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GRUPO DE LICENCIANDOS EM FÍSICA E A RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE MECÂNICA CLÁSSICA, UM OLHAR ATRAVÉS DA SUBJETIVIDADE

Diogenes Helio De Oliveira, Alberto Villani

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVIII
Ano
2009
Data
26/01/2009
Linha de pesquisa
Formação Inicial E Continuada Do Professor Em Todos Os Níveis De Escolaridade
Tipo
Pôster

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Texto completo

## GRUPO DE LICENCIANDOS EM FÍSICA E A RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE MECÂNICA CLÁSSICA, UM OLHAR ATRAVÉS DA SUBJETIVIDADE.

Diogenes Helio de Oliveira 1 , A Alberto Villani 2 2

- 1 Universidade de São Paulo /Física Aplicada , diogenes@if.usp.br

## Resumo

COM BASE NO REFERENCIAL TEÓRICO DE GRUPO OPERATIVO, DE PICHON -RIVIÈRE, QUE É NORTEADO PELA SUBJETIVIDADE, ESTE TRABALHO DE PESQUISA PRETENDE: A) ENTENDER AS RESISTÊNCIAS DOS LICENCIANDOS EM FÍSICA PARA TRABAL HAR EM GRUPO (NA DISCIPLINA COMPLEMENTOS DE MECÂNICA CLÁSSICA MINISTRADA JUNTO AO INSTITUTO DE FÍSICA DA USP -TURMAS DE 2007 E 2008); B) ENTENDER AS DIFICULDADES DOS LICENCIANDOS EM RELAÇÃO AO ÍÚ )) Ç DOMÍNIO DOS CONTEÚDOS TRABALHADOS NA DISCIPLINA (EM PARTICULAR A RELAÇÃO ENTRE PRINCÍPIOS TEÓRICOS E FORMULAÇÃO MATEMÁTICA) E PROPOR Ã ÇÇ ATIVIDADES QUE MODIFIQUEM TAL RELAÇÃO. NOSSO TRABALHO DE PESQUISA SERÁ ORIENTADO PRINCIPALMENTE PARA O PRIMEIRO OBJETIVO: ESTUDAR AS POSSÍVEIS DIFICULDADES ENCONTRADAS NA FORMAÇÃO E NA ESTRUTURAÇÃO DE UM GRUPO DE ALUNOS DA DISCIPLINA COMPLEMENTOS DE MECÂNICA CLÁSSICA DA LICENCIATURA EM FÍSICA, COMPREENDER AS RELAÇÕES ENTRE ÓÃ Ç ALUNOS E PROFESSOR E ENTRE PRÓPRIOS ALUNOS E PROMOVER A AQUISIÇÃO DE HABILIDADES GRUPAIS DOS ALUNOS DURANTE O DECORRERER DAS AULAS, QUE PROPICIEM, PORTANTO, A SUPERAÇÃO DE OBSTÁCULOS OBJETIVOS E SUBJETIVOS DO TRABALHO EM GRUPO. ATRAVÉS DA TEORIA DE GRUPOS DE PICHON -R -RIVIÈRE, PODEMOS ENTENDER ER R QUE O PRINCIPAL OBJETIVO A SER CUMPRIDO POR UM GRUPO OPERATIVO É A REALIZAÇÃO DA TATAREFA. ESSA TAREFA PODE SER ENTENDIDA DE DUAS MANEIRAS, A TAREFA OBJETIVA (COMO NO CONTEXTO DA DA RESOLUÇÃO DE ALGUM PROBLEMA DE FÍSICA) E A TAREFA ÃÃ SUBJETIVA (C(COMO A Ç) SUPERAÇÃO DE ESTEREOTIPIAS). A SUPERAÇÃO DAS SITUAÇÕES ESTEREOTIPADAS PODE ROMPER EVENTUAIS "I "INÉRCIAS" INSTAURADAS NO GRUPO E ACARRETAR EM SUA EVOLUÇÃO (P(PROMOVENDO O GRUPO NO CAMINHO DA OPERATIVIDADE), ALÉM DE AJUDAR NO PROCESSO DE MATURIDADE E CONFIANÇA FRENTE AOS POSSÍVEIS DESAFIOS ENCONTRADOS PELO GRUPO.

Palavras -c -chave: Grupo, licenciandos , f física .

## Introdução

Podemos dizer que praticamente é consenso, tanto de pesquisadores das áreas de ensino como de professores, que o trabalho em grupo pequeno (em torno de cinco integrantes) pode promover muitas contribuições para os estudantes. Como, por exemplo, contribuições ligadas a questões de sociabilidade: respeito às idéias dos outros e aos ritmos de aprendizagem de cada aluno.

Além disso, o trabalho em grupo pequeno pode se tornar um ambiente bastante favorável para as explicitações das idéias dos alunos. Nessa organização,

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os componentes do grupo ficam menos inibidos ao exporem seus argumentos, pois trocam informações com os mais próximos, ou seja, numa relação direta alunoaluno.

No ensino de física essa metodologia de trabalho se torna ainda mais importante, visto que o trabalho em grupo pode propiciar, além dessas contribuições de caráter social, aprimorar importantes habilidades, como, através das discussões sobre problemas de física, desenvolver a argumentação sistemática dos alunos, o que é de suma importância no universo acadêmico científico e uma melhor estruturação dos conceitos físicos.

Com base nessas considerações, fica evidente a necessidade de, nos cursos de Licenciatura em Física, se trabalhar a metodologia de grupos com os próprios licenciandos, uma vez que, como futuros professores, poderão aplicar tal metodologia com seus alunos.

De forma sintética, iremos apresentar algumas análises de um trabalho de mestrado (que está em andamento) e que versa sobre a relevância dos aspectos subjetivos sobre trabalho de um grupo de Licenciandos em Física na resolução de problemas de mecânica clássica.

Realizamos uma primeira tomada de dados no segundo semestre de 2007 com um grupo de alunos da disciplina Complementos de Mecânica Clássica ministrada no Instituto de Física da USP e estamos repetindo essa experiência (segundo semestre de 2008), na mesma disciplina.

Em 2007, um grupo foi selecionado e filmado durante dez encontros de uma hora, aproximadamente. O objetivo do grupo era resolver problemas de mecânica sempre com o acompanhamento de dois coordenadores, o professor da disciplina e o monitor (mestrando).

Durante alguns encontros, o grupo apresentou certas "resistências " ao trabalho em grupo, primando muitas vezes a individualidade em detrimento da coletividade. Essas resistências dos Licenciandos em Física se evidenciaram de diversas formas como, por exemplo: pouca disposição para discussões entre os componentes do grupo, individualidade nas produções, freqüência excessiva de requisição dos coordrdenadores para suprir dúvidas conceituais , entre outras evidências .

Acreditamos que fatores subjetivos podem influenciar bastante a conduta do grupo de alunos frente a uma determinada situação, como no contexto da resolução de problemas de física. Influências essas, tanto positivas como negativas.

Para ajudar na tarefa de interpretar a influência da subjetividade sobre o grupo de alunos, estamos utilizando um referencial teórico psicanalítico - Grupo Operativo de Pichon-Rivière.

Esse referencial teórico apresenta a idéia de que para que um grupo venha a se tornar plenamente operativo (autônomo), ele tem que resolver dois tipos de tarefas que se encontram em dois níveis distintos: uma tarefa objetiva (como a resolução de algum problema de física) e uma tarefa subjetiva (inconsciente). Para resolver a tarefa subjetiva, o grupo tem que resolver uma série de estereotipias que podem se instaurar durante as reuniões do grupo.

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Apresentamos a interpretação de dois pequenos trechos de diálogo de interação do grupo de Licenciandos em Física com um dos coordenadores utilizando -se o referencial teórico para a análise.

## Objetivo

Este projeto de Mestrado nasceu de um convite do próprio professor para entender e melhorar o desempenho dos Licenciandos em Física na disciplina de Complementos de Mecânica Clássica. Consideramos ser importante investigar mais detalhadamente a natureza das resistências encontradas pelos licenciandos em relação ao domínio do conteúdo e ao trabalho em grupo e propor atividades que melhorem o correspondente desempenho. Esses dois temas são extremamente importantes na formação de um Licenciando em Física por possibilitarem uma futura relação tranqüila entre o professor e seus alunos no Ensino Médio, pois certamente um docente de Física deverá ensinar Mecânica e lidar com grupos de estudo durante sua atuação profissional.

Portanto, com este trabalho procuraremos pesquisar:

- -Como interagir com os Licenciandos em Física de modo que possam romper suas possíveis resistências (e aversões) ao trabalho em grupo, desenvolvendo habilidades grupais para que se tornem um grupo operativo.
- -Desenvolver atividades diferenciadas (no sentido de serem aplicadas na metodologia de trabalho em grupo), que ajudem os Licenciandos em Física a suprirem suas diversas deficiências conceituais, como de mecânica e de formalismo matemático.

Daremos maior ênfase na questão do desenvolvimento das habilidades grupais dos Licenciandos em Física, uma vez que o referencial teórico adotado propicia um estudo detalhado das relações es entre os componentes do grupo e seu coordenador, permitindo, com isso, verificar possíveis obstáculos que possam impedir o grupo de se tornar operativo.

## Justificativas

Acreditamos que este trabalho de pesquisa poderá trazer contribuições importantes para a comunidade científica interessada nos processos de ensinoaprendizagem através da metodologia de trabalho em grupos pequenos e para os professores em geral, pois:

- -se centra num aspecto intrigante: na resistência dos Licenciandos em Física para o trabalho em grupo. Quais serão os motivos que levam os alunos de licenciatura em física a ofereceram (em algumas situações) aversão ao trabalho em grupo já que, em geral, eles têm acesso às teorias pedagógicas e psicológicas que os norteiam para o uso dessa metotodologia? Seria até mesmo "natural" (de senso comum) acreditar que aceitassem de bom grado participar de uma experiência de ensino menos tradicional, mas isso nem sempre ocorre.
- -entender a(s) resistência(s) dos futuros professores de física ao trabalho em grupo se torna necessária, já que esperamos que o ensino de física

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desenvolvido no ensino médio se torne menos expositivo, ou seja, que os alunos interajam mais nas aulas.

- -pretende desenvolver atividades que supram deficiências dos licenciandos em físísica de conhecimentos básicos de mecânica clássica e de ferramental matemático através da metodologia de grupos, com isso, aproveitando melhor o tempo do licenciando na universidade.

Esperamos, por meio de um olhar que privilegia a subjetividade, entender melhor os motivos pelos quais os alunos de licenciatura em física, em algumas situações, apresentam aversão ao trabalho em grupo. E essa compreensão poderá, no futuro, orientar as metodologias de trabalho em grupo, aumentando a eficiência da metodologia p para a aprendizagem.

## Referencial Teórico

Este estudo está sendo orientado por meio do referencial teórico psicanalítico de grupo operativo, desenvolvido por Pichon-Rivière.

Teorias de grupo norteadas pela subjetividade são bem discutidas em outros referenciais teóricos (como Foulkes, Bion, Anzieu, Kaës, entre outros), mas para as situações produzidas durante as aulas de Complementos de Mecânica Clássica a teoria de grupo operativo de Pichon-Rivière tem se mostrado bastante pertinente, em função de sua potencialidade de nos ajudar na compreensão das relações entre os integrantes dos grupos, já que esse referencial teórico enfatiza bastante a noção de tarefa a ser realizada pelo grupo.

Para Pichon -Rivière, grupo é um conjunto de pessoas que se ligam por constantes de tempo e espaço, o, e que se articulam mutuamente através de representações internas. Esse conjunto de pessoas é movido por uma rede de motivações, e essa rede configura uma situação de tal complexidade que faz com que sustente o grupo através de aquisições e trocas de papéis entre os componentes.

Essa constante inter -relação entre os agentes do grupo promove neles uma aprendizagem social, pois através dos diálogos acabam se conhecendo e se respeitando mutuamente.

As interrrelações entre os sujeitos do o grupo configuram os vínculos. PichonRivière fala que esses vínculos são estruturas dinâmicas, que estão em movimento constante, e que trabalham movidos por diversos fatores instintivos e por motivações psicológicas.

Essa teoria também propõe que o principal objetivo a ser cumprido pelo grupo operativo é a realização da tarefa através da superação de situações estereotipadas, podendo, com isso, quebrar estados de inércias eventualmente presentes no grupo. Vencer as situações estereotipadas faz com que o grurupo evolua e possa encarar com mais maturidade e confiança possíveis novidades. Essa tarefa pode ser entendida de duas maneiras: tarefa objetiva e tarefa subjetiva.

A tarefa objetiva está relacionada diretamente com a finalidade do grupo de resolver algum problema concreto, como por exemplo, um grupo de alunos tentando resolver algum problema de mecânica: neste caso, a tarefa é a resolução do problema.

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- Já a tarefa subjetiva tem a ver com a superação de situações estereotipadas, que muitas vezes podem fazer com que o grupo não se torne operativo, ou seja, que não se desenvolva. No caso educacional, essa superação é realizada através da interação cuidadosa e planejada do professor no grupo (coordenador).

Nesse aspecto, acreditamos que a teoria psicanalítica de e Pichon-Rivière nos ajudará a compreender as co-relações entre os agentes grupais, pois percebemos que na graduação (de Licenciatura em Física) existem indícios de uma forte resistência a mudanças metodológicas por parte dos Licenciandos em Física.

Pichon -Rivière também fala que toda a situação de grupo é permeada inconscientemente por fantasias (que é o produto do imaginário do grupo). Essas fantasias podem ajudar ou atrapalhar o desenrolar das atividades como, por exemplo, a aprendizagem. Como essas fantatasias estão presentes num mesmo tempo e lugar, é impossível que seja evitado o conflito entre elas.

- O processo de embate (de esclarecimento) entre essas fantasias constitui a tarefa latente do grupo, o que, por sua vez, abre o caminho para a possibilidade de criação no grupo.

Sobre grupos operativos, B Barros 2002 comenta em sua tese de d doutorado:

A técnica dos grupos operativos caracteriza-a-se por estar centrada, de forma explícita, em uma tarefa que pode ser a aprendizagem. Sob esta tarefa existe outra, implplícita, que aponta para a ruptura, através do esclarecimento das pautas estereotipadas que dificultam a aprendizagem e a comunicação, significando um obstáculo frente a toda situação de progresso ou mudança.

A tarefa do grupo operativo consiste na elaboração de duas ansiedades básicas: medo da perda (ansiedade depressiva) das estruturas existentes e medo do ataque (ansiedade paranóide) na nova situação, provinda esta última de novas estruturas nas quais o sujeito se sente inseguro por carência de instrumentatação. Estas duas ansiedades, coexistentes e cooperantes, configuram a situação básica de resistência à mudança, que, no grupo operativo, deve ser superada num acontecer grupal, através de um processo de esclarecimento que vai do explícito para o implícito.

Sendo assim, em ressonância com o nosso problema de pesquisa, podemos colocar como hipótese que a própria metodologia de grupo (sendo uma novidade para muitos licenciandos) para a resolução dos problemas de mecânica pode ser relacionada a uma configuração o de ansiedade depressiva por parte do grupo, paralisando-o pela insegurança.

- A mesma analogia pode ser feita com respeito à insegurança dos Licenciandos pelas carências de instrumentação, no caso de um ferramental matemático e físico (teóricos), que pode prpromover o não desenrolar das operações do grupo.

Também, por Pichon-Rivière, a função dos integrantes do grupo recebeu bastante atenção. Ele categorizou quatro papéis importantes, o porta-voz, o bode expiatório, o sabotador e o líder.

- O porta-voz é o agente que correlaciona suas idéias (e também sua fantasia inconsciente) com as do grupo para poder transmiti-las, este papel é de suma importância para o pesquisador, pois muitas vezes é através de suas explanações que se torna possível estudar o grupo. O discurso dado pelo porta-voz pode ser caracterizado por uma verticalidade (o mesmo que individualidade), que representa

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suas próprias idéias e sentimentos, ou pela horizontalidade (coletividade) que leva em consideração o grupo como um todo.

Bode expiatório é o receptor/depositário de aspectos negativos ou atemorizantes do grupo e/ou da tarefa, ou seja, é nele que o grupo joga todas as angústias, medos e culpas pela não concretização de uma tarefa.

- O sabotador r também é um sujeito que assume os aspectos negativos do grupo, mas que se torna o líder r da resistência. Essas funções (de bode expiatório e de sabotador) podem promover segregações no grupo (subgrupos).

Por outro lado, também é possível que exista quem receba aspectos positivos, e esse é o líder. Nesse caso, é o líder quem comanda o grupo, é nele que o grupo coloca suas esperanças e muitas vezes se espelha. Inicialmente, o grupo pode caminhar através do líder, mas essa situação é interessante somente para a estruturação inicial do grupo, uma vez que pode gerar dependência.

Ou seja, para que o grupo se torne realmente operativo, esses papéis assumidos e adjudicados pelos sujeitos do grupo não devem ser fixos, pois estão carregados de estereotipias, que podem atrapalhar na realização da tarefa. Verificar então quais os papéis assumidos pelos sujeitos do grupo é de suma importância na teoria e na técnica de grupos operativos.

Com relação à forma como o grupo desenvolve uma determinada atividade/tarefa, Pichon-Rivière definiu três etapas por quais ele passa. A primeira etapa é a pré-tarefa, que é o momento em que ocorre a resistência à mudança, é o momento em que o primeiro obstáculo aparece efetivamente (como o contato com um problema novo de física). A segunda etapa é a tarefa, momento em que os obstáculos são vencidos e o grupo começa a operar com o problema. E a última etapa é o projeto, que nada mais é do que a aquisição da habilidade de criação e projeto futuro.

A relação entre os integrantes do grupo também são categorizadas para a pesquisa sistemática: Afiliação: primeiro contato dos sujeitos no grupo (pouca intimidade); Pertença: maior relação entre os sujeitos, trazendo maior segurança para o grupo; Cooperação: quando os sujeitos passam a contribuir com o grupo - começam a aparecer os primeiros conflitos (verticalidade / individualidade) X horizontalidade); Pertinência: quando o grupo consegue elaborar e tenta finalizar a tarefa; Aprendizagem: mudança qualitativa no grupo caracterizada pela elaboração das ansiedades, tomada de decisões e elaboração de projetos; Telê: Ótimo ambiente grupal, com disposição para receber novos integrantes e de interagir com outros de forma positiva.

Pichon -Rivière também estabeleceu o papel do professor na situação de grupo. Para ele, o professor exerce uma função de " co-pensor/coordenador", ou seja, ajuda efetivamente os alunos a pensarem. Ele atua em função de suas observações, ajudando na comunicação dos componentes, no rompimento de obstáculos e na resolução das estereotipias presentes entre os sujeitos envolvidos, isto através da interferência no ECRO (esquema conceitual, referencial e operativo) do grupo.

Para resolver a tarefa, o grupo implementa e desenvolve um ECRO, que constituí um corpo de conhecimentos e estratégias moldáveis que possibilitam a interação com problemas (subjetivos e objetivos). O processo dialético possibilita a

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construção do ECRO. Com a resolução das ansiedades do grupo a tarefa objetiva começa a ser enfocada.

A Figura 1 abaixo representa a modificação do ECRO através do processo dialético.

Figura 01: Espiral dialética: P Processo de emergência do implícito para o explícito.

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Ou seja, (em analogia com a Figura 1) no primeiro contato com o problema concreto (objetivo), o grupo tem um ECRO inicial, que está carregado de ansiedades. Após uma série de interações do grupo com o problema e com o Coordenador, o grupo sai de uma configuração implícita e segue para uma configuração explícita, através de um processo dialético. Nesse processo contínuo, o ECRO é constantemente re -elaborado, pois o grupo vai adquirindo mais experiência.

## Metodologia

Foi selecionado um grupo de Licenciandos em Física para ser r filmado durante o segundo semestre de 2007 na disciplina Complementos de Mecânica Clássica ministrada no Instituto de Física da USP. Também estamos tomando mais dados (com outro grupo) durante o segundo semestre de 2008 na mesma disciplina .

A escolha da disciplina se deu pelo fato de de o professor estar disposto a colaborar com a pesquisa e também estar interessado pelos resultados dela. Além disso, essa disciplina tem um nível conceitual e formal matemático razoavelmente elevado, sendo interessante para o possível estabelecimento de discussões em grupos.

- O objetivo do grupo é resolver problemas de mecânica sempre com o acompanhamento de dois coordenadores, o professor da disciplina e o monitor (mestrando).
- O número de observações (gravações) se dá em função do foco da pesquisa em estudar o processo de evolução e aquisição de habilidades grupais , a pesquisa em andamento é do tipo qualitativa.

Os dados estão sendo obtidos através da técnica de filmagens , pois esessa forma de obtenção dos dados para pesquisa já é bastante utilizada pelos pesquisadores relacionados com educação (a pesquisa qualitativa em especial), por isso acreditamos que está bem consolidada.

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- A gravação em vídeo, além de possibilitar a captação do áudio, também fornece a imagem integral do grupo. Assim, a linguagem corporal do grupo pode, associada ao áudio, ajudar na interpretação melhor das informações - - podendo revelar até mesmo alguns aspectos subjetivos através das expressões faciais e gestuais.
- O grupo selecionado para as filmagens é de alunos voluntários , sendo o critério mais importante para a escolha de tal grupo a c característica a de não faltar r nos encontros, possibilitando a estruturação de uma série de gravações para a pesquisa .

Nas interações do grupo com os coordenadores e entre os integrantes do grupo, estamos focando nossa atenção na circulação de papéis entre os sujeitos para explicitar a dinâmica de funcionamento do grupo e sua possível evolução.

Das filmagens serão realizadas transcrições das falas dos alunos do grupo eleito, assim como dos coordenadores. Vão ser selecionados os trechos de filmagens que contenham o objeto de nosso estudo para as transcrições. Então, essas informações serão analisadas à luz da teoria psicanalítica de grupos de Pichon -Rivière e também através da contribuição do grupo de pesquisa.

## Análise

Iremos apresentar dois pequenos trechos de diálogos (de dois encontros distintos) do grupo de Licenciandos em Física e sua interação com o monitor.

## Situação 1

Os alunos têm o objetivo de resolver o problema da Máquina de Atwood utilizando -se da Mecânica Lagrangiana. Podemos verificar que existe pouca interação entre os membros do grupo. Notamos também uma forte dependência ia do grupo pelo coordenador (Monitor):

Esmeralda - Quem é maior aqui, M1 ou M2? Preciso saber pra que lado vai puxar né? (perguntando para o Monitor)

Monitor - Não, o caso é geral, você pode...

Amélia - São iguais. (interrompendo o Monitor)

Monitor - Olha. Você está escrevendo o vínculo, ou não? (para Esmeralda)

Esmeralda - Não, estou escrevendo agora o potencial.

Neste pequeno trecho já podemos verificar a falta de prática do Monitor em ser coordenador, no sentido de não fazer a pergunta levantada por Esmeralda "Quem é maior aqui, M1 ou M2?" " ser também feita para o grupo.

Com relação aos papéis, também podemos dizer que Amélia é o porta-v-voz, pois é ela quem se dirige para o Monitor. Entretanto, ela mostra que o grupo não está articulado, porque a verticalidade (individualidade) é preponderante nesse momento. O ideal seria que ela explicitasse ao Monitor uma pergunta trabalhada no coletivo grupal.

Vale ressaltar também que, nesse momento de filmagem, o grupo estava com três integrantes (Esmeralda, Amélia e Tomas). Tomas prefere discutir o problema somente com Amélia, porém eles fazem isso de forma pouco audível devido (acreditamos) à existência de certo acanhamento, o que diminui no decorrer do tempo (neste mesmo encontro).

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## Situação 2 2

Nesta outra situação, momento em que os alunos tentam compreender parte de um conteúdo exposto na lousa pelo Professor, podemos verificar o aparecimento de mais um papel, o de líder:

Tomas - O que ele (Professor) fala pra continuar é resolver o determinante ali? (apontando para lousa e perguntando para Esmeralda)

Esmeralda - É. Lagrangiana, isso aqui é a mesma coisa, dá pra entender essa parte?

Tomas - É, ele só está falando diferente.

Esmeralda - L=T- T- V (Lagrangiana) só a energia cinética somada termo a termo menos..., a gente vavai derivar isso aqui, achar as equações, não é? Espera aí, está na outra página (consultando o caderno), aqui. Acha as equações e pega a força. Cadê a força? Não ele não quer a força. E é aqui que eu não sei.

Depois de algum tempo de silêncio:

Esmeralda - Eu não vou substituir né? Eu vou derivar aqui na Lagrangina, no de somatória, não vou colocar todo mundo se não vou prejudicar minha vida. (se dirigindo ao Monitor)

Monitor - Pode ser.

Nesse rápido diálogo, vemos que Esmeralda exerce o papel de líder, visto que, inicialmente, ela dita as regras do processo de interpretação do conteúdo exposto na lousa para Tomas. Depois disso, Esmeralda pouco fala com Tomas. Num determinado momento, ela pergunta e responde para si mesma, sem esperar uma possível contribuiçição de Tomas "Espera aí, está na outra página (consultando o caderno), aqui. Acha as equações e pega a força. Cadê a força? Não ele não quer a força. E é aqui que eu não sei".

Mais uma vez, nota-s-se a falta de habilidade do monitor em fazer com que as discusussões se intensifiquem no grupo, pois ele não soube trabalhar a resposta de forma que o resto do grupo se envolvesse mais. "Esmeralda - - Eu não vou substituir né? Eu vou derivar aqui na Lagrangina, no de somatória, não vou colocar todo mundo se não vou prejudicar minha vida. (se dirigindo ao Monitor) Monitor - - Pode ser".

A resposta do Monitor foi apenas um "Pode ser". Com esse tipo de resposta bastante curta, ele pode ter reforçado a condição da Esmeralda como líder, o que resultou numa falta de circulação de de papéis. E a circulação de papéis é condição necessária para a operatividade do grupo.

## Considerações Finais

Através da análise das duas interações do grupo de Licenciandos em Física com seu coordenador, pudemos constatar a grande dificuldade de se estabelecer uma situação produtiva de trabalho coletivo.

Essas dificuldades foram sentidas nos dois níveis hierárquicos: tanto os alunos como o coordenador não conseguiram extrair o melhor de si para instaurar relações que propiciassem um melhor aprendizado atravévés da metodologia de grupo.

Sendo assim, investir no processo de compreender as possíveis interferências de fatores subjetivos na dinâmica de funcionamento de grupos é

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relevante se estamos interessados numa intensificação da aprendizagem dos alunos através dessa metodologia.

Sabendo que encontrarão as mais diversas dificuldades, tanto metodológicas como subjetivas - - como no caso do monitor, que não se mostrou devidamente preparado para explorar de maneira eficaz a formação de grupo -, é importante ressaltar r que os Licenciandos em Física precisam estar bem preparados para aplicar a metodologia de grupos com seus futuros alunos do ensino médio de forma proveitosa.

E, para estarem preparados para aplicar a metodologia de grupos com seus alunos, não basta apenas as que recebam uma metodologia pronta. Faz-se necessário vivenciá -las durante a graduação. E isso é exatamente o que estamos fazendo neste trabalho.

## Referências

ANZIEU, D. O Grupo e o Inconsciente - O imaginário grupal. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1993.

BARROS, Marcelo AlAlves. Análise de experiências didáticas com grupos de aprendizagem em física. São Paulo, Universidade de São Paulo, 2002, Tese (Doutorado em Educação).

BION, Wifred Ruprech. Experiências com Grupos. 2.ed. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1970.

FINK, Bruce. O sujeito lacaniano: entre a linguagem e o gozo. 3.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998. FOULKES, S.H. e cols. Psicoterapia de grupo. São Paulo, Ibrasa, 1972.

FOULKES, S.H. e cols. Psicoterapia de grupo. São Paulo, Ibrasa, 1972.

KAËS, R. O grupo e o sujeito do grupo: elementos para uma teoria psicanalítica do grupo. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1997.

MELO, Maria Lúcia de Almeida. Subjetividade e conhecimento. 1.ed. São Paulo: Vetor, 2002.

PICHON -RIVIÈRE , Enrique. O processo grupal. 5.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1994.

PICHON -RIVIÈRE , Enrique. Teoria do vínculo. 4.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

VILLANI, Alberto; CABRAL, Tânia Cristina Baptista. Mudança Conceitual, Subjetividade e Psicanálise, Investigações em Ensino de Ciências, Porto Alegre, v 2. n.1, 1997.

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