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Formação inicial e continuada de professores de física: uma análise de concepções e propostas apresentadas na última década nos SNEFs E EPEFs.

Olívia Trindade Drumond, Gilmar Wagner De Oliveira, João Antônio Corrêa Filho

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVIII
Ano
2009
Data
26/01/2009
Linha de pesquisa
Formação Inicial E Continuada Do Professor Em Todos Os Níveis De Escolaridade
Tipo
Pôster

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Texto completo

## FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA DE PROFESSORES DE ÍÁÕ Ç FÍSICA: UMA ANÁLISE DE CONCEPÇÕES E PROPOSTAS APRESENTADAS NA ÚLTIMA DÉCADA NOS SNEFs E EPEFs.

Olívia Trindade Drumond [oliviadrumond@msn.com]

Gilmar Wagner de Oliveira [wagner@fisica.ufsj.edu.br]r] João Antônio Corrêa Filho [j[jcorrea@ufsj.edu.br]

Departamento de Ciências Naturais, Universidade Federal de São João Del Rei (UFSJ)

## Resumo

Neste trabalho, apresentamos uma revisão e análise sobre a formação inicial e continuada de professores de física, visando conhecer os problemas mais recorrentes no ensino de física no Brasil nos últimos sete anos e, conseqüentemente, facilitar soluções. Para isso, tomamos como base de dados artigos publicados nas últimas três edições do Simpósio Nacional de Ensino de Física e nos quatro últimos do Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, disponíveis na Internet. O enfoque na formação inicial é tema bastante freqüente nessas produções, onde os autores mencionam que os cursos de física apresentam problemas diversos que desestimula m o licenciando. Outra questão presente nos trabalhos refere -s -se ao modelo de professor, do qual o licenciando se apropria, espelhando-s-se em seus professores que adotam métodos de ensino focados na matematização da física formando, assim, profissionais desprovidos de espírito investigativo, dinâmico e inovador, fechando um circulo vicioso no processo de preparar futuros profissionais. O estágio, que consiste num momento importante para o licenciando avaliar e julgar os saberes adquiridos e perceber a consolidação (ou não) do "gosto" pela atividade docente é, por outro lado, pouco tratado nos trabalhos analisados por nós. A formação continuada de professores, em cerca da metade desses artigos, é tratada como de fundamental importância, onde a busca pela obtençãção e renovação dos saberes torna-se intrínseca ao desenvolvimento profissional. Da análise dessas produções, concluímos ser imprescindível ao professor inovar seus conhecimentos, métodos e, até mesmo, repensar a organização curricular das licenciaturas, pois nos pareceu que as estratégias adotadas nessas licenciaturas têm sido pouco eficientes para preparar profissionais qualificados, bem como o ambiente desses cursos estar mais preparado para formar "pesquisadores de laboratório" do que professores. Atentamos também para a importância do diálogo teoria prática, uma vez que os saberes práticos irão conferir maior expressão e qualidade do ensino.

Palavras -c -chave: Licenciatura em Física; Formação Continuada; Formação Inicial.

## Introdução

A formação de professores é um tema bastante freqüente nas produções cientificas dos últimos dez anos. Tal questão ganhou mais espaço principalmente após a sanção da nova LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996) pelo governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, que, dentre vários

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avanços e objetivos, propunha a obrigatoriedade da formação em nível superior de cursos plenos para profissionais da educação.

Abordaremos no presente trabalho, uma analise e revisão do que se tem divulgado acerca da formação inicial e continuada de professores de física nos últimos dez anos nos principais eventos científicos que tratam dessa natureza no Brasil, a saber: o Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF), que reúne cerca de mil participantes, entre professores da Escola la Básica e do Ensino Superior e seus estudantes; e o Encontro de Pesquisa em Ensino de Física (EPEF), mais restrita, que reúne cerca de 200 pesquisadores do ensino, entre professores do Ensino Superior e seus estudantes de orientação em iniciação científica e de pósgraduação. Com este trabalho, visamos subsidiar futuras pesquisas na busca de soluções aos problemas que aqui procuramos destacar.

## Descrição do Trabalho (Metodologia)

Para analisar as produções científicas relacionadas ao ensino de física, optamos por focar nossa pesquisa em trabalhos, disponíveis na íntegra e acessíveis pela Internet, que abrangem as três últimas edições do Simpósio Nacional de Ensino de Física (XV, XVI e XVII SNEFs) e do Encontro de Pesquisa em Ensino de Física (VIII, IX e X EPEPEFs), e mais recentemente, do XI EPEF. Como critérios a mais de seleção de trabalhos, procuramos buscar por artigos com a palavra-chave "formação" ou qualquer outra equivalente ou relacionada à mesma. A seguir, fizemos a leitura dos resumos, procurando identificar se a proposta colocada estava dentro do que procurávamos, ou seja, se os autores desses trabalhos explicitavam nos seus resumos questões sobre formação inicial, ou sobre formação continuada, ou sobre estágio supervisionado. Por fim, fizemos a leititura e análise dos trabalhos na íntegra.

## Resultados e Discussão

Das três últimas edições do SNEF, para os nossos propósitos, fizemos a leitura de 18 trabalhos; e das quatro últimas do EPEF, 19 trabalhos (veja a lista em referências e artigos consultados). Para a elaboração do presente trabalho, fizemos um apanhado geral dos pontos que percebemos mais freqüentes nesses eventos nos últimos sete anos. Segundo os artigos consultados, chegamos a resultados que circundam a temática da formação profissional do professor de física, seja essa em seu período inicial, como também em seu modo continuado.

Em nossa pesquisa, observamos que tem havido resistência dos envolvidos no ensino da física quanto à inovação das metodologias de ensino. Tal fato pode ser observado em artigo publicado no XVII SNEF, onde a UFPA (Universidade Federal do Pará) juntamente à SEDUC-PA/Escola Luiz Nunes Direito, coloca a questão do desenvolvimento de uma disciplina que focaliza discussões em torno das relações Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) e da Educação Cientifica (ALENCAR, 2007). Os autores discutem a recapitulação da formação do professor de física, com o intuito de formar profissionais mais inovadores, buscando tanto o lado cidadão e o tecnológico do porquê de estudar física, ressaltando que "a subversão dos modelos tradicionais reprodutivistas seja uma necessidade que não pode mais ser ignorada". . Tal questão é retomada por um desses mesmos autores no XI EPEF (ALENCAR, 2008), que, partindo de entrevistas a professores, onde foram ququestionadas as

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concepções e proposições destes quanto à Educação Cientifica e à CTS, contatouse que, embora os docentes tenham discursos que se aproximam das novas bases da educação cientifica, eles reconhecem a ineficácia da atual formação inicial de professores segundo estratégias mais alternativas.

Ressaltamos que diversos índices e indicadores de avaliação nacionais (SAEB, SIMAVE, ENADE, INAF, entre outros) e internacionais (UNESCO e PISA) evidenciam a necessidade política e técnica de atuar sobre as questões de ensino. Dados oriundos destas avaliações apontam o baixo desempenho de alunos brasileiros em ciências (61% dos alunos ficaram abaixo ou somente no nível um de uma escala que vai até seis no teste) além de revelar que 70% dos professores de ciências no Brasil não têm formação na área. Diante dessas constatações, reafirmamos a urgência de políticas públicas de incentivo aos cursos de licenciatura, principalmente nas áreas de ciências, prioritariamente na Física. Tal problemática foi abordada por pesquisadores da UEFS (Universidade Federal de Feira de Santana) e UFBA (Universidade Federal da Bahia), que, mediante aplicação de questionários a professores que ministravam a disciplina de física (neste caso, não sendo necessariamente licenciados em física) em escolas da rede pública do interior da Bahia, chegaram a um cenário, onde profissionais com formações variadas, tais como engenharia, farmácia e ciências contábeis, têm atuado como professores de física na rede pública do interior da Bahia (JESUS, 2007). Não há dúvida de que tais formações profissionais não contemplam aspectos didático-pedagógicos, logo, o ensino passado aos jovens neste caso torna-s-se insatisfatório.

Outro ponto bastante presente nos trabalhos investigados por nós são as aulas em que os professores priorizam uma prática de ensino de física mais voltada ao algebrismo, e menos à parte conceitual do estudo dos fenômenos. Em trabalho realizado pelo CEFET-T-PE (Centro Federal de Educação Tecnológica de Pernambuco), vemos essa questão, a partir de questionamentos, por parte dos alunos, sobre a importância de Torricelli no estudo do Movimento Variado "levantase a questão da excessiva matematização do ensino de física e como ela tem contribuído para que os alunos tenham uma maior dificuldade no aprendizado dos conceitos físicos, principalmente no estudo dos movimentos." (Macedo, 2007).

A UEPB (Universidade Estadual da Paraíba) realizou um estudo dos casos de evasão escolar e repetência no curso de física, visando entender as causas que levaram à desistência/abandono do curso. Fatores diversos são apontados como deflagradores dessa situação, tais como: as pressões sofridas pelo jovem universitário por parte da família; as dificuldades de adaptação ao novo ambiente escolar; as expectativas frustradas pelas diferenças entre o ensino médio e o superior; a falta de estrutura oferecida pela Universidade; o relacionamento distante entre professor e aluno; o motivo de o desejo de cursar universidade estar fortemente ligado a projetos apenas de ascensão social e econômica; a idade, experiência de vida e maturidade de cada um deles; a dificuldade de conciliar trabalho e escola, assim como os problemas sócio-econômicos dos alunos (ATAÍDE, 2007). Embora a maioria dessas questões fuja à competência da universididade, os autores do artigo propõem que a universidade pode desenvolver ações que visem minimizar tal quadro. Ainda na problemática em questão, citamos aqui um trabalho realizado pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), onde os autores relatam que o alto índice de evasão nas licenciaturas de física está associado aos índices de fracasso dos estudantes no inicio do curso (ALMEIDA, 2002). Diante disso, os mesmos autores desenvolveram um projeto de reversão da situação de

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fracasso estudantil e alta evevasão que, até a conclusão do artigo, titiveram resultados satisfatórios , após uma reformulação de disciplinas básicas (Física I e Física Experimental I) , da escolha de um livro texto adequado à proposta metodológica do ensino dessas disciplinas e de uma equipe de professores integrados no projeto. Esta última condição, aliás, consideramos de importância fundamental para o "sucesso" de um curso. Isso favorece o o diálogo entre as disciplinas, permitindo aos estudantes uma visão integrada do curso. Contudo, o quê se vê , de modo geral , são professores trabalhando suas disciplinas isoladamente uns dos outros, declinando numa visão fragmentada e compartimentada delas e resultando d disso numa "colcha de retalhos" que, aos olhos dos estudantes, pode pouco ou nada significar ou ser de difícil apreensão , criando assim, condições favoráveis de evasão ou retenção escolar.

" Professores de física - - Uma Tribo Ameaçada de Extinção"o", assim é o titulo do trabalho realizado por pesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense, que teve como objetivo a análise de dados divulgados na Estatística dos Professores do Brasil (2003) pelo MEC através do INEP sobre a situação dos professores no Brasil e na Sinopse Estatística da Educação Superior (2002). A partir de tais dados, coconstatou-se que o número de professores de física é insuficiente para a atual demanda e que seria necessário o aumento significativo da capacidade das universidades para a formação de professores nessa disciplina. Mais recentemente, essa problemática é revista para o contexto de Políticas Públicas e o Ensino de Física (ARAÚJO e VIANNA, 2008). Disso, podemos concluir que muito pouco foi feito pelo Estado para reverter à situação nesses últimos seis anos, ainda que, recentemente, o atual Governo tenha sinalização com a aprovação na Câmara dos Deputados da lei 7.431/2006, que trata de um Piso Salarial Nacional dos professores da Educação Básica em R$950,00 para 40 horas de trabalho, sendo 50% das horas como direito do professor a preparação das aulas. Outra medida, também adotada pelo Governo, foi o lançamento do Programa de Bolsa Institucional de Iniciação a Docência (PIBID), através da CAPES, visando à melhoria da formação inicial de professores por meio de bolsas para os estudantes e professores em exercício e com o fortalecimento da relação entre a universidade e a escola pública.

Poucos trabalhos por nós analisados abordavam questões relacionadas ao estágio supervisionado. Dentre esses, destacamos um trabalho realizado pela UFSC (Universidade Federaral de Santa Catarina). Seus autores relatam uma experiência de estágio, na qual, para "medir" as interações verbais entre aluno e professor, o estagiário utilizou o Sistema de Flanders, que detecta quantativamente vários aspectos das interações verbais aluno/aluno e aluno/professor que ocorrem em sala de aula (GASPARETTO, 2007). Tal proposta é interessante, pois visa à inserção gradual do estagiário do curso de física em sala de aula, como meio de se observar as interações aluno-professor e se sentir mais a vontade dentro da sala de aula. Ainda na reflexão sobre a inserção e o enfrentamento do do processo de estágio, vemos em "Modelos de enfrentamento de problemas na articulação da formação inicial à continuada" (USTRA, 2008) a identificação de problemas no planejamento das atividades didáticas dos futuros professores. Para tal, os autores do artigo realizaram um trabalho de investigação com um grupo de dez estagiários. FoForam realizadas reuniões em grupo, onde se constatou que as dificuldades apontadas pelos estagiários no desenvolvimento do planejamento são típicas de professores iniciantes e que, no estágio , o futuro professor utiliza-s-se de saberes conceituais, ou

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seja, construídos na universidade; de experiências vividas - enquanto aluno, principalmente - e de modelos e exemplos do ser e agir de professores. PoPor fim, o trabalho citado contribui visando o fortalecimento das disciplinas de prática de ensino e estágio na formação inicial e sugere práticas de trabalho para a formação continuada de professores.

Uma interessante questão é levantada no trabalho "Ensinando e aprendendo em grupo - uma experiência de formação continuada" (SILVA, 2008), onde, tomando por base o prprograma de formação continuada para professores de física (incluído no projeto de desenvolvimento do ens ino público da FAPESP) e que tem como diferencial o trtrabalho em grupo, os autores desenvolveram uma análise dos dados extraídos de relatos dos professoreres e, como resultados, destacam :

" que a organização, face a face, estabelece a negociação, permitindo que as discussões sejam pautadas pelas demandas dos professores e direcionadas aos pontos de interesses mais imediatos. Interesses que se voltam para o seu saber fazer, que incluem e consideram o aluno como objetivo do fazer docente".

Assim, pretende-s-se nesesse trabalho evidenciar um aspecto importante da formação continuada de professores: a construção do seu "saber fazer" em trabalho em grupo, uma formação que tem se mostrado bastante positiva .

## Conclusões

Procuramos apresentar, neste trabalho, algumas das questões presentes nos artigos científicos disponíveis na Internet das três últimas edições do SNEF e das quatro últimas do EPEF, referentes às questões de formação inicial e continuada de professores de física. A partir de análise feita dessas produções, percebemos que a grande maioria dos autores destaca ser de suma importância a formação de professores com espírito investigador, que anseiam pela inovação de conhecimentos e métodos. Todavia, faz -s-se necessária uma reflexão acerca da atual organização curricular das licenciaturas de física, uma vez que essas parecem priorizar a formação de profissionais voltados para a pesquisa e não para a docência e, muitas vezes, seguem estratégias pedagógicas não muito eficazes e que acabam por desmotivar os recém ingressantes nas licenciaturas. Segundo pudemos apreender de nossa pesquisa, deve haver uma dialética entre prática e teoria no ensino de física, atentando também para o contexto histórico em que estavam inseridos os grandes teóricos e o que os levou às suas descobertas e teorias, pois acreditamos que tal compreensão contribui para a melhoria do processo de ensinoaprendizagem, uma vez que poderá suscitar no aluno um maior interesse, gerando um profissional mais questionador e reflexivo.

## Agradecimentos

Gostaríaíamos de agradecer a PROEX/UFSJ, pelo apoio financeiro com bolsas de estágio.

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## Referências e trabalhos consultados

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