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PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DE DOCENTES DE FÍSICA EM EXERCÍCIO: CONCEPÇÕES INICIAIS SOBRE O PAPEL DA HISTÓRIA DA CIÊNCIA NO ENSINO E SOBRE ALGUNS ASPECTOS DOS PROCESSOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM.

Sandra Regina Teodoro Gatti, Roberto Nardi

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVIII
Ano
2009
Data
26/01/2009
Linha de pesquisa
Formação Inicial E Continuada Do Professor Em Todos Os Níveis De Escolaridade
Tipo
Pôster

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Texto completo

## PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DE DOCENTES DE FÍSICA EM EXERCÍCIO: CONCEPÇÕES INICIAIS SOBRE O PAPEL DA HISTÓRIA DA CIÊNCIA NO ENSINO E SOBRE ALGUNS ASPECTOS DOS PROCESSOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM.

## Sandra Regina Teodoro Gatti 1 , Roberto Nardi 2

1 Pós -doutoranda no Grupo de Pesquisa em Ensino de Ciências. Programa de Pós Graduação em Educação para a Ciência. Universidade Estadual Paulista, UNESP, Faculdade de Ciências, Campus de Bauru. Apoio: CNPq. (Email: sandragatti@fc.unesp.br)r)

2 Professor Adjunto, Departamento de Educação, Grupo de Pesquisa em Ensino de Ciências. Programa de Pós -Graduação em Educação para a Ciência. Faculdade de Ciências, Universidade Estadual Paulista, UNESP, Campus de Bauru. Apoio: CNPq (Email: nardi@fc.unesp.br)

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## 1. Resumo

Dificuldades s de diversas naturezas encontradas por docentes em suas práticas pedagógicas têm sido relatadas na literatura sobre a pesquisa em ensino de Ciências. Uma ma delas refere se ao fato de que os docentes possuem concepções prévias que podem influenciar em sua prática. Relatamos aqui resultados parciais de uma pesquisa na qual buscamos abordar a questão da a aproximação da História e Filosofia da Ciência a ao ensino de Ciências durante as atividades de um curso de formação continuada oferecido a professores de Física em uma universidade pública do Estado de São Paulo. O curso , intitulado "A História e a Filosofia da Ciência na prática pedagógica de professores de Física", , com duração de 40 horas-s-a-aula , foi desenvolvido durante o primeiro semestre letivo de 2008 , com a participação de cinco professoras que atuavam na disciplina Física no Ensino Médio . Essa proposta de formação insere -se em projeto 1 desenvolvido do pelo Grupo de Pesquisa em Ensino de Ciências s e intitulado: "Práticas Pedagógicas e Processos Formativos de Professores na Área de Ensino de Ciências e Matemática". . Os resultados aqui relatados referem-s-se a tomada de dados realizada no início do do curso, quando procuramos levantar as concepções iniciais das professoras participantes sobre os processos de ensino e aprendizagem e sobre as possibilidades, vantagens e dificuldades de uma abordagem de ensino que considere aspectos históricos .

Palavras -c -chave: Ensino de Física, Formação continuada de professores, História da Ciência.

## As pesquisas sobre as relações entre as concepções dos professores de ciências e sua prática docente.

Ao abordar a formação de professores, Furió (1994) afirma que o problema essencial reside no fato de que o ensino o tradicional constitui-se em um sistema paradigmático de concepções, crenças, comportamentos e atitudes geralmente extraídos da experiência e conhecimentos anteriores que possuem certa articulação e coerência, fornecendo respostas para a maioria dos problemas do ensino.

Diversos autores (Gil Perez, 1991; Trivelatto, 1995; Hewson, et. al.,1999; Longuini e Nardi, 2000) têm afirmado que , ao ingressarem nos cursos de formação, os futuros docentes possuem concepç ões de senso comum , tais como a de que

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ensinar é uma atividade simples e trivial, que requer apenas um bom conhecimento do conteúdo a ser ensinado. Tais concepções representam sérias dificuldades a serem consideradas nos cursos de formação.

Neste sentido, tem havido um crescente consenso de que as inovações estarão condenadas ao fracasso se continuarem enfatizando o desenvolvimento de habilidades específicas, sem levar em consideração as crenças, intenções e atitudes dos docentes (Trigwel, Prosser e e Taylor, 1994; apud Verloop , Van Driel e Meijer , 2001).

Um caso particular de pensamento docente espontâneo refere-se às crenças que os professores têm sobre a natureza da Ciência e do trabalho científico e como tais noções podem afetar suas decisões em sala de aula.

Na pesquisa conduzida por Hewson e colaboradoreres (1999 a-b) um aspecto que merece destaque é a relação encontrada entre a falta de compreensão da natureza da construção do conhecimento científico, suas concepções sobre os processos de ensino e aprendizagem de Ciências e o exercício de sua prática docente.

Os autores revelam que a maioria dos participantes ingressou nos cursos acreditando que a Ciência é formada por um conjunto de verdades que podem ser transmitidas através de boas explanações e demonstrações de princípios científicos. Problemática semelhante é identificada por Shapiro (1994 apud. Levitt, 2001) ao revelar que no modelo tradicional de ensino, assume-s-se a existência de um desenvolvido corpo de conhecimentos imutável, correspondente à verdade e passível de transmissão.

- O presente trabalho procura discutir as concepções iniciais de cinco professoras que atuavam na disciplina de Física a em escolas de nível médio (duas graduadas em Física, duas em Matemática e uma em Química) e que participaram de um curso para de formação continuada de professores , sobre os processos de ensino e aprendizagem e sobre as vantagens e dificuldades de uma abordagem de ensino que considere aspectos históricos e filosóficos

Trata -se de uma pesquisa qualitativa e foram utilizadas, para a coleta de dados um questionário com questões dissertativas, além de uma entrevista de grupo focal (focus group) 2 .

- A fim de manter uma maior veracidade dos relatos, optamos por não corrigir nenhum tipo de erro de linguagem ou expressão eventualmente cometido. As transcrições apresentadas as preservam sua forma original.

## As concepções sobre a alguns aspectos dos processos de ensino e aprendizagem de ciências .

Neste tópico apresentamos um breve levantamento de algumas noções das professoras entrevistadas sobre os processos de ensino e aprendizagem.

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As questões deste instrumento eram dissertativas e as categorias apresentadas no quadro 1 foram extraídas das respostas das participantes. Os nomes f fictícios, p para preservar suas identidades.

Quadro 01: Síntese das concepções relatadas pelas professoras.

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Alguns aspectos das opiniões relatadas acima merecem destaque. As professoras relacionam como principais dificuldades do trabalho docente a falta de interesse dos alunos, baixos salários e péssimas condições de trabalho.

"(...) Eu penso que as péssimas condições de trabalho, o desinteresse dos alunos, a carga horária exaustiva fazem com que essa nossa profissão não seja uma boa opção. Além disso o salário é incompatível com a exigência de dedicação quase que exclusiva e para o aperfeiçoamento profofissional (Tatiana)".

- "(...) Os alunos de hoje em dia se acostumaram a receber a informação sem precisar questionar sobre como foi o seu 'nascimento' para conseguir utilizála. O ato de pensar é trabalhoso e demorado, incompatível com a velocidade dos acontntecimentos do mundo contemporâneo. Isto causa muito desinteresse e dificulta muito o nosso trabalho.(Mariana)".

A burocracia das escolas e a falta de apoio da direção também foram apontadas:

"(...)Atualmente estamos atoladas em papéis e burocracia. Temos que preencher uma quantidade interminável de papéis (fichas, diários, planos, projetos, etc.). Além disso existe uma pressão por parte da direção em relação às avaliações ." (Tatiana).

"(...) A nossa profissão é muito pouco valorizada. Até mesmo dentro da escola, se você quer fazer um trabalho inovador, muitas vezes não tem o apoio."(Viviane).

Apesar das dificuldades, a aprendizagem dos alunos e a possibilidade de influenciar positivamente a vida dos educandos são apontados como o os fatores mais gratificantes da atividade docente:

"O mais gratificante é saber que o aluno aprendeu, refletiu sobre determinado conteúdo. Também quando se percebe que você (professora) fez a diferença na vida daquele aluno" (Greice).

"Saber que você pode causar influências e encontrárá-las em situações futuras." (Viviane).

Na terceira questão o que buscava identificar o que as participantes identificavam como uma boa aula, é interessante perceber que em nenhuma das respostas aparece qualquer menção às concepções prévias dos estudantes. Quando questionadas posteriormente sobre este fato, todas as professoras 3 afirmaram desconhecer totalmente o tema 3 .

A avaliação apontada pelas participantes como ideal deve ser realizada continuamente e não apenas em momentos estanques com uma prova escrita . Entretanto, as dificuldades para a realização desse trabalho também são apontadas.

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- "A avaliação deve ria ser diária, o problema é conciliar isso com salas lotadas de 47 alunos e duas aulas semanais". (Mariana).
- "A prova escrita individual deve ser apenas um dos instrumentos que pod em também incluir, a produção de um texto, uma pesquisa sobre determinado assunto, a resolução de situações-problema, etc. A grande dificuldade é o tempo disponível na aula e mesmo aquele que eu preciso em casa para corrigir e prereparar essas atividades dando 44 horas de aula por semana." (Tatiana).
- "A nota deveria expressar o desempenho do aluno quanto ao seu aprendizado. Assim eu acho que uma prova no final do bimestre não dá conta de dizer o que aconteceu no processo. Muitas vezes eu procuro utilizar outros instrumentos, como relatórios, resolução de problemas, etc. Eu tenho dificuldade com o tempo." (Denise).

Sobre as causas da falta de motivação dos alunos para aprender e da indisciplina, as professoras afirmam haver uma grande falta de interesse e objetivos por parte dos jovens, além da falta de acompanhamento familiar e dificuldades de aprendizagem dos conceitos. Em trabalho anterior, realizado com licenciandos de um curso de Física (Gatti, 2005) um dos principais destaques apontados pelos entrevistados para justificar a falta de compromisso dos alunos com a escola 4 foi a existência da progressão continuada4 a4 . É interessante notar que nenhuma das professoras entrevistadas menciona este fato.

"Na minha opinião o maior problema é a falta de objetivos para a vida futura". (Tatiana).

"Um dos motivos mais expressivos pela falta de interesse e indisciplina nas aulas é a falta de consciência da importância da aprendizagem." (Denise).

- " Eu acho que o pior é a falta de perspectiva dele ou talvez dos seus colegas. Além disso tem a falta do acomanhamento familiar" (Viviane).
- " Acho que a Física, por seu uma disciplina complexa, muitas vezes o aluno não consegue compreender os conceitos e perde o interesse." (Mariana).

Os resultados parciais apresentados revelam que, apesar das entrevistadas apontarem uma série de aspectos sugeridos pelas pesquisas em Educação, e particularmente em Ensino de Ciências, tais como a importância de uma avaliação contínua, de um trabalho mais reflexivo, com ênfase e nos conceitos, incluindo a História da Ciência e enfatizando o trabalho experimental, as dificuldades apontadas acabam revelando uma grande resistência à mudança.

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## As concepções sobre as possibilidades, vantagens e dificuldades da aproximação da História e Filosofia da Ciência no ensino.

Durante a entrevista de grupo focal realizada com as professoras, procuramos identificar suas concepções sobre as vantagens e dificuldades da aproximação da História da Ciência no ensino. A análise das repostas revelou dados, em um certo sentido, semelhantes a alguns aspectos discutidos na literatura recente sobre o tema.

Quando indagadas sobre as vantagens da inserção de aspectos históricos no ensino de Física, q quatro aspectos foram citados pelas participantes:

- 1. Motiva: : a introdução de aspectos da História e Filosofia da Ciência é vista como meio capaz de despertar o interesse pelas aulas de Física, o que facilitaria a aprendizagem dos alunos. Esta concepção foi expressa por todas as as entrevistadas. A s seguir, apresentamos alguns relatos:

"Eu procuro utilizar o fato histórico para motivar o aluno, pra ver se eu consigo interess á-lo mais no assunto que eu vou tratar, né? Então se eu vou falar de queda livre, eu vou falar de Galileu e das suas descobertas. " (Tatiana).

"Eu uso tamambém para motivar porque eu acho importante o aluno saber de onde surgiu aquilo." (Mariana).

Tal aspecto da inserção da História da Ciência no ensino é defendido por alguns autores (Castro e Carvalho, 1992; Matthews, 1994) por acreditarem que possa, entre outras contribuições, tornar as aulas mais interessantes.

- 2. Desmistifica: : a História permite aproximar a Ciência do indivíduo, o que tornaria o conhecimento não apenas mais interessante como também mais compreensível.

"Eu acho que um ponto importante também é que ajuda a ver que a Ciência é uma atividade feita por várias pessoas. Eu vejo que os alunos acham que só gênio é que podem fazer Ciência, ainda mais quando se fala em Física." (Greice).

Nessa abordagem, a História da Ciência seria incorporada ao ensino como forma de contribuir para humanizar a Ciência (Matthews, 1994).

- 3. Oferece uma visão de ciência em construção: : a concepção de processo aparece nessa categoria.

" Outra coisa que eu considero importante é pedir pesquisa sobre a vida de alguns cientistasas, porque de repente eles podem achar que a Física estava pronta, sei lá, dentro de um baú e alguém foi lá e desenterrou, não é? Eu tenho essa idéia. Eu acho importante mostrar que não está terminado. " (Greice).

"É importante o professor quebrar esse mito. O aluno tem que perceber que a Ciência está se construindo. Eu acho que isso ajuda a deixar o aluno mais crítico." (Denise).

Estimular a discussão e a formação do pensamento crítico além de fornecer subsídios para que as próprias concepções correntes sejam analisadas de forma

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crítica são possíveis contribuições da inserção da História que têm sido apontadas em trabalhos anteriores (Matthews, 1994; Monk e Osborne, 1997).

- 4. Cultura geral: : aqui a inserção de aspectos históricos é vista apenas a partir de um caráter informativo.

"Eu acho que a História faz parte da cultura de uma pessoa, né? Eu acho que a pessoa tem que saber, tentar compreender. Não só a História da Física, mas tentar contextualizar, sabe? Que outros fatos histórico aconteceram naquela época que contribuíram ou dificultaram alguma descoberta. Fatos políticos, sociais".(Mariana).

Com relação às d dificuldades que enfrentariam, as professoras c citaram os seguintes aspectos:

- 1. Falta de tempo nas aulas: : as poucas aulas disponíveis, além da necessidade de se cumprir o programa curricular é apontado pelas professoras c como fator que dificultaria a aproximação da História e e Filosofia da Ciência no ensino.

"Nós só temos duas aulas por semana e atualmente estamos trabalhando 5 com o jornal 5 5 , então estamos sendo m uito cobradas com relação ao tempo. Fica difícil fazer qualquer coisa fora do cronograma. (Viviane).

"O maior problema é o tempo, pois trabalhar com História exige leitura, reflexão." (Tatiana).

- 2. Preconceito dos alunos: as professoras relatam a dificuldade que enfrentariam em convencer os alunos que uma atividade diferenciada não significa perda de tempo.

"E "Eles acham perda de tempo. Se você não dá os cálculos complicados logo de cara é porque você está enrolando." (Mariana ).

"Tem até perguntas irônicas, do tipo: É aula de Física ou de História ou de Português? A leitura para eles é só na aula de Português." (Viviane).

- 3. Falta de conhecimento sobre o tema: as professoras revelam a dificuldade em ensinar a partir de uma metodologia diferenciada sem os subsídios históricos necessários.

"N "Na minha graduação eu não tive nada específico sobre História da Ciência. Pra falar a verdade eu tenho dificuldade em dizer o que representa a Filosofia da Ciência e no que isto poderia me ajudar. Eu teria que estudar mais." (Tatitiana).

"Acho que isto faltou para mim também. Tudo o que a gente faz nesse sentido é por esforço próprio. A gente estuda e prepara." (Mariana).

- 4. Falta de bons materiais disponíveis: as professoras revelam dificuldades para

localizar bons materiais didáticos que possam subsidiar seu trabalho.

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Eu acho difícil, porque eu procuro pesquisar na internet, mas nem todos os sites são confiáveis, né? Mesmo os livros novos que trazem a História, geralmente é pouca coisa. Fala mais sobre quando nasceu e morreu do que propriamente sobre o trabalho do cientista, algo que ajude a construir o conhecimento. Eu tenho essa dificuldade " (Greice).

Esta dificuldade, relatada tem sido apontada na literatura como um fator que impossibilitaria a a aproximação da História da Ciência no Ensino.

A maioria dos textos didáticos que pretende utilizar a História da Ciência apresenta os conhecimentos científicos como uma progressão linear, fruto de descobertas realizadas por cientistas geniais.

Kuhn (1975) argumenta que o pouco de história contida nesses manuais freqüentemente apresenta distorções, faz referências dispersas a grandes heróis de épocas anteriores e transmite uma imagem cumulativa e linear do desenvolvimento científico. Sanches Ron (1988) afirma que os estudiosos da história geral não têm explorado a riqueza dos trabalhos produzidos nas últimas décadas por historiadores da ciência. Bastos (1998) revela que os textos disponíveis dificilmente contemplam as necessidades específicas do ensino fundamental e médio. Conseqüentemente o docente não dispõe de muitas opções quando decide trabalhar com aspectos históricos da evolução dos conceitos.

O quadro 2 procura sintetizar as concepções sobre a inserção da História da Ciência no ensino relatadas durante a entrevista de grupo focal.

Quadro 02: Síntese das concepções relatadas pelos alunos durante a entrevista.

Embora tenham sido capazes de identificar alguns aspectos da utilização da História e Filosofia da Ciência no ensino discutidos na literatura sobre o tema, a resistência à mudança é evidenciada pela série de dificuldades apontadas como justificativas para a inviabilidade do desenvolvimento de um trabalho diferenciado.

## Considerações Finais

Os resultados apresentados neste trabalho representam o ponto de partida de uma intervenção realizada junto a um grupo de professoras que estavam lecionando a disciplina Física no Ensino Médio em uma cidade do interior do estado de São Paulo, durante o primeiro semestre letivo de 2008.

Nosso objetivo com este levantamento inicial era caracterizar nossa amostra e realizar as alterações necessárias na proposta do curso posteriormente

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desenvolvido, que tratava da História e Filosofia da Ciência na prática pedagógica de professores de Física.

Chama a atenção o fato de que nenhuma delas havia tido contato com a área de Ensino de Ciências e desconhecia totalmente sua origem e trajetória. Isto tornou necessário o estudo sobre temas tais como, concepções alternativas, mudança conceitual, a História e a Filosofia da Ciência no ensino de Ciências, entre outros que foram desenvolvidos durante o semestre.

De uma forma geral pudemos, através dos instrumentos aplicados nessa fase inicial de nosso trabalho, delinear alguns aspectos importantes com referência a nossa amostra de professoras. Assim, as pré-concepções parecem apontar na mesma direção relatada por diversos autores da área de ensino de Ciências , sugerindo a existência de um pensamento docente espontâneo, que se traduz nas pré-concepções que os indivíduos possuem sobre os processos de ensino e aprendizagem que se tornam verdadeiros obstátáculos para a aceitação de metodologias inovadoras (Perez, 1996).

## Referências Bibliográficas

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