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A LINGUAGEM DOS QUADRINHOS NO ESTUDO DA RADIOATIVIDADE NO ENSINO MÉDIO: O ACIDENTE COM O CÉSIO-137 EM GOIÂNIA, 20 ANOS DEPOIS

Giovanni Grassi, Paulo Celso Ferrari

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVIII
Ano
2009
Data
29/01/2009
Linha de pesquisa
Divulgação Científica E Comunicação No Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## A LINGUAGEM DOS QUADRINHOS NO ESTUDO DA RADIOATIVIDADE NO ENSINO MÉDIO: O ACIDENTE COM O CÉSIO -137 EM GOIÂNIA, 20 ANOS DEPOIS

## Giovanni Grassi 1 , Paulo Celso Ferrari 2

1 Universidade Federal de Goiás/Mestrado em Educação em Ciências e Matemática, gigrassi@gmail.com

2 Universidade Federal de Goiás/Instituto de Física, pferrari@if.ufg.br

## Resumo

Vinte anos após o acidente com o Césio-137, 7, em Goiânia , a população da cidade mantétém viva a memória do acidente no acervo histórico e prestação de serviços s de três inststituições: a Superintendência Leide das Neves (S(SULEIDE) , a Associação das Vítimas do Césio (AVCésio) e o Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro Oeste , da Comissão Nacional de Energia Nuclear (C(CRCN-CO/C/CNEN), cada qual com uma função específica . Nossa pesquisa consiste em investigar uma forma de aproveitar esses espaços não-formais para introduzir conceitos de Radioatividade , intensificando a integração entre a educação formal e a não -formal, praticada por estas instituições, s, recorrendo à linguagem dadas histórias em quadrinhos, apresentada como um recurso paradidático que possa esclarecer alguns conceitos de Física Nuclear necessários para a compreensão do acidente com o Césio-o-137 e incentivar r a visitação das escolas s às instituições de divulgação. Para isso, foi necessário fazermos um resgate histórico sobre o acidente, discutirmos as relações entre e educação formal e não -formal, compreendermos a linguagem de divulgação científica e o papel das histórias em quauadrinhos no ensino de ciências. Realizamos visitações e coletamos informações s procurando saber como os professores do Ensino Médio vêem essas instituições e o que podemos fazer para tentar modificar certas concepções alternativas que intimidam a visitação, como, por exemplo, o temor de contaminação e irradiação, identificando e discutindo os principais conceitos de Radioatividade envolvidos no acidente. Como produto dessas investigações s elaboramos uma história em quadrinhos s que vem a esclarecer alguns conceitos científicos e proporcionar a aproximação entre as s escolas s e os órgãos de divulgação científica.

Palavras -c -chave: Divulgação Científica, Radioatividade, Histórias em Quadrinhos, Césio-137

## Introdução

No dia 13 setembro de 1987, duas pessoas retiraram uma fonte de Césio137 do prédio abandonado do InInstituto Goiano de Radioterapia, na região central de Goiânia e, com o auxílio de várias ferramentas, conseguiram romper o invólucro de chumbo, expondo o material radioativo ao meio ambiente. A fonte, de 50,9 TBq, era de cloreto de césio, um sal muito parecido com o potássio, podendo ser concentrado em animais e plantas. O episódio ficou conhecido como o acidente com o Césio em Goiânia.

Após vinte anos a população de Goiânia mantém viva a memória do acidente em três instituições, cada qual com uma função diferente. A Superintendência Leide das Neves - - SULEIDE, que substituiu a Fundação Leide das Neves, vinculada a Secretaria Estadual de Saúde de Goiás, presta assistência

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médica aos envolvidos , a Associação das Vítimas do Césio (AVCésio) , luta pelos direitos dos vitimados e o Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro Oeste (CRCN-CO), unidade da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), que substituiu a Nuclebrás, responde pela preservação do ambiente e realiza pesquisas sobre energia nuclear .

Acreditamos que vários conceitos sobre Radioatividade podem ser inseridos na educação formal através da utilização de materiais de divulgação científica, como os disponibilizados pelos órgãos institucionais (AVCésio, SULEIDE e CRCN-CO), pois, proporcionam a formação cultural necessária para que os estudantes compreendam criticamente os problemas científicos. Essas três instituições, em particular o CRCN-N-CO, enquanto espaço de divulgação científica, podem dar uma enorme contribuição para o estudo da Radioatividade É no Ensino Médio, à exemplo çp de diversos museus de Ciência. É uma maneira de integrar educação não -f -formal e formal.

Este trabalho pesquisa consistiu em investigar uma forma de intensificar essa integração e para isso recorreremos à linguagem das histórias em quadrinhos.

## 1. Fundamentação Teórica

Nosso trabalho procura investigar a integração entre educação formal e nãoformal, praticada nos centros de divulgação científica, fazendo uso de uma história em quadrinhos que, ao mesmo tempo, esclareça alguns conceitos de Radioatividade , necessários para a compreensão do acidente com o Césio-137, e incentive a visitação das escolas às instituições de divulgação.

## 1.1. Educação não-foformal

Primeiramente, para diferenciar da educação não-formal, Dib (1992, p. 1) conceitua a educação formal como uma modalidade de educação que é sistemática, organizada, estruturada e regida por normas e leis e ainda possui um currículo "[...] relativamente rígido em termos de objetivos, conteúdo programático e metodologia, e caracterizado por um processo contíguo de ensino envolvendo necessariamente o tripé professor/aluno/escola".

Um dos elementos obrigatoriamente presente na educação formal é a avaliação, uma vez que a educaç ão formal tem o compromisso de certificar , portanto , precisa definir objetivos e critérios para avaliar o cumprimento desses objetivos.

Para Cazelli (2001) a educação escolar é um exemplo de educação formal, constituindo -se em promover a aquisição de conhecimento e habilidade para o exercício pleno de práticas de "alfabetitismo" científico.

- Já a educação não-formal "[...] define-se como qualquer tentativa educacional organizada e sistemática que, normalmente, se realiza fora dos quadros do sistema formal de ensino" (BIANCONI; CARUSO, 2005, p. 20).

Entende -se também que a educucação não-formal contempla as atividades intencionais com baixo grau de estruturação, sistematização e organização. É claro, há interações pedagógicas, porém não formalizadas. Exemplo disso são as atividades extra -escolares que " [...] provêem conhecimentos s complementares" (LIBÂNEO, 1992, p. 82).

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Ainda nessa perspectiva, Martins (2002) argumenta que a educação nãoformal acontece fora da escola, veiculada por museus, centros de ciências, pelos meios de comunicação e acontece de acordo com a vontade do indiv íduo. Por não ser obrigatória, faz-se necessário sua concepção de forma a tornar-s-se agradável.

De acordo com Cazelli (2001, p. 16), a educação não-formal tem ganhado destaque na elaboração de políticas nacionais de ensino e divulgação e , devido às ações de cunho educacional e às pesquisas na área, se constitui como referência. Acrescenta ainda que a modalidade não-formal promovida nos museus de ciências, deve ser reconhecida no sentido de "[...] desenvolver parcerias educacionais para a formação de profissionais para a educação formal e a não formal em ciências que atuem articulando essas duas formas de educar".

A A modalidade de educação o não-formal ocorre quando existem objetivos a serem alcançados fora do âmbito escolar, a aprendizagem de conteúdos pode ser r a mesma da escolarização formal, porém , em espaços não-f-formais, como museus, centros de ciências, , ou qualquer instituição que tenha a suas atividades direcionadas , com objetivos definidos (VIEIRA; BIANCONI; DIAS, 2005).

Na educação não-formal não é obrigatório que haja avaliação, pois não há o compromisso de certificar, portanto, qualquer contribuição para a aprendizagem é satisfatória.

Em uma análise feita por Coutinho-Silva et al (2005) foi possível perceber que a visitação aos espaços não-formais de ensino é algo extremamente positivo, pois alunos e professores do ensino fundamental e médio enriquecem conteúdos trabalhados na escola, além de haver uma melhoria da percepção de ciência de todos os demais visitantes.

Os pesquisadores Caruso, Carvalho e Silveira (2005, p. 33), numa tentativa de integração entre a educação formal e não-formal , por meio do Projeto de Educação de Ciências Através de Histórias em Quadrinhos (EDUHQ) , mencionam inclusive os princípios da LDB relativos à viabilização do ensino não-formal que, segundo os autores, apresentam uma " [...] enorme potencialidade ainda pouco explorada".

Neste trabalho investigamos a linguagem de divulgação, que apresenta características peculiares, utilizada pelos centros de ciência, como elo de ligação entre o ensino não -formal e o formal .

## 1.2. A A linguagem de divulgação cientifica

Muitos cientistas vêm se dedicando a divulgar suas produções ao público não iniciado em pesquisas científicas. Conforme Ribeiro e e Kawamura (2006), o processo de divulgação científica é um elo entre o público em geral e a ciência por meio de diversos tipos de recursos e técnicas.

Três pontos fundamentais são levantados por Candotti (2002) para tratar da divulgação científica na educação de todos. O primeiro deles é promover uma campapanha entre pesquisadores e sociedades científicas com o intuito de promover e incentivar mais cientistas a escreverem para as crianças e alunos das escolas, enriquecendo seu universo de informações e atualizando professores e textos didáticos. O segundo ponto está relacionado à tecnologia: ela deve ser incorporada ao ensino, porém, nunca com a intenção de "substituir o papel da experiência, do

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teste e da interpretação dos resultados, dos modelos e das idéias, como também do exame dos objetos e documentos [...]"]". O terceiro, e último ponto, está centrado na contextualização, relacionado "["[...] à cultura, às condições, aos hábitos, aos jogos, às histórias e às tradições locais quando ensinamos ciências".

Silva, Arouca e Guimarães (2002) complementam a respeito, considerando que as ações da divulgação científica têm como objetivos principais:

- 1. afirmar o direito de cidadania com relação ao conjunto das ações de popularização da ciência;
- 2. despertar vocações científicas nos jovens;
- 3. gerar parâmetros para a própria comunidade científica. (AROUCA e GUIMARÃES, 2002, p. 155)

Na atualidade vivemos um constante avanço tecnológico, intimamente ligado à ciência que, ao ser popularizada, "[ ... ] deixa de ser um fim em si mesmo e adquire o significado de direito do cidadão e uma das condições necessárias à formação e capacitação dos indivíduos para lidarem com o mundo em que estão inseridos".

Salém e e Kawamura (1996) acreditam que os textos de divulgação científica atraem o leitor para o mundo da ciência, tornando o conhecimento científico acessível e desmistificado. Ainda ressaltam que estes textos apresentam uma diversidade de abordagens e de recursos, podendo enfatizar a filosofia da ciência, a história da ciência, os procedimentos da ciência e as aplicações da ciência, , através de poemas, canções, gendakens, clássicos da literatura ou ilustrações. Além disso, não possuem formalismo matemático, e fazem muito uso de analogias e metáforas, convidando o leitor à reflexão e à curiosidade.

Ainda no sentido de fundamentar a escrita de textos de divulgação, Moreira e Massarani (2001) descrevem que a linguagem, símbolos e imagens devem ser construídos especificamente para tal fim. Os autores fazem um paralelo entre textos originais dos cientistas e textos de divulgação científica, a, questionando quais os modos diferentes de apresentar, ilustrar, argumentar e quais analogias podem ser utilizadas.

Sendo assim, percebemos que a divulgação científica possui uma linguagem específica a que mantém o necessário rigor científico, porém, procura se aproximar da linguagem usual. Essa é a linguagem utilizada pelos órgãos institucionais encarregados de divulgar pesquisas científicas, como é o caso do CRCN-CO, mantido pela CNEN, responsável por receber a população em geral com o objetivo de desmistificar o acidente com o Césio -137 em Goiânia, , divulgar as pesquisas sobre o uso benéfico da energia nuclear, bem como os efeitos ambientais nas proximidades do local onde estão o depositados os dejetos do acidente. Os cientistas do CRCN -CO trabalham nessa persrspectiva, elaborando textos com rigor científico, porém, utilizando uma linguagem acessível (CARDOSO, 2008; NOUAILHETAS, 2008).

Nesta pesquisa tomaremos o trabalho do CRCN-CO como exemplo de educação não-formal, que utiliza a linguagem de divulgação científica , e produziremos um material paradidático contendo uma história em quadrinhos , também numa linguagem acessível ao grande público, , que estimule a visitação a esse órgão o e contribua com o ensino de conceitos científicos , a exemplo de outras iniciativas nesse sentido .

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## 1.3. Histórias em Quadrinhos s na Educação em Ciências

Buscamos na literatura experiências de abordagem de temas de Física utilizando Histórias em QuQuadrinhos (HQs). Testoni e e Abib (2004) explicam que as imagens e os textos são complementares, , pois o texto deve contemplar aquilo que a imagem não consegue demonstrar r e isto é o que garantirá a eficácia dos quadrinhos. Além disso, esta interação torna possível que o sistema texto-imagem seja dinâmico e represente a " " realidade " .

Caruso, Carvalho e Silveira (2002) esclarecem que um desafio a ter sempre em mente é a utilização de textos curtos e simples, pois a linguagem da imagem é muito importante. Outro desafio é não se trabalhar com a memorização, mas sim, além de despertar a curiosidade do aluno, permitir que ele aprenda e reflita o conteúdo abordado através de deduções e conclusões próprias. Portanto, o material não pode ser óbvio e nem conter explicações que não deixem espaço para que o aluno tire suas próprias conclusões.

Segundo Vergueiro (2005) é possível introduzir um tema na sala de aula através dos quadrinhos e depois desenvolver este tema por outros meios. É possível ainda sua utilização após a introdução do tema, com o intuito de aprofundar no assunto, gerar uma discussão de um assunto e também ilustrar uma idéia. Isto se torna mais fácil, pois a leitura de HQs faz parte do cotidiano de crianças e jovens, a interligação do texto com a imagem amplia a compreensão de conceitos, é possível oferecer através das HQs um variado leque de informações e não existe "b"barreira" em relação ao público alvo, portanto , os quadrinhos podem ser utilizados em qualquer nível escolar e com qualquer tema.

- O professor, ao introduzir o tema qualquer, inclusive nas aulas de Física, poderá utilizar as HQs como ferrrramenta paradidática, pois há na literatura sugestões de aplicações que podem ser utilizados facilmente ou ainda inspirar os professores (CARVALHO, 2006).

No nosso caso, sabemos que o acidente com o Césio-137 desperta muito interesse na população, especialmente a goiana, e procuramos abordar, com os quadrinhos, uma questão ainda polêmica: o temor de contaminação passados vinte anos do acidente. A historinha não esclarece totalmente a questão, mas remete o leitor aos órgãos os responsáveis por gerenciar os depósósitos dos rejeitos radioativos e prestar assistência à população em assuntos relativos ao seu âmbito de atuação.

## 2. Metodologia

Nosso problema de pesquisa envolveu uma série de interrogações: como inserir noções de Radioatividade no ensino de Física na Educação Básica? Este tópico pode ser inserido com critérios diferentes dos utilizados na inserção de tópicos clássicos? Podemos utilizar informações contidas nos órgãos de divulgação científica? O que fazer para estreitar a relação entre a escola (ensino formal) e os órgãos destinados à divulgação científica (ensino não-formal)? No caso da Radioatividade, mais especificamente o acidente com o Césio-137 em Goiânia, quais são os órgãos institucionais responsáveis pelo esclarecimento da população? Como estreitar r as relações entre esses órgãos e as escolas? A resposta a todas essas interrogações surgiu na forma de uma ação direta que possibilite aproveitar as informações sobre Radioatividade disponíveis nas instituições vinculadas ao

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acidente e culminou na elaboração de uma história em quadrinhos incentivando a visitação a essas instituições.

Realizamos, para tanto, uma revisão bibliográfica sobre a educação nãoformal, a linguagem de divulgação científica e a utilização de histórias em quadrinhos no ensino de Ciências com o objetivo de subsidiar a produção de um material paradidático sobre o tema .

Em seguida, vivisitamos as instituições e conversamos com alguns representantes da a AVCésio, , SULEIDE e CRCN-CO, procurando identificar quais conceitos de Física Nuclear deveriam ser abordados e qual seria o perfil dos visitantes a essas instituições . Essas informações foram levadas em consideração para a elaboração dos quadrinhos .

## 3. Resultados

Visitamos os órgãos institucionais responsáveis pelo esclarecimento da população em relação ao acidente , que são AVCésio, SULEIDE e CRCN-CO , fizemos um levantamento de e suas atribuições , suas práticas e conversando com alguns representantes conseguimos identificar r quais são os conceitos de Radioatividade, os efeitos biológicos e ambientais da radiação relacionados ao acidente, bem como traçar o perfil dos visitantes, conforme descrevemos em seguida .

## 3.1. Visita à AVCésio e SULEIDE

Pudemos perceber, r, em visitas a SULEIDE, que seu papel é dar atendimento médico e psicológico às vítimas e e filhos das vítimas (também vítimas). Através de conversas as com alguns representantes desta superintendência foi relatado que o perfil dos visitantes é exclusivamente de vítimas do acidente, ou seja, integrantes da AVCésio .

## Oficialmente, as atribuições da SULEIDE são:

I -prestar assistência médica e social às vítimas direta e indiretamente atingidas pelo acidente radioativo de Goiânia, durante o tempo que se fizer necessário; II -realizar estudos epidemiológicos sobre os efeitos do acidente; III -promove r programas de vigilância ecológica (controle de radiação ambiental); IV - implantar programas de pesquisas em Física e Medicina Nucleares; V - capacitar, a curto, médio e longo prazos, pessoal técnico; VI - adequar pessoal próprio para atuar como referência em outros centros urbanos; VII - coordenar programas de divulgação para reverter a imagem negativa que se abate sobre Goiânia e Goiás; VIII - articular e coordenar todo e qualquer tipo de intercâmbio científico e de trabalho com instituições de ensino e de pesquisa, nacionais e internacionais; IX - outras atribuições previstas em seu estatuto (WASASCHECK, 2007, p. 1) .

Identificamos ainda que há uma confusão conceitual com relação a intoxicação radiológica e irradiação, pois em uma das conversas foi mencionado que vítimas ainda crêem estar irradiando mesmo depois da desintoxicação feita na época do acidente, vinte anos atrás. Pudemos observar que nem a SULEIDE nem a AVCésio possuem um programa de esclarecimento público. O órgão oficial de esclarecimento da população sobre o acidente com o Césio-137 melhor estruturado para receber a visita de estudantes é o CRCN-N-CO, pois, conta com infra-estrutura adequada e profissionais devidamente preparados para este fim.

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## 3.2. Visitas ao CRCN -CO

Depois de várias idas ao CRCN-CO, localizado na cidade de Abadia de Goiás, GO, conseguimos identificar que o mesmo realiza diversas atividades voltadas à população. Não possui público específico, pois recebe quase que diariamente, pessoas de todas as idades, de diversos níveis de escolaridade, diversas regiões do estado, do Brasil e do mundo, de inúmeras instituições, com o objetivo de conhecer ou compreender melhor os aspectos que envolvem o acidente com o Césio -137 em Goiânia. Esta unidade do CNEN pode , então , ser caracterizada com o um espaço não-o-formal de educação, pois não é um ambiente escolar, mas tem uma estrutura extremamente organizada de recepção dos visitantes e objetivo bem definido: desmistificar o acidente e mostrar o lado positivo da física nuclear e a importância da utilização da energia nuclear, apontando seu uso benéfico através de irradiação de alimentos, diagnóstico e cura de doenças, ou seja, demonstrando que este conhecimento, proporcionou melhorias na vida da população. Além disso, é objetivo do CRCN-CO: "Exercer r controle institucional sobre o depósito definitivo de rejeitos radioativos e viabilizar soluções tecnológicas Nucleares para as demandas de desenvolvimento da Região Centro-Oeste" (CNEN, 2008).

Conversamos com alguns representantes do CRCN-CO e percebemos que ainda existe o receio de parte da população em visitar o local, pois algumas demonstram medo de sererem irradiadas pelo lixo do acidente, acondicionado em recipientes de chumbo e enterrados em dois depósitos subterrâneos revestidos de paredes de chumbo e concreto, completamente monitorada pelo CRCN-CO. Outro aspecto bastante relevante levantado popor um representante do CRCN-CO é que alguns professores deixam de fazer a visita com seus alunos pelo mesmo motivo .

## 3.3. Conceitos de Física Nuclear r e Radioproteção

A partir dessas visitas, fizemos o levantamento dos conceitos de Radioatividade, os efeitos no organismo e no ambiente , mencionados por integrantes ou observados nos ambiente dos órgãos visitados, relacionados com o acidente com o Césio -137 em Goiânia .

Recorremos às publicações destinadas ao ensino acadêmico de física nuclear, como Kaplan (1978), Okuno, Caldas e Chow (1986), entre outros, para dar suporte aos conceitos envolvidos no acidente com o Césio-137: elemento radioativo, energia de radiação, atetenuação, tempo de meia-v-vida, proteção radiológica, dossimetria, radioproteção, dose de absorção, entre outros.

Okuno, Caldas e Chow (1986) apontam alguns organismos internacionais, como a "International Commission on Radiological Protection" (ICRP) e a "International Commission on Radiation Units and Measurements" (ICRU), que definem as grandezas de medida da radiação, suas unidades, e estabelecem os limites máximos permissíveis de dose para os que trabalham com radiação e para o público em geral. Esses autores citam ainda, no Brasil, a CNEN, que é responsável pela legislação e pela fiscalização do uso da radiação. A CNEN N elaborou as normas que regem o uso da radiação no país, conhecidas como "Normas Básicas de Proteção Radiológica".

Esses conceitos, relac ionados com o problema da intoxicação (uma vez que o cloreto de césio foi ingerido por alguns envolvidos) e da contaminação , podem ser

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esclarecidos pelas s instituições acima referidas, uma vez que são responsáveis, tanto pela saúde da população, quanto pelo controle do Césio-137. Por isso, o objetivo maior do nosso trabalho é incentivar os professores de Goiânia a levarem seus alunos a essas instituições.

## Considerações Finais

As informações que temos em mãos nos possibilitaram investir na elaboração de um material paradidático contendo uma história em quadrinhos que contribua para o ensino de Radioatividade e , ao mesmo tempo, estreite as relações entre escolas e o os órgãos comprometidos com o acidente .

Figura 01: História em Quadrinhos s (para melhor visualizização, utilize o zoom)

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Contamos com a colaboração de um quadrinista amador, Francisco Fernandes Soares Neto, estudante de Licenciatura em Física, e Luana Cristina Silva, designer gráfica, para o desenvolvimento dessa história em quadrinhos contendo um breve ve histórico do acidente, alguns conceitos de Radioatividade, uma apresentação dos centros de divulgação e um convite aos leitores a visitarem o CRCN -CO (Figura 01).

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