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EINSTEIN COMO MITO: A VISÃO DE ALUNOS DO ENSINO MÉDIO

Ingrid Ribeiro Da Rocha, Anderson Brasil Silva Cavalcante, Elisete Lopes Da Cunha, Josafa Carvalho Aguiar, Maria Inês Martins

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVIII
Ano
2009
Data
29/01/2009
Linha de pesquisa
Alfabetização Científica E Tecnológica E Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## EINSTEIN COMO MITO: A VISÃO ÃO DE ALUNOS DO ENSINO MÉDIO

Ingrid Ribeiro da Rocha 1 [inrochasilva@yahoo.com.br] Anderson Brasil Silva Cavavalcante 1 [abscavalcante@hotmail.com] Elisete Lopes da Cunha 1 [eliseteluciano@yahoo.com.br] 1 Josafa fa Carvalho Aguiar [ 1 [josafa\_ag 2uiar@hotmail.com] Maria Inês Martins j 2 [ines@pucminas.br]

1 Mestrando do Programa de Mestrado de Ensino de Ciências e Matemática da PUC MG 2 Programa de Mestrado de Ensino de Ciências e Matemática da PUC MG

## Resumo

Este artigo versa sobre o conhecimento de alunos do ensino médio sobre Einstein e os mitos em torno do cientista. Para isso elaboramos um questionário com 5 (cinco) questões envolvendo a personalidade do cientista, suas contribuiuições para a ciência a e a sua imagem mais caricata . Esse questionário o foi respondido por 218 (duzentos e dezoito) alunos do ensino médio da rede privada de quatro cidades, de três estados, a saber: Araguatins - - TO, Belo Horizonte - - MG, Divinópolis - - MG e Imperatriz - - MA. A análise das respostas dos alunos ao questionário apaplicado procurou considerar unidades de significação, que foram agregadas em categorias e dimensões. Os dados mostram que apesar da diversidade cultural apresentada na amostra as respostas em termos percentuais nas várias cidades foram equivalentes . De modo do geral os alunos não conhecem os mitos em torno do gênio e alguns alunos relacionaram Einstein aos mitos de outras personalidades es s tais como: o mito da maçã de de N Newton e o mito da pipa de Benjamin Franklin. A maioria dos alunos associa a imagem do cientist a a uma pessoa sem vida social ativa, que vive fora da realidade e que é insano p por ter um nível de inteligência superior. No que se refere aos estudos realizados pelo cientista, os alunos relacionaram pertinentemente suas descobertas, como por exemplo, a relatividade. Ao final con sideramamos relevante para a formação do cidadão a desmistificação de suas concepções acerca dos s mitos das ciências em busca de uma visão menos fantasiosa da realidade . Nessa perspectiva propomos que, e, ao utilizar os mitos em sala de e aula , o professor o faça em um contexto capaz de articular r a biografia do cientista com suas as s obras s e descobertas .

Palavras -c -chave: Einstein, Mito, Alfabetização Científica.

## Introdução

Qual o professor que em sua prática docente, em nível médio, nunca ououviu perguntas do tipo: "Professor, já que Einstein era tão inteligente, porque tomou bomba na escola?" ou mesmo afirmações do tipo: "Todo físico é louco", "E"Eu já li que Einstein era considerado retardado quando criança"a".

A história da fís ica envolve, entre outros aspectos, a evolução de e um conjunto de conceitos, leis e teorias empiricamente testadas , enquanto que a sua construção humana é, de modo geral, permeada de fragmentos da biografia dodos cientistas . Estes fragmentos, nem sempre verídicos, passam de e geração a geração criando os mitos.

Inúmeras vezes, no intuito de despertar o interesse de nossos alunos fazemos uso de mitos em nossas salas de aula e, nesse aspecto, concordamos com Moura ( (2001) a ao considerar:

"Muitas vezes esses mitos constam em livros didáticos e de divulgação científica de forma inquestionável; são relatados da forma mais fantástica possível, com o louvável intuito de provocar interesse pela ciência" " (MOURA, 2001, p.03)3)

Acreditamos que o uso de mitos em sala de aula é uma prática pertinente no sentido e em que utiliza a curiosidade dos alunos p potencializando um ensino de Física mais interessante lúdico. Consideramos relevante que os alunos conheçam a biografia das principais personalidades da Física , articulando -as com suas descobertatas e estudos. A A nosso ver o ensino de física deve contribuir na construção de uma visão crítítica da realidade por parte dos alunos. Conforme apresentado nos PCN+:

"Compreender e emitir juízos próprios sobre notícias com temas relativos à ciência e tecnologia, veiculadas pelas diferentes mídias, de forma analítica e crítica, posicionando-o-s-se com argumentação clara." (BRASIL, 200, p.25)5).

Dentro deste contexto, resolvemos investigar r o que os alunos do ensino médio conhecem sobre Einstein e quais são os mitos asassociados ao cientista . Inicialmente procuramos trabalhos de pesquisa que consideram essa temática. 1 Vários trabalhos 1 abordam o tema, entre os quais destacamos o trabalho de Moura (2001) por apresentar alguns mitos da ciência categorizados por personalidade científica, dentre elas: Arquimedes, Galileu, Newton e Einstein. O autor apresenta, ainda, orientações de como os professores devem utilizar os mitos apresentados nos livros didáticos para distinguir o que é possível fisicamente do que é fantasioso , o real do improvável.

Após a leitura e análise dos artigos e a partir dos mitos citados nestes textos formulamos um questionário para identificar quais são os mitos conhecidos pelos alunos associados à imagem de Einstein. Escolhemos esta personalidade por se tratar de um ícone da Física , conhecido por muitos , caracterizado em sua imagem mais caricata, por cabelos brancos e desalinhados e língua para fora, marca peculiar de um sábio nada convencional. Seu nome é sinônimo de gegenialidade, suas manifestações cientítíficas mudaram as considerações sobre tempo e espaço , sendo que em em apenas um ano produziu cinco ensaios que revolucionariam o que a Física descobrira até então.

## Desenvolvimento

No intuito de responder à questão proposta elaboramos um questionário com a imagem (figura 0 01) e as cinco perguntas seguintes:

Figura 01: Imagem do cientista, utilizada no questionário.

<!-- image -->

Q1) Você conhece a pessoa representada nessa imagem? Quem é?

- Q2) O que ele fez? Cite algum trabalho que ele tenha desenvolvido .
- Q3) Por qual meio você já viu ou ouviu falar desta personalidade ou alguma descoberta que tenha feito? (programas de TV, revista,...) Especifique qual.
- Q4) O que essa imagem representa para você? Por quê?
- Q5) Como você imagina a vida (pessoal, profissional e escolar) da pessoa representada na imagem? Por quê?

A imagem anterior foi escolhida, pois representa o estereótipo mais caricato do cientista, , além de ser popularmente conhecida . Além disso, vários outros mitos são a ela associados , sem existitir r consenso entre os biógrafos de de Einstein em relação à situação na qual foi tirada. (MEDEIROS, 2006) .

O questionário foi respondido por r 218 (duzentos e dezoito) alunos do ensino médio de quatro escolas privadas dadas cidades domicílio dos autores : Divinópolis (MG), Belo Horizonte (MG), Imperatriz (MA), Araguatins (TO). Para facilitar r a recomposição das respostas ao final da análise , identificamos cada questionário (anônimo) com um número e uma letra. Os alunos identificados com letra D são de Divinópolis, com letra B de Belo Horizonte e assim sucessivamente.

A análise das respostas dos alunos ao questionário aplicado procurou considerar unidades de significação, agregadas em categorias e dimensões, consolidadas a seguir.

## Questão 01

Em relação a identificação da imagem , 93,5% dos alunos responderam sim, conhecem a imagem apresentada. Destes 32% escreveu " Albert Einstein " utilizando a grafia correta e 56% utilizaram uma grafia alternativa .

A partir destes dados concluímos que Einstein é realmente uma personalidade conhecida pelos a alunos . Acreditamos que o grande índice e de alunos que escreveu o nome do cientista utilizando grafia alternativa tentou reproduzir graficamente a pronuncia do som de seu nome. Do o total de alunos que escreveu o nome do cientista 5,3% escreveu: Alberti Aisntem e e 1,7% escreveram: Robert Einsten. Sendo que estes últimos foram os alunos D26, I65, B17, D48 e I76 que pertencem a três regiões diferentes.

## Questão 02

No que se refere ao trabalho científico de Einstein, obtivemos uma diversidade c onsiderável nas r respostas a ser observada na tabela 01.

Tabela 01: Sobre o que ele fez

Entre os trabalhos diretos, os mais citados foram a relatividade e a bomba atômica . Neste caso eles só identificaram qual o trabalho , sem mais detalhes. Consideramos ininicialmente que os alunos não haviam escrito sobre a relatividade porque não a a conheciam , ainda que cursassem o o terceiro ano , quando já deveriam ter estudado tópicos de FíFísica Moderna. Entretanto, , ao analisarmos a pergunta vimos que esta solicitava aos alunos apenas a sua menção, sem o requisito de qualquer tipo de fundamentação .

Observamos ainda a que alguns alunos relacionaram as contribuições de Einstein com conceitos de mecânica newtoniana, astronomia e com descobertas de outras áreas as da ciências, como a biologia (9,8% das respostas) . O aluno A49 escreveu: "Ele inventou uma lei de Newton, mas não consigo me lembrarar qual." O aluno D3 esc rereveu: "Ele criou algumas leis como lei de Newton e algumas fórmulas de resolver algumas questões em Física". . O aluno A45 escreveu: "r "realizou uma experiência que hoje é conhecida como lei de Newton." " Destacamos que , mais uma vez , a troca não foi pontual, tendo ocorrido em três regiões diferentes. O aluno A23 descreveu um mito relacionado a Newton como se fosse de Einstein: "E "Ele fez uma grande descoberta ao ver uma maçã cair de uma árvore. "

Em relação aos que associaram Einstein com outras áreas das ciências destacamos a confusão do cientista com Mendel. Aluno A1: "... foi o criador das ervilhas amarelas lisas e verdes rugosas." " E quanto aos mitos, um aluno citou um mito sobre Benjamin Franklin e o descreveu como sendo de Einstein. O aluno B31 respondeu: "E "Ele fez uma pesquisa para determinar se o ar é um condutor de eletricidade. Ele soltou uma pipa com um fio condutor do qual obteve os resultados que queria " .

De modo geral os os alunos demonstraram reconhecer a importância do cientista para a evolução da ciência e que suas descobertas contribuíram para o avanço tecnológico ocorrido nas últimas décadas.

## Questão 03

Esta questão pretendia identificar por quais meios os alunos obtêm informações sobre Einstein. Ao analisá-la descobrimos que um grande percentual 49,5% dos alunos e escreveu que conheciam o cientista por meio de mídia impressa e 34,5% através da TV . O que nos causou estranhez a foi o fato da escola ter sido citada por apenas 16% dos alunos. Isto demonstra que a escola tem contrtribuído pouco para a alfabetizar cientificamente os alunos.

## Questão 04

Quanto a imagem apresentada no topo do questionário 72,4% a relacionaram a uma pessoa inteligente e insana e 20,5% das respostas o consideram uma pessoa alegre e engraçada.

## Questão 05

Ao formular r uma pergunta tão ampla como esta: O que essa imagem em representa para você? Esperávamos que os alunos as respondessem com os mitos que normalmente associamos a Einstein.

As respostas foram divididas em três categorias: temperamento, inteligência e comportamento. Quanto ao seu temperamento 23,2% descrevem Einstein como uma pessoa anti-social, 17,2% uma pessoa agressiva e 14,1% das respostas o

consideram bem humorado. Quanto a sua inteligência, 27,8% das respostas descrevem o cientista como umuma pessoa que tem inteligência acima do normal , sendo que e apenas 17,2% associam s sua inteligência com g genialidade, como um dom e 10,6% a uma pessoa que além de inteligente dedic ou-s-se muito aos seus estudos e pesquisas .

A respeito do mito de Einstein como mau aluno, descrito em Moura (2001), apenas 5,6% da rerespostas mostram que os alunos já tinham ouvido falar a respeito . Medeiros (2006) mostra que não é verdade que Einstein não tenha tido, em geral, boas notas. Essas notas foram até muito boas no caso da Físísica e da Matemática. Acontece simplesmente que não se deu bem com o sistema autoritário da escola prussiana (para ele alguns professores comportavam-se como sargentos). Mais tarde, na Escola Politécnica de Zurique, é certo que teve problemas de aversão pessoal a alguns docentes, mas não é menos certo que concluiu o seu curso no prazo normal estabelecido. Foi mais por razões de más relações pessoais do que por menor capacidade científica que não ficou como aconteceu com alguns dos seus colegas, assistente na referida escola superior.

Por r último, nenhum aluno referiu-se ao mito em torno da filha que o cientista teria tido com Mileva, conforme descreve Moura (2001). Podemos assim concluir que os alunos acreditam sim no estereótipo o que relaciona o cientista a uma pessoa desequilibrada a e insana, mas não conhecem ou acreditam que Einstein tenha sido um mau aluno.

## Considerações finais

Consideramos que e através de e nossa investigação conseguimos identificar o que os a alunos conhecem a respeito de Einstein. Inicialmente esperávamos que por termos uma amostra muito diversificada culturalmente os dados vindos de diferentes regiões fossem conter características peculiares e isso não ocorreu. De fato, comparando os dados de cada região vimos que , no geral , as respostas em em termos percentuais s são o equivalentes.

Podemos dizer que as respostas foram, em grande parte, vagas, tendo nos causado a impressão de inconsistência em relação ao seu conhecimento sobre Einstein. Essa inconsistência não se restringe ao conhecimento sobre o o cientista, conforme observamos na resposta do aluno B56: " Ele inventou a Física", , demonstrando o que alguns alunos não enxergam a Física como uma construção histórica.

Gostaríamos de destacar que após responder aos questionários, os alunos de todas as salas de aulas pesquisadas solicitaram mais informações sobre Einstein. Alguns queriam validar suas respostas e outros queriam saber mais sobre as descobertas e estudos do cientista.

Como vimos a maioria dos alunos responderam conhec er r a imagem e a vida do cientista por meios outros que não a escola. Sugerimos que o professor enriqueça suas aulas com textos e vídeos sobre Einstein. No que se refere à biografia do cientista, sugerimos o texto de Stuart (2005) , em que são o sugeridos mais de quarenta livros public ados no Brasil tendo Albert Einstein como autor ou objeto central.

Aos professores sugerimos ainda o estudo das concepções de educação do cientista. Não se trata de uma teoria de aprendizagem , mas de reflexões maduras e atuais sobre o que é educação e como promover um processo de ensinoaprendizagem significativo. Em particular este exemplo nos chamou atenção. NeNele o cientista explicou a uma criança o funcionamento do telégrafo e do rádio com uma analogia curiosa:

"O telégrafo com fio é uma espécie de gato muito, muito comprido. Você puxa o rabo dele em Nova York e ele mia em Los Angeles. Você entendeu? Uma rádio funciona exatamente do mesmo modo: você manda sinais aqui, eles os recebem lá longe. A única diferença é que, agora, não há um gato". (EINSTEIN, , citado por MOREIRA, 2005, p.03)3). .

Verificamos que Einstein, sua vida e obra, é um tema de interesse dos alunos , o que deve ser explorado o em sala de aula tanto como motivação quanto como conhecimento em si . Não devemos, entretanto utilizar a biografia dos cientistas de e maneira isolada, como uma curiosidade ou uma leitura suplementar ao final de um capítulo, mas sim de maneira contextualizada articulando sua biografia a suas descobertas e estudos. Desta forma a vida e obra dessas personalidades podem servir, acima de tudo, como exemplo de dedicação e ousadia para nossos alunos.

## Referências

BRASIL, Secretaria de Educação Média e Tecnológica. PCN+ Ensino Médio: orientações educacionais complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias. Brasília: Ministério da Educação, 2002.

MOREIRA, ILDEU de Castro; STUART , Nelson. Einstein e a divulgação científica, Revista Ciência e Ambiente, n . 30, j jan . /j/jun . 2005 .

MEDEIROS, Alexandre e. Einstein e a educação . São Paulo: Livraria da Física , 2006

MOURA, Rodrigo e Canalle. Os Mitos dos Cientistas e suas Controvérsias. Revista Brasileira de Ensino de Física, a, v. 23, n. 2, j jun . 2001

SANTOS, Carlos A. Resenha: Einstein apaixoxonado: A ciência mal-l-contada de um mito bem -t -traçado. Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 26, n. 1, 2004

STUART, Nelson. Cânone da literatura einsteniana no Brasil . Revista Física na Escola, v. 6, n. 1, 2005

UNIVERSIDADE DE LISBOA. A. ALBERT EINSTEIN.jpg. 2004. Largura: 368 pixels. Altura: 507 pixels. 96 dpi. 24 BIT RGB. 18KB. Formato JPEG. Disponível em:&lt;http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/hfe/einstein/index.htm&gt;. Acesso em: 19 setembro de 2008 .

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