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DESCREVENDO E REFLETINDO SOBRE A PRATICA EM ILHAS DE RACIONALIDADE

Antônio Duarte, Marco Silva, Rodrigo Oliveira, Maria Inês Ribas Rodrigues, Marcelo Brandâo

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVIII
Ano
2009
Data
26/01/2009
Linha de pesquisa
Didática Da Física: Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação
Tipo
Pôster

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Texto completo

## DESCREVENDO E REFLETINDO SOBRE A PRATICA EM ILHAS DE RACIONALIDADE

Antônio Márcio Silva Duarte 1 , Marco Aurélio Silva2 a2 , Rodrigo Santos Oliveira 5 3 , Dra. Maria Inês Ribas Rodrigues 4 , Marcelo Brandão Monteiro dos Santos 5

- 1 Universidade Católica de Brasília / Curso de Física, marciosd@gmail.com

## Resumo

Este trabalho foi realizado durante o estagio obrigatório da disciplina de Prática de Ensino de Física três do Curso de Física da Universidade Católica de Brasília (UCB)B). A metodologia utilizada pelos graduandos para lecionar fora a de Ilhas de Racionalidade, descrita por Pinheiro em: "Ilhas de Racionalidade: Experiências Interdisciplinares na Segunda Série do Ensino Médio", publicada no IV Encontro Ibero-Americano de Coletivos Escolares e Redes de Professores que Fazem Investigação na sua Escola. Com base neste artigo segue neste trabalho uma descrição do modo de preparação e implementação da proposta e uma reflexão sobre a prática de construção de Ilhas de Racionalidadade no ensino de física. Também apresenta de forma sintetizada as etapas para a construção de uma Ilha de Racionalidade, descrevendo a forma de aplicação e os encontros dos estudantes com os graduandos estagiários. É em síntese o resultado de um estudo de c caso realizado em uma escola da rede publica Distrito Federal, na cidade satélite de Taguatinga no primeiro semestre de 2007, na qual foi aplicada a metodologia de Ilhas de Racionalidade com base no tema: a poluição sonora. A Ilha de Racionalidade tem como base a participação da turma em um grande projeto de pesquisa onde os alunos se dividiram em grupos e delimitaram o tema que cada grupo vai pesquisar, buscando a autonomia dos alunos em busca de conhecimento, o aluno não é mais visto apenas como mero agente passivo que só absorve o conhecimento que lhe é transmitido, mas que sai em busca deste conhecimento.

Palavras -c -chave: Ilhas de Racionalidade, ensino de Física, autonomia, ensino médio, reflexão sobre a prática.

## Introdução

A transposição didática, embora necessária, faz com que o modelo de ensino atual traga para a sala de aula um emaranhado de conteúdos disciplinares desconexos, tanto do cotidiano do aluno quanto dos modelos científicos que os geraram. Segundo (NEHRING et al., 2002), muitas vezes é difícil fazer com que os alunos tomem, como seu, um problema formulado na escola. Nesse contexto a metodologia de Ilhas de Racionalidade pode ser implementada para tornarem significativas as atividades escolares que os alunos desenvolvem.

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26 a 30 de Janeiro de 2009

Os mais de trinta anos de pesquisa em ensino de Ciências mostram-nos a necessidade de abandonar o modelo atual de ensino. Ao longo deste processo de mudança, alguns modelos, ou metodologias, vêm surgindo e sendo testadas em escalas pontuais. Um desses modelos é o de construção de Ilhas de Racionalidade, uma interessante proposta que tem como perspectiva a alfabetização científica e técnica proposta por Fourez (apud PINHEIRO, 2002) com o objetivo de aproximar o ensino de Ciências e o cotidiano do aluno. O autor atribui a esta proposta metodológica a viabilidade de propiciar a autonomia, o domínio e a comunicação entre as t tecnologias intelectuais elaboradas pela humanidade.

Esse trabalho, então, tem por objetivo a aplicação de uma Ilha de Racionalidade desenvolvida junto aos alunos do penúltimo ano da educação básica de uma escola do Distrito Federal. Ressaltamos que Na seqüência foram levantadas algumas questões que nos permitiram refletir sobre a nossa própria prática.

Desta forma, abaixo descrevemos, de modo simplificado, as etapas propostas por Fourez (apud PINHEIRO, 2002) para a construção de uma Ilha de Racionalidade. Simultaneamente apresentamos nossas ações junto à implementação da proposta nas condições normais de uma escola pública, ou seja, salas de aulas com 45 alunos, num total de quatro encontros de aulas duplas, num total de oito aulas, onde atuamos em duplas de estagiários,

Todo o processo tem início com a proposição de uma situação problema, que em nosso caso está relacionada à poluição sonora. Todavia, , cabe ressaltar que este era um assunto inserido no conteúdo programático da escola para esta etapa do semestre escolar - - ondas sonoras. Portanto, tratou-s-se de uma inovação que pôde ser implementada devido ao trabalho colaborativo entre a UCB e a Escola, representadas respectivamente pela professora-orientadora e professora-tutora.

Considerando o início do processo como a etapa zero, apresentamos a seguir um texto em itálico, ou seja, a apresentação do problema. Sendo a partir dele o início do desenvolvimento do trabalho com os alunos.

Como sabemos a sociedade contemporânea, nos grades centros urbanos, é a primeira a ter contado em grande massa com as novas tecnologias. Hoje é comum observarmos, até mesmo em sala de aula, pessoas que fazem uso de aparelhos os sonoros conectados diretamente ao ouvido. Dentro dessa perspectiva é viável nos questionarmos sobre os possíveis problemas relacionados com a saúde e a poluição sonora em: nossa cidade, nosso bairro, nossa rua, nossa casa, e finalmente em nossa vida. (problema apresentado aos alunos, 2007 ).

## Etapas da Ilhas de Racionalidades

Todas as etapas descritas abaixo foram fundamentadas no trabalho de Pinheiro (2002).

Etapa zero: É por meio dela que o professor faz todo um levantamento sobre a turma e sobre o tipo de problema que ela vai criar a fim de motivar os alunos para investigarem juntos uma possível solução para o mesmo. Depois de planejar e refinar o problema ele será apresentado aos alunos e será dado inicio a etapa um. Essa etapa fora realizada nos encontros na universidade e em encontros com a

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professora responsável pelas turmas. Ressaltamos que durante todo o processo havia discussões reflexivas durante as aulas na UCB acerca do desenvolvimento da implementação.

Etapa um: Elaborar um Clichê da situação estudada. O Clichê é entendido como o conjunto de perguntas que expressam as concepções e as dúvidas iniciais que o grupo tem a respeito da situação. É o ponto de partida da atividade (PINHEIRO, 2002). Demos inicio a essa etapa após a apresentação do problema e a contextualização do mesmo.

Etapa dois: Elaborar o panorama espontâneo. É a etapa de ampliação do clichê, onde se lista alguns itens que devem ser levados em conta e se levanta pontos que não foram atendidos na primeira etapa. Ainda é uma etapa considerada espontânea porque não se faz uso do conhecimento de especialistas sobre o assunto. Nela ocorrem várias ações, tais como: o refinamento das questões, a definição dos participantes, o levantamento de normas e restrições de interesses e tensões, listagem dos diversos aspectos da situação que serão abordados, escolha dos caminhos a seguir, listagem das especialidades e dos especialistas envolvidos com a situação (PINHEIRO, 2002).

Etapa três: Consulta aos especialistas e às especialidades. É a fafase na qual a equipe define quais especialistas da lista serão consultados. Os membros da equipe podem atuar como especialistas internos ao projeto. Nesta etapa ocorre o envolvimento com diversas áreas do conhecimento (PINHEIRO, 2002).

Etapa quatro: Indo o à prática. a. É nesse momento que começamos a entrevistar pessoas, desmontar equipamentos, realizar pesquisas em bibliotecas, internet etc. Deixa -s -se de pensar apenas teoricamente sobre a situação para conectá -la à prática. Essa pratica pode ser tanto dentro da escola quanto fora dela. Sobre essa etapa Pinheiro destaca:

Embora desde a primeira etapa a equipe esteja pensando sobre a situação, este é o momento em que se vão entrevistar pessoas, desmontar equipamentos, realizar pesquisas. Deixa-se de pensar apenas as teoricamente sobre a situação para conectá-la à prática (PINHEIRO, 2002).

Etapa cinco: Abertura aprofundada de alguma caixa preta para buscar princípios disciplinares. É o momento de aparecer disciplinas específicas dentro de uma proposta interdisciplinar. Pode-se recorrer a especialistas ou não. Para os alunos se escolherá as caixas pretas que conduzem ao estudo de noções importantes no mundo técnico-científico e correspondentes aos pontos do programa a estudar. É o momento dos conteúdos escolares.

Etapa a seis: Esquematizando a situação pensada. Esta etapa consiste na elaboração de uma síntese, um esquema geral que assinale os aspectos importantes escolhidos pela equipe. Geralmente é viável construir tabelas para representar a situação proposta (PINHEIRO, 2 2000; 2002).

Etapa sete: A Abrir algumas caixas pretas sem a ajuda de especialistas . Podese buscar o aprofundamento de algumas questões sem consultar especialistas, que podem não estar disponíveis. É um momento de autonomia da equipe. Atualmente os recursos da internet possibilitam que os alunos busquem conhecimentos específicos sem o auxílio de especialistas (PINHEIRO, 2002).

Etapa oito: Elaborando uma síntese da "Ilha de Racionalidade": ": O produto final. Para se ter uma idéia da abrangência da Ilha de Rac ionalidade é recomendável

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sintetizá -la por meio de um texto objetivo que contemple os diversos elementos pensados ao longo de sua elaboração. Esta síntese pode orientar um trabalho posterior, um informe, como um relatório, a produção de um vídeo, ou de um CD (PINHEIRO, 2002). Essa é a ultima etapa da ilha de racionalidade.

Para Pietrocola (1999), a intensificação nas estratégias de construção do conhecimento são importantes para os alunos na medida em que eles possam perceber que o conhecimento científico aprendido na escola serve como forma de interpretação do mundo que os cerca. E para isso considera que a realidade deva ser objeto da educação científica, enfatizando o conhecimento construído pela ciência como esboço dessa realidade e fazendo disso um dos principais objetivos da educação científica. Na mesma direção, Fourez (1994) propõe a Alfabetização Científica e Técnica como estratégia pedagógica e epistemológica para tratar o ensino de ciências. O autor considera que a Alfabetização Científica e Técnica é definida por um contexto no qual os saberes científicos procuram gerar alguma autonomia, possibilitando que o aprendiz tenha capacidade para negociar suas decisões, alguma capacidade de comunicação (encontrar maneira de dizer) e algum domínio e responsabilização face a situações concretas (NEHRING, 2002).

A citação acima sintetiza os principais objetivos que envolvem a metodologia de Ilhas de Racionalidade. Abaixo vamos descrever os encontros com os alunos.

## Desenvolvimento

Como é basicamente um estudo de caso vamos descrever todos os encontros e anexar as respostas dos alunos para auto-avaliação e em seguida vamos analisar todo o processo em questão. Desta forma, como destacado por Lüdke & André (1986), através deste estudo de caso qualitativo esperamos que o leitor faça uso do conhecimento tácito para realizar as generalizações e desenvolver novas idéias, novos significados, novas compreensões.

## Primeiro encontro

Iniciamos a aula com a professora nos apresentando ao grupo de alunos do ensino médio. Era uma manhã de clima quente e seco, o que parecia contribuir para que os alunos estivessem agitados. Na lousa havia uma frase, que havíamos deixado já escrita quando a sala ainda estava vazia: "Sejam bem vindos: Aqui é permitido pensar". Esperávamos motivá -los a participar das discussões.

Nos primeiros dez minutos, numa conversa informal, introduzimos a questão da poluição e sobre nossa proposta metodológica para estudarmos uma solução para esse problema. A partir de então, concluímos esse primeiro contato com a apresentação do problema.

Na seqüência, solicitamos a eles que elaborassem no mínimo três questões que viessem a colaborar com a solução do problema. Concedemos um tempo para que a tarefa fosse realizada. Enquanto eles refletiam sobre o problema e fafaziam as questões íamos realizando atendimento aos grupos e tirando eventuais duvidas sobre a nova abordagem. Este atendimento aos grupos é essencial, para que não aconteça dispersão da atividade proposta.

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A partir desta etapa lhes propusemos a seleção dos prováveis profissionais vinculados diretamente às questões elaboradas pelos grupos. De posse destas informações foi possível construir na lousa um quadro com a lista de especialistas levantados pelos alunos.

Ao findar desta etapa, tínhamos no quadro a lista de áreas dos especialistas que se relacionavam ao problema da poluição sonora: Saúde; Legislação; Técnica e Física, como disciplina. Ao consolidarmos esta etapa, procederíamos à divisão dos grupos de alunos, que iriam trabalhar com cada um dos campos de especialistas, o que fora efetivado através de sorteio. Ainda ao final deste encontro chegamos a discutir qual seria o produto (etapa oito da proposta das Ilhas de Racionalidade). Quanto aos objetivos da proposta das Ilhas de Racionalidade acreditamos que todos os itens foram compridos para essa primeira etapa .

## Segundo encontro

Iniciamos os trabalhos conversando com os alunos e definindo o que seria uma caixa preta dentro do contexto do qual estavam participando. Como exemplo de abertura e aprofundamento das caixas pretas (etapa cinco das Ilhas de Racionalidade) definimos e demonstramos o conceito de movimento uniforme.

Após essa introdução, iniciamos a etapa de refinamento das questões levantadas durante a aula anterior. Para tanto, primeiro solicitamos os que fossem retomados os grupos conforme definidos no último encontro. Os alunos então se espalharam ocupando todo o espaço da sala.

Retomadas as questões, nossa orientação fora para que eles fizessem o refinamento das questões. Durante esta fase do processo, tanto ficamos solucionando as duvidas dos que solicitavam, quanto orientando os trabalhos em grupo. Pedimos aos grupos que anotassem em duas vias as novas mudanças e o que cada componente do grupo iria pesquisar na próxima aula.

Ao final cada grupo apresentou o que iria pesquisar para a aula seguinte e o que caberia a cada um dos seus participantes. Finalizamos este encontro combinando sobre os próximos passos. Desta forma, iríamos nos encontrar em frete ao laboratório de informática na próxima aula, dentro de uma semana.

Ainda tivemos tempo para começarmos uma votação para decidir o produto que iria sintetizar a Ilha de Racionalidade. Embora alguns tenham sugerido filme, outros blogue e na internet, a partir de votação uma votação, a maioria decidiu que o produto final seria por meio de slide. O mesmo se sucedeu com a segunda turma, que entraria a seguir desta.

## Terceiro encontro

Encontramos -nos no laboratório de informática da escola como o combinado na aula anterior. Ficamos conversando um pouco com os alunos no corredor enquanto aguardávamos a chegada do técnico, que se deu em alguns minutos. Entramos com o técnico e observamos que havia computadores para acomodar pelo menos dois alunos por micro. Enquanto o técnico acionava os computadores, juntamente com a professora-tutora convidamos os alunos a entrarem.

Iniciamos os trabalhos ensinando aos alunos como usarem os mecanismos avançados de pesquisa do Google (site de busca). Além de entrarem e operarem no

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site de busca, os alunos foram orientados a reconhecer, nas informações oferecidas, o que era relevante do que não era. Após isso liberamos para eles trabalhassem. A aula fora completamente voltada à pesquisa, dentro do que cada aluno já havia delimitado anteriormente.

Durante a aula ficamos prestando assistência individual a cada aluno e, de certa forma, fiscalizando o que cada aluno estava pesquisando. Ao final solicitamos que eles enviassem para o nosso e-mail o que já haviam selecionado sobre o tema proposto. Acompanhando todo o desenvolvimento da prproposta, a professora-tutora solicitou que os alunos entregassem um relatório manuscrito sobre o que eles haviam pesquisado.

- O mesmo foi repetido para segunda turma sem nenhuma alteração significativa. Ao final combinamos, para encerramos nossos trabalhos na próxima aula como o combinado em nossa primeira aula.

## Quarto e último encontro

Os alunos estavam ansiosos pela apresentação do produto final da síntese da ilha de racionalidade. Assim acontecera o nosso último encontro. A professora tutora reservara uma a sala grande com equipamento de projeção de slides (powerpoint). Sendo que ao final da aula, tanto a professora-t-tutora quanto os próprios alunos surpreenderam-s-se com o resultado. Ela, por ter desacreditado, no início, que os alunos fossem aprender o "conteúdo" específico de ondas sonoras; eles, por acreditarem que simplesmente iriam à frente e apresentariam aquelas falas memorizadas e sem sentido, tal qual já estavam acostumados a realizar nos trabalhos e seminários anteriores ao nosso estágio.

Embora a professora-t-tutora estivesse conosco o tempo todo, nos deu liberdade de implementar a inovação, inclusive no que diz respeito à apresentação final dos resultados dos grupos. Sendo assim, organizamos a sala em um grande circulo e iniciamos um debate, de inicio um pouco tímido. Dissemos a eles que poderiam apresentar de onde se encontravam, mas caso quisessem e julgassem melhor, poderiam usar os recursos disponíveis na sala.

Como eles haviam separado em grupos os temas propostos. Começamos com os responsáveis para falar da poluição do ponto de vista da Física ou grupo dos Físicos. Aos poucos foram aparecendo os conceitos relacionados com o som, definição de altura, volume, etc...Acrescentamos sobre a propagação do som, sempre relacionado tudo aos seus cotidianos .

Após essa primeira apresentação, discutirmos sobre os pontos de vista dos Físicos, passamos então a palavra para os que ficaram responsáveis em apresentar os males que a poluição sonora pode causar a nossa saúde. Um grupo trouxe um catálogo que explicava, com detalhes, o funcionamento do ouvido, assim como voltaram a falar de captação do som e dos problemas que a poluição sonora causa em nossa vida.

- O próximo tema dentro da proposta era investigar se existem leis que regulavam a intensidade de som nas cididades. Este grupo encontrou várias leis tais como: a lei do silêncio, as leis que regulam o barulho na indústria, no transito e até leis históricas. Todos estes detalhes poderiam ser explicitados aqui, entretanto não estão contemplados no presente objetivovo.

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Já os grupos que fizeram entrevista com um profissional da área de poluição sonora preferiram fazer uso dos recursos multimídia para apresentar sua entrevista. No geral todos falaram um pouco sobre seu papel na produção do produto de síntese da Ilha de Racionalidade. Não houve tempo para que eles falassem tudo o que eles tinham a dizer sobre o trabalho. Mediante solicitação dos alunos, a professora-t-tutora concordou em dar continuidade na próxima aula a fim de suprir o que ficou faltando.

Para finalizar o o nosso último encontro recortamos várias folhas de papel em quatro partes cada folha e distribuímos um pedaço para cada aluno. Solicitamos a todos que sintetizassem em uma frase o que eles achavam dessa forma de ensinar Física. Ainda que, junto com a frase, fizessem uma auto-avaliação de sua contribuição para os trabalhos realizados em todos os encontros. Pedimos que quantificassem a auto-avaliação em porcentagens de zero a cem.

Apresentamos, em anexo, na forma de citações, o que os alunos escreveram sobre a experiência que eles vivenciaram durante as nossas aulas. Faremos a seguir, nossa reflexão sobre a construção das Ilhas de Racionalidade, levando em consideração todo o processo, assim como as colocações dos alunos.

## Conclusões

Os dados serão analisados os levando em conta os objetivos de nossa proposta das Ilhas de Racionalidade. Primeiro apresentaremos uma análise quanto à participação dos alunos durante os quatro encontros de cem minutos cada. Em seguida trataremos do que fora visto do "conteúdo" curricular de Física nos quatro encontros, assim como uma análise dos aspectos sociais envolvidos no cotidiano dos alunos. E ao final uma reflexão sobre todo o processo, considerando alguns obstáculos enfrentados.

Ressaltamos que, por ter sido um trabalho complexo de implementação no sentido de ter envolvido diversos grupos de alunos-estagiários do Curso de Física, outros aspectos poderiam corroborar com estes resultados. Todavia, tivemos de optar pelo recorte de nossa reflexão deixando para outra oportunidade a apresentação dos demais fatores.

A divisão da turma em pequenos grupos distribuídos por todo o espaço da sala foi fundamental para propiciar oportunidade de participação geral. No início houve resistência de alguns alunos, como podemos verificar nas auto-avaliações. pois fora solicitado que eles se avaliassem do inicio ao fim do processo. A Ilha de Racionalidade é um convite à participação, pois, são os próprios alunos que estão buscando e pesquisando o que eles escolheram para ser pesquisado, considerando o problema proposto. Desse modo, não é difícil para o professor identificar aqueles que não estão participando dos trabalhos em equipes. Da forma com a qual a ilha de racionalidade está organizada teoricamente, é quase que "inevitável" a não participação dos que se opõem a principio. A não ser no caso de todos os alunos se manifestarem contra inicialmente. Cabendo, neste caso, ao professor saber negociar na hora de introduzir essa metodologia com seus alunos.

Na etapa de divisão por especialista ficamos com quatro macros grupos: o grupo dos físicos; o grupo de saúde; o grupo de legislação e o grupo de técnicos em som. A menos do grupo de legislação todos os demais tinham o som como parte das

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questões, tal qual podemos observar nas próprias perguntas dos alunos, citadas abaixo:

- 1. O que é o som?
- 2. Quem são os agentes acusadores da poluição auditiva?
- 3. Como podemos entender o som estudando os movimentos ondulatórios?
- 4. Qual deve ser a potência máxima de um som de carro?
- 5. Qual o volume adequado para ouvir musica seja no som ou no mp3?

Essas perguntas levaram-nos a pesquisar sobre o modelo que descreve o som. Questões com a definição dos conceitos Físicos de: volume, intensidade, propagação e captação de ondas pelos ouvidos foram debatidos em sala. Tudo isso foi discutido pelos alunos durante o projeto, mesmo que algum dos temas tenha sido de forma qualitativa e um pouco superficial.

Era evidente, no último encontro, a vontade que eles estavam em apresentar o material produzido nos grupos, já que era um produto deles próprios; não havendo, em momento algum, intervenção de nossa parte nos rumos que tomaram as Ilhas de Racionalidade. Vale lembrar que só temos controle do tema e da problemática inicial, contudo, até isso pode ser negociado com os alunos. Essa negociação vai depender do envolvimento que o professor tem com a turma na qual pretenda implementar essa metodologia.

Quanto à questão de pensar o social, a saúde e as questões envolvidas no cotidiano: Podemos verificar pelas frases dos próprios alunos citadas abaixo que houve uma conscientização quanto a essa problemática em relação à poluição sonora; ainda que essa momentânea. Como um exemplo, citamos a frase "O trabalho realizado, cujo o tema foi poluição sonora foi interessante, pois é um tema que não é presente no nosso dia-a-dia. Com o trabalho conheci mais sobre o tema e me conscientizei" Quando o aluno argumenta que é um tema não presente em seu dia-a-dia, não está referindo -s -se à poluição, mas sim aos debates e questões que foram levantadas sobre esse e tema. Veja nessa outra frase a evidencia que eles perceberam a poluição sonora em seu cotidiano. " Foi interessante, pois a partir desse trabalho é possível se prevenir da exposição excessiva ao som alto."

Acreditamos então, que um dos objetivos de nosso trabalho fora alcançado: conscientizá -los sobre a existência da poluição sonora.

Geralmente no primeiro ano do ensino médio, na escola em que realizamos o trabalho com as Ilhas de Racionalidade, um semestre inteiro é dedicado ao ensino da Cinemática. Esse ensino, quase sempre pautado pelo método tradicional, permite a construção da crença os alunos de que a Ciência produz fórmulas, que ao serem memorizadas mecanicamente, propiciarão a resolução de todos os problemas. Sendo que os problemas a serem resolvidos não são autênticos, pois não fazem sentido algum aos alunos, não possibilitando desenvolvimento da autonomia pela alfabetização científica e técnica. Todavia, um objetivo é alcançado por esta metodologia inadequada, e que os alunos julgam ser o principal, "passar de ano".

Antes de entramos efetivamente em sala de aula, como alunos-estagiários, tivemos a oportunidade de conhecer primeiro toda a escola, sua infra-estrutura e ainda, assistir aulas de alguns de seus professores. Durante as aulas e em "passeio" pelos corredores, tivemos a oportunidade de observar, pelas janelas, os professores lecionando. Pudemos verificar a evidência do efeito topázio, ou seja, como se a sala

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fosse dividida em "dois mundos": um à frente do quadro, para o professor, e o outro da primeira carteira até o fundo da sala, para os alunos. Sendo que quase não se observa interação entre esses dois mundos. O professor raramente movimenta-se pelas carteiras de forma a tomar parte da sala completamente.

Esse é o retrato da escola em que realizamos o trabalho com as Ilhas de Racionalidade. Devido a fatores como notas para passar de ano e a própria cultura escolar vigente, não podemos afirmar que houve uma aprendizagem significativa. Por outro lado, não podemos descartar a possibilidade de ter havido, pois, essa não pode ser medida no momento levando em conta a complexidade do sistema.

- O que sabemos é que a construção da ilhas de racionalidade "quebrou a parede entre os dois mundos", proporcionando movimento ao sistema. Também temos que levavar em conta a prática da autonomia que os alunos tiveram ao negociar os rumos dos trabalhos.
- As Ilhas de Racionalidade propiciam a rara oportunidade do professor descer do pedestal em que se encontra e admitir, em alguns casos, que não sabe tudo e com isso o propor e fazer parte de uma pesquisa para construir o conhecimento junto com os alunos.
- O desenvolvimento da autonomia pelo aluno, talvez seja o foco principal dessa metodologia. E o que é mais interessante observar, ensinar Física de maneira proveitosa. Mas talvez a cultura do "pão e circo", do "futebol" e das "telenovelas" seja uma variável potencialmente contrária a essa autonomia.

## Referências

LÜDKE, M.; ANDRÉ, M.E.D.A. Pesquisa em Educação: Abordagens Qualitativas. EPU, S São Paulo,SP, 1986.

NEHRING, C. M.; SILVA; C; C.; TRINDADE, J.A.; PIETROCOLA, M.; LEITE,R.C.M.;PINHEIRO, T.F. As ilhas de racionalidade e o saber significativo: o ensino de ciências através de projetos . ENSAIO Pesquisa em Educação em Ciências,v.2 ; n.1, março, 2002.

PINHEIRO, T. de F . Um exemplo de construção de uma Ilha de Racionalidade em torno da noção de energia . : In: VII Encontro de Pesquisa em Ensino de Física EPEF, , Florianópolis/SC, 2000.

PINHEIRO, T. de F. Experiências Interdisciplinares nas Aulas de Física da Segunda Série do Ensino Médio.: In: XVI Simpósio Nacional de Ensino de Física, Florianópolis/SC , 2002.

PINHEIRO, T. de F.; FILHO, J.P.A., Ilhas de Racionalidade: Experiências interdisciplinares na segunda série o ensino médio. In: IV Encontro Iberoamericano de Coletivos s Escolares e redes de professores que fazem investigação na escola. . Lajeado/RS, 2005.

RODRIGUES, M.I.R.; CARVALHO, A.M.P. Professor-r-Pesquisador: Reflexão e a mudança metodológica no ensino de Física - - O contexto da avaliação. Revista Ciência & Educação o , v.8, n. 1, 2002.

SCHMITZ, C. Desafio Docente:As Ilhas de Racionalidade e seus Elementos Interdisciplinares. Dissertação de Mestrado (Educação Científica e

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Tecnológica) - Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis/SC, 2004.

## ANEXOS

- 1. Com es se trabalho aprendemos a capacidade de nossa audição Auto Avaliação 50%
- 2. O trabalho desenvolvido é interessante por que o som e suas características fazem parte do nosso dia-a-dia pois é uma coisa que vai nos acompanhar no futuro. Meu proveito nas aulas foi de 70%
- 3. Foi um trabalho bastante interessante , por que eu descobri coisas que não sabia sobre a poluição. Auto Avaliação 55%
- 4. Achei esse trabalho diferente e legal Auto Avaliação 65% 5. O trabalho realizado, cujo o tema foi poluição sonora foi int eressante, pois é um tema que não é presente no nosso dia-a-dia. Com o trabalho conheci mais sobre o tema e me conscientizei. Auto Avaliação 85%
- 6. O projeto realizado com os estagiários na turma, foi um incentivo para percebermos coisas que não damos tanta importância no dia-a-dia. Auto Avaliação 90%
- 7. Para mim o trabalho desenvolvido, foi interessante, um assunto atual e Com ele foi possível compreender um pouco mais sobre poluição sonora. Auto Avaliação 90%
- 8. Aulas eficazes que estimulam o aprendizado Auto Avaliação 60%
- 9. O trabalho foi muito bom, embora o nosso tema legislação seja meio complicado de pesquisar. Auto Avaliação 70%
- 10. Com as aulas conseguir tirar algumas duvidas que eu tinha sobre o som e com isso acho que aproveitei 80% das aula.
- 11. Este trabalho contribuiu para uma construção de novos conceitos. Auto Avaliação 50%
- 12. Através desse projeto pode me conscientizar bastante dos danos que causa ao meu aparelho auditivo e através desses conhecimentos que estou fazendo o meu ouvido sofre menos . Auto Avaliação 87%
- 13. Este trabalho foi proveitoso Auto Avaliação 70%
- 14. Aprendizado acima de tudo. Auto Avaliação 80%
- 15. Eficaz para a aprendizagem de cada um. Auto Avaliação 50%
- 16. Foi um trabalho muito bom, pois nós conscientizamos e entendemos que estávamos prejudicando nossa saúde. Auto Avaliação 95%
- 17. Foi uma aula boa me fez aprender coisas novas. Auto Avaliação 90%
- 18. Foi interessante, pois a partir desse trabalho é possível se prevenir da exposição excessiva ao som alto. Auto Avaliação 70%
- 19. Um trabalho muito bom, que desenvolveu uma discussão com a turma toda sobre o assunto. fez com que houvesse uma interação da turma. Auto Avaliação 30%
- 20. Aulas interessantes, bem legais, produtivas e bem dinâmicos. Auto Avaliação 58%
- 21. Essas aulas que tivemos serviu muito para despertarmos sobre o fato da perda da audição e o que causa ela.60%
- 22. Nas aulas que foi dada aprendi muita coisa legal, gostei do estilo da aula, achei muito bom o assunto sobre som, os vários problemas que podem causar no nososso sistema auditivo. Geral aprendi bastante 99%
- 23. Com essas aulas aprendi que é muito importante preocupar com a nossa audição. Auto Avaliação 70%
- 24. Um trabalho dinâmico, objetivo e democrático em todo o seu recurso, trazendo bem mais conhecimento e produtividade de idéias sobre o assunto 80%
- 25. Eu aprendi que diversos aparelhos e ambientes podem causar danos que podem chegar a ser irreversíveis a nossa saúde, que através de leis o governo está tentando diminuir os riscos a nossa saúde 80%
- 26. Com as aulas eu aprendi o cuidar da audição e como se prevenir da poluição sonora, desde que freqüência o ouvido humano conseguir ouvir até a freqüência que faz mal a saúde observados 75%
- 27. As aulas com os professores foi bastante interessante pois conseguimos aprender com eles o assunto dado. Nessas aulas aprendemos sobre o que é poluição sonora? Quando ela prejudica a saúde do homem, como de cuidar para que isso não nos prejudique. Enfim, essas aulas foram 10. 100%
- 28. Aulas produtivas e interessantes 55% 29. Aprendi como se pode prevenir a perda auditiva e várias outras caixas relacionadas a some poluição sonora. E a dinâmica das aulas contribuiu mais para o aprendizado 70%
- 30. Bem educativo!! Meu tema legislação (poluição sonora), acredito que participei e cocontribui com estudo e debate da minha pesquisa. 50
- 31. As aulas foram interessantes e dinâmicas, que desenvolveram um pouco o desempenho da turma 75,5%
- 32. Eu achei o trabalho interessante, adquiri vários conhecimentos que não tinha 85%
- 33. O trabalho foi interessante, pois eu conheci mais sobre o tema que não é um tema que a gente explore no cotidiano 80
- 34. Aprendi bastante e foi uma dita produtiva, onde aprendemos sobre poluição sonora!! 85%
- 35. Trabalho instrutivo contribui muito com o debate através da minha pesquisa em grupo 50%
- 36. Esse trabalho contribuiu para a consciência de que tenho que cuidar do meus ouvidos 50%

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26 a 30 de Janeiro de 2009

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