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Teatro de Ciências: A Ludicidade das Representações da Aprendizagem do Movimento no Ensino Básico Público do Interior de Mato Grosso do Sul.

Cleberson Salina De Souza, Nilson De Oliveira, Paulo Souza Da Silva, Thiago De Oliveira Borges, Wilker Solidade Da Silva

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVIII
Ano
2009
Data
29/01/2009
Linha de pesquisa
Arte, Cultura E Educação Científica
Tipo
Pôster

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Texto completo

## Teatro de Ciências: A Ludicidade das Representações da Aprendizagem do Movimento no Ensino Básico Público do Interior de Mato Grosso do Sul

** Cleberson Salina de Souza

Nilson de Oliveira

Paulo Souza da Silva

* Thiago de Oliveira a Borges s [thiago890@hotmail.com]

Wilker Solidade da Silva [wilkersolidade@hotmail.com]

* U UEMS - - Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul

- ** * Escola Estadual Vilmar Vieira de Matos

## RESUMO:

A aprendizagem não se dá por uma única via. Desde os postulados piagetianos sobre a aprendizagem até a compreensão da significância de Ausubel, o conhecimento se mostra versátil na forma de se apresentar e se tornar hegemônico enquanto construção humana, seja no cotidiano ou em laboratórios de Física ou Centros Tecnológicos. O teatro é um poderoso mecanismo de aprendizagem, verdadeiro laboratório, que quando bem compreendido e interpretado em sua ação, pode oferecer resultados pedagógicos relevantes. É com esse desiderato que a atual proposta de capacitação continuada da Física, divulgação, e difususão dos conhecimentos resultantes da implementação e desenvolvimento do projeto POP CIÊNCIA (convênio Finep 01.05.0056.00 - - chamada pública MCT/FINEP - Ciência de Todos- 01/2004) em colaboração com os alunos do ensino fundamental das escolas Estaduais Vilmar Vieira de Matos e João Paulo dos Reis Veloso, nas comemorações da Semana de Ciência e Tecnologia de dois mil e sete, insere o teatro como parte de suas atividades. O objetivo era mediar conhecimentos de velhas questões do ensino da Física que pouco é traratado no ensino formal, tal como: o movimento dos astros, a queda dos corpos, aquecimento global, entre outros conteúdos que aparecem de forma versátil, no cotidiano dos alunos de forma prática e relevante do conhecimento. Diversificando de tal forma, a culultura e a ciência dentro da linha do ensino público, mostrando assim, a variedade e a diversidade dos conteúdos da física de uma forma lúdica e prazerosa. Portanto, os resultados atingiram não só os alunos, os quais era

o público alvo, mas, como também toda a comunidade escolar e familiar envolvida no desenvolvimento da peça.

Palavras Chaves: Teatro, Ensino de Ciências, Ludicidade .

## INTRODUÇÃO

O presente artigo desenvolveu uma visão a respeito do modo como à aplicação da Física nas Escolas Estaduais de Dourados, Mato Grosso do Sul, denominadas: Vilmar Vieira de Matos e João Paulo dos Reis Veloso, aos mecanismos teatrais, progrediu conteúdos de forma lúdica e prazerosa a com maior rentabilidade que o ensino formal. O lúdico dentro da realidade, não prejudic ou u a seriedade do tema tratado, ao contrário, estimulou u o interesse por parte do público a temas complexos.

Todavia, dentre os resultados esperados pelo projeto o desenvolvido estavam: a sensibilização da comunidade sobre a importância da pesquisa científica para o desenvolvimento social e cultural da região, o incentivo a futuros profissionais para que trabalhem com pesquisa científica e não se limitem à carga horária escolar, além de reforçar o valor das artes cênicas como umuma metodologia de ensino prático à cultura regional. Os resultados propostos, na leitura deste artigo, serão gratificantes para aqueles que gostam de ensinar, não apenas a Física , mas as diversas forormas de fazer a prática docente.

## Arte e Ciência: uma mescla do conhecimento científico

Alguns autores traçam paralelos que induzem as exatas às percepções sobre o desenvolvimento das pessoas, entre eles estão: Piaget e Vygotsky definindo que o jogo e a brincadeira têm essencial papel no desenvolvimento psicológico, social, afetivo e intelectua l, lembrando que a essência do teatro também contribui para que o ser humano desenvolva suas capacidades; Leonardo da Vinci diz que : : "Ciência e Arte completam-m-se, constituindo a atividade intelectual", atualmente, vêm sendo diversificadas as experiências de de diálogo entre arte e ciência. A finalidade dessa troca é usar os mais variados recursos que a arte oferece para tratar de temas considerados complexos da Ciência e da Tecnologia.

A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, no ano de dois mil e sete, em consenso com os coordenadores, professores e alunos do curso de Física, integrantes do Projeto Pop Ciência, juntamente com as Escolas Públicas s Vilmar Vieira de Matos e João Paulo dos Reis Veloso, pretenderam m utilizar o teatro como fonte de motivação para o aperfeiçoamento de alguns fenômenos da Física, entre eles: o movimento dos astros, a queda dos corpos, aquecimento global, entre outros conteúdos que aparecem de forma versátil no cotidiano dos alunos . Conforme Mello:

"Fazer da diversidade um recurso d de ensino significa mostrar que todos são iguais porque todos podem aprender" (R(REVISTA NOVA ESCOLA, 2005, p.22).

Assim, fofoi selecionado um grupo de trinta alunos destas escololas, onde duas vezes semanais, às quartas-feiras e aos sábados , , no período noturno , das dezenove horas às vinte e duas horas e trinta minutos, era ministrada uma oficina de gêneros s teatrais e história do teatro por Thiago de Oliveira Borges s e Wilker Solidade da Silva. A mesma teve duração de setenta horas, tendo seu início em Maio e seu u término , em Junho de dois mil e sete.

A oficina era realizada em uma sala de aula da Escola Pública Vilmar Vieira de Matos, que se localiza na periferia da GrGrande Dourados, onde o grupo não possuía recursos didáticos e pedagógicos para a realização das prpráticas. No início, os os alunos que compunham o grupo não chegavam no horário, pois não demonstravam interesse nas oficinas. . Entretanto, dedepois s do terceiro encontro, eles se entusiasmaram e já mostravam uma grande vontade em representar algo em público.

Estudantes que viviam a maior parte do tempo confinados em seu bairro, agora puderam desfrutar desse universo cultural. Os ministrantes da oficina fizeram com que despertasse o gosto pela cultura em jovens, de classe baixa , que nunca tinham ido ou estudado sobre o teatro. E ao perceber o restrito universo cultural de seus alunos, foi promovido o contato com os gêneros teatrais (comédia, drama, monólogo, musical, teatro de fantoches, entre outros) e a história teatral (A (A Vida de Galileu Galilei, de Bertolt Brechtht; e O Mensageiro das Estrelas, de Peter Sis).

A ação educativa devia interpretar os interesses imediatos dos alunos s e os os saberes já construídos por eles, além de buscar ampliar o ambiente simbólico em que estão inseridos. Assim sendo, as atividades foram organizadas de modo que os alunos pudessem interagir uns com os outros e com os professores, nas mais variadas situações de aprendizagem, construindo significações sobre si i e sobre o mundo, numa postura de autonomia e de cooperação. o.

Quando há desenvolvimentnto do aluno com o meio, ele aprende certas relações, analisa este meio e até mesmo pode modificá -lo. Nesse processo, a educação deve partir das necessidades e interesses do aluno, estimulando sua atividade e o desenvolvimento de sua criatividade, em busca de sua autonomia. Essas capacidades devem ser conquistadas quando o aluno está completamente aberto para si mesmo, o, para ra os outros e para o mundo que o o cerca.

Foi a partir dessas observações, que despertou em Thiago e Wilker r o empenho de apresentar conceitos em diversas áreas do conhecimento , , como o a Física, a Arte, a Ciência, a Linguagem Corporal, l, entre outras. Por meio do teatro, os acadêmicos refletiam sobre temas referentes ao ensino da Física.

Finalizando a Oficina de Gêneros Teatrais, no final de Junho de dois mil e sete, foi conversado com o grupo, se o mesmo tinha vontade em representar um trabalho em público, a respoposta foi satisfatória, levando os acadêmicos a de senvolverem um miniicurso com os seguintes temas: o movimento dos astros, a queda dos cororpos, aquecimento global, entre outros conteúdos. Lembrando que , a maior parte desse mini-i-curso foi realizado em Julho, mês no qual os alunos estão em férias . Aplicado um questionário sobre os temas relacionados os acima, em um primeiro momento o foi advertido que alguns alunos tinham um conhecimento errôneo a respeito de conceitos físicos. Entre dez questões, sessenta por cento do grupo respondeu apenas quatro questões. Um número que preocupou bastante os ministrantes.

Assim, vevendo a dificuldade desses alunos , os acadêmicos intensificaram seu trabalho; trabalhando três vezes semanais, segundas-feiras, quartas-feiras e sábados, no período noturno, das dezoito horas às vinte e uma horas, durante trinta e seis horas. D Dentro dessas horas, muitos mostraram desinteresse na abordagem dos conteúdos, o que levou os ministrantes a procurar escrever uma peça relacionando todos os conteúdos abordados no mini-i-curso.

Entre os conteúdos apresentados, fofoi estudada a vida de Newton e suas descobertas . Os ministrantes tentaram foc ar a lei da gravitação e a descoberta das cores e dadas Leis de Kepler , onde observaram que havia um grande paradigma que os separava do entendimento da lei da gravitação. Foi i quando os acadêmicos levaram vá rias maçãs para sala de aula e tentaram mostrar o coconceito de Newton; uma maçã cai verticalmente para a Terra em uma trajetória retilínea, enquanto que a Lua descreve uma órbita quase circular, que é uma trajetória f fechada. Como poderia ser compreendida essa teoria? Então, o, conseguiram mostrar que a maçã que ue caía verticalmente era a empurrada pela força do ar, sua trajetória já não seria a retilínea e sim , o arco de uma curva.

Um exemplo disso é o projétil disparado desde um canhão o que e descreve uma trajetória parabólica , tal como foi observada , no século XVII em em que viveu Newton. O salto conceitual

que levou a a cabo o Newton foi o de imaginar que os projéteis poderiam ser disparados desde o alto de uma montanha descrevendo trajetórias elípticas (sendo a parábola uma aproximação da elipse). Concluindo que a maçã e a a Lua estão caindo, a diferença é que a Lua tem um movimento de queda permanente, enquanto que a maçã choca com a superfície da Terra. O que intrigou os acadêmicos foi que um exemplo tão simples anteriormente ainda não tinha sido observado.

Mostraram também m as Leis de Kepler, onde os os planetas descrevem órbitas elípticas em torno do Sol, que ocupa um dos focos da elipse descrita.

Fonte: h http://educar.sc.usp.br/licenciatura/2000/gravitacao/3leiKepler.htm, 2007 .

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- O segmento imaginário que une o centro do Sol e o centro do planeta varrem áreas proporcionais aos interva los de tempo dos percursos.

Fonte: h http://educar.sc.usp.br/licicenciatura/2000/gravitacao/3leiKepler.htm, 2007 .

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O quadrado do período de revolução de cada planeta é proporcional ao cubo do raio médio na sua respectiva órbita. Sendo T o período do planeta, isto é, o intervalo de tempo para ele dar uma volta completa em torno do Sol, e r a medida do semi-eixo maior de sua órbita (denominado raio médio), a Tercrceira Lei de Kepler permite escrever:

## T 2 = K r 3

A constante de proporcionalidade K só depende da massa do Sol .

Para mostrar ao grupo esses conceitos das leis de Kepler, os acadêmicos usaram alguns materiais: barbantes, pedras, bolas de isopor; onde conseguiram, não de forma satisfatória, mas sim, foram transmitidos os conteúdos abordados. Segundo Erwin Schrödinger:

"Não devemos nos sentir desencorajados pela dificuldade de interpretar a vida a partir das leis comuns da física" (SCHRHRÖDINGER, 1997, p. 192).

Após, o estudo dos fenômenos físicos, no mês de Agosto de dois mil e sete, o grupo mostravase muito motiva do e em representar numa forma teatral. l. Em conseqüência disso, a maioria tinha curiosidade aos assuntos atuais como: efeito estufa e aquecimento global. Quando, por ventura, o Professor Cleberson apresentou ao grupo e aos acadêmicos Thiago o e Wilker , uma peça a denominada Planeta Terra, que abobordava a os conteúdos relacionados com as curiosidades dos alunos, e dentro da mesma a os acadêmicos adaptaram os conteúdos estudados s de forma recreativa . Como cita o físico brasileiro, Marcelo Gleiser:

Incentivar os alunos a pôr a mão na massa, transformando a curiosidade em algo produtivo [...] Mostrar que a ciência é uma das atividades mais humanas e lúdicas que existem. Pode-e-se brincar com ciência o tempo todo. É fantástico revelar como uma lagarta se transforma em borboleta. O aluno fica encantado ao descobrir como as coisas acontecem. O mesmo ocorre quando explicamos que o Sol é apenas uma estrela entre centenas de bilhões de outras estrelas rodeadas por planetas [...] (GLEISER, 2005, p.22).

No mês seguinte, durante a pr imeira semana de setembro foi realizada da a leitura da peça, onde o grupo resolveu em consenso fazer uma apresentação na forma de musical l da peça, deixando que o conhecimento fosse passado de forma libertina para o público. O que foi interessante observar que ue alguns conteúdos como o as leis de Kepler, , que haviam deixado dúvidas no mini-icuro, nesse primeiro momento começavam a serem solucionadas pelos integrantes de uma forma natural. l. Nas últimas três semamanas de setembro, o grupo ensaiou as formas de de linguagens corporais e a peça. Durante os ensaios foi verificado o estímulo e a disciplina em que os integrantes do grupo tinham para com a peça e para a com m o conhecimento nela aplicada; ; ao final dos ensaios , os acadêmicos tiravam as dúvidas de quem às tinham , , tanto na parte física como na parte teatral.

Todavia, o o efeito estufa e e o aquecimento global não tinha m sido abordados . Entretanto, foi ensinado aos alunos durante os ensaios. Os mesmos aconteceram durante todos os dias do mês de setembro, durante duas horas, pois o grupo procurou focar o trabalho papara apresentar a peça nas festividades da Semana de Ciência e TeTecnologia que aconteceria na primeira semana de Outubro.

Em ritmo de euforia, no dia três de outubro, o último ensaio aconteceu. Os alunos não eram atores profissionais e nem professores de física, mas, mostravam um grande júbilo em conviver com as s práticas aprendidas no teatro e dos conhecimentos adquiridos. Foi então, que os acadêmicos juntamente com o grupo resolveram fazer uma pré-estréia para a comunida de da Escola Vilmar Vieira de Matos, cujos professores que ministram essa disciplina na escola puderam perceber o crescimento intelectual dos alunos presentes no grupo e o despertar dos que assistiram à peça.

A estréia ocorreu dia seis de outubro de dois mimil e sete, no Centro Popular Cultural, Esporte e Lazer Jorge Antonio Salomão, com a presença de mais de quinhentas pessoas que assistiram m a ludicidade das representações da aprendizagem do movimento através da peça Planeta Terra.

## Conclusão

Após a apresentação, observou-se que os acadêmicos se sentiram mais centrados, por conhecer, aprender e pesquisar, a respeito do tema. Quando a apresentação foi realizada para um público não acadêmico, verificou-se que as reações daqueles para com as velhas problemátic as do ensino de Física mostraram-m-se satisfatórias. Já quando as apresentações foram realizadas nas escolas da periferia de Dourados, onde, tradicionalmente o acesso ao conhecimento científico é evidentemente escasso, o, foi aplicado mais um questionário resultando mais de oitenta por cento de acertos por parte dos alunos. Contudo foi detectado o despertar do púbúblico por fenômenos científicos normalmente incompreensíveis para eles. Portanto, a encenação não precisa ter um caráter profissional. Trata -se apenas de de um ótimo instrumento para transmitir conhecimento a um determinado público, seja em um ambiente de teatro profissional ou em uma simples atividade de sala de aula.

Concluiu -se então que , o teatro é é um auxiliador na socialização do público, pois passa a perceber a necessidade de falar e de respeitar a opinião dos outros, e, ainda, exprimir seu desacordo com argumentos convincentes. Tirando crianças das ruas e envolvendo-o-as com atividades curriculares através da arte, uma prática lúdica e prazerosa.

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