A superação das dificuldades dos professores de Biologia para ensinar Física na 8ª série - um estudo de caso
Luiz Arlindo Ramos De Melo, Maria De Fátima Vilhena Da Silva
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVIII
- Ano
- 2009
- Data
- 26/01/2009
- Linha de pesquisa
- O Ensino De Física Para A Graduação: Física, Química, Biologia, Oceanografia, Engenharias, Arquitetura, Arte E Áreas A Fins
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## A Superação das dificuldades dos professores de Biologia para ensinar Física na 8ª série -um estudo de caso
Luiz Arlindo Ramos de Melo 1
Maria de Fátima Vilhena da Silva 2
## Resumo
Este estudo tem como objetivo discutir o ensino de Física e a construção de saberes por professores de Ciências Naturais no Ensino Fundamental. Considerando e valorizando a idéia de que os professores constroem saberes em sua prática pedagógica , buscamos apresentar algumas questões que vêm sendo debatidas na área da educação em ciêiências , observando como o ensino da Física vem se inserindo junto a este debate. Os subsídios teóricos que nortearam a investigação estão centrados na ação reflexiva dos profissionais docente , postuladas por Schön e nas competências de Perrenoud. Para subsidiar as narrativas dos sujeitos , buscamos em Orlandi suporte para análise do discurso. O debate gira em torno dos problemas e das dificuldades que os professores licenciados em Biologia , de escolas públicas do município de Belém, m, apresentam para construir saberes e trabalhar com os conceitos da disciplina Física a no ensino de Ciências Naturais , na 8ª série. Para coleta de dados utilizamos entrevistas semiiestrutradas e questionários, instrumentos que trazem as informações da prática destes professores. Os reresultados demonstram que alguns deles superaram suas didificuldades para ensinar física , ao buscar os lilivros, as leituras de pesquisas educacionais e criando situações de aprendizagem em sala de aula, enquanto outros ainda se encontram presos ao didatismo, à à pedagogia do saber contido nos livros didáticos, no conceito de que "alguém" é responsável pela sua própria formação. Concluímos que muito precisa ser feito para melhorar a alfabetização científica docente, e entre os professores pesquisados , tivemos aque les comprometidos com a prática docente: buscam a superação de suas dificuldades através de leituras, de exercício do aprender a aprender e do saber ser autônomo, demonstradas nas reflexões que apresentaram durante suas narrativas.
Palavras -chave: Formação de professores, Saberes docentes, Ciências Naturais, Ensino de Física.
## 1. Introdução
Ser professor nos dias atuais é mais do que um desafio, é, sobretudo, ser um profissional dedicado à pesquisa, conhecedor das habilidades e competências exigidas para se inserir com competência nos moldes das exigências do século XXI. Ao professor não cabe mais a noção de só saber ensinar, mas a de compreender que ensinando também se aprende.
Foi com esta postura profissional que nos dedicamos a pesquisar o conhecimento docente do professor de ciências naturais nas três vertentes em que ele se insere - conhecimento didático, de conteúdo e estratégico. Nossa principal linha foi a de pesquisar o conhecimento de docentes que , formados em uma área do conhecimento , atuam profissionalmente em outra, como no caso dos professores de Ciências para o ensino fundamental, cuja formação é , em sua maioria , na área das ciências da vida (Biologia).
Esta pesquisa tem foco na questão da competência do profissional da educação ão graduado em Biologia, que devido à deficiência de professores para atender a demanda, "solicita" desse professor, biólogo, exercer a docência e construir conhecimentos em outra disciplina - - - a Física - , como parte dos conteúdos de Ciências Naturais na 8ª série do EnEnsnsino Fundamental. Esta análise se faz importante porque busca conhecimentos estudandndo a concepção pedagógica da disciplina Ciências Naturais , na 8ª série do Ensino Fundamental, que apresenta uma matriz curricular envolvendo o ensino da Química, Física e Bioiologia. Muitos dos professores da referida disciplina encontram dificuldades para ministrar todos os conteúdos que estão previstos.
Temos entendido que , atualmente , as implicações de mundo (denominado pós-moderno) no processo educativo desafiam os educadores a pensar e a potencializar uma pedagogia que garantam a democratização das aprendizagens científicas. Neste contexto, o ensino de ciências naturais implica em preparar r as crianças e os jovens para um mundo de incertezas, em garantir aprendizagens com a a ciência se conectando à vida na sua complexidade.
É necessário que haja um ensino -aprendizagem eficiente, de modo que o indivíduo possa compreender o mundo complexo e interagir com ele, nas diversas áreas do conhecimento: ciência, mitologia, religião, filolosofia, além de desenvolverem também o espírito humanístico, para que possam dialogar de forma crítica e não alienante. Assim, é importante que ao ensinar ciências o educador se dê conta de ser um alfabetizador científico que ensina e aprende as leituras das ciências no processo educativo, construindo novos saberes na sua prática docente.
## 2. A Física como ciência a ser ensinada e aprendida
Não é nossa intenção aqui fazer referência à à Física como uma ciência mais importante do que as outras, pois percebemos que o problema da alfabetização científica deve ser pensado dentro da problemática geral da Educação. No entanto , nossa investigação buscou delimitar o ensino da Física como ciência na prática de professores que são formados em Ciências Biológicas.
Como prprofessores de Física e Biologia no Ensino Médio, notamos que grande parte dos alunos egressos do Ensino Fundamental apresenta problemas no que concerne à apresentação de conceitos sobre o conhecimento da Física como ciência. É importante aqui explicitar que ue o ensino da Física tem conceitos em toda a extensão curricular do ensino fundamental, cuja sistematização principal é a geração de obstáculos que implicam numa coletividade de erros por parte dos alunos.
Nossas angústias em relação a essas dificuldades , fizeram com que fôfôssemos até as escolas de ensino fundamental para compreender o que estava ocorrendo com o ensino da Física nesta etapa a da educação básica dos alunos que entravam no primeiro ano do ensino médio , apresentando obstáculos na aprendizagem dos conceitos da Física.
Durante nossa pesquisa, a, encontramos nas escolas , em sua maioria , professores lilicenciados em Biologia ministrando a disciplina Ciência Naturais , englobando em sua matriz curricular o ensino de Biologia, Química e Física.
## 3. Aspectos teórico-metodológicos
Optamos por desenvolver esta investigação à luz da modalidade qualitativa de pesquisa, propondo-se a uma compreensão da questão: : prática docente. A abordagem da pesquisa qualitativa leva em consideração os aspectos peculiares frente às às singularidades dos professores, sujeitos entrevistados, e as particularidades das escolas em que trabalham. DEBUS (1991) distingue o enfoque descritivo do qualitativo: no primeiro descreve os fatos e no segundo proporciona uma compreensão aprofundada do fenômeno, além de ter um caráter interpretativo.
Para tratar da prática e das análises contextuais em relação à à profissão docente buscamos os estudos realizados por TARDIF (2000); PERRENOUD (1999).
Os dados foram analisados a partir dos registros das entrevistas semi-estruturadas, conversas informais e análise de questionários respondidos por cinco professores licenciados em Biologia que trabalham em escolas públicas do município de Belém com m a disciplina Ciências Naturais na 8ª série do Ensino Fundamental. Os nomes dos professores usados no texto são fictícios, com o fim de resguardar a identificação dos mesmos.
Utilizamos a análise das narrativas dos professores e seus registros escritos acerca do processo de ensinar Física na disciplina ciências naturais. As análises têm apoio nas idéias de LARROSA (2001), sobretudo em relação à concepção de educação a partir do par "experiência e sentido". . Também nos apoiamos nos estudos de ORLANDI (1988, 2003) para compreender na fala, conflitos e subjetividades, o que pensam ou fazem os sujeitos participantes desta investigação, sobre seus saberes para o exercício de sua prática.
- O desenvolvimento desta investigação considera a heterogeneidade dos sujeitos e o conteúdo subjetivo, além das experiências de cada um deles. Os resultados levam em conta os recortes presentes nas narrativas dos sujeitos que expressam de forma oral ou escrita suas inquietações.
## 4. Saberes e conhecimentos docentes de professores de Ciências Naturais
A preocupação com os saberes profissionais sobre o ensino tem surgido nos grupos de estudo dos programas de pós-graduação e entre pesquisadores que buscam suportes epistemológicos para a pesquisa sobre conhecimentos e saberes docentes. Para TARDIF (2000) , o saber docente engloba os conhecimentos, as hahabilidades e as atitudes, ou o saber-fazer e saberser. Especificar esses saberes envolve um movimento das pesquisas sobre o ensino de modo que possa determinar o repertório de conhecimentos específicos à profissão docente que se constitui do conjunto de saberes, de conhecimentos, de habilidades e atitudes que um professor necessita para realizar seu trabalho num contexto de ensino.
Alguns professores s ainda não têm a consciência do alcance de sua profissão. Outros estão na prática docente por necessidades didiversas, existem aqueles que se encontram ministrando
aulas com conteúdos que não têm nada a a ver com m a área de formação (graduação). Há os que se sentem "forçados" a ministrar aulas para as quais não se sentem preparados. Por exemplo, existem professores quque não desejariam m estar exercendo a docência da disciplina Física porque foram m formados para Biologia, e outros , de forma alguma pensavam m em ser professor. O relato do professor Nagib é um exemplo dessas situações:
Queria estudar Biologia, mas para ser pesquisador, nunca pensei em trabalhar numa sala de aula. (...) No início da minha carreira docente, eu dava mais ênfase à Biologia. Utilizava os livros e passava muitos trabalhos para transmitir conhecimentos, só que com o passar do tempo fui adquirindo confiança e ensinando também a Física .
O professor expressa que gostaria de ser um pesquisador, no entanto, na narrativa dele , ser professor é ser diferente de pesquisador, ou seja, para ele a prática docente parece ser desvinculada da pesquisa, competência importante para a prática docente. Nos estudos atuais não há como conceber ser professor r sem análise minuciosa do saber fazer, saber analisar, associar idéias em em m diferentes áreas do conhecimento, ou ainda a pesquisar a si mesmo, ser autocrítico. Se esses conceitos estiverem vinculados a essa análise , o docente deixará de ser o sujeito que somente leciona. Passará a pesquisar o quê e como , e para que quê está exercitando a prática de ser professor.
Ser r pesquisador para Nagib, talvez fosse o sujeito paramentado e trabalhando em laboratório todo equipado, buscando algo que não se encaixa no contexto da vivência escolar, ou seja, sem nenhuma utilidade para a prática docente e discente. Idéia antiga de cientista que ainda prevalece no imaginário de alguns profissionanais da educação, como em m outras áreas, infelilizmente. Notamos, contudo, que Nagib adquiriu confiança com o exercício da profissão, passou a sentir-se mais confiante, o que entendemos , entre outros aspectos , que ele conseguiu mobilizar os recursos cognitivos s para a problemática a ser enfrentada na sala de aula.
Nas análises de PERRENOUD (1999) , competência é a faculdade de mobilizar um conjunto de recursos cognitivos (saberes, capacidades, informações etc.) para solucionar , com pertinência e eficácia , uma série de situações-problema que surgem no dia-a-dia da escola. Segundo este autor, o ensino do Século XXI deverá ser r através de competências, e tanto a pesquisa quanto o ensino propiciarão o desenvolvimento de competências que são impossíveis de serem criadas s unicamente em situações de sala de aula, no modelo de escola tradicional.
A narrativa de Nagib aborda um ponto forte sobre o livro didático como instrumento de apoio na prática docente. Não podemos deixar de considerar que o livro é uma importante fonte de leitura dos conteúdos, e que nele o professor tem possibilidade de verificar, estudar e analisar os conhecimentos, principalmente os conceitos, propostos no currículo e explorá-los , convenientemente.
A dificuldade inicial para ensinar conteúdos de outra a área a de formação foi muito presente, principalmente porque são professores de Biologia que ensinam m Física na 8ª série:
... com o passar do tempo fui adquirindo confiança e ensinando também a Física (N(Nagib).
Sei que ainda tenho muito para aprender, os conhecimentos se transformam numa velocidade incrível... (Célia)
... No começo eu tive sim muita dificuldade, senti necessidade de aprender para ensinar (Maurício) .
Antes pouco sabia, mas eu não perdi tempo, fui buscar conhecimentos a respeito do ensino de Física, de QuQuímica e até mesmo de Biologia ( (Célia).
Na a Análise dos discursos, busca -se um dispositivo analítico, que tem como questionamento a constitutividade do funcionamento textual, como, distinto de o quê. Aproveitamos os discursos dos professores para buscar, entre muitas possíveis, as relações produtivas representadas a partir das marcas que são registradas pelos autores.
## Segundo ORLANDI:
No procedimento de análise devemos procurar remeter os textos ao discurso e esclarecer as relações deste com as forormações discursivas pensando, por sua vez, as relações destas com a ideologia. Este é o percurso que constitui as diferentes etapas da análise, passando-as da superfície lingüística ao processo discursivo (ORLANDI, 2003: 71).
Nos discursos dos professores, anteriormente apresentados, notamos a ilustração clara de como alguns fatores são imprescindíveis na relação formação do professor versus superação de obstáculos na vida docente. Entre os elementos presentes nessas relações estão: o tempo como aquisição de confiança (d(discurso de Nagib)b); a certeza de que há mudanças nos conceitos o que provoca a busca de conhecimentos atualizados (discurso de Célia); a dificuldade como fator de
busca de superação (discurso de Maurício); a conscientização do pouco conhecimento provocando a autocrítica e análise dos seus próprios limites (discurso de Célia).
Apesar dos discursos dos docentes acima mostrarem a busca de superação de um modo ou de outro , em m si mesmos , e acabarem demonstrando amor pelo que fazem, m, encontramos disiscursos avessos à docência , garantindo que está na profissão por outros motivos, como nesta afirmação: nunca imaginei ser professor, mas na época estava desempregado e continuo dando aula até hoje (MAURO) , ou nesta: não me via a frente de uma turma. Queria estar no mundo da pesquisa, queria ser um pesquisador, não queria ter contato com pessoas (ROGÉRIO) . É interessante observar, nesta análise , em que o professor não tem sequer a idéia do que seja um pesquisador. Ao contrário do pensamento de Rogério , um bom pesquisador é aquele que mantêm contato efetivo com as pessoas. Adotar a postura de pesquisador é o repensar de nossas ações , a fim de termos sucesso nos estudos e crescermos em novos conhecimentos e descobertas, como podemos perceber neste relato da professora Célia:
(...) Sei que ainda tenho muito para aprender, os conhecimentos se transformam numa velocidade incrível, tenho vontade de fazer uma pós-graduação (...) , Mestrado quem sabe, mas acho difícil l ( ... ) Vou tentar uma especialização, vou procurar um uma que não seja muito cara e tentar fazer. É importante não perder mais tempo do que eu já perdi.
Nesta dimensão está a questão de ser um profissional reflexivo, ou seja, ao professor é dada a capacidade e a competência de ver a prática como espaço/momento de reflexão crítica, problematizando a realidade pedagógica, bem como analisando, refletindo e reelaborando, criativamente, os caminhos de sua ação de modo a resolver os conflitos, construindo e reconstruindo seu papel no exercício profissional como preleciona SCHÖN (2000).
Em relação ao buscar aprender é imprescindível que o professor tenha sempre a possibilidade de ter uma formação continuada. MaMas para isso é importante que ele se mantenha produtor de ciências no âmbito da escola, pois , ao chegar a um programa de formação continuada , o professor vai ter subsídios teóricos suficientes para sua pesquisa e para o diálogo com os outros professores-pesquisadores.
Esse diálogo com os outros professores pode ser uma das saídas para eliminarmos algumas barreiras no processo educativo, pois encontramos colegas docentes comprometidos com a própria prática, pessoas que entendem as mudanças como necessárias para construção de um
modelo mais adequado para melhorar a educação, sujeitos pensantes, críticos que praticam, a partir da educação, uma reflexão docente contextualizando os saberes com a rerealidade de mundo atual. É o que podemos observar na narrativa de Maurício:
No começo eu tive sim muita dificuldade, senti necessidade de aprender para ensinar. Mas pesquisei, procurei amigos formados em Física, pesquisei em vários livros. Nos finais de semana procurava me interar dos assuntos. Hoje tenho um domínio razoável do conteúdo.(...) Na última aula trouxe um amigo médico, que verificou a audiometria dos alunos. Alguns já já apresentam pequenos problemas devido ao uso de fones de ouvido. Eles compreenderam, na prática, os efeitos tanto físicos quanto fisiológicos do som e perceberam o quanto é importante preservar a a audição.
Notamos nesta declaração que o professor Maurício io sentiu necessidade de construir saberes e competências para a o seu ato de ensinar. Primeiro ele percebeu a necessidade de conhecer os conteúdos exigidos no currículo e em seguida buscou elementos culturais necessários à sua aprendizagem. Existe aí um duplo lo posicionamento do trabalho educativo: a busca do conhecimento e a humanização dos saberes.
## 5. Considerações Finais
- O professor não mais representa um tradicional transmissor de informações e conhecimentos, mas assume um novo papel de caráter interpretativo e reflexivo quanto ao ato educativo.
A tomada de decisão consciente é um dos atributos que, de um modo geral, se considera valioso nos professores reflexivos. Esta atitude tem por base um corpo de conhecimentos por meio dos quais os professores reinterpretam de acordo com as experiências que vivem. A intuição, a sensibilidade, as questões éticas e a consciência sócio-cultural são aspectos importantes e constituintes destas decisões que contribuem na na prática reflexiva.
Nesta condição, o professor tem a a possiblidade de rever a sua própria prática , pesquisando e construindo novos saberes sobre ela. É É o primeiro passo para romper com os paradigmas cristalizados e rotineiros, possibilitando ações múltiplas para situações-problema que surgem no decorrer do prprocesso educativo, na autonomia do educador e dos alunos. No ensino fundamental essa perspectiva é aumentada , porque nas salas de aulas estão os jovens com grandes
expectativas, ávidos para aprender e discutir r novos conhecimentos. Nós , educadores em ciênciaias, precisamos definir a direção que efetivamente desejamos dar à nossa proposta de ensino , cujo fim é a aprendizagem significativa.
Notamos, entretanto, que alguns fatores são imprescindíveis na relação formação do professor versus superação de obstáculos na vida docente. Entre os elementos presentes nessas relações estão: o tempo como aquisição de confiança; a certeza de que há mudanças nos conceitos o que provoca a busca de conhecimentos atualizados; a dificuldade como fator de busca de superação; a conscientização do pouco conhecimento provocando a autocrítica e análise dos seus próprios limites.
Os professores da 8ª série, formados em Biologia e que ensinam o conteúdo de Física , superam suas dificuldades a partir do momento em que são desafiados a dar coconta dos conteúdos e se deparam com alunos que lhes convidam à re-qualificação docente em ciências, redefinindo a sua formação profissional, buscando intimidade com novas teorias e, sobretudo, desenvolvendo novas competências e maior criatividade e reflexão.
Este trabalho permitiu-nos refletir sobre o papel do professor-pesquisador na escola a como sujeito ativo na construção de significados. Vimos que o grande desafio não está em ser biólogo ou ser físico ou ser químico para ensinar ciências naturais na 8ª sésérie do Ensino Fundamental, mas refletir criticamente, saber buscar na memória os conhecimentos prévios que o próprio professor tem e construiu ao lolongo da sua vida intelectual. Tomar posição de reavaliar sua postura enquanto educador em/para ciências e, finfinalmente desejar fazer e produzir o melhor na educação.
## 6. REFERÊNCIAS
DEBUS, Allen G. A Ciência e as humanidades: a função renovadora da indagação histórica. Revista da Sociedade Brasileira de História da Ciência: p.3-13, jan. - jun. 1991.
LARROSA A J. Nota sobre a experiência e o saber da experiência . Leituras SME. Campinas SP. Julho 2001.
ORLANDI, Eni. P. Análise de Discurso: Princípios e Procedimentos. 5ª ed. Campinas: Pontes Editores, 2003.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_. Discurso e leitura. 3ª ed. Campinas: Cortez, 1988.
PERRENOUD. Phillipe. Construir as competências desde a escola . Ed. Artmed, Porto Alegre. (1999).
SCHÖN, D. A. Educando o Profissional Reflexivo: um novo design para o ensino e a aprendizagem. Porto Alegre, Artes Médicas, 2000.
TARDIF, M. M. Saberes Profissionais dos Professores e Conhecimentos Universitários: elementos para uma epistemologia da prática profissional dos professores e suas conseqüências em relação à formação para o magistério. Revista Brasileira de Educação (ANPED). Nº 13, jan/fev/mar/abr, 2000.
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