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Analisando a proposta pedagógica de ensino de física do professor Pachecão.

Ana Paula Cunha Moreira, Paulo César Pinheiro, João Antônio Corrêa Filho

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XVIII
Ano
2009
Data
26/01/2009
Linha de pesquisa
Didática Da Física: Materiais, Métodos, Estratégias E Avaliação
Tipo
Pôster

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Texto completo

## Analisando a proposta pedagógica de ensino de física do professor Pachecão

Ana Paula Cunha Moreira [anapaulinhamor@yahoo.com.br]r]

Paulo César Pinheiro [p[pcpin@ufsj.edu.br]r]

João Antônio Corrêa Filho [j[jcorrea@ufsj.edu.br]r]

Departamento de Ciências Naturais, Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ)

## RESUMO

Na literatura, observam-m-se diversas metodologias propostos para a melhoria do ensino, como a utilização de textos, filmes, jogos, softwares e músicas. Neste trabalho, propusemos analisar o uso da música no ensino de física, em particular, aquelas usadas pelo conhecido professor Pachecão, visando saber que tipos de aprendizagem ocorrem com esse método, embora saibamos que os alunos gostam das aulas e levam as músicas para o vestibular, retendo-a-as em suas memórias por longo tempo. Para isso, procuramos analisar parte dessas composições quanto à contextualização e ao estilo de linguagem, fundamentando o estudo na teoria sociocultural de Vygotsky, em que o meio social é determinante no desenvolvimento humano, e da ação mediada de Wertsch, que preconiza uso de meios mediacionais para dar forma à ação para atingir determinado fim. Somado a esse estudo, procuramos acrescentar resultados obtidos numa investigação realizada na comunidade virtual "Já fui aluno do Pachecão" instalada no Orkut, por meio de entrevistas com seus membros. Quanto aos resultados desse estudo, os membros entrevistados disseram gostar e serem favoráveis à proposta de ensino do Pachecão, mas destacaram que a forma irreverente do professor também colaborou para o sucesso de suas aulas. Alguns dos entrevistados afirmaram que essa metodologia contribui para a aprendizagem. Outros complementaram dizendo que a metodologia facilitava decorar as fórmulas. Em linhas gerais, o estudo das músicas nos mostrou que, embora sejam de diversos estilos musicais, elas têm em comum a repetição de refrões contendo a chave da mensasagem, o que pode favorecer a aprendizagem mecânica, com base em nossa compreensão da teoria de aprendizagem significativa de Ausubel. A música é, portanto, um instrumento de mediação, uma ferramenta cultural que é apropriada pelos agentes humanos e que ambos têm uma relação dialética, mas se não bem trabalhadas, podem produzir apenas uma aprendizagem mecânica.

Palavras -c -chave: Ensino de Física; Professor Pachecão; Música.

## INTRODUÇÃO

Alguns professores de cursos pré-vestibulares vêm procurando facilitar a ass imilação de grande quantidade de conteúdos pelos alunos através da composição de letras e músicas temáticas, tais como as canções envolvendo conteúdos de Física do José Inácio da Silva Pereira, o famoso Professor Pachecão. Ele brinca e canta com a turma, fafazendo com que todos participem e se divirtam em suas aulas. Enquanto era aluno de cursinho pré-vestibular, Pachecão já considerava

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o ensino tradicional como sendo muito chato, cansativo e monótono, chamando-lhe a atenção os professores mais descontraídos e e divertidos (MAGALHAES, 2008).

Não sabemos se os alunos aprendem Física desse modo, mas o fato é que eles gostam desse método de ensino e participam das atividades cantando as músicas com empolgação, levam-nas para o vestibular, a universidade e a vida, retendo -as em suas memórias por longo tempo.

Embora suas aulas e recursos sejam um sucesso entre os alunos, pouco se sabe se outros professores de física apropriam esses recursos e como os utilizam em suas aulas e, principalmente, que tipo de aprendizagem ocorre com esse recurso. Nossa hipótese é que a aprendizagem se restringe à memorização de fórmulas e conhecimentos, a qual é favorecida pela natureza das músicas cantadas em sala de aula. Nessa ótica, cabe investigar também como tais canções são estruturadas de modo a facilitar a memorização pelos alunos e refletir sobre esse papel da música nas aulas de ciências. Assim, neste trabalho, propusemos analisar essas composições musicais e a sua utilização em sala de aula, bem como a repercussão nos alunos e na aprendizagem de conteúdos da física escolar requisitada para entrada na universidade.

Uma abordagem que consideramos pertinente ao contexto de observar, descrever e analisar a utilização dos recursos de ensino (músicas) desenvolvidos pelo Professor Pachecão nas aulas de física, é a teoria sociocultural da ação mediada proposta por James Wertsch. No cerne dessa abordagem, a suposição básica é que o que está para ser descrito e explicado é a ação humana (WERTSCH, 1997, p. 8):

Quando se dá prioridade analítítica à ação, os seres humanos são vistos como entrando em contato com, e criando, suas redondezas assim como a si mesmos através das ações nas quais se engaja (WERTSCH, 1997: p. 8).

Wertsch define que a unidade de análise de seus estudos é a ação mediada, que envolve uma dialética entre o agente (quem) e a agência (meios ou instrumentos). Sob essa perspectiva, para saber quem executa a ação (cantar uma música do Professor Pachecão, por exemplo) ou quem fala em um diálogo (discutir a letra da música), é preciso considerar não apenas o sujeito isolado, mas também a ferramenta cultural que ele emprega para agir ou falar.

Esse tipo de ação é associado por Wertsch à categoria de ação estratégica de Habermas, onde um indivíduo atinge um fim ou estado numa situação através da escolha dos meios mais adequados que possuem a promessa de sucesso (compor músicas para memorizar conteúdos de física, por exemplo).

Na visão de Wertsch, toda ação humana geralmente envolve o uso de meios mediacionais para se atingir um determinado fim (tal como a música e o diálogo, por exemplo) e são esses que essencialmente dão forma à ação. Como conseqüência, o foco de análise proposto é o "indivíduo-agindo-com-o-os-meios-mediacionais", ao invés de simplesmente o "indivíduo" (WERTSCH, 1997, p. 10).

- A teoria da ação mediada traz em sua própria denominação o conceito de mediação, emprestado de Vygotsky para a psicologia do desenvolvimento. A noção materialista de mediação considera os instrumentos decisivos na estrutura e na

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gênese das atividades de trabalho, pois são os instrumentos que se colocam entre os sujeitos e os produtos dessas atividades, exercendo, portanto, a função de mediadores das ações humanas. Tais ações, sejam elas externas - - entre indivíduos, ou internas - no plano mental, são mediadas por ferramentas culturais que estruturam as ações e as determinam. Nessa perspectiva, a fala dos sujeitos é considerada como o principal mediador das ações humanas.

Se para a teoria histórico-cultural de Vygotsky (ROSIMARY, 2008) a fala é principal ferramenta cultural, para a construção do pensamento na sala de aula ela é o principal instrumento de organização das atividades de ensino e dos processos de significação, sendo, portanto, o principal objeto de estudo e pesquisa em sala de aula. O discurso dos professores e dos alunos ao redor das canções do professor Pachecão, bem como das próprias canções em si mesmas se configuram, portanto, como objetos de estudo e análise importantes no contexto de perceber como o ensino é organizado usando tais rec ursos, como as canções são estruturadas e se os alunos aprendem de fato.

## METODOLOGIA

Com o fim de entendermos a organização das músicas criadas pelo professor Pachecão, treze de suas canções que estavam disponíveis na Internet, foram analisadas quanto aos seus conteúdos e estilo de comunicação e linguagem. Essa análise foi feita junto a um estudante de graduação do curso de música/UFSJ.

Foi realizada também uma análise das concepções de ensino- aprendizagem, baseando -se na teoria de aprendizagem signific ativa de Ausubel, nas comunidades virtuais instaladas no Orkut, "Sou fã do Professor Pachecão" e "Fui aluno do Pachecão". Para essa inspeção, foram elaborados dois questionários: um direcionado aos ex -alunos; outro específico aos professores, que foram ou não alunos do Pachecão. No anexo, apresentamos esses questionários.

A busca pelas comunidades no Orkut partiu-se do nome do professor, Pachecão. Das diversas comunidades achadas, selecionamos duas, que consideramos serem as mais convenientes para a nossa a análise. O questionário foi encaminhado a 45 membros de aparência jovem da comunidade e "Já fui aluno do Pachecão", no dia 02/06/08 que era composta por 408 membros, e no dia 11/06/08, com já contando com 406 membros, a mais 20 membros. Da primeira seleção, dois membros nos responderam, sendo um ex-aluno que atualmente é professor. Da segunda seleção, tivemos retorno de apenas um membro. No dia 17/07/08, a mesma comunidade continha 398 membros e mais 15 pessoas com perfil mais adulto foram selecionados aleatoriamente, dos quais sete ex-alunos responderam ao questionário. Nos dias 19, 20 e 23/07/08, havia 399 membros. Na primeira data, 16 membros foram escolhidos e quatro ex-alunos nos responderam. Na segunda data, oito membros foram selecionados, dos quais três ex-x-alunos e um professor, tendo este mestrado em química, nos responderam. Este professor participava da comunidade dos ex -alunos, mas na verdade nunca tivera aula com o Pachecão. E na última data, dos três membros selecionados, apenas um nos respondeu. Aguardamos durante mais um mês algum membro da comunidade se manifestar, mas isso não ocorreu.

Na comunidade "Sou fã do professor Pachecão", foram selecionados apenas os membros que exerciam a profissão de professor. No dia 16/06/08, essa

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comunidade era composta por 168 membros, onde foram encontrados quatro professores que lecionavam matemática, geografia, letras e biologia, conforme seus perfis. O questionário referente aos professores foi enviado aos selecionados e apenas aquele que lecionava geografia nos retornou. Até o dia 19/08/08, nenhum dos outros selecionados se manifestou.

## RESULTADOS E ANÁLISES

Treze canções do professor Pachecão que estavam disponíveis na Internet foram analisadas quanto aos seus c conteúdos e estilo de comunicação e linguagem.

Nossa primeira hipótese é que as canções do professor Pachecão são bem aceitas pelos alunos, porque são estilos ecléticos e muito próximos da realidade dos jovens. Tais músicas se enquadram nos estilos do axé, eletrônica, pagode, soul , baião (forró), pop dance, marchinha de carnaval, mambo (Caribe), country y e samba. Apenas uma delas apresenta algumas estrofes que são paródias da música natalina " dingle bells". ". Nossa hipótese é compatível com o comentário de um dos membros da comunidade no Orkut "fui aluno do Pachecão", quando perguntamos a ele se o professor Pachecão utilizasse uma ópera surtiria o mesmo efeito:

"Acredito que a melodia e composição das músicas foram feitas para um público específico e situação em questão. Trazem bons resultados, pois é compapatível com quem as ouve. Acredito outro ritmo não "funcionaria" tão bem."

Observamos ainda a presença de algumas rimas em músicas do Pachecão, no entanto, elas fazem parte da musicalidade e é comum ocorrer em diversas canções, não tendo apenas o intuito de de facilitar a memorização. O que pode favorecer essa memorização é a linguagem fácil utilizada e que pode ser suficiente para o aluno abstrair o conteúdo (principal).

Nas canções que tivemos acesso, encontramos várias frases no imperativo como, por exemplo , "vai ter que usar a mão para saber o sentido da força", ou em " Torriccelli você tem que lembrar" " ou ainda em "pois vai cair no seu vestibular", que induzem o leitor e, especialmente, o ouvinte a fazer algo.

A linguagem fática é um recurso muito utilizado em músicas do professor Pacheção. Com elas, ele questiona o ouvinte "c "como calculo a força magnética?" " ou " para zerar a corrente, galera como é que é?" e, em seguida, ele traz essas respostas principalmente nos refrões, como "força magnética seno teta que v vê Bê (F = sen ?. B . q. v)" " e "somatório de V mais R igual a zero". .

As músicas são estruturadas de forma que, nos refrões, se encontram o conteúdo principal, como algumas regrinhas e fórmulas:

"Pra calcular esse campo Eu uso cá quê sobre dê dois (E=k.Q/d/d2) Cá quê sobre dê dois "

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Esse tipo de estrutura facilita a memorização das fórmulas. O refrão das músicas no geral é caracterizado pela repetição, e é por isso que, quando um cantor lança É gppçpqq uma canção nova, a princípio, memorizamos apenas o refrão. É essa característica que faz com que o autor intencionalmente concentre nos refrões a mensagem principal.

Nas estrofes seguintes, o professor Pachecão complementa a matéria misturando a linguagem física com a linguagem fácil e descolada dos jovens, como na músicica "Beleza arrazadora" (Força Gravitacional), onde o professor complementa a fórmula:

"Tanto dentro quanto fora Do sistema solar O campo gravitacional É criado por que tem massa É por isso que estou atraindo toda menina que passa"

Além disso, o professor r Pachecão faz uso da linguagem falada a fim de alertar o ouvinte para os pontos que ele quer chamar atenção como em "s"se ligue que isso é importante....", e também é usada para animar as suas canções como no trecho:

"É isso ai galera, beleza?

Onde a corren te vai o dedinho vai atrás.

Todo mundo com o dedinho agora!

Passa o dedinho no fio pra saber como é que faz"

Pachecão também faz uso da linguagem figurada. Ele brinca com as palavras, transforma as variáveis de uma fórmula em uma frase engraçada como na música que denominou "Vem Lamber Ferida":

"Vem lamber ferida ( v = L . F ) e (tê dois pi raiz de emê ká) também pode ser (tê dois pi raiz de ele sobre gê) Quando o pêndulo balançar"

Todos esses artificios utilizados pelo professor Pachecão repercutem de alguma forma na aprendizagem dos alunos.

Da amostra investigada na comunidade do Orkut "Já fui aluno do Pachecão", percebeu-s-se que o público alvo do professor Pachecão é composto por alunos dos cursos pré-v-vestibulares e também do 3º ano do ensino médio. Os que não foram

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alunos do Pachecão conheceram -no através de eventos. Na sua carreira de professor, ele não apenas lecionou física como também química, conforme mencionado por uma ex-aluna dele:

"No cursinho pré vestibular Sistema em Belo Horizonte, há muito tempo atrás, era meu professor de química."

Antes de começarem a ter aulas com o Pachecão, muitos dos membros da comunidade "Já fui aluno do Pachecão" já ouviram falar dele, principalmente através da mídia. Em alguns casos, ele foi tomado como referenc ia para atrair alunos:

"(...) só o conhecia por televisão pelas participações em programas que ele já fez, e como falavam muito bem dele resolvi matricular no cursinho."

Segundo os ex-alunos, membros dessa mesma comunidade virtual, as aulas do Pachecão eram bem divertidas e descontraídas:

"(...) As aulas do professor Pachecão eram ótimas, divertidas e fáceis de compreender (...)"

Entretanto, percebe-s-se, através das respostas mostradas a seguir, que há grande interrese dos alunos em suas aulas por causa da irreverência do professor:

"não era a mesmice de sempre... eram tão boas que passava super rápido..... quando acabava dava uma tristeza,, rsrsrs Ele com seu jeito maluco, engraçado... não tinha ninguém que ficasse sem prestar atenção na aula. No final das aulas, ele subia no "quadro" ou jogava um copo de água no pessoal."

Segundo ex-x-alunos de Pachecão, a música não era apenas uma maneira só de chamar a atenção, mas era também um caminho alternativo que facilitava a memorização das fórmulas, como podemos ver nas falas de dois ex-x-alunos:

"A música era usada para descontrair e chamar a atenção dos alunos e para ajudar a decorar e entender conceitos e fórmulas físicas."

"(...) Ele usava as músicas dele de acordo com o assunto do dia e a música falava praticamente o resumo da matéria do dia. (...)"

Conforme já mencionado no início dessa análise, as músicas do Pachecão têm nos refrões a chave do conteúdo, e essas estrofes, que muitas e muitas vezes são repetidas, implicam na memorização rápida, como relata uma ex-aluna:

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"Ele as cantava, sem passar letras. Mas repetia e acabávamos decorando e cantando junto."

Nessas respostas, verificam-s-se muitas vezes os ex-x-alunos falando em decorar, pois a grande maioria visava em prestar vestibular e isto exige do aluno abstrair uma grande quantidade de conteúdo, conforme a seguinte resposta de um professor e ex-x-aluno de Pachecão:

"Os métodos dele são válidos dentro do que se espera de um colégio particular de segundo grau, ou seja, preparar o aluno para passar num vestibular."

Apesar de terem que memorizar os conteúdos, os ex-x-alunos pareceram constatar que a música é sim uma metodologia que traz alguns benefícios dentro dos parâmetros exigidos em uma prova, que testa ao máximo o que o aluno sabe, mas não é suficiente:

"A metodologia dele me ajudou a lembrar as fórmulas básicas de Física. A aplicação foi por conta do raciocínio, que ele também ensinou, mas, neste caso, sem música..."

O fato é que se tratasse de uma mera memorização, uma aprendizagem mecânica, segundo Ausubel (AUSUBEL, 2006), com o tempo os alunos esqueceriam boa parte ou completamente o conteúdo. Mas o fato é que isso não acontece, conforme o seguinte depoimento de uma ex-x-aluna do Pachecão:

"(...) Para mim foi ótimo, pois eu tinha dificuldade em física e tem coisa que eu ainda não esqueci e isso tem 6 anos. (...)"

Quando questionados a respeito da eficácia desse recurso na aprendizagem, alguns ex-alunos afirmaram categoricamente terem aprendido o conteúdo, outros afirmaram terem apenas decorado, ou ainda terem ocorrido os dois, como podemos ver no seguinte depoimento:

"Acho que ambas estão relacionadas. Pois anteriormente ele explicava a matéria, e as músicas serviam de apoio para fórmulas entre outras, mais difíceis de serem lembradas."

Para outros, ela não é um método que visa à plena aprendizagem, como no exemplo:

"Na minha opinião, as músicas eram um grande atrativo nas aulas, talvez o beneficio tenha sido o prazer e a vontade de estar presente em todas as aulas de física."

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Os professores que atenderam ao nosso convite disseram gostar da metodologia do professor Pachecão, mas, quando questionados se já tinham trabalhado com esse tipo de recurso, afirmou um professor, mestre em química:

"Eu utilizei as musicas para fixar as formulas, quanto a fazer algo parecido, eu passei um trabalho para os alunos inventarem musicas assim tb."

## E outro fã de Pacheção:

"não, acredito que não tenho tanta criatividade."

Segundo Vygotsky, o meio social é determinante no desenvolvimento humano e, por isso, popodemos justificar a disposição dos alunos para a aula quando o professor trabalha com a música. Esse instrumento, a música, faz parte de suas vidas e nos parece ser que é com essa finalidade que o professor Pachecão faz uso de um repertório tão eclético, coconseguindo satisfazer a heterogeneidade dos perfis dos seus alunos.

Quanto à à análise sociocultural em Wertsh, que visa compreender as relações entre a subjetividade do agente, as ferramentas culturais, a apropriação e a criatividade, identificamos, portanto, a música como um instrumento de mediação, uma ferramenta cultural que é apropriada pelos alunos a fim de se atingir um determinado fim, aprender ou simplesmente decorar o conteúdo e passar numa prova. Trata-se do o "indivíduo-agindo-com-os-meios -mediacionais", ao invés de simplesmente o "indivíduo" (WERTSCH, 1997, p. 10).

## CONCLUSÕES

A A música é um instrumento de mediação que pode proporcionar algumas vantagens pedagógicas, no entanto, se não for trabalhada de maneira correta, pode ocasionar uma aprendiz agem mecânica. No caso das músicas do professor Pachecão, elas são articuladas de tal maneira que visa a facilitar a memorização de conteúdos e fórmulas. Por isso, para completar a análise se faz necessário planejar e desenvolver atividades de ensino envolvendo os recursos do Professor Pachecão em sala de aula, para identificarmos se sua metodologia é restrita apenas a memorização ou também favorece a aprendizagem significativa

## AGAGRADECIMENTOS

Gostaríamos de agradecer: à FAPEMIG, pelo apoio ao desenvolvimento de um projeto de iniciação científica que deu origem a este trabalho; ao acadêmico do curso de música/UFSJ, Luciano de Barros Carneiro, pela colaboração nas análises das músicas; à professora de canto popular do curso de música/UFSJ, Thaís Alvim dos Guimarães, por ter nos orientado nas escolhas dos quesitos utilizados nessas análises; e aos membros das comunidades virtuais no Orkut "Sou fã do Professor

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Pachecão" e "Fui aluno do Pachecão", que atenciosamente responderam aos nossos pedidos.

## Referências Bibliográficas

MAGALHÃES, L.C. Pachecão -- O Astro Mestre. Disponível em:

< http://www.virtualand.net/pachecao/historia.htm>. Acesso em: 26 set. 2008.

MOREIRA, M.A. A A teoria de aprendizagem sigignificativa e sua implemetação em sala de aula . Brasília: UnB, 2006.

PEREIRA, R. Vygotsky - Teoria socio-cultural. Disponível em:

< http://www.mtm.ufsc.br/geiaam/Vy-y-texto.doc>. Acesso em: 12 abr. 2008.

WERTSCH, J. V. Voices of the Mind: a sociocultural approach to mediated action. 4. ed. Cambridge: Harvard University Press, 1997.

## ANEXO: Questionários destinados a membros de comunidades virtuais do Orkut sobre o professor Pachecão

## 1) Para ex-x-alunos do professor

- a. Onde você teve aula com o professor Pachecão?
- b. Antes de começar a ter aulas com ele (Pachecão), você já tinha ouvido falar dele?
- c. Como eram suas aulas?
- d. Como ele usava as músicas na sala de aula?
- e. O que você achou da metodologia dele?
- f. De que foforma as músicas do Pachecão te ajudaram na sua vida? Te beneficiaram? Dê exemplos.
- g. Você apenas decorou ou conseguiu aprender o conteúdo?
- h. Você é a favor da metodologia criada pelo Pachecão?
- i. As músicas do Pachecão são bem agitadas e "descoladas", caso fossem uma ópera, surtiriam o mesmo efeito?

## 2) Para professores

- a. Qual matéria que você leciona?
- b. Como você conheceu os métodos de ensino do professor Pachecão?
- c. Como você avalia essa metodologia?
- d. Você já utilizou ou utiliza as músicas em suas aulas? Já desenvolveu algum trabalho parecido em sala de aula? Explique.
- e. Quais os benefícios que você vê nessa metodologia de ensino?
- f. Você vê alguma "contra-indicação" nesse tipo de metodologia?
- g. O aluno apenas se distrai, se diverte, decora ou realmente tudo favorece a aprendizagem?
- h. Caso tenha sido aluno do Pachecão, o uso da música facilitou no seu processo de aprendizagem?

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.