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Aspectos emocionais nas sessões de planetários: como categorizar?

Carlos Aparecido Kantor

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVIII
Ano
2009
Data
29/01/2009
Linha de pesquisa
Divulgação Científica E Comunicação No Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## ASPECTOS EMOCIONAIS NANAS SESSÕES DE PLPLANETÁRIOS: COMO CATEGORIZAR?

Carlos Aparecido Kantor [carlos.kantor@fsa.br]

Centro Universitário Fundação Santo André / Faculdade de Educação - USP

## RESESUMO

Ao longo de sua história, os museus e centros de ciências têm prprocurado formas de comunicação mais eficientes com seu público , com o intuito de melhor divulgar o conhecimento científico. A mudança do foco dos objetos expostos para o público se constituiu na alteração mais marcante deste objetivo. Atualmente, a possibilidade de criação de espaços virtuais em três dimensões - ambientes de imersão que permitem explorar os diversos sentidos humanos - se apresenta como uma alternativa a ser explorada, pois amplia a possibilidade de vivenciar novas formas de comunicação. Os planetários, por simularem com perfeição o céu estrelado, os movimentos dos astros pela abóbada celeste e outros fenômenos astronômicos , projetando-o-os na cúpula de um teatro circular, são ambientes de imersão tridimensionais por natureza. Aproveitar essa característica intrínseca de imersão e explorar a comunicação de idéias por meio da emoção despertada pelo céu estrelado e pelos fenômenos que nele ocorrem deve ser o objetivo das sessões apresentadas nos planetários. Este trabalho representa o início de uma pesquisa maior na qual se objetiva analisar e classificar as sessões de diversos planetários. Nele analisou-se uma única sessão - considerando os aspectos técnicos de produção de vídeos e sua utilização como recurso audiovisual no ensino - com o intuito de verificar como são utilizados os recursos do planetário, tomado como um ambiente de imersão. A sessão se mostrou semelhante a um vídeo do tipo documentário, tecnicamente bem elaborada, cobrindo grande variedade de temas e com informações científicas corrrretas, mas em excesso. Verificouuse que, na sessão analisada, a potencialidade de envolvimento o emocional l do planetário como ambiente de imersão foi subutilizada. A partir dessa análise, propõe-se uma possibilidade de estudo de categorização dos aspectos emocionais envolvidos nas apresentações dos planetários com objetivo de melhorar a utilização desta ferramenta de divulgação da astronomia.

Palavras chaves: planetários, divulgação científica, ambientes de imersão.

## 1 . ININTRODUÇÃO

## 1.1 Divulgação científica

Segundo Valdéz (1998), o conhecimento científico faz parte dos itens mais inacessíve is da cultura contemporânea. As artes plásticas, a literatura, as humanidades, também a política e a economia são, aparentemente, compreensíveis para a grande maioria das pessoas cultas que , se não as bem m entendem, procuram fazê-lo. De acordo com Mascarenhas (1998), no Brasil o panorama não é diferente, pois a ciência não faz parte da cultura geral, como o faz a música e até o futebol. Em geral, a ciência é mitificada e os cieientistas tomados por seres raros e enigmáticos, o que afasta ainda mais as pessoas da ciência. Quando dão atenção a ela é pelo seu caráter mágico ou misterioso ou pelo poderio violento e bélico. Por isso o e por outras razões, divulgar a ciência é importante ; porém ,

mais importante ainda é fazê-lo de forma adequada, com uma filosofia de divulgação e não vulgarização grosseira.

Marandino (2001) considera que a divulgação da ciência deve ser entendida como um processo intencional de transformação das informaçõe s científicas em uma linguagem que possa ser entendida pelo público leigo. Isto o envolve as mais diversas formas de comunicação, seja de texto escrito, de reprodução de experimentos científicos, de demonstração de fenômenos, de projeção de vídeo ou outro meio qualquer. Nesse contexto, os museus e os centros de ciências são instituições fundamentais para a constituição de uma infra-estrutura que ajude a gerar e disseminar a cultura científica da sociedade.

A preocupação com a divulgação científica é antiga, e, de acordo com Fayard (1999), a partir da década de 1970, houve uma alteração significativa no modo de encará-la, mudança esta caracterizada principalmente por um redirecionamento no foco da divulgação: se antes a divulgação da ciência era focada no objeto a ser comunicado, hoje o foco é no próprio público. Segundo o pesquisador, esse movimento de renovação foi favorecido pela generalização das práticas de comunicação e pelo surgimento de novos locais e ocasiões de intercâmbio. O fato o rompeu o distanciamento que havia entre a prática científica e o público e diminuiu consideravelmente o desconhecimento deste em relação àquela.

Ainda segundo Fayard (1999), esse movimento de renovação ocorreu quando surgiram críticas ferozes sobre os poderes e os papéis da ciêiência na sociedade. A partir da ciência em si, a crítica se voltou também para a própria divulgação da ciência, considerada viciada e distorcida, uma vez que não conseguia compartilhar amplamente com o público o saber construído pelos cientistas. A partir daí, ocorreram tentativas de ruptura com as práticas existentes até então, que se preocupavam com temas distantes e sem aplicação imediata para o público, migrando para temas que procuravam vincular o saber científico à vida cotidiana e prática.

## 1.2 Centros e museus de ciências

Na década de 1980, surgiu uma nova geração de centros de ciências em que se multiplicaram inovações em matéria de divulgação, com a existência de equipamentos permanentes que o público podederia manipular. r. Estes centros iniciaram a institucionalização do movimento em direção ao público como alvo o das exposições. Os s novos centros e as novas iniciativas de cultura científica apontaram soluções de comunicação para os problemas surgidos da relação, ou da ausência de relação, entre ciência e sociedade e profissionalizaram a mediação.

Foi o início da guinada do foco da divulgação científica em direção ao público, o que se concretizou na década de 1990 , quando se constituiu uma verdadeira indústria dedicada à comunicação pública das ciências . Indústria esta que apresenta um excelente desempenho na produção de ações e de equipamentos adaptados ao enriquecimento do ensino de ciências. O mais importante foi a renovação das práticas de comunicação pública das ciências, como resultado da intenção e o modo de comunicação que traz não só o saber , mas também os próprios locais onde é produzido, para o interior da sociedade e permite que as informações circulem de maneira livre e democrática.

No entanto, o o físico italiano Marcello Cini, em entrevista conce dida à Revista Ciência Hoje (1998, p. 10), mostrou u preocupação com o desvirtuamento que ocorreu na divulgação científica . Ela , às vezes, se tornou apenas um espetáculo, distanciando-se das suas premissas originais:

divulgar de forma adequada a ciência . Entretanto, reconheceu u a dificuldade de atrair o público para uma divulgação científica séria e de qualidade.

Contudo, memesmo que um pouco de fantasia seja necessário, não se pode relegar o rigor dos conceitos científicos em função do espetáculo. Se, por um la do, o espetáculo é necessário para prender o espectador, por outro, a divulgação científica deve ter um compromisso com a ciência, mostranando seus aspectos humanos e contraditórios, seu processo de construção e as relações que mantém com a tecnologia e a sociedade.

Apoiados em espetáculos ou não, os museus e os centros de ciências têm se tornado importantes componentes na cadeia de educação dos cidadãos, quer quando são visitados de forma espontânea pela população, quer quando o são por meio de visitas organizadas por instituições do sistema formal de educação. Atualmente, cada vez mais, tem-se buscado a integração desses espaços de educação não-o-formal com a educação formal. l. V ieira, Biancononi e Dias (2005, p. 21) afirmam que "E"Esses espaços oferecem a oportunidadade de suprir, ao menos em parte, algumas das carências da escola como falta de laboratórios, recursos áudio visuais, entre outros, conhecidos por estimular o aprendizado" e também que "quando bem direcionados, espaços não formais de ensino podem ser bons aliados das aulas formais".

Com rerelação aoaos espaços não formais de educação, Saad (1998) afirma que propiciam situações capazes de atingir o emocional dos espectadores, criando condições para o desenvolvimento do interesse pelas ciências, mas lembra que os centros se constituem em coadjuvantes do ensino formal, mas nem por isso pouco importantes. No mesmo sentido, Ab'Sáber (1998, p. 27) afirma que um centro de ciências seria "um espaço cultural de importância fundamental para complementar a educação em seu sentido mais amplo, em função de suas potencialidades e interdisciplinaridade nos mais diversos campos das ciências e da s s tecnologias".

## 1 . 3 Planetários

Dentre os centros de divulgação científica, os planetários são locais em que predomina a divulgação da asastronomia e são visitados por milhões de pessoas a cada ano. Não é recente este desejo de ver o céu reproduzido aqui na Terra, bem como os movimentos que os astros nele executam. As primeiras tentativas registradas da representação da abóbada celeste foram m simples desenhos das estrelas sobre uma superfície esférica e remetem ao grego Arato, no século III a.C. Essas primeiras representações eram simples mapas do céu, portanto estáticas, que só reproduziam a configuração celeste com as principais estrelas e constelações, omitindo o Sol, a Lua e os planetas, cujas posições entre as estrelas variam com o passar do tempo (ASTRONOMIA..., 1985).

O planetário de projeção , , como o o conhecemos hoje , surgiu na década de 1920, produzido pela empresa alemã Carl Zeiss. Ainda da que a designação de planetário se aplique ao equipamento projetor, hoje se usa indiscriminadamente o termo tanto para o projetor em si quanto para todo o complexo que abriga este equipamento. Esse primeiro planetário de concepção moderna era constituído basicamente por uma sala com teto em forma de cúpula, no centro da qual um projetor óptico-o-eletro-mecânico (OEM) reproduzia com absoluta perfeição o céu estrelado e simulava com grande realismo os seus movimentos. Os planetas, o Sol e a Lua foram acrescentatados posteriormente por meio da inclusão de pequenos projetores, um para cada astro, acoplados à máquina principal. Simultaneamente com a projeção dos fenômenos celestes na cúpula, um texto era apresentado ao público, geralmente descrevendo o fenômeno que se estava projetando ou as características de um astro mostrado.

Durante muitas décadas , esse foi o modelo de divulgação que se fazia nos planetários. Com o avanço da tecnologia, os planetários foram se sofisticando cada vez mais, tornando-se capazes de re reproduzir a maioria dos fenômenos observados no céu, como eclipses e chuvas de meteoros . Também tornouuse e possível a projeção dos desenhos das constelações e das linhas dos sistemas de referências , utilizados para a localização dos astros na esfera celeste. Com o auxílio de aparelhos desvinculados do projetor principal, puderam ser projetadas na cúpula fotos de planetas, satélites e nebulosas ou mesmo vídeos mostrando algum fenômeno celeste.

Foi em meados da década de 1970 que os projetores de vídeo passaram am a ser utilizados no interior dos planetários e, na década seguinte, surgiram as primeiras experiências com um sistema interativo que, por meio de botões nos braços dos assentos, ligava o público diretamente a um conjunto de aparelhos de disco a laser. O público participava de um passeio auto-dirigido pelo sistema solar, com um apresentador ao vivo que desempenhava o papel de guia da aeronave. Ali, o público dirigia as seqüências e não o produtor. Todas essas mudanças, contudo, , foram periféricas e não alteraram o modo de funcionamento do coração do planetário, que seguiu sendo um projetor OEM (RATCLIFFE, 2001).

Os planetários da geração seguinte apóiam-se em sofisticados equipamentos computadorizados e de tecnologia avançada, nos quais a reprodução do céu, dos movimentos e fenômenos que nele ocorrem são gerados por meio de programas computacionais e as imagens obtidas são projetadas na cúpula por projetores de vídeo. Os planetários digitais também possibilitam a projeção de vídeos na cúpula, fazendo com que o espectador sinta -se no interior da paisagem. Essa tecnologia é chamada de vídeo de cúpula plena, no qual l imagens cósmicas em três dimensões, geradas digitalmente por grandes sistemas computacionais, são projetadas por meio de uma série de projetores de alalta resolução, abrangendo toda a cúpula. Imagens digitais de até doze projetores separados são alinhavadas numa única paisagem hemisférica de 360o 0o , sem qualquer emenda. Esse sistema leva o público para as profundezas do espaço, como se tudo o fosse uma viagem de verdade.

Os vídeos podem ser gerados de dois modos: pré-gravados ou em tempo real. O modo prégravado oferece alta resolução, mas nenhuma interatividade. Produções, porém, , que utilizam esta técnica geram imagens bastante vivas e detalhadas. Já no no modo o em tempo real, as imagens são geradas pelos computadores à medida que o público as vê. Com trinta quadros por segundo, e tipicamente seis milhões de p pixels por segundo, o processo requer um imenso gerador de imagens, equivalente a cerca de setenta microcomomputadores pessoais funcionando em paralelo. A vantagem de tal sistema é a possibilidade de interação com as cenas da cúpula, transformando o planetário num simulador espacial , onde a exploração está nas mãos do público que utiliza um teclado com alguns botões, localizado no braço da poltrona, para escolher as ações que deseja executar (RATCLIFFE, 2001).

Constata -se, então, um paralelismo entre as etapas do desenvolvimento dos museus e centros de ciências e dos planetários, com cada grupo apresentando características próprias, mas, ao mesmo tempo com semelhanças um m com o outro, o que é natural, uma vez que os planetários também são instituições que divulgam a ciência e estão no mesmo contexto social no qual l se encontram os centros e museus de ciências. A partrticularidade mais marcante dos planetários é a sua dependência da tecnologia. Seu funcionamento depende basicamente do sistema de projeção de imagens em uma cúpula, de modo que seu desenvolvimento esteve muito influenciado pela evolução dessas técnicas.

## 1 . 4 Ambientes de imersão

O avanço tecnológico não proporcionou apenas o desenvolvimento das técnicas de projeção que revolucionaram os planetários. TaTambém alterou de forma significativa o comportamento da sociedade , no que se refere a entretenimento e comunicicação sobretudo nas regiões urbanas. De acordo com Oliveira (2004) , todo novo modo de comunicação que se cria traz como conseqüência um processo de encurtamento de distâncias e gera uma nova forma de armazenamento e disseminação do conhecimento, interferindo na maneira de cada indivíduo vivenciar e experimentar o espaço. O autor cita como exemplo a invenção da escrita que permitiu a transmissão da mensagem de forma precisa e perene , sem que o emissor se encontrasse fisicamente presente, ampliando seu espaço o de comunicação.

Atualmente, 5000 anos após a invenção da escrita, o desenvolvimento da tecnologia computacional e da robótica permite experiências pessoais que vão muito além do simples contato com um texto. Um exemplo são os de ambientes de imersão, espa ços abstratos constituídos por computadores que permitem a conexão e a interação entre os usuários e também com a máquina , abre e um enorme leque de possibilidades de novas vivências a serem exploradas.

O conceito de imersão está relacionado com o sentimento o de se estar integrado ao ambiente , no interior dele . Além do fator visual, , os outros sentidos humanos também são importantes para a sensação de imersão, a qual deve proporcionar o envolvimento com a situação vivida. A idéia de envolvimento está diretament e relacionada com as s emoç ões do usuário. Uma emoção pode se dar a partir da leitura de um livro - envolvimento passivo - ou da participa ção de de um jogo - enenvolvimento ativo. Vê -se, então, que o envolvimento não é exclusivo do ambiente de imersão, mas é essencial a ele, de modo que um ambiente de imersão deve acionar fatores emocionais em quem nele imerge (BURDEA; COIFFET, 2003) .

A expressão máxima dos ambie ntes de imersão está na realidade virtual, situação em que a interface entre a máquina e os sistemas se nsorineurais humanos permite romper a fronteira entre o espaço real e o espaço construído, prpropiciando sensações táteis, sonoras ou olfativas que aproximam cada vez mais a experiência virtual da realidade concreta. Assim, é possível levar o indivíduo a um passeio pelo interior do corpo humano, uma visita à Roma antiga , ou uma viagem à época em que a Terra era habitada pelos dinossauros (OLIVEIRA, 2004).

O aproveitamento dessas tecnologias em prol do ensino e da divulgação do conhecimento, em especial das Ciêiências da Natureza, tem sido proposto de várias formas (MEES, 2004) . Entretanto, Souza (200-) afirma que a utilização de ambientes de realidade virtual nas escolas está fora de cogitação no momento , devido ao alto custo dos equipamentos. TaTalvez no futuro, com a produção em larga escala, o custo desses equipamentos se torne compatíve l l com os orçamentos das escolas. Entretanto, se o custo é elevado para as escolas, não o é para os centros de ciências, que podem disponibilizar equipamentos deste tipo para o púbúblico.

Embora de uma maneira não tão sofisticada como a realidade virtual, os planetários são locais em que o indivíduo é colocado numa situação de imersão em um ambiente tridimensional simulado.

## 1.4 As sessões dos planetários

Os planetários atualmente em funcionamento podem ser separados em dois grupos com relação à sua capacidade de acomodação do público: os de pequeno porte (quando abrigam dezenas de pessoas) e os de grande porte (com capacidade para centenas de assistentes). Matsuura (2007) os compara, respectivamente, a capelas e catedrais e considera que nos primeiros deva ocorrer uma

apresentação mais pessoal e intimista. Neles, o apresentador mantém um contato mais próximo com o público e, muitas vezes, tem oportunidade de operar manualmente o equipamamento de projeção. A circunstância permite maior flexibilidade na apresentação, adaptando-a ao comportamento do público.

Quanto aos planetários de grande porte, o autor considera que, neles, as sessões devam ocorrer de forma mais solene e impessoal, tendendo mais para o espetáculo do que para a aula, privilegiando mais o lado emocional e menos o conhecimento racional. Isso é favorecido pela amplidão do ambiente , que coloca o espectador em uma situação de imersão que reproduz de forma bastante eficaz o meio real.

Nessa mesma linha, Santos Junior, Klafke e Falcão o (1999) afirmam que nas atividades em que as pessoas estão em lazer, o que é a situação mais comum nos grandes planetários, não se deve ter por objetivo que as pessoas compreendam de forma clara, imediaiata e direta os conceitos a elas apresentados, mas tentar proporcionar-lhes um lazer cultural l que s seja capaz de provocar r reflexões e inquietações sobre os problemas apresentados de modo a despertar-lhes a curiosidade sobre o assunto e induziilos a buscar esses conhecimentos por sua própria vontade.

Propomos, então, estudar as s sessões nos planetários na peperspectiva de que , como ambientes de imersão o e onde o público está em lazer, , explorem aspectos emocionais em suas apresentações para a divulgação do conhecimimento astronômico. o.

## 2 . METODOLOGIA

Este trabalho t trata da análise de uma sessão de planetário e consiste dos primeiros passos de uma pesquisa mais ampla , com a qual l se pretende analisar, r, caracterizar e categorizar as sessões direcionadas a diversos públicos s em diferentes planetários, considerando-o-os como ambientes de imersão .

A sessão foi assistida ao vivo pelo autor, era destinada ao público em geral e ocorreu em um planetário de grande porte. O áudio da sessão foi registrado, mas não houve condições técnicas para gravar a parte visual. l. O O equipamento utilizado não tinha a sensibilidade necessária para realizar tal tarefa.

Na ausência de referencial específico para a análise de sessões de planetários, utilizaram-se trabalhos referentes a aspectos técnicos na produção de vídeos e sua ua utilização como recurso audiovisual no ensino (FERRÉS, 1996; BUCHWEITZ, 1997; ROSA, 2000), além de considerações sobre a ambientes de imersão (MEES, 2004) , de ensino de ciências e de divulgação científica .

## 3. ANANÁNÁLISE DE UMUMA SESSÃO

A maioria dos planetários brasileiros tem sessões preparadas para atender a diversos tipos de público o (desde crianças em idade pré -escolar , até estudantes de ensino médio e público em geral) l) ) e procura usar a linguagem que considera a mais adequada em cada apresentação. Mesmo com platéias tão díspares, as apresentações guardam certo padrão de montagem e desenvolvimento o e a sessão assistida f foi semelhante, quanto ao formato, a muitas outras que são apresentadas neste e em outros planetários, o que, portanto, indica que parece haver um modelo adotado atualmente pelos planetários no Brasil.

A projeção foi i realizada de forma pré-gravada, de modo que não hohouve possibilidade de intervenção do operador para alterar o ritmo de andamento do programa, como também não hohouve como o público interagir com a apresentação. É certo que uma relação dialógica resulta em um melhor entendimento do assunto que se deseja comunicar. r. Entretanto, com quase 300 espectadores na sala de projeção e com tempo limitado para cada sessão, seria impossível a participação do público no decorrer das apresentações. Assim, embora não seja o formato ideal, , a situação descrita parece ser o modelo mais adequado para se desenvolver o programa a na condição em destaque .

- O desenvolvimento da apresentação teve ve características de um vídeo documentário, com exibição de imagens estáticas e trechos de vídeos, em geral simulações, acompanhadadas de narração explicativa do que está sendo projetado e fundo musical. As projeções de imagens e de vídeos ocorrereram em três r regiões da cúpula. As referidas imagens eram m as mesmas nos três locais , , para que todos pupudessem observá -las com comodidade, uma vez que as poltronas são o dispostas de forma circular no interior da sala de projeção.

A qualidade do áudio e da projeção foi excelente, de nitidez perfeita. Os componentes visuais foram muito bons, com imagens e vídeos interessantes, atuais, que se integrararam adequadamente ao texto narrativo. A trilha musical remeteu u a temas espaciais e estatava bem relacionada ao texto e às imagens, , embora tenha deixado a desejar no surgimento do céu estrelado. Essa cena geralmente é o ápice da s s apresentações nos planetários, a que mais impressiona o público, mas , , nesta sessão, o, foi i fria ; ; não se ouviaiam m as manifestações de encantamento por parte do público, tão comuns em outras apresentações.

- O roteiro varreu u uma enorme quantidade de temas, abordando assuntos que foram m desde as transformações da atmosfera terrestre ( (no decorrer de sua existência e a influência dessas alterações sobre os seres vivos) s) até a existência de planetas extra -solares, suas características e as técnicas envolvidas em suas descobertas, passando-se pela mitologia associada às constelações , entre muitos outros pontos. Essa amplitude de temas resulta a em um excesso de informações que cansa e incomoda a assistência , como se pode observar pela declaração de uma a pessoa a que assistiu à mesma apresentação, porém não na mesma data : "É muito chato! Falar de um planeta de outro sistema estelar e ficar dizendo que ele se chama 'M-2295122-a82'? [a a sigla não está correta.] Saí de lá me sentindo um idiota..." (MARTON, 2006, p.14). Exageros à parte, realmente hohouve uma quantidade muito grande de informações que poderiam ser dispensadas.

A sessão foi direcionada para os aspectos teóricos da astronomia, , com a preocupação de apresentar informações cientificamente corretas que, no entanto, se tornaram frias. Faltou explorar mais o lado emocional, cativar e envolver o público, explorar o fascínio natural que a visão de um céu estrelado proporciona à maioria das pessoas .

No entanto, as as emoções constituem algumas das experiências mais fundamentais do ser humano e são de natureza pessoal. Assim, fica evevidente que a análise da sessão apresentada acima , no que se refere ao seu aspecto emocional, é limitada, uma vevez não pode ficar restrita ta à opinião de uma única pessoa. É necessário considerar e identificar as reações do público presente à sessão.

Dessa forma, na continuidade da pesquisa , serão utilizadas as idéias apresentadas em Silva (2(2001), segundo as quais as emoções correspondem a estados de excitação do organismo, que podem m se manifestar de três modos distintos: experiência emocional, comportamento emocional e alterações fisiológicas do organismo. A discussão destas manifestações foge ao objetivo deste trabalhlho, mas são reações de difícil registro no ambiente do planetário durante a sessão. Por outro

lado, é possível identificar e diferenciar as diversas emoções que sentimos baseados em nossas próprias experiências pessoais .

Isso possibilita que, na continuidade deste trabalho, os dados sejam colhidos por meio de entrevistas semiiestruturadas realizadas com o público logo após as sessões do planetário, com o intuito de registrar se este experimentou u algum tipo de emoção o e caracterizá-á-la.

Será utilizada a c classificação das emoções em seis categorias e quatro dimensões, de acordo com Silva (2001) . Dentro das categorias estão as emoções contemplativas, as que nos interessamam neste estudo e se manifestam na apreciação de um evento e/ou objeto. o. São exemplos de emoções contemplativas a admiração, , o desapontamento, a surpresa e o tédio , entre outras. Entre as dimensões, nos interessa a intensidade do sentimento, que pode provocar desde reações pouco perceptíve is até as mais explícitas. Por exemplo, ao se achar graça em umuma situação, o, pode -se ir de um leve sorriso o até a mais espalhafatosa gargalhada. Assim, pode-se estabelecer uma escala para quantificar a intensidade do sentimento, seja numérica (q(que se estenda de 1 a 5) 5) ou nominal (de pouco intensa a muito intensa), relacionada com a manifestação apresentada.

Pretendemos , , então, seguir com a investigação , realizando a caracterização do aspecto emocional que pode estar presente nas sessões dos planetários s de uma forma mais adequada que a esta investida inicial. l.

## 4 . CONSIDERAÇÕES

A utilização de novas tecnologias na divulgação científica aponta para a a aplicação de ambientes virtuais em três dimensões como uma das possibilidades para a melhoria ia da comunicação de conhecimentos para o público. As novas tecnologias s permitem o envololvimento de diversos sentidos humanos e a vivência de experiências em espaços que não seriam possíveis no mundo real.

A perspectiva mais interessante da utilização de ambientes de imersão como recurso educacional, seja formal ou não formal, é a possibilidade de criar situações que, mediadadas por tecnologias, propicieiem vivências em que o mágico, o sensível, o inesperado, o imprevisível, alimentem a imaginação e o desejo humano de sonhar. Os planetários, pela própria natureza da sua concepção, atendem em parte às características dos ambientes de imersão. o.

Estranhamente, essa possibilidade de imersão , inerente aos planetários , , não foi explorada durante grande parte do tempo da sessão, já que durante ela o planetário foi i utilizado como um cinema e a cúpula como o uma tela , onde foram projetadas imagens e vídeos bidimensionais, o que limitou u a potencialidade do planetário como espaço de divulgação da astronomia.

Uma conseqüência desta postura foi i que a sessão - apesar de cientificamente correteta e tecnicamente muito bem elaborada e conduzida - perdedeu u em não explorar os aspectos emocionais que a visão do céu estrelado pode despertar nas pessoas. s. Perdeu também na na possibilidade de envolver a a platéia em um espaço de observação tridimensional a que ela a não tetem acesso no seu cotidiano, devido à atenuação do brilho das estrelas pela poluição luminosa e à à obstrução do horizonte por edifícios, fatos tão comuns às grandes cidades.

Devido aos fatos elencados, considero que os planetários se apresentam m como um importante instrumento o de divulgação da astronomia . Contudo, eles não o devem se posicionar apenas como transmissores burocráticos de informações tecnicamente corretas. s. Devem sim m aproveitar suas

potencialidades , , para desenvolver apresentações que provoquem emoções no público, o, mostrando a ele le que a busca de conhecimento pode ser prazerosa e divertida. Para isso, torna-se importante caracterizar os aspectos emocionais envolvidos nas sessões dos planetários para que se possa explorá-los e aproveite ao máximo essa poderosa ferramenta para a divulgação da astronomia.

## 5 . REFERÊNCIAS

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