ELABORAÇÃO DE EPISÓDIOS DE ENSINO TRATANDO DA QUESTÃO NUCLEAR: relações entre abordagens e conteúdos
Thirza Pavan Sorpreso, Maria José Pereira Monteiro De Almeida
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XVIII
- Ano
- 2009
- Data
- 26/01/2009
- Linha de pesquisa
- Formação Inicial E Continuada Do Professor Em Todos Os Níveis De Escolaridade
- Tipo
- Pôster
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2009
Texto completo
## ELABORAÇÃO DE EPISÓDIOS DE ENSINO TRATANDO DA Ã Ç QUESTÃO NUCLEAR: relações entre a abordagens e conteúdos
## Thirza Pavan Sorpreso 1 , M Maria José Pereira Monteiro de Almeida 2
1 Doutoranda na Faculdade de Educação - Universidade Estadual de Campinas Grupo de Estudo e Pesquisa em Ciência e Ensino, thirza.ps@gmail.com . (apoio CAPES) .
2 Professora da Faculdade de Educação - Universidade Estadual de Campinas Grupo de Estudo e Pesquisa em Ciência e Ensino, o, mjpma@unicamp.br . (apoio CNPq) .
## Resumo
Neste trabalho apresenta mos algumas considerações sobre a relação estabelecida, por licenciandos em Física, entre abordagens de ensino e conteúdos no processo de preparação de episódios de ensin o com o o tema Questão Nulcear , direcionados a alunos do Ensino Médio . O trabalho foi desenvolvido na disciplina Prática de Ensino de Física e Estágio Suprevisionado, numa das três universidades estaduais paulistas e o apoio teórico em que nos sustentamos foi a análise de discurso o tal como desenvolvida no Brasil por Eni P. Orlandi . Observamos a partir das análises realizadas que inicialmente houve fragmentação no imaginário dos licenciandos com relação à escolha de conteúdos e suas forma s s de trabalho . No entanto esse imaginário pareceu sofrer deslocamentos quando criadas s condições de produção propícias para que os licenciandos s refletissem sobre as formas de trabalho do tema em questão . Procuramos mostrar que durante a disciplina os licenciandos , ao trabalharem na elaboração e apresentação de seminários com abordagens diversas , buscaram m conteúdos particulares sobre o mesmo tema. Observamos ainda que o objetivo de de ensinar r a questão nuclear r para alunos do Ensino Médio apontado pelos licenciando (ensino de física vovoltado para o desenvolvimento da a cidadania) apresentou-se independentemente da abordagem específica trabalhada por cada um deles . Este estudo procurorou evidenciar ainda a influência das abordagens selecionadas na escolha pelos licenciados dos conteúdos de enensino. Acreditamos que a bibliografia sugerida para estudo , tendo em vista a proposta de realização dos seminários, tenha ocasionado forte influência no imaginário dos licenciandos . A partir das observações realizadas neste trabalho consideramos importante que os próprios licenciandos reflitam sobre o funcionamento de seu imaginário, a importância das condições de produção de sua prática e da indissociabilidade forma e conteúdo, já que estes fatores provavelmente seriam intervenientes nas mediações em sala d de aula.
Palavras -c -chave: Formação Inicial de Professores, Prática de Ensino de Física, Conteúdos e Abordagens, Física Nuclear, Ensino Médio
## Introdução
Diversos artigos de pesquisa em ensino de ciências voltados para a formação inicial de professores preoc upam-se com a influência da fragmentação entre as disciplinas de conteúdos específicos e de conteúdos educacionais nonos cursos de formação de professores de Física:
Porlan (2003) ) afirma que os cursos de formação não promoveriam a integração entre conhecimento prático e teórico.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
26 a 30 de Janeiro de 2009
Zimmermann e Bertani (2003) criticam a maneira como são organizados os .
cursos de formação inicial e a ênfase dada às disciplinas de conteúdos específicos Criticam ainda a separação entre as disciplinas específicas das pedagógicas e didáticas. As autoras afirmam que é impossível separar conteúdos e formas de trabalho da estrutura da disciplina da qual l pertencem, da pedagogia necessária ou da psicologia da aprendizagem e que o professor é o responsável pela construção e reconstrução de s sua prática.
Galiazzi e Moraes (2002) apontam a separação entre conteúdos disciplinares específicos e conteúdos pedagógicos como um problema a ser superado na formação do professor.
Marandino (2003) aponta que há um distanciamento entre a prática em sala de aula e a formação de professores, no entanto novas perspectivas estariam sendo desenvolvidas nas disciplinas de prática de ensino procurando superar os problemas vivenciados na escola.
Essa problemática esteve dentre aquelas presentes durante a disciplina Prática de Ensino de Física e Estágio Supervisionado ministrada pela segunda autora deste trabalho o no ano de 2005 numa das três universidades estaduais paulistas. Nesta disciplina os licenciandos desenvolveram episódios de ensino com o tema Questão Nuclear nos quais deveria estar r presente uma das abordagens 1 da pesquisa em ensino de ciências. As abordagens trabalhadas foram: História da Ciência; Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente; Resolução de Problemas e Linguagens no Ensino de Ciências.
Os episódios de ensino constaram da preparação de uma aula dialógica, que levasse em consideração , ou que procurasse prever , uma situação real de sala de aula, sem que esta ocorresse efetivamente. Seu tema era a Questão Nuclear e deveria fazer -s -se presente uma das abordagens acima referidas .
O tema desenvolvido foi escolhido por influência da primeira autora deste trabalho que acompanhou a disciplina procurando refletir sobre as possibilidades da introdução da Física Moderna e Contemporânea no ensino médio, durante susua pesquisa de mestrado . Dado que o foco dessa pesquisa era o imaginário dos licenciandos com relação à inclusão da física nuclear , questões relacionadas a conteúdos os e suas formas de abordagem puderam ser explicitadas . Pudemos evidenciar que os episódios de ensino elaborados consistiam de uma unidade conteúdo e forma de maneira que , para cada uma das abordagens trabalhadas , o conteúdo apresentado era singular , mesmo tratando -s -se de um só tema; a Questão Nuclear.
Neste trabalho procuramos mostrar alguns indícios da importância dos licenciandos refletirem não apenas sobre os conteúdos de trabalho e e suas formas de abordagem, mas também sobre a relação entre ambos num dado o momento.
Procuramos mostrar ainda indícios de que durante todo o desenvolvimento da disciplina o objetivo do ensino pretendido pelos licenciandos apresentou-s-se como convergente em seus imaginários, mesmo o que tenham trabalhado com abordagens diferentes .
O objetivo dedeste trabalho é evidenciar a vinculação entre abordagem de ensino e conteúdo trabalhado no momento de elaboração de episódios de ensino
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
sobre o tema Questão Nuclear, realizada por licenciandos em Física cursando a disciplina Prática de Ensino de Física e Estágio Supervisionado.
## Referencial Teórico
O referencial em que se apóia este estudo é a análise de discurso (AD), principalmente como foi desenvolvido no Brasil por Eni Orlandi. Nesse enfoque:
- [...] a linguagem, além de suporte do pensamento e instrumento para transmissão de informação, ou seja, meio de comunicação, é, essencialmente, produto do trabalho dos homens, num processo de interação social e, portanto histórico. Daí decorre que, para compreender o seu funcionamento, não bastam mecanismos lingüísticos, os quais, por si só, não apreendem os confrontos ideológicos que a consti tuem. (Almeida, 2004, p.33).
Sendo assim , admite -se a não transparência da linguagem e podemos dizer que essa não transparência para a AD "[...] se manifesta pela consideração do equívoco, como constitutivo da linguagem. Ou seja, a ambigüidade, a não unicidade do sentido, a possibilidade de interpretação são inerentes à linguagem". (idem, p.36)
Assim, os dizeres, no caso dos licenciandos, permitem diferentes sentidos. Procuramos então relacionar tais dizeres com sua exterioridade, suas condições de produção, que consistem da situação em que são ditos, ou seja, o contexto imediato, e em sentido mais amplo do contexto sócio-histórico, ideológico, já que as palavras ditas por esses licenciandos carregam em si sentidos pré-construídos sóciohistoricamente . Para a AD o já dito está na base do dizível. Relacionando os dizeres dos licenciandos com a exterioridade, procuramos encontrar regularidades já que os sentidos possíveis não são únicos, pois de acordo com Orlandi (2005): "[...] nem o discurso é visto como uma liberdade em ato, totalmente sem condicionantes linguísticos ou determinações históricas, nem a língua como totalmente fechada em si mesma, sem falhas ou equívocos" p22 .
Ainda de acordo com Orlandi (2005) "[...] também a memória faz parte da produção do discurso. A maneira como a memória "aciona", faz valer, as condições de produção é fundamental [...]"p30. Através desse acionamento da memória, o imaginário dos licenciandos materializa-se em seus dizeres. Através da memória eles trazem para seus dizeres os já ditos esquecidos em seus imaginários e que carregam em si sentidos pré-constituídos antes das enunciações. É o imaginário que torna possível a relação entre os sujeitos e suas condições de existência.
Consideramos então que ao refletirem sobre a inclusão da Física Nuclear no ensino médio, através do trabalho com o tema Questão Nuclear durante a disciplina , e ao prepararem os episódios de ensino , os licenciandos estão sujeitos a condições de produção específicas, como por exemplo, a exigência que as abordrdagens citadas se façam presentes nesse trabalho e ainda o próprio posicionamento e compreensão dos licenciandos com relação a tais abordagens. Estas condições influenciam o funcionamento do imaginário destes licenciandos ao desenvolverem as atividades proropostas na disciplina de forma que a a escolha de conteúdos a serem inseridos no Ensino Médio sobre a Questão Nuclear, por parte dos licenciandos, também está sujeita a tais condições de produção.
Procuramos analisar os discursos dos licenciandos que a partir desse referencial teórico são considerados como uma unidade indissociável entre conteúdo e forma e tendo sua produção influenciada por condições específicas, relacionadas tanto a memória discursiva dos licenciandos originada em momentos anteriores à disciplina (por exemplo no ensino médio e matérias cursadas em sua graduação) e
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
também imediatas, ou seja, aquelas relacionadas ao acontecimentos da própria disciplina Prática de Ensino de Física e Estágio Supervisionado (por exemplo artigos de pesquisa em ensino de ciências recomendados durante a disciplina, ou utilizados pelos licenciandos na elaboração dos episódios de ensino).
Sendo assim , a delimitação das condições de produção permite a constituição de um dispositivo de análise que possibilite a compreens ão do funcionamento de de seus discursos . Acrescentamos que é impossível delimitar as condições de produção de forma exaustiva, no entanto, podemos delimitar condições de produção que consideramos essenciais para a análise aqui pretendida , tal como apresentamos no item a seguir .
## Condições de Produção ou Constituição do Dispositivo de Análise
## Disciplina Prática de Ensino de Física e Estágio Supervisionado
Este trabalho originou-se a partir da pesquisa de mestrado da primeira autora sendo orientada pela segunda . A coleta de dados para a pesquisa foi realizada durante o primeiro semestre de 2005 junto a uma turma de alunos da graduação em Física da Universidade Estadual de Campinas. Esta turma cursava a disciplina Prática de Ensino de Física e Estágio Supervisionado , contando o com a participação de oito alunos durante o semestre. Dentre esses alunos, quatro não lecionavam, um dava aulas particulares e os outros três lecionavam ou em colégio particular ou em curso pré-vestibular. Um deles estava matriculado no bacharelado em Física e os demais na licenciatura em Física.
Observamos que a disciplina Física Nuclear, não era considerada prérequisito básico para os estudantes cursarem a disciplina em questão. No entanto, alguns dos alunos, estando no final do curso, já a h haviam realizado.
No primeiro dia de aula, a professora explicou para os licenciandos a presença da pesquisadora na sala de aula, questionando os alunos sobre a possível realização de uma pesquisa de mestrado junto à disciplina. No entanto, ela não espec ificou sobre o que trataria a pesquisa. Nessa mesma aula, os licenciandos responderam a um questionário inicial, antes de serem questionados sobre a realização da pesquisa .
Na segunda aula da disciplina, os licenciandos responderam um questionário sobre FíFísica Nuclear elaborado pela professora e pela pesquisadora para ser utilizado na disciplina e como material da pesquisa. Após a realização desse questionário, a professora questionou os alunos se o tema da disciplina poderia ser a Física Nuclear. Com a concordância deles, a pesquisadora papassou a filmar todas as aulas que e ocorriam semanalmente com quatro horas de duração. As gravações em vídeo e as atividades escritas realizadas durante a disciplina: questionários, planejamentos de seminários, trabalhos dos licenciandos elaborados a partir da leitura de textos, relatórios de estágio, trabalho final e a avaliação da disciplina também constituíram material de análise .
As análises es apresentadas a seguir foram divididas em três momentos. Em cada um deles temos uma condição de produção relevante para a análise e diferenciada dos outros momentos.
No primeiro momento a condição de produção relevante é que os licenciandos não titiveram contato na própria disciplina a com as abordagens, , ou seja, ainda não haviam feito qualquer estudo da abordagem a fim de preparar os episódios de ensino nem sabia que trabalhariam o tema Questão Nuclear, portanto a
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
análise da escolha de conteúdos p por parte dos licenciandos d deve levar em conta tais condições de produção.
- No segundo momento os licenciandos já sabiam qual era o tema da disciplina e passaram a elaborar os episódios de ensino, de forma que são condiç ões de produção relevantes para as análises da escolha de conteúdos pelos licenciandos: : a pesquisa e trabalho com a a abordagem selecionada por cada um .
- O seminário final é escolhido como terceiro momento . É no seminário final que de fato os conteúdos que os licenciandos c consideraram que deveriam/poderiam ser trabalhados no ensino médio com c cada uma das abordagens são apresentados.
## Abordadagens da Pesquisa em Ensino de Ciências
Para constituição do dispositivo de análise também foram realizadas revisões bibliográficas em trabalhos de pesquisa relacionados à temática da inclusão da Física Moderna e Contemporânea no ensino médio e em trabalhos os de pesquisa relacionados às abordagens: História da Ciência; Ciência Tecnologia e Sociedade (CTS); Linguagens no Ensino de Ciências; Resolução de Problemas. Esta revisão foi feita a partir dos periódicos: Ciência & Educação, Investigações em Ensino de Ciências, Caderno Brasileiro de Ensino de Física, Revista Brasileira em Ensino de Física, Ciência & Ensino e Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, publicados nos anos de 2000 a 2006.
Dentre os trabalhos que se preocupam com a temática de introdução da Física Moderna a Contemporânea no ensino médio, a maioria se concentra nos conteúdos da mecânica quântica e da teoria da relatividade. Foram encontrados apenas dois trabalhos que t tratavam da Física Nuclear. Com relação às justificativas de inclulusão, podemos resumir o que dizem Ostermann e Moreira (2000) afirmando que estas se relacionam com a relevância de conteúdos da Física Moderna e Contemporânea para a compreensão do mundo, a influência dessa física no cotidiano dos alunos e no desenvolvimento de sua cidadania, o entusiasmo e interesse de professores e alunos sobre o tema, sua influência na decisão de escolha da física como carreira e o auxílio aos estudantes no entendimento de debates públicos, por exemplo, sobre armas nucleares.
Observamos ainda que alguns dos autores associam a tendência de introdução da Física Moderna e Contemporânea com a LDB de 1996, que recomenda o ensino voltado para o desenvolvimento da cidadania e a atualização do currículo .
Com relação às dificuldades de inclusão, apontamos aquelas relacionadas ao sistema de ensino como: condições impostas ao professor, falta de tempo, pressão por resultados no vestibular, dentre outras. Observamos ainda que alguns dos artigos afirmam que não há consenso na pesquisa a sobre como fazer essa introdução e que são poucas as propostas testadas em sala de aula.
No que se refere a utilização da abordagem CTS no ensino de ciências , trabalhos de pesquisa apontam dificuldades relacionadas a questões como: ensino voltado para o vestibular, não modificação dos currículos de física e ainda a escassez de material didático apropriado.
Com relação aos objetivos da abordagem CTS no ensino de ciências, observamos que estariam voltados à educação para a cidadania . Muitos dos trabalhos também apontam para a a necessidade de modificar a visão de alunos e professores, sobre a natureza da ciência e suas relações com outras áreas do conhecimento e da sociedade. Alguns dos autores criticam o ensino baseado em
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
aulas expositivas, memorização e ainda o ensino internalista e conteudista, pois não possibilitaria que fossem atingidos os objetivos propostos pelo movimento CTS.
Sobre conteúdos e formas de trabalho, observamos que alguns dos artigos CTS defendem a utilização da história e filosofia da ciência e alguns considideram que as atividades com abordagem CTS deveriam ser interdisciplinares. Em geral os artigos revisados defendem formas de trabalho que coloquem o estudante ativo no processo de ensino e aprendizagem de maneira a desenvolver suas capacidades e habilidades .
Quanto a abordagem História da Ciência observamos que alguns dos artigos revisados fazem críticas ao ensino de ciências tradicional, à formação de professores, livros didáticos, divulgação científica ou artigos de história da ciência pelo fato de que em muitos casos, contribuem com a disseminação de uma visão equivocada da ciência. Para alguns autores o trabalho com a abordagem histórica poderia facilitar a percepção de que a ciência implica em atividade humana e não de super -gênios, permitiria a compreensão do processo de construção da ciência e reflexão sobre sua natureza e poderiam contribuir para uma visão mais crítica e humana da gênese e desenvolvimento científico. Alguns dos artigos justificam a utilização da história da ciência argumentando que auxixiliaria o desenvolvimento da cidadania, possibilitando a tomada de decisões mais crítica sobre temas científicos e tecnológicos. Também notamos que os conteúdos tratados são os mais variados dentre as seguintes áreas, sendo que na área de Física Moderna e Contemporânea dois se referem à relatividade e quatro à Física Nuclear.
Já tratando da abordagem Linguagens no Ensino de Ciências a maioria dos trabalhos considera a a linguagem não transparente, alguns dos trabalhos apontam que, no entanto, muitos dos professores teriam uma concepção de linguagem transparente.
As pesquisas se preocupam com as implicações do uso, quase exclusivo, do livro didático no ensino de ciências. Os autores criticam esse recurso por apresentar repertório de conceitos, exemplos e exercícícios; por conter erros e por apresentar apenas os produtos da ciência e não seus processos. Alguns autores consideram que o uso exclusivo do livro didático não contribui para despertar nos estudantes o gosto pela leitura. Sendo assim encontramos recomendaç ões da utilização de textos alternativos ao livro didático, como os de divulgação científica, originais de cientistas e jornalísticos.
Ainda com relação a linguagem os os autores atentam para o fato de que se deveria valorizar o que dizem, pensam e escrevem os estudantes, através de aulas dialógicas e da utilização de atividades que os incentive a falar, ler e escrever, isso possibilitaria que eles desenvolvessem a capacidade de argumentação, criassem o hábito de leitura, procurassem diversas fontes de leitura desenvolvendo a visão crítica e possibilitando a apreensão do vocabulário científico.
Finalizando com a abordagem Resolução de Problemas, observamos que, no que se refere à maneira usual de trabalhar a resolução de problemas no ensino médio, algumas das publicações sugerem que a abordagem que chamam de tradicional, ou seja, aquela que consiste da apresentação da teoria, resolução de exemplos e proposta de problemas semelhantes ao resolvido, seria uma prática ineficiente que muitos dos manuais didáticos, as sim como a prática dos professores, não apresentariam definição clara do que seria uma situação-problema; que a abordagem tradicional de 'resolução de problemas tipo' não promoveria mudança conceitual; e ainda que a educação em ciências tem fracassado no que diz respeito à atividade de resolução de problemas como auxiliar no desenvolvimento de
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
habilidades de alto nível intelectual, alfabetização científica e aquisição de conhecimentos específicos. Com relação aos conteúdos não foram encontrados aqueles relacionados à Física Nuclear.
A seguir apresentamos as análises realizadas com base nas condições de produção aqui explicitadas.
## Questão Nuclear: conteúdos e abordagens
## Primeiro Momento
Neste primeiro momento selecionamos trechos de um questionário inicial da disciplina realizado pelos licenciandos sem que eles soubessem que trabalhariam a questão nuclear. r. ApApresentamos abaixo suas declarações sobre quais conteúdos de Física Nuclear poderiam/deveriam ser trabalhados no ensino médio. Nesse momento a escolha de conteúdos a serem trabalhados pareceu aproximar-se daqueles estudados no curso de graduação, nas aulas de física:
"fusão, fissão, decaimento. Os assuntos podem ser aprofundados (como o funcionamento de uma bomba atômica , por exemplo), porém a matemática deve ve ser a do ensino médio"
"Decaimento radioativo e sua utilização. Energia nuclear utilização (vantagens e desvantagens) e impacto ambiental"
"A história da física nuclear, noções da pesquisa atual, conceitos como decaimento, átomos isótopos. Exemplos de utitilização do conhecimento adquirido."
"Cálculo de decaimento, liberação de energia, conservação (ou não conservação) de massa, enriquecimento de materiais nucleares e aplicações."
Os licenciandos provavelmente acessaram a memória do curso de graduação citando os conteúdos trabalhados na disciplina de Física Nuclear. r. Com exceção do terceiro depoimento, as únicas considerações sobre formas de trabalho foram com relação à matemática, provavelmente por considerações que fizeram sobre as dificuldades que os alunos do ensino médio encontrariam.
Em um dos depoimentos há a menção à à história da ciência como forma de abordagem, o que não é trabalhado no curso de graduação destes licenciandos . Porém observamos que o licenciando que deu esse depoimento declarou que apresentava um interesse particular por história da ciência e ainda que pretendia seguir seus estudos após a graduação nessa área de pesquisa.
Com relação às justificativas para o ensino da Física Nuclear no Ensino Médio , alguns dos licenciandos argumentaram que essa Física seria um conhecimento que faria parte da vida dos alunos e , portanto seria necessário trabalhá -lo , além de s ser um conhecimento interessante e motivador.
## Segundo Momento
A seguir apresentamos os depoimentos dos licenciandos durante a disciplina enquanto já trabalhavam com as abordagens preparando os episódios de ensino sobre o tema questão nuclear. Observamos que há uma diferenciação entre conteúdos escolhidos para cada dupla responsável por suas respectivas abordagens, ou seja, a reflexão e o trabalho com as abordagens específicas pareceram influenciar a escolha de conteúdos a serem trabalhados.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Os depoimentos abaixo foram escritos pelos licenciandos ao ser r lhes solicitado que 2explicitassem suas primeiras idéias para o ensino de física nuclear r no ensino médio 2 :
"Falar sobre o que é Física Nuclear, sem nenhum formalismo matemático. Não interessa falar sobre equações de decaimento, ou equações de fissão ou fusão.Uma coisa interessante a se tratar seria a energia nuclear. Os prós e contras, de uma usina nuclear. Impactos ambiental e social caso haja um acidente,...O importante é a informação, não interessa ao aluno do ensino médio saber uma equação de fusão e sim saber argumentar sobre o assunto: se fosse construída uma usina de energia nuclear no seu bairro, ele estaria consciente de tudo que poderia acontecer." [integrante da dupla responsável pela abordagem Resolução de PrProblemas]
"Exemplos atuais das aplicações dos estudos de física nuclear. O porque devemos aprender física nuclear. A história da da física nuclear, não de maneira informativa, mas mostrando os desafios que vieram com as "descobertas". Questões éticas no estudo e aplicação da física nuclear. Quais são os "novos horizontes" o que tem a ser "descoberto" ou novas maneiras de aplicarmos. Questões políticas conseqüentes do nível de avanço dos estudos nesta área. O ponto de vista do mundo sem a física nuclear, com aparelho de raio-x, a datação de objetos, fosseis, rochas,... a compreensão da estrutura da matéria, questões energéticas, a comprpreensão de astros e estrelas, etc..." [integrante da d upla responsável pela abordagem Linguagens no Ensino de Ciências]
"História: surgimento da física nuclear (principais descobertas, problemas e soluções). Física: explicação de processos nucleares simples (utilizando o paradigma). Energia Nuclear: usinas nucleares, bomba, radioterapia, raios - x. Projetos. Política x decisões em tempo de guerra, o que a energia nuclear mudou na política internacional atual, debates, opiniões,..." [integrante da dupla responsável pela abordagem História da Ciência]
De forma didiferente dos depoimentos do primeiro momento , os conteúdos que os licenciandos pretendiam ou não trabalhar, citados acima se relacionaram com as abordagens que haviam sido escolhidas:
No caso da abordagem resolução de problemas observamos que os licenciandos procuraram excluir o tratamento matemático, provavelmente acessando a memória de sua própria graduação e sendo assim partindo do pré-suposto de que a resolução de problemas matemáticos com Física Nuclear seria difícil para estudantes do ensino médio. Sobre isso é interessante notar que há um deslocamento com relação ao primeiro momento: equações de decaimento , fissão e fusão tornaram -s -se conteúdos não interessantes.
Observamos que a dupla que ficou responsável pela abordagem linguagens no ensino de ciências parece se preocupar com questões sociais relacionadas à Física Nuclear. Conteúdos não citados anteriormente e que estariam ligados a utilizações da Física Nuclear em nossa sociedade foram citados, comomo raio-x-x, datação, compreensão de astros e estrelas.
A dupla que ficou responsável pela abordagem História da Ciência também pareceu considerar a seleção de conteúdos dentro do que consideraram ser a abordagem histórica, ou seja, eles pretendiam abordar conteúdos relacionados ao surgimento da Física Nuclear.
Ressaltamos ainda que as questões sociais relacionadas à Física Nuclear pareceram se tornar mais presentes do que no primeiro momento (política, guerras, energia nuclear, etc . ) e também estitiveram presentes nos depoimentos relacionados às três abordagens acima.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
## Terceiro Momento
Apresentamos a seguir pequenas sínteses dos depoimentos dos licenciandos durante a apresentação dos seminários nos quais eles expuseram suas considerações sobre a elaboração dos episódios de ensino e apresentaram os episódios de ensino elaborados. Nesse momento os conteúdos trabalhados e formas de trabalho constituíram para cada dupla uma unidade, apesar de estarem trabalhando com o mesmo tema, a Questão Nuclear . Observamos que houve fragmentação na forma de apresentação dos seminários: os licenciandos dividiram o seminário em uma parte na qual apresentaram a abordagem e outra na qual apresentaram o episódio de ensino; com exceção da apresentação do seminário sobre Linguagens no Ensino de Ciências, provavelmente por influência da forma fragmentada com que os conteúdos específicos e conteúdos pedagógicos e didáticos são desenvolvidos na graduação . Já os licenciandos que trabalharam Linguagens no Ensino de Ciências tratataram da a abordagem referindo-se constantemente à Questão Nuclear e pensando a abordagem para esse tema específico.
No seminário sobre Resolução de Problemas observou-s-se , como dito anteriormente , a explícita fragmentação entre a apresentação da abordagem, na qual não foram utilizados exemplos ou mesesmo foram feitas quaisquer menções sobre a Física Nuclear, r, e o episódio de ensino . A Física Nuclear r só foi abordada no momento de apresentação do episódio de ensino. O conteúdo escolhido pelos licenciandos foi meia -v -vida, eles exp licaram a construção de um gráfico considerando -o como resolução de um problema. Em seu trabalho final os licenciandos escolheram um problema que consideraram aberto (a proposta de construção de uma usina nuclear) r) ) e trabalharam os conteúdos que se relacionariam com o mesm o. Nem todos os conteúdos citados d durante a disciplina como sendo os importantes de serem trabalhados foram abordados e sim aqueles que se referiam ao problema em questão. Acrescentamos ainda que os licenciandos discutiram no trabalho duas formas de obtenção de energia, a própria usina nuclear e uma usina hidrelétrica, provavelmente influenciados (não só nesse momento mas também na própria escolha do problema) por questões voltadas ao ensino de Física para uma formação preocupada com a cidadania.
O seminário de Ciência, Tecnologia e Sociedade e também fofoi apresentatado o de forma fragmentada , iniciando pela abordagem e finalizando com o episódio de ensino. O conteúdo escolhido esteve em concordância com o que eles haviam pesquisado sobre a abordagem em CTS . Os licenciandos afirmaram que tal abordagem recomendava que se partisse de um tema de relevância social e sendo assim os conteúdos trabalhados no seminário basearam -s -se em uma notícia então recente de jornal que tratava de testes nucleares que estavam sendo realizados na Coréia. Eles explicaram o que seria a radioatividade, os diferentes modelos atômicos, e falaram sobre o enriquecimento de urânio. Prorocuraram também sugerir outros assuntos ao final do seminário; assuntos esses que estariam relacionados os à utilização da Física Nuclear, por exemplo, na medicina, na agricultura, etc. As discussões após o seminário estiveram fortemente marcadas por preocupação dos licenciandos com a relação entre o ensino de Física e a sociedade.
Já o seminário sobre linguagens não foi apresentado de forma fragmentada. A abordagem foi pensada a partir do tema. . Podemos considerar que isso ocorreu provavelmente por terem utilizadado textos sobre linguagem cujas concepções são as mesmas daquelas apresentadas no referencial teórico desse trabalho, influenciando
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
seus imaginários no que diz respeito às questões de forma e conteúdo. Ou seja, possivelmente, já partiram do pressuposto da indissociabilidade entre conteúdo e abordagem do mesmo.
Durante o seminário os licenciandos se preocuparam em discutir em diversos momentos a influência da linguagem da ciência na vida dos cidadãos, afirmando o que a falta de domínio da mesma a poderia agir como instrumento de exclusão social. Optaram então por apresentar um episódio de ensino que compreendesse uma linguagem mais próxima da linguagem comum do que da científica para explicar a diferença entre o urânio fissionável e o urânio não fissionável, explicando assim o o núcleo atômico e o processo de enriquecimento de urânio. Em seu trabalho final observavamos que os licenciandos incluíram contribuições dos outros seminários , discorrendo sobre as diferentes formas que o mesmo tema foi apresentado, mais uma vez indicando a provável influência da pesquisa com a abordagem para sua compreensão com relação à à formrma e conteúdo no aprendizado da física.
A A dupla que apresentou o seminário de história da ciência falou sobre a abordagem histórica também de forma separada do episódio de ensino. Os licenciandos procuraram apresentar um episódio de ensino consistindo de uma abordagem histórica externalista, argumentando que a escolha teria se pautado no tema Questão Nuclear e no nível dos estudantes a que se dirigia. Os licenciandos afirmaram que não seria interessante tratar de equações e de leis e sim de contextos científicos relacionados ao surgimento da Física Nuclear. A escolha dos conteúdos pautou-se na seleção de momentos históricos que os licenciandos consideraram fundamentais no surgimento da Física Nuclear, ou seja , discutiram os conteúdos necessários para o entendimento de cada um dos momentos históricosos que selecionaram como importantes no surgimento dessa f física. No trabalho final , os licenciandos apresentaram conteúdos que se relacionavam aos contextos históricos , sociais e científicos do desenvolvimento da Físísica Nuclear . Ou seja, diferentemente dos outros licenciandos, não trabalharam exclusivamente questões usualmente consideradas como associadas ao ensino de Física , mas escreveram também sobre a sociedade na primeira metade do século XX, sobre relações entre re a Física e a Química , questões políticas , questões relacionadas à forma de pensamento da comunidade científica da época.
## Considerações Finais
O objetivo deste trabalho era evidenciar a vinculação entre abordagem de ensino e conteúdo trabalhado no momento de elaboração de episódios de ensino sobre o tema Questão Nuclear, realizada por licenciandos em Física cursando a disciplina Prática de Ensino de Física e Estágio Supervisionado.
Para isso delimitamos algumas condições de produção relevantes para a análise realizada a partir do referencial teórico e metodológico utilizado o (Análise de Discurso):
Sintetizamos uma revisão bibliográfica realizada em artigos de pesquisa em ensino de ciências que tratavam das abordagens utilizadas pelos licenciandos para a elaboração dos episódios de ensino. Consideramos que questões relacionadas ao ensino de Física voltado para o desenvolvimento da cidadania é elemento constante em artigos de diversas linhas de pesquisa , o que provavelmente influenciou sua presença tanto nos três momentos em que subdividimos o trabalho realizado pelos
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
26 a 30 de Janeiro de 2009
licenciandos, , quanto para as diversas abordagens utilizadas , enquanto objetivo educacional presente no imaginário destes licenciandos.
Também consideramos como condição de produção, agora imediatas, os acontecimentos da própria disciplina e que dividimos em três momentos que apresentavam diferenças relevantes para a análise pretendida. Observamos que em cada momento a presença de conteúdos apresentou-se única e principalmente relacionadas às abordagens que estavam sendo trabalhadas por cada dupla:
No primeiro momento em que os licenciandos ainda não haviam escolhido as abordagens a escolha de conteúdos pareceu pautar-s-se na influência da memória discursiva da própria graduação dos licenciandos.
No segundo momento os conteúdos escolhidos sofreram deslocamentos com relação ao momento anterior e pareceram mais relacionados ao que os licenciandos consideravam ser cada uma das abordagens com as quais estavam trabalhando. Por exemplo, no imaginário dos licenciandos a História da Ciência trataria do surgimento da Física e sendo assim os conteúdos escolhidos seriam aqueles presentes nos acontecimentos fundamentais para o surgimento da Física Nuclear. Já para os licenciandos responsáveis pela abordagem Resolução de Problemas os conteúdos foram escolhidos com base na preocupação com a dificuldade matemática que os alunos teriam com a Física Nuclear. No caso da abordagem Linguagens no Ensino de Ciências a preocupação norteadora de conteúdos seria social, o que observamos no terceiro momento estar relacionada no imaginário dos licenciandos com questões de exclusão social originadas por falta de domínio da linguagem da ciência.
No terceiro momento observamos que os seminário foram apresentados de forma fragmentada (com exceção do seminário sobre linguagens), ou seja, a explicação do que tratava a abordagem que talvez no imaginário dos licenciandos estaria mais próxima das disciplinas pedagógicas e didáticas foi separada da apresentação dos episódios de ensino, que no imaginário dos licenciandos talvez estariam mais próximos das disciplinas específicas. Talvez isso tenha ocorrido pela própria fragmentação do curso de graduação destes licenciandos.
Observamos que ainda no terceiro momento mais uma vez a escolha de conteúdos foi particular para cada abordagem. No que diz respeito à abordagem Resolução de Problemas o conteúdo escolhido pautou-se no próprio problema sugerido pelos licenciandos. Para a abordagem CTS o conteúdo escolhido estava relacionado com uma notícia de jornal que escolheram como tema social relevante, conforme indicarariam alguns pesquisadores da abordagem CTS. Já a dupla de Linguagens prprocurou abordar um conteúdo com base na preocupação que tiveram de que a aula deveria ser em linguagem comum facilitando o entendimento por parte dos alunos e impossibilitando a exclusão social ocasionada pelo não conhecimento de uma linguagem. A dupla responsável pela História da Ciência desenvolveu conteúdos a partir da seleção de momentos históricos que consideraram fundamentais para o surgimento da física nuclear r e também procurou apresentar como conteúdo informações relacionadas ao contexto político, social, cultural, etc. procurando utilizar-r-se de uma abordagem externalista .
A partir das observações realizadas neste trabalho consideramos importante que os próprios licenciandos reflitam sobre o funcionamento de seu imaginário, a importância das condições de produção de sua prática e da indissociabilidade forma e conteúdo, já que estes fatores provavelmente seriam intervenientes nas mediações em sala de aula.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
## Referências
ALMEIDA, M.J.P.M. Discursos da ciência e da escola: ideologia e leituras possíveis.Campinas, SP: Mercado de Letras, 2004.
GALIAZZI, M.C. e MORAES, R. Educação pela Pesquisa como Modo, Tempo e Espaço de Qualificação da Formação de Professores de Ciências. Ciência & Educação. v.8, n.2, p. 237- 252, 2002.
MARANDINO, M. A Prática de Ensino na Licenciatura e a Pesquisa em Ensino de Ciências: questões atuais. Caderno Brasileiro de Ensino de Física . v.20, n.2, 2003.
ORLANDI, E.P. Análise de Discurso - - - Princípios e procedimentos. Campinas, SP: Pontes, 2005.
OSTERMANN, F. MOREIRA, M. A. Uma revisão bibliográfica sobre a área de pesquisa "Física Moderna e Contemporânea no Ensino Médio". Investigações em Ensino de Ciências. Porto Alegre, v.5, n.1, mar. 2000
PORLÁN, R. La Formación del Profesorado en un Contexto Constructivista . Investigaçõesem Ensino de Ciências. v.7, n.3, dez., 2003.
ZIMMERMANN, E. e BERTANI, J. A. Um Novo Olhar Sobre os Cursos de Formação de Professores. Caderno Brasileiro de Ensino de Física. v.20, n.1, 2003.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.