e o acervo estão confinados em um local, fixos e onde os visitantes vão até o lugar. Num projeto itinerante a ciência literalmente vai até o visitante, que neste caso estará

visitando não um centro ou um museu de ciência, mas um parque verde ou uma praça, onde ele não esperaria encontrar algo do gênero.

No parque o fator surpresa é essencial para a motivação das pessoas que serão alcançadas pelo projeto, pois as pessoas não saem de casa com o objetivo de ver algo sobre ciciência, mas de se divertir, passear, ter um lazer. r. Alguns trabalhos da área de pesquisa em centros de ciência mostram a existência de alguns instalados ao ar livre, que propõem exposições externas a um lugar fechado. No entanto, o que diferencia os referidos locais deste projeto é o fato de que lá as demonstrações estão fixas num determinado lugar.

Surpresa na descoberta e interatividade do grupo nos parques

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Outra diferença é o uso de fatores naturais como o calor e a luz solar em demonstrações, utilizados em lugares também fixos, o que ocorre no Clore Garden of of Science, em Israel, ou o Playground da New York Hall of Science, e, nos Estados Unidos (Mir, 2002).

A vantagem de se ter um centro de ciência itinerante é a conjunção do fator surpresa no visitante e a possibilidade de utilização das diversas demonstrações que podem utilizar os mesmos fatores naturais, sem estar fixos a alguns deles, o que dificulta a sua utilização quando o dia estiver nublado, por exemplo.

Geralmente o fator surpresa traz à tona as sensações e as percepções, além das suas mudanças, nas atitudes e nos questionamentos dos visitantes. Temos observado que quando o visitante chega, sua pretensão é usufruir da infra -estrutura do parque para lazer.

A maioria das pessoas que freqüentam parques não tem muitas vezes idéia que ele pode ser tratado como um espaço de educação. Isso pode ser

contestado quando analisamos o parque como um espaço de educação nãoformal, diferente da educação formal, aplicada nas escolas e da educação informal, trabalhada em casa ou numa roda de amigos (Coombs, Prosser e Ahmed, 1973). No entanto, grande maioria dos parques e praças não são espaços de educação científica não-formal. Ao levarmos os experimentos demonstrativos para os parques estes se tornam um local onde a alfabetização e o letramento científico se tornam presentes, o que quer dizer que estes locais, independentes de terem sido criados para outros fins, dependendo dos materiais e do olhar podem se tornar um espaço onde o aprendizado pode ser significativo a ponto de se promover alfabetização e letramento científicos.

## Interatividade

O simples fato de o visitante ser desafiado a solucionar um quebra-c-cabeça lógico ou a resolver problemas onde tenha que utilizar um conhecimento físico, biológico ou matemático para resolver um problema prático proposto pelos monitores do projeto faz os visitantes se interessarem mais pela exposição. A abordagem do monitor neste momento é crucial, no sentido em que e a sua assistência ao visitante pode trazer elementos para a promoção da alfabetização e do letramento científico do visitante.

Interatividade e lógica no parque Guarapiranga e no 60ª Reunião da SBPC

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- Campinas - SP

Outra observação importante é que interação do visitante com as demonstrações da exposição é mais intensa quando esta traz um impacto visual, auditivo ou desafiante ao visitante. Algumas demonstrações em particular são muito mais atrativas que outras, no sentido de surpreender principalmente os visitantes mais jovens, na faixa entre os 8 e 17 anos,

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geralmente alunos de ensino básico. . É o caso dos experimentos mais interativos como a bicicleta que gera energia e faz uma pequena TV funcionar ou de jogos matemáticos interativos como a Torre de Hanói ou o equilíbrio de pregos.

Bicicleta e pregos equilibristas nos parques Guarapiranga e

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CEMUCAM

- SP

Nos experimentos descritos acima, por exemplo, a integração entre visitante, monitores e experimentos demonstrativos, com a abordagem certa do monitor, pode trazer conhecimentos muito importantes ao visitante. Daí, mais uma vez, vemos a importância do papel do monitor na exposição das demonstrações deste projeto ou de quaisquer centros ou museus de ciência.

Neste escopo ressaltamos a importância do tipo de explicação dada pelo monitor e a relação do tipo de abordagem feita por ele ao visitante na sua interação com o experimento. Grande parte das demonstrações que ilustram fenômenos científicos traz na sua base um conhecimento científico carregado de equações e vocábulos técnicos que na grande maioria das vezes não é comum a quem interage com a demonstração.

Neste contexto os monitores são responsáveis por algumas ações importantes como questionar, indagar, conduzir o raciocínio lógico-científico-otecnologico dos visitantes, incentivar a curiosidade, chamar atenção para as particularidades de cada experimento, exemplificar fenômenos, etc.

Outra ação importante do monitor neste tipo de museu interativo itinerante é organizar e cuidar do acervo, encontrando posições adequadas para um m e outro experimento, como os que precisam de luz, de espaços abertos, fechados, pontos de eletricidade ou outros. Organizar a exposição com relação às pessoas que a visitam, indicar outros elementos da exposição itinerante

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para que o visitante tenha a oportunidade de ganhar tempo e sair da exposição com dúvidas e, mais importante de tudo, com vontade de aprender mais, sem entretanto esquecer que a alfabetização científica do visitante é essencial, o que indica que ele não deve sair da exposição sem nada saber.

No entanto não existe monitor ideal, de modo que deve se manter um equilíbrio entre a interatividade, o que se deve e o quanto de seve explicar (Costa, 2007). Saber quais as questões mais instigantes que tratam do assunto visto na demonstração ajuda muito, no sentido de incentivar o raciocínio de quem interage a formular respostas e procurar em conhecimentos já adquiridos anteriormente em qualquer lugar (escola, TV, etc.). Em outras palavras, o monitor neste tipo de ação pode ser visto como um interventor, que liga a ciência e as ações do cotidiano do visitante (Gore, 2002).

No projeto, os monitores e estagiários dão sua contribuição fazendo a integração hands -o-on/minds-on/hearts -o-on nos parques (Pavão e Leitão, 2007), sem ter uma linguagem meramente explicativa, mas incentivando o visitante a mexer, observar, pensar, levantar hipóteses e, algumas vezes, explicar, dependendo do caso.

## Principais problemas na realização do projeto

Como acontece com qualquer projeto de cunho educacional e de extensão cultural, ocorrem alguns problemas com este m questão. Um dos problemas mais gerais se resume à questão de logística do material e dos monitores.

O financiamento para o projeto inicialmente não previa a necessidade de automóveis para o deslocamento dos materiais, o que se fez necessário neste momento. Com as visitas aos parques e escolas públicas, onde o projeto se apresenta e faz mini cursos e oficinas para os professores e alunos da rede pública de São Paulo, a distância dos locais das apresentações foi ficando cada vez maior, por conta do tamanho da capital de São Paulo.

Com o aumento do acervo com a criação de novos experimentos pelos monitores, estagiários e professores que participam do projeto se fez necessário o aumento no número desses participantes. Levar r todos os monitores e o acervo aos parques começou a ser um problema que os organizadores do projeto tiveram que solucionar às pressas .

Outro problema enfrentado são as condições do clima nos dias de apresentação. Se o dia estiver nublado e com chuvas, os parques não funcionam e o projeto não é apresentado. Condições com sol excessivo também podem se tornar um problema, no sentido de estragar os materiais ou atrapalhar as apresentações. Com isso o ideal seria que os parques tivessem um lugar coberto para estas exposições. A solução desse problema é a compra de algumas barracas ou tendas para a apresentação de alguns experimentos.

A manutenção do acervo também deve ser tratada com cuidado. Como o financiamento do projeto não prevê verba para contratação de sererviços de terceiros e, por causa da interatividade dos visitantes, os materiais geralmente se deterioram com facilidade, não por falta de cuidado, mas pelo excesso de manuseio. Para isso foi montada uma oficina, onde além da manutenção são criados protótipos de demonstrações que serão utilizadas nos parques. Uma pessoa especializada para ficar nesta oficina seria útil, mas como o projeto não prevê verba para a contratação desta pessoa, a Universidade teve que contratar um provisoriamente. Quando o contrato desta pessoa terminar, a manutenção dos materiais não mais será feita, a não ser pelos monitores e estagiários que, na maioria das vezes, não possuem habilidades básicas para trabalhar com materiais e ferramentas utilizadas para a manutenção deste equipamenento.

## Conclusão

Como visto, o projeto Arte &amp; Ciência no Parque traz uma nova perspectiva para a promoção da alfabetização científica da população, com a popularização da ciência por intermédio da integração entre os visitantes do parque, os experimentos demonstrativos e os monitores/integradores.

Com todos os problemas enfrentados pelo projeto, foi possível no ano de 2007 a visita a seis parques, cinco escolas e uma infinidade de exposições em mostras e simpósios.

Esta iniciativa não se propõe a ensinar ciência no modo mais erudito, tradicional e pedagógico do assunto, mas incentiva a observação, o levantamento de hipóteses acerca dos fenômenos observados nos

experimentos, popularizando a ciência e a tornando mais instigante, maravilhosa e fascinante para uma pessoa que pouco conhece do assunto.

Promove a interação do visitante e o seu raciocínio lógico-científico e, neste caso, pode ser tratado não como uma pedagogia ou metodologia própria para o ensino de ciências, mas como uma ferramenta importante na investigação e na provocação de inquietações, dúvidas e curiosidades, as quais podem ser utilizadas no ensino das ciências.

## Bibliografia

COOMBS, P., PROOSSER, R. C. ,AHMED, H. New Paths to Learning for Rural Children and youth. ICED, New York, 1973.

COSTA, A. G. Os "e "explicadores " " devem explicar? In Diálogos &amp;Ciência - Mediação em museus e centros de ciência. Núcleo de Estudos da Divulgação Científica. Rio de Janeiro, 2007.

GORE, M. Exposições interativas e itinerantes de Ciência . In Implantação de centros e museus de Ciências - - anais do Simpósio Internacional de Implantação de Centros e Museus de Ciência. Rio de Janeiro, 2002.

MIR, R. Centros de Ciência ao ar livre . In Implantação de centros e museus de Ciências - - anais do Simpósio Internacional de Implantação de Centros e Museus de Ciência. Rio de Janeiro, 2002.

PAVÃO, A. C . e LEITÃO, A. Hands -on? Minds -o -on? Hearts -on? Sociallon? Expliners-on! In Diálogos &amp;Ciência - Mediação em museus e centros de ciência. Núcleo de Estudos da Divulgação Científica. Rio de Janeiro, 2007.

PISA, Program for international students assessment - - Relatório de desempenho dos alunos brasileiros . OECD. New York, 2006.

SILVA, G. A. Montagem de Exposições de Divulgação Científica. a. InEducação para a Ciência - Curso para Treinamento em Centros e Museus de Ciência. Ed. Livraria da Física. São Paulo, 2000.

TEIXEIRA, J. N. Categorização do Nível de Letramento Científico dos Alunos de Ensino Médio. Dissertação de Mestrado - Instituto de Física da Universidade de São Paulo. São Paulo, 2007

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