OBJETIVOS E CONTEÚDOS NO ENSINO DE FÍSICA PARA ADULTOS: UM ESTUDO DE CASO.
Auta Stella De Medeiros Germano, Ricardo Rodrigues Da Silva
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVIII
- Ano
- 2009
- Data
- 29/01/2009
- Linha de pesquisa
- Alfabetização Científica E Tecnológica E Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## OBJETIVOS E CONTEÚDOS NO ENSINO DE FÍSICA PARA ADULTOS: UM ESTUDO DE CASO.
Ricardo Rodrigues da Silva 1 , Auta Stella de Medeiros Germano 2
1 UFRN/PPGECNM, ricardorodriguesilva@oi.com.br
2 UFRN/SEDIS/PPGECNM, autastella@uol.com.br
## Resumo
O presente trabalhlho descreve algumas estratégias que desenvolvemos junto a uma turma do 1º ano do Ensino Médio noturno de uma escola pública de Natal/RN, visando adquirirmos um maior conhecimento sobre o universo dos adultos com quem convivemos na escola, e direcionarmos de forma mais dialógica nossos objetivos e escolhas de conteúdos de ensino de Física junto a esses alunos. Um dos autores desse trabalho é professor de Física nesta escola e o crescente incômodo com as práticas pedagógicas propostas aos adultos suscitou a necessidade de um estudo da literatura, bem como uma aproximação mais aprofundada e fundamentada da realidade desses alunos, para identificar r possibilidades de novas práticas. Abordamos aqui alguns resultados iniciais de nosso estudo, obtidos a partir da ututilização de um questionário e de um encontro extra-classe promovido com os alunos, no qual foram desencadeados pequenos relatos de história de vida no grupo. Buscamos, com essas estratégias: conhecer melhor os objetivos e/ou expectativas dos alunos no retotorno ou início dos estudos na escola e identificar a motivação deles em relação a temas das ciências e da Física, seja enquanto disciplina, seja enquanto assunto que associem a notícias de interesse do seu dia a dia. Constatamos, nesses alunos, uma relação com a escola que vai além das expectativas de avanço profissional; a relevância do papel social e integrador da escola; e um potencial significativo do olhar para a natureza como elemento estruturador para abordar a Física junto a esses alunos. Discutimos s aqui essas constatações em relação a conclusões apresentadas na literatura.
Palavras -chave: educação de adultos; ensino de Física, objetivos de ensino , conteúdos; auto-realização.
## A Educação Básica como espaço do adulto.
Está cada vez mais freqüente o prprofessor se deparar com um aluno de características muito específicas em sua sala de aula, um aluno que, por ter uma faixa etária bem mais alta do que a média, sugere fortemente ao professor que suas estratégias e propostas usuais de ensino tornam-s-se, de umuma forma quase evidente, inapropriadas naquele contexto.
De fato, esta foi a percepção de um dos autores desse trabalho como professor de Física numa escola de Ensino Médio noturno da rede pública de Natal, RN (Escola Estadual Belém Câmara - BECA). Com este te sentimento de que a escola atende de forma insatisfatória ao aluno adulto, decidimos desenvolver um estudo de caso com uma turma do 1º ano do Ensino Médio na Escola BECA, no sentido de conhecermos melhor esse universo do adulto que está na Educação Básica, particularmente no Ensino Médio. A turma foi escolhida em função de ser composta fundamentalmente por alunos de uma faixa etária entre 20 e 60 anos, apresentando uma média de idade em torno de 37 anos.
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http://www.sbf1.sbfisica.org.br/eventos/snef/xviii/
26 a 30 de Janeiro de 2009
Nosso estudo de caso junto a essa turma visou inferir, entre outros aspectos: Que escola estaria nas expectativas mais positivas desses alunos, ou seja, o que os levou à escola? Quais devem ser nossos objetivos junto a esses adultos, de modo a contemplar em alguma medida a expectativa deles em relação à escola, e quais seriam os objetivos específicos no contexto do ensino da Física? Que conteúdos da Física apresentariam um potencial particularmente significativo para estruturarmos nosso trabalho pedagógico com esses alunos? Como fundamentar o que é supostamente significativo para esses alunos?
Para respondermos a essas perguntas seria necessário mergulhar na realidade deles, orientados por estudos anteriores sobre o adulto relatados na literatura.
Como sabemos, os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio são referência geral para esse nível de Ensino; mas na expectativa de uma interação de fato dialógica com o aluno adulto da Educação Básica é necessário trazermos aportes da especificidade desses sujeitos para operacionalizarmos nossas ações junto a eles.
Atualmente, o esforço por parte do poder público para amenizar a divida do país para com as pessoas de 15 anos ou mais que não concluíram o ensino básico estrutura -s -se em setor específico voltado à Educação de Jovens e Adultos, vinculado à Secretataria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD) do Ministério da Educação.
Tendo em vista o reconhecimento da Educação de Jovens e Adultos (EJA) como uma modalidade própria da Educação Básica que respeite as especificidades desses alunos quanto às suas condições sociais, econômicas e culturais, fomos buscar respaldo nas orientações do MEC para orientarmos nossa investigação na Escola.
No âmbito da EJA, a coleção Trabalhando com a Educação de Jovens e Adultos f foi um dos materiais em que pudemos encontrar orientações iniciais para o trabalho do professor (BRASIL, 2004a; 2004b; 2004c). ). Em parte, as dimensões que buscamos analisar na nossa turma encontrou influência da apresentação que aquele material faz sobre o adulto.
No que concerne a materiais de ensino propostos para a EJA, tem-s-se os cadernos de EJA, A, material pedagógico destinado ao 1º e 2º segmentos do ensino fundamental, os quais trazem propostas de atividades em formatos de planos de aula para diferentes áreas do conhecimento, incluindo os objetivos e os resultados esperados com os mesmos. (BRASIL, 2007)
Contudo, devemos destacar antecipadamente que os materiais disponibilizados pela SECAD, apesar de terem contribuído como um primeiro referencial para a nossa investigação, são voltados para o Ensino Fundamental, e não identificamos outros semelhantes voltados para o Ensino Médio de adultos.
## Estratégias de aproximação da realidade dos adultos da BECA
Com a finalidade de identificar o perfil da turma do 1º ano do EM noturno da escola estadual Belém Câmara (BECA), e ainda conhecermos melhor individualmente aspectos dos alunos da turma, utilizamos algumas estratégias. Nesse trabalho, relatamos os resultados de dois momentos particulares em que
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foram levantados e sistematizados dados sobre os alunos. O primeiro desses momentos refere -s -se à utilização de um questionário e o segundo, a um encontro extra -classe em que foi desencadeado pequenos relatos de história de vida pelos alunos.
## Aplicação do Questionário e Principais Resultados
Através de um questionário aberto, composto de 10 questões, buscamos identificar: características ou acontecimentos a partir dos quais os alunos se apresentam/definem; a profissão e sua relação de satisfação com a mesma (aspectos que aprecia e outros que não gosta); locais específicos do bairro que costumem freqüentar; sua expectativa em relação à escola; a qualidade da sua experiência anterior e a atual expectativa em relação à disciplina de Física; e assuntos que tenham causado interesse na mídia, relacionados com a Física ou Ciências.
Destacaremos aqui apenas os resultados mais significativos relacionados às questões que destacamos na introdução.
No que se refere às profissões dos alunos, cuja articulação com os conteúdos a serem desenvolvidos no Ensino Médio é muito incentivado pelas orientações nacionais, constatamos que há uma diversidade muito grande de ocupações profissionais , embora sejam todos do setor terciário.
Antes de utilizarmos o questionário acreditávamos que a relação daqueles alunos com o bairro em que moram seria um aspecto marcante a ser explorado no cotidiano escolar, pois a grande maioria mora na região do entorno da escola, constituída por bairros com características sócio-econômicas e culturais comuns. Para nossa surpresa, contudo, , 37% dos alunos os afirmaram não freqüentar nenhum ambiente no seu bairro, ou ainda que nada nele chamava a s sua atenção. Esse dado nos levou a descartar a possibilidade de propostas com ênfases etnográficas, apesar das interessantes abordagens nessa linha, que identificamos na literatura - por exemplo, os trabalhos em Ensino da Matemática de F Fantinato (2003; 2004) .
Ao perguntarmos aos alunos sobre seus projetos ou suas metas , 44,4% afirmou querer "terminar os estudos", o que significa concluir o Ensino Médio; alguns se justificaram afirmando a necessidade de melhorar profissionalmente, poder prestar concurso e conseqüentemente dar um futuro melhor para a família. Um percentual de 29,6% se mostrou disposto a prestar o vestibular, pois almeja um curso superior e 25,9% não se p pronunciaram.
É relevante destacar a importância dada à Educação por esses alunos. Quando perguntamos que sinônimos (até três) a escola possuía, para eles, tivemos praticamente uma unanimidade, escola é sinônimo de aprendizagem e lugar que pode promover um futuro melhor. Mas 33,3% citaram algo a mais que aprendizagem, para eles a escola é lugar de fazer amigos e de desenvolvimento cultural, aspecto reforçado no encontro extra-classe, posteriormente.
Ficamos surpresos com as respostas dadas à pergunta: sobre re de que forma a escola poderia contribuir na vida deles, alunos, em seu momento atual. Além de respostas relacionadas ao aprender para buscar melhorias profissionais e intelectuais, cerca de 48% dos alunos afirmam que a presença constante do professor na escola, bem como sua dedicação ao ensinar, seriam elementos suficientes para contribuir com sua aprendizagem. Estes alunos se queixam de
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descaso de professores, greves e falta de regularidades nas aulas. Estas reclamações deixam clara a fragilidade da educação pública brasileira no momento e como os alunos se ressentem dessa situação. Há sim, expectativa de aprendizado e não apenas de conquista de um diploma.
Pedimos, numa das perguntas do questionário, que eles citassem dois assuntos que tivessem lhes interessado, ao ver TV ou outro meio de comunicação, relacionados com Física ou Ciências. Do total de 29 alunos, 41,4% não apontaram nenhum assunto, alguns justificando que não se lembravam ou que não vinham assistindo televisão. Quatro alunos (13,8%) citaram programas como Globo Rural, Globo Ciência, ou Telecurso 2000, mas sem citar assunto específico que tivesse lhes chamado à atenção.
Entre os 44,8% (13 alunos) que mencionaram assuntos específicos do seu interesse, três alunos citaram "Meio Ambiente" ou "Aquecimento Global", explicitamente; dois outros citaram situações de chuvas intensas associada ao Rio, dois apontaram a saúde como tema de interesse, um deles citou a Astronomia; e os demais mencionaram situações como: "telefone e língua", "um balão de encher que deixava a voz grossa", "células-trompa", "proteínas e movimento retilíneo uniforme". Voltaremos a alguns desses temas em nossas considerações finais.
## Relatos de Histórias de Vida
Sentimos a necessidade de conversar com estes alunos para podermos esc larecer algumas dúvidas que surgiram com o Questionário. Organizamos, assim, um momento de interação num encontro extra-classe, num sábado, em que combinamos que cada participante levaria um objeto que fosse muito significativo, para si.
As apresentações desses objetos desencadearam relatos de histórias de vida que nos permitiram compreender melhor como eles vêem o mundo, a escola, bem como as suas dificuldades e habilidades na rotina escolar.
- O relato de um aluno que participou da atividade, ao descrevê-la a um colega que não pôde comparecer, retratou muito bem o sentimento comum que se desencadeou entre os presentes, naquela tarde; segundo o aluno, "o encontro foi mágico".
- A atividade foi realizada das 16h 20min às 20h do sábado 09/08/08 e a "apresentação" que cada aluno fez de si mesmo, por intermédio do objeto que lhe representava ou que tinha um significado muito grande para si, foi facilitada, pois a fala sobre o objeto os deixou mais à vontade para iniciar os seus relatos.
- A principio acreditávamos que os alunos não se alongariam nas apresentações, por medo de se expor, ou de tecer comentários equivocados que de alguma maneira os deixassem constrangidos, chegamos a propor que as apresentações durassem de 5 a 10min e que isto bastaria. Nos enganamos e muito. As apresentações duraram cerca de 30 a 40 min, cada. Pudemos observar que não há constrangimento em falar das suas experiências de vida, dos seus sonhos e de suas dificuldades, e percebemos o quanto eles ficaram a vontade em interagir com os colegas, fazendo perguntas, tecendo comentários e em alguns momentos foi necessário "segurá-los" para um controle do tempo, de modo que todos os presentes pudessem falar.
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Outro ponto que nos chamou a atenção foram as historias de vida de cada aluno, com informrmações ricas que puderam contribuir para identificarmos as dificuldades do dia a dia e compreendermos como a simples presença na sala de aula se caracteriza como uma grande vitória, pois o contexto na qual a maioria vive não favorece a dedicação e um maior r envolvimento com as coisas da escola. Temos relato de uma senhora que só iniciou os estudos aos 54 anos de idade - - há seis anos atrás -e possui enorme dificuldade com a escrita, de forma que esta se torna um grande obstáculo na sua aprendizagem, particulalarmente em aulas excessivamente focalizadas no quadro.
Outra aluna afirma estar passando por uma separação e que isto está mexendo com a estrutura de toda sua família, já pensou até em desistir das aulas. Temos também relato de uma senhora que cuida de sua mãe, que se encontra em uma cadeira de rodas, e que faz um esforço muito grande para estar presente nas aulas durante a semana e inclusive na atividade daquele sábado. Ressaltamos também o relato de cansaço, por parte dos alunos que trabalham o dia inteiro ro e chegam cansados nas aulas.
Gostaríamos de destacar a forma como estes alunos "enxergam" a escola. Um aspecto marcante constatado através dos relatos é a visão de escola como um ambiente que promove a construção de um saber-r-saber e não simplesmente um saber -f -fazer que possa contribuir para melhor realizar suas tarefas do dia a dia ou em seu trabalho. Curiosamente, apareceram dois casos de alunos que concluíram já o ensino médio mas quiseram voltar à escola para aprender melhor, ou - - como afirmava uma mãe nessa situação --, para incentivar o filho a estudar.
Ainda neste contexto escolar há outro aspecto marcante para estes alunos, o social. Ficou muito clara, durante as explanações, a forte relação de amizade, de respeito mútuo entre eles e o senso de companheirismo que foi construído na escola, contribuindo inclusive para combater um monstro que assola o ensino noturno em todo Brasil, a evasão escolar.
A escola ocupa também um lugar de "refúgio", pois alguns alunos citaram esquecer das dificuldades do seu dia-a-d-dia enquanto encontram-s-se com as mentes ocupadas, realizando tarefas e prestando atenção nas aulas.
O que esses alunos esperam da escola? Uma contribuição para a vida de forma mais ampla e não unicamente para sua ascensão profissional. Devemos lembrar que estes alunos têm uma grande bagagem de experiências de vida, cada um com suas historias, suas dificuldades, mas todos com a mesma idéia sobre educação, eles acreditam que podem compreender o mundo de uma outra maneira e que é na escola que eles poderão se apoderar de um conhecimento que favoreça isso. Em outras palavras, para estes adultos que tiveram uma educação precária na infância, aprender um conhecimento que se desenvolveu à sua volta e que eles ficaram à margem destes conhecimentos é o mais importante, como pudemos constatar em suas falas.
Outro aspecto que constatamos, e que reforçou a leitura que tínhamos feito de Oliveira (1999), foi a relação destes alunos com memórias e mesmo aspectos atuais da vida rural, que é muito forte neles. A maioria é do interior do estado e teve sua infância dividida entre estudar precariamente, quando era possível, e trabalhar para ajudar os pais. Vinculada à vivência na área rural acabam vindo muitos "causos", ligados à observação de animais, ou motivações e curiosidade para cuidar das plantas.
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Esta contemplação da natureza pode nos orientar na busca de conteúdos de Física significativos para eles, pois aí estão presentes elementos que fazem parte de suas historias e pudemos perceber na atividade de socialização o o quanto eles ficaram à vontade para interagir e discutir com os colegas sobre assuntos que envolvem suas vidas, algo que não é estranho à literatura que consultamos.
Acreditamos numa construção de um conhecimento efetivamente significativo para estes adultos, a partir de conteúdos que estejam presentes em suas historias de vida, pois estas histórias trazem uma satisfação, uma alegria ao ser compartilhada com seus colegas fazendo se sentir protagonistas e não meros coadjuvantes como são tratados normalmente. Pensamos que, o fato destes adultos se sentirem importantes no contexto escolar em conjunto com os conteúdos relacionados aos elementos presentes na natureza, podem contribuir e muito para a construção deste conhecimento significativo que buscamos.
## Visões sobre o Adulto
Até o final dos anos setenta a Psicologia Evolutiva tradicional acreditava que os processos de desenvolvimento acabavam com o fim da adolescência, ou seja, as crianças e os adolescentes crescem e se desenvolvem, os adultos estabilizam e os velhos se deterioram.
Uma concepção diferenciada sobre o adulto parte do princípio de que o desenvolvimento psicológico é um processo que dura toda a vida. Palacios (1995), por exemplo, destaca que não há limite de idade para aprender, deve-se levar em conta que os problemas relacionados à aprendizagem na fase adulta ou na terceira idade não são provenientes da idade em si e sim das condições de saúde, do nível educativo e cultural do individuo, de suas experiências profissionais e de seu tônus vital. Na nossa percepção esta concepção encontraria apoio, em parte, no que nos lembra Freire (1996) quando assinala que uma curiosidade ingênua associada ao senso comum se constitui e entre outras coisas, num fenômeno vital .
Oliveira (1999) chama a atenção ainda para que a maneira como o adulto está inserido no mundo do trabalho e das relações interpessoais é diferente das crianças e dos adolescentes, na medida em que usualmente possuem historias mais ricas em experiências de vida, conhecimentos e reflexões sobre o mundo externo, sobre si mesmo e sobre as outras pessoas. Estas peculiaridades fazem com que adultos possuam diferentes habilidades, dificuldades e provavelmente, maior reflexão sobre o conhecimento e sobre a sua forma de aprender.
A perspectiva de um adulto que almeja a aprendizagem constante nos pareceu fornecer uma leitura mais consistente do que ouvimos dos alunos no encontro extra -classe.
## Considerações sobre os Resultados e Conclusão
Diante do que identificamos nas atividades, pensamos que mais do que vincular o ensino ao trabalho, embora esse eixo possa ter seu papel, a escola deve preocupar -s -se em direcionar a necessidade de socialização e de resgate do aprender, como parecem buscar aqueles alunos.
Além disso, dois temas nos parecem com significativos para estrutura É rmos as situações de aprendizagem com a turma: Natureza e Astronomia. É importante ,
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aqui, esclarecer o destaque dado ao tema de Astronomia, tendo em vista que apenas um aluno o citou no questionário. A iniciativa para fazermos esse destaque se deveu ao entusiasmo o e às formas de expressão que constatamos nos alunos durante uma discussão levantada pelo professor sobre a origem da festa junina, abordando a origem pagã desta e sua relação com os saberes dos antigos sobre os astros .
Nossa idéia , portanto, é partirmos de situações significativas ligadas aos temas Natureza e Astronomia para, através de uma problematização das mesmas, desenvolvermos alguns dos conteúdos de Física já propostos nonos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio : movimentos e energia, no caso, para o 1° ano do Ensino Médio .
Ressaltamos que há trabalhos em Ensino da Física que também se utilizaram de temas para abordar de forma potencialmente significativa va os conteúdos da Física com a adultos. É o caso de Espíndola (2(2006), em que temas d diversos s são escolhidos para explorar o resultado do desenvolvimento de projetos na aprendizagem desses alunos . Entretanto, estamos aqui sugerindo um vínculo específico com os temas Natureza e Astronomia, aproveitando os elos que apresentam com a história de vida dos alunos e propiciando que se sintam mais à vontade para opinar, questionar, interagir r e envolverem-se, enfim, com o processo de ensino e aprendizagem de que fazem parte, na escola .
## Referências
BRASIL. Ministério da Educação. Coleção trabalhando com a educação de jovens e adultos, Caderno 1: ALUNAS E ALUNOS DA EJA. Brasília. Ministério da Educação, 2004a .
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ESPÍNDOLA, K.; MOREIRA, M. A. A estratégia dos projetos didáticos no ensino de física na educação de j jovens e adultos (EJA). Porto Alegre: UFRGS, Instituto de Física, 2006.
FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à pratica educativa. S São Paulo: : Paz e Terra (coleção leitura), 1996.
FANTINATO, M. C. C. B. Identidade e sobrevivência no Morrrro de São Carlos: : representações quantitativas e espaciais entre jovens e adultos. Tese de doutorado. Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, 2003.
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MOREIRA, M. A. A questão das ênfases curriculares e a formação do professor de ciências. Caderno catarinense de ensino de física, Florianópolis, 3(2): 66 - - 78, Ago. 1986
OLIVEIRA, M. K. Jovens e adultos como sujeito de conhecimento e aprendizagem. Revista Brasileira de Educação. Associação Nacional de Pós Graduação - - - ANPED. Set/Out/Nov/Dez 1999, p. 59-73, nº 12. São Paulo.
PALACIOS, J. (1995). O desenvolvimento após a adolescência . In: COLL, C.; PALACIOS, J.; MARCHESI, A., (orgs). Desenvolvimento psicológico e educação: psicologia evolutiva. Porto Alegre: Artes Médicas, v. 1. Tradução de Marcos A. G. Domingues.
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